1984

Um ano depois de sua bem-sucedida estreia, a adaptação dirigida por Zé Henrique de Paula para a distopia clássica 1984, do jornalista e romancista britânico George Orwell (1903-1950), volta em cartaz no Teatro do Núcleo Experimental, entre 1º e 24 de junho. O elenco é composto por Rodrigo Caetano, Zé Henrique de Paula, Gabriela Fontana, Eric Lenate, Marcelo Villas Boas, Inês Aranha, Laerte Késsimos, Felipe Ramos, Fabio Redkowicz e Chiara Scalett.

Considerado um dos romances mais influentes do mundo no século 20, 1984 foi publicado em 65 países e virou minissérie, filmes, quadrinhos, mangás, ópera e até inspirou o reality show Big Brother, criado em 1999 pela produtora holandesa Endemol. Recentemente, a obra foi transformada em uma adaptação teatral dos ingleses Duncan MacMillan e Robert Icke. Esta última versão foi o ponto de partida da montagem brasileira.

Escrita em 1949, a obra-prima de Orwell voltou a ganhar enorme destaque na era de Donald Trump, na qual a pós-verdade e os “fatos alternativos” tomaram conta da política. Prova disso é que o livro subiu na lista dos mais vendidos na Amazon desde a posse do presidente norte-americano e, segundo a editora, as vendas aumentaram em 10.000%.

A distopia se passa no fictício Estado da Oceânia, governado por um líder supremo chamado Grande Irmão, que chegou ao poder depois de uma guerra mundial que eliminou as nações e criou três grandes potências totalitárias. Esse Estado é pautado pela burocracia, censura e, sobretudo, pela vigilância. Quase sem qualquer forma de privacidade, cidadãos são espiados o tempo todo pelas “teletelas”, uma espécie de televisores espalhados nos lares e em lugares públicos, capazes de monitorar, gravar e espionar tudo.

Nesse lugar vive Winston Smith, funcionário do Ministério da Verdade, responsável por falsificar registros históricos para garantir que eles respaldem os interesses do Grande Irmão. O protagonista detesta o novo sistema, mas não tem coragem de desafiá-lo. Ele apenas declara seu ódio nas páginas de um diário secreto. Isso muda quando ele conhece Júlia, uma funcionária do Departamento da Ficção. Juntos eles sonham com uma rebelião e praticam pequenos atos de desobediência. A represália aos amantes será brutal.

No Núcleo Experimental, costumamos dizer que os temas que nos interessam discutir sobre o palco são aqueles que nos provocam raiva. Esta montagem de 1984 vem contaminada dessa revolta, dessa profunda indignação em relação à Polícia das Ideias que persegue o livre pensamento e vaporiza quem não corrobora o sistema, em relação ao Ministério da Verdade que produz uma sequência interminável de notícias falsas que confundem e manipulam os fatos, em relação ao Departamento de Ficção que imbeciliza e amansa a população e até mesmo à Novafala, a tentativa do poder estabelecido de minar a linguagem ao ponto de impedir a capacidade de pensamento”, comenta o diretor.

Sobre a adaptação de Duncan MacMillan e Robert Icke, Zé Henrique de Paula acrescenta: “Ela ressalta e funde duas ideias aparentemente opostas, ficção e realidade. Qual delas é mais preponderante sobre a outra? Elas são necessariamente excludentes? No que acreditar mais, naquilo que se supõe ficcional ou no que nos ensinaram que é real? Em época de ficcionalização da vida privada através das infames redes sociais, os adaptadores colocam Winston Smith – que ainda traz em si uma centelha de consciência – no centro de um redemoinho de acontecimentos ora reais, ora ficcionais, que poderia muito bem ser encarado como um reality show a respeito do próprio Winston. Isso amplifica o alcance do romance e aproxima a distopia ao nosso presente”.

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1984

Com Rodrigo Caetano, Zé Henrique de Paula, Gabriela Fontana, Eric Lenate, Marcelo Villas Boas, Inês Aranha, Laerte Késsimos, Felipe Ramos, Fabio Redkowicz e Chiara Scalett

Teatro do Núcleo Experimental (Rua Barra Funda, 637 – Barra Funda, São Paulo)

Duração 90 minutos

01 a 24/06 (não haverá sessão no dia 10/06)

Sábado – 21h, Domingo – 19h, Segunda – 21h

$40

Classificação 14 anos

ABRE A JANELA E DEIXE ENTRAR O AR PURO E O SOL DA MANHÃ

Com direção de André Garolli, o espetáculo narra a história de duas mulheres, Heloneida e Geni, que foram condenadas à prisão perpétua. De origens e crimes diferentes, se conheceram atrás das grades e tornaram-se amigas para sobreviverem. A desorientação delas em relação ao tempo e espaço é evidente.  Reveem suas vidas interrompidas transitando entre a loucura e a razão. Estão presas numa cela de prisão, num manicômio, purgatório, inferno ou na mente delas?

Com humor e sensibilidade, o autor Antônio Bivar expõe o espírito do Brasil e os valores dos anos 60, inspirado pela linguagem do teatro do absurdo, pelo existencialismo e pela metateatralidade. Elenco desta montagem é formado por Angela Figueiredo, Fernanda Cunha e Fernando Fecchio.

Abre a Janela e Deixa Entrar o Ar Puro e o Sol da Manhã ganha uma nova temporada na SP Escola de Teatro, entre 14 de junho e 1º de julho, com apresentações às sextas, aos sábados e às segunda, às 21h, e aos domingos, às 19h. A peça estreou em 2018 no Centro Cultural São Paulo.

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Abre a Janela e Deixa Entrar o Ar Puro e o Sol da Manhã

Com Angela Figueiredo, Fernanda Cunha e Fernando Fecchio

SP Escola de Teatro (Praça Roosevelt, 210 – Consolação, São Paulo)

Duração 75 minutos

14/06 até 01/07

Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h, Segunda – 21h

$20

Classificação 14 anos

OS ANALFABETOS

A CAIXA Cultural Rio de Janeiro recebe, de 7 a 23 de junho, o espetáculo “Os Analfabetos”, com direção do curitibano Adriano Petermann e dramaturgia inédita de Paula Goja. A autora, que também está em cena e assina a produção, se inspirou em obras do cineasta sueco Ingmar Bergman, em especial em os filmes “Persona” e “Cenas de um casamento”. As apresentações acontecem de sexta a domingo, às 19h, com ingressos a partir de R$ 15.

A peça gira em torno do jantar promovido pelo ator Deco (Douglas Silveira), que finalmente consegue seu primeiro papel na televisão. Ele reúne amigos na casa de Mariana (Stella Mariss), uma famosa atriz famosa que, durante uma apresentação de “Vestido de noiva”, resolve calar-se perante o mundo. Não se sabe ao certo se ela está doente ou se, simplesmente, optou pelo silêncio. A sonhadora enfermeira Beth (Mariana Rosa) a acompanha em seu tratamento e, em paralelo, o casal Eva (Paula Goja) e Max (Paulo Maia), convidados para o evento, está prestes a assinar os papéis do divórcio, mas ainda depende emocionalmente um do outro. A essa comemoração, junta-se o personagem Luciano (Antonio Pina), que representa o alter ego do cineasta controlador que aparenta ser o mais bem sucedido de todos. Mas só aparenta.

Para a autora Paula Goja, todos os seis personagens querem romper com seus padrões, porém há uma enorme falta de conexão emocional entre eles. “Por isso o título analfabetos”, esclarece. “Em tempos atuais, de tanta intolerância e falta de escuta, a única coisa que pode nos salvar é o afeto”, reflete.

Apesar dos poucos elementos cênicos, o clima é sombrio, com referências diretas ao dark dos anos 80. O diretor Adriano Petermann criou uma realidade própria para a encenação, fugindo dos padrões habituais, com uma linguagem cheia de contrastes que alternam entre o surrealismo e metalinguagem e interferências Rodrigueanas. Em sintonia com a atmosfera do espetáculo, a trilha traz canções post-punks que se encaixam perfeitamente à iluminação de Fernanda Mantovani, que também é operada pelos atores em cena, e ao figurino com ares góticos de Maurren Miranda.

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Os Analfabetos

Com Antonio Pina, Douglas Silveira, Mariana Rosa, Paula Goja, Paulo Maia e Stella Mariss

CAIXA Cultural Rio de Janeiro – Teatro de Arena (Av. Almirante Barroso, 25 – Centro, Rio de Janeiro)

Duração 60 minutos

07 a 23/06

Sexta, Sábado e Domingo – 19h

$30

Classificação 12 anos

AI-5: UMA RECONSTITUIÇÃO CÊNICA

No dia 14 de junho (sexta), às 21h, o espetáculo de teatro documentário AI-5: Uma Reconstituição Cênica, estreia nova temporada no teatro Arthur Azevedo, na Mooca, região leste da capital paulista. Com sessões sextas e sábados, às 21h, e domingos, às 19h, até 14 de julho, o projeto segue em cartaz há três anos pelo Coletivo Ato de Resistência – A política em cena.

A dramaturgia nasce a partir da gravação disponibilizada pela Comissão da Verdade, de uma reunião que ocorreu em 13 de dezembro de 1968, em que o Conselho de Segurança Nacional se reúne com o então presidente General Arthur da Costa e Silva para votar a aprovação da proposta de Ato Institucional número 5. Sua aprovação deu início à fase mais sangrenta do regime ditatorial civil-militar brasileiro, deixando feridas abertas na política e também vida pública até os dias de hoje. O objetivo do espetáculo é manter viva e ativa a lembrança e a denúncia do período histórico da ditadura civil-militar em nosso país, e dos crimes cometidos pelo terrorismo de Estado.

Com concepção de Paulo Maeda e, neste ciclo, com direção coletiva de Leticia Negretti, Rafael Castro, Rodolfo Morais e Renato Mendes, o ensejo da peça não é apenas o retrato de uma ocorrência no período da ditadura brasileira, mas remete, em paralelo, a atualidade do inexplicável efeito saudosista que o autoritarismo causa em grande parte da sociedade, não apenas do Brasil, mas em grande parte do mundo.

É também a partir dos acontecimentos contemporâneos na política brasileira, que a peça incorpora performaticamente acontecimentos e polêmicas declarações – com ocorrência quase diária – que causam escândalo na imprensa e nas redes sociais.

O espetáculo nasceu a partir da leitura do livro ‘A ditadura envergonhada’, de Elio Gaspari. Enquanto lia um capítulo específico chamado ‘A missa negra’, percebi que ele citava muitas frases prontas dos ministros que estavam na reunião do dia 13 de dezembro e fiquei curioso para ter também acesso a isso. Foi quando descobri a ata e os áudios. Em 2016, estávamos vivendo um momento que era muito duro com o golpe da então presidente democraticamente eleita e eu vi que os discursos feitos para tirá-la do poder eram muito parecidos com os de 1968. E dessa proximidade, eu pensei em fazer uma reprodução daquele momento com 20 atores brancos em cena, mostrando a ostensividade desse conservadorismo”, afirma o diretor Paulo Maeda.

Segundo a nova direção desse ciclo de apresentações: “No ano de 2019, em que grupos saudosistas e apoiadores da ideia da ditadura civil-militar brasileira, se manifestam abertamente em vias públicas e mesmo em cargos de poder, entendemos como urgente retomar e manter em circulação nosso espetáculo. Sem perder o caráter documental, mas acrescentando elementos de revista, nossa versão atual mantém-se viva e em princípio de work-in-progress, radicalizando o jogo entre os atores que compõem a mesa e os diálogos com a situação atual. Mostramos assim que a história não é linear, que não há acontecidos deixados para trás, mas ecos, que habitam nossa estética e nossa ética, no palco e nas ruas.”, conclui o diretor.

Sinopse Numa estética documental, reconstituímos a noite de 13 de dezembro de 1968, em que o Conselho de Segurança Nacional se reúne com o presidente Gal. Arthur da Costa e Silva para votar a aprovação da proposta de Ato Institucional número 5. Sua já antecipada aprovação dará início à fase mais sangrenta do regime ditatorial civil-militar brasileiro, deixando feridas abertas que podem ser sentidas e vistas em nossas política e vida pública ainda hoje. O espetáculo se utiliza das gravações originais das falas dos ministros presentes, bem como traça paralelos contundentes com a contemporaneidade.

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AI-5: Uma Reconstituição Cênica

Com Alexander Vestri, André Hendges, André Castelani, André Pastore, Caio Marinho, Cristiano Alfer, Dagoberto Macedo, Danilo Minharro, Fernando Pernambuco, Gero Santana, Guilherme Conradi, Leticia Negretti, Lucas Scandurra, Luiz Campos, Mario Spatizziani, Michel Galiotto, Pedro Felício, Pedro Stempniewski, Rafael Castro, Ramon Gustaff, Renato Mendes, Ricardo Socalschi, Roberto Borenstein, Roberto Mello, Rodolfo Morais, Rodrigo Marques, Thalles Alves, Thiago Marques e Wilson Saraiva

Teatro Arthur Azevedo (Av. Paes de Barros, 955 – Mooca, São Paulo)

Duração 120 minutos

14/06 até 14/07

Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h

$30

Classificação 14 anos

A FILHA DA MÃE

Realizado inteiramente por mulheres, o espetáculo A Filha da Mãetexto inédito de Livia Piccolo, estreia no Viga Espaço Cênico em curta temporada de 1º a 30 de junho. Com atuação de Joana Dória, a peça fala sobre a condição materna nos dias de hoje, desvinculando-a do idealismo e do romantismo que cerca o assunto. Para isso, atravessa temas como o patriarcado, o aborto, o feminismo e a morte.

O projeto nasceu do encontro entre essas duas artistas e mães e marca a primeira direção teatral de Livia Piccolo. Ela começou a escrever as primeiras palavras do texto em 2016, pouco depois do parto de seu filho. “Não se trata de um relato autobiográfico ou filiado ao teatro documentário, mas sim de um texto ficcional que metaboliza referências estéticas e experiências reais do processo de tornar-se mãe”, explica.

A trama acompanha as aflições, questionamentos e dificuldades de uma mãe em três momentos de sua vida: o parto e os primeiros dias de maternidade com a sua filha, a morte de sua mãe e o aniversário de 30 anos da filha já adulta. Cada uma dessas etapas é narrada com características performativas diferentes. Por exemplo, na primeira parte, a linguagem tem caráter lírico e oral, representado pelo Spoken Word e textos em fluxo. O segundo momento é mais dramático e o terceiro em forma de cartas que a mãe escreve para a filha.

A autora Livia Piccolo conta sobre como surgiram esses três momentos no texto: “O primeiro momento escrevi em um lugar muito quente, elaborando a experiência do meu parto, que foi intenso, natural e desejado. Esse registro começou quase como um desabafo, mas depois foi se distanciando da minha experiência pessoal. Enquanto escrevia sobre isso, tive a ideia de falar sobre o fim da vida. E por que não falar do término da vida da mãe dessa personagem? A partir do momento que ela se torna mãe, passa a repensar a história com a própria mãe. Acho que essa é uma experiência comum na maternidade. Você começa a valorizar mais sua mãe ou a pensar naquilo que gostaria de fazer diferente. E o terceiro momento, que é dessa personagem mais velha, veio das referências literárias que eu metabolizei no texto. As principais foram os livros da Elena Ferrante, que retrata mulheres de diferentes idades, e de outra escritora italiana, a Natalia Ginzburg, sobretudo o romance ‘Caro Michele’, sobre uma mãe mais velha que escreve cartas para seu filho. O livro Monodrama, do poeta Carlito Azevedo, onde ele fala da morte de sua mãe, também foi bem importante.

A peça transita entre a materialização do ambiente doméstico e os vestígios dos pensamentos e memórias da personagem, convidando o público a uma experiência de desconstrução e desnudamento de ideias pré-concebidas sobre o que é ser mãe. A ideia é revelar aspectos concretos e pouco discutidos na vida das mulheres, como a solidão, o aborto como uma escolha real, a depressão pós-parto, as mudanças físicas e sociais, a reorganização dos sonhos a partir da notícia da gestação, o mito do amor materno, as dificuldades e os abusos de uma sociedade que não as acolhe.

Para a atriz Joana Dória, a maternidade contemporânea é mais acompanhada pelo sentimento de solidão em relação ao passado. “Tenho a sensação de que antigamente os núcleos familiares eram maiores e o cuidado com crianças, bebês e idosos era mais compartilhado. Por outro lado, o discurso social e cultural dizia que o cuidado com os filhos era responsabilidade exclusiva da mulher. Hoje, as mulheres almejam muitas coisas e questionam muito mais a maternidade como a principal realização feminina. Acho curioso que tenhamos uma aparência de maior liberdade – queremos ser profissionais bem-sucedidas, queremos nos realizar em outras áreas e a sociedade já defende a ideia de que o pai precisa ser de fato presente e responsável –, mas, ao mesmo tempo, estamos atribuladas de muitos desejos e demandas. É difícil equilibrar tudo isso. Sinto que a maternidade contemporânea é atravessada pelas muitas frentes das quais as mulheres estão tentando dar conta e por um tanto de solidão. Acho que esse sentimento sempre existiu, mas talvez esteja mais exposto agora que falamos sobre isso em muitos grupos de mães, redes sociais e textos de internet”, esclarece.

A encenação adota como duas principais referências a experiência da diretora Livia Piccolo com a maternidade e o ensaio “Mother Series”, da premiada fotógrafa holandesa Rineke Dijkstra. “A primeira referência é a minha experiência como mãe e o que aconteceu no meu ambiente doméstico. A minha casa passou a ficar muito desorganizada. Aconteceu todo um rearranjo dos objetos e dos espaços com a chegada do meu filho. E eu quis passar para a peça um pouco dessa desordem que o puerpério traz. No cenário, os objetos são todos suspensos, como se a casa estivesse de pernas para o ar. E a segunda referência são as imagens de Rineke Dijkstra, que retratou mães que acabaram de parir vestindo apenas roupa de baixo e segurando os filhos no colo. Essas fotos transmitem força e ao mesmo tempo fragilidade. Eu queria que a encenação trouxesse esse elemento cru”, comenta.

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A Filha da Mãe

Com Joana Dória

Viga Espaço Cênico – Sala Piscina (R. Capote Valente, 1323 – Pinheiros, São Paulo)

Duração 60 minutos

01 a 30/06

Sábado – 21h, Domingo – 19h

$30

Classificação 12 anos

VEM TRANSAR COM A GENTE

A partir do dia 07/06, 23h30, o Teatro Bibi Ferreira, em São Paulo, estreia o espetáculo Vem Transar com a Gente, estrelado por Tatiana Presser e o marido, Nizo Neto. Na montagem o casal apresenta situações divertidas sobre sexo, que permeiam a vida de milhões de brasileiros. Sob a direção de Fernando Ceylão, o texto tem como base o livro lançando recentemente por Tatiana, que, aliás, foi uma das atrações mais vistas do programa de Tatá Werneck no Multishow.

Tatiana Presser e o marido, Nizo Neto, são as mentes brilhantes no comando da Vem Transar, sofisticada marca de produtos eróticos. Embaixadores deste mercado no país, os dois utilizam a experiência como sexpert e comediante, respectivamente, para ajudar a desmitificar tabus sobre esse universo. Autora do livro Vem Transar Comigo, publicado no ano passado pela Editora Rocco, Tatiana participou recentemente do quadro Entrevista com Especialista no programa Lady Night, no Multishow com Tatá Werneck. O vídeo viralizou nas redes sociais e atingiu mais de 40 milhões de visualizações em diferentes canais do Facebook e Youtube.

O desejo não tem prazo de validade. A gente pode estar se reinventando o tempo inteiro. Mas existe uma questão neurológica, que mostra que a partir de cinco anos de relacionamento a frequência de relação sexual cai mais que 50%. Mas se existe amor por esse parceiro, não é melhor você resolver esse problema e ir adiante? Se você se separa, daqui a cinco anos pode estar na mesma situação. Então, a primeira dica que eu dou é: ‘Vamos nos informar, gente! Informação é poder, educação sexual é saúde’”, defende a Tatiana, que também está gravando o piloto do programa para a TV paga, Vem Transar na  Kombi, no qual, sem roteiro pré-estabelecido, roda a cidade do Rio de Janeiro, para tirar dúvidas do público sobre sexo.

Entre os lançamentos da grife Vem Transar, neste segundo semestre, estão produtos como a nova linha de sexy toys, da Adão e Eva, uma seleção de géis funcionais e a linha de luxo de toys chamada White Party.

Muitas vezes, noto que as pessoas levam o sexo a sério demais. Na verdade nunca entendi direito porque tanto barulho quando se fala do assunto. Não fosse o sexo, nenhum de nós estaria aqui, já que a cegonha e o repolho estão totalmente descartados”, opina Nizo.

Ator e comediante Nizo Neto estreou na TV aos sete anos, ao lado do pai, Chico Anysio e se se consagrou no papel de Ptolomeu, o aluno mais inteligente da Escolinha do Professor Raimundo.  Ao lado de Tatiana, ele foi um dos curadores da programação da Sexy Fair,  maior evento do país do mercado erótico, e também escreveu a peça Vem Transar com a Gente, que  mostra  o  lado divertido das relações.

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Vem Transar com a Gente

Com Tatiana Presser e Nizo Neto

Teatro Bibi Ferreira (Av. Brigadeiro Luís Antônio, 931 – Bela Vista, São Paulo)

Duração 75 minutos

Estreia 07/06

Sexta e Sábado – 23h30

$60

Classificação 18 anos

NELSON GONÇALVES – O AMOR E O TEMPO

Na data que se comemora o centenário do cantor Nelson Gonçalves (✩ 1919 –  ✞ 1998), segundo maior vendedor de discos do Brasil, estará em cartaz o espetáculo Nelson Gonçalves – O Amor e o Tempo, uma peça de teatro musical em homenagem ao artista que imortalizou clássicos da MPB, como Chão de EstrelasCarinhoso Rosa. A montagem é idealizada e produzida por Guilherme Logullo, tem texto de Gabriel Chalita, direção e coreografia de Tânia Nardini, direção musical e arranjos de Tony Lucchesi, cenografia de Doris Rollemberg e figurinos de Fause Haten. Além da produção, Logullo também atua em parceria com a atriz e cantora Jullie. A temporada começa dia 3 de maio, sexta-feira, 21h, no Teatro Gazeta.
Sem a proposta de trabalhar questões biográficas da vida do artista, o musical se inspira em sentimentos e emoções expressas por Nelson Gonçalves nas canções que compunha e/ou interpretava. Na história, os protagonistas não representam personagens, mas sim a razão (Guilherme Logullo) e a emoção (Jullie), sentimentos que criam uma narrativa não-linear e de linguagem poética. 
Quis escrever um texto que, de alguma forma, fugisse um pouco dos musicais tradicionais. Nelson Gonçalves foi um homem que amou profundamente e que, também por isso, sofreu. O musical traça um diálogo entre a razão e a emoção, reforçado pela força e dramaticidade das canções interpretadas por ele. As músicas entrelaçam essas falas o tempo todo, enfatizando essa disputa de sentimentos”, explica o autor Gabriel Chalita.
O espetáculo reúne 33 canções, entre elas Naquela MesaA Volta do Boêmio e Chão de Estrelas. “A montagem tem um tom nostálgico e lírico. Vamos trazer fatos, histórias, emoções, músicas e sentimentos”, explica Guilherme Lagullo, que ‘descobriu’ Nelson Gonçalves durante estudos para um personagem, e por conta da semelhança do registro vocal, ficou encantado. A descoberta virou vício e admiração. E, aos poucos, nasceu a vontade de levar Nelson aos palcos.
Os figurinos criados pelo estilista Fause Haten se revelam ao longo do espetáculo. As peças vão sendo removidas uma a uma e trazem novas camadas que se traduzem em números musicais. Já o cenário de Doris Rollemberg faz uma verdadeira homenagem ao teatro, trazendo para a cena um camarim, coxias e até o urdimento de um palco. Uma banda composta por cinco músicos também acompanha a dupla de atores em cena.
 
O diretor musical Tony Lucchesi optou por incluir violões na orquestra, instrumento muito ligado ao homenageado. A emoção (o amor) a ser personificada na figura masculina e o tempo (a razão) na figura feminina também gera uma riqueza musical e mais diversidade às interpretações, já que, normalmente, se espera o contrário. Outros recursos, como uma marcação de relógio nas canções do repertório de Jullie, representando o tempo, e muitos mash-ups nos momentos que os protagonistas cantam juntos ajudam a associar os temas às interpretações. A direção e coreografias de Tânia Nardini faz com que os momentos da peça que pinçam situações vividas por Nelson não soem biográficos ou narrativos – a ideia é que a todo momento a poesia do homenageado seja traduzida em cena. 
Para Guilherme Logullo, que idealizou o projeto, a peça cria uma relação imediata com o público, já que as músicas escolhidas para a trilha são clássicos no país. “Nelson tem canções conhecidas em todo o Brasil, o que faz com que o espetáculo sempre traga uma série de recordações e sensações nostálgicas”, conclui o artista.
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Nelson Gonçalves – O Amor e o Tempo
Com Guilherme Logullo e Jullie
Teatro Gazeta (Av. Paulista, 900 – Bela Vista, São Paulo)
Duração 60 minutos
03/05 até 30/06
Sexta – 21h, Sábado – 20h, Domingo – 18h
$80
Classificação Livre