LUIS ANTONIO – GABRIELA

Sucesso de público e crítica com mais de 300 apresentações e 35 mil espectadores em todo Brasil, o espetáculoLUIS ANTONIO – GABRIELA volta aos palcos de São Paulo com elenco original: Marcos Felipe, Lucas Beda, Sandra Modesto, Verônica Gentilin, Virginia Iglesias e Day Porto. As apresentações acontecem de 3 a 20 de novembro, de quinta-feira a sábado às 21h30 e domingo às 17h30, dentro do Projeto Ficha Técnica – atividades formativas sobre o processo de criação no teatro –, do Sesc Belenzinho. Além do espetáculo, a Cia Mungunzá realiza a oficina Cicatrizes sobre os processos de criação do grupo.

Em LUIS ANTONIO – GABRIELA o diretor Nelson Baskerville coloca em cena sua própria história, onde o irmão mais velho, homossexual, Luis Antonio, desafia as regras de uma família conservadora dos anos 1960. O documentário cênico tem início no ano de 1953, com o nascimento de Luis Antonio, filho mais velho de cinco irmãos, que passou infância, adolescência e parte da juventude em Santos até ir embora para Espanha aos 30 anos, onde se transforma em Gabriela.

O espetáculo narra a história de Luis Antonio até o ano de 2006, data de sua morte na cidade de Bilbao, na Espanha. LUIS ANTONIO – GABRIELA foi construído a partir de documentos e dos depoimentos do ator e diretor Nelson Baskerville, de sua irmã Maria Cristina, de Doracy, sua madrasta e de Serginho, cabeleireiro na cidade de Santos e amigo de Luis Antonio.

Documentário-cênico

LUIS ANTONIO – GABRIELA apresenta ao público a transformação de Luis Antonio em Gabriela a partir de diferentes pontos de vista, como do irmão caçula que foi abusado sexualmente; da irmã que sai pelo mundo em busca do corpo de Gabriela; do pai que não reconhecia o filho travesti; e dos amigos e colegas de trabalho, que viam a figura da protagonista com uma mistura de admiração e estranhamento.

O diretor Nelson Baskerville conta que, em 2002, recebeu a notícia de que o irmão tinha morrido na Espanha. “Luis Antonio, pra mim, era aquele irmão, oito anos mais velho, que sempre mantive na sombra. Só alguns poucos amigos sabiam da sua existência, ele era aquele que, além de me seduzir, e abusar sexualmente, fazia com que muitos dedos da cidade de Santos fossem apontados pra nós. Sou obrigado a confessar que a notícia da morte dele não me abalou nem um pouco. Eram quase 30 anos sem saber nada dele, sem saber se ele estava vivo ou morto, enfim, liguei pra minha irmã, Maria Cristina, advogada para passar a notícia pra frente e a preocupação imediata dela foi com os papéis, atestado de óbito, documentação para o espólio, etc.”, explica ele.

Maria Cristina empreendeu então uma jornada fadada ao fracasso que era saber notícias do paradeiro de Luis Antonio. Depois de alguns meses, através da embaixada brasileira na Espanha ela o encontrou, mas não exatamente da forma que esperava. Luis Antonio estava vivo, morava em Bilbao e a partir disso os irmãos começaram a tentar formar e entender aquela lacuna de 30 anos que os separavam. “Minha irmã, numa aventura ‘almodovariana’ foi encontrá-lo. Luis Antonio chamava-se agora Gabriela, tinha sido uma estrela das noites de Bilbao, era viciada em cocaína e AIDS era a menor das suas doenças. Através da Maria Cristina, passamos então a ter notícias dele até sua morte, agora verdadeira, em 2006”, recorda o diretor.

22 telas na cenografia

Com trilha sonora original composta por Gustavo Sarzi, onde todos os atores aprenderam a tocar instrumentos para a execução das músicas, LUIS ANTONIO – GABRIELA também traz diferenciais na iluminação e cenografia.

A luz, não convencional do espetáculo foi inteiramente construída pelos atores e diretor e é operada de dentro do palco. Para a cenografia foram encomendadas 22 telas do jovem artista plástico Thiago Hattner, que fazem parte da cena que Maria Cristina leva Luis Antonio ao Museu Guggeinhein de Bilbao.

Oficina Cicatrizes

Paralelo às apresentações do espetáculo, a Cia Mungunzá ministra a Oficina Cicatrizes, que nasce do processo de criação dos espetáculos do grupo, principalmente em LUIS ANTONIO – GABRIELA, e tem como objetivo proporcionar aos integrantes uma experiência biográfica, dramatúrgica, estética e performática adentrando as histórias pessoais que resultaram numa cicatriz (física ou emocional).

A oficina gratuita acontece de 9 a 18 de novembro, quartas e sextas-feiras, das 14 às 18 horas. São oferecidas 30 vagas (idade recomendada a partir de 16 anos) e as inscrições podem ser feitas até o dia 3 de novembro, por meio de envio de currículo resumido para o e-mail cicatrizes@belenzinho.sescsp.org.br.

Veja abaixo trechos do espetáculo (video de 28/02/11, feito pela cineolhar)

Luis Antonio – Gabriela
Com Marcos Felipe, Lucas Beda, Sandra Modesto, Verônica Gentilin, Virginia Iglesias e Day Porto.
Sesc Belenzinho – Sala de Espetáculo I (Rua Padre Adelino, 1000 – Belenzinho, São Paulo)
Duração 90 minutos
03 até 20/11
Quinta, Sexta e Sábado – 21h30; Domingo – 17h30
$20 ($6 – trabalhador no comércio de bens, serviços e turismo credenciado no Sesc e dependentes)
Classificação 16 anos
 
Direção – Nelson Baskerville.
Diretora Assistente – Ondina Castilho.
Assistente de Direção – Camila Murano.
Direção Musical, Composição e Arranjo – Gustavo Sarzi.
Preparador Vocal – Renato Spinosa.
Trilha Sonora – Nelson Baskerville.
Preparação de Atores – Ondina Castilho.
Iluminação – Marcos Felipe e Nelson Baskerville.
Cenário – Marcos Felipe e Nelson Baskerville.
Figurinos – Camila Murano.
Visagismo – Rapha Henry – Makeup Artist.
Vídeos – Patrícia Alegre.
Produção Executiva – Sandra Modesto e Marcos Felipe.
Produção Geral – Cia Mungunzá de Teatro.
Realização – Sesc São Paulo.
Assessoria de Imprensa – Nossa Senhora da Pauta

 

 

ÍNTIMO

Com direção de Bruno Rudolf (criador da Cia Solas de Vento), a Cia LaMala estreia o espetáculo Íntimo no próximo dia 27 de outubro, quinta-feira, às 20 horas, no Sesc Belenzinho. Em sua primeira montagem focada no público adulto, a dupla Carlos Cosmai e Marina Bombachini traz para o palco o resultado de uma pesquisa focada em sua principal habilidade, a acrobacia em dupla e sem o uso de qualquer aparelho ou objeto.

O limite da intimidade entre dois corpos e nada mais. Esse é o foco de Carlos Cosmai e Marina Bombachini em Íntimo. O espetáculo abordará este encontro explorando a intimidade de uma dupla de acrobatas, tanto do ponto de vista do relacionamento entre duas pessoas, quanto de dois corpos que se conhecem e trabalham em sintonia.

Íntimo é o resultado de uma necessidade que tínhamos de nos comunicar. Há tempos já pensávamos no tema da intimidade e também como trabalhar a linguagem circense de uma maneira diferente das que já trabalhamos até hoje”, afirma Marina Bombachini.

O espetáculo está em linha com os anseios dos dois artistas, que usam sua principal habilidade circense, a acrobacia, com virtuosismo e sem recursos extras, como aparelhos e objetos. Para a direção, Bruno Rudolf foi escolhido por conta da sua experiência com a linguagem circense.

Além de MariNa e Cosmai, o palco também conta com a presença do músico e compositor Rodrigo Zanettini, que executa a trilha sonora ao vivo, no piano. A ideia é que a música ajude a complementar a cena, assim como a luz e o figurino.

Carlos Cosmai diz que escolheram uma cenografia muito simples, que revele os corpos dos dois artistas em cena. “Optamos por um piso circular, o que nos aponta signos muito fortes: o formato do circo, do picadeiro, bem como a condição de infinitude e igualdade. Já o figurino é  composto de camadas, como se pudéssemos nos despir e revelar aos espectadores nossa essência em cena”, revela Cosmai.

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Íntimo
Com Marina Bombachini e Carlos Cosmai.
Músico (piano) – Rodrigo Zanetti.
SESC Belenzinho – Sala de Espetáculos 2 (Rua Padre Adelino, 1000 – Belenzinho, São Paulo)
Duração 50 minutos
27 a 30/10
Quinta, Sexta e Sábado – 20h; Domingo – 17h
$20 ($6 – trabalhador no comércio de bens, serviços e turismo credenciado no Sesc e dependentes)
Classificação 14 anos
 
Mostra Cia LaMala
Direção – Bruno Rudolf.
Desenho de Luz – Marcel Alani Gilber.
Trilha Sonora Original – Rodrigo Zanettini.
Preparação vocal – Isadora Canto.
Cenário e figurinos – Bruno Rudolf, Marina Bombachini e Carlos Cosmai.
Coordenação de produção – Cia. LaMala e Cristiani Zonzini.
Assessoria de Imprensa – Adriana Balsanelli

A MELANCOLIA DE PANDORA

Uma mulher que deseja apenas saber se suas memórias são reais e a sua jornada para descobrir quem realmente ela é são o mote de A MELANCOLIA DE PANDORA, espetáculo que estreia no dia 15 de julho, sexta-feira, às 21 horas, no Teatro do Sesc Belenzinho (pré-estreia no dia 14 de julho) e reúne referências e ideias de diversas personagens míticas e arquetípicas personificadas na mente de uma mulher solitária. Com texto e direção de Steven Wasson e colaboração de Corinne Soum, a montagem traz no elenco os atores Bete Coelho, Djin Sganzerla, Ricardo Bittencourt e André Guerreiro Lopes, que assina a codireção e por seis anos foi membro do Theatre de L’Ange Fou em Londres.

O artista norte-americano Steven Wasson e a francesa Corinne Soum foram os últimos assistentes de Etienne Decroux, “pai da mímica moderna”.  Os dois são diretores da companhia teatral Theatre de l’Ange Fou, com mais de 30 anos de existência, e do recém-criado White Church Theatre Project, nos Estados Unidos.

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A MELANCOLIA DE PANDORA é uma peça de teatro de movimento absurda, cheia de ironia, drama e humor, pontuada por um texto poético. A montagem reúne três companhias distintas – Theatre de L’Ange Fou e as brasileiras BR116 e Lusco-Fusco – com o intuito de unir forças e talentos, além de contar com ideias, referências e influências oferecidas pelas singulares características artísticas de cada uma. A ideia de juntar as três companhias partiu da atriz Bete Coelho, que viu a oportunidade de potencializar o encontro com um espetáculo visual e com uma camada contemporânea, além de atravessar temáticas e dialogar com o trabalho dos três grupos.

O anjo Pandora

Para Steven Wasson A MELANCOLIA DE PANDORA apresenta referências a diversos personagens da literatura clássica, além de buscar inspirações nas tragédias, nos contos fantásticos e seus mitos. No início do século 20, o Doutor Rudolph Ahriman (André Guerreiro Lopes) ergue-se solitário no panteão dos “Deuses Alienistas”, explorando o submundo da psique humana. Imaginando-se como um “libertador” da mente humana, Doktor Ahriman é conhecido por sua teoria da “re-personificação” e destruição dos mitos como um calmante psicológico para o homem mitologicamente perturbado. “O maior inimigo pessoal de Ahriman é Deus e ele acredita que Deus o teme, por isso coloca em seu caminho obstáculos e mitos, recusando a se apresentar ao grande e misterioso Doutor. Para Ahriman, este Deus é um charlatão, uma não existência, um mito, uma doença”, explica o autor e diretor.

A paciente atual do Doutor Ahriman é uma mulher sem nome, sofrendo, ele pensa, de uma imaginação excessivamente ativa. Conduzida por um anjo, chamado Pandora (Djin Sganzerla), a mulher tenta reconstruir seus estilhaços de memória, já que passou a maior parte de sua vida na cama, com medo de sair dos limites de seu quarto. Ela se lembra vagamente de uma época em que amava um jovem rapaz, que a amava também, mas que foi perdido para sempre em alguma guerra esquecida. Para o Doutor, a mulher está perdida na Terra da Melancolia, desejando apenas saber se suas memórias são reais e, portanto, saber quem é.

A saga para responder à pergunta “Quem sou eu?” vai levar a mulher por uma jornada de descoberta de quem ela é ou quem não é. “A terapia do Doutor vai conduzi-la através da busca por seu amor perdido, atravessando cenas de amor jovial, festas, infernos administrativos, burocracia, guerra, perda, morte e transfiguração. Enquanto as memórias da mulher se revelam e desdobram, o confronto final do Doutor com seu arqui-inimigo Deus se aproxima, ou assim ele pensa”, conta a atriz Bete Coelho, que interpreta essa misteriosa mulher.

A figura “chapliniana” do mordomo Max (Ricardo Bittencourt), fiel escudeiro do Doutor Ahriman, fecha o rol de personagens. O serviçal, alter ego de Ahriman, está disposto a assumir todos os personagens necessários para a pesquisa do Doutor, mas ele se apaixona facilmente e acredita em finais felizes.

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Ilusão de Ótica

Com cenografia de Steven Wasson e Beto Mainieri, adereços de George Silveira e figurinos de Cássio Brasil, A MELANCOLIA DE PANDORA tem uma estrutura toda criada para provocar efeitos de ilusão de ótica no público.

Gregory Slivar concebeu a paisagem sonora, dando um ar misterioso para a trilha, que varia de uma leveza quase infantil a uma atmosfera mais escura e assustadora. Os sons se misturam com vozes, sussurros, corvos grasnando, o chilrear dos pássaros matinais, o vento, chuva, trovões, sons de guerra, portas rangendo, passos, cavalos a galope, risos e o ritmo incessante de uma máquina de impressão.

Elemento importante na encenação, as vídeo-projeções criadas pelo artista Gabriel Fernandes, integrante da Companhia BR116, transforma o placo em um quadro onírico e muitas vezes sombrio, como um filme noir, e exterioriza para todos os seus cantos o que se passa na intrigante mente dos personagens, fazendo um retrato psicológico da ação.

A Melancolia de Pandora
Com Bete Coelho, Djin Sganzerla, André Guerreiro Lopes e Ricardo Bittencourt
Sesc Belenzinho
Duração 70 minutos
15/07 até 07/08
Quinta, Sexta e Sábado – 21h; Domingo – 18h
$40 / $12 (trabalhador no comércio de bens, serviços e turismo credenciado no Sesc e dependentes)
Classificação 10 anos
 
Dramaturgia – Steven Wasson com colaboração de Corinne Soum.
Tradução – Marcos Renaux.
Concepção e Direção – Steven Wasson.
Codireção – André Guerreiro Lopes.
Direção de Imagens – Gabriel Fernandes.
Figurinos – Cássio Brasil.
Cenografia – Steven Wasson e Beto Mainieri.
Adereços – George Silveira.
Iluminação – Wagner Antonio.
Direção de Cena – Rafael Bicudo.
Direção Musical – Gregory Slivar.
Direção de Produção – Fá Almeida.
Produção – Diorama Produções & Eventos.
Realização – Sesc São Paulo.
Assessoria de Imprensa – Nossa Senhora da Pauta

PROJETO BRASIL

Resultado de dois anos de pesquisas, intenso trabalho e viagens para as cinco regiões brasileiras, a montagem traz um conjunto de performances criadas a partir da reflexão dos artistas sobre o país.

Reflexões de uma longa jornada

Entre 2013 e 2014, a companhia brasileira de teatro viajou por capitais das cinco regiões brasileiras, passando por Salvador, Manaus, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Brasília. Foram apresentados espetáculos de seu repertório e, numa outra frente, o grupo realizou seminários, palestras, leituras e vivências com o público e outros artistas. As andanças não se deram apenas em ambientes artísticos ou culturais, mas também em outros cantos das cidades visitadas.

Dessas viagens, trocas de informações com pessoas diversas e, também, das reflexões artísticas que o percurso gerou, foi montado um mosaico criativo. O resultado está entrelaçado na sequência de cenas de PROJETO BRASIL. Elas são independentes e em formatos diversos, que privilegiam ora a fala, ora a música, o corpo, a luz – como define Marcio Abreu, “discursos”.

Falar, sem falar

Mas não são discursos unívocos, nem iguais na forma, diz o diretor. O espetáculo traz um conjunto bem heterogêneo que inclui palavra, performance, música, teatro. É mais sensorial do que narrativo; convoca, implica, provoca. Os integrantes da companhia se deixaram afetar pelos encontros com outros criadores brasileiros e com o público teatral, pela vivência espontânea, pelos muitos materiais, pensamentos e ações produzidos nesse trajeto. O primeiro fruto disso tudo é o que vem ao palco. Não se trata, reitera Abreu, de um retrato documental, mas sim da reverberação artística da experiência.

Assumindo os riscos de criar uma peça a partir do olhar para o país num momento como o de hoje, a companhia brasileira de teatro se dedicou à tarefa com o rigor técnico, o apreço pela pesquisa e a inquietação que lhe são peculiares. As rotas percorridas, as situações vividas, histórias e bibliografias lidas, o caminho foi aos poucos sendo construído.

Desde o começo não queríamos falar explicitamente sobre o país, conta o diretor Marcio Abreu. Com o decorrer do trabalho, isto se concretizou: falar sem falar expressamente, tratar de outras coisas para tratar do Brasil. Esta outra dimensão de trabalho é um reflexo também da impossibilidade de falar sobre o país, num momento onde as coisas ainda estão acontecendo, numa velocidade muito grande. A impossibilidade de dar conta de tudo por meio da palavra também refletiu no formato do espetáculo, com uma aproximação no rumo de outras formas de expressão como a performance.

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A Montagem

O preto sobre o preto está em cena, e num sobrepalco redondo se instala uma floresta de microfones – alguns são utilizados, outros não -, como se estivessem prontos para um pronunciamento. E a fala acontece, de fato, mas não da forma mais convencional.

É neste cenário que são realizadas as cenas independentes que compõem o PROJETO BRASIL. Há momentos de texto propriamente dito, inspirados em discursos reais, como a ex-Ministra da Justiça da França Christiane Taubira ou o ex-presidente do uruguai Jose Mujica, bem como criações da própria companhia, além de cenas que buscam outras possibilidades de expressão.

São tratados temas como política, igualdade, consumo exacerbado, economia de mercado, ética, o caráter descartável de tudo na nossa sociedade, a ânsia por compreender e se comunicar.  Outras questões abordam o trabalho do grupo, como o papel do ator, do teatro e da arte. Os figurinos, também em preto, remetem a um “fim de festa”, como define Marcio.

Projeto Brasil
Com Giovana Soar, Nadja Naira e Rodrigo Bolzan e Músico: Felipe Storino
Sesc Belenzinho – Sala de Espetáculo I (Rua Padre Adelino, 1000 – Belenzinho, São Paulo)
Duração 80 minutos
16/06 até 17/07
Quinta, Sexta e Sábado – 21h30; Domingo – 18h30
$25 ($7,50 – trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo credenciado no Sesc e dependentes)
Classificação 16 anos
 
Direção: Marcio Abreu
Dramaturgia: Giovana Soar, Marcio Abreu, Nadja Naira, Rodrigo Bolzan
Trilha e efeitos sonoros: Felipe Storino
Assistência de Direção: Nadja Naira
Direção de Movimento: Marcia Rubin
Orientação de texto e consultoria vocal: Babaya
Iluminação: Nadja Naira e Beto Bruel
Cenografia: Fernando Marés
Figurino: Ticiana Passos
Direção de Produção: Giovana Soar
Produção Executiva: Isadora Flores
Administrativo e Financeiro: Cássia Damasceno
Produção e operação técnica: Henrique Linhares
Produção local: Jose Maria, Lili Almeida e Géssica Arjona
Projeto Gráfico: 45JJ
Fotos: Marcelo Almeida, Maringas Maciel e Nana Moraes
Assessoria de Imprensa: Morente Forte
Operador de luz: Henrique Linhares e Elisa Ribeiro
Técnico de som: Chico Santarosa e Miro Dottori
Contrarregragem: Fernando Marés, Liza Machado e Elisa Ribeiro
Cenotécnica: Anderson Quinsler
Artistas Colaboradores: Ranieri Gonzalez, Edson Rocha, Renata Sorrah, Cássia Damasceno
Oficinas de aprimoramento: Eleonora Fabião, Erelisa Vieira
Seminários: Eleonora Fabião, Mario Hélio Gomes de Lima, André Egg, Sandra Stroparo, Itaércio Rocha, Aly Muritiba
Entrevistas e Encontros: Dona Eva Sopher, Hélio Eichbauer, Maestro Letieres Leite, Sr. Dimitri Ganzelevitch, Fabiano de Freitas e Teatro de Extremos, Favela Força, Bruno Meirinho, Ilê Ayê

 

 

GUERRILHEIRAS OU PARA A TERRA NÃO HÁ DESAPARECIDOS

Com direção de Georgette Fadel e dramaturgia de Grace Passô, o espetáculo “Guerrilheiras ou para a Terra não há Desaparecidos” volta para sessões extras do dia 12 a 14/02, no Sesc Belenzinho.
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“Guerrilheiras ou para a Terra não há Desaparecidos” foi concebido pela atriz Gabriela Carneiro da Cunha a partir da história de 12 mulheres que lutaram e morreram em um dos mais importantes e violentos conflitos armados da ditadura militar brasileira, a Guerrilha do Araguaia, que aconteceu entre os estados do Pará e Tocantins na floresta amazônica e reuniu cerca de 70 pessoas –- sendo dezessete mulheres — que saíram de diversas cidades do país para participar do movimento guerrilheiro que pretendia derrubar a ditadura e tomar o poder cercando a cidade pelo campo. De abril de 1972 a janeiro de 1975, o regime militar mobilizou de três a dez mil homens que tinham ordem de não fazer prisioneiros…
Por meio de um diálogo entre a ficção e o documentário, “Guerrilheiras ou para a terra não há desaparecidos” é um poema cênico criado a partir da história dessas mulheres, de sua luta e das memórias do que elas viveram e deixaram naquela região. A peça também busca iluminar esse importante episódio da história do país ainda tão nebuloso. “Certas coisas devem ser feitas: manter a chama acesa, relembrar e iluminar a história das lutas e dos lutadores, com todas as contradições que cada luta carrega”, destaca a diretora Georgette Fadel.
Após uma profunda e detalhada pesquisa sobre o tema, equipe e elenco da peça realizaram uma viagem até o sul do Pará com a diretora, a autora e as atrizes Carolina Virguez, Daniela Carmona, Fernanda Haucke e Mafalda Pequenino. Sara Antunes, que também integra o elenco, não participou da viagem, pois na ocasião estava grávida de nove meses. Assim como as guerrilheiras eram de diferentes cidades, a equipe é formada por artistas do Rio, São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e da Colômbia.
Foram 36 horas de viagem de ônibus saindo do Rio de Janeiro até chegarem às margens do Araguaia, onde ouviram os relatos de quem presenciou esta história, num lugar marcado pela tradição do massacre. Em uma terra de esquecidos e desaparecidos, onde existe uma guerra velada, há um povo que dá voz àqueles que foram mortos. O cineasta Eryk Rocha documentou todo o percurso da equipe durante os quinze dias de viagem. Os registros audiovisuais, entre rostos e paisagens, serão projetados no palco do teatro, criando um diálogo com as atrizes. Os sons captados do rio acompanham algumas cenas.
“O tema está completamente alinhado com o momento atual do país. No ano passado foram os 50 anos do Golpe Militar, tem o trabalho da Comissão da Verdade e vimos as manifestações de junho detonarem um fluxo de pensamento e questionamentos sobre os rumos do Brasil, do movimento de ocupação dos estudantes secundaristas das escolas da rede pública do estado de São Paulo, tudo isso em um cenário político árido em termos de invenção e identidade. Não é por acaso que os artistas estão trazendo fortemente em linguagem poética essas questões em suas obras, acredita a atriz.
Para criar os figurinos, Desirée Bastos garimpou cerca de 50 peças, entre calças, camisas, vestidos, chapéus, roupas íntimas em brechós no Rio e bazares no sul do Pará. As roupas foram enterradas às margens do rio Araguaia pelas próprias atrizes. Os trajes foram desenterrados e lavados. O resultado dessas peças deterioradas faz alusão aos corpos que nunca foram encontrados.
Guerrilheiras ou para a Terra não há Desaparecidos
Com Carolina Virguez, Sara Antunes, Daniela Carmona, Mafalda Pequenino, Fernanda Haucke, Gabriela Carneiro da Cunha.
Sesc Belenzinho – Sala de Espetáculos I (Rua Padre Adelino, 1000 – Belenzinho, São Paulo)
Duração 90 minutos
12 a 14/02
Sexta e Sábado – 21h30; Domingo – 18h30.
Recomendação: acima de 18 anos
$20 / $6 (usuário credenciado no SESC)
Idealização: Gabriela Carneiro da Cunha
Direção: Georgette Fadel
Dramaturgia: Grace Passô
Direção áudio visual: Eryk Rocha
Direção musical: Felipe Storino
Cenografia: Aurora dos Campos
Iluminação: Tomas Ribas
Figurinista: Desirée Bastos
Assistente de direção: Julia Ariani
Assistente de dramaturgia: Gabriela Carneiro da Cunha
Operação de Som: Bruno Carneiro
Operação de Luz: Vitor Emanuel
Projeto e Operação de Vídeo: Julia Saldanha
Direção de Produção: Gabriela Gonçalves
Produção: Aline Mohamad
Assistente de Produção: Renato Bavier
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1924 – A REVOLUÇÃO ESQUECIDA

Uma cidade é atingida por artilharia pesada em aviões bombardeiros, tendo como principal alvo a população pobre e civil. Entre os mortos e feridos, a maioria, imigrantes. Mais da metade dos sobreviventes abandonam suas casas partindo em trens superlotados. Este não é o roteiro de um filme sobre o novo fluxo global de refugiados. É o relato de uma São Paulo, duramente bombardeada por 23 dias, no ano de 1924.
A história de uma revolução pouco lembrada até por brasileiros é o mote do espetáculo 1924, A Revolução Esquecida montagem da Cia Ocamorana de Teatro que estreia em curta temporada no Sesc Belenzinho de 10 a 20 de dezembro, quinta a sexta, às 21h30 e domingo, às 18h30.
Durante a temporada a Cia Ocamorana também realiza uma Oficina de Teatro Jornal, nos dias 15 e 16 de dezembro, com Eduardo Campos Lima (jornalista e doutor em Dramaturgia pela FFLCH/USP e Márcio Boaro. As inscrições vão até 11 de dezembro. O projeto foi contemplado pela 25ª edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro.
A montagem aborda uma história que apesar de documentada, é pouquíssima conhecida. A peça trata do assunto por meio da ficção, mas também reconstitui alguns fatos reais. A trama se passa nos dias dos ataques. Imigrantes em uma grande cidade buscam uma nova vida, mas acabam em um pesadelo. “Procuramos suscitar no espectador um juízo crítico frente um acontecimento real, buscando narrar os fatos da forma mais próxima possível de como ocorreram. Registros e documentos históricos são usados no texto como fala ou argumentação das personagens”, explica o diretor Márcio Boaro.
A peça conta a saga de um grupo de pessoas que está abrigada no extinto Teatro Olympia (antigamente localizado no bairro do Brás), após ter suas casas destruídas. A situação se redimensiona em horror quando se descobre que foi do próprio governo a ordem para a chacina promovida contra o povo.
“A história desses refugiados representa as diferentes realidades vividas pela população de São Paulo na época. Como em um palco tudo cabe, nos aproveitamos desse teatro fictício cheio de refugiados para analisar um capítulo da história do Brasil e discutir a função do teatro”, diz o diretor.
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Oficina de Teatro Jornal
O Teatro Jornal é uma forma que une o teatro e o jornalismo. Surgido na Revolução Russa e recriado em diversos países ao longo do século XX, baseia-se na encenação de notícias por meio de técnicas originadas no teatro popular, no circo, no cinema e na arte modernista.
Na Oficina, será abordado um pouco da história do Teatro Jornal no Brasil – quando o Teatro de Arena encenou, em 1970, Teatro Jornal – Primeira Edição – e no mundo. A partir de exercícios práticos e jogos teatrais, o objetivo da oficina é estimular a expressão e criação artística do participante.
Com: Eduardo Campos Lima (jornalista e doutor em Dramaturgia pela FFLCH/USP, autor do livro “Coisas de Jornal no Teatro”) e Márcio Boaro (dramaturgo e diretor da Cia. Ocamorana).
Público: Estudantes de teatro, atores, diretores e interessados na pesquisa da Cia. Ocamorana.
Inscrições até 11 de dezembro, por meio de envio de envio de currículo resumido para: teatrojornal@belenzinho.sescsp.org.br. Os candidatos selecionados serão avisados por e-mail até 13 de dezembro. Vagas: 30 / Carga horária: 6h. Sala de Espetáculos I. Grátis. Não recomendado para menores de 16. 15 a 16/12. Terça e quarta, das 15h às 18h
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1924 – A REVOLUÇÃO ESQUECIDA
Com Manuel Boucinhas, Maria Carolina Dressler, Mônica Raphael, Cristiano Tomiossi, Heitor Goldeflus.
SESC Belenzinho – Sala de Espetáculos I (Rua Padre Adelino, 1000 Belenzinho – São Paulo)
Duração 90 minutos
10 a 20/12
Quinta a Sexta – 21h30; Domingo – 18h30
R$ 20,00 (inteira); R$ 10,00 (aposentado, pessoa com mais de 60 anos, pessoa com deficiência, estudante e servidor da escola pública com comprovante); R$ 6,00 (trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo credenciado no Sesc e dependentes).
Ficha Técnica:
Dramaturgia e Direção: Márcio Boaro.
Co-direção: Andressa Ferrarezzi.
Colaborador: Eduardo Campos.
Direção musical: Cristiano Tomiossi.
Criação musical: Flávio Rubens, Alexandre Moura e Samba Sam.
Preparação vocal: Érika Coracini.
Preparação Corporal: Nei Gomes.
Cenografia: Antônio Marciano.
Produção: Mônica Raphael e Cristiano Tomiossi.
Fotografia: Aro Ribeiro

“Ãrrã”

“Ãrrã” é o novo espetáculo de Vinícius Calderoni, estreia 17 de setembro no SESC Belenzinho com Luciana Paes e Thiago Amaral no elenco
Luciana e Thiago interpretam múltiplos personagens, que promovem saltos no tempo e no espaço: dos espectadores que assistem um concerto para violoncelo solo pode-se saltar para um casal em seu primeiro encontro na mesa de um bar; de lá, para uma aldeia na África onde uma menina sofre o ritual de mutilação genital caminhando sem escalas para o pronunciamento de um presidente da República; entre muitas outras situações.
Permeando toda a dramaturgia do espetáculo está à investigação sobre encontros radicais de alteridade, sobre diferentes papéis que o outro, este desconhecido, pode assumir numa relação interpessoal: objeto de desejo, de curiosidade, de rivalidade, de estranhamento.
Neste novo espetáculo, Vinicius aprofunda a pesquisa acerca das vozes que povoam nossa cabeça, e que correm em paralelo à dimensão objetiva dos fatos, que já estava apontada em Não nem nada. “Gosto de investigar na minha escrita, coisas que não sejam da jurisdição imediata da dramaturgia. Essa noção de que nem sempre o pensamento está no mesmo lugar em que estamos fisicamente, e que isso pode ser material para uma cena: bem, isso me interessa muito.”, finaliza.
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“Ãrrã”
Com Thiago Amaral e Luciana Paes
SESC Belenzinho – Sala de Espetáculos II (Rua Padre Adelino, 1000 – Belenzinho, São Paulo )
Duração 60 min
17/09 até 11/10
Quinta, Sexta e Sábado – 21h30; Domingo – 18h30
$20

Oficina Ponto de Fuga
Com Vinícius Calderoni
SESC Belenzinho – Sala de Espetáculos II (Rua Padre Adelino, 1000 – Belenzinho, São Paulo )
01 e 02/10
Quinta e Sexta – 14h até 18h
Público: interessados em artes cênicas, atores, estudantes e pesquisadores.
Inscrições até 24/09 por meio de envio de currículo para o e-mail pontodefuga@belenzinho.sescsp.org.br. Os selecionados serão avisados por e-mail até 29/09.
Vagas: 15
Classificação etária: 16 anos
Grátis