O LAGO DOS CISNES

Balé Teatro Guaíra (BTG) apresenta o espetáculo O Lago dos Cisnes, com direção e coreografia de Luiz Fernando Bongiovanni, nos dias 10 e 11 de novembro no Teatro Alfa. No palco, o público assistirá a performance de 23 bailarinos inspirada no folclore russo e germânico.

A montagem conta, com linguagem contemporânea, a história de amor entre o príncipe Siegfried e Odette, transformada em cisne por um bruxo. O Lago dos Cisnes tem direção de arte de William Pereira.  A história arquetípica de O Lago dos Cisnes, baseada originalmente em duas lendas medievais, fala do príncipe Siegfried, em uma terra distante, às vésperas das festividades de seu aniversário. Essa celebração marcará a passagem da juventude à vida adulta e, para isso, ele precisará escolher sua futura esposa. Todavia, tudo se altera quando o príncipe descobre seu grande amor por uma princesa aprisionada, na forma de um cisne, pelo feitiço de um mago tirano. O Lago dos Cisnes do Balé Guaíra é uma fábula a respeito da emancipação, um desejo manifesto em forma de dança, para que cada sujeito faça valer seu direito às próprias escolhas e para que elas sejam percebidas como necessidades fundamentais, e respeitadas a todo custo.

Em 1h30 de duração, a montagem – que estreou em junho deste ano no Guairão, em Curitiba – traz uma linguagem moderna para a coreografia clássica. De acordo com o coreógrafo Luiz Fernando Bongiovanni, há momentos de aproximação e afastamento da tradição. “Às vezes a tradição é pouco conectável com o mundo contemporâneo. Há uma série de pontos que criamos para nos aproximar do público, como o senso de humor e a interpretação dos bailarinos.

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Processo de criação inovador

O diretor, que foi bailarino e dançou O Lago, revisitou o folclore e fez uma pesquisa iconográfica. “Esse é um dos balés mais icônicos da história da dança. Ele evoca arquétipos que são conhecidos do público e as pessoas conseguem se ver na história”.

O processo de criação da coreografia também foi inovador, partindo de uma metodologia criada pelo diretor durante um mestrado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). De forma colaborativa, os bailarinos se tornaram criadores e segundo a “caligrafia” individual deles o elenco foi definido. Além disso, a partitura musical da obra de Tchaikovsky foi o guia para a montagem. “Fiz uma curadoria da obra toda e partir disso fizemos o encadeamento das cenas. Estamos conectados e articulados com a música”, diz.

“Nosso Lago tem protagonistas mais próximos do mundo contemporâneo, e mesmo que totalmente fantásticos, são – pelas frestas – mais críveis e verossímeis. De uma Rainha-mãe superprotetora e um Rothbart-vilão infantil e carente, até uma Odette-Odile sedutora e apaixonante e um Siegfried-herói por quem torcemos para que encontre forças e coloque em curso sua necessária revolução”, afirma o coreógrafo. Para Bongiovanni, “trabalhar um tema clássico pode ser a possibilidade de reinvenção, gênese de significados, de atualização dos mitos, a oportunidade de trazer para o momento presente questões atemporais, do indivíduo e do coletivo. As lendas que inspiraram essa história são cheias de reviravoltas e enigmas. Há aqui uma simbologia sobre o amadurecimento, a busca pela autonomia e formação da personalidade. Inicialmente Sigfried é dominado pela mãe, mas encontra no amor forças para seguir seu próprio caminho”, afirma Bongiovanni.

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Clássico fecha trilogia

Os ensaios para a apresentação começaram em fevereiro de 2018 e mais de 200 profissionais participam da montagem do espetáculo. Para Mônica Rischbieter, diretora-presidente do Centro Cultural Teatro Guaíra, O Lago dos Cisnes fecha uma trilogia, que se iniciou com Romeu e Julieta e Carmen. “A revisitação dos clássicos com uma linguagem moderna foi parte de um esforço conjunto para atrair o público mais jovem. Arrisco dizer que é o trabalho mais impressionante que já fizemos”, diz. Para o Balé Teatro Guaíra, a versão de O Lago dos Cisnes traz um valor inestimável. “Estamos falando de um grande clássico, o mais popular de todos os tempos, porém, recriado sob um ponto de vista atual. Trata-se de um encontro de dois importantes fatos que reafirmam o propósito desta companhia: tradição e contemporaneidade. É nisto que acredito e hoje me sinto feliz de poder juntamente com artistas e público apreciar a releitura contemporânea deste grande clássico”, completa Cintia Napoli, diretora do Balé Teatro Guaíra.

Segundo Cíntia Napoli, “os grandes clássicos têm uma potência muito grande porque tratam da existência humana. Trazendo-os para o nosso tempo, a gente consegue perceber o ser humano desde os seus primórdios. Vemos que ainda trazemos os mesmos conflitos e prazeres”.

O Lago dos Cisnes

Obra musical composta por Tchaikovsky em 1876, O Lago dos Cisnes foi encenado pela primeira vez no ano seguinte. Em seu aniversário de 21 anos, Siegfried precisa escolher uma esposa por ordem de sua mãe. Ele conhece Odette, uma princesa transformada em cisne pelo feiticeiro Von Rothbart, antagonista da história. O mago e sua filha, Odile, tentam separar o casal.

O Balé Teatro Guaíra

O Balé Teatro Guaíra foi criado em 1969 e é uma das principais companhias de balé do Brasil, com mais de 140 coreografias apresentadas e 23 bailarinos. Está sob a direção de Cíntia Napoli desde 2012.

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O Lago dos Cisnes

Teatro Alfa (Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722 – Santo Amaro, São Paulo)

Duração 90 minutos

10 e 11/11

Sábado – 20h, Domingo – 18h

$80

Classificação Livre

CONFISSÕES DE UM SENHOR DE IDADE

Indicado ao Prêmio FITA de Teatro como melhor espetáculo (júri popular), autor e ator, Flávio Migliaccio retorna em cartaz com a comédia “Confissões de um Senhor de Idade” no próximo dia 7 de novembro, quarta-feira, no Teatro Poeira, em Botafogo. Montado para comemorar os 60 anos de carreira do ator, a peça ficará em cartaz às terças e quartas até o dia 12 de dezembro.

Flávio divide o palco com o ator Luciano Paixão, que interpreta Deus encarnado no corpo de um simples mortal para propor um estranho pacto: se Flávio ajudar a desvendar um caso estranho que está acontecendo no céu, receberá a recompensa da vida eterna.

Num diálogo bem-humorado com Deus, Flávio conta suas histórias, suas experiências, suas memórias, saudades e até tristezas, tudo com o bom humor que sempre foi a sua marca. Detalhes da vida íntima do artista também serão revelados – uma forma de presentear o público, em agradecimento ao carinho recebido pela comemoração dos 60 anos de carreira.

Confissões de um Senhor de Idade

Com Flavio Migliaccio e Luciano Paixão

Teatro Poeira (Rua São João Batista, 104 – Botafogo, Rio de Janeiro)

Duração 55 minutos

07/11 até 12/12

Terça e Quarta – 21h

$60

Classificação 10 anos

 

FESTIVAL YESU LUSO 2018

Com a missão de aproximar os falantes da língua portuguesa, o Festival Yesu Luso chega à terceira edição entre 8 e 18 de novembro, com espetáculos encenados nas unidades do Sesc Vila Mariana, Santo Amaro e Campo Limpo. A programação, com curadoria da atriz Arieta Corrêa e do produtor Pedro Santos, reúne seis peças de Angola, Brasil, Cabo Verde, Macau, Moçambique e Portugal, sendo duas delas inéditas e montadas especialmente para a mostra.

O nome do evento é derivado de um dialeto moçambicano, no qual o termo “yesu” significa “nosso”; já palavra “luso” é usada em referência ao próprio idioma. A mostra surgiu a partir de um bem-sucedido projeto-piloto chamado Festival de Teatro Lusófono, organizado por Arieta e Pedro no Sesc Bom Retiro, em 2015.

O teatro é ancestral, é aqui e agora, vida e morte – ele é tudo o que somos. E nosso maior desejo é que estes espetáculos sejam capazes de fazer o público se identificar com esses países irmãos, que falam a mesma língua. Gostaríamos que as pessoas sejam transformadas, tocadas por um incômodo, um pensamento ou um questionamento”, conta Arieta Corrêa.

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ESPETÁCULOS

A curadoria dos espetáculos é sempre muito minuciosa, porque fazemos essa escolha ao longo de um ano. Desta vez, o critério foi dramaturgia em português”, comenta Pedro Santos.  Um dos destaques da terceira edição é o inédito “A Linha”, de Macau, inspirado livremente em uma obra do escritor lusitano José Saramago (1922-2010). Com falas em português e mandarim, a encenação é resultado de uma parceria entre a prestigiada Associação de Representação Teatral Hiu Kok e a Macao Artfusion. A trama trata da amizade entre os pastores Hon e Maria, que entram em conflito por causa da cegueira gerada pelo sentimento de posse sobre um território.

O outro espetáculo criado para a mostra é “A Última Viagem do Príncipe Perfeito”, do Grupo angolano Elinga Teatro, com direção de José Mena Abrantes. A trama narra histórias de pessoas que viajam entre Lisboa e Luanda em 1975, a bordo do navio Príncipe Perfeito (apelido do rei D. João II de Portugal). Algumas dessas figuras são um estudante que decide regressar convencido de que terá papel decisivo na revolução em curso em seu pais, uma mulher que perde todas as ilusões e luta para reencontrar um lar, um clandestino de todas as viagens que fez na vida e um casal que descobre que os sentimentos nunca morrem.

O representante brasileiro no festival é “Os Cadernos de Kindzu”, do Amok Teatro, inspirado no livro “Terra Sonâmbula”, do escritor moçambicano Mia Couto. A montagem narra a trajetória do jovem Kindzu, que deixa sua vila para fugir das atrocidades de uma guerra devastadora. Durante a jornada, ele encontra outros fugitivos, refugiados e personagens cheios de humanidade.

Encenada apenas três vezes antes de chegar ao Brasil, a versão do português João Garcia Miguel para “A Casa de Bernarda Alba”, do espanhol Federico García Lorca (1898-1936), cria uma reflexão sobre o aumento do isolamento criado pelas instituições no mundo contemporâneo. A obra, que se passa em uma vila na Espanha, fala sobre a vigilância absoluta que a matriarca Bernarda Alba mantém sob suas cinco filhas, Angústias, Madalena, Martírio, Amélia e Adela, que vivem trancafiadas em casa.

A moçambicana “Nos tempos de Gungunhana”, com direção de Klemente Tsamba, narra a saga de um guerreiro chamado Umbangananamani, da tribo tsonga, que fora casado com uma linda mulher chamada Malice, da tribo Macua. Embora tenham tentado muito ter filhos, não conseguiram realizar esse sonho. Essa história da tradição oral africana é contada junto com aspectos curiosos sobre a vida na corte do rei Gungunhana.

Já o cabo-verdiano Grupo Craq’ Otchod apresenta o monólogo “Esquizofrenia”, com direção de Edilson Fortes (Di) e atuação de Renato Lopes. A peça cria uma reflexão sobre os estigmas provocados por esse transtorno mental e a necessidade de inclusão social das pessoas com essa doença.

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FORMAÇÃO

Como o tema da terceira edição do festival é “Dramaturgia em Português”, além das peças, a programação conta com uma mesa de dramaturgia e um ciclo de leituras de textos teatrais lusófonos, encenados pelo Coletivo de Heterônimos. Outra atração é a oficina “Processo Pedagógico de Criação, com João Garcia Miguel (Portugal).

Um dos destaques do ciclo de leituras dramáticas é o texto inédito de Silvia Gomez (Brasil), “Neste Mundo Louco, Nesta Noite Brilhante”, que fala sobre uma garota que delira abandonada em uma rodovia após ser violentada em uma noite estrelada. Há também obras de Elmano Sancho (Portugal), Valódia Monteiro (Cabo Verde) e Venâncio Calisto (Moçambique).

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Confira abaixo a programação completa do Festival Yesu Luso 2018:

ESPETÁCULOS

“OS CADERNOS DE KINDZU”, DE AMOK TEATRO (BRASIL)

Quando: 8 e 9/11, na quinta e na sexta-feira, às 20h

Onde: Sesc Campo Limpo

Duração: 130 minutos. Classificação: 14 anos

Sinopse: Inspirado no livro “Terra Sonâmbula”, de Mia Couto, o espetáculo conta a trajetória do jovem Kindzu, que, para fugir das atrocidades de uma devastadora guerra civil, deixa sua vila e parte para uma viagem iniciática. Nela encontra outros fugitivos, refugiados e personagens repletos de humanidade que lhe farão viver experiências, ancoradas tanto na cultura tradicional do sudeste da África, quanto na vivência de um conflito devastador.

FICHA TÉCNICA

Direção, cenário e figurino: Ana Teixeira e Stéphane Brodt | Assistente de direção: Sandra Alencar | Elenco e música (criação e interpretação):Graciana Valladares, Gustavo Damasceno, Luciana Lopes, Sergio Loureiro, Thiago Catarino, Vanessa Dias e Stephane Brodt | Luz: Renato Machado | Direção musical: Stéphane Brodt | Operação de Luz: Maurício Fuziyama | Coordenação administrativa: Eureka Ideias/Sonia Dantas

Vídeo: https://vimeo.com/191788891

“A CASA DE BERNARDA ALBA”, COM CIA. JOÃO GARCIA MIGUEL (PORTUGAL)

Quando: De 8 a 11/11, de quinta a sábado, às 20h; e domingo, às 18h

Onde: Sesc Santo Amaro – Teatro

Duração: 60 minutos. Classificação: 16 anos

Sinopse: Regressam as “Bernardas Albas” crescendo à luz cruel dos nossos dias, como monstros que despedaçam vidas. Elas fecham as casas, que representam nossas instituições, e são a cada dia mais coercivas. As oportunidades não são iguais para todos. Propagam discursos nos quais subentendem mecanismos de repressão e censura como se defendessem liberdades. A peça é inspirada na obra homônima do escritor espanhol Federico García Lorca.

FICHA TÉCNICA

Texto original: Federico García Lorca | Direção e espaço cénico: João Garcia Miguel | Elenco: Sean O’Callaghan, Annette Naiman, Paula Liberati e Duarte Melo | Figurinos: Rute Osório de Castro | Assistência de direção: Rita Costa e Eurico D’Orca | Direção de produção em Portugal: Georgina Pires | Imagens Ensaios e Promoção: Mário Rainha | Direção Técnica; Roger Madureira | Consultoria de imagem e comunicação em Portugal: Alcina Monteiro | Apoio técnico: AUDEX  | Coprodução: Companhia João Garcia Miguel – Teatro Ibérico, República Portuguesa-Cultura/Direção-Geral das Artes – Teatro-Cine de Torres Vedras – Junta de Freguesia do Beato – IEFP

ESQUIZOFRENIA, COM GRUPO CRAQ’ OTCHOD (CABO VERDE)

Quando: 10 e 11/11, no sábado, às 19h; e no domingo, às 18h

Onde: Sesc Campo Limpo – Espaço Contêiner Vermelho

Duração: 50 minutos.  Classificação: 16 anos

Sinopse: O espetáculo “Esquizofrenia”, contribui para a minimização dos estigmas sociais que existem a volta deste transtorno.  Há muito que os paradigmas da saúde mental modificaram o seu lema de “isolar” para “conhecer e tratar”. Pois o confinamento, o abandono, o descaso social e até familiar, intensificam o transtorno e diminuem as chances de melhora. Esquizofrenia nos faz pensar e perceber que o que sempre faltou foi humanidade e abraçar e olhar para esse problema é o que verdadeiramente ajuda.

FICHA TÉCNICA

Encenação: Edilson Fortes (Di) | Interpretação: Renato Lopes | Músicas ao vivo: Edilson Fortes | Vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=dagDzBLdToc

 “A ÚLTIMA VIAGEM DO PRÍNCIPE PERFEITO”, COM GRUPO ELINGA TEATRO (ANGOLA)

Quando: 15 e 16/11, na quinta-feira, às 18h, e na sexta-feira, às 20h30

Onde: Sesc Vila Mariana – Auditório

Duração: 120 minutos. Classificação: 14 anos

Sinopse: Em 1975, o navio ‘Príncipe Perfeito’ realizou a sua última viagem de passageiros de Lisboa para Luanda. Na intimidade de cada um começava a esboçar-se o fim agônico do império que o rei D João II de Portugal, cognominado o ‘Príncipe Perfeito’, tão decisivamente ajudara a construir. As situações a que aludem os seguintes momentos dramáticos poderiam ter ocorrido nessa época: o caso do estudante que decide regressar convencido de que vai ter um papel na revolução em curso no seu país (A vigia); a mulher que perdeu todas as ilusões e a que luta por reencontrar um lar (Oh, mar); o clandestino de todas as viagens que fez na vida (O clandestino) e o casal que descobre que os sentimentos nunca morrem e se renovam como as ondas do mar (Do outro lado do mar). “Todos os impérios são ilusórios e devem morrer para que a Liberdade possa renascer”.

FICHA TÉCNICA

Texto, cenografia e direção: José Mena Abrantes | Elenco: Claudia Pucuta e Raul Rosario (do grupo Elinga) e Ana Clara Hibner (atriz convidada) |Desenho de luz: Rui Vidal | Figurinos: Anacleta Pereira | Coreografia: Ngau Afonsina Domingas | Música:  Raul Rosário (marimba) e Ana Clara Hibner e Claudia Pucuta (chocalhos e dança) | Produção: Elinga Teatro (52 produção) | Cartaz: Tiago Zaal com base em um detalhe do quadro de David Wojnarowicz

 “NOS TEMPOS DE GUNGUNHANA”, COM DIREÇÃO DE KLEMENTE TSAMBA (MOÇAMBIQUE)

Quando: 17 e 18/11, no sábado, às 19h; e no domingo, às 18h

Onde: Sesc Campo Limpo  Espaço Contêiner Vermelho

Duração: 60 minutos. Classificação: 16 anos

Sinopse: Era uma vez um guerreiro da tribo tsonga chamado Umbangananamani, que fora casado com uma linda mulher da tribo Macua, de nome Malice. Eles não tiveram filhos, embora tenham tentado muito. Este é o mote que dá início ao grande “karingana”, ou conto tradicional sobre a vida de um simples guerreiro, que muito rapidamente se vai transformar em uma sequência de outros pequenos karinganas, que relatam aspectos curiosos ligados à vida na corte do rei Gungunhana, onde a crueldade e as mortes por vezes se misturam com o humor. Cada karingana é contado e cantado com a graça dos ritmos tradicionais africanos.

FICHA TÉCNICA

Criação/Interpretação: Klemente Tsamba  | Textos originais: Ungulani Ba Ka Khosa | Apoio/Assistência criativa: Filipa Figueiredo; Paulo Cintrão e Ricardo Karitsis | Adereços e figurinos: Klemente Tsamba | Fotografia: Margareth Leite | Vídeo do espetáculo: https://www.youtube.com/watch?v=6iSIv7KVBo4

A LINHA, COM TEATRO HIU KOK (MACAU)

Quando: 17 e 18/11, no sábado, às 20h; e no domingo, às 18h

Onde: Sesc Santo Amaro – Teatro

Duração: 60 minutos. Classificação: 12 anos

Sinopse: Dois pastores, Hon e José, amigos de longa data, passam o tempo contando histórias ou observando a natureza, procurando, nos seus sinais e formas, algo com que se entreter, quebrando assim a monotonia em que se poderia tornar as suas vidas, ocupadas a levar os animais a pastar. Um dia, Hon propõe um novo jogo: uma corda deitada sobre o prado separaria as duas partes do campo, onde cada um deveria permanecer, assim como os seus animais. O que passasse para o outro lado perderia. Para sair vitorioso da disputa, um e outro depressa recorrem a ameaças, mentiras e outros estratagemas. A ideia e o sentimento da posse de um território transformam-se em uma cegueira que irá perturbar e questionar a harmonia do convívio, a calma dos dias, a própria duradoura amizade entre ambos. A peça tem excertos do livro “Ensaio Sobre a Cegueira”, do escritor português José Saramago.

FICHA TÉCNICA

Teatro Hiu Kok – Macau | Diretor: Billy Hui e Gary NG | Autor original: Athnony Chan | Adaptação: Fernando Sales Lopes / Billy Hui | Elenco: Ian I Kong e Chin Hong Leong | Produção: Ben Ieong e Yin Hui Chen | Acessórios e figurino: Laura Nyogeri e Fernando Sales Lopes | Editor de vídeos:Ka Ch’io Cheong | Gerente de palco: Ben Ieong | Gerente Assistente de Palco: Ka Ch’io Cheong e Wilson Chan | Legendas: Ben Ieong | Excertos de José Saramago – Ensaio de cegueira | Música: Amélia Muge – Álbum: Todos os dias … – “O Pastorinho” | Vídeos:https://www.youtube.com/watch?v=tYyg_ErzXnM

CARMEN (1)

ATIVIDADES DE FORMAÇÃO

LEITURA DE TEXTOS DRAMATÚRGICOS, COM COLETIVO DE HETERÔNIMOS

Criado em 2015, o Coletivo de Heterônimos é uma reunião de artistas que possuem em comum a vontade de realizar espetáculos teatrais com dramaturgia própria inspirada na discussão sobre as gramáticas sociais que controlam o sujeito em sociedade. O Coletivo tem em seu núcleo principal os atores Bruno Ribeiro (NAC), Amanda Mantovani (CPT), o diretor e dramaturgo Alexandre França (Billie e Mínimo Contato), além da colaboração de artistas diversos.

8/11, às 18h

“A ÚLTIMA ESTAÇÃO”, DE ELMANO SANCHO (PORTUGAL)

Onde: Sesc Santo Amaro – Sala Multiuso

Sinopse: Na origem de “A última estação” encontra-se o assassino em série norte-americano Ted Bundy (1946-1989) – ou, mais exatamente, as semelhanças físicas entre este homem e Elmano Sancho. Da mesma forma que Bernard-Marie Koltès ficou obcecado pelo rosto de Roberto Succo, quando viu uma foto sua no metrô de Paris, também o ator e autor português se lançou a investigar a vida de Ted Bundy, que matou mais de 35 mulheres. Elmano Sancho guardou o retrato do assassino junto às suas próprias fotografias, até que um dia alguém confundiu o seu rosto com o do criminoso.

Foi esse o ponto de partida para uma reflexão sobre a violência e o desejo de transgressão na vida e na arte. A última estação interpela o conceito de dibukk, que na mitologia judaica representa o espírito ou o demónio que habita o corpo de cada um de nós, e apresenta à estrutura da Via Crúcis, as estações da Paixão de Cristo: a condenação à morte anunciada abre caminho a uma via dolorosa que culmina na inumação, mas que aspira à ressurreição, a XV e última estação.

16/11, às 18h

“SIM OU NÃO”, DE VALÓDIA MONTEIRO (CABO VERDE)

Onde: Sesc Santo Amaro – Sala Multiuso

Sinopse: Dois personagens – Antonius (ou António, tradicionalmente um dos mais vulgares nomes de Cabo Verde e Nemo (ninguém) – encontram-se desde sempre em um mesmo espaço, até que o primeiro, sufocado com o estado de coisas, decide sair e procurar outro espaço para viver. Convida o companheiro de sempre para essa jornada, mas este refuta o convite. Antonius não se dá por vencido e continua tentando convencer Nemo durante toda a peça.

14/11, às 18h

 “(DES)MASCARADO”, DE VENÂNCIO CALISTO (MOÇAMBIQUE)

Onde: Sesc Vila Mariana

Sinopse: O conflito de gênero é tão antigo quanto a própria humanidade. A relação entre o homem e a mulher sempre foi uma espécie de braço de ferro. Um jogo de poder. É por conta desta necessidade, que ambos sempre tiveram, de dominar a sociedade que se inventou o mito e, ou a tradição. O Mapiko é exemplo disso, uma tradição cheia de ritos, cor e magia inventada pelos homens macondes (povo do norte de Moçambique) como forma de amedrontar a mulher e reivindicar um espaço dentro daquela sociedade matrilinear.

13/11, às 18h

“NESTE MUNDO LOUCO, NESTA NOITE BRILHANTE”, DE SILVIA GOMEZ (BRASIL)

Onde: Sesc Vila Mariana

Sinopse: Neste mundo louco, nesta noite brilhante. Enquanto aviões decolam e aterrissam em várias partes do mundo, a rotina da Vigia do KM 23 daquela rodovia brasileira é alterada pela presença de uma garota que delira, largada no asfalto após ser violentada nesta noite cheia de estrelas.

PROCESSO PEDAGÓGICO DE CRIAÇÃO, COM JOÃO GARCIA MIGUEL (PORTUGAL)

Quando: de 9 a 14 de novembro, das 14h às 18h

Onde: Sesc Santo Amaro – Teatro/Sala Multiuso
Taxa de inscrição: R$30 (inteira), R$15 (meia-entrada) e R$9 (credencial plena)
Inscrições: devem ser feitas diretamente no Sesc Santo Amaro

Vagas: 30

Descrição: imersão para experimentações de uma criação artística a partir dos expedientes e pensamentos da Cia JGM de Portugal, com João Garcia Miguel e integrantes da companhia.

ENCONTRO SOBRE DRAMATURGIA EM LÍNGUA PORTUGUESA

Quando: 14/11, às 20h

Onde: Sesc Vila Mariana – Foyer
Ingressos: Grátis

Participantes: José Mena Abrantes (Portugal), Dione Carlos (Brasil) e João Garcia Miguel – Portugal

Dione Carlos: Cursou jornalismo na Universidade Metodista de São Paulo. Estudou atuação na escola de teatro Globe-SP. Atuou como atriz na Cia Teatro Promíscuo, de Renato Borghi e Élcio Nogueira. Formada em Dramaturgia pela SP Escola de Teatro, desenvolve parcerias com Cias de teatro. Estreou com a peça Sete, na Cia Club Noir, sob a direção de Juliana Galdino, em 2011. É autora de doze peças encenadas. É responsável pelo Núcleo de Dramaturgia da Escola Livre de Teatro de Santo André. Em 2017 lançou seu primeiro livro: Dramaturgias do Front.

José Mena Abrantes: Nascido em 1945 em Malanje, na Angola, o jornalista, escritor, dramaturgo e diretor José Mena Abrantes é licenciado em filologia germânica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e membro da União dos Escritores Angolanos.  Ele começou sua carreira no teatro em 1967, no Grupo Cénico da Associação Académica da Faculdade de Direto de Lisboa, e, deste então, integrou e fundou várias companhias, como o angolano Grupo de Teatro da Faculdade de Medicina de Luanda, o alemão Faust e o espanhol La Busca. Fundou o Grupo Elinga Teatro em 1988. Como jornalista, Abrantes foi diretor-geral da Agência Angola Press, chefe do setor de Informação e Divulgação da Cinemateca Nacional, assessor de imprensa da presidência da república de Angola, secretário de Estado para os assuntos de comunicação institucional e imprensa do presidente. Atualmente, foi nomeado consultor do presidente da república angolana.

João Garcia Miguel: Nascido em 1961 em Lisboa, em Portugal, o diretor e dramaturgo João Garcia Miguel tem suas práticas artísticas pautadas pelo experimentalismo performativo e a preocupação com o papel do artista enquanto investigador e interventor social. Ele ministra aulas em universidades em Portugal e no exterior, escreve obras performativas e ensaios sobre o ato criativo e o corpo.  Fundou os grupos Canibalismo Cósmico, Galeria Zé dos Bois e OLHO – Grupo de Teatro. Em 2003, inaugura a Cia. JGM e abre em Lisboa o Espaço do Urso e dos Anjos, dedicado à formação e divulgação das artes performativas.

SERVIÇO

YESU LUSO 2018 – DRAMATURGIA EM PORTUGUÊS

De 8 a 18 de novembro

Sesc Vila Mariana – Rua Pelotas, 141, Vila Mariana.

Informações: (11) 5080-3000

Sesc Santo Amaro – Rua Amador Bueno, 505, Santo Amaro.

Informações: (11) 5541-4000

Sesc Campo Limpo – Rua Nossa Sra. do Bom Conselho, 120, Campo Limpo.

Informações: (11) 5510-2700

Ingressos: R$20 (inteira), R$10 (meia-entrada) e R$6 (credencial plena)

BAGAGEM

O ator Marcio Ballas, que pesquisa há 20 anos as linguagens do palhaço e da improvisação teatral, conta ao público alguns episódios que marcaram a sua infância no espetáculo Bagagem, com direção de Rhena de Faria. A peça faz nova temporada no Teatro Eva Herz, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional de 12 de outubro a 7 de dezembro de 2018, toda sexta-feira às 21h.

Nos anos de 1950, o militar Gamal Abdel Nasser tornou-se presidente do Egito e implantou várias medidas para limitar a presença de estrangeiros no país, o que gerou uma guerra responsável pela expulsão de milhares judeus da região. Os pais de Ballas foram obrigados a abandonar sua terra natal nessa circunstância e embarcaram em um navio com destino ao Brasil.

Segundo o ator, a ideia de contar ao público as histórias de sua família surgiu em um jantar. “Em uma sexta feira, fui comer na casa da minha mãe. Na sobremesa, tinham vários doces incríveis e um pequeno cacho de bananas. Brinquei dizendo que ninguém escolheria a fruta. Ela disse: ‘Não fale assim. Um dia, isso foi o meu almoço’. Eu achei que ela estava brincando, mas ela contou que quando chegaram refugiados do Egito, não tinham dinheiro para comida. Então, por várias vezes, almoçaram bananas! Nesse dia, pensei: quero compartilhar as histórias da minha família em um espetáculo“, explica Ballas.

Em cena, Ballas apresenta uma visão bem-humorada e poética sobre as histórias de sua família e a Cultura Judaica em forma de pequenas crônicas, com os temas infância, melhor amigo, pai, mãe e férias. As técnicas de improviso teatral são usadas quando o ator convida a plateia para entrar na cena e a participar da peça.

Em 2010, eu organizei um Festival de Improviso no Brasil e trouxe convidados internacionais. Um deles era o mestre Omar Argentino, que apresentou um solo de improviso. Eu fiquei maravilhado. Eu não sabia que dava para improvisar sozinho, não sabia que era possível! Essa ideia ficou na minha cabeça durante 7 anos, até que eu tomei coragem e decidi: está na hora de fazer o meu solo. Misturei o improviso com textos escritos e surgiu o espetáculo“, conta o improvisador.

Bagagem

Com Marcio Ballas

Teatro Eva Herz – Livraria Cultura do Conjunto Nacional (Avenida Paulista, 2073, Bela Vista – São Paulo)

Duração 60 minutos

12/10 até 07/12 (não haverá sessão 19/10)

Sexta – 21h

$60

Classificação: 12 anos

A CABEÇA DE YORICK

os Parlapatões estreiam a peça A Cabeça de Yorick, no Espaço Parlapatões. Em cena Hugo Possolo, Raul Barretto e Nando Bolognese revelam como palhaços encaram os assuntos trágicos.

Na mais famosa tragédia de Shakespeare, Hamlet, a única cênica cômica é a dos coveiros. Hamlet empunha caveiras nas mãos e se depara com a de Yorick, que foi o bobo da corte e alegrou sua infância. A imagem que mais representa a tragédia do velho bardo é de Hamlet com caveira erguida. Ou seja, o momento da tragédia que ficou imortalizado no imaginário é exatamente aquele no qual a comédia está destacada pela tragédia. Neste espetáculo, os palhaços buscam uma inversão, levantando imagens trágicas dentro do ambiente cômico.

Em diferentes quadros da peça, que têm uma sutil ligação entre si, os três palhaços se vêm diante da perda e da finitude para buscar saídas, cujo ângulo de visão busca fugir do trágico ou que, ao menos, contenha alguma esperança. Os três circulam em variadas abordagens como a de uma palestra motivacional sobre a vida eterna até outro quadro que traz um compêndio de diferentes maneiras de se suicidar. Em outro quadro, um palhaço se surpreende pelo encontro com o corpo de outro palhaço morto, descrevendo todas as suas impressões tragicômicas levadas ao absurdo da compreensão cômica sobre a vida. O público participa, feito por jogo de improviso, dando ideias sobre como a inversão dos ícones básicos da tragédia podem ser vistos, revistos e anarquizados pela comédia.

A Cabeça de Yorik é mais um resultado da pesquisa que os Parlapatões em torno da figura do palhaço e do bufão. A peça é mais das atividades do grupo Parlapatões, comtemplado pelo Programa de Fomento ao Teatro da Cidade de São Paulo, da Secretaria Municipal de Cultura. 

CARMEN (3)

A Cabeça de Yorick

Com Hugo Possolo, Raul Barretto e Nando Bolognese

Espaço Parlapatões (Praça Franklin Roosevelt, 158 – Centro, São Paulo)

Duração 55 minutos

16/10 até 07/11

Terça e Quarta – 21h

$40

Classificação 12 anos

NA CAMA

O premiado filme chileno “En La Cama” (2005), com roteiro de Julio Rojas, ganha sua primeira adaptação brasileira para o teatro em Na Cama, com direção de Renato Andrade, que estreia no dia 18 de outubro no Teatro Viradalata. A peça segue em cartaz até 29 de novembro, com sessões às quintas-feiras, às 21h.

A comédia romântica narra o primeiro e último encontro entre Bruno (Pedro Bosnich) e Daniela (Cristiane Wersom), que se conheceram em uma festa horas antes. Entre os lençóis, eles compartilham algumas de suas verdades e fantasias. Sem expectativas ou compromisso, o casal se revela aos poucos.

Com direção de Matias Bize, o filme foi premiado nos festivais de Valladolid, na Espanha, de Havana, em Cuba, e de Viña Del Mar, no Chile; foi indicado ao Prêmio Goya 2007; e fez parte da seleção oficinal dos festivais de Locarno, na Suíça, e Los Angeles, nos Estados Unidos.

Sobre Julio Rojas

O chileno Julio Rojas é um dos mais premiados roteiristas da América Latina. Outros filmes seus são “Mi mejor enemigo”, indicado ao Goya em 2006; “La vida de los peces”, indicado em 2012 ao Goya e ao Colón de Prata e representante chileno na disputa ao Oscar naquele ano.

Foi diretor de conteúdos de ficção na TV, docente em diversas universidades chilenas e estrangeiras e professor da Escola Internacional de Cinema e Televisão de San Antonio de Los Baños, em Cuba.  Como escritor, acaba de publicar seu primeiro romance “El visitante extranjero”. “Na Cama” é sua primeira obra encenada no Brasil.

SINOPSE

Em um quarto de motel, Bruno e Daniela, dois estranhos que se conheceram poucas horas antes numa festa de casamento, dividem lençóis e confidencias. Aos poucos, a intimidade do casal extrapola o sexo e aquela relação descompromissada passa a ser uma possibilidade.

CARMEN (2)

Na Cama

Com Cristiane Wersom e Pedro Bosnich

Teatro Viradalata (Rua Apinajés, 1387, Sumaré – São Paulo)

Duração 55 minutos

18/10 até 29/11

Quinta – 21h

$40

Classificação 16 anos

MEIA-MEIA

A busca pelo poder e o lado mais mesquinho e sórdido do ser humano são motes de MEIA-MEIA, texto livremente inspirado no romance O anão (1944), do sueco Pär Lagerkvist (vencedor Prêmio Nobel de Literatura em 1951). Com direção de Juliana Jardim e Georgette Fadel, o espetáculo estreia no dia 19 de outubro no Sesc Pompeia, e segue em cartaz até 11 de novembro.

Este é o primeiro monólogo de Luís Mármora, que também foi idealizador da montagem. “O espetáculo nasceu de um convite meu para o Vadim Nikitin. Eu queria fazer um monólogo que tivesse a política como temática central. Não queria um personagem que fosse a representação do poder, mas que desfrutasse dele, bebesse dos privilégios. E o Vadim lembrou dessa obra que é praticamente desconhecida no Brasil, teve uma única edição em 1970. Embora tenha sido escrito em plena 2ª Guerra Mundial, em alguns trechos do romance dá quase para dizer que é uma ficção para a teoria de Maquiavel, sobre como ele descreve as possíveis tomadas de poder”, comenta o ator.

Ainda que ambientada em época indefinida, leitor e espectador podem deduzir que o texto se passa numa possível Renascença, por desdobradas sugestões de relações entre arte e guerra, por exemplo. A trama apresenta um anão inescrupuloso e manipulador que aparece indissociável de seu Printz, quase como um prolongamento seu. Acompanha o Printz em uma guerra, que MEIA-MEIA tem como a potência máxima de vida, “uma experiência maravilhosa” que lhe traz a suprema felicidade.

O anão tem uma potência muito destrutiva. Claro que o apelo teatral faz com que tonemos a figura dele de modo ainda mais sedutor do que no romance. E o humor vem sempre pela inversão de tudo o que seria uma demonstração de amor. Então, ele diz coisas do tipo ‘como o amor é uma coisa repugnante’, ‘como é desprezível a mão de uma criança’”, diz Mármora.

A ideia é justamente explicitar como esse tipo de comportamento desprezível também faz parte do ser humano. “Ele expõe o que há de mais sombrio na força humana, que é uma coisa com a qual temos nos deparado cada dia mais nas relações político-sociais. As relações se tornam cada vez mais explicitamente violentas e dominadas pelo ódio. Ele vem para questionar como lidamos/domamos isso”, revela.

Além das obras de Pär Lagerkvist e Nicolau Maquiavel (1469-1527), a pesquisa que gerou a encenação tem como referência o trabalho dos pintores espanhóis Diego Velázquez (1599-1660) e Francisco de Goya (1746-1828); o filme “Os Anões Também Começaram Pequenos”, do cineasta alemão Werner Herzog; e o conceito de materialismo histórico do filósofo alemão Walter Benjamin (1982-1940).

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Meia-Meia

Com Luís Mármora

SESC Pompéia – Espaço Cênico (R. Clélia, 93 – Água Branca, São Paulo)

Duração 70 minutos

19/10 até 11/11

Quinta, Sexta e Sábado – 21h30, Domingo e Feriado – 18h30

$20 ($6 – credencial plena)

Classificação: 16 anos