CORIOLANO

Considerada uma das obras menos montadas de William Shakespeare (1564-1616), Coriolano é também uma das mais experimentais e intrigantes. Com direção de Márcio Boaro e 14 atores em cena, a vibrante montagem da Cia. Ocamorana para o clássico inglês ganha nova temporada popular no Teatro Alfredo Mesquita, entre 1º de junho e 1º de julho, com ingressos vendidos por apenas R$20.

SINOPSE

Caio Marcio Coriolano, é um general romano temido e reverenciado, está em desacordo com a cidade de Roma e seus cidadãos. Impulsionado a ocupar a poderosa e cobiçada posição de Cônsul por sua mãe controladora e ambiciosa, Volumnia, ele não está disposto a agradar às massas cujos votos ele precisa para assegurar o cargo. Quando os Tribunos do Povo fazem com que o povo se recuse a apoiá-lo, a raiva de Coriolano gera um protesto que culmina em sua expulsão de Roma. O herói banido se alia então ao seu inimigo declarado Tulio Aufídio para vingar-se da cidade. Uma obra de Shakespeare que se mostra atual para os problemas das Repúblicas modernas.

Coriolano, por Márcio Boaro

A cada ano notamos mudanças no nosso dia a dia, surgem diferenças comportamentais que são absorvidas rapidamente, vivemos com diferenças significativas em relação há dez anos. Neste quadro a peça Coriolano de William Shakespeare nos salta aos olhos, a história que se passa no período tão antigo que não se tem comprovações históricas de ter ocorrido, mas a história narrada parece ser nossa contemporânea.

O conceito de República (do latim res publica, “coisa pública”) era recente, a história se passa no século V antes de Cristo, mas o jogo de poder e as intrigas políticas são as mesmas. Nas origens da política republicana vemos muitos dos seus vícios.

A ideia de república onde o senado é uma estrutura política de Estado em que são necessárias três condições: um número razoável de pessoas (multitude); uma comunidade de interesses e de fins (communio); e um consenso do direito (consensus iuris). Que nasce das três forças reunidas: libertas do povo, auctoritas do senado e potestas dos magistrados.

Este conceito que parece perfeito não incluía o povo, que se manifesta, a pressão popular cria os seus representantes os “Tribunos do Povo” dentro de um regime que já devia conter os interesses populares.

Neste contexto surge um jovem general romano (aristocrata) que não acredita nos direitos dopovo, que é respeitado como herói de guerra e se coloca como candidato a Cônsul (chefe de estado), os tribunos fazem uma manobra para que ele não seja eleito e que além disto seja exilado, o grande general torna-se inimigo de Roma. Esta narrativa tem 2500 anos, mas poderia ter sido escrita a partir do jornal de hoje, o jogo pelo poder prevalece e o povo continua procurando uma forma de validar seus anseios.

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Coriolano
Com Mônica Raphael, Manuel Boucinhas e Litta Mogoff
Convidados:  Andressa Ferrarezi, André Capuano, Joaz Campos, Pedro Felicio, Rodrigo Ramos, Toni D´Agostinho, Al Nascimento, Aton Macário, Letícia Negretti, Luiz Campos, Thaís Campos.
Teatro Municipal Alfredo Mesquita (Avenida Santos Dumont, 1770, Santana, São Paulo)
Duração 120 minutos
01/06 até 01/07
Sexta e Sábado – 20h30, Domingo – 19h
$20
Classificação 12 anos

CANTOS DE COXIA E RIBALTA

Primeiro musical 100% autoral nos doze anos de existência da Companhia, e completamente inédito, “Cantos de Coxia e Ribalta” foi criado por Alef Barros e Gustavo Dittrichi, a partir do estudo de três vertentes artísticas: os personagens-tipos da commedia dell’arte, os ritmos musicais brasileiros e o teatro narrativo brasileiro; combinando esta nova abordagem com a bagagem de pesquisa cênica que a Cia. Lusco-Fusco já carrega; teatro e música (ou teatro musical).

Tanto o argumento (texto) quanto as músicas são originais, e inéditos. O argumento (escrito por Gustavo Dittrichi) buscou livre inspiração na obra de Luis Alberto de Abreu; em especial no texto “O Auto da Paixão e da Alegria”. A linguagem cênica tem inspiração no musical “Godspell“, de Stephen Schwartz e John-Michael Tebelak. Já a música (escrita por Alef Barros, e em parte composta por ele) buscou referências na obra musical de Chico Buarque; nas composições de Baden Powell com Toquinho, em especial nos seus estudos e releituras dos cantos de terreiro e umbanda; e na bossa-nova em geral. Os arranjos musicais e composições gerais são de Dario Ricco, Hiago Guirra e Marco De Laet; e os arranjos vocais são de Pedro Aldozza. A concepção cênica e estética é de Gustavo Dittrichi.

O espetáculo tem patrocínio da Só Dança; apoio da ACENBI (Associação Cultural e Esportiva Nipo-Brasileira do Imirim), da Poiesis, das Fábricas de Cultura, do Governo do Estado de São Paulo, da Secretaria Municipal de Cultura e da Prefeitura de São Paulo. A produção e realização é daLusco-Fusco Produções Artísticas.

Sinopse do espetáculo

Sob os sussurros da coxia e as luzes de ribalta, um grupo de atores se reúne para contar uma história. Entre o corre-vida e as chegadas e partidas dos trilhos de uma estação de trem, o público é apresentado a uma trupe de teatro em crise financeira, que corre o risco de ter seu teatro tomado por conta da especulação imobiliária. Um Poeta então é encarregado de criar uma grande obra teatral a fim de trazer de volta aos artistas os tempos áureos: é a última chance do Teatro sobreviver.

Neste cenário, personagens tipificados, inspirados pelos tipos commedia dell’arte – o Dono da Cia., um Poeta, um Músico, uma Primadonna, um Jovem Ator sonhador e uma linda e ambiciosa Jovem Atriz – passam a viver seus próprios conflitos, que misturam-se com a própria história da peça que estão montando. Enquanto tentam contar a história, a realidade mistura-se com a ficção até que se tornem uma coisa só. A abordagem poética da paixão, da desilusão, da entrega, da inveja e competição, da morte e, sobretudo, da sensação de estar sempre tentando permanecer “de pé” e superar os obstáculos impostos pelo destino – sensação tão comum ao Teatro e também à vida cotidiana – são os ingredientes para mover o espetáculo.

Cantos de Coxia e Ribalta
Com Gustavo Dittrichi, Marco De Laet, Carolina Silveira, Lucas Zamaia, Joyce Fernandes, Rodolfo Mozer, Beatriz Belintani, Isabella Costa, Heitor Moretti, Laís Helena
Teatro Alfredo Mesquita (Avenida Santos Dumont, 1770 – Santana, São Paulo)
Duração 120 minutos
13/01 até 04/02
Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h
$20
Classificação 12 anos

DEU A LOUCA NO MUSEU

Contemplado pela 28ª edição do Programa de Fomento ao Teatro o espetáculo infantil DEU A LOUCA NO MUSEU reestreia dia 17 de junho, sábado, às 16h, no TEATRO ALFREDO MESQUITA, com entrada franca.

Encenada pelo Grupo Teatro de La Plaza, peça mistura a linguagem do Teatro de Bonecos, Objetos e Animação com a mágica para narrar as aventuras de um guarda de um museu que irá receber uma importantíssima obra de arte. Montagemtem direção de Héctor López Girondo, que assina a dramaturgia junto com Miguel Nigro.

Em DEU A LOUCA NO MUSEU um museu vai receber uma importantíssima obra de arte e o funcionário encarregado terá que usar toda a sua esperteza para evitar que as obras de arte sejam roubadas. Porém, um estranho visitante irá colocar em risco a valiosa coleção artística. O que o visitante nem imagina é que este não é um guarda comum, pois ele conta com uma arma secreta especial: os poderes da mágica e das habilidades para os truques.

Além disso, o guarda não está sozinho no combate ao crime: as próprias obras de arte irão se transformar e interagir com as personagens por meio de artifícios e ilusões. Ao mesmo tempo em que o público se surpreende, conhecerá alguns dos grandes artistas e suas obras (Leonardo da Vinci, René Magritte, Amadeo Modigliani, entre outros), tudo isso de maneira educativa e descontraída.

O espetáculo aprofunda as linhas narrativas do teatro e da mágica, acrescentando as próprias possibilidades expressivas dos elementos plásticos que, no contexto de um museu de arte, irão adquirir uma nova dimensão”, afirma o diretor Héctor López Girondo. “A peça também promove o interesse pelo valor da conservação das obras de arte por meio de uma linguagem original e divertida”, completa o diretor.

 

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Deu a Louca no Museu
Com Afonso Braga, Gustavo Martins e Wagner Dutra Sobrinho.
Teatro Alfredo Mesquita (Avenida Santos Dumont, 1770 – Santana, São Paulo)
Duração 50 minutos
17/06 até 09/07
Sábado e Domingo – 16h
Entrada gratuita
Classificação livre

FORTUNA

Comemorando 17 anos, o Grupo Gattu reestreia o espetáculo “Fortuna”,  no dia 03 de fevereiro, às 21h, no Teatro Alfredo Mesquita, em Santana. As apresentações acontecem de sexta a domingo. O texto e a direção são de Eloisa Vitz.

Ambientado no ano de 2120, o espetáculo Fortuna conta a história de Maria que após passar por um método de criogenia humana é descongelada sem nenhuma memória e com e desafio de reconstruir sua vida. Buscando os fios da teia que tecem sua Fortuna, ela irá descobrir um novo mundo com ajuda dos cientistas e equipe da clínica onde acontece seu novo despertar.

Com poesia, pitadas generosas de humor e surpresa, Fortuna traz aos palcos uma reflexão acerca do destino, do que esta ou não traçado.

Na montagem de “Amor” (2015), primeira parte da nossa trilogia, apresentamos um espetáculo onde era possível viajar, rir e se emocionar numa trama que permitia as pessoas saírem flutuando do teatro.

Desta vez o Grupo Gattu me pediu um novo texto, provocativo e que tratasse de determinação, do poder de decisão e de ter as rédeas da nossa vida. Além disso, depois do “Amor”, naturalmente viria a “Fortuna”, brinca Eloisa Vitz sobre o sétimo texto assinado por ela para o Grupo Gattu. Eloísa, já foi indicada ao Prêmio FEMSA Coca-Cola em 2012, como Melhor texto adaptado para teatro infantil por “Rapunzel”, e venceu em 2014 o Prêmio de Melhor texto original do Portal R7, com “Reino”.

Eloísa Vitz, é também a mulher que mais montou Nelson Rodrigues no Brasil, foram 4 montagens, e este ano, o Grupo Gattu foi contemplado com o Prêmio Zé Renato para montagem de “A Falecida” (que estreará  em março de 2017).

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Fortuna
Com Eloisa Vitz, Miriam Jardim, Daniel Gonzales, Laura Vidotto, Mariana Fidelis e Rodrigo Vicenzo.
Teatro Alfredo Mesquita (Avenida Santos Dumont, 1770 – Santana, São Paulo)
Duração 75 minutos
03 a 19/02
Sexta e Sábado – 21h; Domingo – 19h
$20
Classificação 16 anos
Texto e Direção: Eloísa Vitz
Crédito das fotos: Lenise Pinheiro
Estacionamento gratuito

PLAYGROUND

A história de amor de dois casais destituídos de nomes e gêneros, e também a história do fim deste amor é o ponto de partida de “Playground”. Com ingressos gratuitos, a peça tem texto de Ricardo Inhan, direção de Pedro Stempniewski, e traz para o palco as atrizes Monique Maritan e Stella Garcia, além do músico Bruno Avoglia e da iluminadora Junia Magi.

Arriscando na obviedade do título a encenação propõe a vasculhar e (re)criar espaços em que tanto atores quanto plateia possam partilhar da área destinada a infantilidades. Em PLAYGROUND, o quarteto de dois casais heterossexuais sugerido pelo texto é subvertido: duas atrizes + uma iluminadora + um músico. Técnicos, atores e público dividem o mesmo espaço para contar a quase fábula e assim evidenciar a brincadeira teatral. Na montagem, um carro em movimento e um atropelamento. Após a batida, tempos e espaços são revividos e bifurcados, começo, meio e fim destas relações: piqueniques, encontros num lançamento de livro, discussões sobre all stars furados, falta de dinheiro, vasos quebrados, um cachorro morto, uma pá e o desejo de um futuro próspero.

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ARQUIVO 18/07/2016 CADERNO2 Cenas de ‘Playground’ do grupo Poleiro do Bando Foto: Cacá Bernardes

Plateia em cima do palco

O espaço cenográfico é formado por um gramado artificial, daqueles destinados aos playgrounds que decoram e protegem do impacto em caso de acidentes e puffs coloridos, que servem como elementos cênicos e assentos para o público. Abusando das cores primárias, a paleta de cores se complementa nos figurinos, nos pequenos objetos cenográficos e na iluminação que somando à ação das atrizes mapeiam onde as cenas se desenrolam e se limitam. A plateia, alojada em cima do palco, forma quadrantes, que por vezes lembram um jogo de tabuleiro.

Segundo o diretor Pedro Stempniewski, o público ‘acomodado’ entre as transições cênicas é intermédio e obstáculo ao isolamento dramático. “Cabe a plateia juntar as histórias e refazer a dramaturgia, passível de unidade ou não, ou seja, um playground de linguagens”, brinca ele.

Ocupação Poleiro do Bando

O grupo paulista Poleiro do Bando realiza de 1º de julho a 7 de agosto no Teatro Alfredo Mesquita a Ocupação Poleiro do Bando. Além da estreia de PLAYGROUND, o coletivo apresenta a montagem infantil Família Formigueiro Casa Condomínio (sábados e domingos às 16 horas – até 7 de agosto). A peça Tão Pesado Quanto o Céu [peça HQ] abriu a mostra de repertório. Todos os espetáculos têm ingressos gratuitos, que devem ser retirados na bilheteria do teatro uma hora antes de cada apresentação.

Playground
Com Monique Maritan e Stella Garcia.
Teatro Alfredo Mesquita (Avenida Santos Dumont, 1770 – Santana, São Paulo)
Duração 60 minutos
22/07 até 07/08
Sexta e Sábado – 21h; Domingo – 19h
Entrada gratuita (Ingressos distribuídos uma hora antes de cada apresentação.
Classificação 16 anos
 
Texto – Ricardo Inhan.
Direção e Cenografia – Pedro Stempniewski.
Direção e Execução Musical – Bruno Avoglia.
Concepção de Luz e Operação – Junia Magi. 
Figurino – Stella Garcia e Playground.
Provocação Cênica – Mariana Vaz.
Projeto Gráfico – Leonardo Carvalho.
Fotos – Camila Trafimovas e Ricardo Inhan.
Produção – Ariane Cuminale e Poleiro do Bando.
Assistente de Produção e Cenário – Marcelo Roya.  
Assessoria de Imprensa – Nossa Senhora da Pauta

 

 

BARULHO D’ÁGUA

Comemorando 15 anos de trajetória, a Companhia Nova de Teatro dá continuidade às pesquisas sobre processos migratórios, seus reflexos e consequências e estreia BARULHO D’ÁGUA no dia 1º de julho, sexta-feira, às 21 horas, no Teatro João Caetano.

A versão brasileira nasceu do encontro dos artistas Carina Casuscelli (tradução e direção) e Lenerson Polonini (provocação e iluminação), fundadores da Companhia Nova de Teatro, com o dramaturgo italiano Marco Martinelli.

As apresentações acontecem em três teatros da capital paulista: Teatro João Caetano (1º a 24 de julho), Teatro Cacilda Becker (29 de julho a 7 de agosto) e Teatro Alfredo Mesquita (de 12 a 21 de agosto), sempre com ingressos gratuitos.

Em 2009, o renomado dramaturgo italiano, Marco Martinelli (que fará um encontro online com o público paulista, em data à definir durante a temporada), movido por uma das piores tragédias humanas sofridas em seu país, decide transformar em dramaturgia a perda de centenas de vidas no Mar Mediterrâneo. BARULHO D’ÁGUA narra a travessia de imigrantes, em sua maioria refugiados de zonas de conflitos, atravessando o mar mediterrâneo em embarcações precárias rumo aos países europeus.

O contato com o autor italiano se deu em 2014 na cidade de Nova Iorque, onde a Companhia Nova de Teatro pesquisava o espetáculo 2xForeman: peças Bad Boy Nietzsche e Prostitutas Fora de Moda, de Richard Foreman, e Marco Martinelli apresentava a versão italiana de BARULHO D’ÁGUA no Teatro La MaMa. “Nas conversas sobre as pesquisas dos grupos, enxergamos a possibilidade de um intercâmbio, e, com isso, firmamos um acordo de cooperação para investigar dramaturgicamente o tema imigração, com base em experiências desenvolvidas nos dois países.”, explica Lenerson Polonini, diretor artístico do grupo.

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Depoimentos de refugiados

A dramaturgia do espetáculo tem como eixo central o depoimento de cinco refugiados, que foram colhidos pelo próprio Marco Martinelli na Ilha de Lampedusa, na região da Sicília (Itália). O texto original é um monólogo, onde um general conta a história desses refugiados, mas, na versão brasileira, a diretora Carina Casuscelli resolveu dar vida aos refugiados, cabendo ao ator Alexandre Rodrigues a interpretação de alguns dos personagens.

O general (papel de Vicente Latorre) representa os serviços das capitais europeias que praticam a “política de acolhimento”. “Esse personagem diabólico é, por vezes, grotesco, desequilibrado, psicótico, sádico, cínico, fatalista, mas, também, um simpático porteiro de certa ilha dos mortos, com a missão de ‘reunir e contar as almas de imigrantes’”, conta a diretora.

A atriz Rosa Freitas entoa as canções do espetáculo, acompanhada, ao vivo, pelo percussionista e bailarino colombiano Omar Jimenez, que também dançará durante as apresentações. O elemento virtual “água” será utilizado como um espelho do “eu”. As vozes ressonantes e a figura do general permearão toda a encenação, que será potencializada pelo trabalho videográfico e documental, com telas de projeção transparente, no intuito de criar sobreposições para narrar fatos no passado e presente.

Números

BARULHO D’ ÁGUA narra a história do drama de milhares de refugiados, que, em sua maioria, morrem atravessando o mar Mediterrâneo. Carina explica que tanto os sobreviventes, como os mortos, são identificados por números, e os que não conseguem se salvar viram apenas um registro, sem a possibilidade da família resgatar o corpo. “Os números estão presentes durante toda a montagem, ora projetados, ora nos corpos dos personagens. O nosso espetáculo também é uma forte crítica àqueles que entendem a imigração como uma mercadoria”.

Para Lenerson Polonini, o tema abordado em BARULHO D’ ÁGUA tem ocupado espaço crescente em todas as mídias, por meio de reportagens, fotos e imagens e tem chocado a população global. “Infelizmente, o sentimento de indignação parece estar dando lugar ao conformismo, à apatia e à insensibilidade que tem dominado o nosso cotidiano diante de milhares de mortes que parecem não nos afetar. Mas o teatro, por sua natureza, é um lugar onde a tragédia pode ser representada, revivida, podendo aproximar a plateia daquilo que por vezes parece pertencer somente à ficção”, acredita ele.

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Barulho D’Água
Com Alexandre Rodrigues, Vicente Latorre e Rosa Freitas. Instrumentista e Bailarino – Omar Jimenez.
Duração 50 minutos
Entrada gratuita (ingressos distribuídos uma hora antes de cada apresentação)
Classificação livre
 
01 até 24/07
Teatro João Caetano (Rua Borges Lagoa, 650 – Vila Clementino, São Paulo)
Sexta e Sábado – 21h; Domingo – 19h
 
29/07 até 07/08
Teatro Cacilda Becker (Rua Tito 295 – Lapa, São Paulo)
Sexta e Sábado – 21h; Domingo – 19h
 
12 a 21/08
Teatro Alfredo Mesquita (Avenida Santos Dumont, 1770 – Santana, São Paulo)
Sexta e Sábado – 21h; Domingo – 19h
 
Dramaturgia – Marco Martinelli.
Direção – Carina Casuscelli.
Provocação e Iluminação – Lenerson Polonini.
Figurinos – Carina Casuscelli.
Vídeos e Documentação Audiovisual – Alexandre Ferraz.
Direção Musical – Wilson Sukorski.
Concepção Espacial e Produção – Carina Casuscelli e Lenerson Polonini.
Realização – Companhia Nova de Teatro.
Assessoria de Imprensa – Nossa Senhora da Pauta

 

RÉQUIEM PARA UM AMIGO DA MULTIDÃO

Projeto idealizado e protagonizado pelo ator Nei Gomes, Réquiem Para Um Amigo da Multidão estreou no Teatro Municipal Flávio Império, Zona Leste da cidade. Com direção de Renata Zhaneta, o espetáculo presta homenagem ao multiartista Flávio Império (1935-1985), que revolucionou a cenografia brasileira, celebrando sua contribuição para o teatro brasileiro. Flávio Império, se estivesse vivo, estaria com 80 anos de vida e 60 de carreira.

Contemplado com o Prêmio Zé Renato da Cidade de São Paulo, o espetáculo circulará pelos teatros distritais da cidade durante os meses de maio e junho, com o apoio da Secretaria Municipal de Cultural. As próximas apresentações serão: Teatro Alfredo Mesquita, dias 3, 4 e 5 de junho; Teatro Leopoldo Fróes, dias 10, 11 e 12 de junho; Teatro Cacilda Becker, dias 17, 18 e 19 de junho e retorna ao Teatro Flávio Império, dias 24, 25 e 26 de junho. O projeto está habilitado pelo edital PROART Educação, sendo um estímulo para debate sobre arte e história.

Pela contribuição do artista para as áreas além do teatro, no dia 26 de junho, último dia do espetáculo, será realizado um debate, após a sessão, com os arquitetos Lívia Loureiro, Pedro Arantes e Yuri Quevedo, profissionais influenciados pela obra de Flávio Império.

Com dramaturgia do próprio Nei Gomes, o texto tem como base a obra e o trabalho do artista no teatro, na arquitetura e nas artes plásticas. “A peça é uma vivência, onde a relação espectador-ator é muito próxima, um happening de muitas linguagens. O objetivo é trazer à tona suas inquietações e contribuições para as artes”, define o autor.

Realçando a importância de Flávio Império para a arte brasileira, a peça retrata o artista nos momentos finais de sua vida, em um balanço consigo próprio e em reflexões sobre vida e morte. Em 1985, Flávio foi internado com encefalite decorrente da AIDS. A dramaturgia parte do processo de delírios, comuns nesse quadro clínico, para rememorar sua trajetória.

O fio condutor são as suas memórias e experiências vividas. Então me veio a ideia de um devaneio ficcional, decorrente das infecções que teve quando internado. A memória não é perfeita, tem lacunas, criamos coisas, tudo isso aliado à situação do delírio me fez construir um narrador que passasse por diversos planos, podendo ser lírico, dramático ou narrativo. Assim o texto pode ter saltos não lógicos”, explica Nei.

Durante o processo de pesquisa, Nei Gomes entrevistou personalidades que conviveram com o cenógrafo, como Maria Thereza Vargas, José Celso Martinez Corrêa, Drauzio Varela, Suzana Yamauchi, Loira Cerroti, Iacov Hillel, Edmar de Almeida e Vera Império Hamburger. Personagens e textos dos espetáculos que Flávio montou também serviram de referências para os desdobramentos do espetáculo.

Essas pessoas me ajudaram, a partir de cada ponto de vista, a construir um retrato. Os relatos ou mesmo a imagem que cada um guarda da figura do Flávio, somado à minha pesquisa, me fizeram chegar num ser humano intenso e complexo. O espetáculo é um lugar de encontro e celebração sobre a figura do Flávio e seus pensamentos. A obra é ficcional, mas as referencias são todas reais.

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Instalação cênica

A montagem traça um panorama da vida artística de Flávio, desde seu envolvimento com a Comunidade do Cristo Operário, em 1956, até os últimos trabalhos, em 1985. “Não dá para ignorar o momento histórico em que ele viveu. O Flávio era múltiplo. Foi um cidadão atuante, viveu na época da ditadura militar, morreu de AIDS, numa época em que pouco se sabia sobre a doença. Tudo isso não é central no espetáculo, mas certamente o afetou artisticamente”, fala Nei.

Uma cama hospitalar é o elemento central do cenário. Dois biombos servem como telas para projeção de luz e imagens que simulam os delírios. Os figurinos têm uma base branca e alguns elementos coloridos que, assim como os objetos cênicos, rementem ao aspecto limpo e asséptico de um hospital.

A encenação também se utiliza de diferentes formas de expressão como a videoprojeção, a iluminação e a trilha sonora executada ao vivo por três músicos. Alguns atores fazem participação especial em vídeo interpretando personagens contemporâneos ao Flávio como Cacilda Becker, Lina Bo Bardi, Myriam Muniz, Walmor Chagas, entre outros.A plateia será acomodada em cima do palco. Uma instalação com telas representa as várias áreas de atuação do multiartista e durante o espetáculo o público pode pintar e interagir com elas.

O Flávio fez de tudo no teatro, além de romper com a estrutura de colaboração com a área em que atuava. Ele não trabalhava por encomenda, fazia um processo de acompanhamento de todo projeto e propunha muito, inclusive ajudando a determinar questões estéticas centrais da obra que montava”, comenta Nei.

Flávio Império

Cenógrafo, figurinista, diretor, arquiteto, professor e artista plástico. Suas experiências na pintura evidenciam o aprendizado da linguagem modernista. Reconhecido por seu trabalho artístico, Flávio trouxe ao fazer teatral, entre os anos de 1960 e 1980, uma nova forma de inserção das áreas artísticas de criação que, até então, eram consideradas secundárias em montagens de espetáculos de teatro.

Sua participação no processo de criação e seus estudos sobre os espetáculos o colocaram dentro das salas de ensaios com outros artistas criadores. Muitas peças tiveram sua concepção estética determinada pela cenografia, de tão poderosa, coerente e participativa que era sua presença.

Flávio Império morreu às vésperas de completar 50 anos, no Hospital do Servidor Público Estadual, vitimado por uma infecção bacteriana nas meninges causada pela Aids, em 1985.

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Réquiem Para Um Amigo Da Multidão
Com Nei Gomes
Duração 70 minutos
Recomendação 10 anos
Entrada gratuita (retirar ingresso com uma hora de antecedência)
 
03 a 05/06
Teatro Alfredo Mesquita (Av. Santos Dumont, 1770 – Santana, São Paulo)
Sexta e Sábado – 21h; Domingo – 19h
 
10 a 12/06
Teatro Leopoldo Fróes (Rua Antonio Bandeira, 114. Santo Amaro, São Paulo)
Sexta e Sábado – 20h; Domingo – 19h
 
17 a 19/0
Teatro Cacilda Becker (Rua Tito, 295 – Lapa, São Paulo)
Sexta e Sábado – 20h; Domingo – 19h
 
24 a 26/06
Teatro Flávio Império (R. Prof. Alves Pedroso, 600 – Cangaíba, São Paulo)
Sexta e Sábado – 20h; Domingo – 19h
 
 
Idealização, Dramaturgia e atuação: Nei Gomes.
Direção: Renata Zhaneta.
Assistentes de direção: Andressa Ferrarezi e Osvaldo Hortêncio.
Assistentes de produção: Maria Carolina Dressler e Adriano Rosa.
Participação especial em vídeo: Andressa Ferrarezi, Daniela Giampietro, Karen Menati, Osvaldo Hortêncio, Maria Carolina Dressler, Osvaldo Pinheiro e Renata Zhaneta.
Identidade Visual, Registro e Produção Multimídia: Jonatas Marques.
Provocadores musicais: Piero Damiani e Rani Guerra.
Cenografia: Luis Carlos Rossi.
Figurino: Mariana Moll.
Iluminação: Erike Busoni.
Assessoria de Imprensa: Adriana Balsanelli.
Grupo parceiro com sede para ações: Periferia Invisível.