TEATRO DE CONTÊINER MUNGUZÁ

As enormes caixas metálicas coloridas instaladas em uma antiga praça abandonada no bairro da Luz, centro da cidade de São Paulo, chamam a atenção de moradores e pedestres. A intervenção artística e arquitetônica, obra da Cia Mungunzá de Teatro, já tem nome: TEATRO DE CONTÊINER MUNGUZÁ e abre suas portas ao público no dia 11 de março (abertura para convidados dia 10 de março) com a apresentação do premiado espetáculo Luis Antonio – Gabriela, que cumpre temporada de sexta a segunda-feira até 17 de abril.

Levantado em praticamente dois meses o TEATRO DE CONTÊINER MUNGUZÁ é formado por 11 contêineres marítimos. No espaço cênico, que pode ser utilizado como arena, semi-arena ou palco italiano, dois deles quebram o escuro das caixas com paredes de vidro que possibilitam que atores e plateia possam ver e ser vistos por quem passa pela rua. Lanchonete, escritório, banheiros, camarim e área técnica completam a estrutura, que ocupa 40% do terreno. Na lateral superior da edificação, a pintura branca vai servir como tela de cinema para projeções ao ar livre.

Já do lado externo, todo gramado, um domo geodésico será palco para pequenos shows e contação de histórias. A ideia é que o local se torne uma área de convivência com playground e mobiliário feito com tambores de aço reutilizados, desenvolvido pelo grupo espanhol Basurama e pelo coletivo Assalto Cultural. A área externa conta também com uma horta hidropônica que será mantida por moradores da região.

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Precedente para novos polos culturais

A utilização do terreno, que servia como estacionamento da Guarda Civil Metropolitana, foi firmada em um “termo de cooperação” com a Prefeitura Municipal de São Paulo, onde a Cia Mungunzá será responsável por zelar pelo local durante três anos. Até o momento, já foi investido cerca de R$ 300 mil, em serviços como limpeza do terreno, terraplenagem, instalação elétrica e a compra dos contêineres, vindos de um caixa próprio do grupo, que ano que vem completa 10 anos.

Para Marcos Felipe, um dos integrantes da Cia Munguzá, a ideia é criar uma nova dinâmica para os grupos culturais de São Paulo. “Acredito que abrimos um precedente para a instalação de novos polos culturais”, afirma ele. Já Lucas Beda, outro integrante do grupo, acha que o diálogo com os moradores do entorno e com a própria sociedade é o caminho para repensar a cidade. “Queremos que o TEATRO DE CONTÊINER MUNGUZÁ se transforme em um local de encontro, onde a população ocupe o espaço sem, necessariamente, ter a obrigação de assistir algo”, explica o ator.

O projeto do espaço foi realizado pela própria Cia Mungunzá de Teatro. O objetivo era fazer uma intervenção arquitetônica e artística sem agredir a cidade. “Optamos pelos contêineres pela concepção sustentável com a possível retirada dos módulos e mudança para outro local”, conta Marcos Felipe.

Programação

Até 17 de abril o espaço sediará apresentações, de sexta a segunda-feira, do espetáculo Luis Antonio – Gabriela. “É o tempo que precisamos para ver efetivamente como funciona o local e assim pensarmos em uma programação dinâmica”, explica Lucas. O TEATRO DE CONTÊINER MUNGUZÁ já vem recebendo alguns eventos que servem como testes para a futura programação.

Inscrevemos o projeto na Lei Roaunet, mas também estamos tentando fechar parcerias com a Prefeitura de São Paulo e com o Governo do Estado. Também vamos procurar o Sesc para assim conseguirmos montar uma programação multifacetada e que contemple várias linguagens”, acredita Marcos.

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Luis Antonio – Gabriela

Com direção de Nelson Baskerville, Luis Antonio – Gabriela estreou em 2011 e recebeu alguns dos mais importantes prêmios teatrais do estado, como o Shell, da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA) e da Cooperativa Paulista de Teatro (CPT).

Em Luis Antonio – Gabriela o diretor Nelson Baskerville coloca em cena sua própria história, onde o irmão mais velho, homossexual, Luis Antonio, desafia as regras de uma família conservadora dos anos 1960. O documentário cênico tem início no ano de 1953, com o nascimento de Luis Antonio, filho mais velho de cinco irmãos, que passou infância, adolescência e parte da juventude em Santos até ir embora para Espanha aos 30 anos, onde se transforma em Gabriela.

O espetáculo narra a história de Luis Antonio até o ano de 2006, data de sua morte na cidade de Bilbao, na Espanha. Luis Antonio – Gabriela foi construído a partir de documentos e dos depoimentos do ator e diretor Nelson Baskerville, de sua irmã Maria Cristina, de Doracy, sua madrasta e de Serginho, cabeleireiro na cidade de Santos e amigo de Luis Antonio.

Luis Antonio – Gabriela
Com Marcos Felipe, Lucas Beda, Sandra Modesto, Verônica Gentilin, Virginia Iglesias e Day Porto.
Teatro de Contêiner Mungunzá (Rua dos Gusmões, 43 – Luz, São Paulo)
Duração 90 minutos
11/03 até 17/04
Sexta, Sábado, Domingo e Segunda – 20h
$30 ($5 – moradores da região)
Classificação 16 anos
A partir do argumento de Nelson Baskerville com intervenção dramatúrgica de Verônica Gentilin.
Direção – Nelson Baskerville.
Diretora Assistente – Ondina Castilho.
Assistente de Direção – Camila Murano.
Direção Musical, Composição e Arranjo – Gustavo Sarzi.
Preparador Vocal – Renato Spinosa.
Trilha Sonora – Nelson Baskerville.
Preparação de Atores – Ondina Castilho.
Iluminação – Marcos Felipe e Nelson Baskerville.
Cenário – Marcos Felipe e Nelson Baskerville.
Figurinos – Camila Murano.
Visagismo – Rapha Henry – Makeup Artist.
Vídeos – Patrícia Alegre.
Produção Executiva – Sandra Modesto e Marcos Felipe.
Produção Geral – Cia Mungunzá de Teatro.
Assessoria de Imprensa – Nossa Senhora da Pauta
Maiores Informações – www.ciamungunza.com.br

LUIS ANTONIO – GABRIELA

Sucesso de público e crítica com mais de 300 apresentações e 35 mil espectadores em todo Brasil, o espetáculoLUIS ANTONIO – GABRIELA volta aos palcos de São Paulo com elenco original: Marcos Felipe, Lucas Beda, Sandra Modesto, Verônica Gentilin, Virginia Iglesias e Day Porto. As apresentações acontecem de 3 a 20 de novembro, de quinta-feira a sábado às 21h30 e domingo às 17h30, dentro do Projeto Ficha Técnica – atividades formativas sobre o processo de criação no teatro –, do Sesc Belenzinho. Além do espetáculo, a Cia Mungunzá realiza a oficina Cicatrizes sobre os processos de criação do grupo.

Em LUIS ANTONIO – GABRIELA o diretor Nelson Baskerville coloca em cena sua própria história, onde o irmão mais velho, homossexual, Luis Antonio, desafia as regras de uma família conservadora dos anos 1960. O documentário cênico tem início no ano de 1953, com o nascimento de Luis Antonio, filho mais velho de cinco irmãos, que passou infância, adolescência e parte da juventude em Santos até ir embora para Espanha aos 30 anos, onde se transforma em Gabriela.

O espetáculo narra a história de Luis Antonio até o ano de 2006, data de sua morte na cidade de Bilbao, na Espanha. LUIS ANTONIO – GABRIELA foi construído a partir de documentos e dos depoimentos do ator e diretor Nelson Baskerville, de sua irmã Maria Cristina, de Doracy, sua madrasta e de Serginho, cabeleireiro na cidade de Santos e amigo de Luis Antonio.

Documentário-cênico

LUIS ANTONIO – GABRIELA apresenta ao público a transformação de Luis Antonio em Gabriela a partir de diferentes pontos de vista, como do irmão caçula que foi abusado sexualmente; da irmã que sai pelo mundo em busca do corpo de Gabriela; do pai que não reconhecia o filho travesti; e dos amigos e colegas de trabalho, que viam a figura da protagonista com uma mistura de admiração e estranhamento.

O diretor Nelson Baskerville conta que, em 2002, recebeu a notícia de que o irmão tinha morrido na Espanha. “Luis Antonio, pra mim, era aquele irmão, oito anos mais velho, que sempre mantive na sombra. Só alguns poucos amigos sabiam da sua existência, ele era aquele que, além de me seduzir, e abusar sexualmente, fazia com que muitos dedos da cidade de Santos fossem apontados pra nós. Sou obrigado a confessar que a notícia da morte dele não me abalou nem um pouco. Eram quase 30 anos sem saber nada dele, sem saber se ele estava vivo ou morto, enfim, liguei pra minha irmã, Maria Cristina, advogada para passar a notícia pra frente e a preocupação imediata dela foi com os papéis, atestado de óbito, documentação para o espólio, etc.”, explica ele.

Maria Cristina empreendeu então uma jornada fadada ao fracasso que era saber notícias do paradeiro de Luis Antonio. Depois de alguns meses, através da embaixada brasileira na Espanha ela o encontrou, mas não exatamente da forma que esperava. Luis Antonio estava vivo, morava em Bilbao e a partir disso os irmãos começaram a tentar formar e entender aquela lacuna de 30 anos que os separavam. “Minha irmã, numa aventura ‘almodovariana’ foi encontrá-lo. Luis Antonio chamava-se agora Gabriela, tinha sido uma estrela das noites de Bilbao, era viciada em cocaína e AIDS era a menor das suas doenças. Através da Maria Cristina, passamos então a ter notícias dele até sua morte, agora verdadeira, em 2006”, recorda o diretor.

22 telas na cenografia

Com trilha sonora original composta por Gustavo Sarzi, onde todos os atores aprenderam a tocar instrumentos para a execução das músicas, LUIS ANTONIO – GABRIELA também traz diferenciais na iluminação e cenografia.

A luz, não convencional do espetáculo foi inteiramente construída pelos atores e diretor e é operada de dentro do palco. Para a cenografia foram encomendadas 22 telas do jovem artista plástico Thiago Hattner, que fazem parte da cena que Maria Cristina leva Luis Antonio ao Museu Guggeinhein de Bilbao.

Oficina Cicatrizes

Paralelo às apresentações do espetáculo, a Cia Mungunzá ministra a Oficina Cicatrizes, que nasce do processo de criação dos espetáculos do grupo, principalmente em LUIS ANTONIO – GABRIELA, e tem como objetivo proporcionar aos integrantes uma experiência biográfica, dramatúrgica, estética e performática adentrando as histórias pessoais que resultaram numa cicatriz (física ou emocional).

A oficina gratuita acontece de 9 a 18 de novembro, quartas e sextas-feiras, das 14 às 18 horas. São oferecidas 30 vagas (idade recomendada a partir de 16 anos) e as inscrições podem ser feitas até o dia 3 de novembro, por meio de envio de currículo resumido para o e-mail cicatrizes@belenzinho.sescsp.org.br.

Veja abaixo trechos do espetáculo (video de 28/02/11, feito pela cineolhar)

Luis Antonio – Gabriela
Com Marcos Felipe, Lucas Beda, Sandra Modesto, Verônica Gentilin, Virginia Iglesias e Day Porto.
Sesc Belenzinho – Sala de Espetáculo I (Rua Padre Adelino, 1000 – Belenzinho, São Paulo)
Duração 90 minutos
03 até 20/11
Quinta, Sexta e Sábado – 21h30; Domingo – 17h30
$20 ($6 – trabalhador no comércio de bens, serviços e turismo credenciado no Sesc e dependentes)
Classificação 16 anos
 
Direção – Nelson Baskerville.
Diretora Assistente – Ondina Castilho.
Assistente de Direção – Camila Murano.
Direção Musical, Composição e Arranjo – Gustavo Sarzi.
Preparador Vocal – Renato Spinosa.
Trilha Sonora – Nelson Baskerville.
Preparação de Atores – Ondina Castilho.
Iluminação – Marcos Felipe e Nelson Baskerville.
Cenário – Marcos Felipe e Nelson Baskerville.
Figurinos – Camila Murano.
Visagismo – Rapha Henry – Makeup Artist.
Vídeos – Patrícia Alegre.
Produção Executiva – Sandra Modesto e Marcos Felipe.
Produção Geral – Cia Mungunzá de Teatro.
Realização – Sesc São Paulo.
Assessoria de Imprensa – Nossa Senhora da Pauta