O DIA EM QUE A MINHA VIDA MUDOU POR CAUSA DE UM CHOCOLATE COMPRADO NAS ILHAS MALDIVAS

Espetáculo infantil O dia em que a minha vida mudou por causa de um chocolate comprado nas Ilhas Maldivas estreia no Sesc Pinheiros, no dia 10 de março. Inspirada no livro de Keka Reis, que foi indicado ao Prêmio Jabuti em 2018, a peça marca a estreia de Thaís Medeiros como diretora. A temporada segue até 14 de abril, com sessões aos domingos, às 15h e às 17h. O elenco traz Angela Ribeiro, Thomas Huszar e Tutti Pinheiro.

Na trama, Mia, Bereba e Jade têm 11 anos e são estudantes do 6º ano do Ensino Fundamental. Mia encontra um bilhete anônimo debaixo de sua carteira que diz: “Quer sentar do meu lado hoje na perua?”. Abalada pela possibilidade de o autor ser Bereba, seu melhor amigo, ela se tranca no banheiro da escola para pensar sobre o que fazer. De repente, descobre que nada será como antes. Aquele minúsculo bilhetinho tem tudo para mudar seu destino, sua vida e até mesmo o eixo do Planeta Terra. Além de conter fortes indícios de que Bereba está com segundas intenções em relação a ela, o bilhetinho significa que: Mia está despertando o interesse dos meninos, ela deixou de ser criança, é oficialmente uma pré-adolescente, não terá mais amizades inocentes com garotos e ela não tem a menor ideia de como se comportar em uma situação dessas.

Mia encontra seu campo de guerra e de paz na cabine do banheiro das meninas. Naquele cubículo, conversando consigo mesma, ela começa sua jornada emocional. A pré-adolescente vai construindo e reconstruindo aquilo que sente e aquilo que viu, por meio de interpolações cronológicas, retrocessos e avanços temporais. A partir daí a narradora nos transporta para outras esferas da sua vida, através dos parênteses que ela vai abrindo e dos personagens e lugares que surgem: Bereba, Jade, seu pai, sua mãe, o parquinho, o seu quarto… A encenação acompanha estes deslocamentos espaciais e também apresenta o ponto de vista e o universo de Bereba e Jade. Os três usam a imaginação para criar novas cores, personagens, rumos e significados para seus problemas reais ou inventados.

O elenco se reveza na interpretação de todos os papéis e na manipulação dos elementos (cenário, figurinos e adereços), em uma encenação ágil e com as estruturas do jogo cênico reveladas. A montagem é fortemente apoiada na criatividade e bom uso dos recursos de luz, cenografia, sonoplastia, adereços, figurinos e transporta o público para diversos tempos e espaços.

Durante os ensaios, o elenco realizou um intenso treinamento de improvisação com Rhena de Faria, no qual foram experimentados diversos jogos que desencadearam um processo rico e original de proposição de cenas e composição de personagens. Este trabalho foi decisivo para a definição do tom de jogo da peça e para a transposição da atmosfera vibrante do livro para o teatro. A fisicalidade também surgiu nesses encontros, sugerindo uma dinâmica versátil entre os atores, em que cada um se multiplica como personagem, pensamento, narrador, imagem e paisagem. O espetáculo convoca o espectador a uma experiência teatral imaginativa e intensa, equivalente a perspicácia e a graça que o relato de Mia oferece aos seus leitores.

Os figurinos assinados por Mira Haar, em parceria com Paula Weinfeld, propõem uma combinação divertida entre estampas e sobreposições de roupas casuais que permitem uma manipulação rápida e revelada na composição de todos os personagens. A dupla também assina o cenário e os adereços do espetáculo, criando um diálogo preciso entre todos os elementos. O cenário é minimalista, composto por um chão de lona com a pintura de um labirinto, como nos jogos de tabuleiro, e um cabideiro de madeira suspenso por faixas de lona que atravessam o palco. Nele estão penduradas cerca de 30 mochilas de onde saem grande parte dos adereços.

A iluminação de Olivia Munhoz é parte importante do jogo proposto pela encenação. Ela demarca territórios, propõe cor, vibração e movimento e nos ajuda a compor o espaço da memória. A trilha sonora repleta de climas e efeitos divertidos de Arthur Decloedt também completa o clima animado do espetáculo e ajuda na composição dos momentos ternos com as canções feitas a partir referências jazzísticas.

A montagem aborda os principais temas da pré-adolescência: mudanças hormonais, físicas e emocionais, pertencimento, despertar do amor, novas responsabilidades escolares, despedida da infância, busca pela verdadeira identidade, novos paradigmas nas relações familiares e a importância das amizades e do grupo, sempre com muito humor, linguagem veloz e uma pitada de drama.

O espetáculo foi contemplado em 2017 pelo Edital PROAC 07/2017 de Produção de Espetáculos Infanto-Juvenis.

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O Dia em que a Minha Vida Mudou por Causa de um Chocolate Comprado nas Ilhas Maldivas

Com Angela Ribeiro, Thomas Huszar e Tutti Pinheiro

Sesc Pinheiros (Rua Pais Leme, 195, Pinheiros – São Paulo)

Duração 55 minutos

10/03 até 14/04

Domingo – 15h e 17h

$17 ($5 credencial plena)

Classificação: Livre