MÁRTIR

O fundamentalismo religioso, os discursos de ódio e a violência provocada pela intolerância, pautas cada vez mais atuais no Brasil, são os temas da peça Mártir, de Marius Von Mayenburg, um dos principais nomes do teatro alemão contemporâneo.

A trama narra a transformação do jovem Benjamin, que, ao começar a ler a Bíblia, para de frequentar as aulas mistas de natação na escola porque elas ferem o seus sentimentos religiosos.

A mãe do protagonista atribui o seu novo comportamento, a um possível envolvimento com drogas ou a conflitos com sua sexualidade. A única que parece se preocupar com ele é Érica, sua professora de biologia, que logo vira alvo dos ataques do menino.

Benjamin mergulha profundamente na Bíblia e usa trechos das escrituras sagradas para combater radicalmente a ciência e qualquer fé diferente da sua. Ele cria para si uma verdade absoluta e inabalável a medida em que vai criando conflitos com os outros personagens. O espetáculo mostra essa trajetória da conversão religiosa até a radicalização do discurso, uma forma de “crucificação” da alteridade.

Com direção de Soledad Yunge, o espetáculo levanta questionamentos: até que ponto as pessoas estão dispostas para aceitar a fé das outras? Em que circunstância elas devem impor as próprias crenças? Como elas se comportam ao se deparar com doutrinas diferentes das suas? Qual é o limite entre um discurso de mudança e um comportamento extremista? O que é a verdade? Como alguém é capaz de transformar uma opinião em “verdade absoluta” para justificar os próprios desejos?

A ideia de pesquisar cenicamente esses temas surgiu em 2015, depois que a Cia. Arthur-Arnaldo ministrou oficinas de teatro em escolas públicas e particulares no projeto #JOVENS contemplado pelo Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a cidade de São Paulo. Na ocasião, os artistas perceberam a existência de uma juventude religiosa que tem ganhado força nos últimos anos.

Ao finalizar a leitura de ‘Mártir’, tive o impulso de começar a ensaiar imediatamente e tornar tridimensional as sensações que o texto despertou. A agilidade dos diálogos cortantes e precisos em contraponto aos solilóquios de citações bíblicas me lançou em um redemoinho, no qual vozes e forças se confrontam constantemente. Ao longo das 27 cenas somos convocados o tempo todo a pensar nas nossas crenças e traçar os limites em relação a temas como racismo, sexualidade, machismo, religião, extremismo, deficiência entre outros”, comenta Yunge.

A cenografia de Rafael Souza cria um espaço fictício único a partir de dois elementos simples, cadeiras e mesas, que poderiam ser encontrados em qualquer um dos diversos ambientes da narrativa. Todos atores o ocupam simultaneamente, de forma que as cenas borram seus limites e seguem o fluxo vertiginoso da dramaturgia. A iluminação, por sua vez, fragmenta este espaço híbrido e dá visibilidade às trajetórias.

A montagem é parte do projeto )Entre Jovens( contemplado pela 30a edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a cidade de São Paulo. O elenco conta com a participação dos atores: Ana Andreatta, Carlos Morelli, Edu Guimarães, Georgina Castro, João Bienemann, Júlia Novaes, Taiguara Chagas e Tuna Serzedello.

 Escrita em 2012, a peça ficou em cartaz no Teatro Schaubühne em Berlim com direção do próprio autor. Foi descrita pelo jornal britânico The Guardian como “provocativa e terrivelmente engraçada” por ocasião da montagem britânica do texto em 2015. A tradução do texto alemão para o português, assinada por Christine Röhrig, foi concedida à Cia. Arthur-Arnaldo pelo Goethe Institut.

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Mártir
Com Ana Andreatta, Carlos Morelli, Edu Guimarães, Georgina Castro, João Bienemann, Júlia Novaes, Taiguara Chagas e Tuna Serzedello.
Oficina Cultural Oswald de Andrade (Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro, São Paulo)
Duração 80 minutos
23/11 até 16/12
Quinta e Sexta – 20h, Sábado – 18h
Ingresso Grátis (Distribuição de convites uma hora antes de cada sessão)
Classificação 14 anos

PLUFT, O FANTASMINHA

O Teatro Dr. Botica apresentará o espetáculo, aclamada pelo público infantil, “Pluft, o Fantasminha” entre os dias 25 e 26 de novembro e nos dias 02 e 03 de dezembro.

A peça, encenada pela Cia dos Reis, conta a cômica e inusitada história de Pluft, um fantasma que tem medo de gente. A trama também foca na amizade de Pluft com uma menina que irá ajudá-lo a superar seus medos. Com autoria de Maria Clara Machado, quem assina a direção da montagem é o ator e diretor Ivo Ueter.

Pluft, o Fantasminha começa quando o malvado e temido Pirata Perna de Pau, que está em busca do tesouro perdido do Capitão Bonança Arco-Iris, sequestra a jovem Maribel que é escondida na antiga casa de Bonança. Chegando lá, a menina descobre que a morada abriga uma família muito engraçada de fantasmas, inclusive Pluft, um gentil e bondoso fantasminha que tem medo de pessoas.

Quando os atrapalhados e divertidos marinheiros, amigos de Maribel percebem seu desaparecimento, logo começam a desconfiar que o maldoso Pirata possa ter levado a amiga para a antiga e assombrada residência do Capitão. Juntos, João, Julião e Sebastião vão atrás da garota para salvá-la, passando por momentos onde a coragem de cada um é colocada à prova. Com isso, o Pluft também terá que testar sua bravura e passar por cima do medo para enfrentar seus anseios e construir uma linda amizade entre ele e os humanos.

Com texto leve e simples, a peça leva às crianças a loucura com as trapalhadas de seus personagens.

pluft
Pluft, o Fantasminha 
Com Cia dos Reis
Teatro Dr. Botica – Shopping Metrô Tatuapé (Rua Domingos Agostim, 91. Tatuapé, São Paulo)
Duração 60 minutos
25/11 a 03/12
Sábado e Domingo – 14h
$40
Classificação Livre

UM

UM é o título do espetáculo que a Companhia Moderno de Dança encena nos dias 24, 25 e 26 de novembro na Caixa Cultural São Paulo. O grupo, fundado em 2002, é originário de Belém do Pará e tem a “dança imanente” como proposição teórica e prática em dança.

Pautada no compartilhamento de subjetividades para a criação cênica, a Companhia, que também se configura como grupo de pesquisa, valoriza a construção coreográfica pelas trocas estabelecidas entre o individual (unidade) e o coletivo (múltiplo). A programação é totalmente gratuita e os ingressos devem ser retirados na recepção da Caixa Cultural a partir das 9h nos dias do evento.

A obra baseia-se na ideologia Ubuntu, cuja tradução literal significa: “eu sou o que sou pelo que nós somos”. A palavra, originária do vocabulário dos povos Bantu, da África do Sul, em diálogo com o fazer/pensar da dança imanente, alicerça o conceito do espetáculo, que utiliza práticas de matriz africana e afro-brasileira como recursos técnico-corporais para a pesquisa de movimentos.

O processo de criação cênica emprega elementos da capoeira, da cultura de escolas de samba, das danças afro-baianas e do candomblé, entendidos como matrizes mobilizadoras para a concepção do espetáculo.

UM foi contemplado com o Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna 2013 e já teve duas temporadas em Belém, além de ter circulado pelo interior do estado do Pará e se apresentado em Macapá.

Para a diretora artística Ana Flavia Mendes, “iniciativas como esta da Caixa são grandes oportunidades para difundir a arte produzida no país, de norte a sul. Para nós é muito caro poder dar visibilidade ao que fazemos em outra localidade, longe de casa, sobretudo pela expectativa de troca com o público de outra cidade“.

Além do espetáculo, três atividades paralelas são contempladas pelo projeto, sendo elas: a realização de uma oficina de compartilhamento dos preceitos criativos da dança imanente; uma palestra reflexiva acerca das relações teórico-metodológicas estabelecidas a partir do espetáculo UM e o lançamento de livros que tratam dos processos coreográficos da Companhia Moderno de Dança.

As inscrições para oficina e palestra têm vagas limitadas e podem ser feitas pelo e-mail ciamoderno@gmail.com.

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UM
Com Companhia Moderno de Dança
CAIXA Cultural São Paulo (Praça da Sé, 111 – Centro, São Paulo)
Duração 50 minutos
24 a 26/11
Sexta, Sábado e Domingo – 19h15
Ingresso grátis (ingressos distribuídos a partir das 9h do dia da apresentação)
Classificação Livre

INTERVENÇÃO DALLOWAY: RIO DOS MALEFÍCIOS DO DIABO

Em seu novo espetáculo o Grupo XIX de Teatro convida o público a caminhar pelas ruas do centro, contemplar espaços públicos e habitar uma estufa promovendo outras formas de ocupar e conviver no cotidiano urbano. Intervenção Dalloway: Rio dos Malefícios do Diabo estreia dia 27 de novembro, segunda-feira, às 16h. A temporada segue até 14 de dezembro, com sessões de segunda a quinta-feira, sempre às 16h. A montagem tem o apoio da Lei de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo.

O espetáculo-performance é itinerante. A peça começa no edifício da SEL (Secretaria de Esporte, Lazer e Juventude do Estado de São Paulo), um prédio histórico na Praça Antônio Prado, no Centro. Depois, o público é convidado para um trajeto até chegar ao local onde será construída uma estufa.

O romance Mrs Dalloway de Virgínia Wolf (1882-1941) norteia a construção da performance. O grupo se inspirou pela fábula de uma mulher de classe alta que sai pela cidade e ao fim do dia dá uma festa em sua casa. “O livro é também sobre olhar e ser olhado. Sobre o que vemos, como vemos e como somos vistos no emaranhando de corpos que desfilam pelos centros urbanos diariamente”, conta o diretor do grupo, Luiz Fernando Marques.

A obra se passa num dia na vida dessa mulher que decide ir comprar as flores para a festa que dará à noite. Ela caminha pela Londres do século 19 imersa em seus pensamentos, cruzando com outras pessoas também em seus próprios pensamentos,  todos ligados por uma rede invisível,  submersa, que os une. Estudantes,  comerciantes, donas de casa, um homem que irá se matar, talvez a rainha, que passa num carro oficial,  todas essas trajetórias individuais unidas na sincronicidade das horas. “Propomos assim, uma experiência de possíveis caminhos pela cidade de São Paulo do século 21, com suas contradições, sua frenética movimentação e todas as vidas individuais que se cruzam nesse espaço coletivo. Lembrando que é muito perigoso viver, por um só dia que seja”, explica a atriz Juliana Sanches.

A ideia de uma estufa, artificial e temporária, invasiva ao mesmo tempo que orgânica, aponta para o desejo de um diálogo físico e metafórico entre os artistas e o público, entre todos e a cidade. “Pretendemos sobretudo transformar o espaço do cotidiano em testemunho, em uma experiência vivida e compartilhada. Proporcionar um estado latente de presença diante de um ato, injetado artificialmente no hábito do cotidiano urbano”, fala Marques.

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Intervenção Dalloway: Rio dos Malefícios do Diabo
Com Janaina Leite, Juliana Sanches, Luiz Fernando Marques, Rodolfo Amorim e Ronaldo Serruya.
Ponto de encontro: Edifício-sede da SELJ – Secretaria de Esporte, Lazer e Juventude do Estado de São Paulo (antigo Banco de São Paulo) (Praça Antônio Prado, nº 9, Centro, São Paulo)
Duração 90 minutos
27/11 até 14/12
Segunda, Terça, Quarta e Quinta – 16h
Ingresso grátis (reservas de ingressos: reservadalloway@gmail.com/ )
Classificação 12 anos

SÍNTHIA

Cotado pela crítica como um dos melhores espetáculos de 2016, Sínthia volta para sua quarta – e curta – temporada na cidade.

A peça fez sua primeira leitura dramática, em 2013, no Projeto Terceira Margem III, do CapobiancoA atriz Denise Weinberg, do Grupo Tapa, juntou-se ao elenco da Velha Companhia para assumir o papel da mãe de Vicente, o protagonista da trama, participando da pesquisa que originou o texto de Kiko Marques (prêmios Shell, APCA, Aplauso Brasil e Qualidade Brasil por CAIS ou Da Indiferença das Embarcações).

Como nas peças anteriores – Cais ou Da Indiferença das EmbarcaçõesCrepúsculoO Travesseiro e Brinquedos Quebrados – Kiko inspirou-se em histórias pessoais.

Nascido em março de 1965, um ano após o golpe militar que depôs o presidente João Goulart e colocou o país em uma ditadura, o autor foi esperado como menina por sua mãe. O enxoval era todo cor de rosa e seu nome, Sínthia. Na época seu pai era major da PM do Rio e a mãe, uma mulher aprisionada em um mundo patriarcal e machista. “A partir desse mote e do paradigma da repressão como forma de amor, além da questão da identidade de gênero, resolvi criar uma obra que falasse de compaixão. A peça conta as histórias de Maria Aparecida e seu caçula Vicente, desde seu nascimento em 1968 até o Natal de 2013 quando chega para a ceia vestido como Sínthia, nome que teria se tivesse nascido menina“, conta Kiko.

A trama se passa no Rio de Janeiro de 1964, com o policial Luiz Mário e a dona de casa Maria Aparecida vividos por Sílvio Restiffe (nesta temporada no lugar de Henrique Schafer) e Alejandra Sampaio (no papel da mãe na fase mais jovem). O casal tem três filhos e sonha com a chegada de uma garota. O autor e diretor interpreta o papel de Vicente. Na segunda fase, a viúva Aparecida (representada por Denise Weinberg) esconde uma doença terminal e tenta contornar a instabilidade financeira do caçula, que é músico erudito e mora em São Paulo com a mulher (Virgínia Buckowski) e duas filhas. Sínthia é o nome que o personagem se dará aos 50 anos, percebendo que, de fato, era uma mulher no corpo de um homem.

A peça fala de uma transformação necessária e ininteligível como tudo o que é necessário, e sobre a incapacidade de aceitar aquilo que não se possui. Matamos aquilo que não entendemos“, completa Kiko Marques. Escrita em 2014, a obra, para o próprio Kiko, “se mostra atual e necessária pela maneira como a intolerância alicerçada em certezas e interesses, vem se tornando o modo principal de nos relacionar tanto no campo pessoal como social”.  Criada para a peça por Tadeu Mallaman,  a música Sinfonia da Compaixão é executada ao vivo pelo quarteto e cordas Quadril.

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Sínthia
Com Denise Weinberg. Henrique Schafer. Alejandra Sampaio. Virgínia Buckowski, Kiko Marques, Marcelo Diaz. Willians Mezzacapa. Marcelo Marothy. Valmir Sant’anna
Instituto Cultural Capobianco (R. Álvaro de Carvalho, 97 – Centro, São Paulo)
Duração 165 minutos
20/11 até 19/12
Segunda e Terça – 20h
$20
Classificação 14 anos

NÃO ME RECUPERO DO VAZIO DO SEU CORPO

O projeto Berçário Teatral, que apresenta espetáculos com entrada gratuita no Teatro dos Arcos com o objetivo de revitalizar o espaço cênico localizado na Bela Vista, apresenta o espetáculo “Não me Recupero do Vazio do Seu Corpo”, do OBARA – Grupo de Pesquisa e Criação, com direção de Lu Carion. A estreia acontece dia 25 de novembro e a peça fica em cartaz até 17 de dezembro, aos sábados e domingos, às 19h.

Este é o quinto espetáculo dentre as seis novas produções que compõem o projeto Berçário Teatral. A montagem do OBARA parte de reflexões a respeito do distanciamento, cada vez maior, dos corpos em uma sociedade frenética e saturada de estímulos. A ausência de vínculos e o vazio causado por uma virtualidade excessiva são parte da temática dessa dramaturgia inédita, que se constrói de forma fragmentada, repetitiva, muitas vezes aleatória e descontínua.

A virtualidade tem se tornado uma constante em nossa sociedade contemporânea, que constrói mais relações com o virtual do que com o real. O espetáculo aborda estas questões a partir de jogos e improvisos com partituras corporais que compõem a dramaturgia cênica.  Silvia Camossa,  escritora e ex-integrante do grupo,  recompôs de forma lúdica o texto cênico, a partir de fragmentos de registros dos atores durante processos anteriores.

Partindo da ótica de que o corpo é indissociável de sua sensibilidade, “Não me Recupero do Vazio do Seu Corpo” é uma busca pela reaproximação de corpos tão distanciados de si mesmos, pela urgência de vínculos em tempos de tantas ausências.

SOBRE O GRUPO OBARA – GRUPO DE PESQUISA E CRIAÇÃO

O OBARA – Grupo de Pesquisa e Criação foi criado por Lu Carion em 2001, na USP, a partir de sua pesquisa sobre o treinamento do ator com base na Técnica Klauss Vianna, em parceria com as atrizes Paulina Caon e Veronica Veloso. Hoje o trabalho é desenvolvido na Sala Crisantempo, na Vila Madalena, com novos integrantes. O grupo continua a investigação sobre a aplicação dos princípios e instruções de TKV para o treinamento e processo criativo do artista cênico.

Klauss Vianna foi bailarino, professor, coreógrafo, preparador corporal e diretor teatral. Suas importantes pesquisas  sobre o movimento consciente resultaram em importantes  transformações na concepção, na pedagogia de ensino  e em processos criativos nas artes cênicas.

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Não Me Recupero Do Vazio Do Seu Corpo
Com Bia Miranda, Livia Vilela, Luciana Romani, Tássia Melo, Tiago Salgado e Tito Soffredini
Teatro dos Arcos (Rua Jandaia, 218. Bela Vista – São Paulo)
Duração 45 minutos
25/11 até 17/12
Sábado e Domingo – 19h
Entrada gratuita (entrega de convites no local uma hora antes da sessão)
Classificação 12 anos

MANIFESTO INAPROPRIADO

 

As vozes da diversidade estão cada dia mais abafadas pelos discursos de ódio e pelo conservadorismo no Brasil, o país que mais mata sua população LGBT+ no mundo, como mostrou uma pesquisa feita pela Rede TransBrasil e o Grupo Gay da Bahia (GGB), em 2016. Para dar destaque aos anseios desses cidadãos que cansaram de ser oprimidos, a Cia. Histriônica preparou uma ocupação do Teatro de Arena Eugênio Kusnet, entre 15 de novembro e 23 de dezembro, com atividades de formação e a estreia do espetáculo Manifesto Inapropriado.

Dirigida por Rodrigo Mercadante (da Cia. do Tijolo), a peça foi construída coletivamente a partir de vários discursos sobre a população LGBT+, como depoimentos, entrevistas, notícias de jornal e denúncias de LGBTfobia em redes sociais. Alguns dos trágicos episódios citados em cena são as operações policiais Limpeza e Rondão, realizadas nos anos de 1980, com a missão de higienizar as ruas do centro de São Paulo ao retirar violentamente travestis e michês que se prostituíam na região.

A ideia desse manifesto cênico é questionar as estruturas sociais que oprimem à comunidade LGBT+, empoderar essas vozes e propor alternativas aos discursos de ódio por meio da poesia, da música e do canto, levando em conta a complexidade real de todas as questões que cercam esse universo.

A estrutura dramatúrgica da montagem posiciona o espectador em um lugar de pensamento crítico e ativo, sem deixar de  envolvê-lo emocionalmente com as situações mostradas. O elenco conta com os atores Lucas Sequinato e Ton Ribeiro e com os músicos Paulo Ohana e Theo Coelho Yepez.

FORMAÇÃO

A Ocupação da Cia. Histriônica ainda tem uma série de atividades de formação comandadas por artistas e pesquisadores que investigam temáticas LGBT+. Um dos destaques é a oficina “Dramaturgia através da escuta e da empatia”, com Ave Terrena Alves, inspirada em um workshop ministrado pela autora britânica Jo Clifford, em 2014. A ideia é ampliar a sensibilidade dos participantes para as narrativas de outras pessoas.

A programação também conta com a oficina “Representatividade Literária”,  com Helena Agalenéa, que apresenta aos participantes textos de autoras sobre violência contra a mulher para estimulá-los a criar novos produtos textuais (poesia, crônica, prosa ou cenas) com personagens trans representadas de forma adequada e não estereotipada.

Outra atração é a palestra “Gênero se ensina na escola e no teatro. Vamos falar sobre isso?”, de Bernardo Fonseca Machado, que discute os “marcadores sociais da diferença”, mostrando como as discussões sobre gênero, sexualidade, raça e geração estão interligadas. Ele também problematiza formas de poder, de produção de desigualdades e de naturalização da diferença na educação e dentro das convenções estéticas.

Já Gabriel Cruz conduz uma roda de conversa sobre “Masculinidades possíveis e sexualidades não-normativas”, a partir de obras de Paul Preciado e Judith Buttler. A conversa pretende discutir as possibilidades de desconstrução das masculinidades e feminilidades nocivas, além de outros binarismos que cotidianamente oprimem sexualidades não-normativas.

A Cia. Histriônica também compartilha com o público LGBT+ e outros artistas alguns procedimentos criativos de seu novo trabalho, que envolvem técnicas de teatro e canto, na oficina “Manifeste-se”. O objetivo é transformar as experiências, memórias e desejos dos participantes em material cênico.

Espetáculo “Manifesto Inapropriado”

A peça é um manifesto cênico construído a partir da compilação de diversos discursos sobre a população LGBT+, como depoimentos, entrevistas, notícias de jornal, denúncias de LGBTfobia em redes sociais, entre outros. A dramaturgia coletiva e o tratamento estético lidam com toda a complexidade das várias questões presentes nesse universo, transitando entre o lirismo e o humor, entre a beleza e a denúncia, entre os questionamentos e o empoderamento.

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Manifesto Inapropriado
Com Lucas Sequinato e Ton Ribeiro.
Músicos: Paulo Ohana e Theo Coelho Yepez
Teatro de Arena Eugênio Kusnet (Rua Dr. Teodoro Baima, 94 – Vila Buarque, São Paulo)
Duração 100 minutos
15/11 até 23/12
Quarta, Quinta, Sexta e Sábado – 20h, Domingo – 18h
$30
Classificação 16 anos