WENDY E PETER

Anos após ter vivido aventuras mágicas na Terra do Nunca, onde conheceu fadas, piratas malvados, feras selvagens, tribos indígenas, os garotos perdidos e o temido crocodilo tic tac, Wendy (Ziza Brisola) cresceu. Já adulta, recebe em seu quarto a visita de Peter Pan (Patrícia Rizzi), companheiro de aventuras que já não consegue se lembrar dos momentos que viveram juntos. Esse é o mote do espetáculo Wendy e Peter, da Cia Linhas Aéreas, que entra em cartaz dia 14 de abril, sábado, meio-dia, no teatro do Sesc Belenzinho.

Adaptado pelas próprias atrizes do livro Peter e Wendy, escrito por J. M. Barrie, publicado em 1911 – sete anos após a estreia da peça que tornou famosa a história de Peter Pan – o espetáculo da Cia. Linhas Aéreas propõe uma encenação de artes integradas, onde circo, teatro, dança contemporânea e Kung-Fu se encontram. Quem assina a direção e colaboração na dramaturgia é Bruno Rudolf, parceiro artístico da companhia desde 2006.Na nova montagem, as intérpretes-criadoras privilegiam a figura feminina na obra de Barrie. “Entendemos que o livro e a peça de teatro homenageiam as mulheres e também as boas mães”, diz Ziza. Foi a partir desse entendimento que as artistas fizeram com que o nome de Wendy viesse antes do de Peter na peça.

Peter Pan é uma figura que está o tempo todo em busca de uma mãe – ele procura isso na Wendy e é muito ressentido por ter sido abandonado da infância. Refletir sobre o feminino na arte é um foco constante na trajetória da Cia.Linhas Aéreas e nos parece especialmente necessário num momento como o atual, em que esse tipo de debate ganha mais força e gera reações na sociedade.”, complementa Ziza. Para criar a figura dúbia de Peter Pan, um menino que carrega a infância em si – com suas ingenuidades, fantasias, emoções e crueldades – a companhia apostou no uso do Shen She Chuen Kung-Fu, luta oriental praticada pela atriz Patrícia Rizzi há 22 anos. “Entendemos que o movimento da luta tinha tudo a ver com algumas características do Peter, como a astúcia, a molequice e a determinação”, diz Patrícia.

Para ela, a fusão das artes funciona muito bem com os pequenos. “As crianças são o melhor público para experimentarmos essas misturas. Na cabeça deles a arte não está dividida, então eles estão livres de julgamentos e prontos para receber as nossas propostas”, complementa. A artista teve os movimentos de luta dirigidos por Luis Pelegrini, seu professor de Kung-Fu desde o início da sua trajetória nesta arte marcial. Pelegrini já participou do elenco do Cirque du Soleil entre 1999 e 2002 como um dos personagens principais do espetáculo Dralion, que fez temporada pelos Estados Unidos da América e Austrália.

Wendy e Peter. Foto - Francisco Miguez (20)

Árvore Cenográfica

Da casa de Wendy a um navio pirata; do céu em que as crianças voam até à casinha na árvore subterrânea da Terra do Nunca: tudo que se passa no espetáculo está representado numa única estrutura cenográfica, uma árvore de 4 metros de altura – peça de ferro criada pelo diretor de arte, cenógrafo, figurinista, arquiteto e artista visual Renato Bolelli Rebouças.

Nessa árvore, equipada com diversos aparatos técnicos de circo, as atrizes realizam voos e suspensões utilizando técnicas de dança aérea e penduradas por elásticos, cordas e tecidos. Transitam o tempo todo pela estrutura com movimentos acrobáticos e coreografias aéreas que vão transformando seus espaços nos diferentes lugares por que a história passa. No chão há o Kung-Fu estilo serpente sagrada, acrobacias de solo e dança contemporânea. Esta cenografia já foi utilizada pelo grupo em 2009, em um espetáculo adulto de dança-teatro chamado O Animal na Sala, com direção de Renata Melo.

Bruno Rudolf, diretor da peça, conta que já tinha certa intimidade com a árvore antes de assumir a direção. “Assisti ao espetáculo anterior e também participei de uma instalação na árvore em uma edição da virada cultural”, conta. O artista é integrante da Cia. Solas de Vento, que também tem se destacado na criação de espetáculos multiartísticos. Nos seus trabalhos, são usados recursos audiovisuais, de circo e de teatro físico. “Entrei como diretor da peça após dois meses que as meninas já tinham começado a levantar materiais. Meu papel foi trazer esse olhar externo e ordenar tudo que elas já vinham desenvolvendo”, diz. Wendy e Peter é o quarto espetáculo dirigido por Bruno, sendo o primeiro voltando para crianças. Bruno tem vasta experiência de atuação em peças infantis e mais de dez anos de experiência como professor de arte-edução.

Wendy e Peter. Foto - Francisco Miguez (2)

Wendy e Peter
Com Patrícia Rizzi e Ziza Brisola
Sesc Belenzinho (R. Padre Adelino, 1000 – Belenzinho, São Paulo)
Duração 60 minutos
14/04 até 13/05
Sábado, Domingo e Feriado – 12h
$20 ($6 – credencial plena SESC)
Classificação Livre

ISTO É UM NEGRO?

Como transformar teoria em cena? Como discutir negritude e questões raciais a partir da experiência singular de cada um dos intérpretes? ISTO É UM NEGRO?, que estreia no dia 2 de março, sexta-feira, às 21h30, no Sesc Belenzinho, propõe algumas hipóteses possíveis para essas perguntas. A montagem, com direção de Tarina Quelho e dramaturgismo de José Fernando Peixoto de Azevedo, traz no elenco Ivy Souza, Lucas Wickhaus, Mirella Façanha e Raoni Garcia.

ISTO É UM NEGRO? é  também um estudo sobre como implicar e  estar implicado em um assunto e, para tanto, explora na cena os limites entre autobiografia e ficção, assim como entre o humor e o constrangimento, misturando diversas linguagens e formatos, do stand-up ao vídeoclipe. Sempre buscando engajar a plateia nestes acontecimentos, é  a  conversa que dita o tom despretensioso do discurso levado ao palco.

Para a diretora Tarina Quelho, discutir negritude numa equipe formado por negros, negras, brancos, mestiços indígenas e japoneses, foi desafiador e muito importante para construção do espetáculo, e revelou com quem queremos dialogar: um Brasil mestiço e racista. “Enquanto não entendermos que racismo é um sistema e que todos estamos dentro dele, e somente pessoas negras se interessarem por discussões raciais, avançaremos pouco nesta conversa. É preciso que todxs  estejam engajados para o fim dessa sociabilidade excludente, escravocrata e cruel, e a peça, como tantas outras iniciativas em vários campos, que falar sobre isso”, explica ela.

Cadeiras amontoadas

Pela mesma porta que o público entra no teatro para assistir ao espetáculo, entram três intérpretes molhados – vestidos e encharcados de água. Olham as pessoas que ali estão para assistir, olham uma pilha de cadeiras brancas amontoadas no proscênio e se perguntam: nós? E logo concluem: nós! Tiram as roupas molhadas, com dificuldade porque estão pesadas e coladas no corpo, e sobem no palco empurrando a montanha de cadeiras brancas. Empurram juntos até que haja espaço para que eles ocupem aquele lugar.

Uma atriz que toma de assalto o espaço que não é dela, um “ex-branco”, uma mulher negra num show de stand up e um menino negro e “bicha” são algumas das figuras  criadas pelos atores e que aparecem nas cenas do espetáculo, que tem estrutura episódica e faz da metalinguagem seu brinquedo.

Foi lendo e estudando Angela Davis, Fred Moten, Achille Mbembe, Bel Hooks, Grada Kilomba, Frantz Fanon, Sueli Carneiro, Mano Brown e Aimé Cesaire, que o grupo elaborou as questões presentes em cada uma das cenas do espetáculo.

Diálogo com público

De acordo com Tarina Quelho, a pergunta ISTO É UM NEGRO? do título do espetáculo não busca uma resposta ou conclusão e sim friccionar a invenção do negro e tentar elaborar a experiência do que é ser e existir como negro, hoje no Brasil. “A interrogação é uma proposição para o diálogo com o público, a partir do encontro, pensamos sobre como o reconhecimento de nossas trajetórias são pontos de partida para a construção de novas experiências”, conta a diretora.

Em um país que possui maioria da sua população negra  e que ao mesmo tempo é cenário de processos de aniquilação desta, da sua cultura e identidade, é necessário enxergar que o racismo opera como método de controle social, regendo desigualdades, velando sua atuação de forma sofisticada, se enraizando de maneira truculenta através das relações de opressões cotidianas e contínuas.

A inquietação que busca respostas para os efeitos que o racismo produz em nossa sociedade, gera paralelamente uma contra-força que evoca um coro de indivíduos que pretendem através do reconhecimento do seu percurso e compreensão de sua identidade, causar uma ruptura da manutenção de práticas que neguem sua subjetividade. Perguntar é uma forma de negar a manutenção dessas estruturas”, defende Tarina.

Liberdade de expressão

Como campo de experiências sensíveis, a arte tem potência para dar forma a territórios poéticos heterogêneos, onde coexistem liberdades de expressão e expressões de liberdades diversas. Por meio da presente atividade, o Sesc reitera o seu compromisso com a cultura e com a educação, ao trazer à baila produções e processos artísticos que debatem a liberdade de expressão concretamente, em sua imbricação com a liberdade dos corpos – que precisa ser construída permanentemente.

03.2018 - Teatro - Isto e um Negro - Lucas Brandao

Isto é um Negro?
Com Ivy Souza, Lucas Wickhaus, Mirella Façanha e Raoni Garcia
Sesc Belenzinho – Sala de Espetáculos I (Rua Padre Adelino, 1000 – Belenzinho, São Paulo)
Duração 90 minutos
02 a 11/03
Sexta e Sábado – 21h30, Domingo – 18h30
$20 ($6 – credencial plena)
Classificação 18 anos

TERRÁRIO – DANÇA PRIVÊ NUM PORTAL INTERDIMENSIONAL

Em TERRÁRIO – DANÇA PRIVÊ NUM PORTAL INTERDIMENSIONAL o artista curitibano Maikon K trabalha nas fronteiras entre performance e dança, teatro e ritual. A ação faz apresentações dias 23, 24 e 25 de fevereiro, sexta-feira e sábado às 21h30 e domingo às 18h30.

O foco da arte de Maikon K é o corpo como instaurador de realidades e os limites entre humano e não humano. A ação dá continuidade à pesquisa do artista também presente em DNA de DAN, selecionada pela artista Marina Abramovic para integrar a exposição Terra Comunal, em março de 2015, no Sesc Pompeia, em São Paulo.

Estruturada em duas partes distintas, a performance é sobre observar e ser observado, sem no entanto se deixar tocar. O nome da ação remete ao recipiente que recria as condições ambientais para a criação de animais ou plantas, fora do qual é possível observar o comportamento dos seres vivos em seu interior.

Cubo negro

Na primeira parte de TERRÁRIO – DANÇA PRIVÊ NUM PORTAL INTERDIMENSIONAL, Maikon K está em pé e aguarda a entrada do público. No chão à sua frente, uma superfície feita com pedaços de espelhos. Ao fundo da sala, um cubo negro de três metros de altura. O performer se ajoelha e, enquanto fala, tira sua roupa. Ele então executa uma dança sobre os espelhos: ilusionismo erótico, corpo estilhaçado, manipulação biológica, hipnose. “Nesta etapa, o foco está na relação com os espelhos, na luz que se reflete e na música”, explica ele.

Num segundo momento, Maikon K entra no cubo. Essa caixa preta é forrada com areia e espelhos cobrem as paredes. Um microfone está posicionado no teto e os sons produzidos no interior do cubo saem em caixas acústicas do lado de fora, manipulados pelo músico Beto Kloster. O público se coloca na posição de voyeur e assiste à performance através de pequenas janelas, podendo escolher para onde quer olhar, captando pedaços e reflexos do corpo que ali se move. O jogo de espelhos permite ao espectador criar diversas perspectivas. O artista se relaciona com a areia e desenterra peças de roupa: um arreio de couro e uma saia negra. “Neste peep show xamânico construo gradativamente uma persona, que emerge através da minha voz, respiração e movimentos. Um jogo de espelhos onde o público observa e também é observado. Contemplando o aparecimento e morte de sucessivos estados e imagens”, conta o artista.

Para Maikon K no mundo atual de webcams e fotos instantâneas, capturamos, selecionamos e oferecemos nossa imagem a uma multidão de olhos. Imagem que se alastra sem controle, viral. “Podemos nos comunicar com o mundo de dentro de nosso quarto, carro, banheiro, prisão. E o mundo vem até nós, fibra ótica, sorvido pelas retinas vidradas. Consumimos um mundo-imagem, e somos por ele consumidos”, acredita ele.

Liberdade de expressão

Como campo de experiências sensíveis, a arte tem potência para dar forma a territórios poéticos heterogêneos, onde coexistem liberdades de expressão e expressões de liberdades diversas. Por meio da presente atividade, o Sesc reitera o seu compromisso com a cultura e com a educação, ao trazer à baila produções e processos artísticos que debatem a liberdade de expressão concretamente, em sua imbricação com a liberdade dos corpos – que precisa ser construída permanentemente.

Terrário – Dança Privê num Portal Interdimensional
Com Maikon K.
Sesc Belenzinho – Sala de Espetáculos I ( Rua Padre Adelino, 1000 – Belenzinho, São Paulo)
Duração 60 minutos
23 a 25/02
Sexta e Sábado – 21h30, Domingo – 18h30
$20 ($6 – credencial plena)
Classificação 18 anos

QUEM TEM MEDO DE TRAVESTI? 

Escrito e dirigido por Silvero Pereira, ator e pesquisador cearense, e pela diretora gaúcha e professora Jezebel De Carli, QUEM TEM MEDO DE TRAVESTI? é um teatro-musical e tem como base narrativa a construção histórica da travestilidade, onde travestis exerciam papel de protagonismo no teatro, cabendo-lhes ocupar lugar de destaque nas principais encenações do teatro de revista e, logo em seguida, chegando à decadência, exclusão e marginalização artístico-social.

Para Silvero Pereira, a peça é um olhar artístico sobre o universo Trans. “Um espetáculo epidérmico-sensível-agressivo sobre um olhar delicado, e quase cru, acerca do medo daquilo que não se conhece ou que se julga, mesmo sem conhecer. É um trabalho sobre verdade e necessidade de falar, de se ouvir, de gritar”, conta ele.

Universo Trans

A pesquisa para a encenação, sua proposição estética, trilha sonora e dramaturgia foram criadas a partir de fragmentos de vidas reais, coletados através de conversas com travestis, transexuais e transformistas, bem como pesquisas acadêmicas e vídeos documentários.

O espetáculo expõe histórias sobre a arte, exclusão, decadência e violência, presentes no cotidiano desta população. Entretanto, subvertendo estas tristes histórias, a obra vai além ao abordar narrativas de superação e transformação, tendo também o intuito de fortalecer e ampliar essa investigação, promovendo a valorização do ator-transformista e da criação do conceito, em teatro, da travesti enquanto alter ego do ator.

QUEM TEM MEDO DE TRAVESTI? acontece de uma parceria iniciada em 2013 com a montagem do espetáculo BR-TRANS. Esse encontro/intercâmbio possibilitou a criação de novos laços, aproximando e unindo artistas do Ceará, Rio Grande do Sul e Pernambuco.

Mostra Libertária

Como campo de experiências sensíveis, a arte tem potência para dar forma a territórios poéticos heterogêneos, onde coexistem liberdades de expressão e expressões de liberdades diversas. Mas a história efetiva das artes, tal qual conhecemos por meio de processos educativos variados, desde há muito tempo nos dá notícias do silenciamento de vozes poéticas subjugadas e do encobrimento de corpos dominados: de mulheres, homossexuais, transgêneros, negros e outros sujeitos sociais periféricos.

Ao se negar a legitimidade da presença, sabotar o lugar de fala e subjugar o protagonismo, constitui-se a contraface da condição de liberdade do campo artístico. De fato, como elemento estrutural da própria sociedade, as muitas formas de normatividade também marcam contraditoriamente a linha do tempo e os modos de produção artística. Por meio da presente mostra, o Sesc reitera o seu compromisso com a cultura e com a educação, ao trazer à baila produções e processos artísticos que debatem a liberdade de expressão concretamente, em sua imbricação com a liberdade dos corpos – que precisa ser construída permanentemente.

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Quem Tem Medo de Travesti
Com Deydianne Piaf, Verónica Valenttino, Alicia Pietá, Patrícia Dawson, Karolaynne Carton, Mulher Barbada
Sesc Belenzinho – Sala de Espetáculos I (Rua Padre Adelino, 1000 – Belenzinho, São Paulo)
Duração 60 minutos
16 a 18/02
Sexta e Sábado – 21h30, Domingo – 18h30
$20
Classificação 18 anos

DINAMARCA

Um grupo de amigos se reúne à mesa após uma festa de casamento. Entre conversas políticas e sobre as relações humanas, relembram os acontecimentos da noite. Porém, contar algo ou alguma coisa, mostrará que além de uma noite trágica de festas, eles tentam ser algo que jamais serão. Esse é o ponto de partida deDINAMARCA, a nova montagem do Grupo Magiluth, que estreia dia 15 de setembro, sexta-feira, às 21h30, no Sesc Belenzinho. Baseado na obra Hamlet, de Shakespeare, o espetáculo tem direção de Pedro Wagner e dramaturgia de Giordano Castro, que também está em cena ao lado de Bruno Parmera, Erivaldo Oliveira, Mário Sergio Cabral e Lucas Torres.

Em DINAMARCA, segunda montagem de uma trilogia que começou em 2015 com o espetáculo O Ano em que Sonhamos Perigosamente, a trama de Shakespeare funciona como um alicerce, mas o estado do Brasil e do mundo, em 2017, é o verdadeiro assunto que o grupo que dissecar. Na montagem anterior, o grupo investigou os indivíduos inseridos num momento histórico onde mundialmente explodiram movimentos emancipatórios e se parecia que enfim os gritos das ruas levariam a mudanças. Agora, o Magiluth volta o seu olhar para um recorte social que caminha alheio a tudo isso, mas não menos importante na construção desse inflamável quebra cabeças.

Inspirado num dos textos mais conhecidos da dramaturgia ocidental, Hamlet. A tragédia escrita por William Shakespeare entre 1599 e 1601 é notoriamente considerada um clássico, pois apesar da época em que foi escrita, se mantém viva, atual e traz reflexões sobre a atualidade. Para Giordano Castro, responsável pela dramaturgia e também ator na peça, a história de Hamlet  proporciona uma variedade de abordagens, leituras e caminhos sobre a mesma obra. “Dentro dessas possibilidades, a ideia de ficcionalizar uma bolha social do reino dinamarquês nos serve como argumento para a construção de DINAMARCA. Não se trata de uma adaptação ou versão do bardo inglês. Shakespeare foi ponto de partida, um esteio ou trampolim. Trechos, frases e sentidos de Shakespeare estão lá, mas não a linearidade, ou mesmo todos os personagens. A obra shakespeariana aparece explicitamente em alguns momentos, quase que cortando a narrativa, como uma memória ancestral”, afirma ele.

Festa de casamento

O Magiluth vem trabalhando no espetáculo desde outubro de 2016. De lá para cá, o que era Hamlet reverberouDINAMARCA. “Somos um grupo de teatro que busca estar sempre em diálogo com o momento presente, tentando fazer de seus trabalhos um recorte do seu tempo. Para isso, buscamos como referências, obras atemporais. Que não se esgotam em possibilidades de interpretações. É talvez esta a força maior da tragédia Shakespeariana: revelar quem somos através dos conflitos que atormentam a cabeça do jovem príncipe. E quando somos revelados, entendemos como agimos, sendo produto e produtor da sociedade em que vivemos. Sendo assim, pensemos no planeta. Depois pensemos em um continente. Temos agora um país. Um estado dentro desse país. Uma cidade, uma sociedade, uma festa”, explica o diretor Pedro Wagner.

No espetáculo um grupo de amigos da mais alta nobreza reunidos à mesa de uma festa de casamento celebram os tempos, o momento presente e o “aqui”. Dentro de seus círculos de felicidades regradas, continuam esse tipo de existência, esse tipo de vida, onde “questões” não existem e o que mais precisam é manter o seu status quo. “Em DINAMARCA focamos naqueles que estão encastelados, nos que se consideram o outro – o ideal do dinamarquês, evoluído, de primeiro mundo, top – olhando tudo de forma, como se não fossem afundar junto”, conta o diretor.

Trilha sonora ao vivo

Um dos destaques no trabalho é a trilha sonora executada ao vivo pelo duo Pachka, formado pelos músicos Miguel Mendes e Tomás Brandão, que fazem música não só com instrumentos, mas com dispositivos eletrônicos, e participaram de todo o processo de criação do espetáculo ao lado do Magiluth. O grupo também contou com a colaboração de Giovana Soar e Nadja Naira, da Companhia Brasileira de Teatro, como provocadoras, e voltaram a trabalhar na direção de arte com Guilherme Luigi.

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Dinamarca
Com Bruno Parmera, Erivaldo Oliveira, Giordano Castro, Mário Sergio Cabral e Lucas Torres. 
Sesc Belenzinho – Sala de Espetáculo I (Rua Padre Adelino, 1000 – Belenzinho, São Paulo)
Duração 80 minutos
15/09 até 15/10
Sexta e Sábado – 21h30, Domingo – 18h30
$20 ($6 – credencial plena)
Classificação 18 anos

 

REFUGO URBANO

Duas figuras excêntricas. Dois seres intrigantes e complexos: Claudius é organizado, comedido e cuidadoso. Pamplona é vibrante, emocional, e guarda consigo um universo único debaixo de seus sacos plásticos e papelões. Eles não se conhecem… ainda! Porém pequenas magias serão descobertas por esses dois personagens apaixonantes. A Trupe DuNavô apresenta-nos uma delicada fábula urbana, que explora diferentes vertentes da linguagem do palhaço, e apresenta ao público o encontro de dois seres distintos em meio ao improvável, dentro de uma possível história de amor.

Formada por Gabi ZanolaRenato RibeiroGis Pereira e Vinícius Ramos nasceu em abril de 2010, dentro do Programa de Formação de Palhaços para Jovens. Partindo do desejo de aprofundar a linguagem do palhaço, colocando em prática os ensinamentos de aula, somados às referências e vontades pessoais de cada integrante do grupo.

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Refugo Urbano
Com Gabi Zanola e Renato Ribeiro
SESC Belenzinho – Sala de Espetáculos 2 (Rua Padre Adelino, 1.000, Belenzinho – São Paulo )
Duração 55 minutos
5 e 6/08
Sábado e Domingo – 17h
Entrada gratuita (retirar com 1 hora de antecedência)
Classificação Livre

NU DE BOTAS

O espetáculo Nu de Botas, baseado em livro nomônimo de Antonio Prata, reúne crônicas sobre passagens marcantes de sua infância. Com direção de Cristina Moura, que também assina a dramaturgia em parceria com Pedro Brício, a comédia estreia no Sesc Belenzinho, no dia 23 de junho (sexta, às 21h30).

Na encenação estão as primeiras lembranças no quintal de casa, os amigos da vila, o divórcio dos pais, o cometa Halley, os desenhos animados da TV, uma inusitada viagem à África, dilemas morais, viagens de carro, histórias e relatos das lembranças da infância do autor, uma época da vida repleta de descobertas e experimentações.

As histórias do menino Antônio, que nasceu em São Paulo no final dos anos 70, são inspiradas em fatos reais, narradas do ponto de vista da criança, com os filtros da ficção e permeadas pelo bom humor. Um olhar infantil, de quem se espanta com o mundo e a ele confere um sentido muito particular – cômico, misterioso, lírico e encantado.

No palco, os atores Luciana Paes, Isabel GueronThiare Maia Amaral / Keli FreitasPedro Brício Renato Linhares contam as histórias de Antonio pelas suas próprias perspectivas e sensibilidades de adultos que vivem na cidade do Rio de Janeiro. Esse foi o desafio proposto por Cristina Moura, que aposta numa encenação simples com valorização das palavras e das imagens que surgem das histórias desse jovem e talentoso cronista, explorando cenicamente a comicidade por trás de cada uma das situações vividas pelo narrador.

Em Nu de Botas o espectador se depara com situações aparentemente cotidianas, entretanto o humor utilizado por Prata transforma cada uma dessas situações em narrativas muito especiais, fazendo com que novamente habitemos a infância ao nos abrir as portas para um estado de surpresa e encantamento.

A montagem é uma peça de memória, de afeto; são lembranças particulares de um narrador que, em algum momento, são as nossas lembranças, ou nos remetem a elas. Se a infância é a poesia da nossa existência, se passamos a vida buscando reencontrá-la, mas ela fica por lá, em forma de memória, em fragmentos, afirmando um pouco quem somos, as histórias de Nu de Botas nos transportam para essa dimensão mais poética da vida.

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Nu de Botas
Com Luciana Paes, Isabel Gueron, Thiare Maia Amaral / Keli Freitas, Pedro Brício e Renato Linhares
SESC Belenzinho – Sala de Espetáculos I (Rua Padre Adelino, 1000 – Belenzinho, São Paulo)
Duração 75 minutos
23/06 até 23/07
Sexta e Sábado – 21h30; Domingo – 18h30
$20
Classificação 14 anos