SALAMALEQUE

Ao revelar aspectos significativos da cultura árabe a partir da troca de correspondências entre um casal de imigrantes sírios, a peça SALAMALEQUE, da Cia Teatral Damasco configura-se um programa obrigatório em tempos de intolerância.

Salamaleque  é fruto de cinco anos de pesquisa. A peça resgata as cartas de amor trocadas entre dois imigrantes, os avós da atriz Valéria Arbex – Nicolau Antônio Arbex e Nadime Neif Name –, durante o período do noivado, na década de 1930. Eles tiveram suas vidas cruzadas após a chegada ao Brasil.

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Cozinha como cenário

A ambientação da peça reproduz a cozinha de um galpão abandonado na rua Florêncio de Abreu, na região da rua 25 de Março, em São Paulo. Nesse cenário, a atriz prepara os pratos durante a encenação. Entre pastas de grão-de-bico, água aromatizada e pão com zátar, Elizete recebe o público na cozinha da sua infância. Por meio da memória da personagem, o espectador é convidado a sentar-se à mesa e compartilhar das muitas histórias de vida trazidas junto com aromas, cores e temperos das especiarias da culinária árabe.

Meu bisavô dizia que todo retirante árabe, se for obrigado a deixar a sua pátria, deve levar na sua mala livros, pão com azeite e zátar (tempero característico da culinária árabe) e todas as lembranças que couberem na sua memória.” As palavras de Valéria, proferidas por seu bisavô em 1910, foram inseridas no texto como parte da memória familiar desde a sua estreia.

O texto parte da memória da atriz, que ganhou, juntamente com sua irmã Claudia, de presente de sua mãe as cartas trocadas por seus avós. O casamento entre eles, que não se conheciam pessoalmente, foi arranjado pelas famílias, o chamado “acordo de bigodes”. A atriz Valéria Arbex não queria que as 68 cartas trocadas entre Nadine e Nicolau amarelassem na gaveta. Assim, depois da morte da avó, ela começou a pesquisa que a levaria a conhecer, ainda, imigrantes sírios, libaneses e palestinos. “Salamaleque é uma colcha de retalhos de histórias que ouvi, da memória de minha família, da pesquisa gastronômica e histórica que fiz”, conta. “É uma reverência aos imigrantes, é um caminho de volta à minha origem, um reencontro.

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Noite de celebração

A diretora Denise Weinberg ressalta que o espetáculo revela histórias do Oriente a partir da memória da família Arbex. “O resultado da encenação é singular e sensorial: a plateia assiste a tudo enquanto sente aromas e sabores da culinária síria.” No final, o público ganha um doce árabe (raha), como uma lembrança referente à memória da personagem.

O diretor e autor Kiko Marques conta que Valéria pretendia tornar o palco um lugar de comunhão e oferenda. Ficou decidido, então, que a peça seria um encontro. “Encontro com os fantasmas do passado dessa descendente de imigrantes sírios. Meu com Denise na direção e com Alejandra Sampaio na criação do texto. Um encontro (de cheiros e gostos) com o público nesse momento de celebração”, fala Kiko, que amarrou a dramaturgia baseada em histórias reais com ficção.

Ao colocar uma lente de aumento na imigração no Brasil, o solo revela a memória de uma época pelo prisma árabe. De forma ritualística e poética, ilumina aspectos relevantes desta cultura e procura desmistificar a imagem ocidental criada sobre ela. “A encenação propõe ao público uma experiência de acolhimento e tolerância”, diz a dramaturga Alejandra Sampaio. O nome da peça vem da expressão árabe “as-salaamu aleikum” (“que a paz esteja contigo”); pronuncia-se “assalaamu aleik”, saudação verbal feita enquanto curva-se o tronco e toca-se a testa com a mão direita.

Valéria acredita que, ao falar sobre o povo árabe e apontar para a guerra na Síria e suas consequências, como o alto fluxo de refugiados, estará  também, provocando uma reflexão sobre a intolerância mundial em todas as instâncias. “A intolerância é assunto atual, está presente na política, religião, comportamento etc. Exemplo de sua ocorrência pode ser comprovado pelas manifestações nas redes sociais.

 

Salamaleque
Com Valéria Arbex
Teatro Eva Herz – Livraria Cultura Conjunto Nacional (Av. Paulista, 2073 – Bela Vista, São Paulo)
Duração 65 minutos
16/07 até 27/08
Sábado – 18h
$50
Classificação 12 anos
 
Idealização do projeto: Valéria Arbex. 
Realização e Coordenação Artística: Cia.Teatral Damasco. 
Direção: Denise Weinberg e Kiko Marques. 
Dramaturgia: Alejandra Sampaio e Kiko Marques. 
Cenografia e figurinos: Chris Aizner. 
Trilha sonora original: Sami Bordokan. 
Iluminação: Guilherme Bonfanti. 
Fotos: Lenise Pinheiro. 
Consultoria gastronômica: Graziela Scorvo Tavares. 
Cenotécnico: Mateus Fiorentino. 
Produção:Rosana Maris.. 
Assessoria de imprensa: Fernanda Teixeira / Arteplural. 
Projeto gráfico e ilustrações: Aida Cassiano. 
Glossário árabe / português: Mamede Jarouche. 
Operação de som e luz: Ricardo Barbosa. 
Supervisão Luz: Adriana Dham.
Vídeo

SALAMALEQUE

Conversamos com a atriz, Valéria Arbex, sobre a peça ” Salamaleque “. O espetáculo está na sua terceira temporada, agora no Instituto Cultural Capobianco – Teatro da Memória​. Conversamos sobre o porquê do texto, sobre a importância da comida na vida dos migrantes, sobre cartas de amor e muito mais.
Mais que uma peça, uma poesia de vida.
Link para a matéria escrita – http://goo.gl/6yGdwn

Salamaleque
Com Valéria Arbex
Instituto Cultural Capobianco (Rua Álvaro de Carvalho, 97 – Centro, São Paulo)
Duração 60 minutos
23/01 até 12/03 (exceto Carnaval – 06 e 07/02)
Sábado – 16h e 20h; Domingo – 16h
Recomendação: 12 anos
Entrada gratuita. Distribuição de ingressos uma hora antes da apresentação.
(O espetáculo recebe donativos – material escolar, fraldas, alimentos – trigo para kibe, lentilha, grão de bico, farinha de trigo – , etc, para instituições que recebem refugiados)

Idealização do projeto: Valéria Arbex.
Realização e Coordenação Artística: Cia.Teatral Damasco.
Direção: Denise Weinberg e Kiko Marques.
Dramaturgia: Alejandra Sampaio e Kiko Marques.
Cenografia e figurinos: Chris Aizner.
Trilha sonora original (e música incidental no vídeo): Sami Bordokan.
Iluminação: Guilherme Bonfanti.
Consultoria gastronômica: Graziela Scorvo Tavares.
Cenotécnico: Mateus Fiorentino.
Produção: Carol Vidotti, Rosana Maris e Melissa Rudalov.
Assessoria de imprensa: Fernanda Teixeira / Arteplural Comunicação​
Projeto gráfico e ilustrações: Aida Cassiano.
Glossário árabe / português: Mamede Jarouche.
Operação de som e luz: Fernanda Guedella, Adriana Dham e Ricardo Barbosa (stand-in).

SALAMALEQUE

Ao revelar aspectos significativos da cultura árabe a partir da troca de correspondências entre um casal de imigrantes sírios, a peça Salamaleque, da Cia Teatral Damasco, configura-se um programa obrigatório nesses tempos de guerra na Síria.
Com texto de Alejandra Sampaio (do Núcleo de Leitura do Capobianco) e Kiko Marques (Prêmios Shell, APCA, Aplauso Brasil e Qualidade Brasil pela encenação de 2013); direção de Denise Weinberg e Kiko Marques e direção de produção de Fernanda Capobianco (gestora do Instituto Cultural), Salamaleque é fruto de cinco anos de pesquisa. Resgata as cartas de amor trocadas entre dois imigrantes, os avós da atriz Valéria Arbex – Nicolau Antônio Arbex e Nadime Neif Name – durante o período do noivado, na década de 1930 (que tiveram suas vidas cruzadas após a chegada ao Brasil).
A contemporaneidade do espetáculo fica mais evidente ainda depois dos atentados terroristas ocorridos em Paris em 13 de novembro deste ano, quando aumentou no mundo inteiro a intolerância contra os refugiados árabes. “A história se repete, é cíclica. Desde a primavera árabe, o Oriente Médio vive um momento delicado e preocupante com as guerras civis, sobretudo a Síria. Muito se fala, ainda equivocadamente, e pouco se sabe, e acreditamos ser de extrema responsabilidade dirigir o olhar também para o que acontece agora lá e aqui no Brasil, diante de tantos refugiados que chegam na tentativa de refazer a vida. Pretendemos provocar a reflexão, por meio de um relato franco e poético sobre uma família síria”, afirma Valéria Arbex, que não pôde realizar o sonho de conhecer a Síria este ano e precisou fazer sutis adaptações no texto por conta da situação de conflito na região.
“Meu bisavô dizia que todo retirante árabe, se for obrigado a deixar a sua pátria, deve levar na sua mala livros, pão com azeite e zátar (tempero característico da culinária árabe) e todas as lembranças que couberem na sua memória.” As palavras de Valéria, proferidas por seu bisavô em 1910, foram inseridas no texto como parte da memória familiar desde a sua estreia.
Salamaleque. Foto - Lenise Pinheiro - baixa 13
O texto parte da memória da atriz, que ganhou, juntamente com sua irmã Claudia, de presente de sua mãe as cartas trocadas por seus avós. O casamento entre eles, que não se conheciam pessoalmente, foi arranjado pelas famílias, o chamado “acordo de bigodes”. A atriz Valéria Arbex não queria que as 68 cartas trocadas entre Nadine e Nicolau amarelassem na gaveta. Assim, depois da morte da avó, ela começou a pesquisa que a levaria a conhecer, ainda, imigrantes sírios, libaneses e palestinos. “Salamaleque é uma colcha de retalhos de histórias que ouvi, da memória de minha família, da pesquisa gastronômica e histórica que fiz”, conta. “É uma reverência aos imigrantes, é um caminho de volta à minha origem, um reencontro.”
A ambientação da peça reproduz a cozinha de um galpão abandonado na rua Florêncio de Abreu, na região da rua 25 de Março, em São Paulo. Nesse cenário, a atriz prepara os pratos durante a encenação. Entre pastas de grão-de-bico, água aromatizada e pão com zátar, Elizete recebe o público na cozinha da sua infância. Por meio da memória da personagem, o espectador é convidado a sentar-se à mesa e compartilhar das muitas histórias de vida trazidas junto com aromas, cores e temperos das especiarias da culinária árabe. No final do espetáculo, os quitutes são servidos para a plateia.
O nome da peça vem da expressão árabe “as-salaamu aleikum” (“que a paz esteja contigo”); pronuncia-se “assalaamu aleik”, saudação verbal feita enquanto curva-se o tronco e toca-se a testa com a mão direita.
O Instituto Cultural Capobianco receberá doações em prol dos refugiados no Brasil nos dias de espetáculo. Os donativos serão encaminhados às seguintes instituições:
1. ADUS – Instituto de Reintegração do Refugiado no Brasil – Recebe material escolar – caneta, lápis, caderno, livros infantis;
2. Oasis Solidário – Alimentos, fraldas, trigo, farinha de trigo, lentilha, grão-de-bico;
3. Centro de Acolhida ao Imigrante – Todos os tipos de doações.
Salamaleque
Com Valéria Arbex
Instituto Cultural Capobianco (Rua Álvaro de Carvalho, 97 – Centro, São Paulo)
Duração 60 minutos
23/01 até 12/03 (exceto Carnaval – 06 e 07/02)
Sábado – 16h e 20h; Domingo – 16h
Recomendação: 12 anos
Entrada gratuita. Distribuição de ingressos uma hora antes da apresentação.
Idealização do projeto: Valéria Arbex.
Realização e Coordenação Artística: Cia.Teatral Damasco.
Direção: Denise Weinberg e Kiko Marques.
Dramaturgia: Alejandra Sampaio e Kiko Marques.
Cenografia e figurinos: Chris Aizner.
Trilha sonora original: Sami Bordokan.
Iluminação: Guilherme Bonfanti.
Consultoria gastronômica: Graziela Scorvo Tavares.
Cenotécnico: Mateus Fiorentino.
Produção: Carol Vidotti, Rosana Maris e Melissa Rudalov.
Assessoria de imprensa: Fernanda Teixeira / Arteplural.
Projeto gráfico e ilustrações: Aida Cassiano.
Glossário árabe / português: Mamede Jarouche.
Operação de som e luz: Fernanda Guedella, Adriana Dham e Ricardo Barbosa (stand-in).