ASSIM DIRIA SHAKESPEARE…

O Mundo é um palco e todos os homens e mulheres não passam de atores.” Com esta celebre frase tem início a comédia ASSIM DIRIA SHAKESPEARE, adaptação de Edna Ligieri Marllos Silva que chega ao Teatro Viga, em São Paulo, à partir de 07 de agosto para uma curta temporada.
 
Quando o amor fala todos os deuses ficam mudos para ouvir a harmonia da sua voz.
A partir da reunião de diversos textos de Shakespeare os autores conceberam um espetáculo inédito, que ganha vida pelas mãos do ator Flavio Baiocchi, intérprete do personagem Guilherme (tradução do nome Willian), e que tem como premissa mostrar o AMOR e as suas fases, pelos olhos do dramaturgo inglês. São utilizados trechos de quase todas as obras do BARDO: Romeu e Julieta, Hamlet, Macbeth, Otelo, Dois Cavaleiros de Verona, Titus Andronicus, sonetos, entre outras obras.
 
Quem nunca sofreu por amor não entende a dor de quem sofre.” 
A encenação do espetáculo, que está a cargo de Marllos Silva, “busca ser jovem e pop, tendo como objetivo mostrar que as palavras de Shakespeare ecoam até os dias de hoje e são a mais profunda representação do amor humano”, explica ele, que após um período afastado da direção de espetáculos de teatro não musical, está volta ao gênero.
  
O Verdadeiro nome do amor é cativeiro.” 
Edna Ligieri traduziu os textos a partir dos originais de Shakespeare, buscando aproxima-los dos dias de hoje, assim como a trilha sonora que é recheada de referências do mundo moderno, contando inclusive com uma composição original de Bukassa Kabengele e Omar Baiocchi, feita especialmente para o espetáculo.
Foto: Naira Messa
Assim diria Shakespeare…
Com Flávio Baiocchi
Viga Espaço Cênico (R. Capote Valente, 1323 – Pinheiros, São Paulo)
Duração 50 minutos
07/08 até 25/09
Segunda – 21h
$40

O OVO DA SERPENTE

Com direção de André Grecco, o espetáculo O Ovo da Serpente, de Rudson Mazzorana, estreia no dia 5 de agosto (sábado) no Viga Espaço Cênico, às 21 horas.

A trama – que apresenta três personagens insólitos: Lascívia (Glória Rabelo), Jack (Zaqueu Machado) e Mike (vivido pelo próprio autor) – fala de um assassino neonazista que convida um jovem psicopata para testar o caráter de sua esposa, uma ex-prostituta judia. No entanto, algo foge do controle.

A ficha técnica traz ainda Heron Medeiros na cenografia, Fred Silveira na trilha sonora original, Danielli Guerreiro no figurino, François Moretti na iluminação e Rafael Sunny na coreografia de cenas, entre outros.

Lascívia e Jack moram em uma espécie de casa-laboratório e, assombrados pelo passado, vivem uma relação que oscila entre poder e submissão, sanidade e loucura. Ela, convertida ao catolicismo, é uma prisioneira de portas abertas que guarda em uma caixa vermelha segredos e confissões. Jack, por sua vez, é médico, um assassino de aluguel integrante de uma facção neonazista empenhada na higienização de raças, utilizando os seres “inferiores” como cobaias em experimentos médicos.

Jack se sente inseguro por estar envelhecendo e perdendo a força física. Com o intuito de colocar à prova o caráter e a cumplicidade de sua mulher, ele introduz o jovem Mike em suas vidas. Invasivo, ácido, perverso e astuto como uma raposa, Mike não se limita apenas a infernizar a vida de Lascívia e testar seus limites: invade ferozmente a intimidade do casal, mexendo com os brios do assassino de aluguel. O que era para ser um simples teste torna-se um pesadelo. Utilizando a mesma premissa nazista, abraçada por Jack e abominada por Lascívia, o misterioso e psicopata Mike resolve seguir adiante com seu plano de vingança. Atormentado, o rapaz usa de toda a perversidade para se vingar do casal, prendendo-os em um sádico jogo psicológico.

Em O Ovo da Serpente a realidade interna é mais explicita que a realidade aparente. A violência e o sadismo permeiam toda a encenação. Lascívia e Jack têm um relacionamento ligado pelo masoquismo e sadomasoquismo. Apesar da dependência que têm dessa relação, a solidão mútua é perceptível: diante da distância física e afetiva, os diálogos transformam-se em quase monólogos. Enquanto Jack vive a ameaça da fragilidade do corpo, Lascívia vive em um plano alheio de realidade. Dividida entre as personalidades da prostituta Madalena e da ingênua Maria, sua dor pode ser expressa até mesmo em forma de poesia.

A trama se desenrola com forte traço psicológico, onde as personagens são prisioneiras de suas próprias ações, de seus próprios destinos. Explora a crueldade da natureza humana numa abordagem atemporal que joga com o passado, onde o nazismo impera com sua guerra racial, e um futuro visto pelo prisma do passado. O Ovo da Serpente usa o neonazismo como argumento para refletir sobre questões atuais da humanidade como solidão, falta de diálogo, intolerância racial, ignorância social e violência. Para o autor Rudson Mazzorana, “a montagem é um alerta social que visa, por meio do choque de realidade, refletir a banalização da vida e questionar o processo de desumanização, o qual expõe o homem moderno a um mundo intolerante de violência gratuita“.

A concepção de André Grecco é carregada de simbolismos. A solidão pode estar no distanciamento físico nas cenas. O abismo moral tem reflexo na desconstrução física, à medida que esses três seres animalescos se deparam com as consequências de seus atos.  Segundo o diretor, a complexidade psicológica os atira nesse abismo, onde a destruição é constatada na ação cênica e no ambiente físico. “A ‘queda’ das personagens é orquestrada junto com a transformação do figurino, que acompanha a desconstrução das personagens, e do cenário, que se transforma no decorrer da história e se queda, literalmente, ao final, como uma terra arrasada, destruída pela guerra”, comenta.

André Grecco afirma que o texto de Mazzorana é muito bem articulado, rico em imagens e intensidade. “As personagens são potentes e, no decorrer da trama, descobrimos quem elas realmente são nesse mundo surreal. A peça já inicia com a tensão dramática no auge e a violência é uma constante nessas relações frias e de total dependência. Muito bem construído, o texto explode em um realismo que irrompe qualquer expectativa da realidade, para assim confrontar o retrocesso humano com o progresso tecnológico”, finaliza o diretor.

 

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O Ovo da Serpente
Com Glória Rabelo, Rudson Mazzorana e Zaqueu Machado
Viga Espaço Cênico – Sala Viga (Rua Capote Valente, 1323 – Pinheiros, São Paulo)
Duração 90 minutos
05 a 27/08
Sábado – 21h; Domingo – 19h
$50
Classificação 16 anos

ARTAUD, LE MÔMO

Artaud, Le Mômo é um monólogo teatrocoreográfico multimídia de Maura Baiocchi e Taanteatro Companhia sobre a vida e obra de Antonin Artaud. A linha mestra da dramaturgia é “o problema da liberdade autêntica”. Mostra a luta do poeta e ator francês Antonin Artaud contra a institucionalização das formas de vida e a sua tentativa de conquistar um corpo soberano. A meticulosa encenação combinada com uma trilha sonora vigorosa e  mapping de projeções convidam o público a vivenciar intensamente o universo lúdico-alucinatório do criador do teatro da crueldade.

Em São Paulo, estreou em agosto de 2016 no Teatro da Aliança Francesa  por ocasião do 120º aniversário de Antonin Artaud (1896-1948). Na França, em outubro do mesmo ano, estreou na Capela Paraire, edifícação remanescente do manicômio de Rodez onde Artaud permaneceu internado de 1943 a 1946.

A repercussão positiva vem motivando sucessivas reestreias dentro e fora do Brasil. Recentemente estreou em Córdoba/Argentina. De 07 a 28 de julho (somente às sextas feiras) realiza curta temporada no Teatro Viga Espaço Cênico/ São Paulo e em novembro voltará a fazer apresentações em Paris e em dezembro estreia em Berlim.

 Na mitologia grega, Momo é uma divindade nascida de Nix, a Noite. Expulso do Olimpo por criticar os outros deuses, Momo é a personificação do sarcasmo, das burlas, da zombaria e das grande ironias. Comparável à função do palhaço ou do bufão.

Inspirado em textos como – As novas revelações do serVerdadeira história de Artaud, o Momo; Supostos e Supliciações; A face humana; O homem árvore– o espetáculo encena a atualidade da poética artaudiana diante de nossos conflitos sócio-políticos e culturais.

E o conflito entre a América e a Rússia, mesmo multiplicado por bombas atômicas, pouca coisa será, face ao outro, que irá, de um só golpe disparar, entre os mantenedores e uma humanidade digestiva por um lado e por outro, o homem da vontade pura e seus raros seguidores, mas que têm por si a força eterna.” A. Artaud

Artaud, Le Mômo - Foto Lenise Pinheiro.JPG

Artaud, Le Mômo
Com Maura Baiocchi
Viga Espaço Cênico (Rua Capote Valente, 1323 – Pinheiros, São Paulo)
Duração 90 minutos
07 a 28/07
Sexta – 21h
$40
Classificação 14 anos

A VIA CRÚCIS DO CORPO

Idealizado pela atriz Viviane Monteiro, o espetáculo A Via Crucis do Corpo é uma homenagem à escritora Clarice Lispector, um dos maiores nomes da literatura brasileira, cuja morte completa 40 anos em 2017.

O projeto reúne seis contos da obra homônima de Clarice Lispector, selecionados e adaptados para a narrativa: “O corpo”, “A língua do ‘p’”, “Ele me bebeu”, “Mas vai chover”, “Via crucis” e “Praça Mauá”.

As histórias contadas propõem um mergulho no universo feminino, em sua dimensão física, afetiva e espiritual. Sem rede de proteção, Clarice desvenda facetas desse universo: desde as mais perversas até as mais doces. Como uma via crucis profana e íntima, conhecemos um pouco mais desse complexo e mutante universo feminino.

A linguagem diegética adotada pelo grupo mantem uma conexão do público com as imagens sugeridas pelos atores em cena. Durante o espetáculo, poucos objetos e cenário são utilizados.

A VIA CRUCIS DO CORPO - ELENCO (COLORIDO)

A Via Crucis do Corpo
Com Leonardo Silva, Magiu Mansur, Tom Muszkat Cortese e Viviane Monteiro
Viga Espaço Cênico (R. Capote Valente, 1323 – Pinheiros, São Paulo)
Duração 70 minutos
01 a 30/07
Sábado – 21h; Domingo – 19h
$40
Classificação 16 anos

NEM ROMEU, NEM JULIETA

Com música ao vivo e uma nova roupagem para uma das histórias mais conhecidas de William Shakespeare (1564-1616), a comédia Nem Romeu, Nem Julieta dialoga e reflete com o público jovem ao focar na trama sob o ponto de vista de Rosalina, prima de Julieta Capuleto e o primeiro amor de Romeu Montéquio. A estreia é sábado, 1 de julho às 15h no Inbox Cultural, as sessões são sempre sábados e domingos, às 15h, até 23 de julho.

A direção é de Gabriela Lemos e dramaturgia de Julia Fovitzky. O elenco conta com Alexandre Menezes (Mercucio), Ana Carolina Raymundo (Julieta), Guilherme Barroso Rodrigues (Romeu), Louise Helène (Rosalina) e Yorran Furtado (Conde Páris).

No espetáculo, a personagem Rosalina é apresentada como uma moça que não se interessa por envolvimento romântico. A jovem busca encontrar seu lugar em uma sociedade de padrões estreitos. A peça traça a mesma linha do cânone de Romeu e Julieta, entretanto, procura revelar gatilhos inusitados para acontecimentos familiares.

A personagem Rosalina é pincelada pelo dramaturgo na história original, procuramos trazer uma nova perspectiva sobre essa trama já conhecida. A montagem lida com questões inerentes ao mundo dos jovens como o amadurecimento, a percepção como parte ativa no mundo, o tédio, a falta de motivação, depressão, o empoderamento da mulher”, conta Gabriela Lemos.

O cinema teve papel importante durante o processo de criação. O filme Romeu + Julieta – (Direção de Baz Luhrmann, protagonizado por Leonardo DiCaprio e Claire Danes, de 2006) e Submarino (Direção de Richard Ayoade, 2010) contribuíram como impulsionadores para a concepção.

A direção de arte procurou uma multiplicidade na palheta de cores para acrescentar um tom lúdico e colorido nos recursos cênicos. O figurino mescla moda dos anos 70 e 80 com a contemporaneidade, fato que deixa a cidade de Verona, onde se passa a história, situada em um lugar anacrônico no tempo e espaço. O elenco fica em cena durante toda a encenação e também é responsável pela execução de música ao vivo com violão e instrumentos de percussão como o cajon. São reproduzidos trechos de músicas de artistas como Liniker.

A dramaturgia tem uma comédia afiada com a ironia e o tempo. O universo rápido das redes sociais serviu como influência para deixar o humor certeiro e fresco na pegada do texto. É a linguagem utilizada atualmente na internet, presente no dia a dia, fator que vai criar uma identificação e reconhecimento do público. Todos os seus questionamentos serão colocados em cena”, concluí a diretora.

NemRomeuNemJulieta

Nem Romeu, Nem Julieta
Com Alexandre Menezes, Ana Carolina Raymundo, Guilherme Barroso Rodrigues, Louise Helène e Yorran Furtado.
Inbox Cultural (Rua Teodoro Sampaio 2355, Pinheiros, São Paulo)
Duração 70 minutos
01 até 23/07
Sábado e Domingo – 15h
$40
Classificação 12 anos

 

O COMPOSITOR DELIRANTE

Inspirado na vida e obra do compositor austríaco Ludwig van Beethoven, O Compositor Delirante, solo escrito e interpretado por Daniel Kronenberg, estreia no dia 29 de junho (quinta-feira), no InBox Cultural, às 21 horas.

Com provocação cênica de Gabriel Bodstein, o monólogo coloca em foco o artista com seus questionamentos. Numa tentativa enlouquecida de organizar sua trajetória, a personagem Beethoven trava discussões políticas, filosóficas e de ordem artística com Mozart, Haydn, Goethe e com o próprio pai, além de outras pessoas imaginárias.

A surdez, a loucura e a necessidade de quebra de paradigmas são as tônicas do espetáculo, costurado pela música do compositor, que permeia toda a encenação, dando cadência e ritmo às argumentações da personagem.

Segundo Daniel Kronenberg, a escolha da música clássica e especialmente a de Beethoven como tema da montagem tem relação com a potência de sua obra e o seu impacto transformador, aliada à sua própria necessidade, como artista, de trazer para o palco apontamentos e questionamentos sobre o artista na sociedade contemporânea. “O espetáculo estabelece uma relação intensa entre os impulsos desse artista, a exemplo de sua inadequação aos padrões socialmente aceitos, mas é importante frisar que ele foi a inspiração. Suas palavras foram alimento para meu discurso autoral”, comenta o ator.

Em meio à solidão e ao escasso traquejo social, a surdez da personagem impede seu contato com o mundo exterior, mas não impede o chamado para exteriorizar a si mesmo: um telefone não para de tocar e o convoca a conversar com outros compositores clássicos e até mesmo com suas amantes. Com seu pai, ele questiona o excesso de rigor de sua criação; com Haydn, indaga sobre uma nova possibilidade de se viver a arte; com Goethe, critica a apatia e a falta de espírito criador, com Mozart, confessa sua inaptidão como compositor; e com suas amantes – Josefina, Julieta e Antonia -, adota seu lado mais romântico, no sentido mais óbvio da expressão. O telefone é um elemento cênico importante que caracteriza a subjetividade da loucura, enclausurada pela surdez.

O espetáculo privilegia o discurso que funde a manifestação artística autoral com a possibilidade de rever condutas e experiências revolucionárias na mudança do pensamento ocidental – o romantismo. O Compositor Delirante mostra que o caráter revolucionário e transgressor do artista permeia um universo onde o romantismo predomina à lógica, a razão perde terreno para a intuição. A encenação é carregada de elementos românticos, seja na figura de Beethoven, com sua insurgência contra as doutrinas retóricas e tradicionais, seja no tom do discurso que adota com suas amantes, seja no argumento revolucionário com que defende o espírito criador do artista, uma lida pacífica com seus próprios demônios.

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O Compositor Delirante
Com Daniel Kronenberg
InBox Cultural (Rua Teodoro Sampaio, 2355. Pinheiros, São Paulo)
Duração 50 minutos
29/06 até 27/07
Quinta – 21h
$40
Classificação 12 anos

 

 

O PRODUÇÃO DE “O PRÍNCIPE DESENCANTADO”

Conversamos com a atriz Maite Schneider e e o diretor/autor Rodrigo Alfer sobre o processo de criação e montagem do musical infanto-juvenil O Príncipe Desencantado.

Veja a primeira parte desta matéria.

E não deixe de ver a entrevista que fizemos também com o elenco do musical – https://goo.gl/p4wHk9

O Príncipe Desencantado
Com Maite Schneider, Davi Novaes, Cícero de Andrade, Marcela Piccin, Manu Littiéry, Vanessa Rodrigues e Silvano Vieira.
Viga Espaço Cênico (R. Capote Valente, 1323 – Pinheiros, São Paulo)
Duração 70 minutos
até 30/07
Sábado e Domingo – 15h
$50
Classificação Livre