FRED & JACK

Fred & Jack de Alberto Santoz é o novo trabalho da Cia NPC-ARTES que estreia na quarta-feira 05 de setembro às 20h30 no Teatro de Arena Eugênio Kusnet.
No elenco Arnaldo D’Ávila e Jedsom Kárta que interpretam dois homens que sempre se encontram no mesmo local e conversam, de forma bem humorada, sobre a existência e o meio no qual estão inseridos. Os assuntos são desenvolvidos até o seu limite, no entanto não especificam propriamente o que está sendo comentado, o que deixa para o público uma infinidade de entendimentos possíveis, cada expectador terá uma experiência diferente com o espetáculo e este é objetivo. A peça também brinca o tempo todo com real e o imaginário.  “Esta ambiguidade constante proposta, tanto no texto, quanto na encenação confunde personagens com interpretes, o que deixa o exercício de interpretação extremamente prazeroso.” pontua o ator Arnaldo D’Ávila.
A montagem da peça desenvolveu-se através de pesquisa e tem inspirações no expressionismo alemão e no universo Beckettiano. O autor Alberto Santoz cuidou de todos os detalhes da encenação, além da direção desenvolveu a cenografia, figurino, trilha e iluminação.
Fred & Jack é encenada no estilo do teatro absurdo e com conteúdo filosófico. O texto faz parte de uma fase de Alberto Santoz que teve forte influência de Samuel Beckett, este texto foi escrito nos anos 80, onde ele buscou abordar o humano em sua essência, traduzindo para o texto todas as inconformidades do ser humano contemporâneo e que vem se repetindo há vários séculos, o que dá ao texto uma atemporalidade, esta é outra preocupação do autor, não situar as personagens em nenhuma época, para justamente não deixar sua obra datada, podemos afirmar que esta é uma das principais características do autor.
A representação está calcada principalmente no rigor em dizer o texto, como se fosse uma partitura musical, que reflete-se no corpo dos atores através de movimentos coreografados. As personagens são patéticas, rabugentas, às vezes, mas engraçadas sempre.
O mundo contemporâneo está desencantado, em todos os sentidos, parece que cada vez mais o ser humano involui, são preconceitos, ideias retrógradas, falsas morais e intolerâncias das mais variadas. Apesar das personagens estarem em contexto não realista, elas discutem sobre essa condição humana. Até que ponto somos capazes de aceitar o outro e conviver harmoniosamente com o diferente? É possível promover a paz através de nossas pequenas atitudes no convívio diário com aqueles que nos rodeiam? É possível manter um dialogo saudável, sem que precisemos nos matar ou excluir nossos amigos e parentes das nossas redes? A polarização de ideias contrárias estimula a discussão e o aprendizado, precisamos realmente uns dos outros para existirmos? O autor deixa o convite ao público para assistir Fred & Jack, refletir e tentar responder estas e outras perguntas. “Não tiramos nenhuma conclusão, muito pelo contrário, temos apenas indagações, nessa peça que eu chamo de: um ato irreprimível.” afirma Alberto Santoz.
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Fred & Jack
Com Arnaldo D’Ávila e Jedsom Kárta
Teatro de Arena Eugênio Kusnet (Rua Dr. Teodoro Baima, 94 – Vila Buarque, São Paulo)
Duração 60 minutos
05 a 28/09
Quarta, Quinta e Sexta – 20h30
$20 (somente em dinheiro)
Classificação 12 anos

PANÇA

Pança é o segundo homem mais importante da maior potência econômica do planeta, braço direito do todo poderoso Don Quixote.
Sua tarefa é explicar para os iniciantes, aspirantes ao poder, quais são as regras quando as regras são as regras da vida; onde vence o mais forte, o mais esperto, o mais organizado, o mais armado.
Pança corta grandes pedaços de carne diante de seus ouvintes, ao mesmo tempo em que esmiúça, com humor e requintes de crueldade, o funcionamento da economia mundial, a decadência do Estado de direito e a instabilidade das relações humanas em sua forma mais bruta.
O boato de que ele costuma virar cachorro atrai ainda mais interessados a ouvir o que ele tem a dizer.
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Pança
Com Beto Magnani
Teatro de Arena Eugenio Kusnet (Rua Dr. Teodoro Baima, 98 – República, São Paulo)
Duração 55 minutos
03 a 27/05
Quarta – 20h, Quinta, Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 20h
$30
Classificação 14 anos

MANIFESTO INAPROPRIADO

 

As vozes da diversidade estão cada dia mais abafadas pelos discursos de ódio e pelo conservadorismo no Brasil, o país que mais mata sua população LGBT+ no mundo, como mostrou uma pesquisa feita pela Rede TransBrasil e o Grupo Gay da Bahia (GGB), em 2016. Para dar destaque aos anseios desses cidadãos que cansaram de ser oprimidos, a Cia. Histriônica preparou uma ocupação do Teatro de Arena Eugênio Kusnet, entre 15 de novembro e 23 de dezembro, com atividades de formação e a estreia do espetáculo Manifesto Inapropriado.

Dirigida por Rodrigo Mercadante (da Cia. do Tijolo), a peça foi construída coletivamente a partir de vários discursos sobre a população LGBT+, como depoimentos, entrevistas, notícias de jornal e denúncias de LGBTfobia em redes sociais. Alguns dos trágicos episódios citados em cena são as operações policiais Limpeza e Rondão, realizadas nos anos de 1980, com a missão de higienizar as ruas do centro de São Paulo ao retirar violentamente travestis e michês que se prostituíam na região.

A ideia desse manifesto cênico é questionar as estruturas sociais que oprimem à comunidade LGBT+, empoderar essas vozes e propor alternativas aos discursos de ódio por meio da poesia, da música e do canto, levando em conta a complexidade real de todas as questões que cercam esse universo.

A estrutura dramatúrgica da montagem posiciona o espectador em um lugar de pensamento crítico e ativo, sem deixar de  envolvê-lo emocionalmente com as situações mostradas. O elenco conta com os atores Lucas Sequinato e Ton Ribeiro e com os músicos Paulo Ohana e Theo Coelho Yepez.

FORMAÇÃO

A Ocupação da Cia. Histriônica ainda tem uma série de atividades de formação comandadas por artistas e pesquisadores que investigam temáticas LGBT+. Um dos destaques é a oficina “Dramaturgia através da escuta e da empatia”, com Ave Terrena Alves, inspirada em um workshop ministrado pela autora britânica Jo Clifford, em 2014. A ideia é ampliar a sensibilidade dos participantes para as narrativas de outras pessoas.

A programação também conta com a oficina “Representatividade Literária”,  com Helena Agalenéa, que apresenta aos participantes textos de autoras sobre violência contra a mulher para estimulá-los a criar novos produtos textuais (poesia, crônica, prosa ou cenas) com personagens trans representadas de forma adequada e não estereotipada.

Outra atração é a palestra “Gênero se ensina na escola e no teatro. Vamos falar sobre isso?”, de Bernardo Fonseca Machado, que discute os “marcadores sociais da diferença”, mostrando como as discussões sobre gênero, sexualidade, raça e geração estão interligadas. Ele também problematiza formas de poder, de produção de desigualdades e de naturalização da diferença na educação e dentro das convenções estéticas.

Já Gabriel Cruz conduz uma roda de conversa sobre “Masculinidades possíveis e sexualidades não-normativas”, a partir de obras de Paul Preciado e Judith Buttler. A conversa pretende discutir as possibilidades de desconstrução das masculinidades e feminilidades nocivas, além de outros binarismos que cotidianamente oprimem sexualidades não-normativas.

A Cia. Histriônica também compartilha com o público LGBT+ e outros artistas alguns procedimentos criativos de seu novo trabalho, que envolvem técnicas de teatro e canto, na oficina “Manifeste-se”. O objetivo é transformar as experiências, memórias e desejos dos participantes em material cênico.

Espetáculo “Manifesto Inapropriado”

A peça é um manifesto cênico construído a partir da compilação de diversos discursos sobre a população LGBT+, como depoimentos, entrevistas, notícias de jornal, denúncias de LGBTfobia em redes sociais, entre outros. A dramaturgia coletiva e o tratamento estético lidam com toda a complexidade das várias questões presentes nesse universo, transitando entre o lirismo e o humor, entre a beleza e a denúncia, entre os questionamentos e o empoderamento.

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Manifesto Inapropriado
Com Lucas Sequinato e Ton Ribeiro.
Músicos: Paulo Ohana e Theo Coelho Yepez
Teatro de Arena Eugênio Kusnet (Rua Dr. Teodoro Baima, 94 – Vila Buarque, São Paulo)
Duração 100 minutos
15/11 até 23/12
Quarta, Quinta, Sexta e Sábado – 20h, Domingo – 18h
$30
Classificação 16 anos

SENTA {SOBRE SER UM SER HUMANO}

Nelson Baskerville escolhe muito precisamente seus alvos e mantém a dialética na construção do espetáculo Senta {Sobre ser um Ser Humano}, seja na relação entre texto e imagem, seja nas provocações lançadas sem resposta. Após temporada no Galpão do Folias, o espetáculo da Seu Viana Cia de Teatro reestreia sexta-feira, dia 8 de setembro, às 21h, no Teatro de Arena Eugenio Kusnet. Com quatorze atores no elenco, a montagem faz temporada até 1º de outubro.

O fio condutor do espetáculo é a história de Kalle, O Capitalista, um homem que ateia fogo sobre sua própria loja para receber o dinheiro do seguro e tentar escapar da crise financeira e familiar que o assola depois que o filho taxista enlouquece por, segundo ele, fazer poesias. O espetáculo faz uma reflexão sobre a crise financeira mundial e suas consequências nos âmbitos externos e internos. O capitalismo, a igreja, o desemprego, o genocídio indígena e a morte – tudo costurado pela encenação do diretor.

Senta {Sobre Ser um Ser Humano} teve seus trabalhos iniciados em agosto de 2015. “A dramaturgia foi levantada coletivamente pelo elenco e costurada e assinada por mim. Durante oito meses de trabalho eu apontei referência literárias, cinematográficas e plásticas e o grupo estudou e absorveu o contexto político social atual para juntar tudo e explicitar de forma subjetiva no espetáculo”, conta o diretor da montagem.

Entre as referências estéticas e teóricas para a montagem estão, o poeta peruano César Vallejo, o dramaturgo americano Tennessee Williams, a dramaturga brasileira Monalisa Vasconcelos, a poetisa portuguesa Sofia de Mello Breyner Andresen e a banda de rock Radiohead. O grupo também se inspirou no teatro épico de Brecht, culminando numa criação “única, caleidoscópica e complexa”, define a Seu Viana Cia de Teatro.

A estrutura épica do espetáculo aproxima o público das questões atuais e coloca elas em confronto com o espectador. A montagem deixa claro que somos todos parte dessa estrutura, que nenhum de nós é isento, que “ninguém pediu desculpas”, como afirma a dramaturgia. Outra mensagem que finaliza o espetáculo é “não servirei”. Se a referência é bíblica (a frase é atribuída a Lúcifer, rejeitando a obediência divina), dentro do espetáculo ela se redimensiona: “a este inimigo, não servirei; se não potencializamos o simbólico, fiquemos com a poesia”.

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Senta – Sobre ser um Ser Humano
Com Anna Talebi,  Bia Souza, Fernando Vilela, Henrique Caponero, Inês Soares Martins, Julia Caterina, Jussara Rahal,  Mário Panza,  Priscilla Alpha, Rafael Baloni, Thaís Junqueira, Thiago Neves, Tiago Ramos, Victoria Reis.
Teatro de Arena Eugênio Kusnet (Rua Dr. Teodoro Baima, 98 – República, São Paulo)
Duração 80 minutos
08/09 até 01/10
Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h
$40
Classificação 16 anos

ÀTMA – DE QUE TAMANHO É O TEU DESERTO

Os homens acreditam que satisfazer os sentidos é a necessidade primordial da civilização humana, assim optam pela ignorância de sua origem espiritual. Com isto, até o fim de sua vida sua ansiedade é imensurável dado ao fato de não se conhecerem internamente.

Àtma é um espetáculo sobre a Alma que tem como concepção cênica o palco vazio, sem cenários, mantendo caixa preta e contando apenas com o desenho de luz. Os figurinos remetem às tribos nômades e conta com uma trilha sonora incidental e músicos percussionistas ao vivo. Corpo e voz são os instrumentos que dão vida a encenação. O texto escrito e organizado por Ciro Barcelos, conta também com citações de poetas como Erasmo De Rotterdam (1469-1536) Dante Alighieri (1265- 1321) e do Bhagavad Gita (Bhaktivedanta Swami Prabhupada) além de trechos extraídos de pesquisas feitas pelos atores.

Para conceber o espetáculo, Ciro Barcelos (que também assina a direção) baseou-se em seu processo pessoal em busca do autoconhecimento através das inúmeras experiências que teve ao longo de quarenta anos peregrinando pela Índia, Assis (Itália), onde chegou a ser noviço franciscano e Turquia junto aos Sulfis e Dervixes giratórios. Na área do xamanismo indígena vivenciou durante 10 anos experiências com as plantas psicoativas como a Ayauascha.

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Àtma – De Que Tamanho É O Teu Deserto
Com Daniel Falcão, Diogenes Gonçalves, Gustavo Galliziano, Jhonatan Hoz, Ju Messias, Milton Aguiar, Patrícia Barbosa e Renata Toledo. Programação Visual de Rubens Macedo.
Teatro de Arena Eugênio Kusnet (Rua Dr. Teodoro Baima, 94 – Vila Buarque, São Paulo)
Duração 60 minutos
06 a 27/08
Domingo – 19h30
$40
Classificação 14 anos

RIBANCEIRA

Texto inédito do autor Aramyz, o espetáculo RIBANCEIRA estreia dia 10 de março, sexta-feira, às 21h, no Teatro de Arena Eugênio Kusnet. A peça aborda a questão dos desastres ambientais e as tragédias ocasionadas por eles na vida das pessoas menos favorecidas. Com direção de Maria Basilio, a montagem é encenada pela Cia Trilhas da Arte – Pesquisas Cênicas e traz o ator Antonio Ginco em seu primeiro solo após 45 anos de carreira.

RIBANCEIRA, apresenta as lembranças do personagem Zé, sobrevivente de uma catástrofe na qual perdeu mulher e filhos, mas, que tenta refazer a sua vida resgatando o antigo sonho de ser escritor. Zé é humano, tem preconceitos, comete erros e chega a ser cruel. Atribui a Deus as responsabilidades pelo que acontece aos seres humanos, se vê em uma situação da qual só sairá se tomar as rédeas da própria vida.

O texto fala sobre perdas e ganhos, dos valores e direitos pelos quais esquecemos de lutar. Zé representa a vida dessa gente esquecida e que aos poucos foi perdendo a consciência do que é certo e errado, mas nem por isso para de sonhar e rir de suas próprias desgraças”, afirma o autor Aramyz. “Quando escrevi o texto ainda não tinha acontecido a tragédia de Mariana, mas acho que ela tem um diálogo direto com o texto”, completa.

A peça é inspirada na observação de uma realidade vivida por muitas famílias no Brasil e em diversos outros países. Zé, personagem sem sobrenome, representa os diversos sobreviventes de catástrofes sejam as causadas por enchentes, pela falta de recursos financeiros, ou pela impotência de quem vive do lado reservado a uma parcela menos privilegiada da humanidade, demarcado pelo capital e pelo poder”, declara o ator Antonio Ginco.

A montagem tem como norteadores o Teatro Documentário e o Teatro de Narração, além de Eugenio Barba, Piscator e Rudolf Laban, que embasaram o trabalho corporal e de interpretação. “A peça se realiza no plano da memória e no plano da realidade, e ainda que a realidade de Zé seja atemporal, ele nos fala do aqui e do agora. Alguns objetos cênicos criam imagens lúdicas que contrapõem o forte teor dramático”, afirma a diretora Maria Basilio.

Ainda que a interpretação seja feita por apenas um ator, o personagem dialoga com a plateia e com outros personagens que estão em sua memória e que, às vezes, ganham corpo e voz”, finaliza a diretora. A peça tem iluminação de Décio Filho, cenografia e sonoplastia de Maria Basílio e Antonio Ginco, figurinos de Paulo de Moraes e adereços de Eduardo Mena. O trabalho contou também com a colaboração dos pesquisadores Sol Verri e Diego Pereira.

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Ribanceira
Com Antonio Ginco
Teatro de Arena Eugênio Kusnet (Rua Dr. Teodoro Baima, 94 – República, São Paulo)
Duração 60 minutos
10/03 até 02/04
Sexta e Sábado – 21h; Domingo – 19h
$40
Classificação 12 anos