NUNCA FOMOS TÃO FELIZES

O espetáculo Nunca Fomos tão Felizes, a nova produção da Applauzo e a Lugibi, está em cartaz no Teatro Itália, o. No elenco Eduardo Martini, Larissa Ferrara, Luccas Papp, Mateus Monteiro e Nicole Cordery, com texto e direção de Dan Rosseto (ganhador do Prêmio Nelson Rodrigues de personalidade do Teatro de 2018).

Esse novo espetáculo de Rosseto, acontece em uma noite de inverno de 1962. Nancy fez planos para comemorar o aniversário de casamento durante o jantar; seu marido Charlie sonha com a promoção na concessionária de Billie, um velho lascivo casado com Simone, uma mulher autentica com pensamentos de vanguarda.

Num clima de sedução e permissividade Charlie e Nancy são presos na teia de Billie e Simone. O velho se mostra desde o início seguro, uma persona que consegue tudo o que deseja. Simone, uma mulher à frente de seu tempo, extravasa sua frustração com o cinismo e a ironia de quem manipula cada situação a seu favor.

A verdade se torna algo degradante, após a entrada do subestimado e não convidado Frank. Aos poucos o espectador monta um quebra cabeça psicológico e cruel, observando cair às máscaras sociais assumidas pelas personagens por proteção e medo de expor os sentimentos.

O que era para ser um jantar de celebração transforma-se numa fogueira das vaidades, revelando a perturbadora face de cada um. O espectador, voyer da catástrofe alheia é testemunha dos acontecimentos sem imaginar a triste sentença. Afinal todo mundo oculta a verdade nos assuntos sexuais.

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Nunca Fomos Tão Felizes

Com Eduardo Martini, Larissa Ferrara, Luccas Papp, Mateus Monteiro e Nicole Cordery

Teatro Itália, (Av. Ipiranga 344 – República, São Paulo)

Duração 100 minutos

18/01 até 17/03 (não haverá apresentações 01, 02 e 03/03)

Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 18h

$60

Classificação 12 anos

À LA CARTE

Em temporada de 14 a 23 de fevereiro (quintas e sextas, às 20h; sábados, às 18h), na Oficina Cultural Oswald de Andrade, a Cia Fragmento de Dança estreia “À La Carte”, trabalho que resulta de três residências artísticas, propostas no projeto “Dança depoimento em contágio”, realizadas no Espaço Cultural Casa da Vila, na Oficina Cultural Oswald de Andrade e no Coletivo Calcâneo, que se desdobraram numa emersão no Kasulo Espaço de Cultura e Arte, sede da companhia, com parte dos envolvidos. A entrada é gratuita.

A pesquisa parte do interesse em discutir o depoimento e a experiência de alteridade na construção da cena. Espaços privados e públicos se atritam para fazer perceber o que se produz a partir da relação eu-outro, como reconhecer o que nos é estrangeiro e o que se deseja produzir a partir desses encontros. Como disparadora, traz a questão “É possível estarmos juntos?”

Composto de entrada, prato principal e sobremesa, “À La Carte” se baseia em depoimentos pessoais, imagens e memórias de infância,  relações e proposições grupais, temperadas com uma pitada de política, e convida o público a escolher o que será degustado em forma de dança. Um processo de criação, inevitavelmente, passa por memórias; nos remetemos a nós mesmos em alguma atuação ou construção de um personagem. Para mim, depois de todas as pesquisas feitas, o que diferencia na dança depoimento ou no teatro do real ou no cinema documentário, não é o processo de criação, mas o pensamento disso como linguagem que acontece por meio do pacto com o público; a partir de como esse pacto é firmado, a relação muda e vai diferenciar a própria dramaturgia e a recepção do espectador”,considera Vanessa Macedo, diretora da Fragmento de Dança.

Concebido e dirigido por Vanessa Macedo, o trabalho traz 14 artistas em cena, cinco integrantes que compõem o elenco atual da Cia Fragmento de Dança – Chico Rosa, Diego Hazan, Letícia Mantovani, Maitê Molnar e Vinicius Francês -, e outros nove convidados – Ana Clara Poltronieri, Cristiano Saraiva, Gabriela Branco, Gervásio Braz, Joelma Souza, Júlia Lima, Larissa Pretti, Rafael Barzagli e Thainá Souza. A iluminação é de André Prado e Daise Neves assina o figurino.

O projeto “Dança Depoimento em Contágio” foi contemplado pela 24ª Edição do Programa de Fomento à Dança para a Cidade de São Paulo.

À La Carte

Com Ana Clara Poltronieri, Chico Rosa, Cristiano Saraiva, Diego Hazan, Gabriela Branco, Gervásio Braz, Joelma Souza, Júlia Lima, Larissa Pretti, Letícia Mantovani, Maitê Molnar, Rafael Barzagli, Thainá Souza e Vinicius Francês

Oficina Cultural Oswald de Andrade (Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro, São Paulo)

Duração 70 minutos

14 a 23/02

Quinta e Sexta – 20h, Sábado – 18h

Entrada gratuita (distribuição 1h antes do horário da apresentação)

Classificação 14 anos

MANSA

Depois de estrear no Rio de Janeiro integrando a programação do festival Cena Brasil Internacional em junho de 2018 no CCBB Rio, Mansa, com dramaturgia de André Felipe e direção de Diogo Liberano, desembarca em São Paulo e estreia no Viga Espaço Cênico – sala Viga, no dia 8 de fevereiro. A temporada segue até 31 de março, com sessões às sextas e aos sábados, às 21h; e aos domingos, às 19h.

Na trama, Amanda Mirásci e Nina Frosi interpretam duas irmãs que, após anos de abuso em cárcere privado, matam o pai e enterram seu corpo nos fundos da casa. Mais do que apresentar um mero crime, a peça busca investigar a origem da violência contra a mulher.

Seguindo o jogo proposto pela dramaturgia, as atrizes dão vida a diferentes personagens e, como detetives ou arqueólogas, vão progressivamente desenterrando uma história silenciada, deixada na terra e perdida no tempo. Os personagens – todos eles masculinos – observam o drama das irmãs por diferentes ângulos, anunciando um constante processo de “amansamento” feminino. A montagem chama atenção para inúmeros crimes praticados contra as mulheres e que não recebem a devida punição, naturalizando a violência contra elas em nossa sociedade contemporânea.

A dramaturgia é construída por meio de fragmentos que se estendem por vários tempos, desde a infância das duas irmãs, passando pela adolescência, até o ato do crime e momentos posteriores a ele: julgamento, prisão e futuro. O terreno onde o corpo do pai foi enterrado é o espaço que une as cenas passadas, presentes e futuras, ganhando contornos que extrapolam uma única narrativa e abrindo aos espectadores o mesmo desafio: como afirmar algo sobre uma história que não é contada por suas vítimas, mas quase sempre por seus violentadores?

A encenação de Diogo Liberano buscou construir, junto à direção de movimento de Natássia Vello, uma dramaturgia corporal que apresenta diversos momentos da vida dessas irmãs. Por meio de uma relação de encaixe e desencaixe, a dramaturgia se relaciona com tais movimentos buscando abrir perguntas sobre os fatos narrados pelos personagens masculinos e a realidade vivida e sentida pelas mulheres que foram emudecidas. A trilha sonora original de Rodrigo Marçal, o cenário e os figurinos de André Vechi e a iluminação de Livs Ataíde visam, de modos variados, encontrar e completar uma história que foi esquecida e silenciada.

O autor André Felipe partiu de referências sugeridas pelo diretor e pelas atrizes para criar a dramaturgia original. Uma das origens da investigação foi a clássica dramaturgia “Antígona” do grego Sófocles. “O embate vivido entre as irmãs Antígona e Ismênia: uma querendo tomar uma decisão que desafiaria o Estado e causaria a sua morte e a outra amedrontada em realizar uma ação considerada indevida para uma mulher naquela época”, comenta Liberano sobre o processo de pesquisa que também incluiu estudos filosóficos e filmes sobre penitenciárias e instituições de confinamento.

Tínhamos o desejo de falar do confinamento e da instituição prisão modelando e domesticando o corpo da mulher”, acrescenta o encenador. O nome do espetáculo foi uma sugestão do dramaturgo a partir do poema “Uma mulher limpa”, do livro “Um Útero é do Tamanho de Um Punho”, da escritora Angélica Freitas (que segue transcrito abaixo):

porque uma mulher boa

é uma mulher limpa

e se ela é uma mulher limpa

ela é uma mulher boa

há milhões, milhões de anos

pôs-se sobre duas patas

a mulher era braba e suja

braba e suja e ladrava

porque uma mulher braba

não é uma mulher boa

e uma mulher boa

é uma mulher limpa

há milhões, milhões de anos

pôs-se sobre duas patas

não ladra mais, é mansa

é mansa e boa e limpa

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Mansa

Com Amanda Mirásci e Nina Frosi

Viga Espaço Cênico – Sala Viga (Rua Capote Valente, 1323 – Pinheiros, São Paulo)

Duração 70 minutos

08/02 até 31/03

Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h

$40

Classificação 16 anos

FESTIVAL TEATRO INFANTIL NO SESC PINHEIROS

Em fevereiro, as crianças poderão conferir uma série de shows e peças de teatro no Sesc Pinheiros.

O espetáculo Pequena Magdalenada Companhia de Copas, segue temporada até dia 10 de fevereiro.

No dia 9 de fevereiro, na praça, entra em cena a montagem Navegar, do grupo Esparrama.

O auditório recebe o show Bichos de Cá dias 17 e 24 de fevereiro. Nos dias 23 e 24 de fevereiro, a peça Um Canto para Carolina, da Cia dos Inventivos, será apresentada na praça.

A programação infantil encerra com o show Pelo Mundo com Mawacado grupo Mawacadia 24 de fevereiro, no Teatro Paulo Autran.

PROGRAMAÇÃO

Teatro – Pequena Magdalena

Com Companhia de Copas

Domingos, 15 e 17 horas, até 10 de fevereiro

Local: Auditório (98 lugares)

Recomendação: 5 anos. Duração: 60 minutos.

Preços: Grátis para crianças até 12 anos. R$ 17,00 (inteira), R$ 8,50 (meia entrada: estudante, servidor de escola pública, + 60 anos, aposentados e pessoas com deficiência) e R$ 5,00 (credencial plena do Sesc – trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes).

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Às vésperas do Dia dos Mortos, uma animada festa no México, Magdalena se envolve em uma grande confusão e corre o risco de arruinar a mais tradicional festa de seu país. A peça é inspirado na infância da artista plástica mexicana Frida Kahlo (1907 – 1954).

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Teatro – Navegar

Com Grupo Esparrama

9 a 17 de fevereiro, sábados e domingos, 16 horas

Local: Praça

Recomendação: Livre. Duração: 50 minutos.

Grátis

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Grupo Esparrama apresenta o espetáculo Navegar – originalmente encenado no Minhocão – que traz como tema a relação das crianças com os espaços urbanos e a forma como elas interagem com a cidade. Durante a viagem de dois navegadores de cidade, Nina e Samuel, eles se juntam para transformar as ruas e vielas por onde passam. Porém, eles são surpreendidos pelo Gatão que se proclamou o dono de todas as coisas do mundo e que agora quer o barco deles. Ele e seus capangas usarão de todos os disfarces para enganá-las, mas, com a ajuda de seus amigos pássaros, as crianças descobrirão que para a imaginação não há limites, se não for possível navegar pela cidade, sempre será possível voar por ela.

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Show – Bichos de Cá

Com Grupo Nhambuzim

Dias 17 e 24 de fevereiro, domingos, 15 e 17 horas

Local: Auditório (98 lugares)

Recomendação: Livre. Duração: 60 minutos.

Preços: Grátis para crianças até 12 anos. R$ 17,00 (inteira), R$ 8,50 (meia entrada: estudante, servidor de escola pública, + 60 anos, aposentados e pessoas com deficiência) e R$ 5,00 (credencial plena do Sesc – trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes).

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Misturando música, folclore e meio ambiente, o grupo apresenta espécies da nossa fauna a partir de expressões da cultura popular brasileira. Para cada bicho, uma canção, e cada canção num ritmo característico da região onde ele vive. Tem o carimbó do peixe-boi, o jongo do muriqui, o maracatu do jabuti e muito mais. O espetáculo propõe uma viagem às florestas, planícies e sertões do Brasil, revelando um pouco da nossa diversidade cultural e ambiental.

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Teatro – Um Canto para Carolina

Com Cia dos Inventivos

Sábado e domingo, 23 e 24 de fevereiro, 16 horas

Local: Praça

Recomendação: Livre. Duração: 50 minutos.

Grátis

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Inspirado na obra Quarto de Despejo, da autora mineira Carolina Maria de Jesus, o espetáculo dialoga com o público infantil ao mostrar para as crianças as injustiças e contradições em que vivem outras tantas crianças no país. Na peça são abordadas questões como o medo da morte, o questionamento das diferenças sociais, as relações com a sociedade e com a família.

Na trama, os irmãos João, José e Vera recebem de presente o primeiro exemplar da publicação do livro-diário Quarto de Despejo, escrito por sua mãe, Carolina Maria de Jesus. Mergulhando no cotidiano registrado por ela, os filhos revivem suas histórias de luta por uma vida melhor.

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Show – Pelo Mundo com Mawaca

Com Mawaca

Dia 24 de fevereiro, domingo, 17 horas

Local: Teatro Paulo Autran (1010 Lugares)

Recomendação: Livre. Duração: 60 minutos.

Preços: Grátis para crianças até 12 anos. R$ 30,00 (inteira), R$ 15,00 (meia entrada: estudante, servidor de escola pública, + 60 anos, aposentados e pessoas com deficiência) e R$ 9,00 (credencial plena do Sesc – trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes).

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O grupo Mawaca apresenta o espetáculo infantil Pelo Mundo com Mawaca, que propõe uma viagem pelos ritmos e canções de países como França, Albânia, Tanzânia, Índia, Portugal, Israel e Brasil. Por meio de uma trama de sons e histórias que educam e entretém a plateia, o show é baseado no livro De todos os cantos do mundo (Cia das Letrinhas), escrito por Heloisa Prieto e Magda Pucci. O grupo passeia também por uma canção em Suaíli, por uma dança portuguesa, um canto indígena da Amazônia, uma oração à deusa Kali e uma dança circular hebraica.

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PORTAR(IA) SILÊNCIO

A experiência de nove porteiros do Nordeste que migraram para São Paulo somada à sua própria vinda à cidade mais populosa do Brasil tornaram-se metáfora sobre processos migratórios pelas mãos do artista potiguar João Batista Júnior. O monólogo Portar(ia) Silêncio, que une teatro documental e linguagem cinematográfica, estreia dia 11 de janeiro, sexta-feira, 20h30, no auditório do Sesc Vila Mariana. João Júnior, idealizador da peça, também é diretor e fundador do Coletivo Estopô Balaio, grupo de artes integradas composto majoritariamente por artistas migrantes.

O processo de criação do espetáculo partiu de uma pesquisa de João sobre a memória nordestina na cidade de São Paulo. Após entrar em contato com o porteiro do prédio em que vive, o artista descobriu que nessa classe de trabalhadores há inúmeros casos semelhantes de migração, o que condensa outros aspectos do tema, como o olhar colonialista e aristocrático sobre o Nordeste do país, os preconceitos linguísticos e a falta de reconhecimento identitário de sua cultura local nas dinâmicas impostas pela cidade. O recorte da capital paulista a partir do olhar dos porteiros migrantes é um símbolo de como a dinâmica urbana contrapõe hábitos e vivências dessas pessoas, grande parte delas vinda de zonas rurais do Nordeste.

A portaria virou metáfora para implicações existenciais. O porteiro é um trabalhador do silêncio e ocupa um lugar parecido com o da própria história da migração, que é não estar dentro nem fora, não estar num espaço público nem privado, além de receber com frequência um olhar e um tratamento estereotipado sobre seu local de origem”, explica João, que vive há dez anos em São Paulo.

Na peça, uma ficção documental, João entrelaça depoimentos dos porteiros gravados em vídeo e projetados na parede do auditório com sua interpretação. “Ocupo um lugar de ator, mas não de personagem. Transito entre esses homens numa espécie de presentificação das suas histórias. Há um trabalho forte com a palavra, a prosódia, o sotaque e os locais de onde vem cada uma dessas pessoas”, destaca. Os nove porteiros que se dispuseram a gravar os depoimentos para João são dos estados de Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Bahia, Sergipe e Piauí.

Entre as referências que apoiaram a criação de Portar(ia) Silêncio, João destaca o livro Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto, bem como sua adaptação cinematográfica de 1977 assinada por Zelito Viana; o filme O Homem que Virou Suco, de João Batista de Andrade, sobre um poeta paraibano recém-chegado na cidade de São Paulo que lida com o choque identitário vivido na metrópole, e o documentário Santiago, de João Moreira Salles.

Na área da sociologia, João teve suporte dos livros Não Lugares, do etnólogo e antropólogo francês Marc Augé e Um Nordeste em São Paulo: Trabalhadores Migrantes em São Miguel Paulista (1945 – 1966), estudo do sociólogo Paulo Fontes cujo bairro escolhido para observar o fluxo de migração nordestina era o mesmo que João prestava serviços como professor no período em que entrou em contato com a obra.

Em cena há uma mesa com um rádio de pilha, uma câmera de segurança e pedestais acoplados a focos de luz espalhados pelo palco. Os pedestais fazem as vezes de microfones, justificados por uma espécie de jogo dramatúrgico criado por João: “Faço perguntas que são respondidas pelos porteiros projetados na parede”, explica. Em outros momentos, o ator interpreta textos que se revelam respostas a questões levantadas pelos porteiros, criando uma espécie de entrevista as avessas, onde se alternam os lugares das perguntas e das respostas.

A relação com o cinema é preponderante na peça. O tempo todo há uma fricção da linguagem fílmica com o teatro”, ressalta o artista. Durante a encenação, João também dança e cria com o movimento uma nova camada que traz questões inconscientes da rotina de migrantes, como os deslocamentos, a percepção física, a sensação de despertencimento e o cansaço.

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Portar(ia) Silêncio

Com João Batista Júnior

Sesc Vila Mariana – Auditório (R. Pelotas, 141 – Vila Mariana, São Paulo)

Duração 60 minutos

11/01 até 16/02

Sexta – 20h30, Sábado – 18h

(Haverá sessão extra no dia 5 de fevereiro, terça-feira, 20h30.)

$20 ($6 – credencial plena)

Classificação 14 anos

ATRAVÉS DA IRIS

Através da Iris é uma homenagem à novaiorquina Iris Apfel, ícone mundial da moda aos 97 anos. “More is more, less is bore. Mais é mais, menos é chato“, uma brincadeira com o velho “menos é mais”, é o lema de Iris Apfel, empresária, designer de interiores, e hoje uma das maiores referências mundiais na arte pop e no mundofashion.

Inspirado nas ideias arrojadas e do humor algo ácido de Iris Apfel, a peça faz uma imersão no universo desta mulher, que inspira e surpreende artistas e criadores mundo afora com sua autenticidade e pensamento. Suas ousadas misturas ao se vestir, seus acessórios exuberantes, os óculos gigantes e roupas multicoloridas falam sobre a independência e autenticidade. Sobre experimentar – e se experimentar – sem medo do julgamento.

Quando ainda atuava como designer de interiores, Iris, junto ao seu marido, Carl Apfel (morto em 2015, aos 100 anos), viajava o mundo em busca dos tecidos perfeitos para a clientela ilustre que incluía nomes como Estée Lauder, Jacqueline Kennedy Onassis e Greta Garbo. A dupla foi chamada para decorar a Casa Branca por oito administrações: Truman, Eisenhower, Nixon, Kennedy, Johnson, Carter, Reagan e Clinton. Aos 84 anos de idade, a designer foi surpreendida por uma virada em sua vida: passou a ter seu estilo reverenciado pelo mundo todo depois se tornar tema de uma exposição no Metropolitan Museum de Nova York, onde inicialmente seriam apresentados cinco looksseus em uma pequena galeria, mas o evento se transformou numa exposição inteira com mais de 80 looks e cerca de 150 mil visitantes.

Uma das maiores surpresas que tive ao escrever o espetáculo, foi ter encontrado uma segunda personagem, dentro da nossa ‘Estrela Geriátrica’. Não são apenas, moda, estilo, frases ácidas e divertidas que permeiam seu universo. Descobri uma mulher de vida colorida – ela mesma fala que as cores ressuscitam os mortos – com uma larga experiência, movida pela vivacidade, bom humor e coragem. Encontrei uma Iris que serve de exemplo pra todos aqueles que desistiram da vida. Lembrem-se de que ela tem 97 anos e uma imensa alegria de viver!”, comenta o autor Cacau Hygino.

SINOPSE

Nathalia Timberg está em cena como Iris Apfel dando uma entrevista – ela abre sua casa e divide, com uma suposta equipe jornalística, suas histórias e opiniões sobre os mais variados assuntos, sem papas na língua.

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Através da Iris

Com Nathalia Timberg

Teatro Faap (Rua Alagoas, 903 – Higienópolis, São Paulo)

Duração 50 minutos

18/01 até 10/03

Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h

$80

Classificação não informada

O JARDIM DAS CEREJEIRAS

Para celebrar quarenta anos de vida artística o Grupo TAPA estreia O Jardim das Cerejeiras, de Anton Tchekhov (1860-1904), no dia 10 de janeiro, quinta-feira, às 20h30, no Teatro Aliança Francesa, palco que foi residência artística do grupo durante os primeiros quinze anos de atividades em São Paulo.

Com direção de Eduardo Tolentino de Araujo, o elenco é formado por Adriano Bedin, Alan Foster, Alexandre MartinsAnna Cecília JunqueiraBrian Penido RossClara CarvalhoGabriela WestphalGuilherme Sant’AnnaMariana MunizNatália Beukers, Paulo MarcosRiba CarlovichSergio Mastropasqua e Zécarlos Machado.

Última peça escrita pelo dramaturgo russo, a trama é ambientada no início do século 20 em uma Rússia na iminência da revolução social. Comédia dividida em quatro atos, a peça conta as peripécias de uma família aristocrata em decadência, que resiste em vender o seu jardim de cerejeiras, ao qual atribui valor afetivo, apesar de improdutivo nos últimos tempos. Um homem de negócios chega para tentar adquirir a propriedade e transformá-la em balneário para veranistas, de olho no potencial turístico.

Escrita em 1904, O Jardim Das Cerejeiras é um dos pilares da dramaturgia ocidental. Seu tema é a transformação: Um ciclo termina e outro começa. “Como é próprio dos jardins que renascem a cada primavera. Nada mais oportuno diante de um mundo que passa pela profunda transformação da era industrial para a digital”, diz Eduardo Tolentino de Araujo.

Para o TAPA, a montagem desse texto é um momento simbólico. Em 1998, ao completar vinte anos de trajetória, escolheram Ivanov, primeiro texto de Tchekhov, como marco de maioridade. E, agora, a sua obra prima final para celebrar a maturidade do grupo. “Nada mais instigante e desafiador do que enfrentar esse texto que há anos povoa nossos sonhos, sempre a espera da maturidade que pudesse dar conta da tarefa. É como fechar um ciclo, sobrepor o amadurecimento de um autor com o de um grupo de teatro. É urgente, afinal a vida passa como um átimo”, acrescenta o diretor.

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O Jardim das Cerejeiras
Com Adriano Bedin, Alan Foster, Alexandre Martins, Anna Cecília Junqueira, Brian Penido Ross, Clara Carvalho, Gabriela Westphal, Guilherme Sant’Anna, Mariana Muniz, Natália Beukers, Paulo Marcos, Riba Carlovich , Sergio Mastropasqua e Zécarlos Machado.
Teatro Aliança Francesa (Rua Gen. Jardim, 182 – Vila Buarque, São Paulo)
Duração 120 minutos
10/01 até 25/02
Quinta, Sexta e Sábado – 20h30, Domingo – 19h
$30/$60
Classificação 12 anos