O ARQUITETO E O IMPERADOR DA ASSÍRIA

Escrita em 1967 pelo dramaturgo espanhol Fernando Arrabal, O Arquiteto e o Imperador da Assíria é uma das peças fundamentais da reflexão sobre o pós-guerra e o totalitarismo que culminou no confronto. Uma montagem inédita do espetáculo, criada pelo grupo Garagem 21, estreia no Centro Cultural São Paulo, no dia 27 de março de 2020, sexta-feira, às 20h30. A direção é de Cesar Ribeiro. No elenco, os atores Eric Lenate (Arquiteto) e Helio Cicero (Imperador).

Situada em uma ilha deserta, a peça se inicia com um desastre aéreo que leva seu único sobrevivente a entrar em contato com um nativo que jamais teve contato com outro ser humano. A partir dessa interação, o sobrevivente busca impor ao outro suas ideias de cultura e civilização.

Ao contrapor um homem civilizado com um ser sem origem reconhecida, sem ascendência e que nunca teve contato com outro humano, a obra retrata a violência inserida no processo de formação da sociedade. Utilizando a cultura para seduzir o Arquiteto sobre as supostas maravilhas da civilização, além da construção da linguagem, há o processo de formação do Estado e do conhecimento de toda a estrutura social, em que entram conceitos como política, religião, família, relações afetivas, artes, filosofia e a própria noção de humano, termos desconhecidos pelo nativo e sempre apresentados pelo Imperador de modo distorcido, trazendo conexões com as ideias de fake news e pós-verdade”, analisa o diretor.

A escolha de montar O Arquiteto e o Imperador da Assíria representa uma continuidade da proposta de Cesar Ribeiro em dirigir peças que abordem sistemas diversos de violência. “De acordo com o conceito de Triângulo da Violência, proposto pelo sociólogo norueguês Johan Galtung, pode-se dividi-la em três tipos: a violência direta, que é a forma mais reconhecível na sociedade, em que há um agente que comete a violência, um que a sofre e uma ação violenta, como o assassinato; a violência estrutural, em que a violência se imiscui na estrutura da sociedade, como a desigualdade social, por meio de questões como o desemprego; e a violência cultural, que retrata os modos de discurso e visão de mundo que buscam validar a violência direta e a estrutural, como o racismo, o machismo e a homofobia. Na peça, há as três tipificações, mas o alicerce da criação do poder do Imperador está na violência cultural, ao utilizar o conhecimento do mundo dito civilizado para seduzir o Arquiteto e fazer com que o jogo de dominação seja aceito por ele”, diz Cesar.

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O texto original de Arrabal foi preservado na adaptação, mas o grupo inseriu trechos de obras de outros autores, como do dramaturgo irlandês Samuel Beckett e do carioca Nelson Rodrigues. Segundo o diretor, trata-se de inserções pontuais que complementam frases de Arrabal e reforçam as semelhanças que regimes totalitários têm entre si. “Também foi possível inserir texto de editorial do dia seguinte ao golpe militar de 1964, em uma busca de intensificar a crítica da montagem ao autoritarismo atual”, conta.
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Houve a opção de não representar na cena os elementos que poderiam remeter a uma ilha deserta – a escolha foi criar um terreno distópico não facilmente identificado, por meio de uma estética contemporânea que remete a jogos eletrônicos e HQs para representar uma sociedade que se vale do artifício e do arbítrio, em oposição à alegação de suposta “natureza das coisas”. Do mesmo modo, o desastre também deixa rastros que são utilizados cenicamente, como a cabine e a poltrona do avião, que se tornam, respectivamente, o trono do Imperador e sua cabana.

A inspiração para esse cenário apocalíptico é múltipla. Há elementos da saga japonesa Ghost In The Shell; do artista plástico suíço H. R. Giger, reconhecido pela estética metalizada e futurista de Alien; do cinema expressionista alemão; e das propostas cênicas do encenador polonês Tadeusz Kantor.

O figurino também responde a uma estética futurista fundida à moda elisabetana, com influências do estilista britânico Gareth Pugh. “Há uma busca de não localizar tempo e espaço na montagem, ao mesmo tempo em que esse espelhamento em um futuro de ruínas industriais e tecnológicas aponta para a transformação da sociedade a partir de sua periferia, de seus produtos, mas não do humano em si”, complementa Cesar.

O diretor reforça que o ponto central da encenação é abordar como determinados modos da narrativa, que representam uma visão da realidade, servem a um projeto totalitário de poder que se pretende salvador, mas que, para exercer essa ideia de salvação, constrói a destruição do outro, do divergente, seja por meio de crimes diretamente executados por agentes do Estado ou por diversos mecanismos de coerção e perseguição. “Trata-se de uma necropolítica, do constante retorno a modos de tratar o outro como inimigo, seja por aspectos morais, religiosos, econômicos, políticos, raciais, sexuais ou afins. O poder de agentes, intra ou extra Estado, de determinar quem é útil ou inútil a determinada sociedade e dispor sobre sua vida e sua morte. Esse princípio de aniquilação do outro visando a um suposto bem comum, sempre excludente, é característica de toda ditadura e de uma civilização em estado de guerra contra sua própria população, solidificando a barbárie como aspecto do cotidiano”, conclui.

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O Arquiteto e o Imperador da Assíria

Com Eric Lenate e Helio Cicero

Duração 120 minutos

Classificação 16 anos

Centro Cultural São Paulo – Sala Jardel Filho (Rua Vergueiro, 1000 – Paraíso, São Paulo)

27/03 a 19/04

Quinta a Sábado – 20h30, Domingo – 19h30

$20 (entrada gratuita para estudantes e professores da rede pública de ensino)

Teatro Cacilda Becker (R. Tito, 295 – Lapa, São Paulo)

01 a 24/05

Sábado – 21h, Domingo – 19h (sessão extra 01/05 – sexta 21h)

$20 (entrada gratuita para estudantes e professores da rede pública de ensino)

O INCRÍVEL CASO DO MENINO DE VESTIDO

No dia 21 de março de 2020, sábado, às 16h, estreia o espetáculo infantil “O Incrível Caso do Menino de Vestido” no Teatro Cacilda Becker, na Lapa. A peça integra a Mostra Sonhos em Tempos de Guerra, da República Ativa de Teatro, contemplada pela 32ª Edição do Programa de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo. A temporada vai até o dia 19 de abril, sempre aos sábados e domingos às 16h. Grátis!

A história de Dennis revela a inocência e a ingenuidade da criança diante dos preconceitos dos adultos. Em cena estão os atores Leandro Ivo, Rodrigo Palmieri, Thiago Ubaldo e Vivi Gonçalves. A direção é de Fernando Neves.

Mostra Sonhos em Tempos de Guerra contempla seis espetáculos teatrais, com linguagens distintas e com a participação de diversos outros artistas. Em 2019 foram apresentados os espetáculos “O Inimigo” no Teatro Décio de Almeida Prado, “A Sombra do Vale” no Teatro João Caetano, “Invocadxs” A Cidade de Dentro no Teatro Alfredo Mesquita. “O Incrível Caso do Menino de Vestido” é o quinto dentre esses seis espetáculos que serão apresentados gratuitamente em Teatros Públicos Municipais. O projeto promoverá ainda debates públicos sobre o Teatro e a Criança na Embaixada Cultural – sede da República Ativa -, que fica na Vila Dom Pedro II – Zona Norte da cidade.

Um menino pode usar um vestido?

A história de Dennis revela a inocência e a ingenuidade da criança diante dos preconceitos dos adultos. Afinal, quem foi que disse que menino não pode usar vestido? Quem foi que ditou as regras que determinam nossa cultura? A cultura é estática ou está sempre em transformação? É possível falar sobre preconceito de gênero com uma criança? Essas e outras perguntas foram fundamentais para a construção desse espetáculo, que é fruto da pesquisa da República Ativa de Teatro.

No enredo, Dennis é apresentado como um menino comum. Mas ele se sentia diferente. Achava que sua vida era chata e monótona. Diante de uma rotina sem maiores surpresas, algo de extraordinário simplesmente tinha que acontecer! E foi exatamente quando aconteceu que tudo a sua volta virou “de cabeça pra baixo”: ele decidiu usar um vestido, e isso gerou uma infinidade de comentários, julgamentos e opiniões de todos os lados, principalmente de sua família. Mas, afinal, por que uma ação tão simples pode gerar tanta polêmica? Será que existe mesmo um problema com Dennis, ou esse problema está nos julgamentos de todos à sua volta? Com recortes e fragmentos deste episódio, o espetáculo mostra os desafios que Dennis enfrentou ao se vestir desta forma.

Mas será que tudo é o que parece ser? Por quais motivos Dennis resolveu usar um vestido? Será que as regras sociais são realmente mais importantes do que os sentimentos humanos? Até que ponto somos reféns dessa moral? A quem ela serve? Ao falar sobre gênero, também trazemos à realidade da criança e do adulto tais questionamentos, apresentando um caso real (entre tantos outros) que evidencia a urgência de discutir os assuntos propostos com nosso público.

Para tratar esse tema tão delicado, o grupo convidou o ator e diretor Fernando Neves para orientar essa etapa da pesquisa, trazendo seus conhecimentos da linguagem do Circo-Teatro e do Melodrama. Oriundo de uma família tradicional circense, Neves guiou o trabalho com técnicas de interpretação e de escolhas dramatúrgicas dessa linguagem para ajudar a contar a trama desse herói. Sim, herói no sentido de que ele passa por diversas provações sem desviar seu caráter. Essa escolha é pertinente para mostrar que a ação de Dennis é genuína e não merece ser julgada superficialmente. Tratar de preconceito é mostrar as diversas perspectivas e o quanto elas podem ser falhas por se basearem apenas na aparência ou em regras que nem sempre se encaixam na realidade.

Você se sente bem vestido da tua própria opinião?

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O Incrível Caso do Menino de Vestido

Com Leandro Ivo, Rodrigo Palmieri, Thiago Ubaldo e Vivi Gonçalves

Teatro Cacilda Becker (Rua Tito, 265 – Lapa, São Paulo)

Duração 50 minutos

21/03 a 19/04

Sábado e Domingo – 16h

Grátis

Classificação Livre

POR QUE NÃO VIVEMOS?

Após se dedicar à criação de dramaturgias originais, montagens e traduções de autores contemporâneos inéditos, a companhia brasileira de teatro retorna aos clássicos sem perder, no entanto, o caráter de inovação.

Escrita pelo dramaturgo russo Anton Tchekhov (1860-1904) por volta dos 20 anos, a história do professor Platonov foi descoberta nos arquivos do seu irmão após a sua morte, e publicada em 1923. Inédita no Brasil, a obra recebeu nesta adaptação dirigida por Marcio Abreu o nome Por que não vivemos?. A peça faz duas temporadas em São Paulo, a primeira entre 14 de fevereiro e 01 de março e a segunda temporada entre 20 de março e 19 de abril, no Teatro Cacilda Becker.

A vontade da companhia de montar esse texto vem desde 2009. Marcio Abreu, Nadja Naira e Giovana Soar assinam a adaptação da obra, feita a partir de uma tradução original do russo por Pedro Augusto Pinto e de versões francesas.

Embora não tenha um título oficial, a peça foi publicada em diversos países como Platonov em homenagem a um dos personagens, o professor Mikhail Platonov. Foi somente no final da década de 1990 que a obra ganhou traduções e montagens em diversos teatros da Europa. Em 2017, os atores Cate Blanchett e Richard Roxburgh estrearam uma versão do texto na Em Sidney, na Austrália, com o título de The Present. Giovana conta que o processo de adaptação também contou com atualizações sobre dinâmicas e relações que não fariam tanto sentido de serem postas em cena nos dias de hoje. “Também reduzimos o número de personagens, fizemos cortes e reposicionamos cenas para que os assuntos centrais do texto não fossem perdidos, mas sim condensados“, explica Giovana.

Por ser uma obra sem título oficial, o grupo batizou a peça com uma pergunta chave que está inserida no texto: por que não vivemos como poderíamos ter vivido?. “Essa questão, que se abre para tantas outras, é um pouco a alma dessa peça“, diz Marcio.  “Quando esse texto foi resgatado, não havia capa nem título. Como outras peças em que o personagem principal dá nome ao texto, como Ivanov, se deu esse nome Platonov“, conta Giovana Soar, que ressalta que o título escolhido pela companhia traduz o drama que permeia o espetáculo. “São pessoas que gostariam de estar em outro lugar, mas não fizeram nada para isso. Mostra como a trama da vida vai se desenrolando e as pessoas vão caindo na armadilha de ficar onde estão“.

O diretor complementa ainda que o título estabelece uma dinâmica política ao apontar simultaneamente para o passado que não foi vivido e para uma convocação a um futuro que pode ser construído. Para ele, a encenação busca propor reflexões sobre as singularidades dos sujeitos, a conexão coletiva e uma consciência sobre as diferenças. “Os corpos dos atores se reconheceram na estrutura de um texto escrito no final do século XIX e as dinâmicas estabelecidas nos ensaios fizeram com que ele se atualizasse, conferindo ainda mais força à dimensão política da peça“, conclui.

A peça trata de temas recorrentes na obra de Tchekhov, como o conflito entre gerações, as transformações sociais através das mudanças internas do indivíduo, as questões do homem comum e do pequeno que existem em cada um de nós, o legado para as gerações futuras – tudo isso na fronteira entre o drama e a comédia, com múltiplas linhas narrativas. “É o primeiro texto de Tchekhov, um texto muito jovem, mas muito revisitado em diversos países porque tem nele o que depois vem a ser o cerne do Tchekhov“, diz o diretor.

A montagem tem um foco muito específico nas personagens femininas. São elas que causam transformação, que caminham, que querem e mudanças, contravenções e que enfrentam conceitos pré-estabelecidos na sociedade da época” , conta Giovana. A artista complementa que esses traços estavam no texto de Tchekhov, mas foram acentuados na adaptação. Para ela, o olhar do autor causava uma espécie de premonição para os movimentos futuros que se sucederam.

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Por Que Não Vivemos?

Com Camila Pitanga, Cris Larin, Edson Rocha, Josi Lopes, Kauê Persona, Rodrigo Bolzan, Rodrigo dos Santos, Rodrigo Ferrarini, Vanderlei Bernardin

Teatro Cacilda Becker (Rua Tito, 295, Lapa – São Paulo)

Duração 150 minutos

14/02 a 01/03

Quinta a Sábado – 20h, Domingo – 19h

20/03 a 19/04

Sexta e Sábado – 20h, Domingo – 19h

$30

Classificação 16 anos

CHICO ALMEIDA

Trazendo influências da música sertaneja raiz, MPB, rock, folk e jazz em arranjos para viola, o cantor mineiro Chico Almeida divulga seu primeiro CD com duas apresentações gratuitas em São Paulo: 20 de novembro, no Teatro Cacilda Becker; e 4 de dezembro, no Teatro – Centro Cultural Olido, sempre quarta-feira, 21h.

O artista é natural de Andrelândia (Sul de Minas). Nascido em uma família de tradição musical, ainda criança conheceu os encantos da viola com a Folia de Reis e se apaixonou pela música. A influência do Rock surgiu na adolescência. O artista consolidou sua formação com a graduação em Música pela UFOP (Universidade Federal de Ouro Preto), em 2009.

Nesse período, começou a estudar a linguagem da viola, fazendo releituras de outros ritmos e gêneros da música popular. A partir de 2010, começou a apresentar sozinho seus trabalhos autorais. De 2014 para cá, o artista começou a reunir composições que formaram seu disco de estreia.

No repertório, estão criações de Chico Almeida, além de uma parceria com Fernando Sodré, em letras marcadas pela mineiridade e que tratam de temas cotidianos como Trem de ferro, Franciscos, Trem de Gente, Mais Fácil, Tropas de Minas, Chico, Deleite, Da estrada Clareira, Uma canção, Fugas, Frevorada, Démodé. No disco, Chico canta sua terra e a mineiridade, incrementando as canções com as mais variadas influências, das folclóricas às mais sofisticadas.

A turnê de lançamento do CD, que leva o nome do cantor, já passou por Belo Horizonte, Ouro Preto, Juiz de Fora e São João del-Rei. As apresentações ainda acontecem em outras cidades de Minas Gerais e nas capitais do Rio de Janeiro e de São Paulo. A iniciativa é uma realização da Sereno Produções, com aprovação na Lei Estadual de Incentivo Fiscal à Cultura de Minas Gerais e conta com o apoio de Módulo Embalagens.

CD – Chico Almeida

Com Chico Almeida

Grátis

 

Teatro Cacilda Becker (Rua Tito, 295 – Lapa – São Paulo)

20/11

Quarta – 21h

 

Centro Cultural Olido (Av. São João, 473 – Centro, São Paulo)

04/12

Quarta – 21h

PEOPLE

Quem se lembra da animada época dos bailes charmes e dos passinhos cheios de criatividade e sincronia? Esta será uma ótima oportunidade de reviver estes momentos, pois nos dias 27 e 28 de novembro (quarta e quinta-feira), o Teatro Cacilda Becker, no Largo do Machado recebe a companhia Dança Charme & Cia, que apresentará o espetáculo People. A apresentação que tem como protagonista o Charme, faz parte programação do teatro em comemoração ao mês da Consciência Negra.

Dirigido pelo coreógrafo e diretor da Dança Charme & Cia, Marcus Azevedo, o espetáculo coloca em voga o sucesso dos anos 80, além de mostrar o cotidiano e a realidade vivida pelos dançarinos de ritmos urbanos como o Charme, popularmente conhecidos como “Charmeiros”.

O elenco conta com 22 atores e bailarinos, todos frequentadores dos bailes, que passaram por uma preparação corpórea e de movimentos rigorosa. Na seleção musical, a platéia poderá assistir a performances coreografadas com canções clássicas dos bailes de charme, além de Elza Soares, Racionais MCs, Tim Maia, Chaka Khan, entre outros.

O espetáculo pretende mostrar o quanto a cultura charme se mantém viva e faz parte da história do carioca, sendo um estilo de ritmos de danças urbanas. Para o diretor Marcus Azevedo, que carrega multidões em seus eventos na Zona Norte, apresentar seu espetáculo na Zona Sul do Rio é uma conquista. “O Charme faz parte de uma geração e continua vivo. Quem vivenciou aqueles momentos lúdicos e sadios onde os jovens se reuniam para criar danças em conjunto, com o desejo de fazer bonito nas festas, vai querer reviver esses momentos. Nós fazemos arte por amor e nos entregamos a nossa dança.  Queremos mostrar o quanto a dança nos faz manter vivo em nossos sonhos, além de fazer com que muitos revivam esta época das danças em conjunto”, conta Marcus Azevedo.

Cia dedicará um dia a aulas de charme com preço popular

Na segunda e terça-feira, dias 25 e 26, os coreógrafos de charme Marcus Azevedo e Eduardo Gonçalves da companhia Dança Charme & Cia ministrarão um animado Workshop de Dança Charme, das 14h às 17h, no Teatro Cacilda Becker. Para participar não precisa experiência previa, basta ter paixão pela dança e vontade de se reunir com a galera para fazer passinhos harmônicos em conjunto. Os interessados poderão se inscrever via e-mail culturacharme@gmail.com, ou no local por R$10. Sujeito a lotação.

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People

Com Jade Pitanga, Cris Marques, Cleiton Santos, Daianny dos Santos, Fernanda Amaral, Gedson Glabson, Haniel Vianna, Igor Gomes, Jessica Esteves, Luan Adão, Pedro Barreto, Felipe Salsa, Katia Bispo, Sevenir Jr, Wallace Vinicius, Xandy Neguitto, Ruan Daumas, Caio Lafaiete, Jader Gama, Erika Vidal, Rogério Jr

Teatro Cacilda Becker (R. do Catete, 338 – Catete, Rio de Janeiro)

Duração 70 minutos

27 e 28/11

Quarta e Quinta – 20h

$20

Classificação não informada

Workshop de Dança Charme

Teatro Cacilda Becker (R. do Catete, 338 – Catete, Rio de Janeiro)

25 e 26/11

Segunda e Terça – 14h às 17h

$10

Classificação não informada

A NEVE OU FORA DE CONTROLE

Sucesso de público e crítica o espetáculo A NEVE OU FORA DE CONTROLE, um dos textos vencedores da quinta edição da Mostra de Dramaturgia em Pequenos Formatos Cênicos do Centro Cultural São Paulo, faz nova temporada na capital paulista. A montagem, da Cia dos Imaginários, escrita e dirigida por René Piazentin, sobe ao palco do Teatro Cacilda Becker todas as sextas-feiras do mês de outubro – dias 4, 11, 18 e 25 – sempre às 21h.

Com Aline Baba, Fernanda Gama, Gustavo Xella, Izabel Hart, Leandro Galor, Mateus Pigari, Renata Grazzini e Rodrigo Sanches, a peça procura mostrar o momento atual, em que a perplexidade muitas vezes congela a possibilidade de ação. Desde que começou a nevar no Rio de Janeiro Pedro nunca mais foi visto. Enquanto o país se prepara para a Copa do Mundo sinais de celular são rastreados e um atentado no Maracanã tira a vida de trezentas pessoas. Em meio a tudo isso figuras grotescas tramam um golpe de Estado.

A NEVE OU FORA DE CONTROLE começou a ser escrita por René Piazentin em 1996, inspirada no golpe de 1964, mas com um universo próprio, sem a intenção de constituir-se como registro histórico. O autor, que também dirige a montagem, conta que O Rinoceronte, de Ionesco foi uma influência enorme para a ideia inicial, pela forma com que representa a adesão a um regime de exceção e como ela vai se dando aos poucos, quer pela ignorância, quer pela covardia. Esquecido em um caixa, o texto foi reencontrado em 2015 após uma mudança.

Acho que temos uma tendência em não levar à sério nossa versão de vinte anos atrás quando nos deparamos com ela, mas de súbito me interessei em terminar a peça inacabada. Anotei algumas coisas, pensei em acréscimos e alterações, mas faltava algo que estruturasse o diálogo entre a minha versão de 1996 e a de 2015. Pouco tempo depois, ainda em 2016, uma amiga atriz, Thais Giovanetti, me mandou a seguinte mensagem pelo WhatsApp: “sonhei que você fazia uma peça sobre o golpe e que nevava” (o WhatsApp já estava, naquele momento, sendo decisivo). A mensagem da Thais foi aquele elemento do acaso que joga a nosso favor”, explica o autor.

O impeachment de 2016 e o escancaramento da fragilidade da democracia brasileira foi o elo de ligação e René decidiu que sua peça seria no Brasil, um Brasil imaginário onde começa a nevar no Rio de Janeiro trazendo mais um elemento estranho para a cena.

Narizes pretos de palhaços

Em A NEVE OU FORA DE CONTROLE questões políticas são discutidas sem o compromisso formal com o documental. “Como não é uma peça realista, tenho a liberdade de tocar em alguns temas e retratar figuras muito presentes na atualidade do país”, enfatiza René.

No espetáculo, os personagens vão aderindo ao embrutecimento e passam a usar narizes pretos de palhaço (a cor preta foi a saída para distanciar da figura do clown e de sua técnica específica) ressaltando um aspecto soturno, ainda que evidentemente patético. O nariz de palhaço que não é levado à sério de um lado, a neve que maravilha de outro. Ambos, por fim, tomam conta de tudo, quando já não há tempo para qualquer reação. A partir daí surgiu também a ideia de criar um plano onírico para o texto, onde as memórias do desaparecimento da personagem Pedro se confundem com os sonhos de Carmen, sua irmã e de Thais, sua namorada e amiga de sua irmã.

A NEVE OU FORA DE CONTROLE trata, claro, dos que resistem e se indignam frente a um sistema opressor. Mas também procura mostrar o nosso momento atual, onde a perplexidade muitas vezes congela a possibilidade de ação. Onde ficamos observando a neve cair, até cobrir o Cristo Redentor”, conta o autor e diretor.

Idealizada por Eliseu Weide, a cenografia ajudou a criar a linguagem do espetáculo. São seis módulos móveis (2,5m x 2,5m), que criam recortes e janelas colaborando para o jogo entre os atores, além de facilitar as transformações em cena. Já os figurinos, de Érika Grizendi, mesclam épocas distintas com adereços e texturas de 1964 aos dias atuais.

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A Neve ou Fora de Controle

Com Aline Baba, Fernanda Gama, Gustavo Xella, Izabel Hart, Leandro Galor, Mateus Pigari, Renata Grazzini e Rodrigo Sanches

Teatro Cacilda Becker (Rua Tito, 295 – Lapa, São Paulo)

Duração 105 minutos

04 a 25/10

Sexta – 21h

$30

Classificação 12 anos

RICARDO III OU CENAS DA VIDA DE MEIERHOLD

Considerado o mais importante representante atual do Teatro do Absurdo, o dramaturgo romeno Matéi Visniec tem mais uma de suas peças montadas pela diretora e atriz Clara Carvalho, que dirigiu recentemente Condomínio Visniec (2019) e codirigiu A Máquina Tchekhov (2015) ao lado de Denise Weinberg. Trata-se de Ricardo III ou Cenas da Vida de Meierhold, idealizado e produzido por Livia Prestes, com re-estreia marcada para 5 de outubro, no Teatro Cacilda Becker, temporada até o dia 27 de outubro, sábados e domingos.

Na trama, o consagrado diretor russo Meierhold (1874-1940), inventor da Biomecânica e membro do Teatro de Arte de Moscou, tenta encenar a peça “Ricardo III”, de William Shakespeare (1564-1616). Durante a montagem, ele tenta dirigir a peça e entender o que se passa na própria cabeça, mas é constantemente censurado por personagens políticos, familiares e fantasmas presentes em sua mente.

Da tentativa de concluir a encenação do clássico shakespeariano, nasce o filho do diretor russo: um boneco de manipulação que é o próprio Ricardo III. Até mesmo essa criatura animada desaprova a direção do pai. Meierhold acaba sendo preso por conta de um ato audacioso do filho, e a peça é finalmente cancelada.

O boneco manipulado em cena foi criado por Beto Andreta, da premiada Cia. Pia Fraus, que trabalha com teatro de bonecos há 35 anos. O grupo parceiro também ajudou o elenco a aprender como manipulá-lo. O espetáculo foi contemplado na 7ª Edição do Prêmio Zé Renato de Fomento à Produção Teatral para a cidade de São Paulo.

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Ricardo III ou Cenas da Vida de Meierhold

Com Rubens Caribé, Duda Mamberti, Fernanda Gonçalves, Junior Cabral, Livia Prestes,  Mara Faustino, Rogério Brito e Rogério Pércore

Teatro Cacilda Becker (R. Tito, 295 – Lapa, São Paulo

Duração 70 minutos

05 até 27/10

Sábado – 21h, Domingo – 19h

$30

Classificação 12 anos