L, O MUSICAL

Canções femininas que embalam o romance entre mulheres compõem a trilha sonora de L, o Musical, de Sérgio Maggio, que chega aos palcos do Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo (CCBB São Paulo) no dia 6 de janeiro, depois de duas temporadas bem sucedidas em Brasília e no Rio de Janeiro. Pautado por temas como a liberdade, o desejo, os afetos e a identidade humana, o espetáculo cria uma reflexão sobre as delícias e conflitos do amor lésbico.

A discussão fica ainda mais intensa porque as protagonistas do musical são negras sem a necessidade de a peça debater o preconceito racial. “Os corpos de Elisa e Ellen no palco trazem em si um poderoso discurso político mobilizador. Esse pretagonismo, como batizou Elisa, abala o racismo estrutural, que naturalizou a não presença de atrizes negras no centro do palco em personagens vitais para a trama”, esclarece o diretor.

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A peça narra o entusiasmo da renomada autora de novelas Ester Rios (Elisa Lucinda) com o sucesso de seu primeiro folhetim a retratar um triângulo amoroso entre mulheres. Ela divide a sua empolgação com as amigas Anne, Simone, Elle, Filipa, Léa e Xena (interpretadas por Renata Celidonio, Gabriela Correa, Tainá Baldez e Luiza Guimarães) e lembra-se de Rute (Ellen Oléria), o grande amor de sua vida. Notícias inesperadas poderão mudar o destino de todas essas mulheres.

Com direção musical de Luís Filipe de Lima, a montagem ainda conta com a participação de uma banda formada pelas instrumentistas Alana Alberg (baixo), Marlene de Souza Lima (guitarra), Nathália Reinehr (bateria) e uma musicista a definir no teclado. Aurélio de Simoni concebeu o desenho de luz, Maria Carmem de Souza, o cenário, e Carol Lobato, os figurinos. Ana Paula Bouzas assina a direção de movimento, enquanto Jones de Abreu é o diretor assistente. A direção de produção é de Ana Paula Martins.

Para escolher quais canções fariam parte da trilha sonora, Maggio fez uma pesquisa em grupos virtuais de mulheres lésbicas. Formou-se um universo de 90 temas. Depois, ele, com a ajuda de Ellen Oléria e supervisão de Luís Filipe de Lima, chegou a 22 músicas de Simone, Adriana Calcanhotto, Márcia Castro, Cássia Eller, Mart’nália, Isabella Taviani, Maria Gadú, Leci Brandão, Sandra de Sá, Angela Ro Ro, Marina Lima, Maria Bethânia, entre outras cantoras que se declararam publicamente lésbicas ou bissexuais, ou que têm uma identificação afetiva com esse público.

Outra referência importante para o espetáculo é a montagem icônica de “As Lágrimas Amargas de Petra Von Kant”, do alemão Rainer Werner Fassbinder, com elenco formado por Fernanda Montenegro, Renata Sorrah, Rosita Thomas Lopes e Juliana Carneiro de Cunha, que discutiram o amor entre mulheres em 1982.

L, O Musical
Com Elisa Lucinda, Ellen Oléria, Renata Celidonio, Gabriela Correa, Tainá Baldez, Luiza Guimarães
Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo (Rua Álvares Penteado, 112 – Centro, São Paulo)
Duração 110 minutos
06/01 até 26/02
Sexta, Sábado e Segunda – 20h, Domingo – 18h
$20
Classificação: 14 anos

A NOTÍCIA

Como uma notícia atravessa um corpo? Como um corpo reverbera um noticiário? Nos dias 02 e 03 de dezembro (sábado e domingo), o Caleidos Cia de Dança estreia o espetáculo “A Notícia”, 24º trabalho da companhia paulista que, mais uma vez, se volta sobre o tema da violência na cultura do macho.

Com solo do intérprete criador Nigel Anderson, em “A Notícia”, o noticiário de violência contra homossexuais no Brasil e no mudo se se desdobra numa rede de denúncias, afetos e ações no corpo múltiplo do ator dançarino, revelando e discutindo narrativas pessoais do não-macho na sociedade atual.

“A Notícia” é uma extensão do espetáculo “Mairto” – Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna 2013, criado a partir da notícia do assassinato de um homossexual em São Paulo. E, assim como “Mairto”, “A Notícia” é resultado do Projeto Rosa Azul, que ocupou papel central nos processos de pesquisa do Caleidos Cia durante todo o ano de 2014. O foco de Rosa Azul é a questão da violência na cultura do macho e os espetáculos ligados a esse projeto tematizam os principais alvos dessa violência: homossexuais, mulheres e crianças.

O espetáculo “A Notícia” é dividido em três atos e notícias distintas. O primeiro ato refere-se a uma notícia de agressão gratuita e motivada pela homofobia, ocorrida em 2010, quando três jovens homossexuais foram agredidos com uma lâmpada fluorescente na avenida Paulista.

O segundo ato trata da patologização da homossexualidade representada pela notícia da aprovação este ano, pelo STF, da cura gay, além de matérias sobre pessoas que foram submetidas a tratamentos de reversão sexual ou de expulsão de demônios.

O terceiro ato aborda a criminalização dos gays, com notícias internacionais sobre campos de concentração para extermínio gay, lista de homossexuais procurados pela polícia em Uganda, enforcamento e apedrejamento no Irã e Arabia Saudita.

Todas as notícias são dançadas e as danças são atravessadas por memórias de vida do intérprete-criador, além de falas científicas e elementos de cênicos documentais numa narrativa caótica e não-linear que costura texto e dança. Após a estreia em São Paulo, ainda em dezembro o espetáculo “A Notícia” segue em temporada em Belém (PA), terra natal do ator e dançarino Nigel Anderson.

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A Notícia
Com Nigel Anderson
Caleidos Cia. de Dança (Rua Mota Pais, 213, Lapa, São Paulo)
Duração 45 minutos
02 e 03/12
Sábado e Domingo – 20h
$20
Classificação 16 anos

ALAIR (Opinião)

Em comemoração aos 45 anos de carreira, o ator Edwin Lusijunto de André Rosa e Claudio Andrade – está em cartaz com a peça “Alair” no Teatro Nair Bello (Shopping Frei Caneca).
A peça homenageia o fotógrafo, professor e crítico de arte, Alair Gomes, no ano em que se completam 25 anos da sua morte.
Alair é reconhecido como artista precursor da fotografia homoerótica no Brasil, que conquistou a consagração internacional com seu trabalho cujo tema central era a beleza do corpo masculino.
Morador do Rio de Janeiro, bem em frente a Ipanema, ele tirava fotos – secretamente – dos jovens que se exercitavam e frequentavam as areias da praia carioca. Somente algumas poucas, a pedido do artista, eram posadas no seu apartamento.
Ao total foram mais de 170 mil negativos e 16 mil ampliações entre os anos 1960 até 1992, quando morre.
Durante a peça, vemos Alair (Edwin Luisi) relembrando de fatos acontecidos na sua vida em três fases distintas – quando se apaixonou por um militar, nos anos 50; quando viajou para Europa nos anos 80; e quando veio a falecer nos anos 90 (estrangulado no seu apartamento em situações não esclarecidas até hoje).
André Rosa e Cláudio Andrade interpretam os outros personagens que passaram pela vida do fotógrafo. Em um momento específico, recriam poses dos rapazes que foram captados pela câmera de Alair (uma cena muito bonita com um jogo de luz – claro e escuro, mostrar e esconder).
A peça aborda, além da vida de Alair Gomes e seus trabalhos, dos preconceitos vividos por um homosexual da terceira idade – a solidão; não ter mais o ‘físico desejado’ pelos jovens e com isso ter que pagar para poder ter um relacionamento sexual. Constatando – e verbalizando – este sentimento, Alair/Edwin (e a plateia) vem às lágrimas (ah, juventude! como se todos fossem eternamente Apolos/Narcisos!)
 
Em tempos de discussão sobre a censura nas Artes, a peça continua atual – durante uma exposição dos trabalhos de Alair, na década de 80, num centro cultural carioca, um oficial do exército manda acabar com o evento.
 
“Alair” deve ser vista pela celebração da carreira de Edwin Luisi; pela atuação dos três atores; para homenagear Alair Gomes e seu trabalho; pela iluminação da peça; e para lembrarmos que todos envelheceremos.

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Alair
Com Edwin Luisi, Andre Rosa e Claudio Andrade
Teatro Nair Bello – Shopping Frei Caneca (R. Frei Caneca, 569 – Consolação, São Paulo)
Duração 65 minutos
06/10 até 05/11
Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h
$80
Classificação 14 anos

BRUTA FLOR

Sucesso de público e de crítica, “Bruta Flor”, peça que provoca o espectador a refletir sobre homoafetividade e preconceitos nas relações amorosas, retorna ao cartaz, em curta temporada, no Teatro Augusta, às sextas-feiras dos meses de agosto e setembro.  A peça estreou em novembro de 2016 e ficou em cartaz por oito meses, em temporadas distintas, no Viga Espaço Cênico e no Teatro Augusta.

Texto denso e potencialmente polêmico, que trata da homofobia internalizada e sua possível consequência trágica, despertou o interesse do ator Marcio Rosario em assumir a direção e a produção do espetáculo. “O tema não poderia ser mais atual: o Brasil vive uma onda de intolerância contra a diversidade sexual”, diz Rosario.

O drama de Vitor de Oliveira e Carlos Fernando de Barros aborda o relacionamento de dois homens, Lucas e Miguel, que se reencontram e começam a relembrar a trajetória deles, desde a adolescência. Miguel vai estudar em Londres e Lucas se casa com Simone, sua namorada desde o colégio, e lutam para realizar o grande sonho dele: ser pai. Após 12 anos, Miguel e Lucas se reencontram no metrô. Um reencontro que traz à tona sentimentos até então desconhecido para ambos. A relação vai ganhando contornos dramáticos, envolvendo a aceitação da sua própria  homossexualidade.

A peça tem trilha sonora de Cida Moreira e efeitos sonoros de Pedro Lemos, cenário de Reinaldo Patrício e figurinos de Amir Slama.

A realização fica a cargo da produtora de cinema, Três Tons Visuais e tem Produção Executiva de Daniel Chiarelli, projeto gráficos de Angel Jackon e William Rucci e Fotografia de Ronaldo Gutierrez.

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Bruta Flor
Com Adriano Arbol, Érika Farias e Willian Tucci
Teatro Augusta (Rua Augusta 943 – Cerqueira César, São Paulo)
Duração 80 minutos
04/08 até 27/10
Sexta – 21h30
$70
Classificação 16 anos

“L, o Musical”

Um tributo ao amor entre as mulheres. Este é o tema do espetáculo “L, o Musical“, que fará turnê nas quatro unidades do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) até abril de 2018.

O elenco é encabeçado por Elisa Lucinda e Ellen Oléria, acompanhadas por Renata Celidonio (“Todas as Canções de Chico Buarque”), Gabriela Correa (“As Canções de Odair José”), Tainá Baldez (“As Canções de Odair José”) e Luiza Guimarães (“Três Tigres Tristes”).

Conta a história de uma renomada autora de novelas que está esfuziante com o sucesso do primeiro folhetim a ter um triângulo amoroso formado por mulheres. Ela divide esse cotidiano profissional e afetivo com amigas. A chegada de notícias inesperadas muda o destino de todas. Com repertório que passeia pelo universo de canções femininas, a narrativa segue tecendo relações de afetos entre seis mulheres.

Foram escolhidas canções da MPB interpretadas por Cássia Eller, Maria Gadú e Maria Bethânia, entre outras. Segundo o diretor e autor, Sérgio Maggio, “foi feita uma sondagem na internet para selecionar canções de artistas homossexuais, bissexuais ou que “exerçam um magnetismo sobre mulheres lésbicas”.

A direção musical é de Luís Filipe de Lima (“Sassaricando”), direção de movimento de Ana Paula Bouzas (“A Cuíca de Laurindo”) e direção de produção de Ana Paula Martins (“Duas Gotas de Lágrimas no Frasco de Perfume”).

L, o Musical” entra em cartaz 10 de agosto na unidade do CCBB de Brasília.

 

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Elisa Lucinda (E) e Ellen Oléria (D)

(fonte: coluna Mônica Bergamo – jornal Folha SP)

BUG CHASER – CORAÇÃO PURPURINADO

Nossa vida é feita de escolhas, e temos que ser capazes de lidarmos com elas. Independentemente de certas ou erradas, sãs ou pecaminosas, fomos nós quem as escolhemos.

A peça “Bug Chaser – Coração Purpurinado“, da Cia ARTERA de Teatro, fala sobre estas escolhas. Conta a história de Mark, um advogado criminalista, com problema no coração, e que por motivos próprios, decide se tornar soropositivo.

Conversamos com o ator e dramaturgo, Ricardo Corrêa, sobre a peça e o peso das escolhas que fazemos.

Bug Chaser – Coração Purpurinado
Com Ricardo Corrêa e Leonardo Souza
Oficina Cultural Oswald Andrade (Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro, São Paulo)
Duração 60 minutos
06/07 até 05/08
Quinta e Sexta – 20h; Sábado – 18h
Entrada gratuita
Classificação 16 anos

O PRODUÇÃO DE “O PRÍNCIPE DESENCANTADO”

Conversamos com a atriz Maite Schneider e e o diretor/autor Rodrigo Alfer sobre o processo de criação e montagem do musical infanto-juvenil O Príncipe Desencantado.

Veja a primeira parte desta matéria.

E não deixe de ver a entrevista que fizemos também com o elenco do musical – https://goo.gl/p4wHk9

O Príncipe Desencantado
Com Maite Schneider, Davi Novaes, Cícero de Andrade, Marcela Piccin, Manu Littiéry, Vanessa Rodrigues e Silvano Vieira.
Viga Espaço Cênico (R. Capote Valente, 1323 – Pinheiros, São Paulo)
Duração 70 minutos
até 30/07
Sábado e Domingo – 15h
$50
Classificação Livre