SUASSUNA – O AUTO DO REINO DO SOL

‘Suassuna – O Auto do Reino do Sol’ traz na essência uma série de características de seu homenageado. Ariano Suassuna (1927- 2014) – que teria completado 90 anos em junho – defendeu incansavelmente a brasilidade e a valorização da cultura nacional, ao mesclar a arte popular e o universo erudito em todas as suas obras.
 
Idealizadora deste tributo ao escritor paraibano, a produtora Andrea Alves, da Sarau Agência, lançou o desafio para a Cia. Barca dos Corações Partidos e convidou três ilustres conterrâneos de Ariano para criar algo totalmente inédito, inspirado em seu legado e desenvolvido em um processo coletivo. Desta forma, nasceu o musical, que chega a São Paulo no dia 24 de agosto, no Teatro do Sesc Vila Mariana, com canções de Chico César, Beto Lemos e Alfredo Del Penho, encenação de Luís Carlos Vasconcelos e texto de Braulio Tavares.
 
Em 2007, a Sarau Agência realizou uma grande programação para festejar os 80 anos de Ariano e, desde então, foi criado um vínculo do escritor com Andrea, responsável por todas as montagens da Barca dos Corações Partidos e por uma série de projetos que celebraram a arte brasileira nos últimos 25 anos. ‘Há algum tempo, Ariano me falou: ‘Não venha comemorar meus 85 anos, eu não vou morrer, quero que você festeje os meus 90!’. Naquele momento me senti condecorada e com uma grande missão pela frente’, conta a produtora.
 
A ideia inicial surgiu em conversas de Andrea com Ariano, que se confessava um palhaço frustrado e que elegeu o palhaço de ‘O Auto da Compadecida’ como um dos seus personagens prediletos. ‘Assim, surgiu a ideia de uma grande homenagem ao palhaço de Ariano e pensei na reunião da Barca dos Corações Partidos com o que eu chamo de “trio paraibano”. Assim foi sendo criada esta peça inédita, com músicas e texto originais, mas totalmente inspirada no legado de Ariano’, resume.
O texto e as canções do musical foram produzidos ao longo do processo de ensaios, que começou ainda no ano passado, quando o elenco fez uma série de oficinas circenses e também excursionou pelo Nordeste brasileiro no que foi chamado de Circuito Ariano Suassuna. Guiados por Dantas Suassuna, filho de homenageado, a trupe esteve em Casa Forte (Recife), conheceu a famosa Pedra do Ingá e visitou a fazenda de Taperoá (Paraíba). Entre muitas palestras e oficinas, o grupo se preparou para o intenso processo criativo, em que se reuniram por oito horas diárias e apenas uma folga semanal nos últimos quatro meses.
 
Neste período, Braulio Tavares idealizou a história central da montagem, centrada em uma trupe de circo-teatro e nos acontecimentos de uma noite de apresentação do grupo. O picadeiro de um circo é o cenário perfeito para aparecerem personagens de Ariano, como João Grilo e Chicó (‘O Auto da Compadecida’) e outros conhecidos tipos da Literatura Clássica, além de servir como pano de fundo para as histórias dos integrantes da companhia fictícia.
 
O projeto sempre quis falar de Ariano sem, no entanto, apresentar um espetáculo biográfico ou mesmo uma adaptação de suas obras. ‘Quando entrei na história, já estava decidido que não seria um espetáculo Armorial e que teríamos a liberdade de subverter, de trazer o Ariano de outras formas. A criação foi toda impregnada de Ariano, de seus personagens e de seu universo, relata Luís Carlos Vasconcelos, que trouxe toda a sua imensa bagagem como palhaço para o processo. ‘É uma homenagem ao Ariano palhaço. O público é guiado por uma espécie de Palhaço Mestre de Cerimônias, como era habitual em seu teatro’, diz.
 
A parte musical seguiu pelo mesmo caminho. Os textos poéticos e as letras das músicas usam as formas tradicionais de poesia popular que foram cultivadas por Ariano, como a sextilha, a décima, o martelo e o galope. Chico César, Beto Lemos e Alfredo Del Penho, mostravam as melodias e algumas letras surgiam de improviso, outras cabiam exatamente em alguns trechos do texto. A maioria das letras ficou a cargo de Braulio Tavares, mas também tem canções de outros integrantes da companhia, como Adrén Alves e Renato Luciano. ‘Contaminação foi a palavra que define todo este projeto. As melodias foram contaminadas pelas letras e vice-versa. Criamos algo novo, mas totalmente contaminado por Ariano’, analisa Chico, a quem o escritor chegou a dedicar um livro de poesias.
 

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Suassuna – o Auto do Reino do Sol
Com a Cia. Barca dos Corações Partidos: Adrén Alves, Alfredo Del Penho, Beto Lemos, Fábio Enriquez, Eduardo Rios, Renato Luciano e Ricca Barros. Atriz convidada: Rebeca Jamir. Artistas convidados: Chris Mourão e Pedro Aune
SESC Vila Mariana (R. Pelotas, 141 – Vila Mariana, São Paulo )
Duração 120 minutos
24/08 até 01/10
Sexta e Sábado – 21h; Domingo e Feriado – 18h
$40 ($12 trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo matriculados no Sesc e dependentes/Credencial Plena).
Classificação 12 anos

SENHOR DAS MOSCAS

Com direção de Zé Henrique de Paula, direção musical de Fernanda Maia e elenco de 13 atores, o texto de William Golding adaptado para o palco por Nigel Williams ganha tradução de Herbert Bianchi e Zé Henrique de Paula.

Senhor das Moscas reestreia no Teatro do SESI para temporada gratuita de 19 de agosto a 3 de dezembro. O elenco é composto por Arthur Berges, Bruno Fagundes, Davi Tápias, Felipe Hintze, Felipe Ramos, Gabriel Neumann, Ghilherme Lobo, Lucas Romano, Paulo Ocanha Jr., Pier Marchi, Rodrigo Caetano, Rodrigo Vellozo e Thalles Cabral.

Sinopse

Crianças inglesas de um colégio interno ficam presas em uma ilha deserta, sem a supervisão de adultos, após a queda do avião que as transportava para longe da guerra. Os meninos se vêm sob duas lideranças naturais: Jack está sempre preocupado em caçar, matar os porcos selvagens que existem na ilha, organizando sua equipe de caçadores; enquanto Ralph ocupa-se em deixar uma fogueira sempre acesa, para que possam ser, um dia, salvos. Ralph deseja voltar para o mundo moderno, para a civilização, enquanto Jack cada vez mais rompe seus laços com ela.

A situação se torna mais complexa quando aparece um “bicho” para aterrorizá-los. Então as crianças escolhem um símbolo sobrenatural: uma cabeça de porco espetada numa estaca, que eles batizaram como Senhor das Moscas e para quem pedem proteção contra os perigos da ilha.

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Sobre a encenação – por Zé Henrique de Paula

“Senhor das Moscas” é um clássico da literatura inglesa – escrito em 1954, em plena Guerra Fria, o romance se tornou um dos mais importantes do século XX e deu a William Golding um Prêmio Nobel de Literatura.  Mas o que existe nele que ainda possa nos interessar e, mais ainda, provocar interesse no jovem de hoje em dia?

Felizmente, a obra sobreviveu ao tempo e está mais atual do que nunca. Em tempos de grande agitação política, de ídolos instantâneos e de fluidez de identidade (especialmente entre os adolescentes), as aventuras de Jack, Ralph, Simon e Porquinho e seus dilemas éticos, morais e afetivos parecem ter sido escritos para o Brasil do século XXI. Como numa saga shakespereana em que há drama, comédia, luta, morte, natureza, aventura e religião – tudo junto numa só história – queremos dar combustível à peça através de uma de suas principais características: a velocidade e a ferocidade dos acontecimentos.

Há muito esse binômio ritmo acelerado/violência tem frequentado o cinema, as graphic novels, o videoclipe. No teatro, o fenômeno é sazonal: visitou os palcos na era elisabetana, reapareceu pontualmente em alguns momentos do século XX. Pois é esse binômio que queremos explorar, acreditando ser a matéria prima que trará à tona os grandes eixos temáticos da obra de Golding – a essência verdadeiramente bestial do ser humano; a luta pela civilização; a formação dos partidos (em sentido mais amplo, não o meramente político); o sentido de amizade, lealdade e a criação dos vínculos afetivos; a natureza do misticismo, a necessidade dos deuses e da epifania espiritual na vida dos homens.

O Núcleo Experimental tem como base de seu trabalho o ator. Aliado à síntese de elementos cênicos e à busca de bons textos, o trabalho dos atores é o foco de nossa pesquisa cênica. Pesquisamos a expressividade da ação física, o sentido de coesão e união cênica e, paralelamente, experimentamos os possíveis usos para a música e o canto no acontecimento teatral. Todos esses elementos permeiam a encenação de “Senhor das Moscas”, já que buscamos uma encenação limpa, de poucos elementos, com iluminação e música com alta significação cenográfica e direcionada aos quatorze intérpretes das crianças criadas por William Golding. Ele que é o nosso protagonista, uma vez que acreditamos que não há bom teatro se não iluminarmos, antes de mais nada, as ideias do autor.

Senhor das Moscas
Com Arthur Berges, Bruno Fagundes, Davi Tápias, Felipe Hintze, Felipe Ramos, Gabriel Neumann, Ghilherme Lobo, Lucas Romano, Paulo Ocanha Jr., Pier Marchi, Rodrigo Caetano, Rodrigo Vellozo e Thalles Cabral
Teatro do SESI (Av. Paulista, 1313 – Jardins, São Paulo)
Duração 90 minutos
17/08 até 03/12
Quinta, Sexta e Sábado – 15h; Domingo – 14h30
Entrada Gratuita
Classificação 14 anos

A VISITA DA VELHA SENHORA

Os cidadãos de Güllen, uma cidade arruinada, esperam ansiosos a chegada da milionária que prometeu salvá-los da falência.

No jantar de boas-vindas, Claire Zahanassian, ex-moradora da cidade, impõe a condição: doará um bilhão à cidade se alguém matar Alfred Krank, o homem por quem foi apaixonada na juventude e a abandonou grávida.

Tendo a proposta rejeitada, Claire decide esperar hospedando-se com seu séquito no hotel da praça principal.

A partir dessa premissa, o suiço Friederich Dürrenmatt cria uma sequência tragicômica de cenas que expõe ao máximo a fragilidade moral do homem quando a palavra é dinheiro. Quem mata Krank? Cairá Güllen na tentação de satisfazer o desejo de vingança da milionária? Ou fará justiça? Até que ponto a linha ética enverga diante do poder do dinheiro?

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A Visita da Velha Senhora
Com Denise Fraga, Tuca Andrade, Ary França, Fábio Herford, Daniel Warren, Romis Ferreira, Maristela Chelala, Renato Caldas, Eduardo Estrela, Beto Matos, Luiz Ramalho e Rafael Faustino
Teatro do SESI (Av. Paulista, 1313 – Jardins, São Paulo)
Duração 120 minutos
18/08 a 26/11
Quinta, Sexta, Sábado e Domingo – 20h
Entrada grátis (reserva pelo site do SESI ou direto na bilheteria)
Classificação 14 anos

CIA LONDON EM AGOSTO

A Cia London está em cartaz neste mês de agosto com três espetáculos – um infantil “As Princesas e o Poeta“, todos os sábados no Teatro Jardim Sul; e dois adultos “A Casa de Bernarda Alba” e “O Manjar dos Deuses“, ambos no Espaço Parlapatões, no final de semana.

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As Princesas e o Poeta

A pequena sereia, o soldadinho de chumbo, o patinho feio. Personagens que fazem parte do imaginário de crianças do mundo inteiro. Ícones da literatura infantil criados pelo escritor norueguês Hans Christian Andersen. Em agosto, todos esses clássicos estarão reunidos no espetáculo AS PRINCESAS E O POETA, da Cia London, em cartaz aos sábados em São Paulo.

O roteiro se passa em meados de 1800 e mostra Hans, um jovem garoto que tem uma vida difícil na cidade onde mora por ser mal entendido com sua criatividade e prazer pelos contos de fada. Certo dia, ao dormir em seu quarto, tudo muda quando ele acorda num lugar inesperado, o reino de “Era uma vez”, onde habitam todos os contos de fada.

O reino está em guerra, pois está sob a ditadura da Rainha má, que está acabando com a memória de todos os personagens que vivem no lugar e dominando todos os cantos junto às forças das trevas. Juntamente à amiga Rovena, Hans desbrava essa fantástica terra até se deparar cara a cara com a temida rainha, em um grande combate.

As Princesas e o Poeta
Com Rafael Mallagutti, Carla Leandro, Hellen Kazan, Victória Rocha, Maíra Natássia, Mônica Bonna, Natália Graziel, Luna Di Milano, Beatriz Sauer, Alex Lopes, Bárbara Trabasso, Bruna Izar, Thais Coelho e Luiza Arruda.
Teatro Jardim Sul – Shopping Jardim Sul (Av. Giovani Gronchi, 5819 – Piso 2 – Vila Andrade, São Paulo)
Duração 60 minutos
até 26/08
Sábado – 16h e 18h
$50
Classificação Livre
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A Casa de Bernarda Alba

A história se passa no pequeno povoado de Andaluzia, na Espanha pré-guerra civil, onde em uma sociedade machista as mulheres eram obrigadas a suprimir suas vontades e prazeres em nome da honra e reputação. Na peça, a austera Bernarda Alba fica viúva pela segunda vez, e, segundo suas ordens, suas filhas terão de viver um luto de oito anos em regime de clausura. Enquanto isso, a filha mais velha, Angustias, é prometida em casamento ao homem mais cobiçado do vilarejo, desejado por todas as outras irmãs. Numa trama de intrigas e amargura, as filhas são quase como soldados e se enfrentam numa disputa psicológica sempre longe dos olhos da mãe.

Especialmente nessa montagem, homens interpretam essas mulheres sem amantes, representando a força e brutalidade das personagens que são uma metáfora de Lorca aos soldados da guerra civil espanhola.

 

A Casa de Bernarda Alba
Com Rafael Mallagutti, Joaquim Araújo, Ivan Radecki, Vinícius Candoti, Alexandre Nunes, Rafael de Castro, Miguel Langone, Diego Chimenes, Bruno Akimoto, Thiago Marangoni.
Espaço Parlapatões (Praça Franklin Roosevelt, 158 – Consolação, São Paulo)
Duração 90 minutos
06/08 até 03/09
Domingo – 20h
$50
Classificação 12 anos
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O roteiro faz um recorte na vida dos deuses gregos nos dias de hoje. Os olimpianos, comandados por Zeus, estão reunidos no Monte Olimpo e enfrentam um grande problema: as chaves dos portões foram roubadas e agora todos estão presos ali, juntos. O problema é que o culpado está entre eles. A questão agora é investigar. Uma grande confusão está instalada. Todos têm suas opiniões e um grande julgamento é montado para descobrir quem pegou as chaves e qual foi motivo.

  Escrito por Rafael Mallagutti, o texto traz várias referências históricas e mitológicas à cena. Cada personagem mostra suas características e peculiaridades de acordo com a mitologia a que estão conectados. Tudo isso contado de forma divertida, com situações super engraçadas, na comédia onde uma família de imortais faz um jogo de perguntas e respostas expondo o íntimo de suas famosas vidas, de uma maneira que você nunca viu.

A criação do jogo cênico e da construção dos personagens é trabalhada na comédia física com um ar de desenho animado e o grupo desenvolveu a criação do Monte Olimpo de maneira conjunta, inspirado nas características de tipos humanos existentes nos dias de hoje e que se encaixariam aos deuses tão famosos, em uma proposta de comédia rasgada e cheia de caras e bocas.

Manjar dos Deuses
Com Rafael Mallagutti, Caio Baldin, Pedro Ruffo, Carla Leandro, Elisa Malta, Marcos Teixeira, Victória Rocha, Jefferson Mascarenhas, Denis Yoshio, Thiago Marangoni e Diego Chimenes.
Espaço Parlapatões (Praça Franklin Roosevelt, 158 – Consolação, São Paulo)
Duração 80 minutos
12/08 até 02/09
Sábado – 23h59
$50
Classificação 12 anos

ATÉ QUE O CASAMENTO NOS SEPARE

Nos dias atuais em que os relacionamentos são tão efêmeros, durando cada vez menos, em que numa semana o casal está na capa da revista mostrando o começo de namoro e na semana seguinte o fim da união, ficar junto durante 20 anos não é tarefa fácil.

Em Até que o Casamento nos Separe, reestreia dia 19 de agosto no Teatro Itália, conta as intimidades de Otávio (Eduardo Martini) e Maria Eduarda (Suzy Rego), durante os seus 20 anos de história.

Com inteligência e romantismo Até que o Casamento nos Separe, é não só uma grande comédia, mas uma seqüência de momentos hilários que poucas vezes são tão bem colocados. Tavinho e Duda com a maior sinceridade abrem sua vida, cheia de comédia, contrapontos e riqueza de detalhes onde fica absolutamente impossível não se identificar com algum fato da vida deles.

Durante a peça eles falam com muito bom humor sobre assuntos pertinentes a qualquer casal: TPM, a lua de mel, o cotidiano da casa, a divisão de tarefas, as brigas, o balanço da relação e de amor. FOTO 02 A.jpg

Até Que o Casamento Nos Separe
Com Eduardo Martini e Suzy Rêgo
Teatro Itália, (Av. Ipiranga 344 – República, São Paulo)
Duração 80 minutos
19/08 até 01/10
Sábado – 21h30; Domingo – 19h
$80
Classificação 12 anos

AUTOBIOGRAFIA AUTORIZADA

Depois de passar por várias cidades do Brasil, o ator Paulo Betti estreiou o monólogo Autobiografia Autorizada, no dia 11 de agosto(sexta-feira, às 21h30), no Teatro Vivo, em São Paulo. O espetáculo, dirigido pelo próprio ator em parceria com Rafael Ponzi, comemora os 40 anos de carreira de Paulo, que também assina o texto. A montagem está em turnê pelo Brasil por meio do projeto Vivo EnCena.

No palco, Betti interpreta, com muito humor, histórias que viveu e ouviu na infância e adolescência. São passagens que ficaram registradas em sua memória e em anotações que fazia sobre tudo que acontecia à sua volta, em busca de compreender a própria vida. Os textos eram anotados em grandes blocos onde também fazia colagens de fatos da época. Este “livro” de memórias compõe a cena do espetáculo.

A história de Paulo Betti (64 anos) começou no mundo rural onde o avô, um imigrante italiano, trabalhava como meeiro para um fazendeiro negro, em Sorocaba, SP. “Eu via a fazenda da perspectiva da senzala”, relembra. Sua mãe, uma camponesa analfabeta, ao se mudar para a cidade, trabalhou como empregada doméstica, para criar os 15 filhos (Paulo é o décimo quinto, temporão, com 10 anos de diferença de do irmão mais novo). Seu pai era esquizofrênico. Apesar disso, Paulo estudou em boas escolas, cursou um Ginásio Industrial em tempo integral, se formou pela Escola de Arte Dramática da USP e foi professor na Unicamp.

O testemunho do ator, autor e diretor, que interpreta pai, mãe, avó e muitos outros personagens da própria vida, brinda o público com uma peça emocionante. Com bom humor, poesia e dor, Paulo mergulha na vida dessas personagens de sua história e emerge com uma peça edificante que reafirma a importância do ensino publico e do trabalho social para a valorização do ser humano.

Segundo Paulo Betti, lendo as anotações que fez no decorrer de quase uma vida inteira, chegou à conclusão que, todo o tempo, preparava-se para revelar as extraordinárias condições que o levaram a sobreviver e a contar como isso aconteceu. “Minha fixação pela memória da infância e adolescência, passada num ambiente inóspito e ao mesmo tempo poético, talvez mereça ser compartilhada no intuito de provocar emoção, riso, entretenimento e entendimento”, comenta o artista.

Entre as lembranças vividas em Autobiografia Autorizada, estão os momentos em que ouvia radionovelas enquanto ajudava a mãe na tarefa de passar roupas (ela também desempenhava esta função para completar o orçamento). “Lembro-me bem de Adoniran Barbosa na pele de Charutinho em Histórias das Malocas”, relembra o ator. A história do irmão cavaleiro que dormiu montado no cavalo, a memória da carrocinha que recolhia cachorros de rua, os momentos como funcionário do Hospital Votorantim e a descrição do cardápio do bandejão do Centro Residencial da USP, também estão entre as histórias do espetáculo. E não poderiam ficar de fora fatos curiosos dos bastidores da televisão e do cinema, além da revelação sobre o beijo na TV: afinal, ele é técnico ou real?

A encenação é calcada na interpretação e na força do texto. Além da iluminação e do figurino, belas projeções de vídeo integram a ambientação cênica. O ator também manipula alguns objetos como a faca pontiaguda que sua avó usava para matar o porco e o pião que fazia girar quando criança.

Paulo Betti busca inserir o espectador na história, antes mesmo de entrar em cena. Ainda no saguão, o ator se aproxima do público que, ao entrar no teatro, é envolvido pela trilha sonora com músicas dos anos 60 e 70. Assim, inicia-se a cumplicidade entre o artista e sua plateia.Autobiografia Autorizada é um amalgama do Brasil profundo, inspirada pela inusitada historia de superação de Paulo, que percorre o trajeto riquíssimo da roça à cidade, contando um pouco da historia da Imigração Italiana no Brasil.

Paralelamente ao espetáculo, Paulo produziu e dirigiu um novo longa-metragem que será lançado em breve. Trata-se de A Fera na Selva, baseado na obra do escritor norte-americano Henry James, no qual também atua ao lado de Eliane Giardini. O filme é uma adaptação para o cinema do espetáculo que ele encenou com a atriz e ex-mulher, em 1992, que lhe rendeu o Prêmio Shell de Melhor Ator. As filmagens foram realizadas em Sorocaba, sua cidade natal onde conheceu Eliane.

 

Autobiografia Autorizada
Com Paulo Betti
Teatro Vivo (Av. Dr. Chucri Zaidan, 2460. Vila Cordeiro. São Paulo)
Duração 110 minutos
11/08 até 01/10
Sexta – 21h30; Sábado – 21h; Domingo – 18h
$50
Classificação 12 anos

OS MAUS

Com uma comédia política que flerta com o humor negro, o absurdo e o grotesco em uma história de perda e vingança, Os Maus faz temporada na Cia da Revista. As apresentações acontecem sempre sábados, às 21h e domingos, às 19h, até 3 de setembro. A montagem tem direção e dramaturgia de Fernando Nitsch e representa a primeira parte de uma trilogia chamada Não Restará Mais Nada.

A peça retrata de uma forma grotesca os perdedores. Em uma igreja abandonada, o destino destes homens será modificado para sempre após este encontro forçado. Os sonhos individuais se desmancham ao se depararem com a terrível realidade que os cercam. E a solução encontrada não parece ser a mais correta. Muitas são as dúvidas, porém uma é a certeza: do caos vem a barbárie.

Todo o teor do espetáculo vai para o clima da comédia, onde até a derrota do Brasil por 7 x 1 para a Alemanha é colocada como uma metáfora para relembrar a questão das frustrações dos personagens. A encenação parte do estudo do bufão com um trabalho físico intenso dos atores ao trazer um resultado envolvendo ironia, falsa moral, hipocrisia dos personagens, característica refletida também no figurino. O cenário é uma igreja abandonada ou fechada para reformas. A iluminação revela uma atmosfera noir com a penumbra, um clima que dialoga com os quadrinhos do autor Frank Miller. Um dos exemplos é o clássico soturno Batman: O Cavaleiros das Trevas (1986), também conta com os desenhos de Klaus Janson.

Fernando Nitsch falou sobre os elementos que compõe a montagem. “O ponto de partida para a criação do espetáculo é o livro O Capital no Século XXI, de Thomas Piketty, onde o autor aborda o tema da desigualdade em que o sistema privilegia poucos em detrimento de muitos. Outra base foi a obra Deus, Um Delírio, do cientista Richard Dawkins, assim podemos abordar o lado religioso, junto os aspectos políticos e econômicos que regem toda a orquestração. Além disso, inserimos a comédia, as referências de Frank Miller, as lutas em cena, características que toda boa história em quadrinhos pode ter”.

A concepção de direção e de dramaturgia foi pensada no conceito carrossel de atrações, de Vsevolod Meyerhold. A ideia é de que cada cena traz uma nova informação, um novo gatilho e fôlego para a plateia. E acima de tudo, o projeto nasceu com a intenção de discutir um tema dos nossos tempos, um assunto potente e cotidiano que precisa estar em evidência como as questões que contaminam as nossas vidas”, finaliza o diretor e o dramaturgo.

SINOPSE
O que poderíamos esperar de homens que durante toda a vida não conseguiram triunfar em absolutamente nada? A peça retrata de uma forma grotesca os perdedores. Em uma igreja abandonada o destino destes homens será modificado para sempre após este encontro forçado. Os sonhos individuais se desmancham ao se depararem com a terrível realidade que os cercam. E a solução encontrada não parece ser a mais correta. De saída, uma óbvia revelação: somos todos perdedores. Muitas são as dúvidas, porém uma é a certeza: do caos vem a barbárie.

 

Crédito Juliana Smanio (195)

Os Maus
Com Decio Pinto Medeiros; Fernando Nitsch; Gustavo Bricks; Heitor Goldflus; Mario Luiz; Mateus Menoni; Murilo Cezar; Nelsinho Ribeiro e Paulo Vasconcelos.
Cia da Revista (Alameda Nothmann, 1135 – Santa Cecília, São Paulo)
Duração 70 minutos
12/08 até 03/09
Sábado – 21h; Domingo – 19h
$40
Classificação 14 anos