TEATRO DE CONTÊINER CONVIDA CARLOS CANHAMEIRO

Construído na região da Luz com 11 contêineres marítimos, o Teatro de Contêiner Mungunzá apresenta a terceira edição do projeto Teatro de Contêiner Convida, onde diretores, autores, grupos e atores serão convidados para apresentarem uma mostra de suas montagens. TEATRO DE CONTÊINER CONVIDA CARLOS CANHAMEIRO acontece de 9 de setembro a 9 de outubro com oito espetáculos e lançamento de livro, do dramaturgo, diretor e ator Carlos Canhameiro, da Cia Les Commediens Tropicales.

TEATRO DE CONTÊINER CONVIDA CARLOS CANHAMEIRO tem montagens adultas e uma infantil com dramaturgias, direções cênicas e atuações de Carlos Canhameiro. A mostra inicia com apresentações de [AMOR em fragmentos] (de 9 a 11 de setembro) e termina com ANTIdeus (de 7 a 9 de outubro, o mais novo trabalho do artista. Além das apresentações no Teatro de Contêiner Mungunzá, a mostra terá uma programação paralela na Oficina Cultural Oswald de Andrade com apresentações de OFÉLIA/hamlet rock\MACHINE, da Cia Teatro de Riscos, de 14 a 23 de setembro.

Os outros espetáculos da mostra são: Concílio da Destruição e (ver[ ]ter) à deriva, da Cia Les Commediens Tropicales; O que você realmente está fazendo é esperar o acidente acontecer, da Cia de Teatro Acidental; O Canto das Mulheres do Asfalto, com direção de Georgette Fadel e do espetáculo infantil INIMIGOS, da Cia De Feitos. TEATRO DE CONTÊINER CONVIDA CARLOS CANHAMEIRO também terá dois shows À Deriva (dia 26 de setembro) e Café da Tarde (dia 6 de outubro), além do lançamento do livro Poesia sem Ponto (dia 12 de setembro).

Para Carlos Canhameiro poder congregar tantos trabalhos diferentes em um mesmo período e espaço é um privilegio. “Ainda terei a alegria de trazer duas estreias para São Paulo e lançar o meu primeiro livro de poesias no dia do meu aniversário de 40 anos. Com certeza é um belo presente”, conta ele.

O dramaturgo, diretor e ator afirma ainda que a mostra é de extrema importância política e estética, pois os trabalhos que serão apresentados friccionam seus temas com a realidade. “Colocar todos esses espetáculos em cena no Teatro de Contêiner Mungunzá me interessa muito, pois além de ser um local novo – já importante na cena teatral – e de resistência na capital paulista, mostra também possíveis saídas ao teatro de grupo nesses tempos de crise”, explica Canhameiro.

Programação

A livre adaptação do livro Fragmentos de um Discurso Amoroso, de Roland Barthes [Amor em Fragmentos], da Cia 4 pra Nada, abre a mostra com apresentações de 9 a 11 de setembro, sábado a segunda-feira. Uma atriz e um ator se colocam numa arena para fazer dela o espaço aberto e claustrofóbico do amor, deslizando sobre as fronteiras entre teatro, dança, música e performance. Para além das leituras, o processo propõe a transposição da palavra para o corpo dos atores.

Concílio da Destruição sobe ao palco dias 14, 21 e 28 de setembro e 05 de outubro, quintas-feiras. Sétimo espetáculo da Cia. Les Commediens Tropicales parte da premissa que o mundo está superlotado de arte e informações, estudos, ensaios e teses sobre a mesma; e que cada país terá que escolher cinco obras de seus artistas mortos para serem preservadas enquanto todas as outras serão destruídas. A ação se desenrola num país desconhecido onde o Concílio da Destruição está atrasado porque os jurados estão num impasse sobre escolher uma obra cujos artistas foram revolucionários ou condená-los (e sua obra) ao esquecimento.

A mostra também terá uma ocupação paralela com apresentações de Ofélia/hamlet rock\Machine na Oficina Cultural Oswald de Andrade de 14 a 23 de setembro, quinta-feira a sábado. A montagem, criação da Cia Teatro de Riscos a partir das leituras de Hamlet e Hamlet Máquina, do livro o novo tempo do mundo, de Paulo Arantes e músicas de Radiohead, traz oito atores dentro de um Bunker de metal, que revisitam as personagens shakespearianas. Hamlet, príncipe da Dinamarca, é também comida para vermes, o assassinato do seu pai torna-se pequeno diante da urgência de revolução que vem das ruas. Ofélia surge como a mulher feminista do século XXI, que escancara às portas do mundo o seu estupro, assédio, homicídio e revolta.

Nos dias 15, 22 e 29 de setembro, sextas-feiras, é a vez das apresentações de (ver[ ] ter) à deriva. Obra intervencionista criada pela Cia. LCT a partir do artista britânico Banksy com participação do quarteto À Deriva.
A obra dialoga com o silêncio das imagens expostas em excesso no cotidiano de uma metrópole, congregando diversas manifestações artísticas, como o grafite, a vídeo art, a performance art, o teatro, a dança, a música e as artes plásticas. Seis atores e quatro músicos se embrenham no espaço público para comungar novos olhares com os espectadores (espontâneo ou não) sobre as possibilidades de criar sentidos em velhas histórias e imagens. Sem nenhuma palavra dita, o espaço é invadido por sons, imagens, danças e ações criadas a partir das obras do artista britânico, Banksy; do lamento edipiano: “para que ver, se já não poderia ver mais nada que fosse agradável a meus olhos?” e da visão de alguns artistas que propuseram cenas que integram essa montagem, entre eles: Georgette Fadel, Tica Lemos, Andréia Yonashiro e o Coletivo Bruto.

O espetáculo da Cia de Teatro Acidental, O que você realmente está fazendo é esperar o acidente acontecer, faz apresentações de 16 de setembro a 2 de outubro, de sábado a segunda-feira. Com direção de Carlos Canhameiro, que também assina a dramaturgia ao lado dos integrantes da Cia de Teatro Acidental, a peça parte da investigação de O Beijo no Asfalto, considerada uma das mais importantes obras de Nelson Rodrigues. A montagem não é uma adaptação da peça, mas sim um comentário desenvolvido a partir dela. Sentados em uma mesa, os atores dão voz a discursos diversos, de intelectuais a agressivos, de literários a acadêmicos, como num estranho colóquio sobre a obra rodriguiana.

O Canto das Mulheres do Asfalto, com direção de Georgette Fadel, é a sexta peça adulta da mostra com apresentação dia 19 de setembro, sexta-feira. Composto por diversos cantos que desdobram a premissa de um mundo onde as mulheres se recusam a parir novos filhos, o espetáculo explora meandros de uma contemporaneidade insensível à condição humana do próprio homem. Vozes que se multiplicam dentre essas mulheres, mães e filhas, santas, prostitutas, velhas e moças, cuja desesperança futura celebra um presente que precisa ser ouvido.

O mais recente trabalho de Carlos Canhameiro, ANTIdeus, encerra a mostra com apresentações de sábado a segunda-feira nos dias 7, 8 e 9 de outubro. Texto premiado na Mostra de Dramaturgia em Pequenos Formatos Cênicos do Centro Cultural São Paulo, conta a história de um país indeterminado, cujo  presidente sanciona lei revogando os feriados religiosos como feriados nacionais, em respeito à laicidade do governo. Com essa premissa a montagem aborda os desdobramentos entre as mais diversas camadas sociais sobre deus e a política ou a política de deus.

Infantil, livro e shows

TEATRO DE CONTÊINER CONVIDA CARLOS CANHAMEIRO também traz uma montagem voltada às crianças. Com apresentações nos dias 23 e 24 de setembro, sábado e domingo, Inimigos, coloca em cena o absurdo da guerra. Em algum lugar que poderia ser uma cidade, uma floresta ou um deserto, há dois buracos. Neles, dois soldados inimigos, que a guerra os colocou em lados opostos. E assim brincam de inimigos conforme ensinou o manual (que diz tudo sobre o inimigo). Os inimigos são exatamente iguais. Quase sempre assustados, com saudades das famílias, todos nervosos, com frio, calor e fome. Se por acaso um dia eles trocassem de lado, não mudaria nada, ninguém notaria, porque os de lá são iguais aos de acolá. Então, por que lutam?

Já no dia 12 de setembro, terça-feira, acontece o lançamento do livro Poesia sem Ponto, de Carlos Canhameiro, pela editora Lamparina Luminosa. O evento contará com pocket-show de Paula Mirhan e quarteto À Deriva.

Dois shows também fazem parte da programação do TEATRO DE CONTÊINER CONVIDA CARLOS CANHAMEIRO, como convidados. O primeiro, À Deriva, que acontece dia 26 de setembro, terça-feira, traz o Quarteto À Deriva com suas músicas autorais. Parceiros há mais de seis anos da Cia Les Commediens Tropicales, o quarteto é formado por Daniel Muller (piano acústico e elétrico, acordeão), Guilherme Marques (bateria), Rui Barossi (baixo acústico) e Beto Sporleder (saxofone tenor e soprano, flauta transversal). Café da Tarde, que acontece dia 6 de outubro, sexta-feira, é o segundo show da mostra e une a cantora e atriz Paula Mirhan (voz, caxixis e tamborim) ao cantor, violonista e compositor Demetrius Lulo sob a direção de Vinicius Calderoni. Todas as canções são assinadas por compositores da atual cena musical paulistana, como Tó Brandileone, Danilo Moraes, Giana Viscardi, Fábio Barros, Wagner Barbosa, Dante Ozzetti e Celso Viáfora, entre outros.

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TEATRO DE CONTÊINER CONVIDA CARLOS CANHAMEIRO
09/09 até 09/10
Teatro de Contêiner Mungunzá
R. dos Gusmões, 43 – Santa Ifigênia, São Paulo
Oficina Cultural Oswald de Andrade
Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro, São Paulo
Programação – http://www.ciamungunza.com.br.

CAMINHAM NUS EMPOEIRADOS

A partir do dia 5 de julho, o Teatro de Contêiner Mungunzáconstruído na região da Luz com 11 contêineres marítimos, recebe a reestreia do espetáculo CAMINHAM NUS EMPOEIRADOS. Com Gero Camilo e Victor Mendes, a montagem conta a história de dois atores que abandonam uma companhia e decidem seguir sua carreira juntos.

CAMINHAM NUS EMPOEIRADOS é o resultado de um encontro entre Brasil e Portugal. O brasileiro Gero Camilo e a portuguesa Luisa Pinto dirigem juntos o espetáculo, que estreou no Festival de Teatro de Matosinhos. A ideia para esse encontro surgiu quando, em 2014, Gero Camilo se apresentou com Aldeotas na primeira edição do Festival de Teatro de Matosinhos, evento voltado para a produção teatral em língua portuguesa. Foi nessa ocasião que Gero e Luisa se conheceram e ela pediu a ele que lhe apresentasse um texto para abertura da segunda edição do festival, para que ela dirigisse.

Gero então mandou CAMINHAM NUS EMPOEIRADOS, que faz parte de seu livro de contos e textos dramatúrgicos,A macaúba da terra (2002), e sugeriu uma montagem conjunta. A montagem estreou em 2015 com apresentações em Portugal e depois no Brasil.

Arte popular

Para Gero Camilo CAMINHAM NUS EMPOEIRADOS é uma espécie de crítica social e, sobretudo, uma declaração de amor ao teatro e à vida. “Mais que falar sobre ser artista, a peça lança críticas sobre a forma como a sociedade e o sistema na qual ela está imersa podem ser cruéis com a arte popular”, conta o ator.

E por isso, Gero escolheu o Teatro de Contêiner Mungunzá para reestrear o espetáculo em São Paulo. “Esse novo espaço está trazendo luz para o entorno e seus moradores, além de chamar atenção para a real situação do bairro. A peça fala justamente desta questão tão discutida hoje em dia: a sobrevivência na arte e na vida. É uma comédia que faz pensar, não é só para dar gargalhada”, garante ele.

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Caminham Nus Empeirados
Com Gero Camilo e Victor Mendes
Teatro de Contêiner Mungunzá (Rua dos Gusmões, 43 – Luz, São Paulo)
Duração 75 minutos
05 até 27/07
Quarta e Quinta – 20h
$30
Classificação 12 anos

TEATRO DE CONTÊINER MUNGUZÁ

As enormes caixas metálicas coloridas instaladas em uma antiga praça abandonada no bairro da Luz, centro da cidade de São Paulo, chamam a atenção de moradores e pedestres. A intervenção artística e arquitetônica, obra da Cia Mungunzá de Teatro, já tem nome: TEATRO DE CONTÊINER MUNGUZÁ e abre suas portas ao público no dia 11 de março (abertura para convidados dia 10 de março) com a apresentação do premiado espetáculo Luis Antonio – Gabriela, que cumpre temporada de sexta a segunda-feira até 17 de abril.

Levantado em praticamente dois meses o TEATRO DE CONTÊINER MUNGUZÁ é formado por 11 contêineres marítimos. No espaço cênico, que pode ser utilizado como arena, semi-arena ou palco italiano, dois deles quebram o escuro das caixas com paredes de vidro que possibilitam que atores e plateia possam ver e ser vistos por quem passa pela rua. Lanchonete, escritório, banheiros, camarim e área técnica completam a estrutura, que ocupa 40% do terreno. Na lateral superior da edificação, a pintura branca vai servir como tela de cinema para projeções ao ar livre.

Já do lado externo, todo gramado, um domo geodésico será palco para pequenos shows e contação de histórias. A ideia é que o local se torne uma área de convivência com playground e mobiliário feito com tambores de aço reutilizados, desenvolvido pelo grupo espanhol Basurama e pelo coletivo Assalto Cultural. A área externa conta também com uma horta hidropônica que será mantida por moradores da região.

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Precedente para novos polos culturais

A utilização do terreno, que servia como estacionamento da Guarda Civil Metropolitana, foi firmada em um “termo de cooperação” com a Prefeitura Municipal de São Paulo, onde a Cia Mungunzá será responsável por zelar pelo local durante três anos. Até o momento, já foi investido cerca de R$ 300 mil, em serviços como limpeza do terreno, terraplenagem, instalação elétrica e a compra dos contêineres, vindos de um caixa próprio do grupo, que ano que vem completa 10 anos.

Para Marcos Felipe, um dos integrantes da Cia Munguzá, a ideia é criar uma nova dinâmica para os grupos culturais de São Paulo. “Acredito que abrimos um precedente para a instalação de novos polos culturais”, afirma ele. Já Lucas Beda, outro integrante do grupo, acha que o diálogo com os moradores do entorno e com a própria sociedade é o caminho para repensar a cidade. “Queremos que o TEATRO DE CONTÊINER MUNGUZÁ se transforme em um local de encontro, onde a população ocupe o espaço sem, necessariamente, ter a obrigação de assistir algo”, explica o ator.

O projeto do espaço foi realizado pela própria Cia Mungunzá de Teatro. O objetivo era fazer uma intervenção arquitetônica e artística sem agredir a cidade. “Optamos pelos contêineres pela concepção sustentável com a possível retirada dos módulos e mudança para outro local”, conta Marcos Felipe.

Programação

Até 17 de abril o espaço sediará apresentações, de sexta a segunda-feira, do espetáculo Luis Antonio – Gabriela. “É o tempo que precisamos para ver efetivamente como funciona o local e assim pensarmos em uma programação dinâmica”, explica Lucas. O TEATRO DE CONTÊINER MUNGUZÁ já vem recebendo alguns eventos que servem como testes para a futura programação.

Inscrevemos o projeto na Lei Roaunet, mas também estamos tentando fechar parcerias com a Prefeitura de São Paulo e com o Governo do Estado. Também vamos procurar o Sesc para assim conseguirmos montar uma programação multifacetada e que contemple várias linguagens”, acredita Marcos.

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Luis Antonio – Gabriela

Com direção de Nelson Baskerville, Luis Antonio – Gabriela estreou em 2011 e recebeu alguns dos mais importantes prêmios teatrais do estado, como o Shell, da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA) e da Cooperativa Paulista de Teatro (CPT).

Em Luis Antonio – Gabriela o diretor Nelson Baskerville coloca em cena sua própria história, onde o irmão mais velho, homossexual, Luis Antonio, desafia as regras de uma família conservadora dos anos 1960. O documentário cênico tem início no ano de 1953, com o nascimento de Luis Antonio, filho mais velho de cinco irmãos, que passou infância, adolescência e parte da juventude em Santos até ir embora para Espanha aos 30 anos, onde se transforma em Gabriela.

O espetáculo narra a história de Luis Antonio até o ano de 2006, data de sua morte na cidade de Bilbao, na Espanha. Luis Antonio – Gabriela foi construído a partir de documentos e dos depoimentos do ator e diretor Nelson Baskerville, de sua irmã Maria Cristina, de Doracy, sua madrasta e de Serginho, cabeleireiro na cidade de Santos e amigo de Luis Antonio.

Luis Antonio – Gabriela
Com Marcos Felipe, Lucas Beda, Sandra Modesto, Verônica Gentilin, Virginia Iglesias e Day Porto.
Teatro de Contêiner Mungunzá (Rua dos Gusmões, 43 – Luz, São Paulo)
Duração 90 minutos
11/03 até 17/04
Sexta, Sábado, Domingo e Segunda – 20h
$30 ($5 – moradores da região)
Classificação 16 anos
A partir do argumento de Nelson Baskerville com intervenção dramatúrgica de Verônica Gentilin.
Direção – Nelson Baskerville.
Diretora Assistente – Ondina Castilho.
Assistente de Direção – Camila Murano.
Direção Musical, Composição e Arranjo – Gustavo Sarzi.
Preparador Vocal – Renato Spinosa.
Trilha Sonora – Nelson Baskerville.
Preparação de Atores – Ondina Castilho.
Iluminação – Marcos Felipe e Nelson Baskerville.
Cenário – Marcos Felipe e Nelson Baskerville.
Figurinos – Camila Murano.
Visagismo – Rapha Henry – Makeup Artist.
Vídeos – Patrícia Alegre.
Produção Executiva – Sandra Modesto e Marcos Felipe.
Produção Geral – Cia Mungunzá de Teatro.
Assessoria de Imprensa – Nossa Senhora da Pauta
Maiores Informações – www.ciamungunza.com.br