EU NÃO SOU HARVEY – O DESAFIO DAS CABEÇAS TROCADAS

Em resposta à triste realidade do Brasil atual, país que mais mata a comunidade LGBTQIA+ no mundo, o solo Eu Não Sou Harvey – O Desafio das Cabeças Trocadas, idealizado e interpretado por Ed Moraes, inspira-se na figura de Harvey Milk (1930-1978), o primeiro político dos EUA a se assumir homossexual e um dos principais ativistas na luta pelos direitos humanos. A peça, escrita e dirigida por Michelle Ferreira, estreia no dia 13 de fevereiro no Sesc Pinheiros, onde segue em cartaz até 14 de março.

Em cena, um ator que aceitou o desafio de viver o ativista percorrerá uma trajetória inusitada, do Brasil colonial até os Estados Unidos de 1978, tentando provar uma tese sobre esse assassinato.

Sobre a idealização da peça, o ator Ed Moraes conta que passou por um período de crise criativa em 2014, quando não conseguia mais encontrar algo na dramaturgia que reverberasse dentro dele.

Decidi falar do primeiro político assumidamente gay dos EUA a ser eleito, um agente transformador e ícone mundial do movimento LGBTQIA+, que teve apenas 11 meses de mandato e que foi brutalmente assassinado. Não preciso nem dizer que essa era a ponte que ligava São Francisco (Califórnia) de 1970 ao Brasil atual e seu ranking mundial de assassinato à comunidade LGBTQIA+. Não dá pra ver nosso país alcançando esse posto e não fazer nada pra tentar refletir e problematizar sobre isso. Foi então que, anos depois, os caminhos me levaram até Michelle Ferreira, que já tinha escrito outra peça sobre homofobia, Tem alguém que nos odeia”, explica.

A encenação e o texto de Michelle Ferreira não têm a proposta de reconstruir de maneira factual e cronológica a trajetória de Milk. Ao invés disso, partem de vários símbolos e de cenas bem dinâmicas para traçar paralelos entre a figura do ativista norte-americano, a realidade brasileira e os processos históricos que levam a humanidade a cometer atrocidades como essa.

 “Eu diria que o solo é um passeio por alguns pensamentos econômicos, científicos e históricos que permeiam os últimos séculos da humanidade. Vivemos em um mundo complexo capitalista e temos que saber da nossa História e de onde as coisas vêm e por que elas acontecem. Então, a ideia é, através desses processos, contar por que uma coisa que parece impossível ou ridícula foi possível e se não tomarmos cuidado voltará a acontecer. E para mim era muito importante falar não apenas da vida de uma pessoa, mas dos processos históricos de toda a humanidade”, revela a diretora e autora Michelle Ferreira.

A encenadora ainda diz que a direção é toda pautada pelo trabalho do ator. “As referências da encenação são muito minimalistas. O foco desse trabalho é o Ed Moraes e o texto que o atravessa. É nisso que eu acredito sempre. O teatro acontece por meio do ator, na relação entre ele e a plateia. Em cena, tudo é um jogo. Ed joga com a luz, com o som e com a plateia. Os técnicos e a operação também são muito importantes. E esse diálogo é sempre focado na palavra e na presença do ator”, acrescenta.

Ed Moraes conta como esse processo criativo foi desafiador para sua carreira. “Em quase 20 anos no teatro eu nunca tinha feito nada parecido. Quando Michelle chegou com esse texto pronto eu fiquei apavorado. Quando acabei de ler tive uma crise de choro. Na hora entendi que o que tanto buscava, estava ali em minhas mãos. Porém, existia esse desafio, que era um mergulho de um ator, dentro dos fatos vividos por Harvey, ora flertando ser ele e ao mesmo tempo com um distanciamento biográfico, pela não obrigação de interpretar o mesmo, dizendo a todo instante ‘Eu não sou Harvey’. São as memórias dele. Mas são as minhas, as nossas também. Cada um sofreu uma violência em certo nível, tanto ele como eu, e isso dentro de mim ecoa a todo momento. Então um caminho possível era surfar essa onda vertiginosa, de a todo instante ser ou não ser Harvey, sem me apegar a cronologia. Me dedico apenas a dizer aquilo que fora minunciosamente escrito. Respeitando cada respiro, cada pontuação, cada suspensão. Nada mais importava além de compartilhar essa experiência fantástica de se contar uma estória. E que estória…”, revela Moraes.

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Eu não sou Harvey – O desafio das cabeças trocadas

Com Ed Moraes

SESC Pinheiros – Auditório (R. Pais Leme, 195 – Pinheiros, São Paulo)

Duração 60 minutos

13/02 a 14/03

Quinta a Sábado – 20h30 (não haverá sessão 15 e 22/02) – 12/03 – sessão com tradução em libras

$30 ($9 – credencial plena)

Classificação 14 anos

HEATHER

Idealizado pela atriz Laís Marques junto a Cia Razões Inversas, o espetáculo retrata uma reclusa escritora de livros juvenis que torna-se, do dia para a noite, um fenômeno de vendas. Seus livros são como tesouros preciosos estimados, sobretudo, pelos jovens leitores identificados com a heroína Greta. Entretanto, quando os verdadeiros aspectos da sua vida pessoal veem à tona o público pergunta a si mesmo: “o que interessa mais: o autor ou sua obra?

O texto teatral Heather foi escrito no ano de 2017 pelo jovem autor britânico Thomas Eccleshare, vencedor do Verity Bargate Award e Catherine Johnson Award, além de recentemente indicado ao Off West End Award como um dos mais promissores escritores da atualidade.

O texto é estruturado a partir de três narrativas curtas, exibidas diretamente ao espectador através do jogo ágil entre dois atores. Na primeira parte há uma troca de emails entre um editor e uma promissora escritora, misteriosamente reclusa. Na segunda parte do texto, uma conversa presencial entre ambos expõe as suas verdadeiras identidades, o que acarreta uma reviravolta geral em meio ao tremendo sucesso obtido com a estreia de Heather no mercado literário. Finalmente, na terceira parte, o próprio best seller é encenado numa perspectiva cinematográfica, dando margem para que a heroína Greta e sua caneta mágica encarem as trevas de um mundo intolerante.

Heather tematiza de uma maneira caleidoscópica o delicado jogo das aparências na arte e, em especial, no mercado editorial dos best sellers juvenis. A intenção principal da peça é evidenciar o abismo muitas vezes existente entre a obra e o seu criador e, com isso, revelar as facetas mais obscuras do ser humano, inclusive do artista mitificado pelo seu público, tanto quanto pelo lucrativo mercado editorial.

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Heather

Com Laís Marques e Paulo Marcello

Sesc Pinheiros (R. Paes Leme, 195 – Pinheiros, São Paulo)

Duração 80 minutos

17/10 até 16/11

Quinta a Sábado – 20h30, Feriado – 18h

$30 ($9 – credencial plena)

Classificação 12 anos

BRINCANTORIAS

Vencedor do Prêmio Profissionais do Ano em 2018, o grupo CantaVento faz dois shows gratuitos de lançamento de seu segundo CD, Brincantorias, na Praça do Sesc Pinheiros, nos dias 6 e 7 de abril, às 16h, gratuito.

O espetáculo reúne cantos de roda, trava línguas e improvisos coletivos para apresentar às crianças e às suas famílias lendas, mitos, festas e danças da cultura popular brasileira.

O álbum mistura sonoridades populares como Moçambique, cacuriá, coco, moda de viola, samba lenço, samba de roda e congada. E todas as crianças são convidadas a participar, brincar e cantar junto com os brincantores do CantaVento.

As músicas do disco são: “Brincantoria”, “Uá Uê”, “Kitum Bele”, “Balagulá/Óia a Onça”, “O Verde é Maravilha”, “Chovedor de Passarinhos”, “Meninos”, “Embalar Neném/Embala Eu”, “Pisa Pilão”, “Passarinho da Arnica”, “Moçambiques” e “Canção Amiga”.

Texto do encarte

“Este CD é carta de amor aos nossos filhos. Joaquim, Dara, Ravi, Lui, Mariana, Cecília, João, Flora, Cora e quem mais vier. Acontece que a História nos ensina que amar nossos filhos, é também amar toda uma geração da qual eles fazem parte. Sendo assim, este CD é carta de amor as crianças parecidas conosco e as crianças diferentes de nós. Desejamos compartilhar com elas um tantinho do Brasil Profundo que nos é tão precioso. Brasil em potência de festa, de criação, de gente fazendo bonitezas juntas. Queremos que estas músicas possam ser ponte para que os pequenos conheçam com o corpo esse pedaço de chão, e virá-lo de ponta cabeça, amassá-lo como barro, soprá-lo como pena, saboreá-lo como pitanga. É preciso deixar que o Brasil Profundo seja manuseado pelas crianças. E, como adultos, temos necessidade de aprender com isso, para transformarmos nossa adultez. É urgente que nos lembremos da capacidade de reinventar, da inteireza, do cuidado com o que é pequenino e das soluções carinhosas. Infâncias e culturas populares brasileiras… Sim, essa terra é fértil de belezas. Há muitas e muitas sementes de esperança a brotar. Nosso Tempo nos pede que cuidemos delas com amor”.

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Brincantorias

Com Cantavento

SESC Pinheiros – Praça (R. Pais Leme, 195 – Pinheiros, São Paulo)

Duração não informada

06 e 07/04

Sábado e Domingo – 16h

Grátis

Livre

O DIA EM QUE A MINHA VIDA MUDOU POR CAUSA DE UM CHOCOLATE COMPRADO NAS ILHAS MALDIVAS

Espetáculo infantil O dia em que a minha vida mudou por causa de um chocolate comprado nas Ilhas Maldivas estreia no Sesc Pinheiros, no dia 10 de março. Inspirada no livro de Keka Reis, que foi indicado ao Prêmio Jabuti em 2018, a peça marca a estreia de Thaís Medeiros como diretora. A temporada segue até 14 de abril, com sessões aos domingos, às 15h e às 17h. O elenco traz Angela Ribeiro, Thomas Huszar e Tutti Pinheiro.

Na trama, Mia, Bereba e Jade têm 11 anos e são estudantes do 6º ano do Ensino Fundamental. Mia encontra um bilhete anônimo debaixo de sua carteira que diz: “Quer sentar do meu lado hoje na perua?”. Abalada pela possibilidade de o autor ser Bereba, seu melhor amigo, ela se tranca no banheiro da escola para pensar sobre o que fazer. De repente, descobre que nada será como antes. Aquele minúsculo bilhetinho tem tudo para mudar seu destino, sua vida e até mesmo o eixo do Planeta Terra. Além de conter fortes indícios de que Bereba está com segundas intenções em relação a ela, o bilhetinho significa que: Mia está despertando o interesse dos meninos, ela deixou de ser criança, é oficialmente uma pré-adolescente, não terá mais amizades inocentes com garotos e ela não tem a menor ideia de como se comportar em uma situação dessas.

Mia encontra seu campo de guerra e de paz na cabine do banheiro das meninas. Naquele cubículo, conversando consigo mesma, ela começa sua jornada emocional. A pré-adolescente vai construindo e reconstruindo aquilo que sente e aquilo que viu, por meio de interpolações cronológicas, retrocessos e avanços temporais. A partir daí a narradora nos transporta para outras esferas da sua vida, através dos parênteses que ela vai abrindo e dos personagens e lugares que surgem: Bereba, Jade, seu pai, sua mãe, o parquinho, o seu quarto… A encenação acompanha estes deslocamentos espaciais e também apresenta o ponto de vista e o universo de Bereba e Jade. Os três usam a imaginação para criar novas cores, personagens, rumos e significados para seus problemas reais ou inventados.

O elenco se reveza na interpretação de todos os papéis e na manipulação dos elementos (cenário, figurinos e adereços), em uma encenação ágil e com as estruturas do jogo cênico reveladas. A montagem é fortemente apoiada na criatividade e bom uso dos recursos de luz, cenografia, sonoplastia, adereços, figurinos e transporta o público para diversos tempos e espaços.

Durante os ensaios, o elenco realizou um intenso treinamento de improvisação com Rhena de Faria, no qual foram experimentados diversos jogos que desencadearam um processo rico e original de proposição de cenas e composição de personagens. Este trabalho foi decisivo para a definição do tom de jogo da peça e para a transposição da atmosfera vibrante do livro para o teatro. A fisicalidade também surgiu nesses encontros, sugerindo uma dinâmica versátil entre os atores, em que cada um se multiplica como personagem, pensamento, narrador, imagem e paisagem. O espetáculo convoca o espectador a uma experiência teatral imaginativa e intensa, equivalente a perspicácia e a graça que o relato de Mia oferece aos seus leitores.

Os figurinos assinados por Mira Haar, em parceria com Paula Weinfeld, propõem uma combinação divertida entre estampas e sobreposições de roupas casuais que permitem uma manipulação rápida e revelada na composição de todos os personagens. A dupla também assina o cenário e os adereços do espetáculo, criando um diálogo preciso entre todos os elementos. O cenário é minimalista, composto por um chão de lona com a pintura de um labirinto, como nos jogos de tabuleiro, e um cabideiro de madeira suspenso por faixas de lona que atravessam o palco. Nele estão penduradas cerca de 30 mochilas de onde saem grande parte dos adereços.

A iluminação de Olivia Munhoz é parte importante do jogo proposto pela encenação. Ela demarca territórios, propõe cor, vibração e movimento e nos ajuda a compor o espaço da memória. A trilha sonora repleta de climas e efeitos divertidos de Arthur Decloedt também completa o clima animado do espetáculo e ajuda na composição dos momentos ternos com as canções feitas a partir referências jazzísticas.

A montagem aborda os principais temas da pré-adolescência: mudanças hormonais, físicas e emocionais, pertencimento, despertar do amor, novas responsabilidades escolares, despedida da infância, busca pela verdadeira identidade, novos paradigmas nas relações familiares e a importância das amizades e do grupo, sempre com muito humor, linguagem veloz e uma pitada de drama.

O espetáculo foi contemplado em 2017 pelo Edital PROAC 07/2017 de Produção de Espetáculos Infanto-Juvenis.

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O Dia em que a Minha Vida Mudou por Causa de um Chocolate Comprado nas Ilhas Maldivas

Com Angela Ribeiro, Thomas Huszar e Tutti Pinheiro

Sesc Pinheiros (Rua Pais Leme, 195, Pinheiros – São Paulo)

Duração 55 minutos

10/03 até 14/04

Domingo – 15h e 17h

$17 ($5 credencial plena)

Classificação: Livre

ELZA

A partir do dia 18 de outubro, o Sesc Pinheiros recebe a estreia paulista do musical Elza, celebrando a figura e trajetória da cantora Elza Soares. Com apresentações de quinta a domingo no Teatro Paulo Autran do Sesc Pinheiros, a temporada fica em cartaz até dia 18 de novembro de 2018.

No palco, Larissa Luz, convidada para a montagem, e as multifacetadas atrizes JanamôJúlia DiasKésia EstácioKhrystalLaís Lacorte e Verônica Bonfim evocam a figura de Elza Soares e personificam a trajetória da cantora carioca.

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Em cena, elas se dividem ao viver Elza Soares em suas mais diversas fases e interpretam outros personagens, como os familiares e amigos da cantora, além de personalidades marcantes, como Ary Barroso (1903-1964), apresentador do programa onde se apresentou pela primeira vez, e Garrincha (1933-1983), que protagonizou com ela um notório relacionamento.

Com texto inédito de Vinícius Calderoni e direção de Duda Maia, o espetáculo tem a direção musical de Pedro LuísLarissa Luz e Antônia Adnet. Além disso, o maestro Letieres Leite, da Orquestra Rumpilezz, foi o responsável pelos novos arranjos para clássicos do repertório da cantora, tais como LamaO Meu GuriA Carne e Se Acaso Você Chegasse. O projeto foi idealizado por Andrea Alves, da Sarau Agência, a partir de um convite da própria Elza e de seus produtores Juliano Almeida e Pedro Loureiro.

Ainda que muitos dos conhecidos episódios da vida da homenageada estejam no palco, a estrutura de Elza foge do formato convencional das biografias musicais. Se os personagens podem ser vividos por várias atrizes ao mesmo tempo, a estrutura do texto também não é necessariamente cronológica. Da mesma forma que músicas recentes (A Mulher do Fim do Mundo, a emblemática A Carne e Maria da Vila Matilde) se embaralham aos sucessos das mais de seis décadas de carreira da cantora, como Se Acaso Você ChegasseLamaMalandroLata D’Água e Cadeira Vazia.

Marcada por uma série de tragédias pessoais – a morte dos filhos e de Garrincha, a violência doméstica e a intolerância –, a jornada de Elza é contada com alegria.

A Elza me disse: ‘sou muito alegre, viva, debochada. Não vai me fazer um musical triste, tem que ter alegria’. Isso foi ótimo, achei importante fazer o espetáculo a partir deste encontro, pois assim me deu base para saber como Elza se via e como ela gostaria de ser retratada”, conta Vinicius Calderoni, que leu e assistiu a infindáveis entrevistas que a cantora deu ao longo da vida e também pesquisou a obra de pensadoras negras, como Angela Davis e Conceição Evaristo, cujos fragmentos de textos aparecem na peça.

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O espetáculo foi desenvolvido ao longo de um período em que Elza se encontra no auge de uma carreira marcada por reviravoltas e renascimentos. Ao lançar seus últimos dois discos, A Mulher do Fim do Mundo (2015) e Deus é Mulher (2018), a cantora não somente ampliou ainda mais seu repertório e sua base de fãs, como conquistou, mais uma vez, a crítica internacional, e se consolidou como uma das principais vozes da mulher negra brasileira.

Vinícius Calderoni, autor do texto, chama a atenção para a coletividade presente em todo o processo de criação da montagem. Após ter escrito as primeiras páginas, ele começou a frequentar os ensaios e estabeleceu um rico intercâmbio com Duda Maia e as sete atrizes. ‘Hoje poderia dizer que elas são coautoras e colaboradoras do texto. São sete atrizes negras e múltiplas, como a Elza é. Diante da responsabilidade enorme, eu estabeleci limites de fala para mim, por exemplo, em relação a alguns temas. Limitei a minha voz e disse que não escreveria nada, queria os relatos delas e as opiniões. Pedi a colaboração delas, das experiências vividas por uma mulher negra. Do mesmo jeito que a Duda propôs muitas coisas, as atrizes também tiveram este espaço’, conta o dramaturgo.

Tal processo colaborativo se estendeu para a música, com a participação ativa das atrizes e das musicistas nos ensaios com os diretores musicais, e o maestro Letieres Leite, que liderou algumas oficinas com o grupo no período dos ensaios. O processo gerou ainda duas canções inéditas que estão na peça: Ogum, de Pedro Luís, e Rap da Vila Vintém, de Larissa Luz. Se a escolha de Pedro Luís para a função foi referendada pela própria Elza – que gravou e escolheu um verso do compositor para nomear seu último disco –, Larissa Luz já estava envolvida com o projeto desde o seu embrião.

Abaixo, uma matéria feita pelo canal Curta! com a atriz Larissa Luz, que faz parte do musical.

Elza

Com Janamô, Júlia Dias, Késia Estácio, Khrystal, Laís Lacôrte, Verônica Bonfim e a atriz convidada Larissa Luz. (*nos dias 8, 10, 17 e 18/Nov, Larissa Luz será substituída pela atriz Bia Ferreira)

Teatro Paulo Autran – SESC Pinheiros (R. Pais Leme, 195 – Pinheiros, São Paulo)

Duração 120 minutos

18/10 até 18/11

Quinta, Sexta, Sábado – 21h, Domingo e Feriado – 18h

$50 ($15 – credencial plena)

Classificação 14 anos

OS LAVADORES DE HISTÓRIA

Sesc Pinheiros recebe o espetáculo infantil Os Lavadores de Histórias, da Cia. de Achadouros. A montagem, dirigida por Tereza Gontijo, tem dramaturgia assinada por Silvia Camossa, concebida em processo colaborativo, a partir das cenas improvisadas pelo grupo em sala de ensaio.

Os Lavadores de Histórias são três personagens – Urucum, Tom Tom e Jatobá – interpretados pelos atores palhaços Emiliano FavachoMariá Guedes e Felipe Michelini, respectivamente. À noite, eles visitam quintais abandonados para lavar objetos esquecidos como brinquedos e roupas, e reviver momentos especiais da infância. Eles carregam consigo o “rio da memória”, no qual vão lavando as coisas que encontram e revelando histórias, fantasias, personagens e brincadeiras. Por meio de cenas cômicas, circenses, teatro de sombras e objetos, o espetáculo faz uma sensível reflexão sobre a relação da criança com o mundo real e da imaginação, e lança sobre a infância o olhar lúdico e poético.

Tendo como ponto de partida a potente e delicada poesia de Manoel de Barros, a concepção valoriza a intimidade com as pequenas coisas, a beleza contida em sutilezas, a graça da imaginação, as brincadeiras espontâneas e colaborativas e o contato com a natureza. A partir de uma imersão na obra do poeta, os atores foram para as ruas do bairro São Mateus em busca de histórias reais da memória afetiva de pessoas comuns (moradores antigos e crianças) que foram usadas em cenas da peça. “Um dos poemas de Manoel de Barros que mais nos inspirou foi Desobjeto, que fala sobre como a imaginação pode dar novos sentidos e funções a um objeto e transformá-lo em outras coisas na hora de brincar”, comenta Felipe Michelini. Os protagonistas contam que lembranças de suas próprias infâncias e de outras pessoas envolvidas na produção também estão no enredo.

A diretora Tereza Gontijo – mineira de Belo Horizonte, que também é palhaça, integrante dos Doutores da Alegria e da Cia. Vagalum Tum Tum – enfatiza que Os Lavadores de História foi concebido como um espetáculo para a família. “Enquanto a palhaçaria é diversão garantida para as crianças, o tom lírico e poético da peça toca os adultos ao acionar o dispositivo de suas lembranças da infância”. Ela ainda comenta que o processo junto à Cia. de Achadouros teve como estímulo o prazer do jogo de palhaços no trabalho de criar para o público infantil.

Urucum, Tom Tom e Jatobá sabem que nas coisas esquecidas nos quintas das casas estão guardadas muitas históriasde meninos e meninas que cresceram e já não se lembram de seus sonhos e brincadeiras. As histórias vão surgindo à medida que os objetos e brinquedos vão sendo lavados e revelados.

Ente as cenas está O menino que queria voar: um lençol manchado revela o garoto que queria viajar pelo mundo. Às vezes, fazia xixi enquanto dormia e depois se escondia embaixo da cama, sonhando em voar e unir os quatro continentes. Tem também A menina triste que descobre o que a faz feliz: um lenço colorido traz a história da menina que vivia triste até conhecer um menino mágico. Na história, inspirada nas conversas com a sambista Tia Cida, moradora da região de São Mateus, a menina conhece um amigo quando vai buscar lenha para o fogão e o acompanha até o acampamento cigano, descobrindo ali o seu amor pela música. Outro momento é O menino que vai para a lua com o amigo imaginário: um sapato velho se transforma em um interfone secreto para anunciar a missão da primeira criança a pisar na lua (história do ator Felipe). E ainda A menina que encantava os passarinhos: uma velha escova de cabelos faz as personagens reviverem a história de uma rádio de passarinhos (lembrança da atriz Mariá). Na programação desta rádio muitas aves participam: a andorinha dá receita de bolinho de chuva (chuva mesmo!); o tico-tico, que voa muito alto, faz a previsão do tempo; na transmissão do futebol, os jogadores são pássaros; e a radionovela dramatiza a história do menino que ficou chateado porque ia ganhar uma irmãzinha – não um “irmãozinho para brincar” -, mas ele descobre a alegria dessa nova relação (história do ator Emiliano).

Para o grupo, Os Lavadores de Histórias quer fazer o público lembrar coisas que não deveriam ser esquecidas, lembrar que brincar junto é fundamental em tempos de isolamento, e quebrar as amarras dos adultos pela memória afetiva da infância para que pais e filhos revivam a magia do brincar.

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Os Lavadores de Histórias

Com Emiliano B. Favacho, Felipe Michelini e Mariá Guedes

Sesc Pinheiros (R. Pais Leme, 195 – Pinheiros, São Paulo)

Duração 60 minutos

15/07 até 19/08

Domingo – 15h e 17h

$17 ($5 – credencial plena)

Classificação Livre

QUIERO HACER EL AMOR

Criada e dirigida pela atriz e dramaturgaCarolina Bianchi,a performance Quiero Hacer El Amor ocupa áreas de convivência do Sesc Pinheiros entre 6 e 27 de julho. As apresentações acontecem todas as sextas-feiras e também no feriado (9 de julho, segunda-feira), às 13h30. Criada como um desdobramento dos estudos de Carolina sobre corpo e sexualidade, QuieroHacer El Amor conta com dez performers, todas mulheres.

O trabalho de Carolina pretende desierarquizar noções estabelecidas sobre sexo. Ao deslocar mulheres para ambientes públicos que, a princípio, nada tem de sexuais, a artista experimenta o poder da sexualidade de criar desvios no que está estabelecido. “Nós nos perdemos no espaço até que o corpo também vire parte da arquitetura que ocupamos”, diz Carolina.

As performers ocupam diferentes espaços e interagem com corrimão, chão, parapeito e outras superfícies que estiverem disponíveis. “É importante que esses locais estejam desprovidos de qualquer libido, pois isso é construído na cena. Já fizemos a ação na frente de um tribunal de contas, por exemplo”, explica a artista.

Entre as principais referências de Carolina para os estudos sobre sexualidade, estão o filósofo francês Gilles Deleuze (1925 – 1995), que ao propor pensar a pele como uma superfície repleta de poros abre a percepção sobre outras possibilidades de prazer; o filósofo espanhol Paul B. Preciado (1970), que critica principalmente a cultura heterocentrada, que olha o corpo como algo que funciona a serviço da reprodução sexual e produção de prazer genital; e da americana Andrea Fraser (1965), performer e professora de novos gêneros de arte na Universidade da Califórnia, em Los Angeles.

Desenvolvida ao longo de duas horas, a performance não tem o objetivo de que o público a assista do começo ao fim, mas sim a flagre em determinados momentos. “É uma experiência em trânsito, menos sobre ver e mais sobre perceber o que está acontecendo”, diz Carolina. Para ela, o trabalho desloca o prazer sexual da mulher para o ambiente público, espaço que culturalmente foi concedido apenas aos homens.

QuieroHacer El Amor por Carolina Bianchi

QuieroHacer El Amor é uma experiência em performance em que um grupo
de 10 a 20 artistas mulheres se relacionam sexualmente com diferentes superfícies/ matérias que configuram um espaço. Durante aproximadamente 120 minutos friccionamos toda a extensão do nosso corpo como possibilidade de prazer quando em contato com o chão, a arquitetura de um edifício, e os objetos que são encontrados pelo caminho.

Deslocar a erotização feminina para o espaço público, provocar a expansão das possibilidades deprazer em cada centímetro do nosso corpo. Desvio.
Descontextualizando hábitos, músculos afetivos altivos. Molhar o patrimônio
com nossos fluídos. Transar com o espaço e ser transada por ele. “A revolução é a sexualidade pisoteando a civilização”( The Motherfuckers).

Quiero Hacer El Amor

Com Joana Ferraz, Carolina Splendore, Michele Navarro, Carolina Bianchi, Marina Matheus, Danielli Mendes, Debora Rebecchi, Mariza Virgulino, Larissa Ballarotti e Mariana Mantovani.

Sesc Pinheiros – Área de Convivência ( R. Pais Leme, 195 – Pinheiros, São Paulo)

Duração 120 minutos

06 a 27/07 (inclusive 09/07)

Sexta – 13h30

Grátis

Classificação Livre