FÓSSIL

Após o sucesso de público e imprensa de “Carmem” e “A última dança”, Natalia Gonsales, em constante pesquisa sobre personalidades e fatos que desafiam a ordem imposta, idealiza e atua em “Fóssil” de Marina Corazza. Criado a partir da pesquisa de três anos da atriz e da dramaturga a respeito do povo curdo e da revolução de Rojava, na Síria, a peça tem direção de Sandra Coverloni e estreará no dia 09 de janeiro no Sesc Pompeia. A temporada será de quinta a domingo até 02 de fevereiro.

A peça se passa dentro da sala de Luiz Henrique (Nelson Baskeville),  diretor da maior empresa de gás liquefeito de petróleo. Anna (Natalia Gonsales), uma jovem cineasta, vai ao seu encontro em busca de recursos para a realização de um filme sobre a Revolução de Rojava, no norte da Síria.

A cineasta narra o roteiro de seu filme e a importância político-social deste, cruzando histórias de mulheres curdas torturadas da Síria com memórias de mulheres na ditadura brasileira de 64. “Ao olhar para nós à luz dessa revolução, vemos as mulheres que nos geraram, e antes delas, as que geraram nossas mães, e antes delas, as outras, e as outras, e as outras e todas nós. Ao olhar para nós à luz da Revolução de Rojava, sabemos que queremos e que podemos acreditar em utopias por meio de um trabalho diário que deixe nascer outras formas mais justas e libertárias de se pensar e viver. ” Complementa a dramaturga Marina Corazza.  

A tensão entre os dois personagens vai crescendo durante o espetáculo. Luiz, que viu Anna crescer, tem um olhar paternal para com ela e conforme a cineasta conta sobre o seu projeto e a importância da luta curda, relações dúbias de opressão e falta de escuta são estabelecidas. Em um plano que atravessa o presente, a jovem cineasta fala de sua mãe, presa política na ditadura de 64. O papel contraditório de financiamento das artes por grandes empresas também perpassa toda a peça. Abre-se com isso mais uma camada crítica na peça a respeito da política cultural e as contradições que incluem valores éticos e morais para a realização de um produto altamente desvalorizado no mercado atual.

Encenar a luta curda pela democracia revela contradições do sistema democrático ocidental que se apresenta na forma atual do patriarcado, sustentado pelo Estado e pela hierarquia. A forma de Estado-Nação aliado ao Capitalismo é um modelo baseado nas dominações de classe, gênero, etnia e religião associado à competitividade econômica, impossibilitando assim, que a nação alcance os objetivos de liberdade, igualdade e justiça social” explica Natalia.

A encenação de Sandra Corveloni propõe um encontro entre teatro e audiovisual tendo projeções sensitivas e trilha sonora original, criando um clima de sala de cinema, para falar da Revolução de Rojava ou Confederalismo Democrático do Norte da Síria. “Fóssil possui uma dramaturgia bastante profunda, com camadas de informações e sentimentos que aparecem à medida em que o texto avança. A montagem que é ao mesmo tempo teatral e cinematográfica, nos leva a refletir sobre questões como os direitos das mulheres, a democracia, as fronteiras e a arte“, comenta a diretora. 

Natalia Gonsales finaliza: “hoje é comum ouvir a população curda de Rojava e de outras regiões do Curdistão defender a vida sem um Estado. Os curdos lutam pela autonomia de seu povo e de outras etnias sem representatividade. Buscam a conscientização democrática, o direito à educação na língua nativa, o acesso ao sistema público de saúde, a proteção do meio ambiente e a liberdade de expressão. Uma política que se tornou referência libertária no mundo.

FACE

Fóssil

Com Natalia Gonsales e Nelson Baskerville

SESC Pompéia – Espaço Cênico (R. Clélia, 93 – Água Branca, São Paulo)

Duração 70 minutos

09/01 a 02/02

Quinta a Sábado – 21h30, Domingo – 18h30

$30 ($9 – credencial plena)

Classificação 14 anos

HÁ DIAS QUE NÃO MORRO

Depois do bem-sucedido Adeus, Palhaços Mortos (prêmios Shell de melhor cenário e Aplauso Brasil de melhores espetáculo de grupo e direção), a companhia Academia de Palhaços dá início a uma nova fase de pesquisa e passa a se chamar ultraVioleta_s. Para marcar essa transição, o grupo estreia Há Dias Que Não Morro no dia 3 de outubro no Espaço Cênico do Sesc Pompeia.

A peça teve uma pré-estreia em maio na Turquia e é a segunda parte da Trilogia da Morte, que teve início em 2016 com a estreia de Adeus, Palhaços Mortos. Agora a busca estética pela linguagem desenvolvida anteriormente se aprofunda e se mescla à criação de um texto original de Paloma Franca Amorim e a uma direção coletiva de Aline Olmos, José Roberto Jardim, Laíza Dantas e Paula Hemsi.

Inspirada na discussão sobre segurança e liberdade e na fricção dessa balança em foco na política atual, a encenação busca ampliar o debate sobre os aprisionamentos contemporâneos e corpos em paranoia. Em cena, estão três atrizes em um cubo-jardim feito para agradar. Elas acordam para seus dias sempre ensolarados, escutam sempre os mesmos pássaros, alegram-se com a mesma nuvem. As intérpretes viram figuras-bonecas exteriormente idênticas. O público acompanha dia após dia o decorrer dessas figuras. Suas falas partiturizadas e seus corpos estáticos passam por uma dimerização de tônus que deslocam seus estados diários.

A visualidade é toda pautada por cores vibrantes e formas graciosas, exacerbando um universo confortável das aparências, uma caixa instagramável, uma representação de armadilha moderna para aprisionamentos contemporâneos. Esse cubo-jardim é um desdobramento do premiado cenário de Adeus, Palhaços Mortos. Já a trilha sonora se instaura como um mantra e cai como uma âncora em alto-mar.

Hoje vivemos a ficção da realidade e essa obra exacerba a ficção. Numa época em que palavras são jogadas ao léu como se fossem desprovidas de peso e consequência, essa obra satura frases corriqueiras em repetições constantes para provocar movimento. Estamos enredados em um sistema inerte e cíclico e a dramaturgia em repetição intensifica essa sensação atual, distanciando o espectador para que ele se projete naquele cubo-jardim e criando nele uma espécie de olhar premonitório. O texto é mutilado ao longo de seu curso e ressignificado com suas próprias palavras em novos contextos.

Antes de entrar na sala de espetáculos, o espectador se depara com uma intervenção do lado de fora do Espaço Cênico. Na parede, um arco-íris luminoso, composto por luzes em movimento, envolve a porta de entrada e sua fachada. Deitado no chão, em frente à porta, está a figura de um palhaço. Sua roupa descaracteriza formas realistas de seu corpo – como braços ou pernas maiores do que o comum – e seu rosto está coberto por uma máscara. No chão, um piso brilhante reflete e enquadra a situação, cria uma outra dimensão do espaço, transformando-o em um loop de si mesmo. Quando a porta se abre, o público deve passar por cima do palhaço para adentrar a sala de espetáculo.

Essa obra-prólogo foi criada para desequilibrar o espectador antes do espetáculo. Uma espécie de introdução constituída pela surpresa diante de uma configuração absurda: um arco-íris, um ambiente feliz e o corpo real de um palhaço estendido no chão que problematiza a entrada do teatro. A intervenção configura-se como um convite para o mundo mágico e absurdo que o espetáculo explorará.

FACE

Há Dias Que Não Morro

Com Aline Olmos, Laíza Dantas e Paula Hemsi

Sesc Pompeia – Espaço Cênico (Rua Clélia, 93, Água Branca – São Paulo)

Duração 50 minutos

03 a 27/10

Quinta, Sexta e Sábado – 21h30, Domingo – 18h30

$30 ($9 – credencial plena)

Classificação 12 anos

AUTO DA COMPADECIDA

Após “Engenho de Dentro”, “ParaChicos” e “Francisco”, safra de trabalhos recentes do grupo, o Maria Cutia estreia seu novo espetáculo Auto da Compadecida de Ariano Suassuna, que celebra a primeira parceria com o diretor Gabriel Villela. Antes de estrear em Belo Horizonte, a companhia mineira se apresentou na Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto e no FIT Rio Preto – Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto – e chega a São Paulo para temporada no Sesc Pompeia, de 8 de agosto a 1º de setembro.

Inspirado na abordagem mítica brasileira do herói sem caráter, com suas vicissitudes morais, e no momento político-social atual do país, o Maria Cutia narra as aventuras picarescas de João Grilo e Chicó que começam com o enterro e o testamento do cachorro do Padeiro e de sua Mulher e acabam em uma epopeia milagrosa no sertão envolvendo o clero, o cangaço, Jesus, Maria e o Diabo.

Nessa versão de Auto da Compadecida, o grupo dialoga com a estética barroca de Gabriel Villela e traz para o texto de Suassuna pitadas brechtianas. Com tom irônico, o trabalho pode ser enquadrado no gênero cênico-musical-picaresco. O olhar político (sem didatismo ou partidarismo) do espetáculo, desprendido do enredo criado pelo célebre autor paraibano, traz outra camada para a obra de Ariano, revelando acontecimentos de um Brasil atual, a partir de personagens e situações que ganham acento ainda mais sarcástico do que os encontrados na dramaturgia original.

SINOPSE

As aventuras picarescas de João Grilo e Chicó que começam com o enterro e o testamento do cachorro do Padeiro e de sua Mulher, passando pelo gato que descome dinheiro, e acabam em uma epopeia milagrosa no sertão envolvendo o clero, o cangaço, Jesus, Maria e o Diabo.

FACE

Auto da Compadecida

Com Leonardo Rocha, Hugo da Silva, Mariana Arruda, Jimena Castiglioni, Dê Jota Torres, Malu Grossi, Marcelo Veronez, Polyana Horta,

Sesc Pompeia (Rua Clélia, 93, Pompeia – São Paulo)

Duração 80 minutos

08/08 até 01/09

Quinta, Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 18h

$40 ($10 – credencial plena)

Classificação Livre

FESTA DE INAUGURAÇÃO

Em 2011, durante uma manutenção no salão verde do Congresso Nacional que consistia em quebrar paredes para se descobrir as causas de um vazamento, foram encontradas frases escritas pelos operários responsáveis pela construção do prédio, inaugurado em 1960. As mensagens, que previam um futuro melhor para o país e a crença nas instituições democráticas do Brasil, foram lidas pelos integrantes da companhia brasiliense Teatro do Concreto como uma das inúmeras narrativas criadas ao longo do tempo que só são reveladas a partir de um processo de destruição. Com dramaturgia de João Turchi e direção de Francis Wilker, o espetáculo Festa de Inauguração estreia dia 30 de maio, quinta-feira, 21h30, no Sesc Pompeia.

Construída sem tomar como base a noção de personagens ou de começo-meio-fim, Festa de Inauguração tem uma dramaturgia tecida a partir das falas e narrativas que não são reveladas espontaneamente, mas sim através da destruição. “Notamos que no percurso da humanidade, nas artes e nas trajetórias pessoais, existem narrativas soterradas que precisam vir à tona e, normalmente, esse processo acontece por meio da destruição”, diz Francis Wilker, diretor da montagem.

Para Wilker, o gesto de destruir ganha novas camadas e pode ser lido como uma metáfora para desmontes de políticas públicas, silenciamento de grupos minoritários, revisionismos históricos e reflexão sobre a história da arte. Esse ponto de partida foi endossado por uma série de seminários promovidos pela companhia que reuniu sociólogos, arquitetos, artistas visuais, rappers e dramaturgos para dialogarem sobre a possibilidade de se “ler” a cidade como um livro.

Nos dedicamos a pensar na cidade como algo repleto de textos que precisam ser lidos, de discursos que precisam vir à tona”, diz o diretor, ressaltando que essa pesquisa fez com que Festa de Inauguração não fosse uma peça que falasse pelos operários ou sobre o processo de construção de Brasília, mas sim que esses fossem os elementos disparadores de uma série de reflexões sobre o ato de destruir e reconstruir – ciclo constante na humanidade.

João Turchi, artista goiano que reside em São Paulo, apesar de já ter trabalhado com Francis Wilker, escreve pela primeira para o Teatro de Concreto. Na construção dramatúrgica, Turchi decidiu dar luz à questão da história como algo que sempre foi manipulado pelo homem. “Esses textos encontrados em Brasília apontavam uma possibilidade de futuro pensada por esses trabalhadores – podemos associar essas imagens às inscrições rupestres de uma caverna, por exemplo. O que esses registros têm a nos dizer nos dias de hoje? Como contar isso a outro? Quais são as possíveis narrativas que existem aí?”, questiona.

A partir dessa provocação e das características que já são comuns ao grupo, como uma relação direta com a plateia e criação de peças que não se resumem a um só espaço cênico, Festa de Inauguração começa nas imediações do Sesc Pompeia. Dessa forma, a peça cria as metáforas a partir de um olhar arqueológico, onde o fim representa a continuidade de um ciclo que irá gerar novas leituras sobre o que foi destruído.

Sobre a experiência de dar a largada na primeira temporada em São Paulo, Francis Wilker espera trazer para a cidade as marcas que mais consagram a história do Teatro do Concreto, como a relação com o espaço alternativo e sua conexão com a cidade. “Brasília é uma cidade urbana, onde há muito concreto, e nosso grupo nasce sob essa égide”, conta. O diretor também destaca o fato de a companhia sempre trabalhar a partir de textos inéditos e das montagens dialogarem com a performance e não com um modelo tradicional de teatro.

Festa de Inauguração tem ainda cenário e figurino assinados por André Cortez, luz de Guilherme Bonfanti, do Teatro da Vertigem; e elenco composto por Gleide Firmino, Micheli Santini, Adilson Diaz e Diego Borges.

FACE.png

Festa de Inauguração

Com Gleide Firmino, Micheli Santini, Adilson Diaz, Diego Borges

SESC Pompéia – Espaço Cênico (R. Clélia, 93 – Água Branca, São Paulo)

Duração 80 minutos

30/05 até 23/06

Quinta, Sexta e Sábado – 21h30, Domingo e Feriado – 18h30

$20 ($6 – credencial plena)

Classificação 18 anos

RODA VIVA

No ano em que completam seus 60 anos de existência, o Teatro Oficina comemora com a apresentação de um clássico da dramaturgia brasileira, “Roda Viva“, de Chico Buarque de Holanda.

Escrita no final de 1967, estreou no Rio de Janeiro no início de 1968, sob a direção de José Celso Martinez Corrêa, tendo no elenco Marieta Severo, Heleno PrestesAntônio Pedro, nos papéis principais na primeira temporada e foi um sucesso. A peça foi a primeira incursão de Chico Buarque na área da dramaturgia.

ensaio da peça “Roda Viva”, com o autor presente.

Durante a segunda temporada, com Marília PêraAndré Valli e Rodrigo Santiago substituindo o elenco original, a obra virou um símbolo da resistência contra a ditadura militar. Um grupo de cerca de vinte pessoas do Comando de Caça aos Comunistas (CCC), invadiu o Teatro Ruth Escobar, em São Paulo, espancou os artistas e depredou o cenário.

Após o revés na capital paulista, o espetáculo voltou a ser encenado, desta vez em Porto Alegre. No entanto, os atores da peça voltaram a ser vítimas da violência e intransigência do CCC e, após este segundo incidente, o Roda Viva deixou de ser encenada.

A dramaturgia fala sobre a ascensão e queda de Benedito Silva, cantor e compositor de sucesso inventado e fabricado pela mídia. A trama se desenvolve pelas intervenções do Anjo da Guarda e do Capeta, que fazem do tolo e ambicioso Benedito o cantor de grande sucesso popular Ben Silver. Mas sua genialidade fabricada é ininterruptamente monitorada e redirigida a cada vez que se pressentem baixos índices de popularidade.

Agora, o SESC Pompéia apresenta a nova montagem de “Roda Viva”, 50 anos após a sua estreia e com a autorização de Chico Buarque, entre os dias 06 a 09 de dezembro. Depois, a partir de 23 de dezembro até 10 de fevereiro, a peça será encenada no Teatro Oficina.

No vídeo abaixo, Chico fala sobre a peça e a repercussão causada.

Roda Viva

Com Camila Mota, Roderick Himeros, Joana Medeiros, Guilherme Calzavara, Marcelo Drummond, Sylvia Prado, Isabela Mariotto, Clarisse Johansson, Kael Studart, Nash Laila, Lucas Andrade, Tulio Starling, Tony Reis, Danielle Rosa, Fernanda Taddei, Carol Castanho, Cyro Morais, Kelly Campello,Cafira Zoé, Marcelo Dalourzi, Marcella Maia, Mayara Baptista, Nolram Rocha, Viviane Clara, Zé Ed

Duração não informada

Classificação não informada

Sesc Pompéia (R. Clélia, 93 – Água Branca, São Paulo)

06 a 09 de dezembro

Quinta, Sexta e Sábado – 20h, Domingo – 18h

$50 ($15 – credencial plena)

Teatro Oficina (Rua Jaceguai, 520 – Bixiga, São Paulo)

23, 25, 28, 29, 30, 31/12; 04/01 até 10/02/19

Sexta, Sábado – 20h, Domingo – 19h

$ (ainda não informado)

MEIA-MEIA

A busca pelo poder e o lado mais mesquinho e sórdido do ser humano são motes de MEIA-MEIA, texto livremente inspirado no romance O anão (1944), do sueco Pär Lagerkvist (vencedor Prêmio Nobel de Literatura em 1951). Com direção de Juliana Jardim e Georgette Fadel, o espetáculo estreia no dia 19 de outubro no Sesc Pompeia, e segue em cartaz até 11 de novembro.

Este é o primeiro monólogo de Luís Mármora, que também foi idealizador da montagem. “O espetáculo nasceu de um convite meu para o Vadim Nikitin. Eu queria fazer um monólogo que tivesse a política como temática central. Não queria um personagem que fosse a representação do poder, mas que desfrutasse dele, bebesse dos privilégios. E o Vadim lembrou dessa obra que é praticamente desconhecida no Brasil, teve uma única edição em 1970. Embora tenha sido escrito em plena 2ª Guerra Mundial, em alguns trechos do romance dá quase para dizer que é uma ficção para a teoria de Maquiavel, sobre como ele descreve as possíveis tomadas de poder”, comenta o ator.

Ainda que ambientada em época indefinida, leitor e espectador podem deduzir que o texto se passa numa possível Renascença, por desdobradas sugestões de relações entre arte e guerra, por exemplo. A trama apresenta um anão inescrupuloso e manipulador que aparece indissociável de seu Printz, quase como um prolongamento seu. Acompanha o Printz em uma guerra, que MEIA-MEIA tem como a potência máxima de vida, “uma experiência maravilhosa” que lhe traz a suprema felicidade.

O anão tem uma potência muito destrutiva. Claro que o apelo teatral faz com que tonemos a figura dele de modo ainda mais sedutor do que no romance. E o humor vem sempre pela inversão de tudo o que seria uma demonstração de amor. Então, ele diz coisas do tipo ‘como o amor é uma coisa repugnante’, ‘como é desprezível a mão de uma criança’”, diz Mármora.

A ideia é justamente explicitar como esse tipo de comportamento desprezível também faz parte do ser humano. “Ele expõe o que há de mais sombrio na força humana, que é uma coisa com a qual temos nos deparado cada dia mais nas relações político-sociais. As relações se tornam cada vez mais explicitamente violentas e dominadas pelo ódio. Ele vem para questionar como lidamos/domamos isso”, revela.

Além das obras de Pär Lagerkvist e Nicolau Maquiavel (1469-1527), a pesquisa que gerou a encenação tem como referência o trabalho dos pintores espanhóis Diego Velázquez (1599-1660) e Francisco de Goya (1746-1828); o filme “Os Anões Também Começaram Pequenos”, do cineasta alemão Werner Herzog; e o conceito de materialismo histórico do filósofo alemão Walter Benjamin (1982-1940).

CARMEN (1).png

Meia-Meia

Com Luís Mármora

SESC Pompéia – Espaço Cênico (R. Clélia, 93 – Água Branca, São Paulo)

Duração 70 minutos

19/10 até 11/11

Quinta, Sexta e Sábado – 21h30, Domingo e Feriado – 18h30

$20 ($6 – credencial plena)

Classificação: 16 anos

PEQUENA LADAINHA ANTI–DRAMÁTICA PARA A REUNIÃO DE EMERGÊNCIA DOS CATEDRÁTICOS DO INSTITUTO FEITOSA BULHÕES A EXCELÊNCIA DO ENSINO EM MAIS DE CINCO DÉCADAS DE FUNCIONAMENTO

O espetáculo se inicia com três senhoras, que são membros titulares do corpo administrativo do Instituto Feitosa Bulhões, em um encontro de emergência com o professor Adalberto Prachedes, que acaba de ser acusado formalmente pela secretaria de educação do município, por comportamento inadequado em sala de aula. Seu erro, aparentemente, fora tamborilar os dedos inadvertidamente nas costas da aluna Ludmilla Stefanno em uma inspeção de rotina durante uma prova semestral.

A Dra Neusa, a diretora do Instituto Feitosa Bulhões, Dona Soraia,  secretária pedagógica e Dona Eneida, auxiliar para assuntos administrativos, se reúnem ao redor da grande mesa com o referido acusado para tratar das razões que levaram a situação àquele limite.

O ponto de partida é a incapacidade de fugirmos às repetições como princípio das investidas humanas. Palavras e gestos encrencam mutuamente numa espiral de células rítmicas e sonoras bastante emblemáticas de uma encruzilhada que é típica do nosso tempo: a velocidade da informação em parceria com uma sensação de vazio gerada justamente pelo aceleramento do tempo e do espaço”, descreve Chico Carvalho.

Como resultado, as ideias também naufragam. É um cenário Beckettiano com pitadas de Kafka e Thomas Bernhard, todos poetas que escancaram a difícil tarefa que é movimentar-se em um contexto pegajoso de regras, burocracias, retóricas e asfixiamentos variados.

Sobre a encenação

O cenário da ação, criado por Júlia Armentano e Maíra Benedetto, é, essencialmente, uma grande mesa, objeto que, já de início, nos incita à tarefa de tagarelar em parceria com outros, todos devidamente sentados em cadeiras igualmente aprisionadoras de qualquer espírito adepto de alguma liberdade.  A luz e o som, ao invés de pontuar ou sublinhar o que as palavras dos atores ecoam, agem como interferências decisivas no andamento dos diálogos, ora direcionando a ação para determinado lado, ora interrompendo o fluxo ininterrupto de verbos trocados.

Os figurinos de Marichilene Artisevskis sugerem um atraso no tempo, uma sensação de emboloramento da vida que insiste em tropeçar e nunca empreender avanço. Se houvesse uma cor que tingisse uma película entre palco e plateia, seria a sépia. Há qualquer coisa de cansaço misturado ao desejo de resolver os problemas apresentados pelo mundo.

A contradição é justamente essa: de um lado um tédio monumental, do outro uma prontidão absoluta para dançar a música.

A tentativa de comunicação com a plateia é uma empreitada de semelhante ousadia, afinal de contas, nessa altura do campeonato, será que há alguma coisa importante a ser transmitida ou compartilhada? Qual é o papel do teatro dentro desse contexto premente de esquizofrenias? O palco aparece não como solução de nada, senão como espelho do gigantesco descompasso rítmico a que chegamos, seja para impedir-nos de organizar ideias, ou mesmo para fazer delas uma chama potente de algo ainda sem direção definida.” Completa o diretor.

Voltado para um público a partir de 12 anos, o espetáculo Pequena Ladainha Anti-Dramática para a reunião de emergência dos catedráticos do Instituto Feitosa Bulhões, a excelência do ensino em mais de cinco décadas de funcionamento dialoga com todos os interessados independente de gênero, classe social, perfil cultural, formação e hábitos.

SINOPSE

O corpo administrativo do Instituto Feitosa Bulhões convoca um encontro de emergência com o professor Adalberto Prachedes que acaba de ser acusado formalmente pela Secretaria de Ensino do município por comportamento inadequado em sala de aula. Seu erro, aparentemente, fora tamborilar os dedos inadvertidamente nas costas da aluna Ludmilla Stefanno durante uma inspeção de rotina durante uma prova semestral.  Dra Neusa, diretora do Educandário Feitosa Bulhões, Dona Soraia, secretária pedagógica e Dona Eneida, auxiliar para assuntos administrativos, se reúnem ao redor da grande mesa com o referido acusado para tratar das razões que levaram a situação daquele limite.

CARMEN (6)

PEQUENA LADAINHA ANTI–DRAMÁTICA PARA A REUNIÃO DE EMERGÊNCIA DOS CATEDRÁTICOS DO INSTITUTO FEITOSA BULHÕES A EXCELÊNCIA DO ENSINO EM MAIS DE CINCO DÉCADAS DE FUNCIONAMENTO

Com Ana Junqueira, André Hendges, Dani Theller e Sarah Moreira

Sesc Pompéia – Espaço Cênico (R. Clélia, 93 – Água Branca, São Paulo)

Duração 60 minutos

13/09 até 06/10

Quinta, Sexta, Sábado – 21h3, Domingo e Feriado – 18h30

$20

Classificação 16 anos