DE ONDE VEM O BAIÃO

Em um pequeno salão de forró pessoas se encontram e se relacionam. Homens e mulheres dançam ao longo do salão e devaneiam pelo universo das músicas do forró pé de serra que acabam por invadir a cena.
 
A música do espetáculo retrata a história do Forró Pé de Serra que nasceu no sertão nordestino e nas últimas décadas passa por um “processo de urbanização”.
 
Porém, ela é contada a partir do pequeno: das pessoas presas em sua timidez e solidão, buscando a dança, para encontrar o amor, a amizade ou pelo menos ter por alguns minutos um contato físico com outro ser.
 
Criada em 2010 e dirigida por Rodrigo Andrade, a O QUE DE QUE é hoje a única Cia. brasileira a ser premiada no segundo maior festival de teatro de bonecos do mundo, “VISITING ARLEKIN” em OMSK na Rússia.
 
Sua pesquisa de linguagem tem como elemento primordial a investigação da relação entre o teatro, a música, a dança contemporânea com as formas animadas.
 
A dramaturgia é sempre tratada como elemento fundamental na integração dessas linguagens e se potencializa na abordagem corporal que tem como princípio, técnicas somáticas fundamentadas principalmente nos métodos de movimento consciente de Klauss Vianna e da fisioterapeuta francesa Marie Madeleine Béziers.
 
A Cia. reúne uma geração de artistas que optou pela pesquisa enquanto procedimento de criação e elaboração de seus resultados cênicos. Uma geração que busca bases em uma práxis artística cênica nomeada “contemporânea”.
 
Nessa designação, o conceito de “corpo cênico” passa a apresentar como traço principal, exigências muito próprias em seu modo de trabalhar as práticas e poéticas. Nesse “corpo cênico” investigado as formas animadas potencializam as dramaturgias. Os bonecos, sempre autorais e pesquisados a partir das dramaturgias, criam novos meios de relação entre os atores.
 
Bonecos e atores se relacionam em cena e o manipulador não é encarado somente como um manipulador. Ele é um ator que se utiliza do boneco para se relacionar com os outros atores, mas a plateia enxerga nele as intenções dos personagens. Um estudo sutil, mas que aplicado nessa pesquisa de linguagem potencializa a autonomia criativa do intérprete.
O manipulador é mais encarado como uma criança que brinca com um boneco com toda sua presença, do que alguém que precisa se tornar invisível atrás dele. O ator/manipulador está vivo e atuante a todo momento, porém colocando o boneco em foco.
De Onde Vem o Baião
Com Ana Paula Trevisan, David Caldas, Illa Benício, Ricardo Pesce, Rodrigo Andrade, Zé Neto e Zenaide Paludo
Centro Cultural São Paulo – Sala Adoniran Barbosa (Rua Vergueiro 1000, Paraíso – São Paulo)
Duração 60 minutos
20/02 até 04/04 (dia 07/03 não haverá apresentação)
Terça e Quarta – 20h
$15
 
06/03 (promoção popular do CCSP – ingressos: 3,00)

SONHO DE UM HOMEM RIDÍCULO

Sucesso de público e crítica, o espetáculo SONHO DE UM HOMEM RIDÍCULO, com Celso Frateschi e direção de Roberto Lage, prorroga por mais três semanas sua temporada em São Paulo. A montagem fica em cartaz de 17 de fevereiro a 4 de março, sempre com apresentações aos sábados e domingos, às 19 horas, no Ágora Teatro. O espetáculo, que estreou em 2005, é baseado no conto homônimo do escritor russo Fiódor Dostoiévski, publicado pela primeira vez em 1877 no livro Diário de um Escritor.

Em SONHO DE UM HOMEM RIDÍCULO um funcionário público, sabe que é ridículo desde a infância, mas por orgulho jamais confessou esse fato a ninguém. Motivo de desprezo e zombaria de seus semelhantes, já não tem mais nenhum interesse na continuação da sua existência. Num dia, inútil como todos os seus outros dias, em que mais uma vez esperava ter encontrado o momento de meter uma bala na cabeça, foi abordado por uma menina de uns oito anos, que clamava por ajuda. Ele não só recusa o apoio à criança, como a espanta violentamente e aos berros.

Ao voltar para casa, não consegue dar fim a sua existência. Já com sua arma pousada em seu peito e perturbado pelos sentimentos causados por aquela criança, adormece e sonha com a sua própria morte, com seu enterro e com uma vida após o tiro disparado. Viaja pelo espaço e por desconhecidas esferas. Experimenta a terra não manchada pelo pecado original e conhece os homens na plenitude da sabedoria e equilíbrio. Ele acredita que aquilo tudo foi real, pois as coisas terríveis que sucederam não poderiam ter sido engendradas num

Construção de conhecimento

Para Celso Frateschi, o texto clássico encenado é sempre contemporâneo, por isso a importância de voltar a encenar SONHO DE UM HOMEM RIDÍCULO. “No momento em que a barbárie avança violenta e rapidamente, destruindo valores humanistas que imaginávamos consagrados pela história e quando o sonho de liberdade individual, justiça social e fraternidade passam a ser vistos como retrógrados, a diversidade como ofensa e que virtuoso é quem rouba bem, o teatro se mantém como espaço de prazer estético e construção de conhecimento”, explica ele, que sentencia: “A linguagem não deve estar a serviço da ideologia, mas da liberdade.

O ator afirma ainda que ao abordar os clássicos de outra maneira, há uma permissão para que ele se aproxime de nosso tempo não pelas semelhanças, mas pelas diferenças entre a época em que foi escrito ou apresentado e a atual. “Identificar os modos de agir, sentir, se relacionar e pensar de nossos ancestrais, característicos de suas épocas para que se choquem e ou se assemelhem aos nossos, livremente, sem freios e cabrestos ideológicos, para que a poesia de nossos mestres nos ilumine e nos transforme”, conta Frateschi.

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Sonho de Um Homem Ridículo
Com Celso Frateschi
Ágora Teatro – Sala Edith Siqueira (Rua Rui Barbosa, 672 – Bela Vista, São Paulo)
Duração 60 minutos
17/02 até 04/03
Sábado e Domingo – 19h
$40
Classificação 14 anos

A CASA DA MARIQUINHAS – UM CABARÉ PORTUGUÊS COM POESIA E FADO

O espetáculo musical A Casa da Mariquinhas – Um cabaré português com Poesia e Fado reestreia no dia 20 de janeiro (sábado, às 18 horas), no Botequim Contra Regra do Espaço Cia da Revista, onde permanece em cartaz até o dia 11 de março.

Tradicional estilo musical de Portugal, o fado dá o tom ao espetáculo que tem roteiro e concepção de Helder Mariani e direção de Dagoberto feliz.

No palco, os atores-cantores – Helder MarianiKatia Naiane,Ricardo Arantes, e Silmara Deon – costuram poesias de autores expressivos da literatura portuguesa como Fernando Pessoa, Florbela Espanca, José Régio e Bocage aos fados que marcaram a cultura lusitana. Entre as músicas, “É Loucura”, “Só Nós Dois É que Sabemos”, “Perseguição”, “Casa Portuguesa”, “Grândola Vila Morena”, “Esquina de Rua”, “Maldição” e “Estranha Forma de Vida”, além da canção-título “A Casa da Mariquinhas”. Segundo o idealizador do espetáculo Helder Mariani, “são todas obras instigantes, carregadas de nostalgia e com grande apelo dramático e teatral”.

Os espectadores, sentados em mesas espalhadas pelo salão da Cia da Revista, são envolvidos pela atmosfera dos antigos cabarés, como nos ambientes chamados “fado vadio”, em que as pessoas cantavam e bebiam junto com os fadistas.

No passado, Casa da Mariquinhas foi uma animada casa de raparigas, onde os frequentadores se encontravam para contar da vida e cantar o fado. A Casa foi leiloada e se tornou uma respeitável e discreta casa de penhor. Do antigo estabelecimento nada sobrou, nem mesmo as tabuinhas nas janelas para evitar os fuxicos.

O musical se desenvolve com base em canções interpretadas pelo fadista português Alfredo Marceneiro, criadas para retratar a história da Casa da Mariquinhas, então apresentada em três momentos: o apogeu com todo o glamour peculiar ao bordel, o duro momento em que a casa é leiloada e sua transformação em casa de penhor, tendo janelas de vidro no lugar das tábuas.

Na poesia e no fado se confundem as historias de Portugal, dos fadistas e das pessoas do povo. E nesse cabaré, os atores brasileiros, deste lado do Atlântico, se voltam para as terras lusitanas de além-mar e redescobrem as nossas próprias raízes e lutas, somadas às  artimanhas do amor para aproximar a plateia do universo da cultura lusitana.

O espetáculo A Casa da Mariquinhas é um antigo projeto de Helder Mariani de reunir duas de suas paixões: poesia e fado. Segundo ele, a criação seguiu dois critérios: “existencial, para ressaltar o caráter sentimental e nostálgico do fado com suas tragédias de vida, e a questão política, pois o fado é uma expressão artística relacionada diretamente à Revolução dos Cravos que derrubou o ditador Antônio de Oliveira Salazar, em 1974”, comenta.

Dagoberto Feliz explica que na ditadura portuguesa, enquanto alguns fadistas adaptavam letras, fazendo com que o governo de Salazar se apropriasse politicamente do fado, outros resistiram ao regime e mantiveram seu caráter contestatório e revolucionário. “Fato bastante semelhante ao que ocorreu na ditadura brasileira”, explica o diretor. Helder completa: “É inegável que o fado, ao registrar a história contemporânea de Portugal, passa também por nossa própria história”.

thumbnail_A Casa da Mariquinhas -foto de Rafael Sampaio -b

A Casa da Mariquinhas – Um cabaré português com Poesia e Fado
Com Helder Mariani, Katia Naiane, Ricardo Arantes e Silmara Deon.
Espaço Cia da Revista (Alameda Nothmann, 1135 – Campos Elíseos, São Paulo)
Duração 70 minutos
20/01 até 11/03
Sábado e Domingo – 18h
$50
Classificação 12 anos

AS LOUCURAS QUE AS MULHERES FAZEM

Após passar dois anos viajando pelo Brasil, estreia no dia 12 de janeiro, em São Paulo, no Teatro Viradalata a comédia romântica As Loucuras que as Mulheres Fazem, estrelada pelos atores Fabio Rhoden e Maria Bia.
 
A peça escrita por Luciana Guerra Malta, com direção de Dan Rosseto, conta a história de Luiza e Fábio, um jovem casal em crise conjugal. Sem filhos e com carreiras independentes e diversas (ela professora de faculdade, ele analista de sistemas), decidem viver separados para que ambos entendam os motivos que os fizeram tomar esta decisão repentina.
 
Assim como Romeu e Julieta, um dos mais famosos casais da literatura, Luiza e Fabio, acreditaram que o amor era capaz de mover montanhas, sobreviver diferenças e passar pelas adversidades. No auge da paixão essas sensações são comuns a todos os amantes. Mas esse poderoso sentimento não é suficiente para garantir casamentos bem sucedidos e duradouros. Com o tempo a rotina revela divergências que vem a tona e que nem sempre o casal está disposto a lidar com os resultados que podem ser catastróficos.
 
Como conceito de encenação o diretor Dan Rosseto utilizará recursos de projeção em vídeo com depoimentos reais de atrizes com o tema “As Loucuras Que as Mulheres Fazem” que será exibido nas transições cênicas ajudando-o na narrativa e melhor compreensão da história pelo público. A cenografia remeter-se a um apartamento com aspecto Cult com mobília moderna, sob dois tapetes de iguais tamanhos representando os apartamentos de Luiza e Fabio. Recursos de trilha sonora (romântica), iluminação e adereços cênicos completam e enriquecem a arquitetura tornando a experiência teatral completa e extremamente profissional.
 
O espetáculo, além de divertir, também provoca reflexão e pretende fazer com que o assunto seja discutido em casa, para que casais que estejam passando por situações semelhantes aos personagens posam resolver ou amenizar sua rotina.
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As Loucuras Que As Mulheres Fazem
Com Fabio Rhoden e Maria Bia
Teatro Viradalata (Rua Apinajés, 1387 – Sumaré, São Paulo)
Duração 65 minutos
12/01 até 03/03
Sexta e Sábado – 21h30
$60
Classificação 12 anos

TADZIO

Nos últimos anos a Igreja Católica vem sofrendo uma série de denúncias de casos de pedofilia envolvendo lideranças religiosas, principalmente nos EUA e Europa, levando o Papa Francisco a criar, em 2013, uma comissão para investigar as acusações. Esse tema tão delicado é abordado no espetáculo Tadzio, que reestreia dia 14 de janeiro no Teatro Viradalata, para uma última temporada, com André Grecco, Rodrigo de Castro e Nana Pequini

A peça de Zen Salles, com direção de Dan Rosseto, é levemente inspirada no livro “Morte em Veneza” de Thomas Mann, que narra a paixão platônica do escritor Gustav von Aschenbach por um jovem polaco de apenas 13 anos. Outra inspiração foi o polêmico e notório caso da Escola Base de São Paulo, onde os seus diretores foram acusados pela opinião pública de abusarem sexualmente de alguns alunos. Após uma investigação sem nenhum rigor ou prova concreta, essas pessoas conseguiram provar a inocência, porém ficaram diversas marcas.

A partir desses fatos, dois aspectos foram trabalhados com maior destaque dentro do processo ficcional de “Tadzio”. O primeiro aspecto é o incontrolável desejo que perturba ferozmente as personagens envolvidas. Já o segundo é o julgamento precipitado que pode haver diante de alguns fatos inventados e que passam a ser encarados como uma verdade absoluta.

Na trama, um jovem de 25 anos é ordenado padre e diante da tão sonhada realização, passa a relembrar em tom de confissão como nasceu o seu desejo pelo “santo sacerdócio”. Também narra a maneira que conheceu o seu grande mestre e fonte de inspiração para a vida, o padre Enoque, que despertou nele uma “diabólica” paixão quando tinha apenas 13 anos. Os fatos são contados a partir do ponto de vista de Tadeu que, extremamente contrariado em seu desejo não consumado, resolve se vingar do padre Enoque a partir de uma escandalosa revelação.

É justamente aí que o espetáculo aborda um pouco da complexidade humana, que vai muito além do bem e do mal, do céu ou do inferno, de Deus ou do Diabo que nos faz pensar sobre as várias facetas de um desejo avassalador. Na mesma intensidade, também analisa como o mundo ao redor pode reagir diante de uma surpreendente confissão, seja ela verdadeira ou não.

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Tadzio
Com André Grecco, Nana Pequini e Rodrigo de Castro 
Teatro Viradalata (Rua Apinajés, 1387 – Sumaré, São Paulo)
Duração 70 minutos
14/01 até 04/03
Domingo – 19h
$60
Classificação 16 anos

A MULHER DE BATH

Uma mulher de vasta experiência conta a história de sua vida, seus amores incansáveis, seus rancores, paixões e vinganças, suas traições e sua grandeza, seu conhecimento profundo do pecado, da salvação e do espírito humano.

Com ardorosa oratória, sua história, ao mesmo tempo inusitada e exemplar, universal e única, é revelada por ela à beira de uma estrada, em plena Inglaterra medieval. “É um texto de interesse universal. Uma mulher falando dos jogos e artimanhas do amor, das guerras infernais no casamento, do sexo e suas armadilhas, das diferenças entre homens e mulheres, da necessidade da soberania feminina, de seu pleito por liberdade. São as mesmas questões de hoje. Ele foi surpreendente em sua época, e continua a surpreender agora”, conta Maitê Proença, atriz e idealizadora do projeto.

Alice viúva de cinco maridos está em busca do sexto.  Religiosa, não pode pecar e reza fervorosamente pela morte dos esposos para poder, assim, renovar o seu plantel.

A odisseia pessoal da personagem é entremeada com o relato fantástico de uma época imaginária: o mundo das lendas do Rei Artur, quando seres feéricos andavam pela Terra disfarçados em forma humana. Com texto de Geoffrey Chaucer e direção do premiado diretor Amir Haddad, a montagem de viés contemporâneo conta com a participação especial no palco do ator e músico Alessandro Persan.

Texto medieval, temática contemporânea

A Mulher de Bath é um dos personagens da obra “Contos da Cantuária”, de Geoffrey Chaucer,   uma das figuras basilares da literatura ocidental, precursora de Shakespeare e do indivíduo moderno.

Os “Contos da Cantuária”, escritos em 1380 e publicados pela primeira vez em 1475, faz parte das obras fundadoras da literatura inglesa. Assim como Dante, Cervantes e Camões, os contos de Chaucer ajudaram a sedimentar a língua, a poesia, a ficção e a oratória de todo um país. “Chaucer teve a audácia e a graça de colocar essa história, que nós transformamos em teatro, na boca de uma mulher, uma viúva libertária. Uma mulher que ama a vida, a alegria, o riso, o sexo, os homens, a diversão. A mulher de Bath é profundamente religiosa e tudo o que faz justifica pela Bíblia. Nela, o sagrado e o profano convivem perfeitamente. Isso resulta divertido e cômico.”, afirma Maitê.

A premiada tradução de José Francisco Botelho busca inspiração na poesia popular brasileira, do repente nordestino à trova gaúcha. Seus versos, que recriam os de Chaucer, são referência e objeto de estudo internacional, apostando em um sonho épico: a universalização da cultura brasileira. “Mas a nossa montagem é pé no chão, sem salto alto, sem pompa.  Fizemos questão que este texto primoroso se tornasse compreensível para todo tipo de espectador”, diz Maitê. “A Mulher de Bath parece uma mulher de agora, uma dessas neofeministas do movimento que ressurge, só que mais falante, mais bem articulada, inteligente e desbocada. E eu imaginava que as mulheres dessa época ficassem em casa rezando pelo marido que morreu. Esta já enterrou cinco e quer mais um”, completa a atriz.

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A Mulher de Bath
Com Maitê Proença
Sesc Bom Retiro (Al. Nothmann, 185 – Campos Elíseos, São Paulo)
25/01 até 04/03
Quinta – 18h, Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 18h
$40 ($12 – credencial plena SESC)
Classificação 16 anos

A HORA DO BRASIL: UMA COMÉDIA NACIONAL

O ator Ederson Miranda estreia o espetáculo solo  “A HORA DO BRASIL: uma comédia nacional” no dia 13 de janeiro no teatro  Ruth Escobar. O texto e a direção são assinados por  Ederson Miranda e Felipe de Moraes.

Inspirado nas tradições da comédia popular, o espetáculo conta a História do Brasil de maneira inédita, fazendo uma releitura de do mais tradicional programa de rádio brasileiro, que há quase  80 anos é companheiro “obrigatório” de nossas jornadas noturnas:  A Voz do Brasil.

Pensando naqueles que procuram uma alternativa aos acordes retumbantes do Guarany e aos boletins oficiais de Brasília, o espetáculo oferece uma nova versão para o programa.

Durante uma hora, o espectador viajará pela história do país através de alguns personagens típicos de imaginário nacional.

PERSONAGENS

PORTUGA

O espetáculo começa com a chegada de um português bem atrapalhado em terras brasileiras, este por sua vez, coloca uma cruz em nossa terra e diz que agora essa pertence à coroa portuguesa. Então, começa a tomar suas primeiras medidas para colonizar nossas terras. Porém, encontra dificuldades e para isso traz consigo seu livro de cabeceira: “O manual do empreendedor colonial”. Livro que lhe dará suporte para conseguir êxito em território tupiniquim.

CACIQUE

O encontro do europeu com os nativos é mostrado através do personagem Cacique, chefe de sua tribo. Esse encontro expõe de forma hilária os abusos dos europeus em nossas terras. A história não é tirada dos “oficiais” livros de história que temos costume de ver, livros esses que costumam mostrar apenas a visão do homem branco sobre os fatos. Aqui você verá a versão do nativo.

PADRE

Em seguida desembarca em terras brasileiras o personagem do Padre Jesuíta que vem para catequizar os nativos, todavia encontra muitos nativos hiperativos. O que irão dificultar e muito sua missão. O padre passa por diversas provações de fé para tentar impor sua cultura em nossas terras tropicais.

CAIPIRA

Eis que surge em nossa história: o Caipira. O famoso capiau tão comum no imaginário nacional. Ele aparece para mostrar aos portugueses que o caipira de bobo não tem nada. Esse personagem carrega toda a sabedoria popular do povo do interior do Brasil. E ele se declara o verdadeiro idealizador da inconfidência mineira.

CAPOEIRA

Já na época do império surge: o Capoeira, personagem que vive tirando sarro da aristocracia da época. É um verdadeiro fanfarrão, um contador de histórias que adora debochar do imperador e de seus pares.

FEMINISTA

Na fase da República Nacional no início do século XX surge a personagem da mulher feminista, que vem para brigar por seus direitos, pela igualdade de condições, num país ainda extremamente machista. Ela vem para mostrar que as mulheres vieram pra ficar e pra serem protagonistas da nossa história.

APRESENTADOR

Tanto no início como no fim do espetáculo aparece a figura do apresentador, o único personagem contemporâneo da peça. Ele aparece para falar sobre nossos conturbados dias atuais. E com acidez e perspicácia faz comentários hilários sobre os acontecimentos políticos do momento, abrindo e finalizando nossa epopeia histórica com muito bom humor.

Inspirado nas tradições do teatro popular de revista, tão tipicamente brasileiro, a peça busca uma comunicação ampla com seu público, e também se preocupa em fazer um humor crítico e inteligente.

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A Hora do Brasil: Uma Comédia Nacional
Com Ederson Miranda
Teatro Ruth Escobar (Rua dos Ingleses, 209 – Bela Vista, São Paulo)
Duração 70 minutos
13/01 até 29/04
Sábado – 21h30, Domingo – 19h30
$50/$60
Classificação 14 anos