PICHE

Esmiuçar a violência urbana e o discurso de ódio, hoje, em ascensão nos grandes centros de todo o mundo, é o objetivo da Cia do Caminho Velho com a estreia de sua mais nova montagem. PICHE, que comemora os 10 anos do grupo, chega ao palco da SP Escola de Teatro no dia 11 de novembro, sábado, às 21 horas.

Com texto e direção de Alex Araújo, o espetáculo traz no elenco os atores Carlos Marques e Daiane Sousa, que se revezam nas 16 figuras presentes na dramaturgia do diretor. PICHE é resultado de um intenso processo de formação dos atores pesquisadores, que se debruçaram por três anos em treinamentos e debates a partir da pesquisa do grupo sobre violência.

Em PICHE um jovem de periferia é capturado por dois policiais milicianos que o torturam barbaramente. Cortam sua carne, escalpelam seu corpo, e desferem inúmeros murros e chutes contra ele, mas de modo inexplicável ele não morre. O caso acaba por comover uma multidão descontrolada que vai as ruas interceder pelo garoto, o que, por sua vez, gera o interesse de políticos e de um líder religioso.

Para o diretor e dramaturgo Alex Araújo, o espetáculo fala sobre indiferença, intolerância e a incapacidade de um sujeito suportar o outro. “A peça investiga como surge a vontade sádica de um sujeito querer tomar posse do corpo do outro. Como é que surge essa ânsia por dominação? O estupro, a tortura, as regras desmedidas da religião e dos bons costumes e a neurose do homem de bem. Aquilo que se exacerba transbordando os limites do aceitável, do inimaginável”, conta ele.

Continuidade da pesquisa

Em 2015, a Cia do Caminho Velho estreou, com dramaturgia de Dione Carlos e dentro do projeto Teatro Mínimo do Sesc Ipiranga, a peça Bonita. A montagem revisitou o mais famoso bando de cangaceiros do Brasil, sob o ponto de vista de uma mulher: Maria Bonita, vivida por Carolina Erschfeld.

A pesquisa dos atores que performam com a iluminação, cenário e figurino, iniciada em Bonita, tem continuidade em PICHE, mas agora construindo um território urbano. A pesquisa e montagem da peça se deu no bairro dos Pimentas, em Guarulhos, onde o grupo desempenha papel social e pedagógico através do teatro para além dos muros da universidade.  Em 2018, o espetáculo estreará também em Guarulhos, no Teatro Adamastor Pimentas.

Em Bonita descobrimos uma forma de guiar a nossa pesquisa em que a encenação e todos os seus elementos como cenário, figurino e iluminação são pautados pela sensibilidade do ator. Nossa iluminação, por exemplo, tomou outra importância quando os atores ficaram livres para manuseá-la, deslocá-la ou esconde-la fazendo surgir sombras”, explica Alex.

Ciclo de conversas

A Cia. do Caminho Velho há dez anos se dedica a prática teatral, através da investigação de novas formas dramatúrgicas, da pesquisa em busca de um ator sensível, singular e autônomo, e do empenho em oferecer gratuitamente cursos, debates, e experimentações voltadas ao teatro.

Para a temporada de PICHE, na SP Escola de Teatro, o coletivo propõe um ciclo de conversas sobre dramaturgia e violência com participação de autoras e diretoras da cena teatral paulista. Os encontros acontecem aos domingos após a apresentação do espetáculo. Entre os convidados estão: Marici Salomão (12 de novembro), Dione Carlos (19 de novembro), Maria Shu (26 de novembro) e Michelle Ferreira (3 de dezembro).

 

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Piche
Com Carlos Marques e Daiane Sousa
SP Escola de Teatro (Praça Franklin Roosevelt, 210 – Consolação, São Paulo)
Duração 50 minutos
11/11 até 11/12
Sábado – 21h, Domingo -20h, Segunda – 21h
$20
Classificação 16 anos

O ORGULHO DA RUA PARNELL

A violência contra a mulher é o mote do projeto idealizado por Darson Ribeiro, que realiza residência artística na SP Escola de Teatro, em setembro, com temporada do espetáculo e uma série de encontros com convidados especiais para discutir o tema. São eles: Henrique Fogaça, Sérgio Roveri, Paulo Betti, Eloisa Vitz, Aimar Labaki, Malcolm Montgomer, Kátia Boulos, Luana Piovani e Carla Boin.
Depois da primeira temporada, em janeiro, quando foi realizado dentro do Antiquário Verniz, O Orgulho da Rua Parnell, de Sebastian Barry, reestreia no dia 2 de setembro (sábado, às 21h) na SP Escola de Teatro. Esta primeira montagem brasileira tem tradução e direção assinadas por Darson Ribeiro.
A peça é uma compilação de monólogos interconectados – interpretados por Alexandre Tigano e Claudiane Carvalho – onde um casal relata minuciosamente o resultado caótico de uma relação de amor que foi ceifada por um ato medonho de violência por parte do marido. A encenação tem ainda participação especial do garoto Enrico Bezerra – de 10 anos – que abre a peça interpretando uma canção.
O Orgulho da Rua Parnell narra 10 anos dessa complicada e também bela história de amor. Em movimentos delicados – quase paralisados – as personagens descrevem entre lágrimas, risos, tesão e orgulho tudo o que os levou à situação atual. São lembranças pesadas e até insanas, mas permeadas de um amor sem igual. A peça revela o grau de perigo, quase sempre perniciosamente velado, que existe na paixão e o estrago que isso pode provocar, caso esse sentimento seja sublimado ou potencializado em substituição às vontades próprias, fazendo do egoísmo uma arma fatal.
Na obra de Barry as limitações e o controle das emoções vêm no formato de prosa, ao mesmo tempo áspera e macia. Joe Brady é um ladrãozinho insignificante que tem o apelido de “homem-meio-dia”. Ele e sua esposa Janet vivem na periferia de Dublin, na Irlanda, e apesar da vida marginalizada mantêm orgulho de seu lifestyle, como ocorre com a maioria das personagens de Sebastian Barry.
No enredo, a derrota que marcou a desmoralizante desclassificação da Irlanda na Copa do Mundo de 1990, na Itália, cobrou seu preço. E parece que para o casal Joe e Janet a cobrança veio com juros altíssimos. O déficit desses dois foi maior do que o da seleção naquela noite. Alguns anos se passaram e agora eles revelam a intimidade de um amor eterno, mas também a ruptura desastrosa do casamento.
É um início de relação pobre, mas feliz. Ela, mãe aos 16 anos, sofre para criar os três filhos. Ele, apelidado de “midday man”, vive à sombra e água fresca, roubando carros. Eles vão se aturando até que o primogênito Billy morre atropelado por um caminhão de cerveja. Este é talvez o início do fim, não só da relação, mas até mesmo do amor pela Irlanda. Será? Ao voltar para casa, após a quarta de final dos jogos, Joe quase mata a esposa, espancando-a. Desfacelada, ela foge para um abrigo de mulheres, levando as crianças. Apesar da ausência do marido – e pai – ela vai reconstruindo sua vida, enquanto ele se afunda na heroína, nas prisões e sofre com a AIDS.
Segundo o diretor Darson Ribeiro, “O Orgulho Da Rua Parnell se encaixa perfeitamente no contexto teórico e estético de montagens realizadas por ele, como a recente Os Guarda-Chuvas, que discutia a degradação da família culminada com a morte da esposa e mãe, interpretada por Maria Fernanda Cândido”. Ele argumenta que a peça de Barry traz a simplicidade como aliada, respeitando o não naturalismo indicado pelo autor, principalmente na relação interpretativa dos atores. E a direção, então, se apropria da precisão para contar essa trágica história de amor, brincando com o imagético e criando camadas no arquétipo das personagens. “A história é narrada como se ‘esfregássemos’ as situações na cara do espectador”, comenta.
Sobre o tema “violência contra a mulher”, o diretor ressalta os altos índices e o número de prisões e de mortes que vêm aumentando em vários países, incluindo o Brasil, culminando no dilaceramento familiar. “A sociedade dá pouca atenção para o fato. O teatro tem a função de alertá-la. Desta forma, o Conselho Estadual de Defesa da Mulher, por meio de sua Presidente Rosmary Correa foi o primeiro a credenciar esse projeto”, comenta Darson.
Vivemos numa época em que cada vez mais o homem, ainda que inconscientemente, vem tentando contar com seus sentidos. É nesse estado que ele, paradoxalmente, provoca em si atitudes que ultrapassam limites da consciência. Só depois, já com o ato consumado, é que busca a qualquer custo se livrar das armadilhas de seu próprio desejo. Assim, empenha-se desmedidamente em valorizar o que era simples, belo e eficaz: o viver… Quase numa espécie de sublimação”,

Encontros: Série de encontros com convidados especiais, mediados pelo diretor Darson Ribeiro e pela advogada especialista em Justiça Restaurativa Dra. Carla Boin. São quatro encontros que ocorrem logo após as sessões das segundas-feiras:

4/9 – Henrique Fogaça e Sérgio Roveri

11/9 – Paulo Betti e Eloisa Vitz

18/9 – Aimar Labaki e Malcolm Montgomery

25/9 – Kátia Boulos e Luana Piovani

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O Orgulho da Rua Parnell
Com Alexandre Tigano e Claudiane Carvalho e participação especial de Enrico Bezerra
SP Escola de Teatro – Sala R8 (Praça Franklin Roosevelt, 210. Consolação, São Paulo)
Duração 75 minutos
02 a 25/09
Sábado – 21h, Domingo – 19h, Segunda – 20h
$40
Classificação 12 anos

OS ATINGIDOS OU TODA COISA QUE VIVE É UM RELÂMPAGO

Com uma linguagem que permeia a relação entre teatro e cinema, a Ordinária Companhia traz os questionamentos que envolvem o impacto da maior tragédia ambiental no Brasil em Mariana (MG) com novo espetáculo. 

Os Atingidos ou Toda Coisa que Vive é um Relâmpago estreia sábado, 8 de julho, às 21h, na SP Escola de Teatro. A direção e dramaturgia é de José Fernando Peixoto de Azevedo e a temporada vai até 30 de julho com sessões sábados, às 21h, domingos, às 20h, e segundas, às 21h. 

Na trama, uma moradora da cidade atingida interroga: isso aí foi o quê, uma tragédia, um acidente, um desastre, ou um crime? A pergunta nos devolve ao campo próprio de uma disputa pela vida: aqueles que foram atingidos pela lama reclamam precisamente a sua condição própria, a de atingidos em meio ao processo de destruição. 

A peça procurou usar como propulsores para a construção os desdobramentos e os antecedentes da tragédia. Desde o histórico da rota do ouro e de minérios, além de deslizamentos menores que causaram morte ainda nos anos 80 nessa longínqua exploração da região. 

Durante a pesquisa, o grupo foi a cidade de Mariana e nos pequenos distritos em busca de contato direto com os que sofreram e ainda sofrem com o rompimento da barragem. O encontro trouxe a oportunidade de ver de perto todas as camadas que envolvem a tragédia desde os aspectos sociais, econômicos e ambientais, além das rupturas e discriminações que se tornaram a vida dos atingidos. As pessoas foram pulverizadas e classificadas de acordo com a lama que sujou suas vidas na tragédia. 

Todos esses elementos foram utilizados de maneira ficcional para criar uma montagem que constrói no palco uma espécie de filme ao vivo calcado pelo suspense. Uma linguagem que permeia o teatro e o cinema, característica que já foi trabalhada no espetáculo Zucco do grupo. 

Em cena, a situação é a de um “estúdio”, ao menos em dois sentidos simultâneos, justapostos: estúdio de gravação (atores e técnicos que, diante do público, gravam e editam materiais que são projetados, e este trabalho é também cena), mas também espaço de estudo da cena (atores atuam suas figuras em situação, diante do público). 

O resultado é um teatro-filme com um deslizamento entre os pontos de vista e perspectivas. Durante a pesquisa, filme de Alfred Hitchcock, David Lynch e o recente Corra!, de Jordan Peele, serviram para absorver os artifícios de suspense inseridos na encenação. 

A Ordinária Companhia surgiu em 2013, resultando do percurso de uma turma de alunos da Escola de Arte Dramática, a EAD, da ECA-USP, que naquele ano estreia seu trabalho de conclusão de curso, ZUCCO, uma adaptação do texto de Bernard Marie-Koltès, dirigida pelo também professor da Escola, José Fernando de Azevedo. O espetáculo fez temporadas em São Paulo – na EAD (2013), no TUSP e no CIT-ECUM (2014) – e o grupo foi indicado ao Prêmio Cooperativa Paulista de Teatro (2014), na categoria revelação.

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Os Atingidos ou Toda Coisa que Vive é um Relâmpago
Com Áurea Maranhão, Conrado Caputo, Juliana Belmonte, Paulo Balistrieri e Rafael Lozano
SP Escola de Teatro (Praça Franklin Roosevelt, 210 – Consolação, São Paulo)
Duração 90 minutos
08 a 30/07
Sábado – 21h; Domingo – 20h; Segunda – 21h
$20
Classificação 14 anos

GAVIÃO DE DUAS CABEÇAS

O espetáculo “Gavião de duas cabeças”, solo idealizado e atuado por Andreia Duarte com direção de Juliana Pautilla, faz apresentação com preço popular nesse sábado e domingo (dia da Virada Cultural – 20 e 21 de maio) no valor de R$15.00. A peça está em cartaz na SP Escola de Teatro (Praça Roosevelt).
A peça traz elementos de uma teatralidade contemporânea, unindo performance e teatro, inspirada em um mito que conta a história do gavião de duas cabeças – um pássaro que devora o espírito indígena e sobrevive mesmo depois da morte do corpo. O mito – que é usado como metáfora de um pensamento hegemônico – norteia a montagem do espetáculo em que a atriz empresta seu corpo como um documento oral-visual de resistência poética. Em cena, figuras opostas aparecem: uma representante do agronegócio, uma mulher indígena e a atriz questionando a sua própria experiência.
O público é chamado a ver e ouvir um genocídio validado por discursos dominantes e por leis que infringem os direitos. A dramaturgia traz um olhar sobre o índio, em seu lugar de singularidade no cenário político atual. Os discursos trabalhados são reais, atuais e sociais que permeiam esse universo no Brasil. De um lado o discurso ruralista e da mercadoria, contra a demarcação das terras para os índios, em favor da PEC 215 (PEC que retira o poder da FUNAI de realizar as demarcaçõ​es, passando este poder​ ​para o legislativo), de outro lado o indígena defendendo a ​sua sobrevivência, ​logo a natureza e as suas origens. E ainda o discurso da atriz que viveu ambos os contextos, o urbano e o indígena, se inserindo na complexidade dessa alteridade.
A partir da voz da atriz, que teve uma experiência real e profunda na aldeia, com os índios Kamayura do alto Xingu, há uma percepção do público de como ser possível nos colocarmos no lugar do outro. A dramaturgia opta por um olhar atual sobre o índio, em seu lugar humano, político, escapando da imagem do pitoresco e do exótico.
Sinopse
O mito do gavião de duas cabeças – um pássaro que devora o espírito indígena, que sobrevive mesmo depois da morte do corpo, norteia a montagem do espetáculo Gavião de Duas Cabeças. A partir dessa imagem de morte e genocídio, a peça costura discursos atuais a partir da experiência pessoal da atriz. Os discursos encenados são reais e permeiam a atual realidade política e social brasileira: de um lado o discurso ruralista, de outro o indígena e ainda o da atriz que viveu em ambos os contextos, o urbano e o indígena.

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Ficha Técnica
Idealização e Atuação: Andreia Duarte. Direção e Preparação Corporal: Juliana Pautilla. Dramaturgia e cenografia: Andreia Duarte e Juliana Pautilla. Criação de Luz: Ronei Novais. Trilha Sonora: Carlinhos Ferreira. Criação de Vídeos: Natália Machiavelli.  Direção de Arte e Produção de Arte: Alice Stamato. Fotografia: Fernanda Procópio. Operação de som, luz e vídeo: Bruno Carneiro. Criação gráfica e teasers: Daniel Carneiro. Registro em Vídeo: Daniel Carneiro, Robson Timóteo ​ e Anderson Chocks​. Assessoria de imprensa: Willian Rafael.

FADOS E OUTROS AFINS

 

A atriz e bailarina Mariana Muniz, após uma temporada de sucesso do espetáculo D’Existir, volta aos palcos no dia 11 de março com seu novo projeto “Fados e Outros Afins”, na SP Escola de Teatro.

Para essa nova empreitada, Mariana Muniz fez uma imersão em suas origens de brasileira e nordestina, numa dramaturgia, concebida a partir de seu corpo, como uma viagem poética de Lisboa a Recife, sob a direção de Maria Thaís, em um encontro de duas mulheres referências no Teatro e na Dança.

Na criação e composição do solo “Fados e Outros Afins”, Maria Thaís e Mariana Muniz exploram o hibridismo de linguagens artísticas da dança e do teatro, que servem à ampliação dos limites das conexões entre questões cênicas, coreográficas, dramatúrgicas, visuais e performáticas.

Assim como em trabalhos anteriores, em “Fados e Outros Afins”, Mariana Muniz dá continuidade ao processo de investigação das relações entre o pensamento e corpo | gesto, em dança e teatro.

A dramaturgia do espetáculo é tratada como uma teia que engloba as ações físicas da atriz-bailarina (como o texto se torna corpo), suas ações vocais (musicalidade no texto e com o texto; a palavra como música e concretização da voz no espaço), cenografia, iluminação, figurino e a relação entre eles.

O projeto “Fados e Outros Afins” tem o apoio do XX Edital do Fomento à Dança para a cidade de São Paulo e conta ainda com um programa educativo inovador, que visa a formação de público para dança, além da capacitação de novos profissionais, na tentativa de aproximar e estabelecer novos diálogos entre o público e a obra artística.

As ações principais desse núcleo educativo são: a realização de uma palestra sobre a história do fado e suas relações com o Brasil; o grupo de estudos com 12 aprendizes, e a produção de uma webserie que divulga as ações do projeto e desvenda os bastidores da criação do espetáculo.

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Fados e Outros Afins
Com Mariana Muniz
SP Escola de Teatro – Sala R1 (Praça Franklin Roosevelt, 210, Centro)
Duração 50 minutos
11 até 26/03
Sábado – 21h; Domingo – 19h e Segunda – 21h
$15
Classificação livre
 
Direção geral, Criadora-Intérprete e orientadora do Grupo de Estudos: Mariana Muniz
Direção Artística: Maria Thaís
Assistente de Direção, Cenografia e Fotos: Cláudio Gimenez
Coordenação pedagógica do Grupo de Estudos: Cynthia Domenico
Dramaturgia: Murilo de Paula e Carlos Avelino de Arruda Camargo
Trilha sonora: Divanir Gattamorta
Figurinista: Chris Aizner
Desenho de luz: Aline Santini
Cenografia: Julio Dojcsar e Rogério Santos
Operação som: Luciano Renan
Registro em vídeo/webserie: Marcos Yoshi
Assessoria de Imprensa: Fabio Camara
Designer: Fabio Borges
Coordenação de Produção: Natália Gresenberg e Talita Bretas  – Ação Cênica Produções Artísticas
Assistente de Produção: Rafael Petri
Aprendizes: Ana Mesquita, Barbara da Silva Borges, Camille de Oliveira Nascimento, Fernando Castanho de Almeida Pernambuco, Gabriela Lorrayne Araujo Santos, Giovanna Santos Guadanholi, Gustavo Fataki Silva Oliveira, Juliana Celentano Rocha, Livia Baena dos Santos, Luciano Renan Santos Antunes e Nicholas Belem Leite

 

LOS TRAIDORES: EL SOL DEL NUEVO MUNDO

A Cia. Opsis questiona o modelo sócio-político-econômico vigente na América do Sul no musical “Los Traidores: El Sol del Nuevo Mundo”, que estreia na SP Escola de Teatro dia 11 de fevereiro. Com direção e concepção de Cadu Witter, a peça se passa em um povoado perdido nesse continente, onde a população é oprimida por um líder político ditatorial.

À espera de um milagre que resolva todos os seus problemas, o povo deposita todas as suas esperanças nas mãos de um Justiceiro, que nunca pensou em liderar ninguém.

O elenco é formado por Bruno Gasparotto, Dom Hilarós, Lilian Prado, Luciana Pandolfo, Luiz Altiéri, Manu Pestana, Murilo Rocha, Patrícia Barbosa, Selma Paiva, Thais Cabral e Thais Galter. Já Gustavo Macedo assina a trilha sonora original e Daniel Roda a dramaturgia do musical.

A trupe foi criada a partir de uma reunião de atores já profissionais, aprendizes da SP Escola de Teatro e alunos do CAC/USP (Departamento de Artes Cênicas da USP). Sua missão é criar um teatro musical original brasileiro – e não uma cópia de fórmulas prontas norte-americanas.

Los Traidores: El Sol del Nuevo Mundo
Com Bruno Gasparotto, Dom Hilarós, Lilian Prado, Luciana Pandolfo, Luiz Altiéri, Manu Pestana, Murilo Rocha, Patrícia Barbosa, Selma Paiva, Thais Cabral e Thais Galter
SP Escola de Teatro – Sala R1 (Praça Franklin Roosevelt, 210 – Consolação, São Paulo)
11/02 até 06/03
Sábado – 21h; Domingo – 19h; Segunda – 21h
$30
Classificação 12 anos
Dramaturgia: Daniel Roda e Cadu Witter
Músicas: Gustavo Macedo
Direção: Cadu WItter
Direção Musical: Gustavo macedo e Charles Yuri
Coreografias e Direção de Movimento: Elizabeth Pelegrini, Luiz Rodrigues e Cadu Witter
Assistente de Direção: Luiz Rodrigues
Dramaturgismo: Zuca Zenker
Cenografia: César Bento
Iluminação: Marcela Katzin
Figurinos: Peter Dias e Hazuk Perez
Produção: Bruna Botelho, Thaís Galter e Cadu Witter
Assistente de Produção: Denise Verreschi

PSICOTRÓPICO

O espetáculo Psicotrópico pega emprestado da ciência o termo “psicotrópico” (dado às substâncias que agem no sistema nervoso central, com efeitos alucinógenos ou estimulantes que modificam nossa percepção de mundo) e conta, por meio de diferentes narrativas, a história de uma impossível volta para casa. Depois da temporada de sucesso no SESC Ipiranga, a reestreia acontece no dia 19 de novembro na SP Escola de Teatro.

Um imigrante que precisa retornar. Um artista perdido na floresta. Uma mulher que deve estar morta até o final da peça. A voz de uma criança que faz perguntas difíceis. Um ator, um atraso, uma viagem.

A palavra, uma vez separada nos dois termos (psyché e trópico), pode assumir novos significados diversamente sugestivos. Psyché, como alma e respiro, palavra antiga que dificilmente pode encontrar sua definitiva tradução moderna; e Trópico, etimologicamente “relativo a uma volta”, aqui pensada não somente como área geográfica e climática, mas também como lugar político, social e cultural.

Com concepção do Núcleo Artístico Società Anonima e dramaturgia, direção e atuação de Camozzi, Psicotrópico é estruturado em cinco narrativas ficcionais apresentadas numa rede de fragmentos organizados de maneira aparentemente aleatória, compondo uma partitura narrativa livremente inspirada ao sistema dodecafônico de Arnold Schönberg.

Os fragmentos ficcionais são atravessados por uma linha dramatúrgica alusiva ao ‘nostos’ (palavra que em grego designava o motivo literário relativo a ‘volta pra casa’) – que por sua vez remete a experiências biográficas do próprio ator, nascido em Veneza: a volta ao lar original, na Europa, para acompanhar o falecimento da mãe, e posteriormente, o retorno para a casa atual, nos Trópicos.

O entrelaço das diferentes narrativas, biográficas e ficcionais, se desenvolve de maneira linear e sequencial, induzindo assim, no propósito dos criadores, uma espécie de desnorteamento no espectador para deixá-lo livre para compor suas próprias ressignificações.

O espetáculo é resultado de reflexões sobre a mobilidade contemporânea, as migrações e a memória.

O episodio biográfico central da narrativa é a espera do protagonista no aeroporto para chegar a sua cidade natal. A espera corresponde ao atraso que não permitirá ao narrador acompanhar a morte da mãe.

A tentativa de anulação da espera, se torna, dentro do espetáculo, o motivo recorrente que quebra e interrompe a narrativa abrindo ao publico possibilidades de ressignificações, solicitando no espectador reflexões sobre a perda e as diversas condições do “estar no tempo moderno”.

Na sociedade contemporânea, a espera pertence à representação quantitativa do tempo, à sua valoração de eficiência, à orientação baseada na programação do tempo futuro. O sujeito que aguarda/espera é deslocado de seu tempo; o lugar que habita é um ‘não-lugar’. A tensão permanente nas nossas cidades é a de anular o tempo de espera. Esperar é um problema da modernidade, do movimento perpétuo e rápido, das mercadorias e das pessoas, mas também das ideias, das palavras e das memórias.

O migrante é a figura social que habita esse ‘não-lugar’ contemporâneo. O ‘Ser migrante’ pode ser interpretado como condição universal do habitante do tempo presente. Respeitando as diversas e específicas experiências e realidades, todos somos desenraizados, e não somente porque viemos, muitos de nós, de outras cidades, estados, continentes, mas, principalmente, devido às grandes transformações às quais fomos condicionados, com uma velocidade tal que perdemos o senso de estar no tempo.

Nossa memória, por sua vez, é breve, relegada às máquinas; nosso futuro próximo tão curto, porque condicionado pelo lema da crise permanente, seja essa econômica, política, ética, climática – o que dificulta uma projeção distante de nossas expectativas e torna nosso presente fragilmente manipulável, como os valores de autonomia e independência perseguidos por todo o século XX que hoje declinaram massivamente, motivados por outros estímulos culturais, medidos por cotas de conquista e sucesso do indivíduo em detrimento da coletividade.

Através da combinação simbólica dos diversos elementos – esculturas, cenografia, desenho de luz, videoprojeções e sonoridades – que se manifestam em cena de maneira independente o espetáculo teatral potencializa ao público a possibilidade de uma fruição estética ‘aberta’ e não auto conclusiva.

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Psicotrópico
Com Alvise Camozzi
SP Escola de Teatro
Duração 60 minutos
19/11 até 11/12
Sábado – 21h; Domingo – 20h; Segunda – 21h
$20
Classificação 14 anos
 
Concepção: Núcleo Artístico Società Anonima
Dramaturgia, direção e atuação: Alvise Camozzi
Pesquisa e cenografia: William Zarella Jr.
Desenho de luz: Guilherme Bonfanti
Figurino: Marina Reis
Pesquisa sonora: Daniel Maia e Gustavo Arantes
Concepção de vídeos e mapping: Grissel Piguellem
DJ set ao vivo: Gustavo Arantes a.k.a Dj Goonie
Assistente de luz e operador: Aldrey Hibbeln
Direção de produção: Rachel Brumana
Produção: Substância Produções Artísticas
Foto: Gabriel Godoy
Assessoria de Imprensa: Pombo Correio