HEBE, O MUSICAL

O programa “Encontro com Fátima Bernardes” recebeu na manhã de hoje a visita de uma parte do elenco de “Hebe, o Musical” e o diretor Miguel Falabella, para uma conversa.

Foi apresentado o número “Beija Me”, em homenagem aos selinhos que a rainha da televisão dava nos seus amigos e entrevistados.

Não deixe de ver a matéria que fizemos com várias curiosidades sobre Hebe e que estão no musical. Clique aqui.

Hebe, o Musical
Com Adriano Tunes, Brenda Nadler, Carlos Leça, Carol Costa, Clarty Galvão, Daniel Caldini, Debora Reis, Dino Fernandez, Fefa Moreira, Fernando Marianno, Frederico Reuter, Giovana Zotti, Guilherme Magon, Keka Quarterone, Mari Saraiva, Maysa Mundim, Renata Bras, Renata Ricci, Renato Bellini, Renato Caetano e Rodrigo Garcia
Teatro Procópio Ferreira (Rua Augusta, 2.823 – Jardins, São Paulo)
Duração 140 minutos
12/10 até 17/12
Quinta e Sexta – 21h, Sábado – 17h e 21h, Domingo – 18h
$50/$190
Classificação 12 anos

SELVAGERIA

Selvageria’ é o terceiro projeto de Felipe Hirsch e Ultralíricos, coletivo formado em Puzzle’ (2013), espetáculo dividido em quatro partes que levou para o palco a obra de escritores brasileiros contemporâneos. A investigação literária continuou em A Tragédia Latino-Americana’ e ‘A Comédia Latino-Americana’ (2016), díptico encenado a partir de autores latino-americanos e de questões sociais do continente. Desta vez, o grupo se debruçou sobre livros e documentos da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin e sobre a Bibliographia Brasiliana pesquisada por Rubens Borba de Moraes. O resultado desta pesquisa será apresentado a partir de 3 de novembro no Sesc Vila Mariana, em temporada até 17 de dezembro.

Em cena, aparecem textos que começam com a famosa Carta de Pero Vaz de Caminha ao Rei Dom Manuel (1500), passam por relatos, decretos, diários e chegam ao Triste Fim de Policarpo Quaresma’ (1911), de Lima Barreto, único texto da montagem não originado de um documento histórico. 

Esses documentos são europeus. A fala é dos europeus e dos selvagens civilizados contados por europeus brancos. São essas pessoas que falam. E esses documentos são aterrorizantes, comenta Felipe Hirsch.

Para o diretor, os espectadores podem achar que os textos foram escritos ou que se fez algum tipo de dramaturgia, tamanho o absurdo e a proximidade com a realidade de hoje. ‘’Selvageria’ fala sobre as raízes do conservadorismo no Brasil. Eu brinco de que a gente fez duas ficções (‘Puzzle’ e ‘A Tragédia e a Comédia Latino-Americana) e agora é nosso documentário. Esses documentos foram escolhidos não só pela importância histórica, mas, de fato, pela necessidade de entender que alguns deles são fundamentos do pensamento vigente’, analisa Hirsch.

Os textos:

Carta a El-Rei D. Manuel (Pero Vaz de Caminha, Portugal, 1500)

É o primeiro documento histórico sobre a descoberta do Brasil. A carta redigida por Pero Vaz de Caminha, escrivão da frota liderada por Pedro Álvares Cabral, descreve ao Rei de Portugal D. Manuel como era a terra e os nativos que nela habitavam. Nota-se o deslumbramento dos europeus ao se depararem com os selvagens e as belezas naturais do chamado Novo Mundo. As descrições retratam o primeiro contato com os nativos, menções ao Pau-Brasil, à Primeira Missa na Nova Terra e aos primeiros escambos feitos entre os descobridores e os indígenas. Como uma grande epígrafe do que viria ser a intervenção dos europeus sobre a história do Brasil, Caminha escreve a despeito da riqueza natural da nova descoberta: Porém o melhor fruto, que nela se pode fazer, me parece que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar”.

Cest la dedvction du sumptueux ordre plaisantz spectacles et magnifiquves thea-tres dresse, et exhibes para les citoiens de rouen ville metropolitaine du pays de Normandie, a la sacre maiesté du treschristian roy de France, Henry Secõd leur souuerain seigneur, et à tresillustre dame, ma dame Katharine de Medicis, la royne son espouze, lors de leur triumphant ioyeulx et nouvel aduenement en icelle ville, qui fut es iours de mercredy et ieudy premier et secöd iours doctobre, mil cinq cens cinquante et pour plus expresse intelligence de ce tant excellent triumphe, les figures et pourtraicts des principaulx aornementz diceluy y sont apposez chauscun enson lieu comme lon pourra veoir parle discours de lhistoire (Robert Le Hoy e Jean Du Gord, França, 1551)

Em outubro de 1550, Henrique II, Rei da França, e sua esposa, Catarina de Médici, fizeram uma entrada solene na cidade de Rouen. Como era de hábito, foram realizadas pomposas celebrações. O ponto alto dessas festividades foi, porém, a reconstituição de uma aldeia indígena brasileira em praça próxima ao rio. Cerca de cinquenta índios brasileiros, que haviam sido trazidos de seu país por marinheiros normandos e que viviam na cidade, foram reunidos para povoar esta floresta. Para perpetuar a memória dessas magníficas festividades, Jean du Gord, famoso livreiro de Rouen, ordenou a impressão desse livro, que contém a descrição completa da festa brasileira em duas páginas.

Essais (Des Cannibales) (Michel de Montaigne, França, 1580)

Os mesmos índios que estavam na Festa Brasileira, em Rouen, continuaram a viver na cidade e foram durante anos uma das atrações turísticas do lugar. Quando o Rei Carlos IX visitou a cidade em 1562, foi apresentado a eles. Montaigne testemunhou o fato, e deve ter conservado vívida lembrança, pois se refere aos índios na famosa passagem Dos Canibais, presente em seus Ensaios.

Histoire de la Mission des Pères Capucins en lIsle de Maragnan et terres circonvoisines (Claude DAbbeville, França, 1614)

A obra narra a missão dos capuchinhos franceses ao Maranhão em 1612, integrada pelos padres Yves dEvreux, Arsène de Paris, Ambroise dAmiens e Claude dAbbeville, numa tentativa de colonização do Norte do Brasil e de evangelização dos índios.

Voyage dans le nord du Brésil fait durant les années 1613 et 1614 (Yves D’Evroux, França, 1615)

Escrita com a intenção de completar a obra de Claude dAbbeville publicada no ano anterior, Voyage dans le nord du Brésil omite o que já fora dito. Yves dEvreux, tendo vivido um ano e meio a mais na região, trata de detalhes como a fauna e a vegetação tropical do próprio Maranhão, ao passo que dAbbeville conta somente a história da missão. As muitas descrições publicadas sobre a ida dos capuchinhos franceses ao Maranhão levam a crer que os padres realizaram uma verdadeira campanha de publicidade em torno das expedições.

Campagne du Brésil faite contre les portugals (Louis Chancel de Lagrange, França, 1711)

À bordo da fragata LAigle, um dos 17 navios da armada francesa, o 1º Tenente Louis Chancel de Lagrange relata o assalto e a tomada do Rio de Janeiro em 1711, pela expedição comandada por René Duguay-Trouin.

Letters from the Island of Teneriffe, Brazil, the Cape of Good Hope, and the East Indies (Mrs. Jemima Kindersley, Inglaterra, 1777)

Mrs. Kindersley foi a primeira mulher a escrever uma narrativa sobre o Brasil. De origem inglesa, casou-se em 1762 com o oficial de uma companhia das Índias Orientais, motivo pelo qual os dois viajaram duas vezes às colônias em expansão.

Voyage Autour du Monde (Jacques Arago, França, 1822)

Jacques Arago, artista da expedição científica chefiada por Claude-Louis de Freycinet, escreveu o relato da viagem num estilo muito espirituoso e divertido. Sua expedição chega ao Rio de Janeiro em 1817 e Arago fornece uma longa descrição de sua estada em Guanabara. É um dos raros documentos que retratam em detalhes o Cais do Valongo, um dos maiores portos escravagistas do mundo. Suas inúmeras histórias impressionam pela realidade com que descrevem a crueldade física e moral praticada contra os escravos. A obra nunca foi traduzida ou publicada no Brasil.

Narrative of a voyage to Patagonia and Terra del Fuego, through the Straits of Magellan (John McDouall, Inglaterra, 1833)

O autor esteve de passagem pelo Rio de Janeiro em 1826 e foi mais um dos viajantes a testemunhar o triste espetáculo que se apresentava no Cais do Valongo.

Illustríssimo Senhor Luiz da Cunha / Meu Marido Senhor Luis (Teodora da Cunha e Claro Antônio dos Santos, Brasil, 1866 / 1867)

As cartas da escrava africana Teodora, escritas pelo brasileiro também escravo, Claro Antônio dos Santos, foram descobertas no Arquivo Público do Estado de São Paulo. Ao complementar o serviço de carpinteiro com alguns vinténs advindos da sua habilidade com a escrita, Claro foi autor de inúmeras cartas enviadas como expressão da vontade de Teodora e de outros escravos analfabetos.

Lei Saraiva (Brasil, 1888)

Oficialmente, é o Decreto nº 3.029, que entrou em vigor dia 9 de janeiro de 1881, e teve como redator final o Deputado Geral Rui Barbosa. O decreto instituiu, pela primeira vez, o Título de Eleitor. Entre suas medidas excludentes, está a proibição do voto de analfabetos e de brasileiros que possuam renda inferior a 200$, com exceção dos que ocupam os cargos listados nos artículos da Lei. Além disso, impôs uma série de multas para quem descumprisse seus termos, impedindo definitivamente que as massas da população tivessem representação e voz política, inclusive as mulheres, para quem a lei conservou a inaptidão ao voto

Triste Fim de Policarpo Quaresma (Lima Barreto, Brasil, 1911)

Exceção, o trecho de Lima Barreto é único texto não originado diretamente de um documento. De onde mais, porém, teria saído Policarpo Quaresma, apaixonado pela Pátria, conhecedor dos rios, dos heróis do Brasil”, “das suas cousas de tupi”, das mutilações em todos os países históricos? O que nos resta depois de uma história impregnada nas raízes de um conservadorismo bastardo, do qual ainda dividimos as louças?

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Selvageria
Com Blackyva, Bruno Capão, Caco Ciocler, Crista Alfaiate, Danilo Grangheia, Georgette Fadel, Isabel Zuáa, Magali Biff, Arthur de Faria, Adolfo Almeida Jr., bella, Dhiego Andrade, Mariá Portugal e Thomas Rohrer
Sesc Vila Mariana (R. Pelotas, 141 – Vila Mariana, São Paulo)
Duração 180 minutos
03/11 até 17/12
Quinta, Sexta e Sábado – 20h, Domingo – 18h
$40
Classificação 16 anos

AYRTON SENNA, O MUSICAL (Rio de Janeiro)

A história do brasileiro Ayrton Senna, tri-campeão mundial de Fórmula 1, o levou a ser reconhecido como um dos maiores pilotos de todos os tempos, herói nacional e ídolo internacional. Mas é a essência da sua personalidade e caráter, com espírito guerreiro e de solidariedade, que estará nos palcos do espetáculo “Ayrton Senna, o musical“, que estreia no Teatro Riachuelo Rio, dia 10 de novembro. Nesta sexta, 03 de novembro, inicia a venda de ingressos para o espetáculo.

Não será um musical biográfico tradicional. A história está focada durante as cinco últimas voltas, antes do acidente fatal em Imola (Itália).  “A vida dele passará por sua cabeça em um turbilhão de imagens, fragmentos e sensações”, explica Renato Rocha, o diretor. “A proposta era inovar dentro da estrutura do teatro musical.

Produzido pela Aventura Entretenimento, em parceria com a família Senna e apresentado pelo Bradesco, “Ayrton Senna, o musical” é a vigésima quarta produção da Aventura, em nove anos de estrada, e um espetáculo diferente de tudo o que já foi criado pela produtora até o momento. “Para falar sobre Ayrton Senna temos que voar alto“, comenta Aniela Jordan, sócia-diretora da Aventura, ao lado de Fernando Campos, Luiz Calainho e Patrícia Telles.

Claudio Lins e Cristiano Gualda são a dupla que assinam o roteiro e as canções originais – compostas especialmente para o espetáculo. “É incrível contar a história de uma pessoa normal que virou um herói nacional. O país precisa de referências nesse momento“, diz Claudio Lins.  “Escrevemos a primeira canção e fomos apresentar à família Senna. Estávamos muito nervosos, pois ninguém tinha ouvido ainda e eles foram logo os primeiros. Foi um momento inesquecível, único, muito emocionante!“, comentou Gualda.

Para dar movimento e velocidade ao espetáculo, a direção fica por conta de Renato Rocha, diretor que desenvolveu carreira internacional por quase 10 anos, reconhecido por unir circo e teatro. “Não tem como fazer um espetáculo sobre Senna sem muita velocidade, sons e luzes. Teremos muitos números aéreos e pendulares“, comenta o diretor.

Vinte e quatro atores/cantores/bailarinos/acrobatas compõem o elenco formado após audição entre 100 pessoas. Hugo Bonemer (Hair, Yank!, Rock in Rio, o musical e A Lei do Amor) foi o ator escolhido para interpretar o Ayrton. “Foi a audição mais difícil que já fiz. Além da pressão do personagem, o teste foi com uma música autoral“, comentou Hugo. “Eu buscava um ator que me emocionasse e o Hugo me emocionou com o olhar. Me lembrou o olhar do Senna pelo capacete“, disse Renato Rocha, diretor da montagem.

O espetáculo tem um canal no youtube onde apresentará uma websérie sobre como foi feito o musical. No segundo episódio, ficamos sabendo sobre a direção musical, a criação sonora e os músicos.

Ayrton Senna, o musical” traz nomes de peso na equipe criativa, como Gringo Cardia no cenário e direção de arte, Dudu Bertholini assina os figurinos, a direção musical é de Felipe Habib, criação sonora de Daniel Castanheira, coreografia de Lavínia Bizzotto e visagismo de Anderson Montes.

O espetáculo tem patrocínio da Atlas Schindler, Riachuelo, Sem Parar, Volkswagen Financial Services, apoio da Alelo e White Martins, Avianca como transportadora oficial e Localiza Hertz como locadora de carros oficial.

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Ayrton Senna, o Musical
Com Hugo Bonemer, Victor Maia, João Vitor Silva, Lucas Vasconcelos, Pepê Santos, Will Anderson, Leonardo Senna, Adam Lee, Ivan Vellame, Kiko do Valle, Natasha Jascalevich, Estrela Blanco, Karine Barros, Lana Rhodes, Bruno Carneiro, Douglas Cantudo, Juliano Alvarenga, Marcella Collares, Marcelinton Lima, Olavo Rocha, Laura Braga, João Canedo, Gabriel Demartine e Paula Raia.
Teatro Riachuelo Rio (Rua do Passeio, 40 – Cinelândia – Rio de Janeiro/RJ)
Duração 140 minutos
10/11 até 04/02
Quinta e Sexta – 20h30, Sábado – 16h30 e 20h30, Domingo – 19h
$50/$150
Classificação Livre

 

 

 

TEMPO PRESENTE

Os arcos de Tomie Ohtake, inertes, parecem pedir por alguma ação. Em contato com um público disposto a experimentar e participar, a criação da consagrada artista transforma obra e espectadores em um único corpo, num único tempo. Os arcos assumem o movimento que já se pressentia em suas formas e realizam sua condição intrínseca e paradoxal de esculturas em constante transformação.

Esse convite à interatividade é justamente um dos objetivos de Amanda Dafoe e Rodrigo Villela, curadores de Tempo presente, mostra em cartaz no Espaço Cultural Porto Seguro de 1º de novembro a 17 de dezembro de 2017. Entrada gratuita.

As obras escolhidas têm em comum a capacidade de convidar o público para uma posição ativa, tanto física, quanto no plano reflexivo, quebrando assim a usual posição de uma contemplação passiva. Queremos estreitar a relação com o nosso visitante, compartilhar com ele esse momento, o nosso momento, ao qual todos de alguma forma pertencemos, transformando-o como parte desta atmosfera vibrante”, afirma Amanda.

Para a empreitada, sete artistas nacionais foram selecionados a expor suas instalações em diferentes ambientes. Os arcos de Tomie Ohtake dividem espaço com Espera, de Leandro Lima e Gisela Motta, no piso térreo. Ali, a videoinstalação usa dois bancos para projetar as sombras de um casal que nunca estará junto, mas que vive a expectativa do encontro. O rito se repete: ora é a sombra dele que vem, senta-se, espera, levanta e vai embora; ora é a dela que repete o mesmo percurso físico-afetivo. Evocativas, as sombras são verdadeiras presenças de uma ausência. Entre as inúmeras referências e camadas interpretativas, fazem lembrar um dos mitos ocidentais da origem do desenho, em que uma jovem apaixonada risca na parede o contorno da sombra projetada do amado que se preparava para ir à guerra. Os mesmos bancos também convidam o público a se sentar e contemplar a obra “de dentro”.

Na rampa de acesso ao mezanino, cuja parede de vidro se abre para a rua, na Alameda Nothmann, a artista Laura Vinci provoca: sua cortina de neblina No ar é um obstáculo? A nebulosidade da fumaça de glicerina em suspensão, imbuída de poética, também chama atenção para o entorno. E vice-versa:  a neblina, que ritmicamente preenche a rampa, pode ser igualmente vista do lado de fora, pelos que passam na rua, e simula a vivacidade de um Espaço Cultural que respira no coração de São Paulo. A fumaça estabelece também um ambiente com ausência de contraste, elemento crucial para a visão das formas e representação nas artes – a própria linha, algo a que estamos tão acostumados, é em si uma abstração humana do contraste que nos permite identificar o mundo ao redor. Ao mesmo tempo aponta para outro fator fundamental: a representação da luz e da atmosfera nela implicada, fazendo referência às camadas de subjetividade e afeto que atribuímos ao mundo e às obras de arte.

No andar de cima, a Rede Social, do Coletivo Opavivará estimula momentos de aproximação real entre os visitantes. Uma convidativa rede gigantesca, coletiva, espera que o espectador interaja com os demais, partilhando um espaço em que a luz natural reforça a sensação de conforto de varanda. Beirando a ironia, uma rede física, de pano, chama e interliga factualmente pessoas atualmente cada vez mais conectadas apenas pelas redes virtuais.

Da luminosidade das varandas para o subsolo, a série Sobre tesouros e outros domínios traz três obras de Nazareno, criadas sobre superfícies de cobre polidas ao ponto de se tornarem espelhos, instigando no interlocutor a reflexão, literalmente, sobre a ação do tempo. Evocando os antigos espelhos de cobre e bronze, as atuais selfies e o mito de Narciso, as obras instantaneamente fazem do espectador um participante, ao se ver refletido na obra. Os trabalhos, de caráter introspectivo, contam ainda com frases sobre passado e futuro, e precedem a instalação da paulistana Raquel Kogan.

A enorme caixa preenchida com pó de mármore lembra um tanque de areia de playground. Ao lado, pares de sapato estão disponíveis para o visitante deixar seu rastro na superfície de Volver. Nas solas, palavras imprimem textos no chão a cada passo, formando infinitas e espontâneas citações sobrepostas. Efêmeras, estampadas na areia e também coletivas, fazem referência à própria condição da linguagem e da comunicação, fatores tão humanos, que só existem a partir e por causa da convivência.

Na sequência, o Jardim Secreto, de Laura Belém, é uma experiência sensorial completa e levanta questões sobre deslocamento, tempo, cultura e memória. Os pés caminham sobre uma superfície de cascalho; as mãos tateiam e abrem caminho pelas fitas que descem do teto enquanto, ao fundo, vozes recitam trechos comentados de Tristes Trópicos, relato de viagem do antropólogo Claude Lévi-Strauss quando esteve no Brasil.

A exposição contará ainda com uma programação pública, com debates, oficinas e cursos ministrados pelos artistas, com a participação de críticos. Mais uma vez, o objetivo é possibilitar que o público interessado possa explorar transversalmente os temas relativos à exposição.

Parceria com o MuBE

A exposição Tempo presente ganha também extensão para além dos limites do Espaço Cultural Porto Seguro. Dois dos arcos de Tomie Ohtake estarão expostos nos jardins do Museu Brasileiro de Escultura e Ecologia (MuBE). A parceria integra o Portas Abertas,  programa do museu que nasce com o intuito de estreitar a relação da instituição com a paisagem do seu entorno e com os demais espaços culturais da cidade, promovendo o intercâmbio de experiências artísticas e a formação de redes colaborativas. Além do ECPS, a vizinha Fundação Ema Klabin também participa da iniciativa.

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Tempo presente
Espaço Cultural Porto Seguro (Alameda Barão de Piracicaba, 610. Campos Elíseos – São Paulo)
01/11 até 17/12
Segunda a Sábado – 10h às 19h, Domingo – 12h às 19h
Entrada Gratuita
Classificação Livre
 
Agendamento para visitas em grupo
educativo@espacoculturalportoseguro.com.br

 

VOX

Drama inédito da dramaturga Beatriz Carolina Gonçalves, o espetáculo VOX  está em cartaz na SALA EXPERIMENTAL DO TEATRO AUGUSTA. Com direção de Helio Cicero, a peça traz no elenco os atores Luiza Curvo, Fernanda Viacava, Fernando Trauer e Helio Cicero. O cineasta Cristiano Burlan assina as imagens em vídeo. O projeto tem apoio do ProAC ICMS, da Secretaria de Estado da Cultura.

A peça se passa em 1997, durante 24 horas, e se concentra na trajetória de Mariana (Luíza Curvo), uma mulher de trinta anos, que sofre de amnésia, e de sua irmã Martha (Fernanda Viacava). A ação se inicia quando Mariana recebe um estranho telefonema, que vai tirá-la da zona de conforto em que vive e obrigá-la a enfrentar seu passado, resgatando a história de seus pais e, por flutuação inevitável, a história do País.

A questão da memória e de sua contrapartida, o esquecimento, são pontos essenciais levantados pela encenação. Para Helio Cicero, diretor e personagem do espetáculo, VOX discute a necessidade de lutarmos contra nosso “esquecimento histórico”. “É preciso resgatar e discutir a história recente do País para que possamos nos vacinar contra os regimes ditatoriais, que anulam os direitos democráticos, tão duramente conquistados pelo povo brasileiro.

Segundo Beatriz Gonçalves, um dos objetivos do espetáculo também é o de propor uma reflexão sobre a tortura, praticada indiscriminadamente durante a ditadura militar e institucionalizada pelo do AI 5, cuja promulgação completa 50 anos em 2018. “Estamos vivendo um momento extremamente grave, onde a censura disfarçada de moralismo e de poder jurisdicional cancela exposições e apresentações de teatro; onde militares de alta patente defendem abertamente uma nova intervenção militar”, afirma Beatriz. “Nunca foi tão urgente e necessário refletir sobre a violência institucionalizada, que é o epicentro de qualquer regime autoritário, caso das ditaduras latino-americanas, cujo legado foram milhares de vítimas, entre mortos e desaparecidos.

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Vox
Com Luiza Curvo, Fernanda Viacava, Fernando Trauer e Helio Cicero
Teatro Augusta – Sala Experimental (Rua Augusta 943, Consolação, São Paulo)
Duração 60 minutos
19/10 até 15/12
Quarta e Quinta – 21h, Sexta – 21h30
$40
Classificação 14 anos

O BUDA QUEBRADO

O que se quebra é uma fatalidade. E o que se deixa quebrar?” Quando escreveu este questionamento na primeira versão do texto em formato de cena breve o autor Ed Anderson convidou o diretor e amigo Marcelo Costa para uma primeira leitura encenada no evento Satyrianas, em 2015, logo em seguida o texto foi ampliado e adotado para encenação pelo Coletivo Flama.

Marcelo Costa é um artista pernambucano radicado em São Paulo com passagens em produções adultas e infantojuvenis. O elenco é protagonizado por Priscila Scholz e Flavio Costa, atores casados há 20 anos, e que só agora realizam o desafio de dividir a cena em uma temporada teatral.

Depois da temporada do seu texto “Os Dois e Aquele Muro”, dirigido por Francisco Medeiros no ano passado, Ed Anderson se arrisca agora no universo de um buda em pedaços e um casal aparentemente tradicional, mas que é regido por inconstâncias de vontades em uma década que abarcou conflitos e rebeldias.

O percurso descrito pela obra se inicia num espaço privado e se transfere para uma dimensão coletiva, que por sua vez ganha nova e crescente dimensão íntima. O casal – HERMES e MATILDA – segue por caminhos arenosos para tratar de temas residentes no indizível – amor, liberdade, limites e censuras – ao eleger algumas possibilidades de trajetória onde não existem caminhos claros além de possíveis ramificações a serem compartilhadas junto a uma plateia intimista que possa se alimentar das questões propostas.

Para Marcelo Costa, “Apesar da ação cênica ocorrer na década de 70, o encontro entre estas duas pessoas está também associado ao mundo de hoje onde ocorre com muita frequência o território da disputa de poder. É cada vez mais comum vermos casais indiferentes ao que possam sentir um pelo outro e não recuperar a essência que os uniu. E isto parece hoje ser elemento presente na vida do homem em sociedade vigiada.

Assim também ocorre com HERMES e MATILDA, personagens criados por Ed Anderson. Segundo ele: “Um dos aspectos mais interessantes da peça é que, à medida que o jantar se desenrola, os dois não só veem diante de si os fragmentos do ‘buda’ que os separa e ao mesmo tempo os convida a um encontro, como também experimentam um momento propício para que se revelem diante de si próprios e do outro, sem espelhos.

O BUDA QUEBRADO – Exercício nº 01 é uma tragicomédia que mescla de maneira intrigante humor, lirismo e drama, numa sucessão de cenas com variadas pulsações.

A iluminação de Fê Guedella sugere a passagem da atmosfera cheia de sombras, reflexos e transparências, típicas da noite e do universo das aparências;

De uma certa maneira esta é também a opção do cenário de Paola Ribeiro, um espaço versátil, móvel, e de grande agilidade que se modifica a partir da ação dos personagens: uma mesa desmembrada como os pensamentos do casal;

O figurino de Murilo Carvalho busca dialogar entre formas e cores a época e a personalidade dúbia dos personagens.

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O Buda Quebrado
Com Flávio Costa e Priscila Scholz. Voz em Off: João Acaiabe
Oficina Cultural Oswald de Andrade (Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro, São Paulo)
Duração 50 minutos
26/10 até 18/11
Quinta, Sexta e Sábado – 20h
Entrada Gratuita
Classificação 14 anos

 

GRAÇA

Indicado o “VI Premio Aplauso Brasil” nas categorias Melhor Atriz, Eloisa Vitz, Melhor Ator, Daniel Gonzales, Melhor Atriz coadjuvante, Miriam Jardim  e melhor Ator Coadjuvante, Darson Ribeiro pela montagem de “A Falecida”, de Nelson Rodrigues,  e destaque do “Blog do Arcanjo” como “Melhor Projeto pela Formação de Plateia”, ambos no  1º semestre de 2017, o Grupo Gattu volta em cartaz para comemorar os 17 anos do grupo. 

Seguindo nossa pesquisa filosófica, depois do “Amor” veio a “Fortuna” e agora é a vez da “GRAÇA”, um tema instigante e cheio de significados, como o engraçado, o sublime, o divino, o que é absurdo, o sutil, o delicado, o gracioso e até o gratuito. A “Graça” é de graça”, fala Eloisa Vitz que assina  o texto e a direção do espetáculo, assim como nas outras montagens.

Cheio de humor, “GRAÇA” é um espetáculo instigante e poético,  que flerta com o Teatro do Absurdo. A peça conta a divertida história dos moradores de uma pacata cidade do interior que veem suas vidas mudarem com a chegada de uma palestra da cidade grande que questiona: afinal de contas o que é a Graça? 

“GRAÇA” estreia no dia 07 de novembro, às 20h, no Teatro do Sol, em Santana. As apresentações acontecem até 17 de dezembro, de terça a sexta às 20h, sábados às 21h e domingos às 19h, com entrada franca.

A “GRAÇA” é instigante e cheia de significados. Assim como Aristóteles, acreditamos que a felicidade está no caminho e nas pequenas coisas. Nós amamos o público e se alcançarmos, de alguma forma, seus corações teremos sido grandemente agraciados”, deseja Eloisa Vitz sobre o oitavo texto assinado e dirigido por ela para o Grupo Gattu.

 

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Graça
Com Miriam Jardim, Daniel Gonzales, Laura Vidotto, Mariana Fidelis, Lilian Peres, Rodrigo Vicenzo e Jailton Nunes.
Teatro do Sol (Rua Damiana da Cunha, 413 – Santana, São Paulo)
Duração 60 minutos
07/11 até 17/12
Terça, Quarta, Quinta, Sexta – 20h, Sábado – 21h, Domingo – 19h
Entrada Gratuita
Classificação 14 anos