FOREVER YOUNG

De forma poética e bem-humorada, Forever Young aborda a vida de seis grandes atores que representam a si mesmos no futuro, quase centenários. Apesar das dificuldades eles continuam cantando, se divertindo e amando. Tudo acontece no palco de um teatro, que foi transformado em retiro para artistas, sempre sob a supervisão de uma enfermeira. Quando ela se ausenta, os simpáticos senhores se transformam e revelam suas verdadeiras personalidades através do bom e velho rock’n’roll e mostram que o sonho ainda não acabou e que eles são eternamente jovens.

A comédia musical consegue relatar não apenas o problema da exclusão social na “melhor idade”, mas também aborda questões sobre a velhice com muito humor e músicas que marcaram várias gerações. Os hits são sucessos do rock/pop mundial de diversos anos, passando pelas décadas de 50, 60, 70, 80 até chegar aos anos 90. Músicas que são verdadeiros hinos como I Love Rock and RollSmells Like a Teen SpiritI Wil SurviveI Got You BabeRoxanneRehabSatisfactionSweet DreamsMusicSan FranciscoCalifornia DreaminLet It BeImagine, e a emblemática Forever Young. Já o repertório nacional conta com canções como Eu Nasci Há 10 Mil Anos Atrás de Raul Seixas, Do Leme ao Pontal de Tim Maia e Valsinha de Chico Buarque.

Forever Young_ 1041_foto Marcos Moraes (1).jpg

Forever Young
Com Nany People, Saulo Vasconcelos, Janaina Bianchi, Rodrigo Miallaret, Marcos Lanza, Carol Bezerra e Rafael Marão
Teatro Porto Seguro (Alameda Barão de Piracicaba, 740 – Campos Elíseos, São Paulo)
Duração 100 minutos
30/05 até 05/07
Quarta e Quinta – 21h
$50/$70
Classificação 10 anos

EU SEI EXATAMENTE COMO VOCÊ SE SENTE

Considerado um dos artistas mais prestigiados do teatro britânico a discutir a questão da homoafetividade, o dramaturgo, diretor e tradutor Neil Bartlett tem suas obras investigadas pelo Núcleo Experimental em Eu sei exatamente como você se sente. O espetáculo estreia no dia 17 de abril, no Teatro do Núcleo Experimental, e segue em cartaz até 30 de maio, com sessões às terças e quartas-feiras, às 21h.

A montagem parte dos solos “Onde está o amor?”, “É pra isso que servem os amigos”, “O que você vai fazer?”, “Improvável” e “O meu amor é forte assim” para apresentar depoimentos do próprio Barlett sobre o que é ser homossexual na sociedade contemporânea. O medo da agressão e da homofobia, o desejo e a necessidade de uniões afetivas, o relacionamento com os pais e (eventualmente) os filhos, a coragem de lutar pelos direitos dos LGBTTs, o estigma do HIV são algumas das muitas das questões discutidas em cena.

Essas obras, assim como muito do meu trabalho, estão particularmente preocupadas em transmitir ternura, dignidade, paixão e coragem. Ao enfatizar o simples ato de falar – falar em voz alta – elas nos fazem lembrar (eu espero) que essas qualidades ainda são – mesmo que a cultura vigente queira dizer o contrário – a base da nossa experiência comum nesta vida”, reflete o autor.

Numa encenação pautada pela simplicidade, os atores Fabio Redkowicz, Paulo Olyva, Pedro Silveira e Zé Henrique de Paula são acompanhados ao vivo pelo pianista Rafa Miranda e pelo violoncelista Felipe Parisi.

SINOPSE

A partir dos monólogos “Onde está o amor?”, “É pra isso que servem os amigos”, “O que você vai fazer?”, “Improvável” e “O meu amor é forte assim”, do dramaturgo britânico Neil Barlett, a peça cria uma colcha de depoimentos do próprio autor sobre o que é ser homossexual na sociedade contemporânea. São discutidos temas como o medo da homofobia, o desejo e a necessidade de uniões afetivas, o relacionamento entre pais e filhos, a coragem de lutar pelos direitos dos LGBTTs e o estigma do HIV.

image001

Eu sei exatamente como você se sente
Com Fabio Redkowicz, Paulo Olyva, Pedro Silveira e Zé Henrique de Paula
Teatro do Núcleo Experimental (Rua Barra Funda, 637 – Barra Funda, São Paulo)
Duração 70 minutos
17/04 até 30/05
Terça e Quarta – 21h
$40
Classificação 14 anos

[NOME DO ESPETÁCULO]

Vencedora do Prêmio do Humor 2018 nas categorias de Melhor Espetáculo , a versão brasileira do metamusical da Broadway [nome do espetáculo] volta ao cartaz para sua terceira temporada no Rio de Janeiro, a partir de 17 de abril, sempre  terça e quarta, às 19h, até 30 de maio de 2018, no Teatro Eva Herz, no centro do Rio de Janeiro.

Sinopse
O espetáculo é a história real (ou quase real) de Jeff e Hunter. Para participar de um festival, os dois escritores, com a ajuda de Susan, Heidi e Larry, precisam criar um musical em apenas três semanas. Com o elenco reunido, Jeff e Hunter fazem um pacto para escreverem até o prazo do festival e sonham com um espetáculo que mude suas vidas.

No elenco, Caio Scot [de The Book of Mormon], Junio Duarte [de The Book of Mormon e Jovem Frankenstein], Ingrid Klug [de O Mambembe], Carol Berres [de Contos e Encantos de Natal] e Gustavo Tibi [diretor musical e único músico em cena, da Banda Jamz], sob direção artística de Tauã Delmiro [de 60! Uma Década de Arromba, coautor das músicas de Vamp e diretor assistente de O Primeiro Musical aGente Nunca Esquece].

O espetáculo é a primeira montagem da CAJU produções, que tem à frente o ator e cineasta, Caio Scot e o ator e preparador vocal, Junio Duarte.  [nome do espetáculo] estreou no Solar de Botafogo, onde ficou em cartaz em novembro e dezembro de 2017. Em janeiro, a peça fez uma curta temporada no Centro Cultural da Justiça Federal.

[nome do espetáculo] faz sua terceira temporada no mesmo ano em que o musical americano completa uma década desde a estreia na Broadway, em 2008. Lá, [title of show] foi indicado ao Tony Award de Melhor Libreto de Musical.

A montagem brasileira foi indicada a quatro categorias do “Prêmio do Humor 2018”, idealizado pelo ator Fábio Porchat, levando os troféus de Melhor Espetáculo e o Prêmio Especial para versão brasileira. Foi também indicado a quatro categorias no “Prêmio Botequim Cultural”, incluindo Melhor Espetáculo.

[nome do espetáculo]
Com Caio Scot, Carol Berres, Junio Duarte, Ingrid Klug e Gustavo Tibi
Teatro Eva Hertz (Rua Senador Dantas 45 – Centro, Rio de Janeiro)
Duração 90 minutos
17/04 até 30/05
Terça e Quarta – 19h
$60
Classificação 14 anos

PANÇA

Pança é o segundo homem mais importante da maior potência econômica do planeta, braço direito do todo poderoso Don Quixote.
Sua tarefa é explicar para os iniciantes, aspirantes ao poder, quais são as regras quando as regras são as regras da vida; onde vence o mais forte, o mais esperto, o mais organizado, o mais armado.
Pança corta grandes pedaços de carne diante de seus ouvintes, ao mesmo tempo em que esmiúça, com humor e requintes de crueldade, o funcionamento da economia mundial, a decadência do Estado de direito e a instabilidade das relações humanas em sua forma mais bruta.
O boato de que ele costuma virar cachorro atrai ainda mais interessados a ouvir o que ele tem a dizer.
foto c texto 5 (1)
Pança
Com Beto Magnani
Teatro de Arena Eugenio Kusnet (Rua Dr. Teodoro Baima, 98 – República, São Paulo)
Duração 55 minutos
03 a 27/05
Quarta – 20h, Quinta, Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 20h
$30
Classificação 14 anos

AMOR BARATO – O ROMEU E JULIETA DOS ESGOTOS

Tudo vai mal. Tudo.  Mas mesmo da lama pode surgir um grande amor, capaz de fazer respirar um mundo carregado de intrigas, intolerância e brigas por pequenos (e grandes) poderes.

Esse é o ponto de partida do musical Amor Barato – O Romeu e Julieta dos esgotos, que estreia em abril em São Paulo misturando referências reais, fábulas tradicionais e histórias de amor clássicas para cantar o improvável romance entre Dona e Dom, seres tão estranhos quanto o mundo em que vivem.

Amor Barato – O Romeu e Julieta dos esgotos é dirigido por Fábio Espírito Santo e Ana Paula Bouzas, e estreia para o público no dia 19 de abril, no Teatro Itália, onde cumpre temporada às quartas e quintas-feiras, sempre às 21h, até 31 de maio.

Com dramaturgia de Fábio Espírito Santo e trilha original assinada por Jarbas Bittencourt e Ronei Jorge, a montagem traz seis atores e atrizes em cena, dando voz e corpo a dezenas de personagens criados para narrar e viver as aventuras de um amor impossível, famílias rivais e um desfecho trágico. A história infantil “O casamento da Dona Baratinha” é uma das referências de Amor Barato. Mas não é a única; a trama namora também com “Romeu e Julieta”, de William Shakespeare, e outras histórias clássicas de amor. Tudo recheado com uma pitada generosa de referências reais dos noticiários diários, que transformam a história de amor entre um rato e uma barata nos esgotos de uma metrópole num musical adulto e absolutamente atual.

Na trama, Dona (Aline Machado) é uma jovem com sérios conflitos com seu pai, Dr. Barata (Eric de Oliveira), um empresário da comunicação. Ela se apaixona por Dom (Pietro Leal), um jovem playboy inconsequente, fruto do casamento fracassado de Madame (Adriana Capparelli) e o corrupto Senador (Beto Mettig). Frutos de famílias diferentes e rivais, Dona e Dom vivem, sob o olhar irônico da Narradora (Thaís Dias), uma intensa paixão, apesar de toda adversidade presente nos subterrâneos do poder.

Com 37 composições originais, o musical Amor Barato traz uma dramaturgia sonora que flui através de gêneros musicais tão variados quanto “os sons que correm nas veias de uma cidade”, como afirma Jarbas Bittencourt, musicista com profícua experiência em trilhas para as artes cênicas.  Para criar a música do espetáculo, os compositores partiram do texto de Fábio Espírito Santo com o desafio de preservar a potência dramatúrgica e poética já contida na obra original.

O conceito de gênero musical expandido abre espaço para aproximações estéticas composicionais amplas. “Não há na música de Amor Barato um limite muito claro entre o radiofônico e o experimental, entre o clube e a sala de concerto”, comenta Jarbas, que faz questão de valorizar as referências usadas na obra: elas vão da vanguarda paulista, representada por Itamar Assumpção e Arrigo Barnabé, a operetas, música dodecafônica e atonal, passando ainda pela obra de Tom Zé e pelo teatro alemão do século 20, como o clássico “A Ópera dos Três Vinténs”, de Bertolt Brecht e Kurt Weill.

29497773_162546281114448_3959294215704521290_n

Amor Barato – O Romeu e Julieta dos Esgotos
Com Adriana Capparelli, Aline Machado, Beto Mettig, Eric de Oliveira, Pietro Leal e Thaís Dias
Teatro Itália – Sala Drogaria SP (Av. Ipiranga, 344 – República, São Paulo)
Duração 80 minutos
19/04 até 31/05
Quarta e Quinta – 21h
$40
Classificação 16 anos

VALSA #6

Após ter recebido um público que lotou o Instituto Ling, um dos mais belos espaços de Porto Alegre, a enorme repercussão do espetáculo Valsa #6 exigiu passos mais ousados, que resultaram em uma grande turnê pelos principais teatros do país. As primeiras apresentações ocorrem no mês de Abril: São Paulo, dias 24 e 25, no Teatro Opus; Rio de Janeiro, dia 27, no Teatro Bradesco Rio e Recife, dia 29, no Teatro RioMar Recife. Em Maio o espetáculo retorna a capital gaúcha para apresentações dias 2 e 3, no Teatro do Bourbon Country e dia 10 encerra a turnê no palco do Teatro Feevale, em Novo Hamburgo. Os ingressos já estão à venda para todas as praças.

A peça Valsa #6 é menos parecida com um monólogo do que uma máquina de escrever com uma de costura. Uma atriz individuada, múltipla, que cabe nela a cidade inteira. Ela é todo o décor. Ela está morta. Portanto, livre do atribulado cotidiano, da tortura da vida. Ela trafega na serenidade da morte. O seu tormento é a presença ainda da vida, em sopros. Obra máxima do maior poeta dramático brasileiro, Nelson Rodrigues, se considerados os aspectos da complexidade dramatúrgica do mergulho na alma do ser humano e na expressão polifônica de tantas vozes que somos e desconhecemos.

As enormes cortinas que revestem o ambiente de branco se perdem na imensidão do urdimento, causando a sensação de um espaço etéreo; o jogo de sombras e os cheiros que envolvem a todos entregam aos presentes uma verdadeira experiência sensorial onde o público é parte integrante do espetáculo. O espectador poderá ser tocado, manipulado, terá que vestir uma roupa branca (fornecida pela produção), ficando coberto da cabeça aos pés – a necessária assepsia da morte. Uma jovem pianista viveu um sonho trágico. Eis a história que você vai vivenciar.

O olhar do diretor

A maior encenação da Valsa Nº6 de todos os tempos. O principal pesquisador da obra leva aos palcos a peça síntese do maior autor dramático brasileiro. A literatura, mais especificamente, a Menipeia (soma do diálogo socrático à tradição carnavalesca) percorreu longo caminho até ser libertada em vozes polifônicas pelas mãos de Dostoiévski. No teatro, este caudaloso rio chegou aos palcos por meio de Pirandello, com a peça “Seis Personagens à Procura de um Autor”. As margens do trágico haviam se unido, e no clarão provocado por esta aproximação, o surgimento de um teatro total, ou, se quiser, das raias do absurdo.

Aqui, por estas bandas, este anúncio foi feito por Nelson Rodrigues. Manuel Bandeira dizia de Nelson: “O que me dana é que ele consegue dar vida às suas personagens”. Outra coisa dita por Bandeira, é que Nelson era o nosso maior poeta dramático. A Valsa nº 6 (aqui tratada como Valsa #6) é, talvez, o maior poema dramático de Nelson. “Em nenhum outro texto ele foi tão preciso. O mesmo uso das rubricas de Samuel Becket”, avisa José Celso Martinez Corrêa. Mais um ponto de convergência entre estes dois mestres, precursores do teatro absurdo, é o fato de olhar pelo “buraco da fechadura” para de lá extrair uma verdade essencial, somente atingida através do delírio.

O campo onde impera uma super-realidade, o perturbador terreno do sonho. Aqui, a rigidez exigida pelo vigor poético nos alça a um deslimite, onde a própria vida é superada por uma existência além do seu esgotamento. Nelson dá vida à morte, desafiando esta discordância fatal. O excesso de personagens, criticado por ele na dramaturgia em geral, é resolvido, nesta peça, por uma atriz individuada, ao mesmo tempo, múltipla, cabendo nela a cidade inteira. Em número igual a Pirandello, Nelson coloca em cena seis personagens. Estão todos lá: a menina, que se transforma em mulher, a rival, o galã, a mãe, o pai e o doutor, mutilado de guerra. Todos a serviço da invenção diversificada da vida.

30712703_457086194725922_1617846448768942080_n

Valsa #6
Com Gisela Sparremberger
Participação especial: Gabriel Coelho
Participação em São Paulo: Viviane Pasmanter
Participação no Rio de Janeiro: Giulia Gam
Trilha sonora e participação ao vivo: Pedro Figueiredo
Teatro OPUS – Shopping Villa Lobos (Avenida das Nações Unidas, 4777 – Alto de Pinheiros, São Paulo)
Duração 90 minutos
24 e 25/04
Terça e Quarta – 21h
$40/$100
Classificação Livre
 
PROGRAMAÇÃO DA TURNÊ
 
Dia 27 de Abril – Teatro Bradesco (RJ)
 
Dia 29 de Abril – Teatro Riomar (REC)
 
Dias 02 e 03 de Maio – Teatro do Bourbon Country (POA)
 
Dia 10 de Maio – Teatro Feevale (NH)
 
Apresentações sempre às 21h.
 
Após cada sessão, haverá bate papo com a equipe do espetáculo.

O INEVITÁVEL TEMPO DAS COISAS

Uma história de amor é apresentada em espaços atemporais desafiando as possibilidades de um tempo linear. A sobreposição de realidades assombra os personagens que buscam felicidade a dois. Em um espaço confinado o casal se debate num fluxo de memórias, projeções e novas chances para lidar com seus traumas e anseios.

Neste espetáculo de suspense psicológico, escrito por Wagner D’Avilla, dois desconhecidos sentem uma forte atração a partir de um Déjà Vu. Os desdobramentos desse encontro revelam os percalços de uma relação construída e desconstruída ao longo de anos. Os eventos desafiam a ideia de um tempo fixo, estático e imutável. Uma distopia futurista e sombria onde as possibilidades se multiplicam, contradizem e se sobrepõe. Com encenação de José Roberto Jardim esta peça amplia ainda mais as possibilidades de leitura, contrapondo o que é real, ilusão ou memória. A montagem ganha ainda mais potência com a videoinstalação, criada pelo premiado Coletivo BijaRi, que gera uma cenografia única dentro do Espaço Porão do Teatro Sérgio Cardoso, com apresentações às terças, quartas e quintas.

Em O Inevitável Tempo das Coisas uma história de amor é apresentada através de um caleidoscópio de recortes do passado, presente e futuro da vida de um casal. Uma mulher conhece por acaso um homem. Os dois sentem uma enorme atração e a partir desse momento os reencontros serão inevitáveis. Um caso que começa. Uma fuga covarde. A união, a filha, a traição, o acidente, a morte, o recomeço. O que é real? O que é projeção ou lembrança? O que é possível e o que deve ser simplesmente aceito. Como seria nossa vida hoje se algo do passado tivesse acontecido de maneira diferente? Como será o futuro? Trará a redenção ou estamos condenados a falhar e falhar repetidamente? Essas são as grandes questões que assombram os personagens desse espetáculo.

O autor Wagner D’Avilla conta que “uma frase quase popular dita por muitos de nós sem muita importância ao longo da vida foi o que me inspirou a escrever esse texto. ‘Tudo é uma questão de tempo’. Somos fascinados pelo tempo que é o grande condutor de nossa vida. Quantos de nós já não se perguntaram: e se pudéssemos voltar no tempo e mudar algo? Ou uma consulta aos astros, a cartomantes ou aos orixás para prever o futuro?”, comenta.

Neste espetáculo cabe ao público decidir o que é real ou não. Ou será que tudo é possível em um universo de realidades sobrepostas? O texto de D’Avilla foi inspirado em estudos de pesquisadores e suas teorias sobre o tempo. Entre eles, o pesquisador Philippe Verduyn, que conseguiu mensurar a duração de cada tipo de emoção humana, até o sociólogo e futurista Dr. Chet Snow, pioneiro em muitos campos da metafísica e que comprova a viagem no tempo através da regressão ou progressão de memória. “Propus uma guerra entre o discurso romântico e a ciência, entre a astrofísica e a espiritualidade, entre realidade e a memória. Um quebra-cabeça entre universos paralelos que aos poucos se encaixam disfarçados de destino”, continua o autor.

Sobre o elenco, o autor declara: “Escrevi este texto especialmente para Pedro e Natallia. Sou fã dos dois e pude os acompanhar em diferentes trabalhos. Quis propor algo novo que os provocasse como artistas e os levasse “literalmente” em uma viagem ao desconhecido”.

Antes de serem um casal, Natallia Rodrigues e Pedro Henrique Moutinho, se descobriram grandes parceiros artísticos. Os dois se conheceram atuando no espetáculo Divórcio! dirigido por Otávio Martins e depois voltaram a atuar juntos na peça Jogo Aberto dirigida por Isser Korik. Entretanto essa é a primeira vez que os dois estão sozinhos em cena. “A admiração mútua é um dos pilares da nossa união. E a cumplicidade que construímos em nossa vida privada nos fortalece no trabalho. A realização de uma obra de arte em conjunto é certamente uma conquista familiar, parte do nosso projeto de vida a dois e motivo de muita felicidade,” diz Pedro sobre trabalhar com a amada neste espetáculo.

Com este trabalho, José Roberto Jardim busca não só dirigir seus grandes amigos há mais de uma década e meia, Natallia e Pedro, mas como também assinar sua próxima obra teatral depois do seu premiado espetáculo Adeus, Palhaços Mortos.

Com este texto de Wagner D’Avilla, somado à cumplicidade e talento do casal protagonista, Jardim inicia sua encenação perseguindo pontos que são caros em sua pesquisa cênica, como a fragmentação narrativa, as partituras cênicas rigorosas e os deslocamentos vocais com suas exposições psicológicas. Junto a sua busca por uma plasticidade cênica, gera graus visuais, sonoros e emotivos singulares. Seus espetáculos propiciam, especialmente, uma experiência de outra ordem sensitiva à plateia.

Por esse motivo Jardim traz ao projeto parcerias que estabeleceu com sucesso em seus trabalhos anteriores, como o premiado coletivo de artistas plásticos visuais, BijaRi, que assina a cenografia e a vídeo instalação; também o renomado estilista João Pimenta; e a sua dupla na iluminação de cena, Paula Hemsi.

Minha vontade primeira, como diretor, é tentar conduzir o público a um outro estado perceptivo, por isso busco desenhar em cena atmosferas e ritmos sonoros que valorizem mais o que está submerso do que o apenas falado pelas personagens”, afirma Jardim. “Confinar Natallia e Pedro em um platô com menos de oito metros quadrados, por onde inúmeras projeções em vídeo serão jogadas, fazendo-os desenhar o espaço apenas com pouquíssimos gestos, além de suas vozes e tons, é o pedal para que a dúvida sobre escolhas e decisões, no período de suas vidas, cheguem até nós de maneira profundamente angustiante,” completa. “Neste espetáculo cada cena é um recorte num espaço-tempo descontínuo e fragmentado, são fotogramas vagando pelas memórias individuais deste casal, independentemente se estavam casados ou separados, se eram amantes ou desconhecidos, pois nunca conseguirão escapar da inevitável dúvida sobre o que significa viver neste mundo absurdo e vazio de significado,” conclui o diretor.

24312486_1615658628548376_233668779317440844_n

O Inevitável Tempo das Coisas
Com Natallia Rodrigues e Pedro Henrique Moutinho
Teatro Sergio Cardoso – Espaço Porão (Rua Rui Barbosa, 153. Bela Vista, São Paulo)
Duração 60 minutos
03/04 até 24/05 (*não haverá sessão nos dias 01 e 10 de Maio*)
Terça, Quarta e Quinta – 20h
$40
Classificação 14 anos