FLORESTA

Expoente da dramaturgia paulistana atual, o autor e diretor Alexandre Dal Farra estreia seu novo espetáculo, Floresta, no dia 16 de janeiro de 2020, no Sesc Ipiranga. A peça fica em cartaz até 9 de fevereiro, com sessões de quinta a sábado, às 21h, e aos domingos, às 18h. Fabiana Gugli e Gilda Nomacce, se revezam no papel da mãe. Nilcéia Vicente, Sofia Botelho, André Capuano e Clayton Mariano, completam o elenco.

Na trama, um pai, uma mãe e uma filha encontram-se refugiados em uma casa isolada no meio da mata, por razão não muito clara a princípio. A família recebe dois visitantes inesperados, mas não sabe lidar com essa presença estranha. À medida que as relações se estabelecem, a tensão aumenta e o acerto de contas mostra-se algo mais complexo do que parecia. Enquanto eles são obrigados a rever as próprias convicções, o mundo lá fora parece entrar em colapso.

A dramaturgia surgiu em torno do seguinte questionamento: como lidar com o inimigo? “Comecei a fazer essa pergunta para algumas pessoas e fiz entrevistas com lideranças indígenas enquanto escrevia o texto, muito embora o foco nunca tenha sido a questão indígena enquanto tema, mas sim, a possibilidade de pensar um pouco sobre maneiras diversas de lidar com essa pergunta, talvez aparentemente ‘nova’ para alguns de nós”, revela o dramaturgo e diretor Alexandre Dal Farra.

Outra referência importante para a encenação é o trabalho do antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, que estuda as sociedades ameríndias e propõe que elas não se fundam na conservação de suas estruturas (como a sociedade ocidental), mas na busca por capturar relações exteriores (mutáveis e inconstantes), em troca constante com o que vem de fora, mesmo que esse interesse seja fruto de uma vontade de vingança ou guerra. Na peça, que não trata diretamente da questão indígena, tanto a família como os invasores – dois lados que se projetam como inimigos – procuram de modos diversos determinar o próprio papel nessa relação a partir da maneira como agem diante do outro. A partir de então, surge o questionamento: “como lidar com uma relação que, embora esteja calcada na diferença e no ódio, ainda assim, é uma relação?

A ideia de floresta que estrutura o trabalho é a de um lugar desconhecido, que pode assustar e gerar curiosidade e que, ao mesmo tempo que se desenvolve por meio de disputas constantes, também envolve e abraça. “A peça se funda em uma espécie de susto: de repente essas pessoas se veem obrigadas a lidar com uma situação de embate que não planejavam enfrentar, e da qual estavam possivelmente fugindo. Ou seja, o trabalho no fundo também fala sobre o medo, em suas diversas manifestações. E sobre a inércia que esse medo provoca. De certa forma as personagens são todas emanações diversas do medo”, acrescenta o autor.

A cenografia recria essa sensação de confinamento da floresta, com objetos comumente encontrados em um lar, mas ligeiramente estranhos, e fora de lugar. A luz, com as varas do teatro todas baixas, enfatiza esse espaço pressionado. Já a música sustenta o aspecto contraditório que a violência da peça engendra: ao mesmo tempo que é explosiva, envolve – proporcionando algo da sensação de imersão de uma floresta.

FACE

Floresta

Com Gilda Nomacce, Nilcéia Vicente, Sofia Botelho, André Capuano e Clayton Mariano

SESC Ipiranga (R. Bom Pastor, 822 – Ipiranga, São Paulo)

Duração 90 minutos

16/01 a 09/02

Quinta a Sábado – 21h, Domingo – 18h

$40 ($12 – credencial plena)

Classificação 18 anos

CASOS E CANÇÕES

Eva Wilma, uma das maiores atrizes brasileiras em atividade, mostra agora mais uma faceta artística. Protagonista do espetáculo Casos e Canções, ela canta sua vida e memórias ao lado do filho, o compositor, violonista e cantor John Herbert Jr., do pianista e cantor William Paiva e do diretor cênico Eduardo Figueiredo.

Em Casos e Canções, Eva convida o público a embarcar numa viagem lúdica e musical por algumas dascanções e imagens que se eternizaram e marcaram sua memória e a do país nos últimos 65 anos. “Isso eu trago da primeira infância. As horas mais felizes de intimidade com meu pai e minha mãe, é quando eles se revezavam ao piano e nós cantávamos”, lembra ela.

Dessa época, comparecem no repertório “Felicidade”, de Lupicínio Rodrigues e “O Trenzinho do Caipira”, de Ferreira Gullar e Heitor Villa Lobos. Da adolescência, quando foi aluna de Inezita Barroso, uma homenagem à mestra, com “Uirapuru” e “Azulão”. O amigo Baden Powell também ganha reverência, com “Bom Dia Amigo”, parceria dele com Vinícius de Moraes, e “Violão Vagabundo”, tema da personagem da gêmea Raquel, que Eva interpretou em “Mulheres de Areia”, novela exibida pela TV Tupi em 1973.

Das lembranças da trama de Ivani Ribeiro, vêm também as instrumentais “First Love” e “Last Love”, tocadas por William e John e produzidas à época por Arnaldo Saccomani com a Orquestra Phonoband, e uma homenagem a Adoniram Barbosa, que atuou na novela como o pescador Chico Belo, com a versão do trio para “Tiro ao Álvaro” e “Saudosa Maloca”.

O clássico “Sorri” versão de Braguinha para “Smile”, de Charlie Chaplin, enriquece a narrativa, além de outras referências a canções da Bossa Nova, MPB, Tropicália, Beatles… que William e John sugerem como fundo musical e costura às histórias contadas por Eva.

FACE (2)

Casos e Canções

Com Eva Wilma

Duração não informada

Classificação Livre

SESC Ipiranga (R. Bom Pastor, 822 – Ipiranga, São Paulo)

29 e 30/11

Sexta e Sábado – 21h

$40 ($12 – credencial plena)

SESC Jundiaí (Av. Antônio Frederico Ozanan, 6600 – Jardim Botânico, Jundiaí – SP)

01/12

Domingo – 18h

$30

AS MÃOS SUJAS

A peça de teatro As Mãos Sujas, escrita pelo filósofo, crítico e escritor Jean Paul Sartre (1905 – 1980) ganha nova montagem dirigida por José Fernando Peixoto de Azevedo que estreia dia 1º de novembro de 2019, sexta-feira, no Sesc Ipiranga. O espetáculo conta a história de um jovem intelectual que decide matar o líder de seu partido após este propor uma aliança com partidos conservadores. No elenco estão Gabriela Cerqueira, Georgina Castro, Paulo Balistrieri, Paulo Vinicius, Rodrigo Scarpelli, Thomas Huszar e Vinicius Meloni. Também estão em cena os músicos Ivan Garro, Rodrigo Scarpelli e Thomas Huszar e o câmera Yghor Boy.

O espetáculo marca desdobramentos na linguagem de José Fernando Peixoto de Azevedo em criar um dispositivo cênico que relaciona o teatro ao cinema. Em um cenário quase vazio, destaca-se um telão em que são projetadas imagens captadas ao vivo. “Em seus deslocamentos espaciais, a câmera de fato contracena com os atores. Ela assume uma função de saturar as suas presenças e intensificar planos“, conta o diretor.

A escolha coloca a peça em diálogo direto com Terra em Transe, uma das obras-primas do cineasta Glauber Rocha, lançada em 1967, cuja estética também inspirou os figurinos e as músicas executadas ao vivo por Guilherme Calzavara. A trilha sonora sobrepõe sonoridades presentes no filme a outras que foram pensadas a partir do texto de Sartre.

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José Fernando Peixoto de Azevedo conta que o desejo de montar esse texto de Sartre surgiu há mais de uma década, em meio a pesquisas feitas em conjunto com a companhia Teatro de Narradores  (1997-2016) sobre engajamento político nas artes, que contemplava textos do francês, de Glauber Rocha, do dramaturgo alemão Bertolt Brecht e do cineasta italiano Pier Paolo Pasolini.

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A encenação elabora o que o diretor nomeia “deslizamentos temporais”, de modo que a cena transita entre 1943 (ano em que Sartre situa a ação), o presente e  interrogações a um futuro próximo. Com esses deslizamentos temporais, a peça discute questões como o conceito de um partido político, o sentido e as consequências das alianças com forças conservadoras e guerra ideológica que vivemos nos dias de hoje.

O diretor complementa que a reflexão também se estende para as condições que o engajamento político impõem a um indivíduo. “Quais são as alianças necessárias para a sobrevivência da esquerda e qual é a real necessidade disso?“, questiona-se.

FACE (1)

As Mãos Sujas

Com Gabriela Cerqueira, Georgina Castro, Paulo Balistrieri, Paulo Vinicius, Rodrigo Scarpelli, Thomas Huszar e Vinicius Meloni.

Sesc Ipiranga (R. Bom Pastor, 822 – Ipiranga, São Paulo)

Duração 180 minutos

01 a 24/11

Sexta e Sábado – 20h, Domingo e Feriado – 18h

$30 ($9 – credencial plena)

Classificação 14 anos.

EX-GORDO

Após fazer uma cirurgia bariátrica, um homem que vive isolado em seu microapartamento no 48º andar confronta figuras do passado, com o objetivo de descobrir sua verdadeira essência. Este é o ponto de partida de “Ex-gordo”, novo trabalho do Núcleo de Pesquisa Caxote, com texto e direção de Fernando Aveiro, que estreia no projeto Teatro Mínimo, do Sesc Ipiranga, no dia 24 de outubro. No elenco, estão Bárbara Salomé, Camila Biondan, Humberto Caligari e Murilo Inforsato, além do próprio Fernando Aveiro, que interpreta o protagonista.

Esse Ex-gordo convida um grupo de artistas para ir à sua casa e interpretar os personagens que habitam sua memória, para que ele possa, quem sabe, se sentir parte de uma sociedade e resolver sair do seu caótico mundo particular”, conta Aveiro, que trabalha o texto desde 2011. “A peça surgiu quando, ainda no CPT, tive uma ideia para desenvolver uma cena de ‘Prêt-à-porter’ entre um gordo religioso (não praticante) e uma travesti. Essa cena nunca foi montada, mas o processo de reescrita dela culminou em um espetáculo. Por isso, ao longo desses anos, busquei extrair da ideia original todas as possibilidades de criação entre ficção e realidade”, completa.

Em meio a uma atmosfera onírica e surrealista, o público é convidado a passar 80 minutos na casa desse protagonista e a acompanhar uma espécie de sessão de psicodrama teatral. Todos se sentam em cadeiras de diferentes estilos e formatos posicionadas dentro da cena, em uma semiarena. Enquanto assistem ao desenrolar da história, os espectadores podem até tomar um cafezinho. Ao final do espetáculo, a ideia é que cada pessoa possa olhar a obra com autonomia de cocriação.

Aveiro explora alguns elementos autobiográficos na narrativa. “Tive uma formação religiosa, fui gordo e sofri muito com isso; justamente pelo fato de ter sido privado por eles… ‘eles todos que nos confinaram à margem, que destituíram nossa personalidade’… e não é nenhum exagero. Verbos como confinar e destituir precisam aparecer para dar a dimensão trágica da coisa toda. Hoje, sei que não estou falando apenas sobre meu ponto de vista privado, ou do ponto de vista do grupo dos renegados. Estou falando de todos nós, pois quem não estava no bando marginalizado, ou estava na posição de ataque ou como observador”, afirma o dramaturgo.

A encenação carrega uma série de referências das artes plásticas, do teatro e do cinema, como “Hamlet”, de William Shakespeare, o mito de Prometeu, as obras de Marcel Duchamp, “A Vênus de Milo”, de Alexandre de Antioquia, entre várias outras. “Acontece nessa peça uma espécie de colagem, em todos os pilares: dramaturgia, direção, atuação, figurinos, cenografia, trilha e luz para compor uma obra de diálogos entre mundos prováveis e improváveis”, define Aveiro. No cenário, essa noção é ainda mais evidente. Haverá um painel-memória criado por Camila Biondan com a função de representar o imaginário do protagonista, criando uma geografia viva que será constantemente atualizada ao longo da montagem.

Ex-gordo” é a terceira parte da Trilogia da Evolução, projeto do Núcleo de Pesquisa Caxote que apresenta peças que provocam reflexões sobre o despertar da consciência de indivíduos para processos sociais que os aprisionam/moldam e os padrões sociais que afastam o ser humano do que é essencial ou genuíno. Os outros espetáculos são “Por acaso, navalha” (2014), uma adaptação do texto de Plínio Marcos, e “Obra sobre Ruínas” (2017-18), escrito e dirigido por Fernando Aveiro.

O Núcleo de Pesquisa Caxote investiga o teatro intimista e em espaços alternativos a partir da montagem de textos clássicos e de novos dramaturgos. Em seus trabalhos, explora a relação entre as artes cênicas e outras linguagens.

FACE

Ex-Gordo

Com Bárbara Salomé, Camila Biondan, Fernando Aveiro, Humberto Caligari e Murilo Inforsato

Sesc Ipiranga – Auditório (Rua Bom Pastor, 822, Ipiranga, São Paulo)

Duração 80 minutos

24/10 até 17/11 (não haverá sessão no dia 27/10, e, no feriado de 15/11, apresentação acontece às 18h30)

Quinta e Sexta – 21h30, Sábado – 19h30, Domingo – 18h30

$30 ($9 – credencial plena)

Classificação 16 anos

A VALSA DE LILI

Débora Duboc e Débora Dubois se unem para contar a história de Lili, que viaja o mundo sem mexer mais que a cabeça. Novo texto de Aimar Labaki, o solo A Valsa de Lili, inspirado em Pulmão de Aço de Eliana Zagui promove o encontro do público com uma personagem única – fisicamente paralisada, intelectual e emocionalmente livre.

O espetáculo estreia no dia 15 de agosto no auditório do Sesc Ipiranga e segue em cartaz até 1º de setembro.

Livremente inspirado no livro autobiográfico “Pulmão de Aço” (Ed. Belaletra, 2012), de Eliana Zagui, o espetáculo conta a história de Lili, uma mulher igual a qualquer outra, exceto pelo fato de conseguir movimentar apenas os músculos do pescoço e da cabeça graças à poliomielite que teve antes mesmo de completar dois anos de idade.

A peça conta uma história delicada e emocionante e mostra, sem tom de lamento ou ressentimento, como Eliana e Lili aprenderam a viver de acordo com a máxima sartriana “Vida é o que você faz com o que fizeram com você”.

Os questionamentos, medos e verdades levantados no livro são comuns a qualquer outra pessoa, com ou sem deficiências: a necessidade de amar e ser amada, a relação com a morte, o que fazer da vida, como conseguir o sustento com o trabalho etc. A diferença é que Eliana precisou lidar com um limite físico que muitas pessoas julgariam insuportável. Ela descobre, então, que o afeto e o humor são saídas para uma vida sadia e produtiva.

SINOPSE

Eliana Zagui e Lili são mulheres comuns e têm questões iguais às de qualquer outro ser humano: a necessidade de amar e ser amada, a relação com a Morte, o que fazer com a própria vida, como conseguir o próprio sustento com seu trabalho etc. A única coisa que as distingue das demais pessoas é que ambas só mexem os músculos do pescoço e da cabeça, apesar de terem total sensibilidade em todo o corpo. Elas tiveram pólio quando completaram um ano e nove meses de idade. Lili é uma personagem escrita por Aimar Labaki, inspirado no livro autobiográfico “Pulmão de Aço”, de Eliana Zagui (Ed. Belaletra, 2012).

FACE

A Valsa de Lili

Com Débora Duboc

Sesc Ipiranga – Auditório (Rua Bom Pastor, 822, Ipiranga – São Paulo)

Duração 60 minutos

15/08 até 01/09

Quinta e Sexta – 21h30, Sábado – 19h30, Domingo – 18h30

$20 ($6 – credencial plena)

Classificação Livre

CONDOMÍNIO VISNIEC

Considerado um dos principais representantes contemporâneos do Teatro do Absurdo, o dramaturgo romeno Matéi Visniec tem seis de seus monólogos visitados pelo espetáculo Condomínio Visniec, com direção de Clara Carvalho, que estreia no dia 15 de março no Sesc Ipiranga e segue em temporada até 7 de abril. O elenco é composto por Ana Clara FischerFelipe SouzaMônica RossettoRafael LeveckiRogério Pércore e Suzana Muniz.

A encenação é resultado de um processo de pesquisa sobre a obra do autor romeno, desenvolvido por Clara Carvalho desde 2015 numa oficina de atores profissionais do Grupo TAPA. Esse núcleo de pesquisa também foi responsável pela criação da peça Máquina Tchekhov, que estreou em 2015 no Instituto Cultural Capobianco e foi indicada aos prêmios APCA, Shell e Aplauso Brasil.

A montagem é inspirada em seis monólogos de Visniec – O Corredor, O Homem do Cavalo, O Adestrador, O Homem da Maçã, A Louca Tranquila e O Comedor de Carne – reunidos na coletânea de peças O Teatro Decomposto ou O Homem – Lixo. Todos esses personagens de contornos surrealistas que dão nome aos solos são criados na encenação pela figura de uma escritora que escreve compulsivamente. “A figura da escritora surgiu a partir de um dos personagens da coletânea, “O Corredor”. Na trama, é como se ela criasse essas figuras e, ao mesmo tempo, as criaturas também a recriassem”, explica Clara Carvalho.

A partir de um mergulho no conflito interno dessa escritora, surgem em cena criaturas híbridas (meio humanas, meio animais), que povoam a imaginação da autora, gerando esse condomínio. Elas trazem à tona a solidão, os desejos, as angústias, as obsessões, os impulsos predatórios e a busca por uma possível redenção.

A peça é uma meditação poética sobre a condição humana e a possibilidade de superação dos nossos conflitos, para que possamos derrubar os muros que nos dividem e caminhar em direção a uma sociedade menos predadora, devoradora, agressiva e solitária. A história desemboca em um amanhecer de frente para o mar, depois de uma travessia cheia de paisagens internas turbulentas. Mas esse universo sombrio se dissipa, aponta para a esperança. Visniec é um autor sempre bem-humorado e delicado que tenta abraçar a humanidade e tem enorme compaixão. É o que sempre me encantou na obra dele”, acrescenta a diretora.

Com atmosfera onírica e surrealista, a encenação adota como referências visuais os quadros de alguns pintores, como o expressionista Edvard Munch (1863-1944) e o surrealista belga René Magritte (1898-1967). Além disso, a trilha sonora delicada, criada por Mau Machado especialmente para a peça, tem inspiração na obra do compositor estoniano Arvo Pärt (1935). Os figurinos de Marichilene Artisevskis remetem aos anos de 1950 e também fazem alusão ao universo dos pintores mencionados.

Já o cenário minimalista é composto apenas por uma mesa e cinco cadeiras, que ganham diferentes significados ao longo da encenação. A iluminação, feita por Vagner Pinto, é responsável por criar essas atmosferas oníricas que representam o universo interno de cada personagem.

O espetáculo foi contemplado com o edital ProAc nº 01/2018 para Produção de Espetáculo Inédito e Temporada de Teatro.

FACE

Condomínio Visniec

Com Ana Clara FischerFelipe SouzaMônica RossettoRafael LeveckiRogério PércoreSuzana Muniz

Sesc Ipiranga (R. Bom Pastor, 822 – Ipiranga, São Paulo)

Duração 55 minutos

15/03 até 07/04

Quinta e Sexta – 21h30, Sábado – 19h30, Domingo – 18h30

$20 ($6 – credencial plena)

Classificação 14 anos

RÉQUIEM PARA O DESEJO

Companhia da Memória cria uma leitura contemporânea para o clássico Um Bonde Chamado Desejo, de Tennessee Williams (1911-1983), emRéquiem Para o Desejo, com dramaturgia de Alexandre Dal Farra e direção de Ruy Cortez. A peça estreia no dia 5 de outubro, no Sesc Ipiranga, onde segue em cartaz até 4 de novembro, com sessões às sextas e aos sábados às 21h, e aos domingos às 18h (uma apresentação extra acontece na quinta-feira, dia 1º de novembro, às 21h).

Essa releitura livre inverte completamente os papéis desempenhados pelos personagens no clássico norte-americano. Stella torna-se uma mulher extremamente dominadora que tortura constantemente sua irmã Blanche. Para isso, Stella conta com a ajuda de seu fracassado marido Stanley e do macho forte e dominador Mitch, pretendente da irmã.

A inversão é uma forma de repensar algumas dessas figuras, como o proletário másculo. Acho que há um declínio dessa figura, no entanto, a estrutura que dá sustentação para ela ainda não se desfez na sociedade, de maneira que ele simplesmente se vê incapacitado de encontrar outro caminho para encaminhar os seus desejos. Stella tampouco consegue lidar com tal situação. Blanche se introduz nesse ambiente menos estável do que o original. No entanto, as alterações e a instabilidade, longe de gerar possibilidade de mudança, tendem a tornar as relações ainda mais estagnadas”, conta o dramaturgo Alexandre Dal Farra.

Em um cenário de terra arrasada, essas figuras buscam maneiras de estruturar as suas relações, que quase sempre resultam em explosões e choques irracionais e sem explicação. A ideia é lançar um olhar negativo para as figuras e situações criadas por Williams para investigar onde e como se instauram as diversas relações de poder, controle e repressão em uma estrutura social contemporânea.

Com uma narrativa polifônica – que mostra o ponto de vista aprofundado dos personagens, a encenação toma como eixos temáticos principais as culturas do patriarcado (do machismo), do capitalismo (neoliberalismo), da misoginia, do racismo, do colonialismo (neocolonialismo), do sucesso (reconhecimento, espetáculo, celebridade, competição e meritocracia) e da violência.  “Creio que o espetáculo trate de um desejo que não encontra mais caminhos para ter vida, porque os caminhos de que se alimenta são autoritários e ele não consegue se estruturar de forma diversa com tanta facilidade”, revela Dal Farra.

Para fazer essa crítica à sociedade capitalista contemporânea, a encenação adota como referências os conceitos da graça e do destino trágico presentes nas obras do cineasta dinamarquês Lars von Tier (sobretudo em Ondas do Destino); e a manifestação da ideologia fascista e da violência contemporânea presentes nos filmes do diretor alemão Michael Haneke (em A Fita Branca e Violência Gratuita).

Assim como a obra original, a encenação parte de uma sobreposição de tempos-espaços narrativos: a casa branca – aristocrática, burguesa e latino-americana -, que é representada pela releitura de Alexandre Dal Farra; e a casa negra – presente na peça de Williams nas imagens do cabaré onde ecoa o piano blues e na residência da vizinha negra. Este segundo plano não ficcional é composto por uma intervenção poética e musical das cantoras/atrizes convidadas Roberta Estrela D’Alva (em vídeo) e Denise Assunção.

Pareceu-me fundamental abrir essa questão por meio do estudo das feministas negras e do filósofo camaronês Achille Mbembe, além da peça A Serpente, de Nelson Rodrigues, que fala da realidade brasileira. A Roberta fará uma intervenção poética em vídeo a partir do spoken word, sobre a presença do domínio da opressão dos corpos dentro da estrutura político-social humana. E a Denise vai cantar um repertório surpresa de canções piano blues, nas quais ressoam cantos negros de trabalho, de opressão, de dominação, de amor, de morte e de desejo”, revela o diretor Ruy Cortez.

O espetáculo é a terceira parte da Pentalogia do Feminino, um conjunto de peças concebidas por Ondina Clais e Ruy Cortez, sobre temas autônomos vistos sob a perspectiva do feminino.

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Réquiem Para o Desejo

Com Gilda Nomacce, Jorge Emil, Marcos Suchara, Ondina Clais e Denise Assunção

Sesc Ipiranga (R. Bom Pastor, 822 – Ipiranga, São Paulo

Duração 90 minutos

05/10 até 04/11

Sexta e Sábado – 21h, Domingo e Feriado – 18h

$30 ($8 – credencial plena)

Classificação 16 anos