O TESTAMENTO DE MARIA

O solo O Testamento de Maria, com direção e adaptação de Ron Daniels, é inspirado no livro homônimo do escritor irlandês Colm Tóibin, que também escreveu o bestseller “Brooklyn”, cuja adaptação para cinema foi indicada ao Oscar 2016 em três categorias.

A montagem revela como Maria, a mãe de Jesus Cristo, procura desvendar os mistérios ao redor da crucificação de seu filho. Perseguida e exilada, ela narra a sua trajetória e todo o seu sofrimento com uma voz carregada de ternura, ironia e raiva. Maria se propõe a falar apenas a verdade sobre a enorme crueldade dos romanos e anciãos judeus.

A ideia da encenação é destacar não apenas a importância religiosa de Maria, mas revelá-la como uma figura de enorme estatura moral. “Estava alerta, também, ao fato de vermos Maria como ícone, como mãe, mas nunca como uma mulher que sabe se colocar e que precisa ser ouvida. Para dar-lhe uma voz, olhei para os textos gregos, para as imagens de uma mulher solitária e corajosa, pronta para dizer palavras que são difíceis de ouvir”, esclarece Colm Tóibin.

A montagem rendeu à Denise Weinberg o prêmio APCA 2016 (Associação Paulista de Críticos de Arte), na categoria de melhor atriz. “O ponto de partida do nosso espetáculo também é este: uma atriz maravilhosa, que é a Denise, um texto de grande profundidade, e um espetáculo puro, belo e despojado, que possa oferecer à plateia momentos de grande humanidade”, diz Ron Daniels.

Em cena, a atriz é acompanhada apenas pelo músico Gregory Slivar, que assina e executa a trilha sonora ao vivo. O espetáculo foi produzido originalmente na Broadway, por Scott Rudin Productions e desenvolvido pelo Dublin Theatre Festival e Landmark Productions, com o apoio do Irish Theatre Trust.

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O Testamento de Maria

Com Denise Weinberg

Duração 60 minutos (mais 30 minutos de debate)

Classificação 16 anos

Teatro Municipal João Caetano (Rua Borges Lagoa, 650 – Vila Clementino – São Paulo)

01/03, 09/03 e 10/03

Quinta, Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h

$20

Workshop da Denise Weinberg no Teatro João Caetano – dia 09/03 – às 15h.

Informações: (11) 5573-3774 / 5549-1744

Teatro Alfredo Mesquita (Avenida Santos Dumont, 1770 – Santana – São Paulo)

28/03, 29/03, 06/04, 07/04, 11/04 e 12/04

Quinta, Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h

$20

Workshop da Denise Weinberg no Teatro Alfredo Mesquita – dia 06/04 – às 15h00.

Informações: (11) 2221-3657

DENISE WEINBERG EM DOSE DUPLA

Contemporâneo e tradicional, vida e morte, liberdade e moral, masculino e feminino entram radicalmente em choque na peça Os Imortais, com texto de Newton Moreno e direção de Inez Viana, o mais recente trabalho da veterana Denise Weinberg. Esses conflitos servem para criar uma reflexão sobre a noção de pertencimento e sobre quais aspectos da experiência humana são capazes de tornar um indivíduo imortal.

A trama narra o reencontro entre uma mãe extremamente apegada às tradições e uma filha que não se ajustou ao modo de vida de sua casa, fugiu precocemente e, desde então, nunca mais falou com a família. Doente e desenganada, a matriarca amargurada decide se mudar para o cemitério onde o marido e a outra filha estão enterrados, com a última esperança de que alguém apareça para realizar a coberta de sua alma.

De acordo com esse ritual fúnebre de origem açoriana (também realizado em comunidades conservadoras no sul do Brasil), quando uma pessoa morre, é preciso que um ente querido vista suas roupas e imite seus gestos para que seu espírito possa se despedir de todos e descansar em paz.

A filha retorna à terra natal acompanhada de seu noivo, um homem trans ainda em processo de transição. Enquanto espera pela morte, a mãe precisa assimilar a cultura e o modo de vida da sua única herdeira, além de enfrentar um segredo terrível do passado que a filha carregou durante todos esses anos.

A encenação, segundo Denise Weinberg, trata da necessidade de se resgatar um ritual para que as pessoas possam celebrar a vida, os nascimentos, as mortes, as aventuras, as desventuras, os encontros e os desencontros. “Por que temos essa preocupação em deixar uma saudade, em marcar nossa caminhada fazendo algo ‘importante’, esse incômodo de sermos mortais, finitos? Por que querermos ser tão notados, tão aceitos, tão amados? Essas são perguntas que sempre fiz e sempre farei. Onde ficam aqueles que não pertencem a lugar nenhum?”, complementa a atriz.

Para Newton Moreno a ‘coberta da alma’ surge como meio – dispositivo performático da raiz – proposto para detonar esta reflexão. Até onde a tradição e o contemporâneo podem conviver e se retroalimentar? Qual a negociação ainda possível entre os dois?

Segundo a diretora Inez Viana esta peça fala de tradição, família, traição, morte e desamor. Falamos aqui de escolha e liberdade, através do encontro de três mulheres, no momento em que decidem seguir por outros caminhos, mudar o rumo de suas vidas.

Além de Weinberg, o elenco da peça é formado pelas atrizes Michelle Boesche e Simone Evaristo e pelo músico Gregory Slivar, que interpreta ao vivo a trilha sonora. O espetáculo estreou em junho no Sesc Consolação.

Maria mulher

Já o solo O Testamento de Maria, com direção e adaptação de Ron Daniels, é inspirado no livro homônimo do escritor irlandês ColmTóibin, que também escreveu o bestseller “Brooklyn”, cuja adaptação para cinema foi indicada ao Oscar 2016 em três categorias.

A montagem revela como Maria, a mãe de Jesus Cristo, procura desvendar os mistérios ao redor da crucificação de seu filho. Perseguida e exilada, ela narra a sua trajetória e todo o seu sofrimento com uma voz carregada de ternura, ironia e raiva. Maria se propõe a falar apenas a verdade sobre a enorme crueldade dos romanos e anciãos judeus.

A ideia da encenação é destacar não apenas a importância religiosa de Maria, mas revelá-la como uma figura de enorme estatura moral. “Estava alerta, também, ao fato de vermos Maria como ícone, como mãe, mas nunca como uma mulher que sabe se colocar e que precisa ser ouvida. Para dar-lhe uma voz, olhei para os textos gregos, para as imagens de uma mulher solitária e corajosa, pronta para dizer palavras que são difíceis de ouvir”, esclarece ColmTóibin.

A montagem rendeu à Denise Weinberg o prêmio APCA 2016 (Associação Paulista de Críticos de Arte), na categoria de melhor atriz. “O ponto de partida do nosso espetáculo também é este: uma atriz maravilhosa, que é a Denise, um texto de grande profundidade, e um espetáculo puro, belo e despojado, que possa oferecer à platéia momentos de grande humanidade”, diz Ron Daniels.

Em cena, a atriz é acompanhada apenas pelo músico Gregory Slivar, que assina e executa a trilha sonora ao vivo. O espetáculo foi produzido originalmente na Broadway, por Scott RudinProductions e desenvolvido pelo Dublin Theatre Festival e LandmarkProductions, com o apoio do IrishTheatreTrust.

DENISE WEINBERG

Considerada um ícone no teatro brasileiro atual, a atriz e diretora carioca Denise Weinberg é uma das fundadoras do Grupo TAPA, com o qual trabalhou durante 21 anos. Ao longo de sua carreira, ganhou dois prêmios Molière, três Mambembe, três APCA e um Shell, além de sete condecorações no cinema.

Algumas das peças em que atuou são “As Criadas”, de Jean Genet; “Outono Inverno”, de Lars Nóren; “Dançando em Lúnassa”, de Brian Friel; “Navalha na Carne, Oração para um pé de chinelo”, de Plínio Marcos, Ivanov e Tio Vania de Tchékov, Vestido de Noiva, Viúva porém Honesta, A Serpente, Album de Familia de Nelson Rodrigues. Ela também dirigiu “A Máquina Tchekhov”, de Matéi Visniec; “Salamaleque”, de Kiko Marques e Alejandra Sanz; “O Pelicano”, de Strindberg; “A Refeição”, de Newton Moreno, entre outros.

Nas telonas, Weinberg participou de “Meu Amigo Hindu”, de Hector Babenco, “De Pernas pro Ar 1 e 2”, “Salve Geral, de Sergio Rezende, pelo qual fanhou o Prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante no Festival de Los Angeles e no Grande Prêmio Do Cinema Brasileiro, entre outros. Nas telinhas, atuou em “Psi”, série de Contardo Calligaris (HBO), “Questão de Família”, de Sergio Rezende (GNT), “A Teia”, direção de Rogerio Gomes (Globo),  “Maysa”, de Jayme Monjardim (Globo); “Dalva e Herivelto”, de Dennis Carvalho (Globo);  e ”Alice”, de Karin Ainouz e Sergio Machado (HBO).

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Os Imortais
Com Denise Weinberg, Michelle Boesche e Simone Evaristo
Teatro Aliança Francesa (Rua General Jardim, 182, Vila Buarque, São Paulo)
Duração 80 minutos
22/09 até 03/12
Sexta e Sábado – 20h30, Domingo – 19h
$50
Classificação 14 anos

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O Testamento de Maria
Com Denise Weinberg
Música originalmente composta e execução ao vivo: Gregory Slivar
Teatro Aliança Francesa (Rua General Jardim, 182, Vila Buarque, São Paulo)
Duração 60 minutos
27/09 até 30/11
Quarta e Quinta – 20h30
$50
Classificação 16 anos

O TESTAMENTO DE MARIA

O Teatro Aliança Francesa recebe a primeira montagem brasileira de “O Testamento de Maria”, de Colm Tóibín a partir de 12 de maio, quinta-feira, às 20h30. Com direção e adaptação de Ron Daniels e interpretação da atriz Denise Weinberg, a peça segue em cartaz até 12 de junho, sempre de quinta a domingo (Quinta, sexta e sábado, às 20h30 e 20h30 e Domingo, às 19h).

O espetáculo estreou no Sesc Pinheiros em 7 de janeiro e permaneceu em cartaz até 13 de fevereiro deste ano, viajou para o Rio de Janeiro, São José dos Campos, Catanduva e Jundiaí  e retorna ao cartaz em São Paulo, na Aliança Francesa.

Em O Testamento de Maria, o escritor e jornalista irlandês Colm Tóibín dá voz a Maria, uma mulher pobre e perseguida que busca desvendar os mistérios que cercam a crucificação de seu filho. Ela encara não só a imensa crueldade dos romanos e dos anciãos judaicos, a estranha e inexplicável exaltação dos discípulos a seu filho, como também suas próprias angústias e hesitações.

Enquanto a trajetória e o sofrimento de Maria são narrados em primeira pessoa com uma voz que alterna ternura, raiva e ironia, ela faz questão de falar somente a verdade. Assim, a obra transcende o entendimento de Maria como ícone católico, ao revelá-la como uma figura humana complexa, de enorme estatura moral, mas sujeita às fraquezas terrenas.

Maria é uma mulher perseguida, pobre, quase uma prisioneira. Seu filho, ao se tornar uma espécie de líder revolucionário, sacrifica a sua vida por uma causa que Maria não entende e cuja morte lhe é insuportável, de tão horrível e absurda”, declara o diretor Ron Daniels.

Segundo Daniels, o texto original do Testamento de Maria estabelece a ação em um tempo-espaço acrônico, como se a personagem Virgem Maria pertencesse a todos os tempos e a todos os lugares.

O diretor recorre também a uma declaração de Colm Tóibín para contextualizar sua direção. Segundo o escritor, eu quis dar a Maria sua própria voz, sem reduzir sua estatura. Queria criar uma mulher que viveu no mundo: o seu sofrimento teria que ser verdadeiro, sua memória teria que ser exata e urgente. E ela teria que ter grandeza e, ao mesmo tempo, ser vulnerável. Eu me pus a imaginar como, em uma época turbulenta revolucionária, teria sido a vida de uma mulher que sofrera tanto e que fora tão frágil, antes de se tornar um mito.

O diretor parte, portanto, da profundidade e complexidade dessa personagem, apoiadas pela atuação de Denise Weinberg, para a construção do espetáculo.

Montado pela primeira vez em 2011, no Festival de Teatro de Dublin, na Irlanda, O Testamento de Maria contou com a atriz Marie Mullen na encenação original. Do script, o livro homônimo foi lançado em 2012, e, no ano seguinte, a montagem estreou na Broadway, com Fiona Shaw interpretando Maria. Ainda em 2013, o texto concorreu à premiação literária britânica Man Booker Prize e sua versão em audiobook foi lançada, narrada pela atriz Meryl Streep.

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PALAVRA DE COLM TÓIBÍN

A peça O Testamento de Maria tem três origens. A primeira, na minha infância católica na Irlanda (…). A segunda origem é visual. Uma das grandes pinturas em Veneza, que se encontra na Basílica de Santa Maria Gloriosa dei Frari, é a da Assunção de Maria, de Ticiano, um quadro cheio de riqueza e de glória. Contudo, não longe dali, na Scuola Grande di San Rocco, há um outro quadro, A Crucificação, de Tintoretto, que mostra o terrível acontecimento em toda a sua confusão. (…).

A terceira origem é literária. No teatro grego, a voz, especialmente a voz feminina, é usada para dar força àqueles que não têm força – Antígona, Electra.

Quando comecei a imaginar Maria como um ser humano, (…) estava alerta à linguagem das orações à medida que escrevia suas falas (…) e ao fato de vermos Maria como ícone, como mãe, mas nunca como uma mulher que sabe se colocar e que precisa ser ouvida. (…)

As palavras de Maria, na minha peça, nascem do silêncio. Eu queria criar a ilusão de que eram palavras que nunca foram ditas e que jamais serão ditas de novo. 

O Testamento de Maria
Com Denise Weinberg
Teatro Aliança Francesa (Rua General Jardim, 182 – Vila Buarque, São Paulo)
Duração 80 minutos
12/05 até 12/06
Quinta, Sexta e Sábado – 20h30; Domingo – 19h
Recomendação 16 anos
$50
 
Texto: Colm Tóibín
Concepção, Adaptação e Direção: Ron Daniels
Tradução: Marcos Daud e Ron Daniels
Curadoria artística: Ruy Cortez
Cenografia: Ulisses Cohn
Figurino: Anne Cerruti
Música original e execução ao vivo: Gregory Slivar
Iluminação: Fábio Retti
Diretor assistente: Pedro Granato
Assessoria de imprensa: Adriana Monteiro (Ofício das Letras)
 Fotografia: João Caldas
Relações Institucionais: Guilherme Marques e Rafael Steinhauser
Operação de luz: Claudio Cabral
Assistente de produção: Nélio Teodoro
Direção de produção: Érica Teodoro
Produção: CIT Ecum, Denise Weinberg e Érica Teodoro
Realização: CIT Ecum e Pentâmetro

O TESTAMENTO DE MARIA

Estreia em 07 de janeiro no Sesc Pinheiros, “O Testamento de Maria“, monólogo com a atriz Denise Weinberg e concepção e direção Ron Daniels
O grande escritor irlandês, Colm Tóibín, conta como Maria, no fim de sua vida, perseguida e no exílio, procura desvendar os mistérios que cercaram a crucificação de seu filho, Jesus.
Maria faz questão de falar somente a verdade. Ela encara não só a imensa crueldade dos romanos e dos anciãos judaicos, e a estranha e inexplicável exaltação dos discípulos do seu filho, como também as suas próprias angústias e hesitações.
Deste modo, além de mãe, de símbolo religioso e de figura histórica, Maria se revela uma figura de enorme estatura moral, uma verdadeira e inesquecível mulher.
A peça foi produzida originalmente na Broadway pela Scott Rudin Productions.
 
“O Testamento de Maria”
Com Denise Weinberg
SESC Pinheiros (Rua Paes Leme, 195 – Pinheiros, São Paulo)
Duração 80 minutos
07/01 até 14/02
Quinta a Sábado – 20h30
$25 ($7,50 – usuários do SESC)
 
Música originalmente composta e execução ao vivo Gregory Slivar
Concepção, Adaptação e Direção Ron Daniels
Tradução Marcos Daud e Ron Daniels
Curadoria artística Ruy Cortez
Direção de produção Érica Teodoro
Uma produção do CIT-Ecum e Pentâmetro