QUARTO 19

QUARTO 19, espetáculo solo de Amanda Lyra construído a partir do conto No Quarto Dezenove (To Room Nineteen), da escritora britânica Doris Lessing (1919-2013), prêmio Nobel de Literatura em 2007, reestreia dia 22 de setembro no Teatro Vivo. A direção é de Leonardo Moreira, dramaturgo e diretor da Companhia Hiato, de São Paulo.

O conto To Room, publicado pela primeira vez em 1963, conta a história de uma mulher de classe média casada e com quatro filhos que se vê despersonalizada pelo casamento burguês, pela maternidade e pela fragmentação de sua identidade feminina.

As questões abordadas pelo texto e pela encenação de Quarto 19 dizem respeito principalmente às mulheres, mas não só a elas. Nesse conto, Lessing aborda com simplicidade e força alguns de seus temas mais persistentes, como o cabo de força entre o desejo humano e os imperativos do amor, da traição e da ideologia, as tensões entre o doméstico e a liberdade, a responsabilidade e a independência. A construção da identidade, o trabalho para estabelecê-la, defini-la e refiná-la, talvez seja o fio que liga toda a obra de Lessing.

A ATUALIDADE DO TEXTO

A atriz Amanda Lyra, também idealizadora do projeto e tradutora do texto, conta: “To Room 19 foi publicado pela primeira vez em 1963. Esta peça estreou em 2017. Tanto tempo no fim das contas parece tão pouco. É doloroso perceber a universalidade e atemporalidade desse texto. Perceber que estamos nos debatendo com mesmas questões tantos anos depois, com o movimento feminista já em sua quarta vaga.

Mas Quarto 19 vai além de um retrato da condição da mulher. O conto de Lessing questiona o ideal de felicidade da família burguesa, o modelo social racional e inteligente que soterra nossa sensibilidade, nossa selvageria. É uma grande tarefa lutar pela sobrevivência da própria identidade numa sociedade com modelos tão sufocantes. O quarto 19, aqui, é mais do que um espaço físico. Ele é uma metáfora de libertação. Um espaço/estado onde qualquer pessoa pode ser o que quiser, a despeito do que se exige dela na sociedade.”

A personagem do conto está consciente de que é prisioneira de alguma coisa maior e, em seu discernimento embotado, passa a acreditar que está doente. Mas o mal que a aflige está também – e talvez principalmente – no âmago da sociedade, e não só em algum lugar escondido das anomalias individuais. A personagem vive assim a luta silenciosa de muitas outras mulheres. Uma luta gigante, onde o desejo de autenticidade se vê barrado por princípios e modelos culturais.

A MONTAGEM

O cenário e a luz de Marisa Bentivegna criam um espaço limpo e claro, que traz somente uma parede ao fundo, um carpete e uma poltrona. Na cena predominam os tons de verde. O figurino, realista, é de uma mulher comum, e suas cores dialogam com o tom geral da montagem. É através do trabalho da atriz que todos os espaços são desenhados – a casa da família, o jardim, o quarto 19.

CARMEN

Quarto 19

Com Amanda Lyra

Teatro Vivo (Av. Dr. Chucri Zaidan, 2460, Morumbi – São Paulo)

Duração 75 minutos

22/09 até 07/10

Sábado – 21h, Domingo – 19h

$40

Classificação 16 anos

QUARTO 19

Prêmio Nobel de Literatura em 2007, a escritora britânica Doris Lessing tem seu conto No Quarto Dezenove (To Room Nineteen) encenado no palco. O monólogo concebido por Amanda Lyra (que atua e também traduziu o conto) tem direção de Leonardo Moreira e faz nova temporada no Teatro do Núcleo Experimental de 14 de junho a 6 de julho de 2017.

A peça narra o caminho de uma mulher à procura de sua identidade. As questões abordadas pelo texto e pela encenação de Quarto 19 dizem respeito principalmente às mulheres, mas não só a elas. Nesse conto, Lessing aborda com simplicidade e força alguns de seus temas mais persistentes, como o cabo de força entre o desejo humano e os imperativos do amor, da traição e da ideologia, as tensões entre o doméstico e a liberdade, a responsabilidade e a independência.

Os efeitos do casamento, a fragmentação da identidade feminina, a extenuante busca por um sentido aos papeis impostos socialmente e a tensão entre o eu social e o eu marginal são explorados no conto de Doris Lessing, e também nesta montagem. A construção da identidade, o trabalho para estabelecê-la, defini-la e refiná-la talvez seja o fio que sustenta o conto e, portanto, o monólogo “O Quarto 19”.

Ela está consciente de que é prisioneira de alguma coisa maior e, em seu discernimento embotado, passa a acreditar que está doente. No entanto, vemos que o mal que a aflige está no âmago da sociedade, e não em algum lugar escondido das anomalias individuais. A personagem vive assim a luta silenciosa de muitas outras mulheres”, conta Amanda Lyra.

A protagonista representa a imagem socializada da mulher oprimida pelas necessidades do homem e da família. Assim, o espetáculo espelha a mesma procura de outras mulheres na vida real. É uma luta, onde o desejo de autenticidade se vê barrado por modelos culturais. As manifestações políticas dos últimos anos e o fortalecimento do feminismo e dos direitos da mulher têm demonstrado que essas questões, ainda que trabalhadas em uma obra publicada nos anos 1970, continuam importantes para muitas pessoas no Brasil e no mundo.

SINOPSE
A peça é construída a partir do conto homônimo da escritora britânica Doris Lessing, prêmio Nobel de Literatura em 2007. Quarto 19 é  história de uma mulher de classe média, casada e mãe de três filhos. Após anos sem trabalhar fora, dedicada à criação dos filhos, ela espera  o momento em que o mais novo entrará para a escola, quando finalmente terá algum tempo para si. Mas quando isso acontece, ela não sente a liberdade que esperava. Fugindo da irritação doméstica e do ritmo familiar, ela então passa a alugar um quarto de hotel no centro da cidade, o quarto 19.

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Quarto 19
Com Amanda Lyra
Núcleo Experimental ( Rua Barra Funda 637 – Barra Funda, São Paulo)
Duração 80 minutos
14/06 até 06/07
Quarta e Quinta – 21h
$40
Classificação 16 anos

QUARTO 19

Em março, o Sesc Pinheiros recebe Quarto 19, espetáculo com direção de Leonardo Moreira. Com estreia no dia 9 de março, o monólogo, concebido e encenado por Amanda Lyra, segue em temporada no Auditório da unidade,de quinta a domingo, às 20h30, até o dia 15 de abril.

A montagem é baseada no conto No Quarto Dezenove (To Room Nineteen), da escritora britânica Doris Lessing (1919-2013), Nobel de Literatura em 2007. Publicado originalmente em 1978, o conto apresenta Susan Rawlings, uma mulher em um caminho de auto-percepção e apreensão de seu “eu” autêntico. Os efeitos provocados pelo casamento burguês com Matthew, a fragmentação da identidade feminina daí resultante, a extenuante procura pelo significado da vida e a tensão entre o “eu social” e o “eu marginal” são tópicos evidenciados no dilema da personagem.

O enredo trata da independência feminina no mundo contemporâneo e sua identificação com os papeis sociais de mãe, esposa e organizadora do lar, representados aqui por uma personagem que, mesmo tendo conquistado o que poderia ser o ideal maternal, não encontra satisfação pessoal, buscando refúgio no silêncio, no “quarto nº 19”.

Ela está consciente de que é prisioneira de alguma coisa maior e, em seu discernimento embotado, passa a acreditar que está doente”, conta Amanda Lyra. “No entanto, vemos que o mal que a aflige está no âmago da sociedade, e não em algum lugar escondido das anomalias individuais. A personagem vive assim a luta silenciosa de muitas outras mulheres”, prossegue.

Além da narrativa de Lessing, a montagem é concebida com forte influência das artes visuais. Na pesquisa para construção do espetáculo, foram referências diretas no processo a escultora francesa Louise Bourgeois (1911-2010), com a série de pinturas e esculturas que refletem sua vida como mãe e esposa, Femme Maison; e o estadunidense Edward Hopper (1882-1967), através de suas pinturas.

SINOPSE
Quarto 19 conta a história de Susan, uma mulher de classe média, casada e mãe de três filhos. Após anos sem trabalhar fora, dedicada à criação dos filhos, ela espera o momento em que o mais novo entrará para a escola, quando finalmente terá algum tempo para si. Mas quando isso acontece, Susan não sente a liberdade que esperava. Fugindo da irritação doméstica e do ritmo familiar, ela então passa a alugar um quarto de hotel no centro da cidade, o quarto 19, onde passa todas as tardes, sem fazer nada.

A peça é construída a partir do conto homônimo da escritora britânica Doris Lessing, prêmio Nobel de Literatura em 2007.

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Quarto 19
Com Amanda Lyra
SESC Pinheiros – Auditório 3o andar (R. Pais Leme, 195 – Pinheiros, São Paulo)
Duração 80 minutos
09/03 até 15/04 (não haverá espetáculo em 14 de abril)
Quinta, Sexta e Sábado – 20h30
$25
Classificação 18 anos
 
Concepção e Atuação: Amanda Lyra
Direção: Leonardo Moreira
Preparação Corporal: Tarina Quelho
Iluminação e cenografia: Marisa Bentivegna
Fotos: Cris Lyra
Tradução: Amanda Lyra
Assessoria de imprensa: Pombo Correio
Produção: Aura Cunha | Elephante Produções Artísticas