MEU SERIDÓ

A CAIXA Cultural Rio de Janeiro recebe, de 12 a 22 de dezembro (quinta-feira a domingo, às 19h), o espetáculo teatral Meu Seridó. Com direção de César Ferrario e dramaturgia de Filipe Miguez, a peça apresenta um olhar poético e divertido sobre a origem e os costumes da região do Seridó, no sertão do Rio Grande do Norte. As apresentações têm patrocínio da CAIXA e do Governo Federal.

O espetáculo conduz o público em um passeio imaginário e delirante por um lugar arcaico e mítico no sertão potiguar, com um tom nostálgico de arengas e amores”, conta a atriz Titina Medeiros, idealizadora do projeto. “Em uma hora, dez mil anos de uma rica história passam diante dos olhos da plateia nesse conto que aborda a relação do homem com a terra, que neste momento atravessa um grave impasse.

Com trilha sonora executada ao vivo e boas doses de humor e teatralidade, a peça trata de questões como a condição da mulher no sertão, a extinção do indígena em detrimento do boi e a desertificação. “A nossa narrativa não tem um compromisso histórico”, explica o diretor César Ferrario. “Ela tem seu início através de uma menção ao plano mítico do Seridó, onde o Sol e a Terra disputam o amor de Chuva.

Para Ferrario, essa é uma fábula muito coerente com as questões que atravessam toda a história de qualquer lugar sertanejo e seu imaginário. “A partir disso, ela transita pela história do Seridó em seus espelhamentos terrenos, desde a chegada do homem andino até a vinda do vaqueiro e do português. O entrelaçamento dessas raças perpassa as histórias que vão sendo contadas ao longo do espetáculo”, completa.

Sobre Meu Seridó:

Meu Seridó nasceu do desejo da atriz Titina Medeiros de falar sobre o seu lugar de origem, a região do Seridó, no sertão do Rio Grande do Norte. Pensado inicialmente como um espetáculo solo, o projeto ganhou maiores proporções com a chegada do dramaturgo Filipe Miguez e do diretor César Ferrario. Em cena, Titina passou a ter a companhia dos atores Nara Kelly, Igor Fortunato, Caio Padilha – assinando também a trilha sonora – e Marcílio Amorim. A pesquisadora Leusa Araújo conduziu a equipe numa árdua pesquisa histórica, com imersões no próprio Seridó. Foram oito meses de montagem, com 25 profissionais envolvidos. Parceiro de longa data da atriz, João Marcelino ficou responsável por figurino, cenografia e caracterização. A iluminação é de Ronaldo Costa, e, a produção executiva, de Arlindo Bezerra, da Bobox Produções.

Programação:

A temporada de Meu Seridó no Teatro de Arena da CAIXA Cultural Rio de Janeiro ainda inclui bate-papos, apresentação com tradução em LIBRAS e uma oficina. Na Resenha para a plateia, nos dias 12 e 19 de dezembro (quintas-feiras), o público vai poder conversar com elenco, direção e produção sobre o processo de criação do espetáculo.

No dia 13 de dezembro (sexta-feira), das 16h às 18h, o bate-papo gratuito Prosa com quem escreveu promove um encontro com o autor Filipe Miguez e a pesquisadora Leusa Araújo, que vão falar sobre a pesquisa e o processo de criação da dramaturgia do espetáculo. No mesmo dia, a apresentação da peça contará com intérprete em LIBRAS.

Já a oficina gratuita Estar atento ou o exercício da escuta na construção do ator, com os atores Caio Padilha e Nara Kelly, será realizada no dia 17 de dezembro (terça-feira), das 14h às 18h.  O workshop é voltado para atores e não atores, maiores de 18 anos. Para participar, os interessados devem mandar um email com carta de intenção e um breve currículo para contatocasadezoe@gmail.com. São 25 vagas.

 

Meu Seridó
Com Titina Medeiros, Nara Kelly, Caio Padilha, Manu Azevero, Marcílio Amorim e Igor Fortunato
CAIXA Cultural Rio de Janeiro – Teatro de Arena (Av. Almirante Barroso, 25, Centro – Rio de Janeiro)
Duração 65 minutos
12 a 22/01
Quinta a Domingo – 19h
$30
Classificação 12 anos

Bate-papo Resenha para a plateia

Datas: 12 e 19 de dezembro de 2019 (quintas-feiras)

Horário: logo após o espetáculo

Duração: 40 minutos

Classificação Indicativa: Não recomendado para menores de 12 anos

Encontro Prosa com quem escreveu, com Filipe Miguez e Leusa Araújo

Data: 13 de dezembro de 2019

Horário: das 16h às 18h

Capacidade: 176 lugares

Entrada franca

Classificação Indicativa: Não recomendado para menores de 16 anos

Oficina Estar atento ou o exercício da escuta na construção do ator, com Caio Padilha e Nara Kelly

Data: 17 de dezembro de 2019 (terça-feira)

Horário: das 14h às 18h

Vagas: 25

Inscrições: gratuitas, pelo e-mail contatocasadezoe@gmail.com

Classificação Indicativa: Não recomendado para menores de 18 anos

FALE SOBRE MIM

Transformar memórias, anseios e dores de estudantes da escola pública em arte. Esse é o objetivo da atriz, diretora e professora de Artes Cênicas Luiza Rangel que, junto com seus ex-alunos da Escola Municipal Vera Lúcia Chaves da Costa, no Conjunto Urucânia, localizado entre os bairros de Paciência e Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio, formou um grupo de teatro. No dia 14 de dezembro (sábado), eles apresentam o espetáculo “Fale sobre mim” na Sala Paschoal Carlos Magno, na UNIRIO. No elenco estão a professora e os alunos Analya Britney (13 anos), Brenda Laura Coelho (13), Caio Nunes (13), Lucas Reis (14), Maria Paula dos Santos (13) e Wilson Ruan (15).

O espetáculo surgiu dentro da escola que a artista-docente leciona desde 2017. No último ano, ela propôs um trabalho focado em Teatro Documentário e no uso de narrativas autobiográficas na cena a partir da escuta dos alunos. Ao final do ano letivo, a professora reuniu um grupo de estudantes que frequentemente demonstrava interesse em se aprofundar na linguagem do teatro para encontros semanais fora do horário de aula. A pesquisa com adolescentes se mostrou um solo fértil e, durante o processo de criação de “Fale sobre mim”, a professora Luiza também se colocou na experiência de criar uma cena autobiográfica. A ação dissolveu a hierarquia entre os alunos e a educadora já que ambos assumiram o exercício de compartilhar suas narrativas e expor sua história pessoal.

O objetivo é convocar os estudantes a olhar as metáforas do mundo e a encontrar novos sentidos em seu cotidiano e em sua história de vida”, explica a professora Luiza Rangel. “Ainda existe pouca abertura para a experiência de escuta no espaço da escola.  Precisamos ouvir mais os alunos, suas famílias e valorizar suas contribuições. É importante proporcionar relações mais plurais, afetivas e humanas na escola”, defende a professora que, aos 27 anos, dá aulas para 580 alunos de 18 turmas do ensino fundamental.

Tendo como foco o trabalho com a memória, a autobiografia e o uso de arquivos em cena, a dramaturgia de “Fale sobre mim”, escrita pela professora e pelos alunos, está estruturada em dois atos. O primeiro é o ponto de vista da docente, suas impressões ao entrar em sala de aula, seu encantamento com a potência artística dos estudantes e também seu estranhamento diante de uma realidade árida e violenta. Já o segundo ato é a criação dos alunos, que tecem seu olhar sobre a adolescência, a escola, a família, a cidade, os sonhos e o tempo. O espetáculo traz também o olhar para um período de conflito pelo domínio de territórios entre grupos rivais, que assolou o conjunto Urucânia em 2018, uma região, até então, sem tantos relatos de violência. “Foi um período complicado e a escola chegou a fechar por dias. Isso afetou a vida de toda a comunidade. Tínhamos que falar sobre o que estava acontecendo. Eu precisava muito mais ouvir do que trazer propostas”, lembra a professora Luiza Rangel.

A partir daí, os alunos começaram a produzir textos e cenas, que foram costurados pela professora. “Além das narrativas oficiais, há os relatos dessas crianças da periferia, que têm pouco acesso aos equipamentos culturais, mas que estão produzindo com muita potência artística. Eu olho para a escola e vejo uma incrível pulsão de vida, alegria e potencial artístico em meio ao caos. Parte do meu trabalho é mostrar para os alunos que o teatro também é lugar deles, que o que eles fazem não é algo menor. A história desses jovens reflete uma questão mais ampla, que é social, cultural e econômica; por isso é importante de ser contada sob o ponto de vista deles”, diz a professora.

Para os alunos, o espetáculo “Fale sobre mim” é como um desabafo. Maria Paula, por exemplo, leva para a cena relatos e reflexões sobre racismo. Já Brenda, durante o processo criativo, começou a investigar suas origens, assunto que até então a deixava em dúvida. Wilson considera que montar a peça foi uma oportunidade de conhecer as diferentes histórias dos amigos, identificar-se e sentir empatia. Estar em cena é a melhor coisa que aconteceu na vida de Caio e ele acha que a professora Luiza é uma amiga especial, que extrai o melhor de cada aluno. Analya cita Frida Kahlo, artista que conheceu nas aulas de Artes. Lucas se lembrou de seu avô e do papel determinante que teve em sua vida, como um segundo pai.

Lembrar é um ato de resistência pois não se pode separar a história pessoal da história social. Lembramos para não deixar que esqueçam a história do sujeito comum, do morador de Urucânia, do professor e do aluno(a) de escola pública. É importante trazer o nosso ponto de vista sobre a cidade, já que as narrativas oficias são sempre centralizadas demais. Falar de si é um ato político e poético”, finaliza a professora.

Fale Sobre Mim

Com Analya Britney, Brenda Laura Coelho, Caio Nunes, Lucas Reis, Luiza Rangel, Maria Paula dos Santos e Wilson Ruan.

Sala Paschoal Carlos Magno – UNIRIO (Av. Pasteur, 436 – fundos – Urca, Rio de Janeiro)

Duração 60 minutos

14/12

Sábado – 16h

Grátis (distribuição de senhas a partir das 15h30)

Classificação Livre

O BARÃO DAS ÁRVORES

Escola de Atores Wolf Maya apresenta, nos dias 10, 11 e 12 de dezembro (de terça a quinta, às 20h30) o espetáculo O Barão das Árvores, de Italo Calvino. A montagem, dirigida por Thierry Tremouroux, é um estudo sobre o livro homônimo do autor.

As sessões acontecem no Teatro Nathalia Timberg, com elenco formado por alunos da Turma M6B da instituição.

A peça conta a história de um garoto que, revoltado com o comportamento dos pais, decide subir às árvores e ficar lá em cima para sempre. Um simples ato de rebeldia infantil de Cosme transforma-se na sua forma de ver o mundo. Sua intenção não era estar mais próximo do céu. “Aquele que pretende observar bem a terra deve manter a necessária distância“, justifica o protagonista. E o mundo que o autor nos revela é um universo de ideias e experiências recheado por um humor fino e sofisticado.

Italo Calvino (1923-1985) foi um dos mais importantes escritores italianos do século XX. Nasceu em Cuba, pois seus pais eram cientistas italianos e estavam de passagem pelo país. Sua literatura é considerada sincera, delicada e extremamente ágil. Participou da resistência ao fascismo durante a Segunda Guerra Mundial. Foi membro do Partido Comunista Italiano, tendo se desfiliado em 1957, cuja carta de renúncia ficou famosa. Seu primeiro livro foi A Trilha dos Ninhos de Aranha, publicado em 1947, e uma de suas obras mais conhecidas é As Cidades Invisíveis, de 1972.

FACE (4).png

O Barão das Árvores

Com Rodrigo Calonga, Carolina Bonani, Caroline Moreira, Emily Matte, Giliane Mattos, Giuliana Zigoni, Juliana Kaizer, Kellen Rosostolato, Leo Acorci, Leo Machado, Marcelle de Oliveira, Marina Ghermer, Mathson Castro, Mayara Luz, Renan Reis, Savio Oliveira, Shayanne Fonseca, Vinicius Moreno e Yas Carvalho

Teatro Nathalia Timberg – Freeway Center (Av. das Américas, 2000 – Barra da Tijuca, Rio de Janeiro)

Duração 90 minutos

10 a 12/12

Terça, Quarta e Quinta – 20h30

$10

Classificação 12 anos

 

PAREM DE FALAR MAL DA ROTINA

Em comemoração aos 17 anos em cartaz e com milhões de espectadores, o espetáculo Parem de falar mal da rotina reestreia no Teatro João Caetano, centro do Rio, dia 21 de novembro.

Com o apoio institucional do Governo do Rio de Janeiro, da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa e da Fundação Anita Mantuano de Artes do Estado do Rio de Janeiro, o monólogo apresentado pela poetisa, jornalista e escritora capixaba Elisa Lucinda, em tom de conversa informal, traz 56 personagens expressando os sentimentos mais simples do cotidiano. A atriz mistura o amor, a dor, o óbvio, com as histórias vividas e ouvidas por ela, além de poemas retirados de três dos seus livros: O semelhante (1995), Eu te amo e suas estreias (1999) e A fúria da beleza (2006).

O espetáculo interativo propõe uma divertida reflexão e utiliza versos e conversas despojadas sobre a rotina, uma espécie de espelho capaz de projetar mil possibilidades, provocando verdadeiras transformações nas relações humanas.

A peça nasceu das inúmeras lições que a natureza nos ensina todo dia. A grande lição é a capacidade de estreia que faz tudo na natureza acontecer de forma espetacular, di-a-ri-a-men-te: o nascer do sol, o pôr do mesmo sol, o céu, a chuva, as estrelas, os ventos e as tardes. A natureza ensina a toda gente, mas, às vezes, alunos distraídos que somos, não vemos o lindo óbvio que ela nos oferece e as dicas que ela pode nos dar na condução do nosso cotidiano”, diz a atriz.A plateia é conduzida a perceber que “a rotina” é uma ideia fictícia, e que os sujeitos têm em si o poder da mudança, como protagonistas das suas próprias vidas.

FACE (1)

Parem de Falar Mal da Rotina

Com Elisa Lucinda

Teatro João Caetano (Praça Tiradentes, s/n – Centro, Rio de Janeiro)

Duração 150 minutos

21/11 até 15/12

Quinta, Sexta e Sábado – 19h, Domingo – 18h

$50

Classificação 12 anos

Teatro João Caetano – Telefone: (21) 2332- 9257

Classificação: 12 anos. Duração: 150 minutos.  Gênero: Comédia

 

Ficha Técnica

Texto, direção e atuação: Elisa Lucinda. Assistente de Direção: Geovana Pires. Cenografia: Gisele Licht.  Figurinos: Christina Cordeiro.  Iluminação: Djalma Amaral.  Criação do design: Tangerina Designer.  Design gráfico e Projeto Gráfico: Marcello Queiroz. Direção de Produção: Caio Bucker.  Produção Executiva e Turnê: Ricardo Fernandes.  Operação de luz e som: Alessandro Persan. Assistência de Produção: Aline Monteiro. Camareiro e Contrarregra: Eduardo Pires. Assessoria de Imprensa: Carlos Gilberto. Assessoria Jurídica: Renan Nazário. Realização: Bucker Produções Artísticas e Casa Poema.

 

Nestes momentos difíceis e ao mesmo tempo importantes na trajetória da nossa democracia, mais me agrada ainda entrar em cartaz com o Parem de Falar Mal da Rotina, a tão mal falada rotina. Defendo-a porque sei que se somos autores dela, somos também responsáveis por sua qualidade na parte dela que nos compete. Essa comédia reflexiva nos leva a crer que se pode pensar e rir ao mesmo tempo”.

Elisa Lucinda

PEOPLE

Quem se lembra da animada época dos bailes charmes e dos passinhos cheios de criatividade e sincronia? Esta será uma ótima oportunidade de reviver estes momentos, pois nos dias 27 e 28 de novembro (quarta e quinta-feira), o Teatro Cacilda Becker, no Largo do Machado recebe a companhia Dança Charme & Cia, que apresentará o espetáculo People. A apresentação que tem como protagonista o Charme, faz parte programação do teatro em comemoração ao mês da Consciência Negra.

Dirigido pelo coreógrafo e diretor da Dança Charme & Cia, Marcus Azevedo, o espetáculo coloca em voga o sucesso dos anos 80, além de mostrar o cotidiano e a realidade vivida pelos dançarinos de ritmos urbanos como o Charme, popularmente conhecidos como “Charmeiros”.

O elenco conta com 22 atores e bailarinos, todos frequentadores dos bailes, que passaram por uma preparação corpórea e de movimentos rigorosa. Na seleção musical, a platéia poderá assistir a performances coreografadas com canções clássicas dos bailes de charme, além de Elza Soares, Racionais MCs, Tim Maia, Chaka Khan, entre outros.

O espetáculo pretende mostrar o quanto a cultura charme se mantém viva e faz parte da história do carioca, sendo um estilo de ritmos de danças urbanas. Para o diretor Marcus Azevedo, que carrega multidões em seus eventos na Zona Norte, apresentar seu espetáculo na Zona Sul do Rio é uma conquista. “O Charme faz parte de uma geração e continua vivo. Quem vivenciou aqueles momentos lúdicos e sadios onde os jovens se reuniam para criar danças em conjunto, com o desejo de fazer bonito nas festas, vai querer reviver esses momentos. Nós fazemos arte por amor e nos entregamos a nossa dança.  Queremos mostrar o quanto a dança nos faz manter vivo em nossos sonhos, além de fazer com que muitos revivam esta época das danças em conjunto”, conta Marcus Azevedo.

Cia dedicará um dia a aulas de charme com preço popular

Na segunda e terça-feira, dias 25 e 26, os coreógrafos de charme Marcus Azevedo e Eduardo Gonçalves da companhia Dança Charme & Cia ministrarão um animado Workshop de Dança Charme, das 14h às 17h, no Teatro Cacilda Becker. Para participar não precisa experiência previa, basta ter paixão pela dança e vontade de se reunir com a galera para fazer passinhos harmônicos em conjunto. Os interessados poderão se inscrever via e-mail culturacharme@gmail.com, ou no local por R$10. Sujeito a lotação.

FACE (1)

People

Com Jade Pitanga, Cris Marques, Cleiton Santos, Daianny dos Santos, Fernanda Amaral, Gedson Glabson, Haniel Vianna, Igor Gomes, Jessica Esteves, Luan Adão, Pedro Barreto, Felipe Salsa, Katia Bispo, Sevenir Jr, Wallace Vinicius, Xandy Neguitto, Ruan Daumas, Caio Lafaiete, Jader Gama, Erika Vidal, Rogério Jr

Teatro Cacilda Becker (R. do Catete, 338 – Catete, Rio de Janeiro)

Duração 70 minutos

27 e 28/11

Quarta e Quinta – 20h

$20

Classificação não informada

Workshop de Dança Charme

Teatro Cacilda Becker (R. do Catete, 338 – Catete, Rio de Janeiro)

25 e 26/11

Segunda e Terça – 14h às 17h

$10

Classificação não informada

3 MANEIRAS DE TOCAR NO ASSUNTO

Um tema, três solos curtos. O espetáculo inédito “3 maneiras de tocar no assunto” é um manifesto artístico contra a homofobia na sociedade moderna. O ator e diretor Leonardo Netto está de volta à dramaturgia depois de “A ordem natural das coisas” – peça cujo texto levou o Prêmio Cesgranrio 2018 e foi indicado ainda aos prêmios Shell, APTR e Botequim Cultural. Com direção de Fabiano de Freitas, “3 maneiras de tocar no assunto” estreia em 3 de outubro no Teatro Poeirinha, no Rio de Janeiro, onde fica em cartaz até 22 de dezembro (de quinta a sábado, às 21h; domingo, às 19h).

Interpretados por Leonardo Netto, os três solos independentes colocam em pauta questões relacionadas à homossexualidade e ao preconceito e intolerância contra o homossexual e a comunidade LGBT em geral. “Homofobia mata todo mundo: o pai que teve a orelha arrancada por beijar o filho, os irmãos que foram linchados por andarem abraçados. Não adianta achar que você está livre porque você não é gay. Estamos vivendo um retrocesso de entendimento sobre isso, um conservadorismo estúpido. A população LGBT no Brasil está alijada de quase setenta direitos previstos na Constituição”, ressalta o autor, que abordou o tema por três instâncias distintas, uma para cada texto: Escola, Lei e Estado.

No primeiro solo, O homem de uniforme escolar, o público assiste a uma aula de bullying homofóbico: o que é, como praticar e quais as suas consequências físicas e emocionais. São histórias reais de crianças e jovens que sofreram com o preconceito e a intolerância na escola.

Na sequência, O homem com a pedra na mão parte do depoimento ficcional de um dos participantes da Revolta de Stonewall, ocorrida em junho de 1969 em Nova York, marco fundamental da luta pelos direitos da comunidade LGBT, que completou 50 anos em 2019. Desenrola-se, então, uma descrição minuciosa da noite em que os frequentadores (gays, lésbicas, travestis, drag queens) do bar Stonewall Inn reagiram, pela primeira vez, a mais uma batida policial no local.

O último solo, O homem no Congresso Nacional, foi construído a partir de falas do ex-deputado federal Jean Wyllys, proferidos entre janeiro de 2011 e dezembro de 2018. Para criar o texto, Leonardo assistiu e transcreveu discursos, pronunciamentos, entrevistas e declarações do Jean e, cuidadosamente, criou o depoimento de um deputado gay e ativista na tribuna da Câmara.

Os textos propõem uma interlocução direta com o público: o que há, afinal, de tão incômodo, maléfico e repugnante na homossexualidade? Por que, através dos tempos, ela teve sempre de ser punida? Por que a orientação sexual de uma pessoa a transforma num cidadão de segunda classe, com menos direitos que o resto da população?

Para dirigir a montagem, Leonardo convidou o ator, dramaturgo e diretor Fabiano de Freitas, um artista-pesquisador dos temas LGBTI+. É a primeira vez que eles trabalham juntos. “Sempre quis trabalhar com o Dadado (apelido de Fabiano). Vi ‘O Homossexual ou a dificuldade de se expressar’, ‘Balé ralé’ (peças que abordavam a homossexualidade) e achei espetacular. Achava que ele teria o olhar perfeito para essa peça”, diz o autor. “Pesquiso e estudo esse personagem que é a bicha e sua identidade negligenciada. Essa peça fala a partir desse lugar. Quando li o texto, pensei: é parte da minha pesquisa”, conta o diretor.

Durante a temporada, estão programados três debates (datas e nomes a confirmar) após a apresentação do espetáculo, com os temas: “Maneira 1 – LGBTI+, Infância e Educação”, “Maneira 2 – As conquistas do movimento LGBTI+ na história” e “Maneira 3 – LGBTI+ e o poder”.

FACE (1)

3 Maneiras de Tocar no Assunto

Com Leonardo Netto

Teatro Poeirinha (Rua São João Batista, 104 – Botafogo, Rio de Janeiro)

Duração 80 minutos

03/10 até 22/12

Quinta, Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h

$50

Classificação 14 anos

ERA MEDEIA

Você sempre age de acordo com seus princípios éticos? Ou será que muitas vezes suas ações e comportamentos contradizem o seu discurso? A partir dessa reflexão se desenrola a trama do espetáculo Era Medeia, que, depois de uma bem-sucedida temporada, estará em cartaz novamente, a partir de 9 de outubro, no Teatro Glaucio Gill, em Copacabana, sempre às quartas e quintas, às 20h, até 24 de outubro. Com supervisão de Cesar Augusto, texto e direção de Eduardo Hoffmann e argumento de Marina Monteiro, a peça se passa durante os ensaios de uma adaptação da tragédia “Medeia”, de Eurípedes, pano de fundo para uma discussão que também passa pelo machismo, o abuso de poder, exposição da vida privada e a importância do processo na criação artística.

Em cena, estão os atores Eduardo Hoffmann, Isabelle Nassar (nas sessões de quarta-feira) e Caroline Monlleo (nas sessões de quinta-feira), que vivem Pedro Lobo, um diretor excêntrico, e Verônica Albuquerque, uma atriz insegura. O público é convidado a assistir a um ensaio aberto do espetáculo no qual estão trabalhando juntos. Aos poucos, o passado deles vem à tona, e os espectadores passam a ser testemunhas de um acerto de contas íntimo entre os personagens.

A escolha de Medeia como o texto que os personagens ensaiam tem um propósito: é um ícone da representação de uma mulher que rompe com os padrões sociais estabelecidos. Apesar de tomar atitudes cruéis, ela é uma personagem que não fica à mercê das decisões e escolhas dos homens à sua volta”, explica o ator e diretor Eduardo Hoffmann. “E aí é que está a contradição. O diretor está montando Medeia justamente para enaltecer a força dessa mulher que rompe com os padrões repressivos e, no entanto, o modo como ele lida com a atriz (que já foi mulher dele) é extremamente repressor e abusivo”, acrescenta.

A partir da exposição da vida íntima do ex-casal, “Era Medeia” também faz uma reflexão sobre por que o público de hoje parece se interessar mais pelos bastidores da criação do que pela própria criação. “O fato de estarmos vivendo uma realidade social e política extremamente espetacularizada contribui para que o caráter ficcional da arte esteja cada vez mais com sua potência diminuída. E já faz bastante tempo que os reality shows tornaram as pessoas personagens mais interessantes aos olhos do público do que os personagens criados nas obras de ficção. É uma extrema necessidade de ser arrebatado pelo REAL, até porque o cotidiano atual está extremamente teatralizado”, analisa Hoffmann.

FACE (1)

Era Medeia

Com Isabelle Nassar, Caroline Monlleo e Eduardo Hoffmann

Teatro Glaucio Gill (Praça Cardeal Arcoverde, s/nº Copacabana – Rio de Janeiro)

Duração 60 minutos

09 a 24/10

Quarta e Quinta – 20h

$30

Classificação 14 anos