PELO CANO

‘Pelo Cano’ é um espetáculo de palhaçaria criado a partir da paixão comum das atrizes Paola Musatti e Vera Abbud por esta linguagem. Duas palhaças vivem pequenas situações que revelam sua forma de interagir com o mundo, em geral de forma ridícula e catastrófica. Emily e Manela, chegam para tocar seus instrumentos em troca de moedas, como fazem os músicos e musicistas de rua. A partir daí, uma série de situações inusitadas envolve as palhaças. Elas tentam solucionar essas situações da melhor forma possível. Nem sempre conseguem!

Paola e Vera expõem os conflitos entre duas figuras antagônicas e, poeticamente, complementares. Neste sentido, apoiam-se na dramaturgia tradicional de palhaços. Mas em ‘Pelo Cano’ tais conflitos não se revelam por gags consagradas, típicas do repertório tradicional. No espetáculo, o recurso aos fundamentos clássicos não produz uma estética necessariamente clássica. A roupagem de ‘Pelo Cano’ é contemporânea. E suas gags, além de novas, buscam dialogar com questões também contemporâneas.

Toda a narrativa, que não é linear, é centrada na interação entre a dupla Emily e Manela, e também com o ambiente que as cerca. Através disto, as palhaças revelam suas formas de pensar o mundo, de estar no mundo. Utilizam objetos cotidianos: dinheiro, fita crepe, sifão de pia. Trabalham esses objetos sob formas que escapam da sua função cotidiana e utilitária.

‘Pelo Cano” começou com uma pequena cena de 15min em 2005. Participou de diversos festivais de cenas curtas como Cenas Curtas do Galpão Cine Horto de BH, onde ganhou vários prêmios. Isso motivou as atrizes a criar o espetáculo Pelo Cano. Ao longo desses anos, ‘Pelo Cano’ passou por muitas transformações. Desde sua estreia, cenas inteiras foram suprimidas, outras cenas inéditas entraram, outras ainda tiveram seus lugares mudados, e novas músicas foram acrescentadas à trilha.

Essas mudanças vêm da percepção interna das palhaças de que algo precisa mudar, ou vêm da resposta do público, ou de algum improviso que acontece durante alguma apresentação.

A dupla de palhaças Paola Musatti e Vera Abbud, trabalham juntas há mais de vinte anos, em projetos como Doutores da Alegria, Jogando no quintal, tendo como foco principal a linguagem do palhaço. Optaram neste espetáculo por uma vertente mais

poética do palhaço, com música ao vivo e poucas palavras. Sem dispensar a gargalhada que esta linguagem proporciona. É um espetáculo de palhaço que concebido para todas as faixas etárias, como no circo.

Muitas das cenas desse espetáculo surgiram no trabalho de palhaço em hospital que a dupla desenvolve. Nessas cenas utilizam objetos: dinheiro, fita crepe, sifão de pia.

Trabalham eles de diferentes formas que escapam da sua função cotidiana e utilitária.

Eles ajudam a revelar a inaptidão do palhaço com a vida, sua forma enviesada de resolver as situações e seu dom de transformar a realidade. Por vezes revelam novos espaços, emitem sons que são incorporados às músicas tocadas ao vivo pelas palhaças.

É um espetáculo de palhaço que proporciona poesia e gargalhada para todas as idades. Estão nos ingredientes do espetáculo o riso, a fragilidade, a brincadeira, músicas, mágicas, a liberdade, a transgressão do espaço, do tempo e um tanto de poesia.

 “Graças ao apoio do Fomento ao Circo, conseguimos criar e estruturar uma cena de mágica (quick-change) que fará parte desta temporada. ‘Pelo Cano’ contou com muitos colaboradores durante seus processos de criação e aprimoramento. Entre tais colaboradores encontram-se os palhaços e palhaças dos Doutores da Alegria, do Jogando no Quintal e, principalmente, o palhaço Fernando Sampaio. Esses são profissionais pelos quais nutrimos grande amor e admiração. São parceiros e parceiras com quem partilhamos nossa paixão: o ofício da palhaçaria. Dedicamos o espetáculo aos palhaços e às palhaças de ontem, de hoje, e de sempre!”, diz Paola.

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Pelo Cano
Com Paola Musatti (Palhaça Manela) e Vera Abbud (Palhaça Emily)
Teatro Cacilda Becker (Rua Tito, 295 – Lapa, São Paulo)
Duração 60 minutos
04 a 27/05
Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 20h
Grátis
Classificação 12 anos

COREOLÓGICAS LUDUS / COREÔ

Em comemoração ao Mês das Crianças, o Caleidos Cia de Dança vai ocupar o Teatro Cacilda Becker, que fica na Lapa, na zona oeste de São Paulo, com dois espetáculos interativos, criados para toda a família.

De 30 de setembro a 15 de outubro, o Caleidos vai apresentar o espetáculo interativo “Coreológicas Ludus”, concebido em 2009, em diálogo com a Coreologia de Rudolf Laban. Este espetáculo interativo de dança contemporânea propõe cenas de participação e descoberta da dança. Cada apresentação é um convite diferente a todos os corpos para apreciar, dançar e experienciar a ludicidade da arte.

E, de 21 a 29 de outubro, será a vez do espetáculo “Coreô”, uma dança em jogo e um jogo em cena. Neste trabalho, os bailarinos compartilham com o público propostas que podem ser jogadas ou assistidas, criando cenas em tempo real a partir de jogos que proporcionam dança. Em “Coreô” os jogos que proporcionam dança e criam as cenas são propostos por meio de combinados que são apresentados verbalmente ao público. Os participantes que quiserem jogar a cena com os bailarinos assumem o espaço de dança e constroem em tempo real o espetáculo.

Tanto “Coreológicas Ludus” como “Coreô” fazem parte de uma programação de espetáculos de dança interativos criados pelo Caleidos para toda a família. A ideia é convidar para o palco as crianças e os pais ou avós para que todos participem juntos de um processo lúdico e criativo.

Em geral, nossos trabalhos não têm uma faixa etária determinada. Para nós é mais interessante quando a família inteira está junta no palco dançando. Pois não se trata de uma arte ‘para’ a criança, mas sim de uma arte ‘com’ a criança, que inclui a criança junto com o pai, ou com a avó, ou com o irmão mais velho”, conta a diretora do Caleidos, Isabel Marques.

Nosso trabalho aposta em criar a dança junto com a criança e, neste processo interativo, trabalhar o empoderamento do corpo infantil. Deixar a criança saber que ela pode criar, que ela pode participar e que ela tem voz. Acreditamos na capacidade da criança de refletir, de problematizar e de pensar e de ter suas próprias ideias e danças”, diz a diretora.

Os espetáculos interativos criam um diálogo com as crianças e com o público. As crianças são sempre convidadas e dançar com a companhia. O Caleidos já tem 23 trabalhos com pesquisa contínua com a interação, muito influenciada com as teorias do Paulo freire no sentido de criar um diálogo entre os artistas e o público, no caso, o público infanto-juvenil e seus familiares/adultos.

Vemos a dança como uma possibilidade de leitura do mundo. Como eu enxergo o mundo, como eu penso o mundo e como crítico o mundo a partir da experiência de dança. Nossa proposta de dança é pensar o ser humano como um criador de dança e, portanto, um cocriador do mundo” conclui Isabel.

 

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Coreológicas Ludus
Com Ágata Cérgole, Nigel Anderson, Renata Baima
30/09 até 15/10
 
Coreô
Com Ágata Cérgole, Nigel Anderson, Renata Baima
21 a 29/10
 
Teatro Cacilda Becker (Rua Tito, 295, Lapa – São Paulo)
Sábado e Domingo – 16h
$16
Classificação Livre

ON LOVE

On Love traz um olhar não convencional sobre o amor. O tratamento dado ao tema, nesta obra, foge do que poderia ser tachado como demasiado comum e esgotado e aponta um movimento contrário, de inquietação e provocação para um olhar mais sensível e humano face à frenética contemporaneidade. A estreia acontece no dia 7 de julho no Teatro Cacilda Becker.

A trilha composta por Dr Morris é executada ao vivo por Alexandre Maldonado. Cenário e luz são de Marisa Bentivegna e os figurinos de Marichilene Artsevskis.

O espetáculo, construído por narrativas em primeira pessoa, propõe uma forma muito simples e se apoia na relação próxima e direta entre o espectador e a matéria narrada, provocando uma escuta silenciosa, porém participativa, sobre aspectos íntimos e moventes das relações. Seguindo essa atmosfera íntima, o diretor Francisco Medeiros optou por deixar a plateia no palco, portanto mais próxima dos atores.

Motivados pelo processo de trabalho de Mick Gordon, que construiu esta obra em sala de ensaio, a Cia Barracão Cultural se lançou em uma proposta de co-autoria, na qual os atores trouxeram depoimentos próprios ou de outras pessoas para a sala de ensaio. Parte deste material integra o texto final, que se configurou como uma mistura de narrativas oriundas do texto original de Mick Gordon com as narrativas Brasileiras.

Esta é a segunda parceria da Barracão Cultural com o diretor Francisco Medeiros. Juntos, fizeram em 2012 o espetáculo “Facas nas Galinhas”, que teve excelente acolhida de crítica e público, sendo indicado ao Prêmio Shell em três categorias.

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On Love
Com Eloisa Elena, Claudio Queiroz e Júlia Moretti
Teatro Cacilda Becker (R. Tito, 295 – Lapa, São Paulo)
Duração 75 minutos
07 a 30/07
Sexta e Sábado – 21h; Domingo – 19h
$20
Classificação 16 anos

 

MOINHOS E CARROSSÉIS

Durante sua trajetória, o Grupo Pasárgada sempre teve enfoque na pesquisa de linguagem estética, privilegiando textos e encenações que abordam temas e conteúdos ligados a valores como: raízes populares, identidade cultural, cidadania, exclusão social e qualidade de vida.

Nesta nova montagem, o grupo reúne na ficha técnica artistas que estiveram presentes nesta história, nomes relevantes para o grupo com­­o Valnice Vieira Bolla e Gustavo Kurlat. Bolla assume novamente, nesta nova versão, cenário, figurinos e adereços. Gustavo Kurlat assina a direção musical. Com sua vasta experiência e competência com o público jovem, Débora Dubois assume a direção geral desta montagem.

A nova montagem de Moinhos e Carrosséis estreia dia 5 de novembro no Teatro Cacilda Becker para temporada até 20 de novembro. Em seguida, o musical engata temporada no Teatro João Caetano, de 3 a 11 de dezembro.

A história de Moinhos e Carrosséis se passa em um ano no futuro, P. e F., junto a outros visitantes, fazem uma viagem para um museu, controlada rigidamente por um Sistema de Segurança. Atraídos por uma melodia, os dois saem do roteiro e penetram numa galeria desconhecida, onde descobrem figuras que despertam sentimentos que têm um profundo significado para a sobrevivência da espécie humana. “O texto não tem o tom de caos e catástrofe como se o futuro estivesse comprometido, mas, ao mesmo tempo, é uma metáfora da realidade que estamos vivendo atualmente, que assusta e amedronta pela falta de esperança que nos envolve e nos impede de enxergarmos novos rumos”, analisa o dramaturgo José Geraldo Rocha.

Sempre tive grande fascínio pela literatura de ficção científica e alguns autores clássicos me inspiraram, entre eles, Julio Verne, Carl Sagan e Ray Bradbury. Na obra, no conto “Um Som de Trovão”, Bradbury leva o leitor a uma viagem ao passado, através de uma máquina do tempo, o conto me inspirou para escrever um enredo que permitisse falar de emoções e sentimentos que possam manter vivos nossos sonhos de liberdade e escolhas”, comenta o autor.

Utilizando o jogo tradicional e o jogo teatral como instrumento de criação, a montagem conta com a atuação de músicos-atores tocando e cantando ao vivo com a riqueza de cenários e figurinos que permitem manipulações e transformações cênicas constantes.

Moinhos e Carrosséis
Com Alessandro Aguipe, Angela Lyra, Kaká Degáspari, Lilian de Lima, Luian Borges e Ricardo Aguiar. Stand-in: Janaína Rocha e Thiago França
Duração 55 minutos
Sábado e Domingo – 16h
$10
Classificação livre
 
Teatro Cacilda Becker (R. Tito, 295 – Lapa, São Paulo)
05 a 20/11
(08, 09, 15 e 16/11 – entrada gratuita)
Teatro João Caetano (R. Borges Lagoa, 650 – Vila Clementino, São Paulo)
03 a 11/12
 
Texto: José Geraldo Rocha
Direção: Débora Dubois
Assistente de direção: Felipe Correa
Direção de movimento: Fabricio Licursi
Cenário e figurinos: Claudio Cretti e Valnice Vieira Bolla
Criação e confecção de adereços: Mariano Pereira e Vanice Vieira Bolla
Direção musical e composição: Gustavo Kurlat
Letras das canções: José Geraldo Rocha e Gustavo Kurlat
Iluminação: Luiz Alex
Cenotécnicos: Alisson Nascimento Cabral e Fernando de Vito Luna
Costureira: BenêCalistro
Direção de produção: Kiko Rieser
Produção executiva: José Geraldo Rocha e Valnice Vieira Bolla
Coordenação geral do projeto: José Geraldo Rocha
Fotografia: Heloísa Bortz
Vídeo: Ricardo Montenegro
Assessoria de imprensa: Pombo Correio (Douglas Picchetti e Helô Cintra)
Designer gráfico: Kleber Góes
Realização: Secretaria Municipal de Cultura
Projeto contemplado na 4ª edição do Prêmio Zé Renato

BARULHO D’ÁGUA

Comemorando 15 anos de trajetória, a Companhia Nova de Teatro dá continuidade às pesquisas sobre processos migratórios, seus reflexos e consequências e estreia BARULHO D’ÁGUA no dia 1º de julho, sexta-feira, às 21 horas, no Teatro João Caetano.

A versão brasileira nasceu do encontro dos artistas Carina Casuscelli (tradução e direção) e Lenerson Polonini (provocação e iluminação), fundadores da Companhia Nova de Teatro, com o dramaturgo italiano Marco Martinelli.

As apresentações acontecem em três teatros da capital paulista: Teatro João Caetano (1º a 24 de julho), Teatro Cacilda Becker (29 de julho a 7 de agosto) e Teatro Alfredo Mesquita (de 12 a 21 de agosto), sempre com ingressos gratuitos.

Em 2009, o renomado dramaturgo italiano, Marco Martinelli (que fará um encontro online com o público paulista, em data à definir durante a temporada), movido por uma das piores tragédias humanas sofridas em seu país, decide transformar em dramaturgia a perda de centenas de vidas no Mar Mediterrâneo. BARULHO D’ÁGUA narra a travessia de imigrantes, em sua maioria refugiados de zonas de conflitos, atravessando o mar mediterrâneo em embarcações precárias rumo aos países europeus.

O contato com o autor italiano se deu em 2014 na cidade de Nova Iorque, onde a Companhia Nova de Teatro pesquisava o espetáculo 2xForeman: peças Bad Boy Nietzsche e Prostitutas Fora de Moda, de Richard Foreman, e Marco Martinelli apresentava a versão italiana de BARULHO D’ÁGUA no Teatro La MaMa. “Nas conversas sobre as pesquisas dos grupos, enxergamos a possibilidade de um intercâmbio, e, com isso, firmamos um acordo de cooperação para investigar dramaturgicamente o tema imigração, com base em experiências desenvolvidas nos dois países.”, explica Lenerson Polonini, diretor artístico do grupo.

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Depoimentos de refugiados

A dramaturgia do espetáculo tem como eixo central o depoimento de cinco refugiados, que foram colhidos pelo próprio Marco Martinelli na Ilha de Lampedusa, na região da Sicília (Itália). O texto original é um monólogo, onde um general conta a história desses refugiados, mas, na versão brasileira, a diretora Carina Casuscelli resolveu dar vida aos refugiados, cabendo ao ator Alexandre Rodrigues a interpretação de alguns dos personagens.

O general (papel de Vicente Latorre) representa os serviços das capitais europeias que praticam a “política de acolhimento”. “Esse personagem diabólico é, por vezes, grotesco, desequilibrado, psicótico, sádico, cínico, fatalista, mas, também, um simpático porteiro de certa ilha dos mortos, com a missão de ‘reunir e contar as almas de imigrantes’”, conta a diretora.

A atriz Rosa Freitas entoa as canções do espetáculo, acompanhada, ao vivo, pelo percussionista e bailarino colombiano Omar Jimenez, que também dançará durante as apresentações. O elemento virtual “água” será utilizado como um espelho do “eu”. As vozes ressonantes e a figura do general permearão toda a encenação, que será potencializada pelo trabalho videográfico e documental, com telas de projeção transparente, no intuito de criar sobreposições para narrar fatos no passado e presente.

Números

BARULHO D’ ÁGUA narra a história do drama de milhares de refugiados, que, em sua maioria, morrem atravessando o mar Mediterrâneo. Carina explica que tanto os sobreviventes, como os mortos, são identificados por números, e os que não conseguem se salvar viram apenas um registro, sem a possibilidade da família resgatar o corpo. “Os números estão presentes durante toda a montagem, ora projetados, ora nos corpos dos personagens. O nosso espetáculo também é uma forte crítica àqueles que entendem a imigração como uma mercadoria”.

Para Lenerson Polonini, o tema abordado em BARULHO D’ ÁGUA tem ocupado espaço crescente em todas as mídias, por meio de reportagens, fotos e imagens e tem chocado a população global. “Infelizmente, o sentimento de indignação parece estar dando lugar ao conformismo, à apatia e à insensibilidade que tem dominado o nosso cotidiano diante de milhares de mortes que parecem não nos afetar. Mas o teatro, por sua natureza, é um lugar onde a tragédia pode ser representada, revivida, podendo aproximar a plateia daquilo que por vezes parece pertencer somente à ficção”, acredita ele.

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Barulho D’Água
Com Alexandre Rodrigues, Vicente Latorre e Rosa Freitas. Instrumentista e Bailarino – Omar Jimenez.
Duração 50 minutos
Entrada gratuita (ingressos distribuídos uma hora antes de cada apresentação)
Classificação livre
 
01 até 24/07
Teatro João Caetano (Rua Borges Lagoa, 650 – Vila Clementino, São Paulo)
Sexta e Sábado – 21h; Domingo – 19h
 
29/07 até 07/08
Teatro Cacilda Becker (Rua Tito 295 – Lapa, São Paulo)
Sexta e Sábado – 21h; Domingo – 19h
 
12 a 21/08
Teatro Alfredo Mesquita (Avenida Santos Dumont, 1770 – Santana, São Paulo)
Sexta e Sábado – 21h; Domingo – 19h
 
Dramaturgia – Marco Martinelli.
Direção – Carina Casuscelli.
Provocação e Iluminação – Lenerson Polonini.
Figurinos – Carina Casuscelli.
Vídeos e Documentação Audiovisual – Alexandre Ferraz.
Direção Musical – Wilson Sukorski.
Concepção Espacial e Produção – Carina Casuscelli e Lenerson Polonini.
Realização – Companhia Nova de Teatro.
Assessoria de Imprensa – Nossa Senhora da Pauta

 

RÉQUIEM PARA UM AMIGO DA MULTIDÃO

Projeto idealizado e protagonizado pelo ator Nei Gomes, Réquiem Para Um Amigo da Multidão estreou no Teatro Municipal Flávio Império, Zona Leste da cidade. Com direção de Renata Zhaneta, o espetáculo presta homenagem ao multiartista Flávio Império (1935-1985), que revolucionou a cenografia brasileira, celebrando sua contribuição para o teatro brasileiro. Flávio Império, se estivesse vivo, estaria com 80 anos de vida e 60 de carreira.

Contemplado com o Prêmio Zé Renato da Cidade de São Paulo, o espetáculo circulará pelos teatros distritais da cidade durante os meses de maio e junho, com o apoio da Secretaria Municipal de Cultural. As próximas apresentações serão: Teatro Alfredo Mesquita, dias 3, 4 e 5 de junho; Teatro Leopoldo Fróes, dias 10, 11 e 12 de junho; Teatro Cacilda Becker, dias 17, 18 e 19 de junho e retorna ao Teatro Flávio Império, dias 24, 25 e 26 de junho. O projeto está habilitado pelo edital PROART Educação, sendo um estímulo para debate sobre arte e história.

Pela contribuição do artista para as áreas além do teatro, no dia 26 de junho, último dia do espetáculo, será realizado um debate, após a sessão, com os arquitetos Lívia Loureiro, Pedro Arantes e Yuri Quevedo, profissionais influenciados pela obra de Flávio Império.

Com dramaturgia do próprio Nei Gomes, o texto tem como base a obra e o trabalho do artista no teatro, na arquitetura e nas artes plásticas. “A peça é uma vivência, onde a relação espectador-ator é muito próxima, um happening de muitas linguagens. O objetivo é trazer à tona suas inquietações e contribuições para as artes”, define o autor.

Realçando a importância de Flávio Império para a arte brasileira, a peça retrata o artista nos momentos finais de sua vida, em um balanço consigo próprio e em reflexões sobre vida e morte. Em 1985, Flávio foi internado com encefalite decorrente da AIDS. A dramaturgia parte do processo de delírios, comuns nesse quadro clínico, para rememorar sua trajetória.

O fio condutor são as suas memórias e experiências vividas. Então me veio a ideia de um devaneio ficcional, decorrente das infecções que teve quando internado. A memória não é perfeita, tem lacunas, criamos coisas, tudo isso aliado à situação do delírio me fez construir um narrador que passasse por diversos planos, podendo ser lírico, dramático ou narrativo. Assim o texto pode ter saltos não lógicos”, explica Nei.

Durante o processo de pesquisa, Nei Gomes entrevistou personalidades que conviveram com o cenógrafo, como Maria Thereza Vargas, José Celso Martinez Corrêa, Drauzio Varela, Suzana Yamauchi, Loira Cerroti, Iacov Hillel, Edmar de Almeida e Vera Império Hamburger. Personagens e textos dos espetáculos que Flávio montou também serviram de referências para os desdobramentos do espetáculo.

Essas pessoas me ajudaram, a partir de cada ponto de vista, a construir um retrato. Os relatos ou mesmo a imagem que cada um guarda da figura do Flávio, somado à minha pesquisa, me fizeram chegar num ser humano intenso e complexo. O espetáculo é um lugar de encontro e celebração sobre a figura do Flávio e seus pensamentos. A obra é ficcional, mas as referencias são todas reais.

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Instalação cênica

A montagem traça um panorama da vida artística de Flávio, desde seu envolvimento com a Comunidade do Cristo Operário, em 1956, até os últimos trabalhos, em 1985. “Não dá para ignorar o momento histórico em que ele viveu. O Flávio era múltiplo. Foi um cidadão atuante, viveu na época da ditadura militar, morreu de AIDS, numa época em que pouco se sabia sobre a doença. Tudo isso não é central no espetáculo, mas certamente o afetou artisticamente”, fala Nei.

Uma cama hospitalar é o elemento central do cenário. Dois biombos servem como telas para projeção de luz e imagens que simulam os delírios. Os figurinos têm uma base branca e alguns elementos coloridos que, assim como os objetos cênicos, rementem ao aspecto limpo e asséptico de um hospital.

A encenação também se utiliza de diferentes formas de expressão como a videoprojeção, a iluminação e a trilha sonora executada ao vivo por três músicos. Alguns atores fazem participação especial em vídeo interpretando personagens contemporâneos ao Flávio como Cacilda Becker, Lina Bo Bardi, Myriam Muniz, Walmor Chagas, entre outros.A plateia será acomodada em cima do palco. Uma instalação com telas representa as várias áreas de atuação do multiartista e durante o espetáculo o público pode pintar e interagir com elas.

O Flávio fez de tudo no teatro, além de romper com a estrutura de colaboração com a área em que atuava. Ele não trabalhava por encomenda, fazia um processo de acompanhamento de todo projeto e propunha muito, inclusive ajudando a determinar questões estéticas centrais da obra que montava”, comenta Nei.

Flávio Império

Cenógrafo, figurinista, diretor, arquiteto, professor e artista plástico. Suas experiências na pintura evidenciam o aprendizado da linguagem modernista. Reconhecido por seu trabalho artístico, Flávio trouxe ao fazer teatral, entre os anos de 1960 e 1980, uma nova forma de inserção das áreas artísticas de criação que, até então, eram consideradas secundárias em montagens de espetáculos de teatro.

Sua participação no processo de criação e seus estudos sobre os espetáculos o colocaram dentro das salas de ensaios com outros artistas criadores. Muitas peças tiveram sua concepção estética determinada pela cenografia, de tão poderosa, coerente e participativa que era sua presença.

Flávio Império morreu às vésperas de completar 50 anos, no Hospital do Servidor Público Estadual, vitimado por uma infecção bacteriana nas meninges causada pela Aids, em 1985.

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Réquiem Para Um Amigo Da Multidão
Com Nei Gomes
Duração 70 minutos
Recomendação 10 anos
Entrada gratuita (retirar ingresso com uma hora de antecedência)
 
03 a 05/06
Teatro Alfredo Mesquita (Av. Santos Dumont, 1770 – Santana, São Paulo)
Sexta e Sábado – 21h; Domingo – 19h
 
10 a 12/06
Teatro Leopoldo Fróes (Rua Antonio Bandeira, 114. Santo Amaro, São Paulo)
Sexta e Sábado – 20h; Domingo – 19h
 
17 a 19/0
Teatro Cacilda Becker (Rua Tito, 295 – Lapa, São Paulo)
Sexta e Sábado – 20h; Domingo – 19h
 
24 a 26/06
Teatro Flávio Império (R. Prof. Alves Pedroso, 600 – Cangaíba, São Paulo)
Sexta e Sábado – 20h; Domingo – 19h
 
 
Idealização, Dramaturgia e atuação: Nei Gomes.
Direção: Renata Zhaneta.
Assistentes de direção: Andressa Ferrarezi e Osvaldo Hortêncio.
Assistentes de produção: Maria Carolina Dressler e Adriano Rosa.
Participação especial em vídeo: Andressa Ferrarezi, Daniela Giampietro, Karen Menati, Osvaldo Hortêncio, Maria Carolina Dressler, Osvaldo Pinheiro e Renata Zhaneta.
Identidade Visual, Registro e Produção Multimídia: Jonatas Marques.
Provocadores musicais: Piero Damiani e Rani Guerra.
Cenografia: Luis Carlos Rossi.
Figurino: Mariana Moll.
Iluminação: Erike Busoni.
Assessoria de Imprensa: Adriana Balsanelli.
Grupo parceiro com sede para ações: Periferia Invisível.
 
 
 
 
 
 

“Suburbano Coração”

“Suburbano Coração”, texto de Naum Alves de Souza, estreia dia 11 de setembro no Teatro Cacilda Becker, com elenco composto por Aldine Muller, Luiza Jorge, Luciana Azevedo, Claudinei Brandão e Fernando Fecchio e direção de Nelson Baskerville.
Pedras no caminho e escolhas duvidosas confundem a trajetória de Lovemar, moça do subúrbio, que procura uma grande paixão incansavelmente. Ao lado de duas amigas extravagantes, ela se aventura em busca do homem ideal. E entre um erro aqui e um quase acerto ali, ela não desiste do sonho de encontrar o amor perfeito igual aos filmes românticos do cinema. E na espera, Lovemar vive alegrias e tragédias, embaladas na canção de Chico Buarque.
“Como bom brasileiro e excepcional dramaturgo, nesta comédia, mesclada de lirismo e humor ácido, Naum dota seus personagens de intensa maledicência, inveja e defeitos completamente humanos para contar a história de Lovemar”, conta Luiza Jorge, que além da protagonista, é idealizadora e produtora do espetáculo – ao lado de Fábio Santana.
“Quase caí na tentação de atualizar o texto que tem o rádio como seu interlocutor – companheiro das famílias e promotor de encontros amorosos -, mas resisti. As redes sociais e aplicativos promotores de encontros fazem exatamente o mesmo papel do rádio de antigamente, o que nos faz pensar que as formas mudam, as mídias progridem, mas a alma humana sempre estará em busca daquele que aplacará a solidão de nossos corações”, diz o diretor Nelson Baskerville.
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(crédito fotos – Lígia Jardim)

“Suburbano Coração”
Com Aldine Muller, Luiza Jorge, Luciana Azevedo, Claudinei Brandão e Fernando Fecchio
Teatro Cacilda Becker (Rua Tito, 295 – Vila Romana – São Paulo)
Duração 80 min
11/09 até 01/11
Sexta e Sábado – 21h; Domingo – 19h
$20