AQUILO QUE ACONTECE ENTRE NASCER E MORRER

Diante da vida, como lidar com a morte? Diante da morte, como lidar com a vida? Partindo destas questões, surgidas a partir da morte trágica de seus pais num acidente de trânsito, que o diretor e ator Fabricio Moser iniciou uma pesquisa artística que resultou no espetáculo “Aquilo que acontece entre nascer e morrer” que, após uma temporada de sucesso, volta em cartaz de 7 a 29 de março na Casa 136, em Laranjeiras.

A dramaturgia da peça toma como parâmetros dramáticos os verbos nascer e morrer, com base nas experiências autobiográficas do artista e do público. Com uma atmosfera artesanal, Fabricio articula todos os elementos da encenação — luz, som e projeção — e convida o público a conhecer sua história como se estivesse na sala de casa, entre abajures, caixas com objetos pessoais e os quadros que ele pinta. Para conduzir a narrativa documental, a atuação aposta no cruzamento de diferentes linguagens artísticas, transitando entre a performance, a contação de histórias, a dança e o audiovisual. O trabalho é fruto do encontro do ator e diretor com artistas de diversas áreas, como Cassiana Lima Cardoso, Gabriel Morais, Gabriela Lírio, Ricardo Martins, Silvana Rocco e Tato Teixeira.

Em determinados momentos da peça, motivada pelas questões que sustentam o espetáculo, a plateia é convidada a dividir suas experiências. Em cena, Fabricio coloca no horizonte da criação artística as vozes do passado, do presente e do futuro, entre memórias e variados documentos. Artista e plateia são confrontados a buscar, por meio do teatro, a força dramática da vida numa tentativa de assegurar um sentido à jornada humana.

Acredito que o teatro é um espaço onde podemos transformar nossos dramas pessoais em experiências coletivas de aprendizado e assim descobrir, através dele e a cada novo encontro entre artista e público, um pouco mais sobre a natureza e o sentido da vida, com toda a poesia e toda a crueldade que ela tem”, analisa Fabricio. “A cena, o instante que nos é dado de presente através do encontro proporcionado pelo teatro se torna, então, um espaço fértil para evocar o passado e fortalecer a nossa caminhada em direção ao futuro”, acredita.

Cada apresentação de “Aquilo que acontece entre nascer e morrer” provoca no público uma sensação particular e, com isso, uma resposta diferente às perguntas colocadas pela peça. Para o artista, o teatro existe por meio desse risco e das relações de troca: ele nasce da presença e sobrevive através do encontro, da interação e do conhecimento que pode ser adquirido com ele.

Se morrer e nascer são os verbos que delimitam aquilo que entendemos por vida e a vida é uma sucessão de nascimentos e mortes, o teatro, que nasce e morre diante dos nossos olhos a cada vez que acontece, pode ser compreendido como um grande ritual de passagem, em que viver pode ser um limite”, acredita. “O desejo é proporcionar um espaço de experiência significativa tanto para o público quanto para mim. Essa me parece a melhor forma de aprender sobre a vida – e investigar o sentido dela, no teatro, é uma inclinação dos meus trabalhos artísticos”, defende.

FACE

Aquilo que acontece entre nascer e morrer

Com Fabrício Moser

Casa 136 (Rua Ipiranga 136, Laranjeiras – Rio de Janeiro)

Duração 60 minutos

07 a 29/03

Sábado e Domingo – 20h

$ Contribuição Voluntária

Classificação 16 anos

O MENINO DAS MARCHINHAS – BRAGUINHA PARA CRIANÇAS

Sucesso de público e de crítica, o musical infantil O Menino das Marchinhas – Braguinha para Crianças volta ao cartaz, no dia 07 de março, para quatro apresentações no Teatro Clara Nunes, no Shopping da Gávea, esticando o Carnaval por mais duas semanas. O espetáculo faz parte do projeto ‘Grandes Músicos para Pequenos’, criado pela produtora Entre Entretenimento com o objetivo de levar para os palcos nomes importantes da cultura brasileira em montagens que mesclam biografia e canções do artista escolhido. Fazem parte do projeto também “Raulzito Beleza”, “Bituca”, “Tropicalinha” e “Luiz e Nazinha”.

Grandes sucessos como “Balancê”, “Cantores do Rádio”, “Pirulito que bate bate”, “Carinhoso”, “Chiquita Bacana”, “Pirata da Perna de Pau”, “Tem Gato na Tuba”, “Yes, nós temos bananas” transportam o público aos divertidos carnavais de rua da década de 20. O resultado é um programa que agrada a toda a família. “Durante as temporadas anteriores, era comum vermos avós e netos numa sessão e aquela mesma avó em outra sessão sem os netos, mas com as amigas”, conta o diretor do espetáculo Diego Morais. “Nossa ideia é criar espetáculos com conteúdo atraente para as famílias, para aproximar as gerações”, destaca Pedro Henrique Lopes, autor do texto e ator do musical.

A peça conta a história de Carlinhos, um garoto que ouvia música em todo lugar por onde passava. A avó dele, pianista clássica, sempre estimulava a musicalidade do menino, mas o pai era contra. Carlinhos se junta a alguns amigos de escola e começa a criar belas canções de Carnaval. De forma engraçada e emocionante, O Menino das Marchinhas – Braguinha para Crianças trata de temas como o valor da família, da amizade e das relações humanas, a perseverança na busca por um sonho, a criatividade e a cooperação artística entre as crianças.

O Menino das Marchinhas – Braguinha para Crianças

Com Pedro Henrique Lopes, Erika Riba, Augusto Volcato, Jean Pontes e Beto Vandesteen

Teatro Clara Nunes – Shopping da Gávea (Rua Marques de São Vicente, 52 – Gávea – Rio de Janeiro)

Duração 50 minutos

07 a 15/03

Sábado e Domingo – 16h

$70

Classificação Livre

O MEU SANGUE FERVE POR VOCÊ

Embalado por clássicos do cancioneiro brega, como “Alma Gêmea”, “Sandra Rosa Madalena”, “Garçom”, “Escrito nas Estrelas”,  “Você Não Vale Nada, Mas Eu Gosto De Você” e “Evidências”, o espirituoso espetáculo O Meu Sangue Ferve Por Você faz turnê comemorativa de seus 10 anos de vida, a partir do dia 28 de fevereiro, no Teatro Clara Nunes, no Shopping da Gávea. Com roteiro de Pedro Henrique Lopes, direção de Diego Morais e direção musical de Tony Lucchesi, a comédia conquistou público e crítica, e lotou os teatros por onde passou, ao contar a história de um quadrilátero amoroso que vive intensamente as alegrias e as dores do amor.

Em cena, os atores Ana Baird, Cristiana Pompeo, Pedro Henrique Lopes e Victor Maia (os mesmos da montagem original) dão vida a quatro personagens: a mocinha virgem, o canalha, a mulher da vida e o bom moço rejeitado, que cantam as alegrias e dores de viver um amor intensamente. Com o espírito das grandes chanchadas, a trama acompanha a inocente Creuza Paula e o cafajeste Elivandro, que vivem uma relação tranquila até a chegada do ex-namorado da moça, Fernando Sidnelson, que vai se meter na vida do casal. A amante de Elivandro, Sandra Rosa Madalena, completa o quarteto que vai passar por momentos românticos, desentendimentos e reconciliações. Uma mistura que faz o público torcer pelo canalha, ter raiva da mocinha e chorar de rir do início ao fim.

Na montagem comemorativa, o repertório, que tem acompanhamento de músicos em cena, foi atualizado pelo autor Pedro Henrique Lopes, colocando outros sucessos consagrados e, também, músicas mais atuais. “A gente tentava brincar só com as músicas do passado, mas as pessoas não se cansam de sofrer por amor e cantar sobre isso, então tivemos que atualizar o roteiro. E tem coisa mais brega e mais atual que dor de cotovelo?”, questiona.

FACE

O Meu Sangue Ferve por Você

Com  Ana Baird, Cristiana Pompeo, Pedro Henrique Lopes e Victor Maia

Teatro Clara Nunes (Rua Marques de São Vicente, 52 – Gávea, Rio de Janeiro)

Duração 80 minutos

28/02 a 22/03

Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 20h

$70/$80

Classificação Livre

OS ÚNICOS

Depois de uma temporada bem sucedida no SESC Tijuca, a atriz e roteirista Lucília de Assis (indicada ao Prêmio Shell de Melhor Dramaturgia por “Não peça”) e o ator, músico e artista visual Alexandre Dacosta apresentam o espetáculo “Os únicos” nas terças-feiras de março (de 3 a 31, às 19h), no Teatro Prudential.

Em cena, eles são pesquisadores eruditos, especialistas no fenômeno musical fabricado Claymara Borges & Heurico Fidélis, dupla de cantores fakes consagrados que foi sensação na primeira metade dos anos 90. Numa conferência, eles se apropriam da trajetória dos artistas para elaborarem uma crítica à fabricação de mitos. A partir de músicas, imagens, gravações e recortes de jornais que comprovam a carreira da dupla, os palestrantes levantam a questão sobre o que significa existir no mundo contemporâneo. A direção é de Dadado (Fabiano de Freitas, indicado aos prêmios APTR e Cesgranrio de Melhor Direção por “3 maneiras de tocar no assunto”) e a direção de produção é de Maria Siman.

Claymara Borges & Heurico Fidelis são uma sátira ao sucesso convencional que muitos perseguem. Aquelas armações que mal aparecem no mercado e já recebem tratamento de artistas consagrados”, lembra Lucília de Assis. “Já ‘Os Únicos’ são fãs da dupla. Eles se interessam pela farsa, pela vida como invenção e como obra de arte”, explica. “A ideia é falar sobre a criação do casal performático, uma camada a mais para filosofar sobre a existência. Sendo pensadores, ‘Os Únicos’ podem explorar outros campos”, completa Alexandre Dacosta.

Diretor do espetáculo, Dadado considera Claymara e Heurico um programa performático sofisticadíssimo, que desestabiliza a ideia de verdade, tão importante de pensarmos em tempos de fake news, dos mitos fabricados e sua chegada ao poder. “Reinventamos os mitos, a dupla sucesso, pegando emprestado a palestra como linguagem, mas sem abrir mão do teatro e da sua potência de inventar mundos. E o humor torna isso ainda mais forte e comunicativo”, conta.

CLAYMARA BORGES & HEURICO FIDELIS

Entre 1991 a 1996, Lucília de Assis e Alexandre Dacosta encarnaram a dupla de cantores e compositores famosos e premiados Claymara Borges & Heurico Fidelis, uma metalinguagem que discute as engrenagens comerciais fabricantes de falsas celebridades.

Os personagens fictícios, que surgiram já como estrelas de renome, com diversos hits nas paradas de sucesso, foram figurinhas fáceis nos circuitos artísticos do Rio de Janeiro e de São Paulo, parodiando os clichês de fama. Com seus figurinos e acessórios kitsch, Claymara e Heurico tocaram seu repertório irônico (que passeia do bolero ao samba-canção, passando pelo xote e pela guarânia), com letras românticas e melodias bem trabalhadas, e performaram em diversos contextos midiáticos, conquistando inúmeros fãs.

A repercussão foi tanta que Claymara e Heurico que participaram (de verdade!) de inúmeros programas de televisão como Jô Soares Onze e Meia (SBT), Programa Ronnie Von (TV Gazeta e CNT), Vídeo Show (Rede TV), Xou da Xuxa (Rede Globo), Clodovil Abre o Jogo (TV Gazeta e CNT), entre outros.

“A dupla foi criada para ser um sucesso real, ainda que fabricado. A ideia era ironizar os mecanismos comerciais que fabricam sucessos do dia para a noite”, explica Alexandre Dacosta. “Assim forjamos o próprio sucesso, com direito a disco de ouro falso, glamur e tudo mais. Inventamos dois personagens, demos biografias a eles e compusemos mais de 60 músicas dentro do universo de Claymara Borges & Heurico Fidélis”, lembra.

Uma das performances mais memoráveis foi no prêmio Sharp da música, em 1993, em que chegaram numa Mercedes branca com motorista e seguranças, repórter, câmera de TV e iluminador. Tudo fake para alimentar o conceito da dupla. O repórter Bermuda Bastos, alter ego do jornalista Joubert Martins, um dos criadores Rádio Fluminense, conferia a todas as apresentações um clima de estreia VIP ao entrevistar os presentes como se fossem verdadeiras celebridades.

Criamos uma dupla que já existia, com uma carreira consolidada. Quem não conhece é porque é desinformado”, brinca Lucília de Assis, casada com Alexandre há 32 anos. “Não navegamos no senso comum. Alexandre e eu temos uma piração compartilhada. Eu nunca poderia ter me casado com uma pessoa que não tivesse um grau de delírio. Deliramos juntos”, diz Lucília.

Em seis anos, Claymara Borges & Heurico Fidélis gravaram CD “Cascata de Sucessos” (Leblon Records 1992) – coletânea dos maiores sucessos da dupla; realizaram a exposição coletiva “Salão de Belezas”, no Paço Imperial, em que 30 artistas plásticos criaram obras em homenagem aos dois; lançaram sua grife “Simulacro” com desfile-show no Parque Lage; produziram um jornalzinho; e comandaram o programa de rádio “Na Fama com Claymara & Heurico”, na RPC FM, vice-líder em audiência naquela época. Em seguida, ganharam uma dupla de covers, interpretada por Lucília e Alexandre.

Os Únicos

Com Lucília de Assis e Alexandre Dacosta

Teatro Prudential (Rua do Russel 804, Glória – Rio de Janeiro)

Duração 80 minutos

03 a 31/03

Terça – 19h

$30

Classificação 12 anos

GRANDES MÚSICOS PARA PEQUENOS

 Com o objetivo de homenagear e apresentar os expoentes da música brasileira para as novas gerações, o premiado projeto ‘Grandes Músicos para Pequenos’ apresenta seu mais novo espetáculo: Raulzito Beleza – Raul Seixas para Crianças, que encerra temporada neste domingo, 16 de fevereiro, no Teatro Clara Nunes, no Shopping da Gávea.

O espetáculo se inspira na infância e em grandes sucessos da carreira de Raul Seixas para contar a história de um menino que era criativo demais. Tão criativo que sua falta de atenção ao mundo real começou a atrapalhá-lo na escola. A falta de foco e o excesso de energia de Raulzito trazem à cena questionamentos sobre a rotina e o tratamento de crianças que apresentam traços de hiperatividade e déficit de atenção (TDAH).

Preocupados e sem entender a genialidade do filho, os pais de Raul tentam de tudo para que o menino se adeque aos moldes padrões da sociedade. Para desespero dos pais de Raulzito, Mêlo, amigo imaginário de Raul, se materializa para guiá-lo em uma viagem de descobertas e auto aceitação. Juntos, eles percebem que Raulzito não tem que ser igual aos outros, e que cada pessoa é diferente e especial do jeito que ela é. No elenco, estão Rodrigo Salvadoretti, Pedro Henrique Lopes, Elisa Pinheiro e Pablo Áscoli.

Acredito que o ‘Raulzito Beleza’ vai emocionar e divertir adultos e crianças. A mente extremamente criativa e o espírito livre de Raul Seixas fizeram com que ele se tornasse o gênio da música que nós conhecemos. Se ele tivesse se fechado e tentado ser só mais um, nós não teríamos as grandes músicas que ele nos deixou. O espetáculo é uma ode à imaginação e à criatividade. É sobre se encontrar em você e em todos os universos que sua mente pode criar”, avalia Pedro Henrique Lopes, autor do espetáculo.

Com direção geral de Diego Morais e direção musical de Cláudia Elizeu, “Raulzito Beleza – Raul Seixas para Crianças” apresenta grandes sucessos do artista como “Maluco Beleza”, “Gita”, “Mosca na Sopa”, “Como Vovó Já Dizia (Óculos Escuros)” e “O Carimbador Maluco (Plunct Plact Zuuum)”, mostrando a importância do músico para as novas gerações. A trama também mostra o valor da família e das relações humanas, estimula o debate sobre as diferenças e individualidades, celebra a importância do respeito às diferentes formas de aprendizagem do ser humano e valoriza os diferentes tipos de inteligência.

Contemplado na Categoria Especial no Prêmio CBTIJ de Teatro Infantil 2016 pela sua relevância ao teatro infantil, o projeto reúne os espetáculos “Luiz e Nazinha – Luiz Gonzaga para Crianças”, “O Menino das Marchinhas – Braguinha para Crianças”, “Bituca – Milton Nascimento para Crianças” e “Tropicalinha – Caetano e Gil para Crianças”, que já foram assistidos por quase 200 mil pessoas e somam juntos 12 prêmios de teatro infantil, entre outras 37 indicações.

FACE

Raulzito Beleza – Raul Seixas para Crianças

Com Rodrigo Salvadoretti, Elisa Pinheiro, Pablo Ascoli e Pedro Henrique Lopes

Teatro Clara Nunes – Shopping da Gávea (Rua Marques de São Vicente, 52 – Gávea, Rio de Janeiro)

Duração 60 minutos

11/01 a 16/02

Sábado e Domingo – 16h

$70

Classificação Livre

MEU SERIDÓ

A CAIXA Cultural Rio de Janeiro recebe, de 12 a 22 de dezembro (quinta-feira a domingo, às 19h), o espetáculo teatral Meu Seridó. Com direção de César Ferrario e dramaturgia de Filipe Miguez, a peça apresenta um olhar poético e divertido sobre a origem e os costumes da região do Seridó, no sertão do Rio Grande do Norte. As apresentações têm patrocínio da CAIXA e do Governo Federal.

O espetáculo conduz o público em um passeio imaginário e delirante por um lugar arcaico e mítico no sertão potiguar, com um tom nostálgico de arengas e amores”, conta a atriz Titina Medeiros, idealizadora do projeto. “Em uma hora, dez mil anos de uma rica história passam diante dos olhos da plateia nesse conto que aborda a relação do homem com a terra, que neste momento atravessa um grave impasse.

Com trilha sonora executada ao vivo e boas doses de humor e teatralidade, a peça trata de questões como a condição da mulher no sertão, a extinção do indígena em detrimento do boi e a desertificação. “A nossa narrativa não tem um compromisso histórico”, explica o diretor César Ferrario. “Ela tem seu início através de uma menção ao plano mítico do Seridó, onde o Sol e a Terra disputam o amor de Chuva.

Para Ferrario, essa é uma fábula muito coerente com as questões que atravessam toda a história de qualquer lugar sertanejo e seu imaginário. “A partir disso, ela transita pela história do Seridó em seus espelhamentos terrenos, desde a chegada do homem andino até a vinda do vaqueiro e do português. O entrelaçamento dessas raças perpassa as histórias que vão sendo contadas ao longo do espetáculo”, completa.

Sobre Meu Seridó:

Meu Seridó nasceu do desejo da atriz Titina Medeiros de falar sobre o seu lugar de origem, a região do Seridó, no sertão do Rio Grande do Norte. Pensado inicialmente como um espetáculo solo, o projeto ganhou maiores proporções com a chegada do dramaturgo Filipe Miguez e do diretor César Ferrario. Em cena, Titina passou a ter a companhia dos atores Nara Kelly, Igor Fortunato, Caio Padilha – assinando também a trilha sonora – e Marcílio Amorim. A pesquisadora Leusa Araújo conduziu a equipe numa árdua pesquisa histórica, com imersões no próprio Seridó. Foram oito meses de montagem, com 25 profissionais envolvidos. Parceiro de longa data da atriz, João Marcelino ficou responsável por figurino, cenografia e caracterização. A iluminação é de Ronaldo Costa, e, a produção executiva, de Arlindo Bezerra, da Bobox Produções.

Programação:

A temporada de Meu Seridó no Teatro de Arena da CAIXA Cultural Rio de Janeiro ainda inclui bate-papos, apresentação com tradução em LIBRAS e uma oficina. Na Resenha para a plateia, nos dias 12 e 19 de dezembro (quintas-feiras), o público vai poder conversar com elenco, direção e produção sobre o processo de criação do espetáculo.

No dia 13 de dezembro (sexta-feira), das 16h às 18h, o bate-papo gratuito Prosa com quem escreveu promove um encontro com o autor Filipe Miguez e a pesquisadora Leusa Araújo, que vão falar sobre a pesquisa e o processo de criação da dramaturgia do espetáculo. No mesmo dia, a apresentação da peça contará com intérprete em LIBRAS.

Já a oficina gratuita Estar atento ou o exercício da escuta na construção do ator, com os atores Caio Padilha e Nara Kelly, será realizada no dia 17 de dezembro (terça-feira), das 14h às 18h.  O workshop é voltado para atores e não atores, maiores de 18 anos. Para participar, os interessados devem mandar um email com carta de intenção e um breve currículo para contatocasadezoe@gmail.com. São 25 vagas.

 

Meu Seridó
Com Titina Medeiros, Nara Kelly, Caio Padilha, Manu Azevero, Marcílio Amorim e Igor Fortunato
CAIXA Cultural Rio de Janeiro – Teatro de Arena (Av. Almirante Barroso, 25, Centro – Rio de Janeiro)
Duração 65 minutos
12 a 22/01
Quinta a Domingo – 19h
$30
Classificação 12 anos

Bate-papo Resenha para a plateia

Datas: 12 e 19 de dezembro de 2019 (quintas-feiras)

Horário: logo após o espetáculo

Duração: 40 minutos

Classificação Indicativa: Não recomendado para menores de 12 anos

Encontro Prosa com quem escreveu, com Filipe Miguez e Leusa Araújo

Data: 13 de dezembro de 2019

Horário: das 16h às 18h

Capacidade: 176 lugares

Entrada franca

Classificação Indicativa: Não recomendado para menores de 16 anos

Oficina Estar atento ou o exercício da escuta na construção do ator, com Caio Padilha e Nara Kelly

Data: 17 de dezembro de 2019 (terça-feira)

Horário: das 14h às 18h

Vagas: 25

Inscrições: gratuitas, pelo e-mail contatocasadezoe@gmail.com

Classificação Indicativa: Não recomendado para menores de 18 anos

FALE SOBRE MIM

Transformar memórias, anseios e dores de estudantes da escola pública em arte. Esse é o objetivo da atriz, diretora e professora de Artes Cênicas Luiza Rangel que, junto com seus ex-alunos da Escola Municipal Vera Lúcia Chaves da Costa, no Conjunto Urucânia, localizado entre os bairros de Paciência e Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio, formou um grupo de teatro. No dia 14 de dezembro (sábado), eles apresentam o espetáculo “Fale sobre mim” na Sala Paschoal Carlos Magno, na UNIRIO. No elenco estão a professora e os alunos Analya Britney (13 anos), Brenda Laura Coelho (13), Caio Nunes (13), Lucas Reis (14), Maria Paula dos Santos (13) e Wilson Ruan (15).

O espetáculo surgiu dentro da escola que a artista-docente leciona desde 2017. No último ano, ela propôs um trabalho focado em Teatro Documentário e no uso de narrativas autobiográficas na cena a partir da escuta dos alunos. Ao final do ano letivo, a professora reuniu um grupo de estudantes que frequentemente demonstrava interesse em se aprofundar na linguagem do teatro para encontros semanais fora do horário de aula. A pesquisa com adolescentes se mostrou um solo fértil e, durante o processo de criação de “Fale sobre mim”, a professora Luiza também se colocou na experiência de criar uma cena autobiográfica. A ação dissolveu a hierarquia entre os alunos e a educadora já que ambos assumiram o exercício de compartilhar suas narrativas e expor sua história pessoal.

O objetivo é convocar os estudantes a olhar as metáforas do mundo e a encontrar novos sentidos em seu cotidiano e em sua história de vida”, explica a professora Luiza Rangel. “Ainda existe pouca abertura para a experiência de escuta no espaço da escola.  Precisamos ouvir mais os alunos, suas famílias e valorizar suas contribuições. É importante proporcionar relações mais plurais, afetivas e humanas na escola”, defende a professora que, aos 27 anos, dá aulas para 580 alunos de 18 turmas do ensino fundamental.

Tendo como foco o trabalho com a memória, a autobiografia e o uso de arquivos em cena, a dramaturgia de “Fale sobre mim”, escrita pela professora e pelos alunos, está estruturada em dois atos. O primeiro é o ponto de vista da docente, suas impressões ao entrar em sala de aula, seu encantamento com a potência artística dos estudantes e também seu estranhamento diante de uma realidade árida e violenta. Já o segundo ato é a criação dos alunos, que tecem seu olhar sobre a adolescência, a escola, a família, a cidade, os sonhos e o tempo. O espetáculo traz também o olhar para um período de conflito pelo domínio de territórios entre grupos rivais, que assolou o conjunto Urucânia em 2018, uma região, até então, sem tantos relatos de violência. “Foi um período complicado e a escola chegou a fechar por dias. Isso afetou a vida de toda a comunidade. Tínhamos que falar sobre o que estava acontecendo. Eu precisava muito mais ouvir do que trazer propostas”, lembra a professora Luiza Rangel.

A partir daí, os alunos começaram a produzir textos e cenas, que foram costurados pela professora. “Além das narrativas oficiais, há os relatos dessas crianças da periferia, que têm pouco acesso aos equipamentos culturais, mas que estão produzindo com muita potência artística. Eu olho para a escola e vejo uma incrível pulsão de vida, alegria e potencial artístico em meio ao caos. Parte do meu trabalho é mostrar para os alunos que o teatro também é lugar deles, que o que eles fazem não é algo menor. A história desses jovens reflete uma questão mais ampla, que é social, cultural e econômica; por isso é importante de ser contada sob o ponto de vista deles”, diz a professora.

Para os alunos, o espetáculo “Fale sobre mim” é como um desabafo. Maria Paula, por exemplo, leva para a cena relatos e reflexões sobre racismo. Já Brenda, durante o processo criativo, começou a investigar suas origens, assunto que até então a deixava em dúvida. Wilson considera que montar a peça foi uma oportunidade de conhecer as diferentes histórias dos amigos, identificar-se e sentir empatia. Estar em cena é a melhor coisa que aconteceu na vida de Caio e ele acha que a professora Luiza é uma amiga especial, que extrai o melhor de cada aluno. Analya cita Frida Kahlo, artista que conheceu nas aulas de Artes. Lucas se lembrou de seu avô e do papel determinante que teve em sua vida, como um segundo pai.

Lembrar é um ato de resistência pois não se pode separar a história pessoal da história social. Lembramos para não deixar que esqueçam a história do sujeito comum, do morador de Urucânia, do professor e do aluno(a) de escola pública. É importante trazer o nosso ponto de vista sobre a cidade, já que as narrativas oficias são sempre centralizadas demais. Falar de si é um ato político e poético”, finaliza a professora.

Fale Sobre Mim

Com Analya Britney, Brenda Laura Coelho, Caio Nunes, Lucas Reis, Luiza Rangel, Maria Paula dos Santos e Wilson Ruan.

Sala Paschoal Carlos Magno – UNIRIO (Av. Pasteur, 436 – fundos – Urca, Rio de Janeiro)

Duração 60 minutos

14/12

Sábado – 16h

Grátis (distribuição de senhas a partir das 15h30)

Classificação Livre