NELSON GONÇALVES – O AMOR E O TEMPO

Na data que se comemora o centenário do cantor Nelson Gonçalves (✩ 1919 –  ✞ 1998), segundo maior vendedor de discos do Brasil, estará em cartaz o espetáculo Nelson Gonçalves – O Amor e o Tempo, uma peça de teatro musical em homenagem ao artista que imortalizou clássicos da MPB, como Chão de EstrelasCarinhoso Rosa. A montagem é idealizada e produzida por Guilherme Logullo, tem texto de Gabriel Chalita, direção e coreografia de Tânia Nardini, direção musical e arranjos de Tony Lucchesi, cenografia de Doris Rollemberg e figurinos de Fause Haten. Além da produção, Logullo também atua em parceria com a atriz e cantora Jullie. A temporada começa dia 3 de maio, sexta-feira, 21h, no Teatro Gazeta.
Sem a proposta de trabalhar questões biográficas da vida do artista, o musical se inspira em sentimentos e emoções expressas por Nelson Gonçalves nas canções que compunha e/ou interpretava. Na história, os protagonistas não representam personagens, mas sim a razão (Guilherme Logullo) e a emoção (Jullie), sentimentos que criam uma narrativa não-linear e de linguagem poética. 
Quis escrever um texto que, de alguma forma, fugisse um pouco dos musicais tradicionais. Nelson Gonçalves foi um homem que amou profundamente e que, também por isso, sofreu. O musical traça um diálogo entre a razão e a emoção, reforçado pela força e dramaticidade das canções interpretadas por ele. As músicas entrelaçam essas falas o tempo todo, enfatizando essa disputa de sentimentos”, explica o autor Gabriel Chalita.
O espetáculo reúne 33 canções, entre elas Naquela MesaA Volta do Boêmio e Chão de Estrelas. “A montagem tem um tom nostálgico e lírico. Vamos trazer fatos, histórias, emoções, músicas e sentimentos”, explica Guilherme Lagullo, que ‘descobriu’ Nelson Gonçalves durante estudos para um personagem, e por conta da semelhança do registro vocal, ficou encantado. A descoberta virou vício e admiração. E, aos poucos, nasceu a vontade de levar Nelson aos palcos.
Os figurinos criados pelo estilista Fause Haten se revelam ao longo do espetáculo. As peças vão sendo removidas uma a uma e trazem novas camadas que se traduzem em números musicais. Já o cenário de Doris Rollemberg faz uma verdadeira homenagem ao teatro, trazendo para a cena um camarim, coxias e até o urdimento de um palco. Uma banda composta por cinco músicos também acompanha a dupla de atores em cena.
 
O diretor musical Tony Lucchesi optou por incluir violões na orquestra, instrumento muito ligado ao homenageado. A emoção (o amor) a ser personificada na figura masculina e o tempo (a razão) na figura feminina também gera uma riqueza musical e mais diversidade às interpretações, já que, normalmente, se espera o contrário. Outros recursos, como uma marcação de relógio nas canções do repertório de Jullie, representando o tempo, e muitos mash-ups nos momentos que os protagonistas cantam juntos ajudam a associar os temas às interpretações. A direção e coreografias de Tânia Nardini faz com que os momentos da peça que pinçam situações vividas por Nelson não soem biográficos ou narrativos – a ideia é que a todo momento a poesia do homenageado seja traduzida em cena. 
Para Guilherme Logullo, que idealizou o projeto, a peça cria uma relação imediata com o público, já que as músicas escolhidas para a trilha são clássicos no país. “Nelson tem canções conhecidas em todo o Brasil, o que faz com que o espetáculo sempre traga uma série de recordações e sensações nostálgicas”, conclui o artista.
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Nelson Gonçalves – O Amor e o Tempo
Com Guilherme Logullo e Jullie
Teatro Gazeta (Av. Paulista, 900 – Bela Vista, São Paulo)
Duração 60 minutos
03/05 até 30/06
Sexta – 21h, Sábado – 20h, Domingo – 18h
$80
Classificação Livre

5 X COMÉDIA

Visto por mais de 450 mil espectadores nos anos 90, tornando-se uma das grandes sensações da história do teatro brasileiro, o espetáculo “5 X Comédia” voltou totalmente repaginado em 2016 com esquetes escritos e interpretados por alguns dos mais prestigiados nomes do humor e da nova dramaturgia do país. No mesmo caminho de sucesso da antecessora, a montagem, com direção de Monique Gardenberg e Hamilton Vaz Pereira, está novamente na estrada, pelo quarto ano consecutivo, com apresentações de sexta a domingo, em São Paulo, no Teatro Shopping Frei Caneca, de 03 a 26 de maio.

Nesta versão do século XXI, Bruno Mazzeo, Debora Lamm e Katiuscia Canoro dão vida aos personagens criados, respectivamente, por Antonio Prata, Julia Spadaccini e Pedro Kosovski, enquanto Fabiula Nascimento e Lucio Mauro Filho interpretam textos de Jô Bilac. O cenário é de Daniela Thomas e Camila Schmidt, a iluminação, de Maneco Quinderé, e o figurino, de Cassio Brasil. A produção é da Dueto Produções. O espetáculo é apresentado pela Volkswagen Financial Services, responsável pelas operações financeiras do Grupo Volkswagen em todo o mundo, e conta ainda com o patrocínio da SulAmérica Seguros e o apoio do UOL. Os ingressos para as apresentações em São Paulo já estão à venda, por meio do site www.ingressorapido.com.br e na bilheteria do Teatro Frei Caneca (mais informações no serviço abaixo). 

SOBRE O ESPETÁCULO

Primeiro texto do escritor e roteirista Antonio Prata para o teatro, “Nana, nenê” retrata o desespero do clarinetista Rodrigo (Bruno Mazzeo), um pai enlouquecido entre escolas de mamada e de métodos para fazer o bebê dormir: “Vocês acreditam nisso? Acreditam que não tem Alô Bebê 24 horas?! Se existe alguma coisa que funciona 24 horas neste mundo é um bebê! Nada é mais 24 horas que um bebê! E não tem nenhuma Alô, Bebê 24 horas!” 

Em “Branca de Neve”, de Julia Spadaccini, a personagem vivida por Debora Lamm luta para se desapegar da vida de princesa: “Dizem que o mundo mudou, que eu não me adequo mais, que sou antiquada, careta, casada. Mas gente, ser casada agora é um problema? Queriam o quê? Uma princesa divorciada? Vivendo pela Lei do Concubinato? Solteira aos 40 fazendo fertilização in vitro, barriga de aluguel, colhendo sêmen em banco de esperma alemão?”

Arara Vermelha”, criado por Jô Bilac para Fabiula Nascimento, é uma metáfora da sociedade brasileira. Do alto de seu poleiro, a ave tem um surto de intransigência diante do novo mascote do pet shop: “Alá! Espia! Vem ver, Sérgio! Corre! Já tá lá o Poodle Queen se roçando na vitrine, se esfregando, balançando rabinho, se exibindo pros outros! Não pode ver um ser humano, já fica todo se querendo! O mundo tá mesmo perdido, hein! Olha, vou te contar! Se tem uma coisa pior pra mim no mundo é bicho puxa-saco de humano! Olha, me sobe um ódio! Mas um óoodio! Ser humano prende, vende, sacaneia a gente e tá lá o cachorro babando, fazendo festa!”

Já em “Milho aos Pombos”, de Pedro Kosovski, Katiuscia Kanoro interpreta uma eterna aspirante a atriz: “Vocês não estão me reconhecendo, não? Pronto, aquela ali me reconheceu. Ah, é minha vizinha no Leme, não é não? A gente caminha no calçadão. Tá fazendo figuração também?”

Em “Bola Branca”, o ator Lucio Mauro Filho, vive um homem na tentativa desesperada de meditar em meio ao caos urbano. Ao tentar esvaziar a mente, a busca pelo sentido da vida se coloca em seu caminho.

As versões anteriores de 5 x Comédia, de 1993, 1995 e 1999 – dirigidas por Hamilton Vaz Pereira e produzidas por Monique Gardenberg – celebrizaram-se por fichas técnicas que se entrelaçavam desde a década de 1970, ora no grupo de teatro Asdrúbal Trouxe o Trombone – capitaneado, não por acaso, por Hamilton –, ora no programa “TV Pirata”, que foi ao ar na Rede Globo de 1988 a 1990 e voltou à grade em 1992. Os quadros e os atores foram se revezando nos palcos. Quinze quadros. Doze atores: Andréa Beltrão, Denise Fraga, Diogo Vilela, Pedro Cardoso, Luiz Fernando Guimarães, Débora Bloch, Fernanda Torres, Miguel Magno, Cláudia Raia, PatryciaTravassos, Evandro Mesquita, Totia Meireles.

Agora, sublinha Monique, não é muito diferente. “São atores-criadores que se uniram para a produção de um novo humor, como foi o caso da série ‘Cilada’, que ficou no ar durante seis temporadas, do filme ‘Muita calma nessa hora’, ou do programa ‘Junto e misturado’“, ela situa. Hamilton classifica a nova montagem de “corajosa”: “Quem viu lá atrás pode querer comparar, e isso é um perigo. Mas a nova versão não se amedronta, é o que se percebe nos textos que recebemos e na vitalidade que está sendo mostrada por cada intérprete”.

Retornar ao “5 X Comédia” era um desejo antigo que só ganhou corpo quando Monique se aproximou de Bruno Mazzeo por intermédio de Augusto Casé, que produz os filmes de ambos. Se em 1993 a peça foi concebida por Sylvia Gardenberg, irmã de Monique, a partir de um encontro com Pedro Cardoso, Bruno foi o catalisador da nova montagem. “Vi nele, esse cara multitalentoso que eu admirava de longe, o parceiro que precisava para me ajudar a trazer a peça de volta, assim como o Pedro ajudou a Sylvinha a escalar autores, atores, diretores”, diz a diretora. “Isso aqui é, também, uma homenagem a ela”.

Bruno fala da alegria que é participar de um projeto que sempre teve como referência: “O ‘5 X Comédia’ foi montado por pessoas que fizeram a minha cabeça desde sempre. Quando Monique ligou eu topei mesmo sem saber o que era, porque trabalhar com ela já era desejo antigo.

Quando soube o que era, meus olhos brilharam. Dividir o palco com amigos queridos e parceiros de outros carnavais, trazendo de volta um espetáculo que marcou uma geração, e poder mostrá-lo para as novas gerações é um dos pontos mais charmosos da minha carreira até agora.” Destacando que é a primeira vez que os cinco se reúnem no teatro, Fabiula Nascimento continua: “A gente se admira artisticamente e na vida, por isso somos amigos há dez anos e o seremos por 20, 30, 40.

Debora Lamm, que se lembra de sair de uma sessão de 5 X Comédia no Canecão com as bochechas doendo de tanto rir, ressalta que a união entre os atores faz a força nesta nova versão, assim como no passado. “Nós também somos uma turma, já trabalhamos juntos diversas vezes e temos uma afinidade, que é justamente o que faz com que continuemos trabalhando juntos”, avalia. 

Unidos esteticamente pelo cenário de Daniela Thomas e Camila Schmidt, pela luz de Maneco Quinderé e pelo figurino de Cassio Brasil, os cinco quadros também dialogam no que trazem de mais atual. Temas e citações se repetem aqui e ali: o novo feminismo, a intolerância que borra os limites entre civilidade e barbárie e o desenho animado “Peppa Pig”, entre outros. 

Hamilton louva o fato de o espetáculo captar, ao mesmo tempo, um novo momento e uma nova maneira de produzir o riso – “Um riso com conteúdo, graça, que tenha o espírito de um povo, de uma idade” –, embora confesse que às vezes se perde entre uma ou outra referência mais recente. Para Monique, “é uma turma que busca alternativas, novos canais para existir, e é nesse encontro mais livre que surgem ideias surpreendentes, que apontam para um humor irreverente, antenado”.

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5X Comédia

Com Bruno Mazzeo, Debora Lamm, Fabiula Nascimento, Katiuscia Canoro e Lucio Mauro Filho

Teatro Shopping Frei Caneca (R. Frei Caneca, 569 – Consolação, São Paulo)

Duração 100 minutos

03 a 26/05

Sexta – 21h, Sábado – 19h e 21h, Domingo – 18h

$30/$60

Classificação 14 anos

GOTA D’ÁGUA {PRETA}

A peça Gota D’Água {PRETA}”, vista por quase cinco mil pessoas em duas temporadas, reestreia no Auditório Ibirapuera – Oscar Niemeyer, em três apresentações especiaisdias 10, 11 e 12 de maio (sexta-feira e sábado, às 20h; e domingo, às 19h). Com direção do ator, diretor e dramaturgo Jé Oliveira, fundador do Coletivo Negro, a montagem mostra a versatilidade artística de transitar entre o Rap e a MPB. O Itaú Cultural apoiou a montagem da peça, cuja estreia ocorreu em fevereiro de 2019, no próprio Itaú Cultural, com casa lotada durante dois finais de semana.

Pela primeira vez com um elenco predominantemente negro, o espetáculo traz para a cena paulistana a realidade negra que perpassa a obra Gota D’Água” (1975), escrita por Chico Buarque e Paulo Pontes.

Inspirado na tragédia Medeia, de Eurípedes, Gota D’Água {PRETA}” traz como personagem principal Joana, mulher madura, sofrida, moradora de um conjunto habitacional. Jasão, seu ex-marido, é um jovem vigoroso, sambista que desponta para o sucesso com a composição da canção que dá nome à peça. Agora ele é noivo de Alma, filha de Creonte, corruptor por excelência e o detentor do poder econômico e das casas, a Vila do Meio-dia, local onde antes morou com Joana e os filhos. Se em Medeia” havia reis e feiticeiros, na tragédia brasileira Gota D’Água {PRETA}” há pobres e macumbeiros, além de um coro negro, em alusão ao grego.

De modo inédito na história do teatro brasileiro Joana, interpretada pela cantora e atriz Juçara Marçal (Metá Metá), e Jasão, vivido por Jé Oliveira, são negros. A escolha política-estética do diretor traz a força da musicalidade ancestral e a influência das religiões de matriz africana. “É como se estivéssemos realizando a coerência que a peça sempre pediu e até hoje não foi realizada”, destaca Jé Oliveira. “A personagem é pobre e é da umbanda. Tudo leva a crer, pelo contexto histórico, social e racial do país, que essa personagem é preta. Estamos realizando o que a peça insinua. Estamos de fato enegrecendo a obra de Chico Buarque e concretizando o que ele propõe.”.

A montagem não busca apenas uma reparação histórica para diminuir um hiato sobre a presença negra em papéis relevantes na dramaturgia nacional, mas, sobretudo, propõe uma re-atualização, com base na coerência, ainda não realizada por nenhuma montagem, do clássico drama brasiliano.

Estamos discutindo traição de classe e de raça”, diz Jé Oliveira, citando a metáfora da traição conjugal. “Ele troca Joana por uma mulher mais nova, então discutimos também o feminismo. Jasão também é preto e com ele debatemos a ascensão social e a legitimidade ética disso.

Para Juçara, Joana representa a mulher oprimida desde a formação do Brasil. O grito oprimido desta camada da sociedade. As relações humanas servem de pretexto para questionar essas posições sociais, como se cada um de representasse um lugar, um grupo. “Ela é a mulher que foi violentada, agredida. A pessoa sem voz que quer se vingar e não sabe como”, explica a atriz.

Quando o Jé resolveu montar Gota D’Água mais preta, a proposta foi trazer o universo da periferia para a cena. Com os acentos, não só os percussivos, mas os da cultura de periferia mesmo”, aponta o músico Fernando Alabê.

O sagrado também está presente na música. “Com pessoas da comunidade negra é natural que as religiões de matriz africana estejam presentes. Tem canto de candomblé, de umbanda e o jongo – dança de roda de origem africana com acompanhamento de tambores – serve de base. Tentamos trazer para a peça a maneira que o negro entende sua divindade”, realça Juçara.

O diretor musical William Guedes,  da Cia. do Tijolo, propôs uma instrumentação de saxofone somada à percussão, guitarra, violãocavaco e DJ. “Com isso, temos uma estrutura musical que desfolcloriza a musicalidade de periferia, a musicalidade negra, que é o cerne desta peça”, observa Alabê.

O cenário traz a representação da religiosidade afro-brasileira na concepção do artista Julio Dojczar, do coletivo casadalapa. Painéis simbolizando os Orixás e elementos de cena como a imagem de Ogum / São Jorge compõem o palco que remonta o período setentista em uma montagem que, assim como a encenação, busca a percepção do todo pela parte. As representações não são realistas mas induzem a criação imagética do espaço de cena.

Além de Jé Oliveira e Juçara Marçal, a montagem conta com a atriz, diretora e dançarina Aysha Nascimento (Coletivo Negro), a atriz e MC Dani Nega, a atriz e bailarina Marina Esteves, o ator Mateus Sousa, o ator, diretor e artista-educador Ícaro Rodrigues, o ator e diretor Rodrigo Mercadante (Cia do Tijolo) e o ator, dramaturgo e professor Salloma Salomão.

A música é executada ao vivo por DJ Tano (Záfrica Brasil) nas pick-ups, Fernando Alabê (percussão), Suka Figueiredo (saxofone), Gabriel Longuitano (guitarra, violão, cavaco e voz), Jé Oliveira (cavaco) e Salloma Salomão (flauta transversal). A luz é um projeto do light designer Camilo Bonfanti; o design de som é de Eder Bobb e Felipe Malta; os figurinos e a assistência de direção, de Eder Lopes; e a produção é de Janaína Grasso.

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Gota D’Água {PRETA}

Com Aysha Nascimento, Dani Nega, Ícaro Rodrigues, Jé Oliveira, Juçara Marçal, Marina Esteves, Mateus Sousa, Rodrigo Mercadante e Salloma Salomão

Auditório Ibirapuera – sala Oscar Niemeyer (Av. Pedro Álvares Cabral – Vila Mariana, São Paulo)

Duração 220 minutos

10 a 12/05

Sexta e Sábado – 20h; Domingo – 19h

$30

Classificação 14 anos

GAROTOS

Conhecidos por revelar novos talentos da comédia e do teatro jovem, Afra Gomes e Leandro Goulart, autores e diretores do fenômeno de público Meninos e Meninas, trazem para São Paulo o espetáculo jovem que promete ser a nova febre teatral: GAROTOS, que estreia no dia 20 de abril no Teatro Folha e segue em cartaz até 16 de junho.

Inspirada em episódios da vida de Goulart, que assina a dramaturgia, a peça foi montada pela primeira vez em 2009 e levou milhares de jovens ao teatro durante os três anos em que ficou em cartaz – apesar de nunca ter sido montada em São Paulo. A experiência de Afra e Leandro com seus últimos trabalhos destinados a este público – que também inclui o sucesso Boca Rosa, A Peça – e o Prêmio Jovem Brasileiro recebido por eles em dois anos consecutivos, motivaram a dupla a revisitar o texto e lançar um espetáculo cheio de novidades.

O elenco de GAROTOS é composto por Leonardo Cidade (stand-in Luckas Moura), Eike Duarte, Lucas Santos, Tony Nogueira e Caio Giovani.

Carregando com fidelidade a marca dos diretores, GAROTOS traz tudo o que os fãs da dupla esperam: marcações dinâmicas, cenas ágeis que transitam entre o humor e o drama, e, claro, muita música. Narrada em primeira pessoa, a montagem músico-teatral cria um retrato divertido e emocionante sobre a juventude a partir de experiências e histórias do próprio autor entre os 10 anos de idade e o início da vida adulta. O texto responde a muitas questões que os adolescentes não costumam aprender em casa ou na escola, como emoções que surgem inesperadamente nessa fase da vida e os consequentes dilemas de como lidar com elas.

Na trama, cinco jovens vivem o alter ego do autor numa série de aventuras e desventuras típicas da adolescência. O violão e outros instrumentos são amigos inseparáveis desses garotos, que tocam canções que também fazem outras gerações cantarem juntas, como “Sempre Assim”, do Jota Quest; “Todas as Noites”, do Capital Inicial; “Vou Deixar”, do Skank; “Olhar 43”, do RPM, “Vinte e Poucos Anos”, de Fábio Jr., e até uma versão “quebra-tudo” de “I Get Knocked Down”, da banda inglesa Chumbawamba.

A encenação cria uma reflexão sobre as relações humanas e sobre o quanto é bom viver a partir da discussão de temas como amor, amizade, saudade, morte, virgindade, masturbação, drogas, sexualidade, paixões, família, porres, gravidez, futuro, teatro, internet, música e futebol.

A montagem conta com Patrocínio da Submarino Viagens e Co-Patrocínio da AMBEV.

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Garotos

Com Leonardo Cidade (stand-in Luckas Moura), Eike Duarte, Lucas Santos, Tony Nogueira e Caio Giovani

Teatro Folha – Shopping Pátio Higienópolis (Avenida Higienópolis, 618 – Higienópolis, São Paulo)

Duração 70 minutos

20/04 até 16/06

Sábado e Domingo – 20h

$40/$70

Classificação 14 anos

AS CANGACEIRAS, GUERREIRAS DO SERTÃO

As Cangaceiras, Guerreiras do Sertão é uma fábula inspirada nas mulheres que seguiam os bandos nordestinos, que atuavam contra a desigualdade social da região.

O musical conta a história de um grupo de mulheres que se rebelam contra mecanismos de opressão que encontravam dentro do próprio cangaço.

Além de reflexões sobre o conceito de justiça social que o cangaço representava, o espetáculo reflete sobre as forças do feminino nesse espaço de libertação e sobre nossa ideia de cidadania e heroísmo.

As canções originais foram compostas por Fernanda Maia (música) e Newton Moreno (letras), inspirados em ritmos da cultura nordestina. “Nas canções usei várias referências da música nordestina e tive uma abordagem afetiva desse material, por ser filha de paraibano e por ter morado no Nordeste enquanto fazia faculdade de música. Nessa época, pude entrar mais em contato com a cultura do Nordeste, que é de uma riqueza ímpar, cheia de personalidade, identidade, poesia e, ao mesmo tempo, muito paradoxal. Esse trabalho foi a união das vozes de todos. Não há como receber um texto de Newton Moreno nas mãos e não se encantar com o universo que existe ali”, conta Fernanda Maia.

Além dos atores cantarem em cena, o espetáculo traz cinco músicos para completar a parte musical (baixo, violão, guitarra, violoncelo e acordeão). Texto e música se misturam, palavra e canto se complementam, como se tudo fosse uma única linha dramatúrgica. “Optamos por uma narrativa que realmente seja uma continuação da cena e não um momento musical que pare para celebrar, ou para criar umas aspas dentro da história. Isso só é possível com canções compostas para o espetáculo. Buscamos um DNA totalmente brasileiro para a peça, tanto na embocadura, na fala, na construção do texto, como na interpretação dos atores. Não tem um modelo importado, não tem uma misancene importada, é uma investigação a partir de códigos que pertencem a uma estética do nosso país e do teatro brasileiro”, comenta o diretor Sérgio Módena.

Um pouco da trama

Uma das grandes características dessa dramaturgia é seu caráter fabular e não de uma reprodução histórica e factual do que foi o Cangaço e o próprio Nordeste brasileiro da época.

O enredo começa quando Serena (personagem de Amanda Acosta) descobre que seu filho, que ela acreditava ter sido morto a mando do marido, Taturano (personagem de Marco França), está vivo. Ela, então, larga seu grupo do Cangaço, chefiado por Taturano, para partir em busca de seu bebê. Neste momento ela não tem a dimensão de que sua luta para encontrar o filho se tornará uma luta coletiva, maior que seu problema pessoal. Outras mulheres que formavam o bando se engajam nessa batalha, além de futuras companheiras que cruzam seu caminho.

Segundo a atriz Amanda Acosta a peça  “é o grito de libertação que estas mulheres não puderam dar, mas que darão agora através desta obra escrita pelo nosso grande dramaturgo Newton Moreno. Grito que fala sobre coragem, amor, empatia, união, insurreição e liberdade”.

A partir do momento que essa dramaturgia traz um bando de mulheres, que é algo que nunca ocorreu, temos uma liberdade para abrir várias janelas de reflexão, inclusive, fazendo um paralelo com o que estamos vivendo hoje. É uma reflexão sobre o sistema de opressão, no caso a mulher, mas você pode estender para qualquer camada social que está ali sendo historicamente oprimida”, completa o diretor.

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As Cangaceiras, Guerreiras do Sertão

Com Amanda Acosta, Marco França, Vera Zimmermann, Carol Badra, Luciana Lyra, Rebeca Jamir, Jessé Scarpellini, Marcelo Boffat, Milton Filho, Pedro Arrais, Carol Costa, Badu Morais, Eduardo Leão e mais 5 músicos

Teatro do Sesi (Av. Paulista, 1313 – Jardins, São Paulo)

Duração 120 minutos

25/04 até 04/08

Quinta, Sexta e Sábado – 20h, Domingo – 19h

Grátis (Reservas antecipadas de ingressos online serão liberadas sempre às segundas-feiras, às 8h, para as apresentações da semana no site do meu sesi . Ingressos remanescentes e cota para público espontâneo são distribuídos 15 minutos antes, na bilheteria do teatro.

MULHERES DE SHAKESPEARE

Duas semanas após o lançamento de sua nova novela, Órfãos da Terra, na TV Globo, a premiada autora Thelma Guedes estreia a peça Mulheres de Shakespeare, com direção do encenador inglês Luke Dixon, no Teatro Novo, em São Paulo. A peça é estrelada pelas atrizes Ana Guasque e Suzy Rêgo. O espetáculo fica em cartaz entre 12 de abril e 5 de maio, com apresentações às sextas e aos sábados, às 21h, e aos domingos, às 19h.

Na trama, duas atrizes se encontram em um teatro para uma reunião de elenco, quando são surpreendidas por um temporal. Enquanto esperam pelo diretor e o restante da equipe, deparam-se com as mulheres de Shakespeare, memórias femininas que perpassam os séculos. E esse encontro faz com que se voltem para si mesmas, revendo e questionando os próprios conflitos.

A peça reúne as personagens femininas de Shakespeare em um mosaico multifacetado e leve, alternando momentos dramáticos com humor, com textos que transitam entre a transgressão, a submissão, a ambição e o amor. Mulheres decididas e autoconfiantes, mulheres submissas, castas, doces, apaixonadas, ousadas, enigmáticas, loucas, santas, trágicas, cômicas, únicas compõem esse painel colorido e cuidadosamente selecionado.

A montagem é baseada em uma extensa pesquisa realizada pela atriz e bailarina Ana Guasque sobre as figuras femininas na obra de William Shakespeare (1564-1616). A encenação surgiu da necessidade de dar voz a essas personagens criadas há cinco séculos, uma época em que as mulheres não possuíam espaço na sociedade e sequer podiam subir ao palco – elas eram interpretadas por homens mais jovens que possuíam a voz mais aguda.

O projeto também conta com um workshop gratuito da técnica criada pelo diretor Luke Dixon – “Play-Acting Shakespeare” – para profissionais que irá ocorrer no Teatro Novo, um workshop para estudantes e atividade de formação de plateias, ministradas por Kyra Piscitelli, que também assina a assistência de direção.

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Mulheres de Shakespeare

Com Ana Guasque e Suzy Rêgo

Teatro Novo (Rua Domingos de Moraes, 348, Vila Mariana – São Paulo)

Duração 70 minutos

12/04 até 05/05

Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h

$60

Classificação 12 anos

SEGUNDA OKÊ

Ao chegar no Teatro Viradalata, o público será conduzido ao palco, onde estarão dispostas mesas e cadeiras. Entre comes, bebes e cantorias de um típico bar de karaokê, dois casais improváveis vivem encontros e desencontros, compondo um cenário repleto de questionamentos sobre relações nos dias de hoje e amores não correspondidos. O espetáculo Segunda Okê, com texto de Cristiane Wersom e direção de Marcio Macena, estreia dia 1º de abril, segunda-feira, 21h. Em cena estão Cristiane Werson, Maria BiaDavi Tápias e Pedro Bosnich, que também assina produção.

Inspirada por uma das mais conhecidas comédias de William Shakespeare, Sonho de Uma Noite de Verão, a peça Segunda Okê marca a continuidade da parceria de Pedro Bosnich e Cristiane Wersom, que montam sua terceira peça como dupla. Idealizada por Pedro, o espetáculo parte de uma proposta de encenação não tradicional. “É uma maneira de fazer com que o público seja de fato parte da montagem”, conta o ator.

A peça utiliza com frequência o improviso, especialidade de Cristiane Wersom. “Faz mais de 15 anos que trabalho com esse recurso. As dinâmicas dependem muito do retorno do público, mas vamos abordá-los de forma muito amorosa. Quem topar fazer uma participação não será isolado, mas sim integrado a proposta do espetáculo”, diz. Ela conta que os trabalhos conjuntos com Bosnich dão certo devido à vontade da dupla em viabilizar projetos e trabalhar com diversos gêneros diferentes.  Desde outubro de 2018, montaram juntos a comédia romântica Na Cama e o drama O Bosque Noturno. 

Sobre a encenação

O enredo acompanha a ida de quatro jovens a um bar de karaokê. Heloísa (Cristiane Wersom) vai aproveitar a folga sem saber que Lizandro (Davi Tápias), um jovem nerd que está apaixonado por ela, a seguiu até ali. Ela se encanta pelo garçom Demétrio (Pedro Bosnich), que por sua vez só tem olhos para Helena (Maria Bia), cliente assídua e ótima cantora que se sente atraída pelo nerd que está seguindo Heloísa. Em meio a bebidas, os jovens confundem-se e tentam disfarçar os sentimentos de uns pelos outros. Os clientes do bar são convidados a ajudar as personagens com conselhos amorosos e dicas musicais.

As músicas escolhidas para o karaokê, que serão mostradas ao público numa cartela, vão desde clássicos globais, como Mamma Mia, da banda sueca ABBA; até sucessos da dupla Sandy & Junior, sertanejos atuais e Evidências, de Chitãozinho & Xororó. “As personagens são pessoas que sempre vemos por aí: a Heloísa é uma workaholic; o Lizandro é um rapaz viciado em internet e tecnologia; o Demétrio é um homem fútil, que se preocupa em excesso com o corpo, achando que isso é suficiente para ser uma boa pessoa; e Helena é uma cantora que espera pelo reconhecimento do público, pela fama e pelo sucesso”, diz Cristiane.

Pedro Bosnich, que já trabalhou anteriormente com o diretor Marcio Macena, contou que o convite ao diretor partiu da vontade de trabalhar com alguém que pudesse compreender questões relevantes, como a utilização frequente do improviso e as escolhas de ambientar o público no espetáculo. “O Marcio é um diretor que tem um olhar disponível para entender as propostas de um projeto e sabe acolher com muito respeito as questões levantadas pelos outros criativos”, ressalta. Pedro e Marcio já trabalharam juntos em diversas outras produções, como Coisas Estranhas Acontecem Nesta Casa, que teve co-direção de Marisa Orth.

Para Marcio, a escolha é pautar a encenação pela leveza proposta pelo texto. “Muitas vezes busco a simplicidade na estética. Acredito que uma boa história contada por bons atores é suficiente para se ter um excelente espetáculo. Sempre, claro, contando com uma equipe criativa de qualidade”. Compõe ainda o time de criadores o iluminador Cesar Pivetti, com quem Marcio está trabalhando em conjunto pela sétima vez.

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Segunda Okê

Com Cristiane Wersom, Davi Tápias, Maria Bia e Pedro Bosnich

Teatro Viradalata (Rua Apinajés, 1387 – Perdizes, São Paulo)

Duração 70 minutos

01/04 até 20/05

Segunda – 21h

$50

Classificação Livre