TIGRELA

Com novo elenco e novos cenários, o espetáculo reestreia com apresentações gratuitas na Oficina Cultural Oswald de Andrade. O espetáculo ganhou os prêmios de Atriz, Direção, Iluminação e Espetáculo no Festival Nacional Cacilda Becker e, recentemente, os prêmios de Texto Original e Iluminação no Festival Nacional de Itapevi.

Tigrela inspirou-se livremente no universo da escritora Lygia Fagundes Telles para criar uma alegoria fantástica da atual crise e polarização política nacional.

Na história, o território de Ciranda de Pedra tem uma nova líder: o sistema operacional Tigrela, pois acredita-se que um sistema é incorruptível. Ao mesmo tempo, um rei, uma líder religiosa, uma jornalista e um operário estão sendo caçados pelo exército de ratos anões a mando de Tigrela.

A ação da peça ocorre em dois tempos. Como num quebra-cabeça, presente e passado fundem-se neste atípico suspense sobre poder, tecnologia e sexo. O espetáculo foge do maniqueísmo atual e apresenta personagens dissonantes e plurais e seus planos para ascenderem ao poder do território.

FACE (1)

Tigrela

Com Andrea Serrano, Beatriz Aguera, Lucas Sancho e Rodrigo Risone

Oficina Cultural Oswald de Andrade (Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro, São Paulo)

Duração 55 minutos

25 e 26/11

Segunda e Terça – 20h

Grátis

Classificação 18 anos

CADAFALSO

Oficina Cultural Oswald de Andrade, equipamento da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, recebe a exposição [IN]VISÍVEIS – Polacas, memória e resistência, das artistas Eva Castiel, Fanny Feigenson e Fulvia Molina e curadoria de Márcio Seligmann-Silva. A realização da instalação inédita, mesa-redonda com especialistas, performances, além de visitas guiadas pelo bairro do Bom Retiro, recupera a história de mulheres judias, trazidas para a América do Sul em um esquema de exploração sexual e tráfico de pessoas. No espaço expositivo da Oficina, elementos físicos remetem às ideias de sepultamento, ausência e esquecimento dessa trajetória. Os visitantes também têm acesso a áudios e textos inéditos que resgatam as memórias dessas mulheres.
Capa - Cadafalso

Na tarde de sábado, dia 23/11, 16h, o espaço da exposição receberá Roberto Elisabetsky, autor do romance Cadafalso, lançado no último dia 24/10 pela Editora Terceiro Nome, que tem entre suas protagonistas duas judias polonesas ortodoxas vítimas dessa rede de tráfico de mulheres na década de 1930. O tempo histórico retratado pelo autor passa por períodos como a revolução que levou Getúlio Vargas ao poder pelas armas, a Revolução Constitucionalista e a tentativa do levante comunista no Brasil, planejada pela União Soviética. Nesse entremeio, figuras públicas como Olga Benario, Luís Carlos Prestes e até o jazzista Louis Armstrong passam pela obra.

No livro, mulheres trazidas ao Brasil pela organização criminosa Zvi Migdal, sob coação e falsas promessas, têm ainda que lidar com a violenta repressão do governo getulista a cargo de Filinto Müller, e se veem involuntariamente enredadas nos eventos do fracassado levante comunista no Brasil em 1935. Na ocasião, Roberto falará sobre seu trabalho e as pesquisas que embasaram o desenvolvimento das questões sobre as polacas que vieram ao Brasil depois da Primeira Guerra.

O termo “polacas” tinha um tom depreciativo, tornando-se sinônimo de prostituta judia, ao referir-se a suas origens. Foram estigmatizadas ainda pelas políticas higienistas do então governador Adhemar de Barros, que criou uma zona de meretrício na Rua Itaboca, hoje Rua Césare Lombroso, no Bom Retiro, bairro que, desde aquela época, era habitado predominantemente por imigrantes.

As “polacas”, no entanto, resistiram, conservando sua identidade cultural, religiosa e étnica, suas próprias associações de ajuda mútua: como escolas, sinagogas, associações culturais e, até mesmo, seus próprios cemitérios, como o de Inhaúma, no Rio de Janeiro, Chora Menino, em São Paulo, e o de Cubatão. Fizeram de sua cultura um modo de resistência.

QUEBRA-CABEÇA

Um imenso puzzle cheio de buracos e de peças que não se encaixam. Esta é a forma do monólogo autobiográfico e documental Quebra-Cabeça, da atriz e autora Camila dos Anjos, que estreia dia 8 de novembro no Itaú Cultural e, na sequência, segue para a Oficina Cultural Oswald de Andrade, onde fica em cartaz entre 13 de novembro e 19 de dezembro. Os ingressos no Itaú Cultural são gratuitos e as reservas online podem ser feitas 10 dias antes de cada apresentação.

Camila dos Anjos começou a trabalhar aos sete anos como atriz mirim e trafegou durante toda sua infância e adolescência pelas vias da indústria cultural. A atriz, que hoje concentra a sua atividade no teatro, expõe as frustrações, expectativas e as consequências por ter começado a trabalhar tão cedo. Essas lembranças autobiográficas se misturam com as memórias de personagens misteriosas do russo Anton Tchekhov e do norte-americano Tennessee Williams, com os quais a atriz se identifica desde os primeiros tempos de sua carreira.

Em cena, Camila abre os porões de sua própria vida, cercada de documentos que comprovam sua trajetória e reflexões sobre suas experiências mais profundas. Memórias, personagens e referências se cruzam e se confundem à procura de pistas. Cartas, vídeos, cadernos, roteiros, fotos e matérias compõem um arquivo que serviu como base para a criação dramatúrgica. Os textos escritos através das memórias tornam-se blocos, peças desse quebra-cabeça. Os registros são acompanhados de um esgotamento, de uma ausência e de uma sensação estranha de ser só atriz e mais nada.

O espaço onde a peça acontece é uma espécie de instalação cênica sob a forma de um porão de lembranças, de um lugar que remete ao passado. Nesse ambiente inacabado, documentos e memórias são fixados em um grande painel de cortiça, em uma tentativa de investigar e compreender a trajetória da artista.

Nelson Baskerville faz a orientação de encenação: “Vamos trabalhar uma forma de aparato cênico com todos os elementos cênicos à disposição. Uma instalação dentro de um museu, um museu de memórias, onde um cenário leve e etéreo, de véus esvoaçantes, mistura projeções de cenas da atriz nas novelas e séries relatadas, como a visita a um sótão familiar, repleto de cartas, baús e fotografias”.

SINOPSE

Um imenso quebra-cabeça cheio de buracos e de peças que não se encaixam. Uma atriz cercada de documentos que comprovam sua trajetória investiga sua tragédia pessoal. Memórias, personagens e referências se cruzam e se confundem à procura de pistas. Cartas, vídeos, cadernos, roteiros, fotos e matérias. Tantos registros e documentos acompanhados de um esgotamento, de uma ausência e de uma sensação estranha de ser só atriz e mais nada.

FACE (2)

Quebra-Cabeça

Com Camila dos Anjos

Duração 60 minutos

Classificação 16 anos

 

Itaú Cultural (Av. Paulista, 149 – Bela Vista, São Paulo)

08 a 10/11

Sexta e Sábado – 20h, Domingo – 19h

 Grátis (Reserva online de ingressos pelo site www.itaucultural.org.br

Oficina Cultural Oswald de Andrade – Sala 7 (Rua Três Rios, 363, Bom Retiro, São Paulo)

13/11 até 19/12 (não haverá sessão 20/11)

Quarta, Quinta e Sexta – 20h, Sábado – 18h

Grátis (distribuídos uma hora antes de cada sessão)

GALO ÍNDIO

Espetáculo solo de Rodolfo Amorim, do Grupo XIX de Teatro, com direção de Antônio JanuzelliGalo Índio ganha nova temporada na Oficina Cultural Oswald de Andrade, de 4 a 26 de outubro, com sessões às sextas-feiras às 20h e aos sábados às 18h. Ingressos gratuitos.

O projeto foi contemplado pela 8ª Edição do Prêmio Zé Renato para a Cidade de São Paulo e a temporada tem o apoio institucional da Oficina Cultural Oswald de Andrade. Após o espetáculo haverá um bate papo com convidados. A atriz e diretora Janaína Leite fala sobre o teatro autobiográfico, no dia 4 de outubro, sexta-feira, o diretor e dramaturgo Marcelo Soler sobre teatro documentário; no dia 5 de outubro, sábado; crítico e dramaturgo Miguel Arcanjo Prado sobre a crítica no teatro documental, no dia 11 de outubro, sexta-feira.

O solo mostra um órfão, que tenta retratar o seu pai ausente a partir de poucos fragmentos que se alojaram em sua memória. Na busca pelos contornos desse pai, sua própria infância emerge de sua memória e demonstra o quanto esse vazio foi determinante na construção da sua forma de ver e interagir com a vida. Um encontro entre pai e filho. Entre um adulto e sua criança.

Galo Índio remonta as lembranças do ator e autor Rodolfo Amorim em relação a morte de seu pai e o silêncio criado em torno desse fato na sua infância em Sorocaba. O ator pesquisou sobre a memória e as possibilidades de exploração da multiplicidade e transformações de uma narrativa. Entrevistas, relatos de pessoas próximas desse acontecimento e documentos, foram os materiais provocadores na construção desse retrato.

Nesse jogo de rememoração, incomoda mais ao órfão sua necessidade de pensar o pai, feita de dificuldades, imprecisões e faltas, do que propriamente a morte em si. Sua forma de enterrar o pai e compreender sua partida é desvelar as palavras que o encobrem. Assim, na tentativa de traduzi-lo, o confessor nos leva ao mundo invisível de sua história: à medida que precisa aliviar o fardo de sua criança e desse pai.

Pensamos um procedimento que investigue e discuta não só o ato de estar só em cena, mas sobretudo, de utilizar a própria história do ator/narrador, em seus limites de interprete e confessor. Fazendo da fricção entre um fragmento do real e o imaginado, um meio de encontrar ecos com o público em sua materialidade cênica,” explica Rodolfo Amorim.

Em uma trajetória pelo passado com ecos no presente, a peça reconstitui a personalidade de um pai conservado e inventado no silêncio dos anos. A busca de detalhes para esse retrato, somada à dificuldade de traduzir em palavras as lembranças que restam de alguém que se foi, resulta nessa peça autobiográfica sobre a perda de um pai, conectada com as atuais formas de autorrepresentação e autoficcionalização.

FACE

Galo Índio

Com Rodolfo Amorim

Oficina Cultural Oswald de Andrade – Sala Espaço Cênico (Rua Três Rios, 363, Bom Retiro – São Paulo)

Duração 60 minutos

04 a 26/10

Sexta – 20h, Sábado – 18h

Grátis

Classificação 14 anos

A UM PASSO DA AURORA

Com 19 anos de trajetória, a Cia. Mariana Muniz de Teatro e Dança mergulha na poética do músico, maestro e múltiplo artista Guilherme Vaz (1948-2018) com A Um Passo da Aurora, das intérpretes-criadoras Mariana Muniz e Regina Vaz, que cumpre uma temporada de estreia de 2 a 12 de outubro, na Oficina Cultural Oswald de Andrade. Em sequência o espetáculo de dança contemporânea tem apresentações no Centro Cultural Olido – Sala Paissandú, nos dias 1, 2 e 3 de novembro; no Centro de Referência da Dança – CRD, dias 20, 21, 22 e 23 de novembro; e no Espaço Cia da Revista, dias 28, 29 e 30 de novembro e 01 e 02 de dezembro, totalizando 20 apresentações.

Ao longo de sua trajetória, a companhia vem desenvolvendo trabalhos voltados para a pesquisa das relações entre palavra e movimento, poesia/arte e dança. O grupo realizou trabalhos solos de teatro-dança, nos quais a poesia de artistas como Florbela Espanca – Dantea, Ferreira Gullar – Túfuns, Arnaldo Antunes – Rimas no Corpo, Fernando Pessoa – Fados e outros Afins, dentre outros, serviram de referência para o exercício de múltiplas qualidades de trânsito entre a palavra e o movimento e, cuja excelência, atesta os muitos prêmios recebidos.

Depois de uma bem-sucedida imersão no universo dos Fados, com “Fados e outros Afins”, último trabalho da companhia, a Cia. Mariana Muniz de Teatro e Dança dá continuidade ao processo de investigação das relações entre pensamento, corpo e gestos, em dança-teatro. O espetáculo foi contemplado pelo 25º Edital de Fomento à Dança para a cidade de São Paulo.

Mariana Muniz, que assina a direção do trabalho, e Regina Vaz – irmã do artista Guilherme Vaz, e responsável pela dramaturgia de “A Um Passo da Aurora”-, se reencontram, em cena, depois de terem trabalhado juntas, no Grupo Coringa (1977-1985), durante dez anos, sob a direção da coreógrafa uruguaia, Graciela Figueroa.

Com esse trabalho damos continuidade às nossas pesquisas e criações em dança contemporânea, e prestamos uma justa homenagem ao múltiplo artista Guilherme Vaz”, afirma Mariana Muniz.

Guilherme Vaz, nascido em Araguari, Minas Gerias, durante vinte anos, dedicou-se a investigar as raízes culturais do povo brasileiro. Viveu entre os sertanejos do Centro-Oeste e os indígenas do Norte do nosso país, o que lhe permitiu a criação de uma obra singular, inventiva e profundamente brasileira.

Pioneiro da arte conceitual carioca e criador da Unidade Experimental do MAM-RJ- junto com Cildo Meireles, Luiz Alphonsus e o crítico Frederico de Morais. Foi um dos responsáveis pela introdução da música concreta no cinema nacional. Compôs trilhas para filmes de Nelson Pereira dos Santos e Júlio Bressane, dentre outros.  Guilherme faleceu em 26 de abril de 2018, aos 70 anos, deixando um legado imensurável para a música brasileira.

Assim como nos trabalhos anteriores, em “A Um passo da Aurora” a ação cênica (com base na pesquisa das relações entre corpo, voz, música e sentidos simbólicos das linguagens da dança, do teatro e da música) nos conduz a uma ideia de dramaturgia ampliada. Dramaturgia como uma teia que engloba as ações físicas dos bailarinos (como o texto, a música se torna corpo em movimento), suas ações vocais (musicalidade no texto e com o texto), cenografia, iluminação, figurinos e a relação entre eles, os artistas, e todos os componentes da cena, inclusive o uso de recursos multimídia.

Para Mariana Muniz, na criação e composição do espetáculo o compromisso com o hibridismo de linguagens artísticas está a serviço da exploração dos limites das conexões entre questões cênicas, coreográficas e dramatúrgicas, visuais e performáticas. “Pensar as artes cênicas nestas intersecções nos permite lançar mão da potência expressiva do gesto com um olhar diferenciado e sempre renovado”, explica.

O processo de criação de imagens visuais se corporifica através da escuta dos corpos, em contato com a sensação da “música corporal” e do imaginário do compositor Guilherme Vaz. Em algumas passagens do trabalho fica evidenciada a inspiração gestual nos trabalhos coreográficos de Nijinsky e Pina Baush para “A Sagração da Primavera” de Igor Stravisnky.

No movimento de exploração das sonoridades e conceitos que norteiam a obra de Guilherme Vaz, assume importância o gosto por determinadas passagens e composições musicais, certos timbres dos instrumentos, que acompanham a melodia, repetições e as ideias plásticas e cenográficas do artista. É o caso das composições “La Virgen” e “Fronteira Ocidental” que integram a trilha sonora sob a responsabilidade do maestro Lívio Tragtenberg, que já regeu algumas obras do compositor.

Nós nos posicionamos na direção de um resgate das raízes do pensamento sobre a brasilidade no fazer artístico, pois Guilherme Vaz participou ativamente de um dos períodos mais fortes da crítica de arte no Brasil: os anos neoconcretos. Ele pensava a própria obra e o mundo, discutindo e participando dos problemas da arte brasileira, rebelando-se contra a estagnação cultural dos anos 60 e propondo uma renovação de toda expressão artística no país, apontando-lhe possibilidades universais”, acrescenta Mariana Muniz.

Uma das questões que me incomoda no construtivismo brasileiro é que tudo acontece distante da geometria indígena, distante dos sertões”, dizia Guilherme Vaz.

O projeto “A Um Passo da Aurora” contou com um programa educativo, com ações direcionadas à formação de público e à mediação do conteúdo do projeto. Foram realizadas oficinas contínuas de estudo de movimento com Mariana Muniz, além de workshops livres de criação musical para partituras gráficas (ministrada por Lívio Tragtenberg – maestro de renome no cenário cultural brasileiro e internacional, regente de duas obras de Guilherme Vaz, no final de 2017) e Eutonia com Cláudio Gimenez.

Será realizado um bate-papo com o público, após cada uma das apresentações, a fim de, através do diálogo, falar sobre o processo de criação do trabalho apresentado e escutar as impressões dos espectadores.

FACE (2)

A Um Passo da Aurora

Com Mariana Muniz e Regina Vaz

Duração não informada

Grátis (ingressos devem ser retirados com 1h de antecedência)

Classificação não informada

Oficina Cultural Oswald de Andrade (Rua Três Rios, 363. Bom Retiro – São Paulo)

02 a 12/10

Quarta, Quinta e Sexta – 20h, Sábado e Feriado – 18h

Centro Cultural Olido – Sala Paissandú (Av São João, 473 – Centro, São Paulo)

01 a 03/11

Sexta e Sábado – 20h, Domingo – 19h

Centro de Referência da Dança – CRD (Baixos do Viaduto do Chá, s/n – Centro, São Paulo)

20 a 23/11

Quarta, Quinta, Sexta e Sábado – 19h

Espaço Cia da Revista (Alameda Nothmann, 1135 – Santa Cecília, São Paulo)

28 a 30/11, 01 e 02/12

Quinta, Sexta e Sábado – 20h, Domingo – 19h, Segunda – 20h

HOMEM-BOMBA

O solo Homem-Bomba, escrito por Cynthia Paulino e dirigido e protagonizado por Luiz Arthur, ganha três novas apresentações gratuitas nos dias 5, 6 e 7 de setembro, em São Paulo e Guarulhos. A peça da belo-horizontina Companhia Teatro Adulto estreou em 2018 na Mostra Solos e Monólogos do CCBB São Paulo.  

Homem-Bomba integra o projeto “Adultos em Cena SP MG” – ao lado do solo Coisas Boas Acontecem de Repente – e conta com o patrocínio da Usiminas e apoio do Instituto Usiminas por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais.

O solo se passa em um mundo desigual, cada vez mais parecido com um grande abatedouro. Nesse lugar horrível, um homem, interpretado por Luiz Arthur, tenta compreender os vários eus que o habitam e, para tal, adota métodos nada convencionais. A ideia é mostrar um personagem provocador, que busca intimamente a desconstrução e a compreensão dos monstros que existem escondidos em todas as pessoas.

Para discutir essa dualidade do ser humano, a peça busca como referência o romance “O Estranho Caso do Dr. Jekyll e Sr. Hyde”, popularizado como “O Médico e o Monstro”, do autor britânico Robert Louis Stevenson (1850-1894). “O monstro não é alguém distante de nós. É nosso duplo. O monstro nos habita e cabe a cada um saber cuidar, compreender, educar a sua sombra. Vemos no país pessoas que se denominam ‘homens de bem’ e que trazem um discurso completamente sanguinário. De que tipo de ‘bem’ estamos falando? É uma jornada necessária essa, a de enfrentar-se, de compreender que o mal não nos é estranho. Podemos sucumbir se o transformamos em algo distante de nós, porque nós criamos a desordem e o caos que está aí. Se você estuda a história da humanidade sabe disso. O demônio é o próprio homem, o devorador, aquele que dizima seus semelhantes. O discurso contra o diferente é um exemplo disso”, revela Luiz Arthur.

Em cena, esse monstro se materializa em uma figura que se aproxima a um açougueiro. “Esse personagem foi se firmando durante todo o processo de construção da dramaturgia. Mas não podia ser um açougueiro qualquer. Precisava ter o lado do cientista, do médico. E que faz de si sua própria cobaia. Cynthia sugeriu o uso de luvas. Fui para a sala de ensaios, sozinho, e, de repente, vi que precisaria de um cutelo. Queria um instrumento da maldade materializado ali. Uma ameaça velada. Quando a personagem pergunta: ‘e se fossem homens? E se?’ Certamente o cutelo à mostra faz o público encarar a verdade de que tanto foge. O cutelo acaba com a ‘assepsia de supermercado’ que nos protege da verdade: comemos animais que sofreram uma morte horrível, que tiveram uma vida horrível e engolimos toda essa dor”, acrescenta o ator e diretor.

Encenada em uma área de paletes brancos (daqueles usados em açougues) com apenas 2m², a peça investiga a restrição do espaço de atuação, característica marcante na trajetória da companhia, o que viabiliza apresentações tanto em palcos tradicionais como em espaços alternativos.

Além da obra de Stevenson, a montagem tem citações de vários escritores, poetas e pensadores, como Aldous Huxley, Shakespeare, Carl Jung, Franz Kafka, HP Lovecraft, Tadeusz Kantor, Augusto dos Anjos, Samuel Beckett, William Blake e Osho.

FACE

Homem-Bomba

Com Luiz Arthur

Duração 50 minutos

Grátis (distribuído uma hora antes da sessão)

Classificação 12 anos

 

Teatro da Biblioteca Monteiro Lobato – Anfiteatro Pedro Dias Gonçalves (Rua João Gonçalves, 439 – Centro, Guarulhos)

05/09

Quinta – 20h

 

Oficina Cultural Oswald de Andrade(Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro, São Paulo)

06 e 07/09

Sexta – 20h, Sábado – 16h

RI[T]OS

Com estreia no dia 22 de agosto (quinta-feira) e apresentações dias nos 23 e 24; e de 29 a 31 de agosto, a Taanteatro Companhia traz ao público a performance coletiva RI[T]OS, na Oficina Cultural Oswald De Andrade. Nas quintas e sextas, as apresentações serão às 20h; aos sábados, serão às 18h. Os ingressos são gratuitos.

O disparador dessa obra teatro-coreográfica são os “rios invisíveis” de São Paulo; a transformação de uma riquíssima e abundante bacia hidrográfica ameríndia num sistema de canais de esgoto. Partindo dessa metáfora real do urbanismo predatório, RI[T]OS explora potenciais de transfiguração do corpo organizado por valores, lógicas e práticas de colonização. 

Composto por solos e coreografias coletivas, RI[T]OS é o trabalho de conclusão do NUTAAN 2019 – Núcleo Taanteatro: Formação, Pesquisa e Criação. No decorrer de cinco meses, nove performers investigaram processos de criação em coreografia a partir de três eixos da dinâmica Taanteatro: levantamento da mitologia (trans)pessoal, (des)construcão de performance e  rito do xamã. 

NUTAAN 2019 e RI[T]OS fazem parte do projeto [des]colonizações da Taanteatro Companhia, que investiga a aplicação de estudos pós-coloniais na criação teatro-coreográfica. 

[des]colonizações foi contemplado pela 25ª edição do Programa Municipal de Fomento à Dança para a Cidade de São Paulo.

FACE

Ri[t]os

Com Janina Arnaud, Gustavo Braunstein, Florido, Vanessa Moraes, Alice Vasconcelos, Adriele Gehring, Pietro Morgado, Adélia Wellington, Sol Whitaker

Oficina Cultural Oswald de Andrade (Rua Três Rios, 363, Bom Retiro, São Paulo)

Duração 50 minutos

22 a 31/08

Quinta e Sexta – 20h, Sábado – 18h

Grátis (distribuição dos ingressos é feita com uma hora de antecedência)

Classificação 12 anos