O BEIJO NO ASFALTO

O Beijo no Asfalto, de Nelson Rodrigues (1912-1980) ganha nova versão em estreia dia 12 de agosto, sábado, às 16h, Praça Roosevelt (frente à Rua Augusta). O diretor Pedro Granato traz a trama para a cidade, a céu aberto, com as avenidas como pano de fundo, na montagem do núcleo de pesquisa do teatro Pequeno Ato – responsável pelas peças Fortes Batidas (vencedora de prêmios APCA, São Paulo e Zé Renato) e 11 Selvagens (que volta em cartaz em setembro).

Unindo técnicas do teatro de rua com o conceito do site specific, a proposta é apresentar a peça ao entardecer transformando a cidade em cenário. As escadas serão as arquibancadas para o público. Para o diretor, na rua a peça consegue atingir um número maior de pessoas que não frequentem uma sala de teatro convencional.

O texto é muito popular e atual ao discutir política, homofobia, violência policial, abuso de poder, manipulação da imprensa.  Eu queria trazer para hoje, para falar dessa lógica de linchamento que acontece a cada dia. O tempo inteiro alguém está sendo linchado publicamente pela internet, o uso das “fakes News” tão utilizadas na politica brasileira, então busquei trazer essa história para esse contexto atual. Acho que todos os elementos que estão na obra estão presentes na rua renovando o olhar da plateia para a cidade”, explica.

Na trama de Nelson Rodrigues, Arandir sofre um massacre midiático por dar um beijo em um homem que morria após ser atropelado. A polícia, procurando abafar escândalos, encampa uma cruzada moralista seguindo a estética do linchamento, tão comum nos dias de hoje.

Utilizando coros e elementos contemporâneos, essa versão revigora o impacto da tragédia rodrigueana. Na rua, a violência e homofobia estão muito mais latentes. O atropelamento é uma possibilidade real e a encenação joga com essa tensão entre a cena e o cotidiano ao redor. Os atores se revezam em vários personagens se multiplicando em cena.

A própria Praça Roosevelt é um espaço de disputa na cidade. Revitalizada especialmente pela ação dos teatros sofre agora um processo de gentrificação e diversas proibições de uso. Ocupá-la com uma obra tão emblemática sobre abusos de poder  é resgatar o potencial provocador da obra de Nelson Rodrigues”, completa o diretor.

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O Beijo no Asfalto
Com André Salama, Diego Dac, Fhelipe Chrisostomo, Gabriela Fontana, Gustavo Pompiani, Isabela Fikaris, Maria Eduarda Machado, Mariana Beda, Mau Machado e Roberto Garcia. 
Praça Roosevelt (Praça Franklin Roosevelt, s/n – Bela Vista, São Paulo)
Duração 90 minutos
12/08 até 03/09
Sábado e Domingo – 16h
Grátis
Classificação Livre

 

 

 

BEIJO NO ASFALTO

eI042687.jpgMesclando a relação entre a dramaturgia e o jornalismo no Brasil, o Grupo de Segunda, da Cia das Artes, retorna aos palcos com o clássico de Nelson Rodrigues – O Beijo no Asfalto.

O espetáculo aborda a forma sensacionalista com que fatos cotidianos são retratados pela mídia. A trama mostra um homem casado que beija a boca de outro homem que acaba de ser atropelado e está à beira da morte. Estampado como manchete de jornal, o ‘beijo no asfalto’ torna-se o assunto mais comentado na cidade. Sexualidade, intrigas, ética na imprensa e crise familiar são os temas principais que englobam o enredo.

Para o diretor Jair Aguiar, um dos trunfos da peça é a dramaturgia de Nelson Rodrigues. “É um estilo bem marcado, frio, não pode trabalhar com a emoção, mas com o sentimento. Cada vírgula e cada palavra tem sua importância. É preciso ter uma atenção e um estudo bem trabalhado”.

Apesar de ser um texto escrito em 1960, o espetáculo dialoga com a atualidade, pois discute a relação do poder, da imprensa e do núcleo familiar. Todas essas camadas estão presentes no dia a dia da contemporaneidade. A montagem traz um choque e uma reflexão na imersão de valores.

A cenografia incorporou aspectos e disposição no palco como se fosse um tribunal. O figurino e a iluminação trabalham com a predominância de tons das cores preto e branco, criando um clima de cinema noir. “O palco virou uma espécie de porão, incorporando o submundo e a marginalidade. Possui um clima gelado que combina bem com a atmosfera de São Paulo em virtude do isolamento do povo e da mídia. Nelson Rodrigues soube como poucos colocar o preto no branco da vida em nossa cara”, enfatiza Jair Aguiar.

O Grupo de Segunda é o primeiro coletivo formado na Cia das Artes, que realiza uma parceria com o projeto Oficina de Atores que objetiva a formação, por meio da pesquisa de linguagem do gesto mínimo, a montagem de textos da dramaturgia brasileira e internacional. “A criação do grupo é resultado do contato e da produção contínua nos últimos anos. Um suporte que privilegia a discussão de todos os fatores que envolvem o fazer teatral”, fala Jair Aguiar.

O Beijo no Asfalto 
Com Antonio Netto, Diego Rodda, Felipe Ramos, Fernanda Gonçalves, Leão Lobo, Niveo Diegues, Edivaldo Gomes, Marcio Vasconcelos,Natália Martins e Samira Aguiar
Espaço Parlapatões (Praça Franklin Roosevelt, 158 – Consolação, São Paulo)
Duração 90 minutos
03/03 até 21/04
Quinta – 21h
Recomendação 12 anos
$40
 
Autor: Nelson Rodrigues
Direção Geral: Jair Aguiar
Direção Artística: Antonio Netto
Cenografia: Marcio Tadeu
Figurino: Marcio Tadeu
Iluminação: Will Damas
Assistência Geral: Keese Contino
Operação de luz: Agnaldo Nicoleti
Operação de som: Weverton Caria
Produção: Grupo de Segunda
Realização: Cia das Artes
Assessoria de Imprensa: Renato Fernandes
Fotos: Rodrigo Dionísio.

 

“O Beijo no Asfalto”

O Grupo de Segunda, da Cia. das Artes, apresenta o clássico de Nelson Rodrigues – “O Beijo no Asfalto”, no Espaço Parlapatões.
O espetáculo aborda a forma sensacionalista com que fatos cotidianos são retratados pela mídia. A trama mostra um homem casado que beija a boca de outro homem que acaba de ser atropelado e está à beira da morte.
Estampado como manchete de jornal, o ‘beijo no asfalto’ torna-se o assunto mais comentado na cidade. Sexualidade, intrigas, ética na imprensa e crise familiar são os temas principais que englobam o enredo.
Para o diretor, um dos trunfos da peça é a dramaturgia de Nelson Rodrigues. “É um estilo bem marcado, frio, não pode trabalhar com a emoção, mas com o sentimento. Cada vírgula e cada palavra tem sua importância. É preciso ter uma atenção e um estudo bem trabalhado”.
Apesar de ser um texto escrito em 1960, o espetáculo dialoga com a atualidade, pois discute a relação do poder, da imprensa e do núcleo familiar. Todas essas camadas estão presentes no dia a dia da contemporaneidade. A montagem traz um choque e uma reflexão na imersão de valores.

Beijo na Boca 63
A cenografia incorporou aspectos e disposição no palco como se fosse um tribunal. O figurino e a iluminação trabalham com a predominância de tons das cores preto e branco, criando um clima de cinema noir. “O palco virou uma espécie de porão, incorporando o submundo e a marginalidade. Possui um clima gelado que combina bem com a atmosfera de São Paulo em virtude do isolamento do povo e da mídia. Nelson Rodrigues soube como poucos colocar o preto no branco da vida em nossa cara”, enfatiza Jair Aguiar.
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(crédito fotos – Zé Naklem)

“O Beijo no Asfalto”
Com Grupo de Segunda: Alvaro Costa, Edivaldo Gomes, Marcio Vasconcelos, Natália Martins e Samira Aguiar; e os atores convidados Antonio Netto, Diego Rodda, Fernanda Gonçalves, Leão Lobo e Niveo Diegues
Espaço Parlapatões (Praça Franklin Roosevelt, 158 – Consolação, São Paulo)
Duração: não informada
26/08 até 15/10
Quarta e Quinta – 21h
$40