OS LAVADORES DE HISTÓRIA

Sesc Pinheiros recebe o espetáculo infantil Os Lavadores de Histórias, da Cia. de Achadouros. A montagem, dirigida por Tereza Gontijo, tem dramaturgia assinada por Silvia Camossa, concebida em processo colaborativo, a partir das cenas improvisadas pelo grupo em sala de ensaio.

Os Lavadores de Histórias são três personagens – Urucum, Tom Tom e Jatobá – interpretados pelos atores palhaços Emiliano FavachoMariá Guedes e Felipe Michelini, respectivamente. À noite, eles visitam quintais abandonados para lavar objetos esquecidos como brinquedos e roupas, e reviver momentos especiais da infância. Eles carregam consigo o “rio da memória”, no qual vão lavando as coisas que encontram e revelando histórias, fantasias, personagens e brincadeiras. Por meio de cenas cômicas, circenses, teatro de sombras e objetos, o espetáculo faz uma sensível reflexão sobre a relação da criança com o mundo real e da imaginação, e lança sobre a infância o olhar lúdico e poético.

Tendo como ponto de partida a potente e delicada poesia de Manoel de Barros, a concepção valoriza a intimidade com as pequenas coisas, a beleza contida em sutilezas, a graça da imaginação, as brincadeiras espontâneas e colaborativas e o contato com a natureza. A partir de uma imersão na obra do poeta, os atores foram para as ruas do bairro São Mateus em busca de histórias reais da memória afetiva de pessoas comuns (moradores antigos e crianças) que foram usadas em cenas da peça. “Um dos poemas de Manoel de Barros que mais nos inspirou foi Desobjeto, que fala sobre como a imaginação pode dar novos sentidos e funções a um objeto e transformá-lo em outras coisas na hora de brincar”, comenta Felipe Michelini. Os protagonistas contam que lembranças de suas próprias infâncias e de outras pessoas envolvidas na produção também estão no enredo.

A diretora Tereza Gontijo – mineira de Belo Horizonte, que também é palhaça, integrante dos Doutores da Alegria e da Cia. Vagalum Tum Tum – enfatiza que Os Lavadores de História foi concebido como um espetáculo para a família. “Enquanto a palhaçaria é diversão garantida para as crianças, o tom lírico e poético da peça toca os adultos ao acionar o dispositivo de suas lembranças da infância”. Ela ainda comenta que o processo junto à Cia. de Achadouros teve como estímulo o prazer do jogo de palhaços no trabalho de criar para o público infantil.

Urucum, Tom Tom e Jatobá sabem que nas coisas esquecidas nos quintas das casas estão guardadas muitas históriasde meninos e meninas que cresceram e já não se lembram de seus sonhos e brincadeiras. As histórias vão surgindo à medida que os objetos e brinquedos vão sendo lavados e revelados.

Ente as cenas está O menino que queria voar: um lençol manchado revela o garoto que queria viajar pelo mundo. Às vezes, fazia xixi enquanto dormia e depois se escondia embaixo da cama, sonhando em voar e unir os quatro continentes. Tem também A menina triste que descobre o que a faz feliz: um lenço colorido traz a história da menina que vivia triste até conhecer um menino mágico. Na história, inspirada nas conversas com a sambista Tia Cida, moradora da região de São Mateus, a menina conhece um amigo quando vai buscar lenha para o fogão e o acompanha até o acampamento cigano, descobrindo ali o seu amor pela música. Outro momento é O menino que vai para a lua com o amigo imaginário: um sapato velho se transforma em um interfone secreto para anunciar a missão da primeira criança a pisar na lua (história do ator Felipe). E ainda A menina que encantava os passarinhos: uma velha escova de cabelos faz as personagens reviverem a história de uma rádio de passarinhos (lembrança da atriz Mariá). Na programação desta rádio muitas aves participam: a andorinha dá receita de bolinho de chuva (chuva mesmo!); o tico-tico, que voa muito alto, faz a previsão do tempo; na transmissão do futebol, os jogadores são pássaros; e a radionovela dramatiza a história do menino que ficou chateado porque ia ganhar uma irmãzinha – não um “irmãozinho para brincar” -, mas ele descobre a alegria dessa nova relação (história do ator Emiliano).

Para o grupo, Os Lavadores de Histórias quer fazer o público lembrar coisas que não deveriam ser esquecidas, lembrar que brincar junto é fundamental em tempos de isolamento, e quebrar as amarras dos adultos pela memória afetiva da infância para que pais e filhos revivam a magia do brincar.

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Os Lavadores de Histórias

Com Emiliano B. Favacho, Felipe Michelini e Mariá Guedes

Sesc Pinheiros (R. Pais Leme, 195 – Pinheiros, São Paulo)

Duração 60 minutos

15/07 até 19/08

Domingo – 15h e 17h

$17 ($5 – credencial plena)

Classificação Livre

QUIERO HACER EL AMOR

Criada e dirigida pela atriz e dramaturgaCarolina Bianchi,a performance Quiero Hacer El Amor ocupa áreas de convivência do Sesc Pinheiros entre 6 e 27 de julho. As apresentações acontecem todas as sextas-feiras e também no feriado (9 de julho, segunda-feira), às 13h30. Criada como um desdobramento dos estudos de Carolina sobre corpo e sexualidade, QuieroHacer El Amor conta com dez performers, todas mulheres.

O trabalho de Carolina pretende desierarquizar noções estabelecidas sobre sexo. Ao deslocar mulheres para ambientes públicos que, a princípio, nada tem de sexuais, a artista experimenta o poder da sexualidade de criar desvios no que está estabelecido. “Nós nos perdemos no espaço até que o corpo também vire parte da arquitetura que ocupamos”, diz Carolina.

As performers ocupam diferentes espaços e interagem com corrimão, chão, parapeito e outras superfícies que estiverem disponíveis. “É importante que esses locais estejam desprovidos de qualquer libido, pois isso é construído na cena. Já fizemos a ação na frente de um tribunal de contas, por exemplo”, explica a artista.

Entre as principais referências de Carolina para os estudos sobre sexualidade, estão o filósofo francês Gilles Deleuze (1925 – 1995), que ao propor pensar a pele como uma superfície repleta de poros abre a percepção sobre outras possibilidades de prazer; o filósofo espanhol Paul B. Preciado (1970), que critica principalmente a cultura heterocentrada, que olha o corpo como algo que funciona a serviço da reprodução sexual e produção de prazer genital; e da americana Andrea Fraser (1965), performer e professora de novos gêneros de arte na Universidade da Califórnia, em Los Angeles.

Desenvolvida ao longo de duas horas, a performance não tem o objetivo de que o público a assista do começo ao fim, mas sim a flagre em determinados momentos. “É uma experiência em trânsito, menos sobre ver e mais sobre perceber o que está acontecendo”, diz Carolina. Para ela, o trabalho desloca o prazer sexual da mulher para o ambiente público, espaço que culturalmente foi concedido apenas aos homens.

QuieroHacer El Amor por Carolina Bianchi

QuieroHacer El Amor é uma experiência em performance em que um grupo
de 10 a 20 artistas mulheres se relacionam sexualmente com diferentes superfícies/ matérias que configuram um espaço. Durante aproximadamente 120 minutos friccionamos toda a extensão do nosso corpo como possibilidade de prazer quando em contato com o chão, a arquitetura de um edifício, e os objetos que são encontrados pelo caminho.

Deslocar a erotização feminina para o espaço público, provocar a expansão das possibilidades deprazer em cada centímetro do nosso corpo. Desvio.
Descontextualizando hábitos, músculos afetivos altivos. Molhar o patrimônio
com nossos fluídos. Transar com o espaço e ser transada por ele. “A revolução é a sexualidade pisoteando a civilização”( The Motherfuckers).

Quiero Hacer El Amor

Com Joana Ferraz, Carolina Splendore, Michele Navarro, Carolina Bianchi, Marina Matheus, Danielli Mendes, Debora Rebecchi, Mariza Virgulino, Larissa Ballarotti e Mariana Mantovani.

Sesc Pinheiros – Área de Convivência ( R. Pais Leme, 195 – Pinheiros, São Paulo)

Duração 120 minutos

06 a 27/07 (inclusive 09/07)

Sexta – 13h30

Grátis

Classificação Livre

INSONES

Com texto inédito de Victor Nóvoa e direção de Kiko Marques, ganhador do prêmio Shell, APCA, Aplauso Brasil e Qualidade Brasil pelo espetáculo CAIS ou da Indiferença das Embarcações, e também ganhador do APCA por Sínthia, o espetáculo INSONES estreia dia 21 de junho, quinta-feira, às 20h30, no Auditório do Sesc Pinheiros.

O elenco reúne atores de diferentes trajetórias no teatro, Fernanda RaquelHelena CardosoPaulo Arcuri e Vinícius Meloni – indicado ao prêmio Shell em 2011 por sua atuação em Cidade Fim – Cidade Coro – Cidade Reverso do Teatro de Narradores. Para compor o jogo entre luz e cenário estão Eliseu Weide e Marisa Bentivegna. Os figurinos são assinados por Ozenir Ancelmo e Ana T. e a trilha sonora por Carlos Zhimber.

Em INSONES, quatro figuras passaram 365 noites em claro e tentam incessantemente finalizar a contagem regressiva para o ano que virá. A comemoração é constantemente interrompida por acontecimentos insólitos, revelando relações humanas descartáveis e violentas. A história se mantém por um fio tênue, porém mais importante que a trama são os estados gerados por esse mundo em funcionamento contínuo no qual habitam os personagens. Essas figuras fazem emergir questões fundamentais em nossos dias, como o excesso de estímulos e o crescente controle do tempo e da experiência.

O mundo sem sombras, que explode em violência de tempos em tempos em INSONES, carrega traços em comum com outras peças de Victor Nóvoa, como Condomínio Nova Era e Entre Vãos – desenvolvidas com seu coletivo A Digna – e Verniz Náutico para Tufos de Cabelo, que tratam da mercantilização das relações humanas que se dá de diferentes maneiras em nossa sociedade. “É um engano estrutural achar que consumimos coisas, é o tempo que se comercializa. Por isso estamos soterrados por um fluxo incessante de estímulos. Não querem que paremos nem por um instante. Dormir é profanar a liturgia do mercado”, diz o dramaturgo.

O diretor Kiko Marques assume o estilo de escrita não linear de Victor Nóvoa permitindo a abertura de inúmeras camadas de significação do texto. “Nossa opção é pelo teatro e pelo jogo entre os atores. Daí Insones ser uma espécie de desencontro que acontece com hora marcada e lugar definido para seu não acontecimento explosivo e ofuscante“, fala Marques.

O projeto de montagem da peça foi impactado pela leitura de obras como 24/7 – capitalismo tardio e os fins do sono de Jonathan Crary e Sociedade do Cansaço de Byung-Chul Han, que trazem reflexões sobre os dispositivos de poder na vida contemporânea.

A peça INSONES reafirma a parceria de Victor Nóvoa e Fernanda Raquel, iniciada em Verniz Náutico para Tufos de Cabelo, unidos em mais um projeto pela urgência em criar espaços e temporalidades onde as noções de compartilhamento e produção do comum, tão em crise em nossos tempos, possam acontecer. A montagem foi contemplada pelo PROAC 01/2017.

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Insones

Com Fernanda Raquel, Helena Cardoso, Paulo Arcuri e Vinicius Meloni. Atriz substituta: Fani Feldman.

Sesc Pinheiros – Auditório (R. Pais Leme, 195 – Pinheiros, São Paulo)

Duração 55 minutos

21/06 até 21/07

Quinta, Sexta, Sábado – 20h30

$25 ($7,50 – credencial plena)

Classificação 14 anos

PESCADORA DE ILUSÃO

Inspirada no livro “A Mulher Que Matou os Peixes”, da escritora Clarice Lispector, a fantasia musical Pescadora de Ilusão, de GpeteanH e Pedro Paulo Bogossian, ensina para a criançadas a importância do perdão, com muita diversão e poesia. O espetáculo da Cia. Los Lobos Bobos reestreia no Sesc Pinheiros, no dia 20 de maio e segue em cartaz até 24 de junho, com sessões aos domingos, às 15h e às 17h.

Na história original, Clarice pede às crianças que a perdoem por ter esquecido de alimentar os peixinhos vermelhos de seus filhos. Para garantir a sua absolvição, ela conta histórias divertidas sobre os bichos de estimação que passaram por sua vida, como o cachorro Dilermando e a macaquinha Lisete.

Na peça, as atrizes Carol Badra e Kátia Daher se revezam em sete personagens para tentar defender essa mãe esquecida. No final, as crianças devem decidir se perdoam ou não a personagem de Lispector. Em cena, as atrizes “pescam” os objetos e adereços animados que servirão para contar essa história.

Com músicas originais de Bogossian, o espetáculo discute temas importantes à infância, como a compreensão do outro, o respeito, o amor aos animais e a amizade. “A dupla de atrizes ainda mostra a sua versatilidade ao cantar, sapatear e tocar alguns instrumentos, na bela trilha idealizada pelo diretor musical Pedro Paulo Bogossian, e na coreografia de Chris Matallo”, completa o diretor GpeteanH.

A encenação foi criada em 2017 em comemoração aos 40 anos de morte de Clarice Lispector. A peça, que nas primeiras temporadas contava com participação da atriz Mel Lisboa, estreou em Espírito Santo do Pinhal no Circuito Paulista de Teatro, realizado pela APAA – Associação Paulista dos Amigos da Arte.

SINOPSE

Eugênia (EU) e Turrona (TU) são amigas inseparáveis. O que as une é o amor pelo teatro! Um dia, decidem sair em defesa da escritora Clarice Lispector, que esqueceu de alimentar os peixinhos de seus filhos, o que provocou sua morte. Para tentar conseguir o perdão para Clarice, EU e TU montam um espetáculo pedindo para que os espectadores perdoem a “Pescadora de Ilusão”. O veredito final será dado pelos espectadores. A peça é inspirada no livro A Mulher que Matou os Peixes, de Lispector.

CARMEN

Pescadora de Ilusão
Com Carol Badra e Kátia Daher
Sesc Pinheiros (Rua Paes Leme, 195, Pinheiros, São Paulo)
Duração 60 minutos
20/05 até 24/06
Domingo – 15h e 17h
$17 ($5 – credencial plena)
Classificação Livre

GAGÁ

O espetáculo conta a história de Lelé e Tantã, que vivem aparentemente felizes em um espaço sem portas nem janelas, à espera de seu cuidador, o Sr. Gagá. Enquanto esperam, passam o tempo divertindo-se com jogos e lembranças. Podem ser amigos ou casados há 70 anos. Podem ser duas crianças brincando em um quarto de dormir. Podem ser dois velhos doidos num asilo.

Os personagens passeiam pelo absurdo e pelo patético, alternando humor, memória e lirismo para mostrar que todo tempo é um grande movimento circular da vida. O cenário representa um não-lugar, onde tudo é branco porque a memória é branca: uma cama de ferro branca, um alto-falante branco e uma escada branca que leva ao céu.

Este é um espetáculo que pretende se comunicar com todas as idades, pois a cada pessoa é oferecida uma camada de entendimento. É uma peça divertida que fala sobre o cuidar, a atenção com o outro, que flerta com a filosofia e com o teatro do absurdo. As cenas reúnem gags e a encenação não tem medo de investir em silêncios. A comicidade é muito marcante na montagem e traz uma reflexão sobre o sentido da vida, sobre as semelhanças entre a velhice e a infância através de metáforas e simbologias”, fala o diretor e dramaturgo Marcelo Romagnoli.

O espetáculo reforça a pesquisa de uma dramaturgia para crianças que envolva toda a família e que considera o teatro para crianças uma arte que vai além do entretenimento. Sua linguagem pretende ser o conjunto de um pensamento artístico que converse com diferentes públicos em vários níveis ou camadas de entendimento.

Na percepção dos artistas envolvidos em GAGÁ, a dramaturgia para crianças no Brasil vem se aprofundando muito nos últimos anos. É notável a evolução artística dos espetáculos para a infância que ocorre em São Paulo e no país. Este projeto, portanto, faz parte de uma pesquisa de linguagem, iniciada com o premiado espetáculo Terremota, de 2012, composto por grande parte desta mesma equipe.

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Gagá
Com Jackie Obrigon, Guto Togniazzolo e Fausto Franco
SESC Pinheiros – Auditório (R. Pais Leme, 195 – Pinheiros, São Paulo)
Duração 50 minutos
12/03 até 30/04
Domingo – 15h e 17h
$17
Classificação 12 anos
 
Texto e Direção: Marcelo Romagnoli
Cenário e Luz: Marisa Bentivegna
Trilha Sonora: Dr Morris
Figurino: Chris Aizner
Adereços: Ivaldo de Melo
Operação de Som: Bruno Garcia
Operação e Montagem de Luz: Jean Marcel
Cenotécnico: César Rezende Santana
Assistente de Cenografia: Amanda Vieira
Produção: Stella Marini/ Púrpura Produções Artísticas
Assessoria de Imprensa: Pombo Correio

 

QUARTO 19

Em março, o Sesc Pinheiros recebe Quarto 19, espetáculo com direção de Leonardo Moreira. Com estreia no dia 9 de março, o monólogo, concebido e encenado por Amanda Lyra, segue em temporada no Auditório da unidade,de quinta a domingo, às 20h30, até o dia 15 de abril.

A montagem é baseada no conto No Quarto Dezenove (To Room Nineteen), da escritora britânica Doris Lessing (1919-2013), Nobel de Literatura em 2007. Publicado originalmente em 1978, o conto apresenta Susan Rawlings, uma mulher em um caminho de auto-percepção e apreensão de seu “eu” autêntico. Os efeitos provocados pelo casamento burguês com Matthew, a fragmentação da identidade feminina daí resultante, a extenuante procura pelo significado da vida e a tensão entre o “eu social” e o “eu marginal” são tópicos evidenciados no dilema da personagem.

O enredo trata da independência feminina no mundo contemporâneo e sua identificação com os papeis sociais de mãe, esposa e organizadora do lar, representados aqui por uma personagem que, mesmo tendo conquistado o que poderia ser o ideal maternal, não encontra satisfação pessoal, buscando refúgio no silêncio, no “quarto nº 19”.

Ela está consciente de que é prisioneira de alguma coisa maior e, em seu discernimento embotado, passa a acreditar que está doente”, conta Amanda Lyra. “No entanto, vemos que o mal que a aflige está no âmago da sociedade, e não em algum lugar escondido das anomalias individuais. A personagem vive assim a luta silenciosa de muitas outras mulheres”, prossegue.

Além da narrativa de Lessing, a montagem é concebida com forte influência das artes visuais. Na pesquisa para construção do espetáculo, foram referências diretas no processo a escultora francesa Louise Bourgeois (1911-2010), com a série de pinturas e esculturas que refletem sua vida como mãe e esposa, Femme Maison; e o estadunidense Edward Hopper (1882-1967), através de suas pinturas.

SINOPSE
Quarto 19 conta a história de Susan, uma mulher de classe média, casada e mãe de três filhos. Após anos sem trabalhar fora, dedicada à criação dos filhos, ela espera o momento em que o mais novo entrará para a escola, quando finalmente terá algum tempo para si. Mas quando isso acontece, Susan não sente a liberdade que esperava. Fugindo da irritação doméstica e do ritmo familiar, ela então passa a alugar um quarto de hotel no centro da cidade, o quarto 19, onde passa todas as tardes, sem fazer nada.

A peça é construída a partir do conto homônimo da escritora britânica Doris Lessing, prêmio Nobel de Literatura em 2007.

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Quarto 19
Com Amanda Lyra
SESC Pinheiros – Auditório 3o andar (R. Pais Leme, 195 – Pinheiros, São Paulo)
Duração 80 minutos
09/03 até 15/04 (não haverá espetáculo em 14 de abril)
Quinta, Sexta e Sábado – 20h30
$25
Classificação 18 anos
 
Concepção e Atuação: Amanda Lyra
Direção: Leonardo Moreira
Preparação Corporal: Tarina Quelho
Iluminação e cenografia: Marisa Bentivegna
Fotos: Cris Lyra
Tradução: Amanda Lyra
Assessoria de imprensa: Pombo Correio
Produção: Aura Cunha | Elephante Produções Artísticas

A PRÓXIMA ESTAÇÃO – UM ESPETÁCULO PARA LER

O ator Cacá Carvalho retorna aos palcos paulistanos no espetáculo inédito A PRÓXIMA ESTAÇÃO – Um espetáculo para ler, escrito pelo premiado autor italiano Michele Santeramo, após a montagem em 2015 de 2 x 2 = 5 O Homem do Subsolo, de Fiódor Dostoiévski (1821-1881).  

A versão brasileira de A PRÓXIMA ESTAÇÃO – Um espetáculo para ler, encenado na Itália pelo próprio autor no início de 2015, com excelente repercussão crítica, estreia em 10 de novembro, quinta-feira, às 20h30, no auditório do Sesc Pinheiros, em curta temporada de 18 apresentações, até o dia 17 de dezembro.

Desta vez, o homem e sua crise em viver –centro do interesse artístico de Cacá Carvalho–, está centrada no casal Violeta e Massimo; juntos repassam o curso de suas vidas em seis estações, marcadas por intervalos de uma década, ao longo de 50 anos, de 2015 a 2065. O espetáculo pontua as alterações deste percurso comum aos dois, os pequenos e grandes embates do relacionamento, as modificações de seus desejos, a expressão da ternura, a maneira como eles se divertem, a inata delicadeza e as adaptações que terão de enfrentar impostas pelo novo modo de vida de um futuro fictício, no qual pulsações profundas, desejos e paixões se deslocam no tempo.

Para tratar do futuro contendo o tempo presente, o autor concebeu o texto teatral para, como explicita o subtítulo, ser lido. Cacá Carvalho sobe ao palco acompanhado de dois protagonistas, criados pela artista plástica e performer italiana Cristina Gardumi a partir do estudo do texto de Santeramo. Para traduzir em desenhos a história de 50 anos de vida de Violeta e Massimo, Cristina criou criaturas humanas animalizadas ou animais humanizados com traços de extrema delicadeza, unindo gestualidade teatral, emoções e profundos impulsos.

O diálogo, portanto, não é encenado, mas lido pelo ator. Legendas acompanham os desenhos projetados em um painel, e desempenham um papel fundamental para que se estabeleça o jogo teatral: Projetadas com legendas, são lidas pelo espectador, criando um fluxo de diálogo entre o espectador, a página escrita e a mediação evocativa da voz do ator.

As imagens que acompanham o texto têm um papel vital de mostrar a fisicalidade dos personagens, num  ‘espetáculo para ler’, onde não há atores, apenas caracteres que se comunicam através da voz de um único narrador“, define Cacá.

“A PRÓXIMA ESTAÇÃO – Um espetáculo para ler” possui o que acredito ser o combustível do teatro; a coisa acontece entre o espectador e aquele que está se fazendo ver e, nesse sentido, qualquer fonte é válida, conhecida ou não, desde que funcione ali, diante do público, completa Cacá.

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A Próxima Estação – um espetáculo para ler
Com Cacá Carvalho
SESC Pinheiros – Auditório 3o andar (R. Pais Leme, 195 – Pinheiros, São Paulo)
Duração 70 minutos
10/11 até 17/12
Quinta, Sexta, Sábado – 20h30
$25 ($7,50 – credencial plena: trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes)
Classificação 12 anos
 
De uma ideia de Luca Dini e Michele Santeramo
Texto e Direção: Michele Santeramo
Tradução: Cacá Carvalho
Ilustrações: Cristina Gardumi
Coordenação Artística: Márcio Medina
Assistente de Direção na Itália: Erica Artei
Colaboração Artística: Roberto Bacci
Músicas Originais: Sergio Altamura, Giorgio Vendola e Marcello Zinn
Sonorização e Projeção: Kako Guirado e Tiago Mello
Assessoria de Imprensa: Adriana Monteiro – Ofício das Letras
Fotografia: Lenise Pinheiro
Produção Executiva e Administração: Géssica Arjona
Parceria de Produção: Condomínio Cultural e Teatro della Toscana – Itália
Produção: Casa Laboratório Para as Artes do Teatro
Agradecimento especial: Luciana Caminha – Mina Cultural, Iris Cavalcanti, Junae Andreazza e Micle Contorno