POLÍTICA DA EDITORA

Qual é o percurso que uma obra de arte faz até chegar ao público? Esse é o ponto de partida da peça “Política da Editora”, criação do dramaturgo Eduardo Aleixo publicada pela Editora Giostri. O espetáculo chega aos palcos pela primeira vez com direção de Cintia Lopes entre os dias 1º de junho e 2 de julho, na SP Escola de Teatro – Sede Roosevelt, com sessões às sextas, sábados e segundas, às 21h; e domingos, às 19h, totalizando 20 apresentações. Os ingressos custam até R$ 30 e são vendidos somente na bilheteria e em dinheiro.

No texto carregado de ironia, um escritor luta para ter seu livro integrando o catálogo de uma grande editora. Escritor, Editor, Revisora e Tradutora entram em conflito em uma sala de reuniões. Pouco a pouco, são revelados os mecanismos de poder que permeiam as relações entre arte e mercado, convertendo uma obra em fetiche de mercadoria.

Para contar essa história, Cintia Alves buscou referências modernistas. “A ideia que norteia todos os elementos estéticos da peça é provocar um estranhamento, assim como uma dialética do entendimento, não só entre texto e subtexto, mas também entre uma dramaturgia realista e uma encenação expressionista”, conta.

Escrita em 2015, a peça venceu o Concurso Jovens Dramaturgos do SESC, recebeu menção honrosa no Programa Nascente da USP e obteve o segundo lugar no Prêmio Martins Pena da União Brasileira de Escritores. “O texto é sobre escrever, publicar e ler. A ideia é inserir o público nessa cadeia produtiva, para que ele se aproprie dela. Terminar de escrever um livro muitas vezes não é o fim, mas o começo da jornada. O percurso da obra de arte até chegar ao público pode ser tão intrigante quanto as trajetórias de Josef K. ou Bartleby”, comenta o autor do espetáculo.

Formado em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco, Aleixo estudou Dramaturgia na Escola Livre de Teatro de Santo André, com Solange Dias, na SP Escola de Teatro e no SESI-British Council, com Marici Salomão, e no Teatro J. Safra, com Cintia Alves.

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Política da Editora

Com Adriana Azenha, Eduardo Bartolomeu, Jany Canela, Miriam Limma e Rogério Favoretto

SP Escola de Teatro – Sede Roosevelt (Praça Roosevelt, 210, Centro, São Paulo)

01/06 até 02/07

Sexta, Sábado – 21h, Domingo – 19h, Segunda – 21h

$30

Classificação 12 anos

QUARENTA E DUAS

Com texto de Camila Damasceno, o espetáculo Quarenta e Duas – da Cia Artehúmus e do Núcleo Tumulto – estreia no dia 23 de março (sexta, às 21h) na SP Escola de Teatrocom direção conjunta de Daniel Ortega e Emerson Rossini.

O enredo aborda, de forma onírica, desde temas como a opressão do consumo à busca permanente do gozo como sinônimo de felicidade.

A encenação se dá a partir da perspectiva dos últimos momentos de vida de Robson, um adolescente compulsivo que morre após se masturbar 42 vezes. O mundo particular desse garoto é apresentado com suas idiossincrasias e seus desejos tão comuns quanto absurdos, convidando o público a adentrar nos conflitos de uma geração bombardeada por links, likes e imagens editadas.

Em cena, Cibele BissoliCristiano Sales e Daniel Ortega alternam-se nos vários papeis. Álvaro Francoassina os figurinos e divide com Daniel Ortega o cenário e os adereços. A iluminação é de Thatiana Moraes, e a trilha sonora é criação de Vinícius Árabe Penna.

Em ritmos de zapping, flashes de memória e imagens da vida de Robson (vivido por Sales e Ortega) vão expondo questões contemporâneas pelo viés desse adolescente. A relação com o pai ausente, as expectativas idealizadas da mãe, a relação com os padrões sociais e religiosos, o peso de ter que se encaixar em regras, os impulsos primários dos desejos e a solidão nas relações virtuais são como quadros que se alternam no subconsciente de Robson, transbordando tudo que lhe oprime, que lhe consome.

O exagero consumista – não só material, mas também humano e psicológico – aparece com dimensões também extremas em Quarenta e Duas: “a metáfora está nas mutilações presentes na encenação, apontando o quanto nos automutilamos diante do mundo, pois o autoconsumo é uma ferramenta para sobrevivermos”, argumenta Rossini.

Para trazer ao palco as reflexões levantadas no texto, os diretores fazem uso da linguagem da performance ao abordar o universo onírico que conduz a trajetória da personagem. A encenação não se propõe a responder as questões, mas ressaltar a relevância dos temas no contexto atual, quando a agilidade da informação e o descarte humano ocupam lugar de destaque no frenesi urbano. A distorção do tempo e a sobreposição de símbolos permitem que o espectador amplie sua percepção diante da cena e da poesia nesses momentos finais de Robson.

A encenação

A dramaturgia foi elaborada a partir de uma notícia veiculada em sites de fake news, em 2012, sobre a suposta morte de um adolescente, no interior de Goiás, após se masturbar 42 vezes, ininterruptamente.

As referências passam pela profusão de informações e pelo ritmo acelerado dos dias atuais. Cenas de filmes, animes, comerciais, redes sociais e situações cotidianas tecem um quadro denso desse “estranho mundo de Robson”, como Ortega costuma se referir, onde não é necessário definir o que é alucinação. “A internet é o universo fake onde se pode ser o que quiser assim como a falsa notícia sobre Robson”, reflete o diretor Emerson Rossini.

Quarenta e Duas quebra a linearidade do tempo onde fantasias e realidades se mesclam no universo das personagens. A opção pela narrativa zapping, pela descontinuidade e fragmentação de imagens e gestos ajuda a revelar o ponto de vista de Robson no momento de epifania diante da morte: uma zona turbulenta onde seu subconsciente se expande.

Os figurinos, objetos de cena e a presença do látex, aplicados sobre algumas peças, trazem a reflexão sobre esse mundo fake em que estamos inseridos. O figurino é composto por peças brancas que fogem ao cotidiano e permitem uma integração maior entre os atores. Com ares nonsense, as personagens vestem saias com tule, reportando ao tutu das bailarinas clássicas. “O contraponto está no figurino e nos traz a leveza do momento onírico, a doçura para essa abordagem densa”, comenta Daniel Ortega.

O cenário segue a linha onírica da encenação. De uma armação suspensa em forma de guarda-chuva surge um emaranhado de fios pretos que envolvem o espaço. Luvas pretas flutuam. Os adereços – máscaras de animais, regadores de plantas, partes de bonecas, moedor de carnes, martelo, serrote, refrigerante – são resignificados e transformados em símbolos para a linha narrativa. Esses elementos dialogam entre si e a cenografia.

A iluminação recortada desenha poeticamente as linhas do caminho de Robson. A trilha sonora criada com base no mundo virtual – é uma referência pop e também é texto. Ela potencializa nossa dependência do consumo enraizado e pincela um quadro cruel de uma realidade quase distópica. Para os diretores, o expectador irá presenciar em Quarenta e Duas um mundo paralelo e individualista, síntese de um aspecto degenerativo da sociedade moderna.

Quarenta e Duas -Cristiano Sales e Daniel Ortega -foto de Cacá Bernardes -b

Quarenta e Duas
Com Cibele Bissoli, Cristiano Sales e Daniel Ortega.
SP Escola de Teatro (Praça Franklin Roosevelt, 210 – Consolação, São Paulo)
Duração 70 minutos
23/03 até 23/04
Sexta, Sábado – 21h, Domingo – 19h, Segunda – 21h
$30
Classificação 14 anos

PICHE

Esmiuçar a violência urbana e o discurso de ódio, hoje, em ascensão nos grandes centros de todo o mundo, é o objetivo da Cia do Caminho Velho com a estreia de sua mais nova montagem. PICHE, que comemora os 10 anos do grupo, chega ao palco da SP Escola de Teatro no dia 11 de novembro, sábado, às 21 horas.

Com texto e direção de Alex Araújo, o espetáculo traz no elenco os atores Carlos Marques e Daiane Sousa, que se revezam nas 16 figuras presentes na dramaturgia do diretor. PICHE é resultado de um intenso processo de formação dos atores pesquisadores, que se debruçaram por três anos em treinamentos e debates a partir da pesquisa do grupo sobre violência.

Em PICHE um jovem de periferia é capturado por dois policiais milicianos que o torturam barbaramente. Cortam sua carne, escalpelam seu corpo, e desferem inúmeros murros e chutes contra ele, mas de modo inexplicável ele não morre. O caso acaba por comover uma multidão descontrolada que vai as ruas interceder pelo garoto, o que, por sua vez, gera o interesse de políticos e de um líder religioso.

Para o diretor e dramaturgo Alex Araújo, o espetáculo fala sobre indiferença, intolerância e a incapacidade de um sujeito suportar o outro. “A peça investiga como surge a vontade sádica de um sujeito querer tomar posse do corpo do outro. Como é que surge essa ânsia por dominação? O estupro, a tortura, as regras desmedidas da religião e dos bons costumes e a neurose do homem de bem. Aquilo que se exacerba transbordando os limites do aceitável, do inimaginável”, conta ele.

Continuidade da pesquisa

Em 2015, a Cia do Caminho Velho estreou, com dramaturgia de Dione Carlos e dentro do projeto Teatro Mínimo do Sesc Ipiranga, a peça Bonita. A montagem revisitou o mais famoso bando de cangaceiros do Brasil, sob o ponto de vista de uma mulher: Maria Bonita, vivida por Carolina Erschfeld.

A pesquisa dos atores que performam com a iluminação, cenário e figurino, iniciada em Bonita, tem continuidade em PICHE, mas agora construindo um território urbano. A pesquisa e montagem da peça se deu no bairro dos Pimentas, em Guarulhos, onde o grupo desempenha papel social e pedagógico através do teatro para além dos muros da universidade.  Em 2018, o espetáculo estreará também em Guarulhos, no Teatro Adamastor Pimentas.

Em Bonita descobrimos uma forma de guiar a nossa pesquisa em que a encenação e todos os seus elementos como cenário, figurino e iluminação são pautados pela sensibilidade do ator. Nossa iluminação, por exemplo, tomou outra importância quando os atores ficaram livres para manuseá-la, deslocá-la ou esconde-la fazendo surgir sombras”, explica Alex.

Ciclo de conversas

A Cia. do Caminho Velho há dez anos se dedica a prática teatral, através da investigação de novas formas dramatúrgicas, da pesquisa em busca de um ator sensível, singular e autônomo, e do empenho em oferecer gratuitamente cursos, debates, e experimentações voltadas ao teatro.

Para a temporada de PICHE, na SP Escola de Teatro, o coletivo propõe um ciclo de conversas sobre dramaturgia e violência com participação de autoras e diretoras da cena teatral paulista. Os encontros acontecem aos domingos após a apresentação do espetáculo. Entre os convidados estão: Marici Salomão (12 de novembro), Dione Carlos (19 de novembro), Maria Shu (26 de novembro) e Michelle Ferreira (3 de dezembro).

 

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Piche
Com Carlos Marques e Daiane Sousa
SP Escola de Teatro (Praça Franklin Roosevelt, 210 – Consolação, São Paulo)
Duração 50 minutos
11/11 até 11/12
Sábado – 21h, Domingo -20h, Segunda – 21h
$20
Classificação 16 anos

O ORGULHO DA RUA PARNELL

A violência contra a mulher é o mote do projeto idealizado por Darson Ribeiro, que realiza residência artística na SP Escola de Teatro, em setembro, com temporada do espetáculo e uma série de encontros com convidados especiais para discutir o tema. São eles: Henrique Fogaça, Sérgio Roveri, Paulo Betti, Eloisa Vitz, Aimar Labaki, Malcolm Montgomer, Kátia Boulos, Luana Piovani e Carla Boin.
Depois da primeira temporada, em janeiro, quando foi realizado dentro do Antiquário Verniz, O Orgulho da Rua Parnell, de Sebastian Barry, reestreia no dia 2 de setembro (sábado, às 21h) na SP Escola de Teatro. Esta primeira montagem brasileira tem tradução e direção assinadas por Darson Ribeiro.
A peça é uma compilação de monólogos interconectados – interpretados por Alexandre Tigano e Claudiane Carvalho – onde um casal relata minuciosamente o resultado caótico de uma relação de amor que foi ceifada por um ato medonho de violência por parte do marido. A encenação tem ainda participação especial do garoto Enrico Bezerra – de 10 anos – que abre a peça interpretando uma canção.
O Orgulho da Rua Parnell narra 10 anos dessa complicada e também bela história de amor. Em movimentos delicados – quase paralisados – as personagens descrevem entre lágrimas, risos, tesão e orgulho tudo o que os levou à situação atual. São lembranças pesadas e até insanas, mas permeadas de um amor sem igual. A peça revela o grau de perigo, quase sempre perniciosamente velado, que existe na paixão e o estrago que isso pode provocar, caso esse sentimento seja sublimado ou potencializado em substituição às vontades próprias, fazendo do egoísmo uma arma fatal.
Na obra de Barry as limitações e o controle das emoções vêm no formato de prosa, ao mesmo tempo áspera e macia. Joe Brady é um ladrãozinho insignificante que tem o apelido de “homem-meio-dia”. Ele e sua esposa Janet vivem na periferia de Dublin, na Irlanda, e apesar da vida marginalizada mantêm orgulho de seu lifestyle, como ocorre com a maioria das personagens de Sebastian Barry.
No enredo, a derrota que marcou a desmoralizante desclassificação da Irlanda na Copa do Mundo de 1990, na Itália, cobrou seu preço. E parece que para o casal Joe e Janet a cobrança veio com juros altíssimos. O déficit desses dois foi maior do que o da seleção naquela noite. Alguns anos se passaram e agora eles revelam a intimidade de um amor eterno, mas também a ruptura desastrosa do casamento.
É um início de relação pobre, mas feliz. Ela, mãe aos 16 anos, sofre para criar os três filhos. Ele, apelidado de “midday man”, vive à sombra e água fresca, roubando carros. Eles vão se aturando até que o primogênito Billy morre atropelado por um caminhão de cerveja. Este é talvez o início do fim, não só da relação, mas até mesmo do amor pela Irlanda. Será? Ao voltar para casa, após a quarta de final dos jogos, Joe quase mata a esposa, espancando-a. Desfacelada, ela foge para um abrigo de mulheres, levando as crianças. Apesar da ausência do marido – e pai – ela vai reconstruindo sua vida, enquanto ele se afunda na heroína, nas prisões e sofre com a AIDS.
Segundo o diretor Darson Ribeiro, “O Orgulho Da Rua Parnell se encaixa perfeitamente no contexto teórico e estético de montagens realizadas por ele, como a recente Os Guarda-Chuvas, que discutia a degradação da família culminada com a morte da esposa e mãe, interpretada por Maria Fernanda Cândido”. Ele argumenta que a peça de Barry traz a simplicidade como aliada, respeitando o não naturalismo indicado pelo autor, principalmente na relação interpretativa dos atores. E a direção, então, se apropria da precisão para contar essa trágica história de amor, brincando com o imagético e criando camadas no arquétipo das personagens. “A história é narrada como se ‘esfregássemos’ as situações na cara do espectador”, comenta.
Sobre o tema “violência contra a mulher”, o diretor ressalta os altos índices e o número de prisões e de mortes que vêm aumentando em vários países, incluindo o Brasil, culminando no dilaceramento familiar. “A sociedade dá pouca atenção para o fato. O teatro tem a função de alertá-la. Desta forma, o Conselho Estadual de Defesa da Mulher, por meio de sua Presidente Rosmary Correa foi o primeiro a credenciar esse projeto”, comenta Darson.
Vivemos numa época em que cada vez mais o homem, ainda que inconscientemente, vem tentando contar com seus sentidos. É nesse estado que ele, paradoxalmente, provoca em si atitudes que ultrapassam limites da consciência. Só depois, já com o ato consumado, é que busca a qualquer custo se livrar das armadilhas de seu próprio desejo. Assim, empenha-se desmedidamente em valorizar o que era simples, belo e eficaz: o viver… Quase numa espécie de sublimação”,

Encontros: Série de encontros com convidados especiais, mediados pelo diretor Darson Ribeiro e pela advogada especialista em Justiça Restaurativa Dra. Carla Boin. São quatro encontros que ocorrem logo após as sessões das segundas-feiras:

4/9 – Henrique Fogaça e Sérgio Roveri

11/9 – Paulo Betti e Eloisa Vitz

18/9 – Aimar Labaki e Malcolm Montgomery

25/9 – Kátia Boulos e Luana Piovani

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O Orgulho da Rua Parnell
Com Alexandre Tigano e Claudiane Carvalho e participação especial de Enrico Bezerra
SP Escola de Teatro – Sala R8 (Praça Franklin Roosevelt, 210. Consolação, São Paulo)
Duração 75 minutos
02 a 25/09
Sábado – 21h, Domingo – 19h, Segunda – 20h
$40
Classificação 12 anos

OS ATINGIDOS OU TODA COISA QUE VIVE É UM RELÂMPAGO

Com uma linguagem que permeia a relação entre teatro e cinema, a Ordinária Companhia traz os questionamentos que envolvem o impacto da maior tragédia ambiental no Brasil em Mariana (MG) com novo espetáculo. 

Os Atingidos ou Toda Coisa que Vive é um Relâmpago estreia sábado, 8 de julho, às 21h, na SP Escola de Teatro. A direção e dramaturgia é de José Fernando Peixoto de Azevedo e a temporada vai até 30 de julho com sessões sábados, às 21h, domingos, às 20h, e segundas, às 21h. 

Na trama, uma moradora da cidade atingida interroga: isso aí foi o quê, uma tragédia, um acidente, um desastre, ou um crime? A pergunta nos devolve ao campo próprio de uma disputa pela vida: aqueles que foram atingidos pela lama reclamam precisamente a sua condição própria, a de atingidos em meio ao processo de destruição. 

A peça procurou usar como propulsores para a construção os desdobramentos e os antecedentes da tragédia. Desde o histórico da rota do ouro e de minérios, além de deslizamentos menores que causaram morte ainda nos anos 80 nessa longínqua exploração da região. 

Durante a pesquisa, o grupo foi a cidade de Mariana e nos pequenos distritos em busca de contato direto com os que sofreram e ainda sofrem com o rompimento da barragem. O encontro trouxe a oportunidade de ver de perto todas as camadas que envolvem a tragédia desde os aspectos sociais, econômicos e ambientais, além das rupturas e discriminações que se tornaram a vida dos atingidos. As pessoas foram pulverizadas e classificadas de acordo com a lama que sujou suas vidas na tragédia. 

Todos esses elementos foram utilizados de maneira ficcional para criar uma montagem que constrói no palco uma espécie de filme ao vivo calcado pelo suspense. Uma linguagem que permeia o teatro e o cinema, característica que já foi trabalhada no espetáculo Zucco do grupo. 

Em cena, a situação é a de um “estúdio”, ao menos em dois sentidos simultâneos, justapostos: estúdio de gravação (atores e técnicos que, diante do público, gravam e editam materiais que são projetados, e este trabalho é também cena), mas também espaço de estudo da cena (atores atuam suas figuras em situação, diante do público). 

O resultado é um teatro-filme com um deslizamento entre os pontos de vista e perspectivas. Durante a pesquisa, filme de Alfred Hitchcock, David Lynch e o recente Corra!, de Jordan Peele, serviram para absorver os artifícios de suspense inseridos na encenação. 

A Ordinária Companhia surgiu em 2013, resultando do percurso de uma turma de alunos da Escola de Arte Dramática, a EAD, da ECA-USP, que naquele ano estreia seu trabalho de conclusão de curso, ZUCCO, uma adaptação do texto de Bernard Marie-Koltès, dirigida pelo também professor da Escola, José Fernando de Azevedo. O espetáculo fez temporadas em São Paulo – na EAD (2013), no TUSP e no CIT-ECUM (2014) – e o grupo foi indicado ao Prêmio Cooperativa Paulista de Teatro (2014), na categoria revelação.

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Os Atingidos ou Toda Coisa que Vive é um Relâmpago
Com Áurea Maranhão, Conrado Caputo, Juliana Belmonte, Paulo Balistrieri e Rafael Lozano
SP Escola de Teatro (Praça Franklin Roosevelt, 210 – Consolação, São Paulo)
Duração 90 minutos
08 a 30/07
Sábado – 21h; Domingo – 20h; Segunda – 21h
$20
Classificação 14 anos

GAVIÃO DE DUAS CABEÇAS

O espetáculo “Gavião de duas cabeças”, solo idealizado e atuado por Andreia Duarte com direção de Juliana Pautilla, faz apresentação com preço popular nesse sábado e domingo (dia da Virada Cultural – 20 e 21 de maio) no valor de R$15.00. A peça está em cartaz na SP Escola de Teatro (Praça Roosevelt).
A peça traz elementos de uma teatralidade contemporânea, unindo performance e teatro, inspirada em um mito que conta a história do gavião de duas cabeças – um pássaro que devora o espírito indígena e sobrevive mesmo depois da morte do corpo. O mito – que é usado como metáfora de um pensamento hegemônico – norteia a montagem do espetáculo em que a atriz empresta seu corpo como um documento oral-visual de resistência poética. Em cena, figuras opostas aparecem: uma representante do agronegócio, uma mulher indígena e a atriz questionando a sua própria experiência.
O público é chamado a ver e ouvir um genocídio validado por discursos dominantes e por leis que infringem os direitos. A dramaturgia traz um olhar sobre o índio, em seu lugar de singularidade no cenário político atual. Os discursos trabalhados são reais, atuais e sociais que permeiam esse universo no Brasil. De um lado o discurso ruralista e da mercadoria, contra a demarcação das terras para os índios, em favor da PEC 215 (PEC que retira o poder da FUNAI de realizar as demarcaçõ​es, passando este poder​ ​para o legislativo), de outro lado o indígena defendendo a ​sua sobrevivência, ​logo a natureza e as suas origens. E ainda o discurso da atriz que viveu ambos os contextos, o urbano e o indígena, se inserindo na complexidade dessa alteridade.
A partir da voz da atriz, que teve uma experiência real e profunda na aldeia, com os índios Kamayura do alto Xingu, há uma percepção do público de como ser possível nos colocarmos no lugar do outro. A dramaturgia opta por um olhar atual sobre o índio, em seu lugar humano, político, escapando da imagem do pitoresco e do exótico.
Sinopse
O mito do gavião de duas cabeças – um pássaro que devora o espírito indígena, que sobrevive mesmo depois da morte do corpo, norteia a montagem do espetáculo Gavião de Duas Cabeças. A partir dessa imagem de morte e genocídio, a peça costura discursos atuais a partir da experiência pessoal da atriz. Os discursos encenados são reais e permeiam a atual realidade política e social brasileira: de um lado o discurso ruralista, de outro o indígena e ainda o da atriz que viveu em ambos os contextos, o urbano e o indígena.

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Ficha Técnica
Idealização e Atuação: Andreia Duarte. Direção e Preparação Corporal: Juliana Pautilla. Dramaturgia e cenografia: Andreia Duarte e Juliana Pautilla. Criação de Luz: Ronei Novais. Trilha Sonora: Carlinhos Ferreira. Criação de Vídeos: Natália Machiavelli.  Direção de Arte e Produção de Arte: Alice Stamato. Fotografia: Fernanda Procópio. Operação de som, luz e vídeo: Bruno Carneiro. Criação gráfica e teasers: Daniel Carneiro. Registro em Vídeo: Daniel Carneiro, Robson Timóteo ​ e Anderson Chocks​. Assessoria de imprensa: Willian Rafael.

FADOS E OUTROS AFINS

 

A atriz e bailarina Mariana Muniz, após uma temporada de sucesso do espetáculo D’Existir, volta aos palcos no dia 11 de março com seu novo projeto “Fados e Outros Afins”, na SP Escola de Teatro.

Para essa nova empreitada, Mariana Muniz fez uma imersão em suas origens de brasileira e nordestina, numa dramaturgia, concebida a partir de seu corpo, como uma viagem poética de Lisboa a Recife, sob a direção de Maria Thaís, em um encontro de duas mulheres referências no Teatro e na Dança.

Na criação e composição do solo “Fados e Outros Afins”, Maria Thaís e Mariana Muniz exploram o hibridismo de linguagens artísticas da dança e do teatro, que servem à ampliação dos limites das conexões entre questões cênicas, coreográficas, dramatúrgicas, visuais e performáticas.

Assim como em trabalhos anteriores, em “Fados e Outros Afins”, Mariana Muniz dá continuidade ao processo de investigação das relações entre o pensamento e corpo | gesto, em dança e teatro.

A dramaturgia do espetáculo é tratada como uma teia que engloba as ações físicas da atriz-bailarina (como o texto se torna corpo), suas ações vocais (musicalidade no texto e com o texto; a palavra como música e concretização da voz no espaço), cenografia, iluminação, figurino e a relação entre eles.

O projeto “Fados e Outros Afins” tem o apoio do XX Edital do Fomento à Dança para a cidade de São Paulo e conta ainda com um programa educativo inovador, que visa a formação de público para dança, além da capacitação de novos profissionais, na tentativa de aproximar e estabelecer novos diálogos entre o público e a obra artística.

As ações principais desse núcleo educativo são: a realização de uma palestra sobre a história do fado e suas relações com o Brasil; o grupo de estudos com 12 aprendizes, e a produção de uma webserie que divulga as ações do projeto e desvenda os bastidores da criação do espetáculo.

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Fados e Outros Afins
Com Mariana Muniz
SP Escola de Teatro – Sala R1 (Praça Franklin Roosevelt, 210, Centro)
Duração 50 minutos
11 até 26/03
Sábado – 21h; Domingo – 19h e Segunda – 21h
$15
Classificação livre
 
Direção geral, Criadora-Intérprete e orientadora do Grupo de Estudos: Mariana Muniz
Direção Artística: Maria Thaís
Assistente de Direção, Cenografia e Fotos: Cláudio Gimenez
Coordenação pedagógica do Grupo de Estudos: Cynthia Domenico
Dramaturgia: Murilo de Paula e Carlos Avelino de Arruda Camargo
Trilha sonora: Divanir Gattamorta
Figurinista: Chris Aizner
Desenho de luz: Aline Santini
Cenografia: Julio Dojcsar e Rogério Santos
Operação som: Luciano Renan
Registro em vídeo/webserie: Marcos Yoshi
Assessoria de Imprensa: Fabio Camara
Designer: Fabio Borges
Coordenação de Produção: Natália Gresenberg e Talita Bretas  – Ação Cênica Produções Artísticas
Assistente de Produção: Rafael Petri
Aprendizes: Ana Mesquita, Barbara da Silva Borges, Camille de Oliveira Nascimento, Fernando Castanho de Almeida Pernambuco, Gabriela Lorrayne Araujo Santos, Giovanna Santos Guadanholi, Gustavo Fataki Silva Oliveira, Juliana Celentano Rocha, Livia Baena dos Santos, Luciano Renan Santos Antunes e Nicholas Belem Leite