SENHORA DOS AFOGADOS

Dirigido por Jorge Farjalla, o espetáculo “Senhora dos Afogados”, texto de Nelson Rodrigues, estreia no XP Investimento no dia 05 de outubro, sexta, depois de uma temporada de sucesso no Teatro Porto Seguro em São Paulo no primeiro semestre.

O elenco traz Alexia DechampsJoao VittiKaren JunqueiraRafael VittiFrancisco Vitti (que fará uma dobradinha com Rafael durante a temporada), Letícia BirkheuerNadia BambirraJaqueline Farias e Du Machado.

“Senhora dos Afogados” faz parte da saga mítica rodriguiana assim intitulada pelo crítico Sábato Magaldi. Escrita em 1947, segue a linha de“Álbum de Família” (1945), “Anjo Negro” (1946) e “Dorotéia” (1949) e traz uma forte simbologia que se aproxima das tragédias gregas, em que os clãs familiares se entre-devoram num inferno de culpas desmedidas. O projeto desta montagem nasceu de um desejo de Letícia Birkheuer de que Farjalla a desconstruísse num papel de teatro.

Os Drummond, uma família de três séculos, com mulheres que se gabam da fidelidade conjugal, choram a morte por afogamento de Clarinha, uma das filhas de Dona Eduarda e Misael Drummond, e, ao mesmo tempo, prostitutas do cais do porto interrompem suas atividades para lamentar a impunidade do assassinato de uma das suas que morrera há dezenove anos.

Nesta encenação, Jorge Farjalla – depois da ousada e elogiada versão de “Dorotéia” com Rosamaria Murtinho e Letícia Spiller e de “Vou deixar de ser feliz por medo de ficar triste?”, com Paula Burlamaqui, Vitor Thiré e Yuri Ribeiro, um dos espetáculos mais falados deste ano no RJ – leva outra vez Nelson Rodrigues ao extremo contemporâneo e destaca a singularidade da religião em suas obras, em que o sagrado se alimenta do profano, teatralizando ainda mais, através dos signos e símbolos, revisitando a obra numa estética que comunga cenário, figurino, desenho de luz, som e música original, em um contexto singular aos olhos do teatro pós-moderno, riscando nesta montagem, mais uma vez, sua visão própria e original do texto com a marca arrojada e diferente que imprime nas encenações que dirige.

É uma montagem feita não pra chocar e sim pra refletir. A sociedade está indo para um lugar retrógrado, confundindo liberdade de expressão com exibicionismo. Não quero que o meu modo de ver ou olhar para a obra de Nelson seja rotulado ou criticado sem embasamento. Ao contrário, vamos pensar juntos; não consigo desassociar  religião e rito de sua odisseia mítica”, explica Farjalla.

Os atores vivem todos os personagens em cena, brincando com os arquétipos, para contar e narrar trajetória da família Drummond – nome que tem em seu significado “vindo do mar” – alguns assumindo os ‘vizinhos’, uma espécie de coro da tragédia grega, assim como seus próprios personagens, com sotaque local, pois a peça se passa em Recife, que é o mar da infância de Nelson, onde ele nasceu.

Um farol, sempre presente em cena, teatralmente representado como uma espécie de lamparina que o próprio ator-narrador executará em cena, é cenário para a religiosidade dos nativos que vivem no mar e emergem do mangue, para Iemanjá como símbolo de todo o contexto da obra, assim como as canções do cancioneiro popular da beira do rio e do mar, fazendo da encenação única e teatralmente cheia de signos e apresentando um Nelson trágico, profundo, íntimo, patético e absurdo.

Alexia Dechamps, que participou da encenação de “Dorotéia”, agora divide este segundo projeto com Farjalla assumindo a protagonista Dona Eduarda, junto com Karen Junqueira (Moema, irmã do Paulo), que estará fazendo Rita Cadillac no cinema, com estreia prevista para o segundo semestre. “Dois projetos com o mesmo autor e diretor, um trabalho de identidade de companhia, me colocando num lugar de risco do início ao fim, me provocando e instigando é algo que preciso celebrar. Certamente um momento único, feliz!”, comemora Alexia.

Já João Vitti e Rafael Vitti dividem pela primeira vez o palco e com personagens que remetem à vida real: pai e filho (Misael e o noivo, respectivamente) – que aqui no Rio ganha a dobradinha do Francisco com Rafael, durante a temporada. E um dos personagens masculinos será interpretado por Letícia Birkheuer, que viverá Paulo, filho do casal pescador, além de Du Machado, o vendedor de pentes. No elenco feminino também estão Nadia Bambirra (Dona Marianinha, a avó) e Jaqueline Farias, a prostituta morta, vizinha e outra prostituta do cais. Aqui vale uma observação: tanto os Vitti como Karen, Letícia e Nádia vivem pela primeira vez um texto de Nelson Rodrigues.

O cenário é assinado por José Dias e a trilha sonora por João Paulo Mendonça – ambos parceiros de Farjalla desde a montagem de “Paraíso AGORA! Ou Prata Palomares”, do roteiro do filme de André Faria, e “Dorotéia” – enquanto figurinos e adereços são de Jorge Farjalla em conjunto com Ana Castilho e a luz de Vladimir Freire e Jacson Inácio.

CARMEN (2)

Senhora dos Afogados

Com Alexia Dechamps, Joao Vitti, Karen Junqueira, Rafael Vitti, Francisco Vitti, Letícia Birkheuer, Nadia Bambirra, Jaqueline Farias e Du Machado

Teatro XP Investimentos – Jockey Club Brasileiro (Av. Bartolomeu Mitre, 1110 – Leblon, Rio de Janeiro)

Duração 90 minutos

05/10 até 25/11

Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h

$60

Classificação 16 anos

SENHORA DOS AFOGADOS

Jorge Farjalla volta a cena teatral paulistana com um novo ‘Nelson Rodrigues‘. Após a montagem de “Dorotéia“, que ficou em cartaz por dois anos, “Senhora dos Afogados” abre as cortinas do Teatro Porto Seguro, nesta sexta, 23 de fevereiro.

A montagem surgiu numa festa de aniversário da atriz Letícia Birheuer, que pediu ao diretor que a desconstruísse numa peça teatral. Foi quando surgiu a ideia de montar o texto de 1947. Letícia vive seu primeiro papel masculino: Paulo, filho do clã Drummond.

Os Drummond são uma família tradicional de três séculos, com mulheres que valorizam a fidelidade conjugal. Moema, a filha mais velha de Misael e D. Eduarda, guarda um amor pelo pai e resolve afogar suas irmãs mais novas, Clarinha e Dora, no mar para não dividir a atenção dele com elas.

A peça começa com a família chorando pela morte de Clarinha. Simultaneamente, as prostitutas do cais do porto, em homenagem a uma ex-colega que foi assassinada há 19 anos, deixam de trabalhar.

Dona Eduarda e Moema, além do irmão, Paulo, se digladiam em torno da questão do pudor e da honra da mulher, hostilizando-se devido a um ódio primordial. Para viver só com seu pai, Moema monta um plano para que a mãe o traia com o próprio noivo, um ex-oficial da marinha.

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Traição, famílias desfeitas, reviravoltas e morte.  Todos os ingredientes de uma tragédia grega, bem como de um texto rodriguiano. “Senhora dos Afogados” se assemelha a “Electra Enlutada“, de Eugene Oneill (1931) e “Orestíada” de Ésquilo.

Há a presença do ‘coro grego‘ –  personagens que comentam com uma voz coletiva a ação dramática que está a decorrer. Todos atores, além de seus personagens, interpretam o coro, seja dos vizinhos dos Drummonds, seja das prostitutas do local.

Farjalla trabalhou a montagem como um texto mítico, onde há uma linha bem tênue dividindo o sagrado do profano. A ação da peça foi transposta das ruas do Rio de Janeiro para um manguezal recifense, cidade natal de Nelson Rodrigues. Os personagens estão todos sujos de lama deste mangue, como se mostrando que não há ninguém limpo, sem um pecado.

Esta nova montagem de “Senhora dos Afogados” é cheia de simbologia, tanto que o último – e mais importante personagem – é o farol do porto. Uma construção que relembra o passado, marca o presente e ilumina o futuro. Mas como em toda tragédia – qual futuro?

Senhora dos Afogados
Com Alexia Dechamps, João Vitti, Karen Junqueira, Rafael Vitti, Letícia Birkheuer, Nadia Bambirra, Jaqueline Farias e Du Machado.
Teatro Porto Seguro (Alameda Barão de Piracicaba, 740 – Campos Elíseos, São Paulo)
Duração 90 minutos
23/02 até 29/04
Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h
$70/$90
Classificação 16 anos
Texto: Nelson Rodrigues
Direção e encenação: Jorge Farjalla
Dramaturgia: Jorge Farjalla
Direção musical e trilha original: João Paulo Mendonça
Direção de arte e espaço cênico: José Dias
Figurinos e adereços: Jorge Farjalla e Ana Castilho
Desenho de Luz: Vladimir Freire e Jacson Inácio
Preparação Corporal: Jorge Farjalla
Maquiagem e visagismo: Vavá Torres
Assistente de direção: Raphaela Tafuri
Preparação vocal: Patrícia Maia
Design Gráfico: Kalulu Design & Comunicação
Direção de Produção: Lu Klein

SENHORA DOS AFOGADOS

Dirigido por Jorge Farjalla, o espetáculo Senhora dos Afogados, texto de Nelson Rodrigues, estreia no Teatro Porto Seguro, dia 23 de fevereiro, sexta-feira, às 21h. O elenco traz Alexia DechampsJoao VittiKaren JunqueiraRafael VittiLetícia BirkheuerNadia BambirraJaqueline Farias e Du Machado.

Senhora dos Afogados faz parte da saga mítica rodriguiana assim intitulada pelo crítico Sábato Magaldi. Escrita em 1947, segue a linha de Álbum de Família (1945), Anjo Negro (1946) e Dorotéia (1949) e traz uma forte simbologia que se aproxima das tragédias gregas, em que os clãs familiares se entre-devoram num inferno de culpas desmedidas.

O projeto desta montagem nasceu de um desejo de Letícia Birkheuer de que Farjalla a desconstruísse num papel de teatro.

Os Drummond, uma família de três séculos, com mulheres que se gabam da fidelidade conjugal, choram a morte por afogamento de Clarinha, uma das filhas de Dona Eduarda e Misael Drummond, e, ao mesmo tempo, prostitutas do cais do porto interrompem suas atividades para lamentar a impunidade do assassinato de uma das suas que morrera há dezenove anos.

Nesta encenação, Jorge Farjalla – depois da ousada e elogiada versão de Dorotéia com Rosamaria Murtinho e Letícia Spiller – leva outra vez Nelson Rodrigues ao extremo contemporâneo e destaca a singularidade da religião em suas obras, em que o sagrado se alimenta do profano, teatralizando ainda mais, através dos signos e símbolos, revisitando a obra numa estética que comunga cenário, figurino, desenho de luz, som e música original, em um contexto singular aos olhos do teatro pós-moderno, riscando nesta montagem, mais uma vez, sua visão própria e original do texto com a marca arrojada e diferente que imprime nas encenações que dirige.

Será uma montagem feita não pra chocar e sim pra refletir. A sociedade está indo para um lugar retrógrado, confundindo liberdade de expressão com exibicionismo. Não quero que o meu modo de ver ou olhar para a obra de Nelson seja rotulado ou criticado sem embasamento. Ao contrário, vamos pensar juntos; não consigo desassociar religião e rito de sua odisseia mítica”, explica Farjalla.

Os atores estarão em cena vivendo todos os personagens, brincando com os arquétipos, para contar e narrar a trajetória da família Drummond – nome que tem em seu significado “vindo do mar” – alguns assumindo os ‘vizinhos’, uma espécie de coro da tragédia grega, assim como seus próprios personagens, com sotaque local, pois a peça se passa em Recife, que é o mar da infância de Nelson, onde ele nasceu.

Um farol, sempre presente em cena, teatralmente representado como uma espécie de lamparina que o próprio ator-narrador executará é cenário para a religiosidade dos nativos que vivem no mar, para Iemanjá como símbolo de todo o contexto da obra, assim como as canções do cancioneiro popular da beira do rio e do mar, fazendo da encenação única e teatralmente cheia de signos e apresentando um Nelson trágico, profundo, íntimo, patético e absurdo.

Alexia Dechamps, que participou da encenação de Dorotéia, agora divide este segundo projeto com Farjalla assumindo a protagonista Dona Eduarda, junto com Karen Junqueira (Moema, irmã do Paulo), que está fazendo Rita Cadillac no cinema. “Dois projetos com o mesmo autor e diretor, um trabalho de identidade de companhia, me colocando num lugar de risco do início ao fim, me provocando e instigando é algo que preciso celebrar. Certamente um momento único, feliz!”, comemora ela.

Já João Vitti e Rafael Vitti dividem pela primeira vez o palco e com personagens que remetem à vida real: pai e filho (Misael e o noivo, respectivamente). E um dos personagens masculinos será interpretado por Letícia Birkheuer, que viverá Paulo, filho do casal pescador, além de Du Machado, o vendedor de pentes. No elenco feminino também estão Nadia Bambirra (Dona Marianinha, a avó) e Jaqueline Farias, a prostituta morta, vizinha e outra prostituta do cais. Aqui vale uma observação: tanto os Vitti como Karen, Letícia e Nádia viverão pela primeira vez um texto de Nelson Rodrigues.

O cenário é assinado por José Dias e a trilha sonora por João Paulo Mendonça – ambos parceiros de Farjalla desde a montagem de Paraíso AGORA! Ou Prata Palomares, do roteiro do filme de André Faria, e Dorotéia – enquanto figurinos e adereços são de Jorge Farjalla em conjunto com Ana Castilho e a luz de Vladimir Freire e Jacson Inácio.

Sinopse

Ligações incestuosas, obsessões, pulsões arcaicas, conflitos entre o lógico e o irracional, todas as amarras são rompidas, os personagens se movem num tempo verdadeiramente mítico, do inconsciente. Senhora dos Afogados é uma peça que se aproxima das tragédias gregas, em que os clãs familiares se entre devoram num inferno de culpas desmedidas.

Dona Eduarda, esposa de Misael, e Moema, única filha mulher que restara, além do irmão, Paulo, se digladiam em torno da questão do pudor e da honra da mulher, hostilizando-se devido a um ódio primordial. Moema, que gostaria de viver sozinha com o pai, urde um plano para que a mãe o traia com o próprio noivo, um ex-oficial da marinha.

Senhora dos Afogados - João Vitti e Rafael Vitti HOR 3 - foto Carol Beiriz

Senhora dos Afogados
Com Alexia Dechamps, Joao Vitti, Karen Junqueira, Rafael Vitti, Letícia Birkheuer, Nadia Bambirra, Jaqueline Farias e Du Machado. 
Teatro Porto Seguro (Al. Barão de Piracicaba, 740 – Campos Elíseos, São Paulo)
Duração 90 minutos
23/02 até 29/04
Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h
$70/$90
Classificação 16 anos

SENHORA DOS AFOGADOS

Ligações incestuosas, obsessões, pulsões arcaicas, conflitos entre o lógico e o irracional, todas as amarras são rompidas, os personagens se movem num tempo verdadeiramente mítico, do inconsciente. Senhora dos Afogados é uma peça que se aproxima das tragédias gregas, em que os clãs familiares se entre-devoram num inferno de culpas desmedidas.

Dona Eduarda, esposa de Misael, e Moema, única filha mulher que restara, além do irmão, Paulo, se degladiam em torno da questão do pudor e da honra da mulher, hostilizando-se devido a um ódio primordial. Moema, que gostaria de viver sozinha com o pai, urde um plano para que a mãe o traia com o próprio noivo, um ex-oficial da marinha.

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Senhora dos Afogados
Com Alexia Dechamps, João Vitti, Karen Junqueira, Rafael Vitti, Letícia Birkheuer, Nadia Bambirra, Jaqueline Farias e Du Machado.
Teatro Porto Seguro (Alameda Barão de Piracicaba, 740 – Campos Elíseos, São Paulo)
Duração 90 minutos
23/02 até 29/04
Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h
$70/$90
Classificação 16 anos