SEGUNDA OKÊ

Ao chegar no Teatro Viradalata, o público será conduzido ao palco, onde estarão dispostas mesas e cadeiras. Entre comes, bebes e cantorias de um típico bar de karaokê, dois casais improváveis vivem encontros e desencontros, compondo um cenário repleto de questionamentos sobre relações nos dias de hoje e amores não correspondidos. O espetáculo Segunda Okê, com texto de Cristiane Wersom e direção de Marcio Macena, estreia dia 1º de abril, segunda-feira, 21h. Em cena estão Cristiane Werson, Maria BiaDavi Tápias e Pedro Bosnich, que também assina produção.

Inspirada por uma das mais conhecidas comédias de William Shakespeare, Sonho de Uma Noite de Verão, a peça Segunda Okê marca a continuidade da parceria de Pedro Bosnich e Cristiane Wersom, que montam sua terceira peça como dupla. Idealizada por Pedro, o espetáculo parte de uma proposta de encenação não tradicional. “É uma maneira de fazer com que o público seja de fato parte da montagem”, conta o ator.

A peça utiliza com frequência o improviso, especialidade de Cristiane Wersom. “Faz mais de 15 anos que trabalho com esse recurso. As dinâmicas dependem muito do retorno do público, mas vamos abordá-los de forma muito amorosa. Quem topar fazer uma participação não será isolado, mas sim integrado a proposta do espetáculo”, diz. Ela conta que os trabalhos conjuntos com Bosnich dão certo devido à vontade da dupla em viabilizar projetos e trabalhar com diversos gêneros diferentes.  Desde outubro de 2018, montaram juntos a comédia romântica Na Cama e o drama O Bosque Noturno. 

Sobre a encenação

O enredo acompanha a ida de quatro jovens a um bar de karaokê. Heloísa (Cristiane Wersom) vai aproveitar a folga sem saber que Lizandro (Davi Tápias), um jovem nerd que está apaixonado por ela, a seguiu até ali. Ela se encanta pelo garçom Demétrio (Pedro Bosnich), que por sua vez só tem olhos para Helena (Maria Bia), cliente assídua e ótima cantora que se sente atraída pelo nerd que está seguindo Heloísa. Em meio a bebidas, os jovens confundem-se e tentam disfarçar os sentimentos de uns pelos outros. Os clientes do bar são convidados a ajudar as personagens com conselhos amorosos e dicas musicais.

As músicas escolhidas para o karaokê, que serão mostradas ao público numa cartela, vão desde clássicos globais, como Mamma Mia, da banda sueca ABBA; até sucessos da dupla Sandy & Junior, sertanejos atuais e Evidências, de Chitãozinho & Xororó. “As personagens são pessoas que sempre vemos por aí: a Heloísa é uma workaholic; o Lizandro é um rapaz viciado em internet e tecnologia; o Demétrio é um homem fútil, que se preocupa em excesso com o corpo, achando que isso é suficiente para ser uma boa pessoa; e Helena é uma cantora que espera pelo reconhecimento do público, pela fama e pelo sucesso”, diz Cristiane.

Pedro Bosnich, que já trabalhou anteriormente com o diretor Marcio Macena, contou que o convite ao diretor partiu da vontade de trabalhar com alguém que pudesse compreender questões relevantes, como a utilização frequente do improviso e as escolhas de ambientar o público no espetáculo. “O Marcio é um diretor que tem um olhar disponível para entender as propostas de um projeto e sabe acolher com muito respeito as questões levantadas pelos outros criativos”, ressalta. Pedro e Marcio já trabalharam juntos em diversas outras produções, como Coisas Estranhas Acontecem Nesta Casa, que teve co-direção de Marisa Orth.

Para Marcio, a escolha é pautar a encenação pela leveza proposta pelo texto. “Muitas vezes busco a simplicidade na estética. Acredito que uma boa história contada por bons atores é suficiente para se ter um excelente espetáculo. Sempre, claro, contando com uma equipe criativa de qualidade”. Compõe ainda o time de criadores o iluminador Cesar Pivetti, com quem Marcio está trabalhando em conjunto pela sétima vez.

FACE

Segunda Okê

Com Cristiane Wersom, Davi Tápias, Maria Bia e Pedro Bosnich

Teatro Viradalata (Rua Apinajés, 1387 – Perdizes, São Paulo)

Duração 70 minutos

01/04 até 20/05

Segunda – 21h

$50

Classificação Livre

VAN GOGH POR GAUGUIN

De outubro a dezembro de 1888, na pequena Arles, na França, dá-se um encontro explosivo entre aqueles que viriam a ser considerados, futuramente, como dois dos maiores artistas da história da humanidade: o holandês Vincent Van Gogh (1853-1890) e o francês Paul Gauguin (1848-1903).

Escrito por Thelma Guedes para o diretor Roberto Lage, o espetáculo Van Gogh por Gauguin é uma ficção na qual Gauguin, em um agonizante delírio, vive sob o peso de sua responsabilidade em relação ao final de vida trágico do amigo Vincent. A peça, que estreia no dia 22 de abril, segunda (às 20h), na Sala Paschoal Carlos Magno do Teatro Sérgio Cardoso, personifica de forma poética, simbólica e onírica os conflitos e a admiração incondicional entre os pintores.

Como não se trata de um espetáculo biográfico, mas de um encontro ficcional entre os artistas – vividos por Alex Morenno e Augusto Zacchi, respectivamente -, a direção priorizou o trabalho de interpretação para criar um universo cênico que remeta aos padrões cromáticos dos dois pintores, levando o espectador a refletir sobre o que levou essa grande amizade a um trágico fim. Tendo como apoio a pesquisa biográfica que traz à luz, sobretudo, os pensamentos artísticos divergentes de ambos, a peça privilegia questões humanas com a força de seu alcance na vida dos criadores.

Em um febril período de apenas dois meses, em que eles dividem a pequena Casa Amarela, em Arles, na isolada região rural francesa, vivendo e pintando juntos, as profundas diferenças de temperamento e de visão artística provocam embates, muitas vezes violentos, culminando no famoso e terrível desfecho no qual, após uma forte discussão, Paul decide partir de volta a Paris e Vincent reage, intempestivamente, decepando a própria orelha.

Em 1890, o atormentado Van Gogh tenta suicídio com um tiro na barriga, que o levaria à morte no dia seguinte. Gauguin, por sua vez, em 1891, depois de uma bem sucedida exposição, realiza o sonho de ir morar no Taiti. Lá, produz vigorosamente até que, abatido por uma sífilis não diagnosticada, vai sendo excluído da sociedade e abandonado pelos seus. É sobre esse episódio mal sucedido que se pauta o espetáculo Van Gogh por Gauguin. “A intenção é trazer para cena um Van Gogh espectral, fruto do inconsciente delirante de Gauguin que, sofrendo com as consequências da sífilis, acredita estar morrendo”, comenta o diretor Roberto Lage.

Por meio de um exercício dramatúrgico de imaginação, a encenação reinventa o momento em que o efeito delirante do arsênico sobre o pintor o leva a acreditar que Van Gogh está ao seu lado, acompanhando o instante de sua morte e, ao mesmo tempo, forçando-o a se lembrar dos momentos que passaram juntos. Em um ambiente decadente, deteriorado e sujo, ele sente fome e muita dor. E seus delírios colocam o público frente às diferenças entre eles, tanto no modo de ver a vida, de agir e de fazer arte, como na evidente admiração de um pelo outro – assumida por Van Gogh, mas dissimulada por Gauguin, numa mistura de inveja com incômoda admiração.

A culpa de Gauguin em relação ao amigo morto, que fora por ele magoado, abandonado e esquecido, e cuja presença e memória servem como acusação e sentença de morte, revela sua incapacidade de comunicação e afeto com aquele que tinha tanta coisa dele mesmo, mas que também seria o seu oposto, a sua sombra. Vive uma culpa sobre aquele que lhe causou, por fim, tantos sentimentos intensos, profundos e contraditórios, como o amor e a repulsa.

Van Gogh foi considerado um artista maldito, louco; um homem incompreendido pelo seu tempo. Frente a todo o tipo de infortúnio – como miséria, fome, frio e solidão – ele conseguiu deixar um legado de pinturas e desenhos não compreendidos na época em que viveu, mas aclamado após a sua morte. Os vários episódios de sua vida construíram um artista ávido por um amor que nunca foi correspondido, fosse ele a prima que não o quis, o amigo Paul Gauguin por quem tinha profunda admiração ou mesmo a fé que durante muito tempo buscou, mas acabou se rendendo à arte como forma de expressão.

Do ponto de vista realista, a encenação se passa no atelier deteriorado de Paul, nas Ilhas Marquesas. O tratamento cênico busca, pelas nuances da luz (de Kleber Montanheiro), explorando a paleta de cores dos pintores, uma estética posterior ao impressionismo de Van Gogh ou ao pós-impressionismo de Gauguin. O cenário realista (de Paula De Paoli, também figurinista) é ambientado com moldura, cavaletes e tintas; estruturas de quadros e telas aparecem em outra dimensão, sem revelar as supostas obras. Os figurinos recebem o mesmo tratamento realista, sendo o de Van Gogh um pouco mais lúdico.

A ideia desse projeto partiu do desejo de Alex Morenno, Roberto Lage e da diretora assistente Joanah Rosa em retratá-lo no palco. “Acho que Van Gogh me escolheu”, confessa o ator Alex Morenno. “Já estive muito ruivo e as pessoas me associavam a ele. Isso despertou em mim o interesse por sua vida e obra”, completa. E resolveram, então, dar corpo a esse desejo, sendo Thelma Guedes convidada para criar o texto. “Van Gogh por Gauguin é um trabalho puramente emocional. Não passa pela ‘tese’ sociopolítica que sempre defendi no palco”, revela o diretor. Já Alex conta que sempre se interessou em falar sobre loucura, solidão e inquietação artística. “Quando penso em Van Gogh, essas três coisas me vêm à cabeça, assuntos tão pertinentes em tempos tão difíceis”, ele reflete.

Augusto Zacchi conta que não conhecia muito da história de seu personagem. Para ele, a entrega de Gauguin a uma busca incondicional pela arte é o que pauta sua composição. “Meu olhar é para o humano desse indivíduo que foi buscar sua razão de vida e pagou o preço. Ambos foram forjados na vida em função da busca, da obsessão e da paixão”, comenta o ator. E Roberto Lage finaliza: “essa é só mais uma história sobre os pintores, uma defesa do ‘homoternurismo’ (termo de Mário Prata), pois creio que o preconceito social da época seja responsável pela dificuldade que eles tiveram de se relacionarem em sociedade”.

FACE (2)

Van Gogh por Gauguin

Com Alex Morenno e Augusto Zacchi

Teatro Sérgio Cardoso – Sala Paschoal Carlos Magno (Rua Rui Barbosa, 153 – Bela Vista, São Paulo)

Duração 75 minutos

22/04 até 10/06

Sábado – 18h30, Domingo – 19h, Segunda – 20h

$50

Classificação 14 anos

VÁ VI VÊ

Saber lidar com travas na escrita, ter uma rotina para escrever, de onde vêm suas ideias? Vá Vi Vê – oficina de como a poesia não se ensina é o nome da atividade a ser ministrada pelo poeta Rafa Carvalho, finalista do Prêmio Sesc de Literatura 2018, até 6 de maio, às segundas-feiras, das 18 às 20 horas, no Espaço Curumim do Sesc Carmo.

Nesta oficina estendida, em que o participante pode entrar no decorrer de seu desenvolvimento, o poeta Rafa Carvalho aborda a poesia como manifestação artística e vivência, experimentando sobre como a experiência de vida pode intervir no aprimoramento técnico de poetas, assim como na sua evolução pelas vias da literatura. A atividade inclui estímulos à criação literária, partilha de textos, sugestões de leitura, referências poéticas e histórias que não estão nos livros.

FACE (1)

Clube de escrita

Com Rafa Carvalho

SESC Carmo (Rua do Carmo, 147, Sé – São Paulo)

01/04 até 06/05

Segunda  – 18h às 20h

$17 ($5 – credencial plena)

Classificação 16 anos

O PIROTÉCNICO ZACARIAS

Conhecido e consagrado na cena teatral brasileira em seus quase 50 anos de atuação, o Grupo Giramundo construiu uma trajetória que inclui um vasto repertório com mais de 35 espetáculos teatrais, 1.500 bonecos confeccionados e objetos de cena, além da participação na formação teatral de diversos nomes importantes da dramaturgia e teatralidade contemporânea do país.

Agora, o Giramundo promove em São Paulo, a temporada de estreia do espetáculo “O Pirotécnico Zacarias”, montagem que dialoga e experimenta as linguagens do teatro e do cinema, apresentando 5 adaptações de contos de Murilo Rubião, considerado um dos mais significativos escritores da literatura fantástica no Brasil.

O espetáculo é resultado da nova vertente de trabalho do grupo, que após mais de 30 anos atuando especificamente como um grupo de teatro passa a promover ações como a formação de um núcleo multimídia experimentador de uma cena de animação, convivendo com bonecos reais e suas versões digitais.

Essa mistura do teatro de bonecos, vídeo, animação, música, dança e artes plásticas que originaram neste mais recente espetáculo do grupo, poderá ser visto a partir do dia 19 de abril, no Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo (CCBB SP). A temporada segue até 24 de junho.

O PIROTÉCNICO ZACARIAS

A dramaturgia foi construída a partir da continuidade entre os roteiros de cada adaptação, estabelecendo uma conexão entre 5 contos de Rubião, interligados pela figura central do Pirotécnico Zacarias. Assim, o público é convidado a acompanhar a história do próprio protagonista, seguida pelas adaptações de “O Ex-Mágico”, “Teleco, o Coelinho”, “O Bloqueio” e “Os Comensais”.

Desde o início dos anos 2000 temos norteado nossa produção na experimentação com outras mídias, principalmente com as possibilidades híbridas com o audiovisual. Com a montagem “Pirotécnico Zacarias” fomos mais além, trazendo o cinema como um processo duplo de planejamento e produção, seguindo convenções de realização focadas na criação de um filme, mas ao mesmo tempo incorporando as características cinematográficas para uma linguagem teatral. É um campo cênico híbrido, que corresponde à uma inquietude midiática de sentimentos no mundo contemporâneo.”, conta Marcos Malafaia, diretor da montagem.

O espetáculo traz como novidade a influência do cinema no campo da linguagem e na própria construção da composição de cena. Contudo, apesar de seguir uma nova linha de experimentação no que diz respeito às possibilidades técnicas e linguísticas do teatro, a montagem mantém o rigor metodológico e a atenção estética no planejamento e produção que é adotado pelo Giramundo desde a década de 70. Assim, incorpora formas e temas adultos, dialogando com questões formais, plásticas e políticas complexas e essências para o mundo contemporâneo, seja para o contexto cultural e social, ou para a cena teatral.

Os contos de Murilo Rubião são surpreendentemente contemporâneos e importantíssimos para a cultura brasileira, apesar de não serem tão populares entre o público. À medida que realizamos as adaptações e experimentações para construção do espetáculo, percebemos que eles vão ficando cada vez mais eloquentes e que possuem traços cinematográficos fortes. Por isso, enxergamos não só a necessidade, mas também a importância em trazer vida à obra de Rubião.”, conta o diretor.

A montagem estreou oficialmente em Belo Horizonte, onde fica a sede do grupo e inicia a circulação nacional pela capital paulista. Depois, segue ainda para Rio de Janeiro e Brasília. Serão ao todo, 107 apresentações do espetáculo, transformando-se na maior temporada da história do grupo Giramundo desde a sua fundação, em 1970.

FACE

O Pirotécnico Zacarias

Com Grupo Giramundo

Centro Cultural Banco do Brasil SP (rua Álvares Penteado, 112 – Centro, São Paulo)

Duração 70 minutos

19/04 até 24/06

Sexta e Sábado – 20h, Domingo – 18h, Segunda – 20h

$30

Classificação 12 anos

ILHADA EM MIM – SYLVIA PLATH

Os últimos meses de vida da poeta norte-americana Sylvia Plath (1932-1963),  antes de cometer suicídio aos 30 anos, são um enigma. Recém-separada do poeta britânico Ted Hughes, com quem teve dois filhos e viveu uma intensa história de amor, Sylvia coloca-se simultaneamente entre o extremo desespero e a liberação de uma energia criativa sem precedentes. Uma identidade poética única se forma neste período. E não é com o objetivo de decifrar este enigma, mas de experienciá-lo, que a Cia. Estúdio Lusco-Fusco apresenta “Ilhada em mim – Sylvia Plath”, a partir de 11 de março no Biblioteca Mário de Andrade, com sessões às segundas-feiras, 19h. Já apresentado em diversos festivais e cidades como Rio de Janeiro, Santos, Recife, Belo Horizonte, Tiradentes, Jundiaí e Londrina, o espetáculo retorna, assim, ao local de sua criação, São Paulo.

Com direção e cenografia de André Guerreiro Lopes e dramaturgia de Gabriela Mellão, a partir da obra de Sylvia Plath, o espetáculo é sucesso de crítica e público desde sua estréia em 2014, indicado ao Prêmio APCA de Melhor Direção (Associação Paulista de Críticos de Arte), ao Prêmio Especial Botequim Cultural pela “brilhante fusão de linguagens” e contribuição à cena teatral carioca, e ainda Prêmio APTR de Melhor Iluminação. No palco, a premiada atriz Djin Sganzerla vive Sylvia Plath e André Guerreiro Lopes interpreta o poeta Ted Hughes, em um espaço cênico de forte simbologia visual: o cenário concebido pelo diretor é composto por um espelho d’água, onde o mobiliário e os atores vão aos poucos submergindo. Objetos congelados relacionados à vida de Sylvia – como livros, sapatos e um telefone – vão degelando lentamente durante a apresentação. O elemento água é a metáfora articuladora de toda a encenação, em diálogo simbólico com os estados mentais da persona

Para o diretor e ator André Guerreiro Lopes, a força poética e revolucionária da poeta, seus tormentos internos, o conflito com as convenções sociais dos anos 50 e a relação de amor obsessivo com o poeta Ted Hughes são abordados no espetáculo em um registro que se distancia do realismo e da linearidade. “Mais do que narrar a vida de Sylvia Plath, busquei transpor poeticamente para o palco seu universo único, paradoxal, vanguardista, cheio de contrastes e extremos, criando um poema cênico. Todos os elementos trabalham de forma integrada – a atuação, a simbologia visual, os sons, a luz, as palavras e o movimento preciso dos atores – criando um ambiente de imersão sensorial em que a imaginação e sensibilidade do espectador são convidadas a participar do jogo.”, descreve.

A montagem pretende ser fiel a poética de Sylvia, com sua ferocidade e ironia. “Incorporo na encenação elementos da sua obra, como o surrealismo tenso, a energia condensada e ironia feroz. Há um mistério em torno da persona artística de Sylvia que o espetáculo não pretende solucionar, mas compartilhar. Utilizamos todos os elementos possíveis para criar uma atmosfera de suspensão e perigo em cena”, completa André.

Para a atriz Djin Sganzerla, “representar Sylvia Plath no palco é uma mistura de muito prazer com desafio. Passo por muitos estados físicos e emocionais na peça, acho que parte da riqueza da montagem também está nisso, o público se depara com a complexidade humana desta mulher. Nesta montagem, Sylvia é uma brasa de vulcão que anda sobre as águas… Carregando o mar em sua alma, com olhar infinito. Uma mulher decidida, frágil, intensa, que pode ser infantil, capaz de escrever uma obra absolutamente genial três meses antes de sua morte, o livro “Ariel”.

Os figurinos assinados pelo estilista Fause Haten também vão se desintegrando conforme o espetáculo avança. “Pensei em uma Sylvia Plath que aparece, se constrói e desconstrói aos olhos da plateia. Ela é revelada, revela-se, vai se despindo e escorre pelo palco. Perde as cores e se veste de todas as cores”, define o estilista.

A trilha original do espetáculo é especialmente composta pelo premiado músico Gregory Slivar, colaborador da Cia. Estúdio Lusco-fusco em diversos trabalhos.

FACE (1)

Ilhada em mim – Sylvia Plath

Com Djin Sganzerla e André Guerreiro Lopes

Biblioteca Mário de Andrade – Auditório Rubens Borba de Moraes (Rua da Consolação, 94 – República, São Paulo)

Duração 60 minutos

11/03 até 01/04

Segunda – 19h

Entrada gratuita (As senhas começarão a ser distribuídas uma hora antes)

Classificação 12 anos

TRILOGIA DA CIA DO RUÍDO

Uma assassina em potencial, uma noite de Natal em família e uma série de abusos sequenciais: esses são os enredos da trilogia da Cia. Do Ruído, com dramaturgia de Carol Rainatto. Em “Oito Balas”, Marion e Jean se encontram em situações limite e discutem seus atos perante a visão de uma sociedade hipócrita. Já em “Meia noite, feliz Natal” a família Assumpção chega ao estopim das brigas e protocolos familiares nesta noite tão celebrada. E por fim, “Cerbera” reúne personagens que estão em conflito direto com suas verdadeiras essências.

A trilogia e temáticas foram desenvolvidas a partir de preceitos, conceitos, doenças, questões sexuais, obscuridade e profundidade. O labirinto de composições e este ser humano que o habita. O impulso da ação imediata. Oito Balas, Meia noite feliz Natal e Cerbera carregam consigo uma classe média sem coragem de assumir suas perversões, que são usualmente escondidas em seus discursos libertários. A hipocrisia é uma constante na linha do raciocínio das personagens que se encontram em verdadeiras situações de desespero, cada qual em seu âmbito, campo e espaço de situação. Uma concepção crua e de matéria bruta, encontrada até mesmo na cenografia aderida por cada uma das peças, desde sua estética à composição.

Dores humanas são expostas e vividas de forma intensa em cada uma das trajetórias. A contradição, a dualidade, a invenção de si.  As dramaturgias levantam pontos cotidianos. A visão do público é colocada em direta intimidade com as tramas colocadas. Os jogos de organização e desorganização estética jogam diretamente com a contrariedade da realidade da mente de cada um dos personagens, que possuem uma desestruturada e desorganizada psique.

A ironia plantada e semeada dispõe um jogo que se ofusca entre o patético, a comicidade banal, os assuntos velados, os falsos segredos, a sedução e a poesia assustadora. A explicitação de uma sociedade contemporânea deformada, sempre no limite entre a loucura e a morte.

Sinopses

Meia Noite, Feliz Natal

É noite de natal, e a família Assumpção te convida a espiar pela fechadura. Os filhos de Dona Martha se reúnem pela primeira vez sem sua presença e não imaginam que esta noite pode ser o estopim para a família. Em momentos em que a celebração e a nostalgia se encontram, ou sai briga, ou sai festa… Ou saem os dois. Conflitos e revelações muito pessoais vêm à tona ao som dos brindes natalinos. Bem-vindos a MEIA NOITE, FELIZ NATAL.

Cerbera

Planta venenosa. Divulgada vulgarmente como: “a arma do crime perfeito”. Uma vez usada para fins obscuros, pode inclusive matar por intoxicação sem deixar quaisquer vestígios. Em Cerbera, o público é convidado a observar mais claramente questões das quais, muitos de nós, infelizmente ainda não querem ver, ouvir, ou participar. Relações que ainda desafiam nossa compreensão como seres vivos entrelaçam todos esses personagens.

Oito Balas

Um bar decadente. Este é o cenário do encontro de dois seres enigmáticos prontos a explodirem segredos em um jogo psicológico que vai te provar que a mente humana é um grande poço sem fundo. Marion e Jean permitem que os espectadores tirem suas próprias conclusões e julguem a suas histórias. Assassinato, traições e mentiras estão prontos a emergir.

CARMEN.png

Meia Noite Feliz Natal
Com Beto Schultz, Carol Rossi, Ynara Marson, Rodrigo Castro, Victória Blat, Eliot Tosta, Frederico Vasques e Mariana Spinola
SP Escola de Teatro (Praça Franklin Roosevelt, 210 – Consolação, São Paulo)
Duração 75 min
19, 20, 21 e 22/10
Sexta, Sábado e Segunda – 21h, Domingo – 19h
$40
Classificação 14 anos
 
 
Cerbera
Com Beto Schultz, Carol Rainatto, Carol Rossi, Ynara Marson e Rodrigo Castro
SP Escola de Teatro (Praça Franklin Roosevelt, 210 – Consolação, São Paulo)
Duração 80 min
26, 27, 28 e 29/10
Sexta, Sábado e Segunda – 21h, Domingo – 19h
$40
Classificação 16 anos
 
 
Oito Balas
Com Carol Rainatto e Mateus Monteiro
SP Escola de Teatro (Praça Franklin Roosevelt, 210 – Consolação, São Paulo)
Duração 50 min
01, 02, 03 e 04/11
Quinta, Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h
$40
Classificação 14 anos

E COM UM BEIJO… EU MORRO

Um jogo cênico para celebrar a morte com a própria morte, ágil, divertido que buscasse no pós-dramático a referência estética e nos textos de Shakespeare a principal referência dramatúrgica. Foram estas as bases de criação do coletivo Bobik & Sofotchka, formado na Alemanha por Márcia Nemer, para compor ‘E, com um beijo…Eu morro’, que está em cartaz, de 21/09 a 22/10, sextas, sábados e segundas, às 21h e domingos, às 19h, na SP Escola de Teatro, sede Roosevelt.

A peça traz ao palco as mortes escritas por Shakespeare em um jogo cênico composto de uma sucessão de vidas interrompidas, totalmente descontextualizadas. Os personagens das 68 mortes escolhidas para entrar em cena (e que foram escritas para acontecer no palco) vão sendo revelados por seus nomes, e pelas palavras finais de cada um deles (como a célebre despedida de Romeu, que dá nome à peça).

Partimos da ideia de provocar e intrigar o espectador, fazendo nascer nele o desejo de conhecer mais da obra de um dos maiores artistas que a humanidade já produziu’, complementa.

‘E, com um beijo…Eu morro’ começou a ser desenhada na ocasião das comemorações dos 400 anos de morte do dramaturgo William Shakespeare (Stratford-upon-Avon, 1564-1616). Os estudos realizados pelo grupo propiciaram um profundo mergulho na obra do bardo inglês que escreveu incessantemente mais de 100 cenas de morte em suas 38 peças. “O espírito do Soneto 71, que diz: “Não lamente por mim quando eu morrer” foi o que norteou a dramaturgia, diz Marcia Nemer, diretora da peça.

Na peça, o público vai saber de curiosidades como: das 118 mortes escritas por W. Shakespeare, 50 foram fora de cena e 68 no palco. Por faca ou espada, 51, 9 suicídios, sendo 3 por veneno e um por “cobra no peito”, 3 de envenenamento por engano, 1 por sufocamento, 3 em peças dentro de peças, 2 por velhice e 1 por doença.

CARMEN (2).png

E, com um beijo…Eu morro

Com Alexcia Custódio, Daíse Neves, Samira Lochter

SP Escola de Teatro – sede Roosevelt (Praça Franklin Roosevelt, 210, Consolação – São Paulo)

Duração 40 minutos

21/09 até 22/10

Sexta, Sábado e Segunda – 21h, Domingo – 19h

$20 (somente em dinheiro)

Classificação Livre