PULSO

Sylvia Plath teve uma curta vida, entre os anos de 1930 e os de 1960. Embora tenha escrito bastante, em vida quase não encontrou espaços de divulgação de seus trabalhos, tornando-se sua obra conhecida principalmente depois de sua morte. Será que isso se deveu à sua condição de mulher, esposa e mãe? Será que nos dias de hoje as coisas são diferentes? Questões como essas permeiam a obra Pulso, do VULCÃO [criação e pesquisa cênica], solo com a atriz Elisa Volpatto, dirigido por Vanessa Bruno, que após estrear e promover três temporadas em São Paulo e uma em Porto Alegre no ano passado, volta com apresentações às sextas-feiras de agosto, 21h, no Teatro Cemitério de Automóveis.

Pulso é uma pesquisa e criação teatral a partir da vida e obra do ícone da Poesia Confessional norte-americana, Sylvia Plath (1932-1963), construído das indagações da diretora à atriz, que respondeu cenicamente. Valendo-se de materiais como as biografias A Mulher Calada, de Janet Malcolm e Ísis Americana – A vida e a arte de Sylvia Plath, de Carl Rollyson, Os Diários de Sylvia Plath,organizado por Karen V. Kukil e também o mais importante livro de poemas de Sylvia, Ariel, a atriz organizou a dramaturgia do espetáculo.

Mantendo a poética particular da autora, o solo explora ora fragmentos biográficos, ora as potências que sua obra desdobra. Está em foco uma mulher no desafio cotidiano de ser entregue ao exercício de sua arte ao mesmo tempo em que se vê dividida entre ser mãe, dona de casa e ter que administrar os fracassos nas recusas de publicação que recebia.

Para Vanessa, a montagem não se pretende linear, mas, fragmentada, com lógica própria. “A linguagem cênica contemporânea articula-se com literatura poética da vida e obra de Sylvia Plath para a construção de um trabalho provocador e intimista”, conta ela. Já Elisa explica que o espetáculo busca questionar, por meio do material criado, o próprio papel da artista feminina atualmente.

Sylvia Plath nos surge, de certo modo, como uma fera na jaula. Uma jaula que é seu próprio compromisso familiar de um lado e de outro ,os compromissos que ela tem para com a literatura. É como se participássemos de um fluxo de consciência da personagem: não há narrativa propriamente dita, justamente porque as coisas vão acontecendo umas como desdobramento das outras, com as incessantes trocas de climas e de emoção por que passa a personagem.” escreveu o crítico Antônio Hohleldt do Jornal do Comércio durante temporada em Porto Alegre. 

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Pulso – a partir da vida e da obra de Sylvia Plath
Com Elisa Volpatto
Teatro Cemitério de Automóveis (Rua Frei Caneca, 384 – Consolação, São Paulo)
Duração 50 minutos
04 a 25/08
Sexta – 21h
$30
Classificação 14 anos

 

 

PULSO

Os solos PULSO, da atriz Elisa Volpatto inspirado em Sylvia Plath e A DOR, da atriz Rita Grillo, a partir da obra La Douleur, de Marguerite Duras, prorrogam temporada. Os dois espetáculos do coletivo Vulcão [criação e pesquisa cênica], tem direção de Vanessa Bruno e integram o Projeto Escritoras na Boca de Cena, do Sesc Consolação.PULSO fica em cartaz até 11 de julho (segundas-feiras às 20 horas) e A DOR até 12 de julho (terças-feiras às 20 horas).

Mantendo a poética particular de cada autora, os solos exploram, para além do feminino, as vicissitudes de todo e qualquer ser humano a partir, ora de fragmentos biográficos das escritoras, ora das potências que suas obras desdobram. Para a diretora Vanessa Bruno a intenção é colocar em cena a profundidade das vidas e das obras de duas importantes mulheres, tendo como eixo fundamental das encenações o trabalho das atrizes. “Me interessa o testemunho das atrizes através das palavras de Plath e Duras”, explica ela.

As duas montagens integram o projeto Escritoras na Boca de Cena, do Sesc Consolação, que destaca a presença da literatura feminina no palco, reunindo espetáculos de artes cênicas baseados na obra e na vida de grandes escritoras nacionais e internacionais.

Sylvia Plath

928099954677744A partir da vida e obra do ícone da poesia confessional norte-americana, Sylvia Plath, PULSO foi construído das indagações da diretora Vanessa Bruno à atriz Elisa Volpatto, que respondeu cenicamente. Valendo-se de materiais como as biografias A Mulher Calada, de Janet Malcolm e Ísis Americana – A vida e a arte de Sylvia Plath, de Carl Rollyson, Os Diários de Sylvia Plath, organizado por Karen V. Kukil e também o mais importante livro de poemas de Sylvia, Ariel, a atriz organizou a dramaturgia do espetáculo.

Para Vanessa Bruno, a montagem não se pretende linear, mas, fragmentada, com lógica própria. “A linguagem cênica contemporânea articula-se com literatura poética da vida e obra de Sylvia Plath para a construção de um trabalho intimista, recortado. Buscamos uma cena confessional e que tenha poesia”, conta ela. Já Elisa Volpatto explica que o espetáculo busca questionar, por meio do material artístico criado a partir de Sylvia, o próprio papel da artista feminina atualmente.

Café, ovo e bebida alcoólica

A ideia de levar Sylvia Plath aos palcos partiu de uma vontade da atriz Elisa Volpatto de falar da criação artística dentro de um universo feminino. “Sylvia Plath tem uma forma de escrita única, que só existe devido à influência do ambiente que a circunda. Imagine uma mulher tentando ser poeta na década de 50, quando o comum era ficar em casa cuidando dos filhos”, diz a atriz. Para a direção, Elisa chegou em Vanessa Bruno por conta de sua pesquisa de deslocamento da literatura para o palco – Vanessa já dirigiu dois espetáculos com textos de Clarice Lispector.

PULSO escolhe como situação cênica o último dia de vida da poetisa Sylvia Plath para revelar, em tom confessional – característica determinante da literatura da autora –, memórias e devaneios dos momentos de sua vida.

O cenário é composto por um fogão e uma cadeira, que delimitam o espaço de jogo da atriz. Objetos caseiros como xícaras, pratos, panos e copos compõem um ambiente familiar, encarcerando a personagem. Um clima sensorial é criado quando cheiros – de café, ovo quebrado e bebida alcoólica – invadem o ambiente intensificando a relação da atriz com o material artístico criado. A interferência de vídeo e trilha sonora também contribui para a construção de uma atmosfera onírica.

Sobre Vulcão [criação e pesquisa cênica]

Surgido da união de artistas autônomos com desejo comum de concretizar suas pesquisas artísticas e criações autorais, Vulcão [criação e pesquisa cênica] desenvolve projetos de investigação teatral que explorem a condição humana. O trabalho realizado permeia um viés sensível e potente esteticamente, criando o teatro como uma experiência de alteridade deflagrada a partir das fragilidades humanas.

Em seus dois primeiros trabalhos –PULSO e A DORpropõem interagir com grandes mulheres do século XX, em busca de diálogos possíveis entre o agora e parte da história das aspirações femininas. Esse diálogo, neste projeto, se faz entre o Teatro e a Literatura, campos por natureza do sensível na exploração do humano. O coletivo, que é formado pelos artistas Vanessa Bruno, Lívia Vilela, Elisa Volpatto, Rita Grillo e Paulo Salvetti, deseja aproximar diferentes linguagens, unir dança ao teatro, literatura e vídeo e vê como motor catalizador – principal e determinante – o trabalho do intérprete.

Pulso
Com Elisa Volpatto
SESC Consolação – Sala Beta (R. Dr. Vila Nova, 245 – Vila Buarque, São Paulo)
Duração 50 minutos
30/05 até 11/07
Segunda – 20h
$20 / $6 (credencial plena: trabalhador no comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes)
Classificação 14 anos
 
Um espetáculo do Vulcão [criação e pesquisa cênica].
Proposição e Interpretação – Elisa Volpatto.
Direção – Vanessa Bruno.
Preparação Corporal e Assistência de Direção – Livia Vilela.
Iluminação – Maurício Shirakawa.
Trilha Sonora – Edson Secco.
Laboratório de Criação de Figurino – Carolina Sudati.
Identidade Visual – Marcelo Bilibio.
Visagismo – Britney.
Fotos – Betânia Dutra e Cezar Siqueira.
Produção – Paulo Salvetti.
Realização – Sesc São Paulo.
Apoio – Casa das Caldeiras.
Assessoria de Imprensa – Nossa Senhora da Pauta