PEQUENA LADAINHA ANTI–DRAMÁTICA PARA A REUNIÃO DE EMERGÊNCIA DOS CATEDRÁTICOS DO INSTITUTO FEITOSA BULHÕES A EXCELÊNCIA DO ENSINO EM MAIS DE CINCO DÉCADAS DE FUNCIONAMENTO

O espetáculo se inicia com três senhoras, que são membros titulares do corpo administrativo do Instituto Feitosa Bulhões, em um encontro de emergência com o professor Adalberto Prachedes, que acaba de ser acusado formalmente pela secretaria de educação do município, por comportamento inadequado em sala de aula. Seu erro, aparentemente, fora tamborilar os dedos inadvertidamente nas costas da aluna Ludmilla Stefanno em uma inspeção de rotina durante uma prova semestral.

A Dra Neusa, a diretora do Instituto Feitosa Bulhões, Dona Soraia,  secretária pedagógica e Dona Eneida, auxiliar para assuntos administrativos, se reúnem ao redor da grande mesa com o referido acusado para tratar das razões que levaram a situação àquele limite.

O ponto de partida é a incapacidade de fugirmos às repetições como princípio das investidas humanas. Palavras e gestos encrencam mutuamente numa espiral de células rítmicas e sonoras bastante emblemáticas de uma encruzilhada que é típica do nosso tempo: a velocidade da informação em parceria com uma sensação de vazio gerada justamente pelo aceleramento do tempo e do espaço”, descreve Chico Carvalho.

Como resultado, as ideias também naufragam. É um cenário Beckettiano com pitadas de Kafka e Thomas Bernhard, todos poetas que escancaram a difícil tarefa que é movimentar-se em um contexto pegajoso de regras, burocracias, retóricas e asfixiamentos variados.

Sobre a encenação

O cenário da ação, criado por Júlia Armentano e Maíra Benedetto, é, essencialmente, uma grande mesa, objeto que, já de início, nos incita à tarefa de tagarelar em parceria com outros, todos devidamente sentados em cadeiras igualmente aprisionadoras de qualquer espírito adepto de alguma liberdade.  A luz e o som, ao invés de pontuar ou sublinhar o que as palavras dos atores ecoam, agem como interferências decisivas no andamento dos diálogos, ora direcionando a ação para determinado lado, ora interrompendo o fluxo ininterrupto de verbos trocados.

Os figurinos de Marichilene Artisevskis sugerem um atraso no tempo, uma sensação de emboloramento da vida que insiste em tropeçar e nunca empreender avanço. Se houvesse uma cor que tingisse uma película entre palco e plateia, seria a sépia. Há qualquer coisa de cansaço misturado ao desejo de resolver os problemas apresentados pelo mundo.

A contradição é justamente essa: de um lado um tédio monumental, do outro uma prontidão absoluta para dançar a música.

A tentativa de comunicação com a plateia é uma empreitada de semelhante ousadia, afinal de contas, nessa altura do campeonato, será que há alguma coisa importante a ser transmitida ou compartilhada? Qual é o papel do teatro dentro desse contexto premente de esquizofrenias? O palco aparece não como solução de nada, senão como espelho do gigantesco descompasso rítmico a que chegamos, seja para impedir-nos de organizar ideias, ou mesmo para fazer delas uma chama potente de algo ainda sem direção definida.” Completa o diretor.

Voltado para um público a partir de 12 anos, o espetáculo Pequena Ladainha Anti-Dramática para a reunião de emergência dos catedráticos do Instituto Feitosa Bulhões, a excelência do ensino em mais de cinco décadas de funcionamento dialoga com todos os interessados independente de gênero, classe social, perfil cultural, formação e hábitos.

SINOPSE

O corpo administrativo do Instituto Feitosa Bulhões convoca um encontro de emergência com o professor Adalberto Prachedes que acaba de ser acusado formalmente pela Secretaria de Ensino do município por comportamento inadequado em sala de aula. Seu erro, aparentemente, fora tamborilar os dedos inadvertidamente nas costas da aluna Ludmilla Stefanno durante uma inspeção de rotina durante uma prova semestral.  Dra Neusa, diretora do Educandário Feitosa Bulhões, Dona Soraia, secretária pedagógica e Dona Eneida, auxiliar para assuntos administrativos, se reúnem ao redor da grande mesa com o referido acusado para tratar das razões que levaram a situação daquele limite.

CARMEN (6)

PEQUENA LADAINHA ANTI–DRAMÁTICA PARA A REUNIÃO DE EMERGÊNCIA DOS CATEDRÁTICOS DO INSTITUTO FEITOSA BULHÕES A EXCELÊNCIA DO ENSINO EM MAIS DE CINCO DÉCADAS DE FUNCIONAMENTO

Com Ana Junqueira, André Hendges, Dani Theller e Sarah Moreira

Sesc Pompéia – Espaço Cênico (R. Clélia, 93 – Água Branca, São Paulo)

Duração 60 minutos

13/09 até 06/10

Quinta, Sexta, Sábado – 21h3, Domingo e Feriado – 18h30

$20

Classificação 16 anos

CONTOS DE BARBAS

Colocando personagens do mundo encantado das fábulas infantis dentro de um contexto adulto, a comédia Contos de Barbas estreia na quinta-feira, 6 de setembro, às 21h, no Teatro Itália. A montagem tem texto de Tiago Luchi e conta com direção de Eduardo Martini. A temporada é sempre quintas e sextas, às 21h, até 16 de novembro.

A peça traz os personagens dos contos de fadas para o universo adulto sem perder as características originais que estão no imaginário do público, além é claro, de divertir os espectadores com um texto inédito, onde as personagens femininas são interpretadas por atores do sexo masculino.

A trama trata dos conflitos de quatro princesas que depois do fracasso em seus casamentos, se veem obrigadas a dividir uma taberna até encontrar um novo amor. A história ganha ritmo de suspense quando outras princesas começam a desaparecer misteriosamente. Todos os hóspedes da taberna são suspeitos.

Com um humor inteligente e divertido, mostramos a força da mulher, sob o olhar do homem, onde para ser princesa é preciso matar um dragão por dia. É uma peça que lida com a questão da autoestima, com temas e um universo que a maioria tem uma ligação, uma identidade. É uma síntese desse mundo das aparências das redes sociais, onde o ter é mais importante que o ser”, conta o diretor.

O projeto tem texto inédito, cheio de mistério e suspense de maneira divertida. A trilha cantada mostra novas versões de clássicos que farão a plateia dar muitas risadas. Figurino e cenários ganham uma releitura para ambientação de todo o universo.

Para Martini, a comedia é um excelente caminho para fazerem as pessoas se movimentarem e se divertirem em um dos momentos mais desgastados, como o que se vive atualmente.

CARMEN

Contos de Barbas

Com Raphael Gama, Du Kammargo, Ailton Guedes, Bruno Fadeli, Eduardo Martini e Markinhos Moura

Teatro Itália (Av. Ipiranga, 344 – República, São Paulo)

Duração 80 minutos

06/09 até 16/11

Quinta e Sexta – 21h

$50

Classificação 12 anos

TEATRO PARA QUEM NÃO GOSTA

O teatro morreu. Como? Por quê?

Nessa ágil e divertida comédia, dois personagens resolvem solucionar esse mistério e, para isso, reproduzem em breves e hilárias cenas toda a história do teatro, da Grécia antiga à atualidade.

Marcelo Médici, já conhecido e premiado por interpretar diversos e hilários personagens, dessa vez se desdobra em mais 20 papéis. Ao lado de Ricardo Rathsam interpretando outros 12 personagens. A dupla (que já esteve em outras comédias de sucesso como Cada Um Com Seus Pobrema e Eu Era Tudo Pra Ela E Ela Me Deixou) comanda essa história encenando em 90 minutos várias peças como Romeu e Julieta, O Doente Imaginário, Édipo Rei, A Pequena Sereia, passando pelo teatro de revista, do absurdo, musical e muito mais.

Médici começou sua história com o teatro em 1988, num curso profissionalizante, do diretor Antunes Filho. A partir de então participou de dramas, comédias, musicais, séries, filmes, novelas, sitcom e recebeu diversos prêmios por sua atuação. O ator conta que essa peça é uma declaração de amor ao teatro, nesses tempos difíceis. “Estamos vivendo um momento esquisito, com crise econômica, transição de mídias e a internet como forte concorrente. Mas o teatro nunca é igual e não vai morrer. Ele é um sobrevivente e se reinventa. Achei interessante repassar os clássicos numa só peça. Estou sempre em busca do humor e da comédia. Resolvi então fazer essa declaração de amor, contando a história do teatro de forma divertida,” explica ele.

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Teatro Para Quem Não Gosta

Com Marcelo Médici e Ricardo Rathsam

Teatro FAAP (R. Alagoas, 903 – Higienópolis, São Paulo)

Duração 90 minutos

23/08 até 27/09

Quinta – 21h

$90

Classificação 14 anos

SENHORA X, SENHORITA Y

Tendo como ponto de partida o texto A mais Forte, de August Strindberg, o espetáculo Senhora X, Senhorita Y estreia dia 6 de setembro, quinta-feira, às 20 horas na Oficina Oswald de Andrade e se debruça sobre alguns dos papéis que a mulher desempenha na sociedade contemporânea.

Com direção geral e dramaturgia de Silvana Garcia e interpretação das atrizes Ana Paula Lopez, Sol Faganello e a performer sonora Camila Couto, que assinam o texto com a encenadora, Senhora X, Senhorita Y é o embate entre duas mulheres, duas atrizes que se enfrentam, se acolhem, se estranham, tendo como enredo as questões que conformam e definem a mulher nos dias de hoje. A peça investiga aspectos muitas vezes contraditórios de inserção social e política feminina, de seus investimentos afetivos e dos agenciamentos simbólicos que a cercam. O foco é a construção do feminino do modo como ele se revela por meio da relação entre mulheres.

Sinopse

Senhora X e Senhorita Y encontram-se em uma casa de chá e entram em conflito ao confrontarem suas vidas. Esse encontro se repete, com variações de humor e grotesco, em outros tempos e em outras circunstâncias, revelando novas possibilidades de compreensão do lugar que cada uma ocupa em relação à outra e em relação à sociedade. A dominante é o humor, o rir de si mesmas, o que, no entanto, não impede que venham à tona os aspectos problemáticos da feminidade e do feminismo. Da competição entre as mulheres à violência doméstica e à orientação de gênero, os temas contemporâneos da experiência de ser mulher atravessam as relações entre as duas atrizes em cena. Não há moldura temporal, nem personagens fixas: no jogo permanente que mantêm entre si, elas estão o tempo todo em movimento, intercambiando papéis, entrando e saindo do jogo, brincando com a plateia, voltando ao texto que deu origem ao espetáculo.

Sobre a peça

A ideia de Senhora X, Senhorita Y nasceu de um estudo sobre A mais forte, de Strindberg. Nessa peça, datada de 1889, o autor sueco dispõe frente à frente uma mulher e sua rival, e faz sucederem temas que as dispõem em lados opostos, acentuando o contraste entre a vida de uma e de outra. Embora seja um monólogo, Strindberg estrutura as falas da Senhora X com maestria tal que podemos “escutar” os argumentos de sua contraparte. Quisemos tornar audível essa contraparte, fazendo falar a Senhorita Y, dando-lhe status de co-protagonista. A partir daí, a sequência de imagens e motivos se sucederam com facilidade.  É o jogo entre as personagens e alguns dos temas de A mais forte que, atualizados, constituem Senhora X, Senhorita Y. Não se trata da peça de Strindberg, mas de uma paráfrase dela. A situação é similar, um possível mesmo cenário, mas, desta vez, as duas figuras debatem, se relacionam, ora são cúmplices, ora se provocam mutuamente, falam delas na intimidade, mas também delas no mundo.

O processo de criação da peça valoriza as criações das atrizes, e partes do texto final ainda preservam improvisos verbais, afiados nos jogos de espelhamento, repetições e precipitações de fala. Nesse sentido, Senhora X, Senhorita Y é um trabalho que exige das atrizes requinte e precisão de desempenho, ao que elas correspondem com a maturidade de intérpretes experientes. Também a serviço do jogo das atrizes, a trilha propõe a investigação de possibilidades sonoras e performáticas a partir da utilização e ressignificação de objetos socialmente relacionados à mulher, elementos que serão explorados ao vivo em cena para a construção das sonoridades.

CARMEN

Senhora X, Senhorita Y

Com Ana Paula Lopez, Sol Faganello e Camila Couto

Oficina Cultural Oswald de Andrade – sala 07 (Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro, São Paulo)

Duração  70 minutos

06 a 29/09

Quinta e Sexta – 20h, Sábado – 18h (exceto feriado: dia 7/9 – sexta-feira – 18h)

Entrada Gratuita (ingressos distribuídos com 1 hora de antecedência)

Classificação 14 anos

FRED & JACK

Fred & Jack de Alberto Santoz é o novo trabalho da Cia NPC-ARTES que estreia na quarta-feira 05 de setembro às 20h30 no Teatro de Arena Eugênio Kusnet.
No elenco Arnaldo D’Ávila e Jedsom Kárta que interpretam dois homens que sempre se encontram no mesmo local e conversam, de forma bem humorada, sobre a existência e o meio no qual estão inseridos. Os assuntos são desenvolvidos até o seu limite, no entanto não especificam propriamente o que está sendo comentado, o que deixa para o público uma infinidade de entendimentos possíveis, cada expectador terá uma experiência diferente com o espetáculo e este é objetivo. A peça também brinca o tempo todo com real e o imaginário.  “Esta ambiguidade constante proposta, tanto no texto, quanto na encenação confunde personagens com interpretes, o que deixa o exercício de interpretação extremamente prazeroso.” pontua o ator Arnaldo D’Ávila.
A montagem da peça desenvolveu-se através de pesquisa e tem inspirações no expressionismo alemão e no universo Beckettiano. O autor Alberto Santoz cuidou de todos os detalhes da encenação, além da direção desenvolveu a cenografia, figurino, trilha e iluminação.
Fred & Jack é encenada no estilo do teatro absurdo e com conteúdo filosófico. O texto faz parte de uma fase de Alberto Santoz que teve forte influência de Samuel Beckett, este texto foi escrito nos anos 80, onde ele buscou abordar o humano em sua essência, traduzindo para o texto todas as inconformidades do ser humano contemporâneo e que vem se repetindo há vários séculos, o que dá ao texto uma atemporalidade, esta é outra preocupação do autor, não situar as personagens em nenhuma época, para justamente não deixar sua obra datada, podemos afirmar que esta é uma das principais características do autor.
A representação está calcada principalmente no rigor em dizer o texto, como se fosse uma partitura musical, que reflete-se no corpo dos atores através de movimentos coreografados. As personagens são patéticas, rabugentas, às vezes, mas engraçadas sempre.
O mundo contemporâneo está desencantado, em todos os sentidos, parece que cada vez mais o ser humano involui, são preconceitos, ideias retrógradas, falsas morais e intolerâncias das mais variadas. Apesar das personagens estarem em contexto não realista, elas discutem sobre essa condição humana. Até que ponto somos capazes de aceitar o outro e conviver harmoniosamente com o diferente? É possível promover a paz através de nossas pequenas atitudes no convívio diário com aqueles que nos rodeiam? É possível manter um dialogo saudável, sem que precisemos nos matar ou excluir nossos amigos e parentes das nossas redes? A polarização de ideias contrárias estimula a discussão e o aprendizado, precisamos realmente uns dos outros para existirmos? O autor deixa o convite ao público para assistir Fred & Jack, refletir e tentar responder estas e outras perguntas. “Não tiramos nenhuma conclusão, muito pelo contrário, temos apenas indagações, nessa peça que eu chamo de: um ato irreprimível.” afirma Alberto Santoz.
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Fred & Jack
Com Arnaldo D’Ávila e Jedsom Kárta
Teatro de Arena Eugênio Kusnet (Rua Dr. Teodoro Baima, 94 – Vila Buarque, São Paulo)
Duração 60 minutos
05 a 28/09
Quarta, Quinta e Sexta – 20h30
$20 (somente em dinheiro)
Classificação 12 anos

REFÚGIO – O MUSICAL

O espetáculo fez sua primeira temporada nos anos de 2016 e 2017 e teve retorno bastante positivo do público. Com texto autoral e músicas originais executadas ao vivo, Refúgio – O Musical conta com 8 atores e 4 músicos (piano, violino e violoncelo).

Através do cotidiano, sonhos, anseios, angústias e dificuldades de um jovem, são abordados temas pertinentes a toda sociedade como: relacionamentos, família, educação, profissão e amor. Apesar da dramaticidade, o espetáculo é leve e bem-humorado. Momentos de sensualidade estão presentes e são tratados com naturalidade e sofisticação (não há cenas de nudez explícita no espetáculo).

SINOPSE

Lucas é um rapaz obrigado a abandonar seus sonhos de estudar numa escola de artes para poder sustentar a casa, ajudar sua mãe Joyce, cuidar da sua irmã mais nova e do pai alcoólatra, trabalhando num emprego sem perspectiva alguma. Em horas livres, Lucas sai com seu melhor amigo Júnior que mora em uma parte nobre da cidade. Quando Max, irmão mais velho de Júnior, volta pra casa após uma grande desilusão, acaba encontrando Lucas e logo se interessa por seus talentos. Os dois se apaixonam perdidamente, mas Lucas não entende os próprios sentimentos e entra em confronto com suas convicções e suas emoções.

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Refúgio – o Musical

Com Fabio Fernandes, Felipe Freitas, Fernanda Goulart, Fernando Marianno, Henrique Hadachi, Júlia Bach, Luma Gouveia, Maitê Cunha e Camila Fernanda Marques

Teatro Ruth Escobar – Sala Dina Sfat (Rua dos Ingleses, 209 – Bela Vista, São Paulo)

Duração 90 minutos

13/09 até 04/10

Quinta – 21h30

$50

Classificação 16 anos

 

CARMEN

Sucesso absoluto de público e crítica em São Paulo, Carmen, com direção de Nelson Baskerville, desembarca no Rio de Janeiro para uma temporada no Teatro Poeiraentre os dias 13 de setembro e 28 de outubro, com sessões às quintas, sextas e sábados às 21h00; e aos domingos, às 19h. Na capital paulista, o espetáculo teve temporadas nos teatros Aliança Francesa, Auditório MASP e Tucarena. A peça tem texto de Luiz Farina e elenco formado por Natalia Gonsales, Flávio Tolezani e Vitor Vieira.

Palavras do diretor Nelson Baskerville

Uma história contada e recontada nas mais variadas formas e gêneros. Carmen surgiu como romance em 1845 e já foi filme, ópera e novela nas mãos de grandes mestres. Um clássico. A pergunta recorrente que todos se fazem ao remontar a peça é: por que fazê-la? Para mim, porque pessoas continuam morrendo por isso e precisamos recontar a história até que não sobre nenhuma gota de dor.

Na atual encenação elementos clássicos como a dança flamenca, os costumes ciganos, a tauromaquia, entre outros, são ressignificados ao som de guitarras distorcidas, microfones e coreografias para que não reste dúvida de que estamos repetindo histórias tristes de amor, de paixões destruidoras.

O ponto de vista que nos interessa é o de Carmen, a mulher assassinada, dentro de uma sociedade que pouco mudou de comportamento ao longo dos séculos, que aceitou brandamente crimes famosos cometidos contra mulheres como os de Doca Street, Lindomar Castilho e mais recentemente de Bruno, o goleiro. Crimes muitas vezes justificados pela população pelo comportamento lascivo das vítimas, como se isso não fosse aceito em situações invertidas relativas ao comportamento masculino. O homem pode. A mulher não. Nessa encenação Carmen morre não porque seu comportamento justifique qualquer tipo de punição, mas porque José é um homem, como tanto outros, doente como a sociedade que o criou

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Carmen

Com Natalia Gonsales, Flávio Tolezani e Vitor Vieira

Teatro Poeira (Rua São João Batista, 104, Botafogo – Rio de Janeiro)

Duração 70 minutos

13/09 até 28/10

Quinta, Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h

$60

Classificação 14 anos