ISADORA

De 17 a 27 de novembro, de quinta a domingo, volta em cartaz no MASP o espetáculo Isadora, que  conta a história da bailarina, pensadora e revolucionária Isadora Duncan (1877-1927). No elenco, Daniel DantasMelissa VettoreRoberto Alencar e Patricia Gasppar. A trilha sonora é executada ao vivo por Jonatan Harold (piano e acordeom). A peça estreou em maio de 2016, no Masp, e já esteve em cartaz no Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

Concepção e montagem de Isadora

Idealizado por Elias Andreato em parceria com Melissa Vettore, o espetáculo discute a criação artística. O texto foi desenvolvido por Melissa Vettore, com colaboração de Elias Andreato e Daniel Dantas, por meio de pesquisa realizada a partir da autobiografia da bailarina, de documentos, documentários, discursos, coreografias e cartas. A peça reinventa os últimos dias de Isadora Duncan em Nice, na França, após o retorno de um conturbado período vivendo na Rússia.

Em um quarto de hotel, Isadora (Melissa Vettore) conhece Henry (participação especial do ator Daniel Dantas), um misterioso editor interessado em publicar seu livro de memórias. Estabelecem um jogo de provocações, que faz Isadora se confrontar com a imagem da artista provocante e libertária, revelando uma mulher humana, solitária e frágil. Ao lembrar-se da juventude ao lado dos irmãos que formam o Clã Duncan e recriar algumas coreografias, ela desperta o pensamento sobre o corpo da mulher, o amor, a dança, a educação, os sonhos e o espírito livre.

Fotos Isadora.jpg

A dança, as artes e o amor moveram a caminhada de Isadora Duncan por vários países e levaram à criação do espetáculo, a partir da tradução e adaptação das cartas, biografias e manuscritos da artista; além da linguagem corporal, baseada na releitura de algumas de suas coreografias.

Artista percursora da dança moderna, Isadora Duncan negou-se a comercializar o corpo da mulher na dança. Empenhada em construir uma ‘nova escola’ para crianças, partiu com seus irmãos, dos EUA para a Europa e Rússia. Afirmava que sua dança era símbolo da nova educação e da liberdade e era contra a técnica repressiva do ballet. Para ela a dança era “o movimento do corpo em harmonia com a natureza’.

Libertadora e afirmadora do Éros (o deus do amor) as reflexões de Isadora Duncan, sobre o direitos das mulheres, a arte e a liberdade, ainda permanecem extremamente atuais.

Isadora
Com Daniel Dantas, Melissa Vettore, Roberto Alencar e Patricia Gasppar
Auditório MASP Unilever (Av. Paulista, 1578 – Bela Vista, São Paulo)
Duração 75 minutos
17 a 27/11 (dia 24 não haverá espetáculo)
Quinta – 21h30, Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 20h
$40
Classificação: 12 anos.

 

COM AMOR, BRIGITTE

A atriz francesa Brigitte Bardot veio ao Brasil nos anos 60 e sua visita à Búzios ficou internacionalmente conhecida. O que pouca gente sabe é que antes de chegar ao balneário, a atriz teve de ficar quatro dias reclusa em um apartamento no Rio de Janeiro, para fugir do intenso assédio da imprensa e dos fãs, que a aguardavam já na pista do aeroporto do Galeão. Nos anos 60, Brigitte Bardot era considerada um ícone da beleza, da sensualidade e da moda. Ditava, junto com outros artistas, o comportamento daquela época. No entanto, ela não conseguiu carregar o peso dessa alcunha e se retirou do show business, muito em função da obsessiva ação da mídia que devassava sua vida pessoal.

Com direção de Fábio Ock (criador da Companhia de Teatro Rock, onde dirigiu a premiada montagem A Borboleta sem asas e Na Cama com Tarantino), a peça traz no elenco a jovem Bruna Thedy, que vem se destacando no teatro nos últimos anos em peças como Preto no Branco e Universos, dirigidas por Zé Henrique de Paula; A Casa de Bernarda Alba, com direção de Elias Andreato; e Equus, dirigida por Alexandre Reinecke. O ator André Correa, com dezenas de espetáculos importantes no currículo e que recentemente esteve na elogiada montagem de Ricardo III, dirigida por Marcelo Lazaratto, vive o personagem do camareiro.

I2K8754

No texto de Franz Keppler, encomendado por Bruna e Fabio, o episódio foi transportado para o apartamento de um camareiro de hotel para onde ela foge depois de uma conturbada passagem pelo Copacabana Palace. O encontro inusitado entre dois mundos completamente diferentes – e ao mesmo tempo tão iguais – é o mote da narrativa. O personagem masculino da peça também tem como função questionar Brigitte sobre o endeusamento de artistas e celebridades, criando assim um panorama para que pensemos: “Por que você é mais do que eu?” Como valorar uma pessoa e considerá-la mais importante do que outras?

Apesar de tratar de uma personagem que é real e está viva, o espetáculo não trabalha com a obrigação de reproduzir Brigitte Bardot e sim com o objetivo de explorar a sua simbologia e o que ela representou. A ideia é trabalhar um olhar subjetivo desse ícone, sem regras e compromissos.

Utilizando a figura de Brigitte Bardot como ícone da moda e sexualidade, a peça discute os limites entre os direitos à intimidade e à vida privada e a liberdade de expressão e informação no mundo atual, questão há muito tempo discutida e que se mostra cada vez mais atual, vide o polêmico caso das biografias não autorizadas. Aparentemente essas questões parecem estar mais ligadas a pessoas notórias e celebridades, mas atualmente, com o advento da internet, pessoas comuns passaram a sofrer os efeitos colaterais da exposição virtual, tendo suas vidas devassadas, tais como as figuras célebres da mídia. “Considero as câmeras de segurança uma das ferramentas mais representativas quando falamos em invasão de privacidade. Seja na mão de um papparazzi ou nas fachadas de prédios, as lentes que invadem nossas imagens e capturam o que fazemos no cotidiano, são instrumentos que desenham esse quadro que chamamos de século XXI. Diante dessa visão bem particular que queremos dividir com o público, vou instalar várias câmeras de segurança no cenário que, em momentos distintos, vão espionar os atores e outras vezes contracenar com eles”, explica o diretor.

O espetáculo será concebido através da intersecção de três linguagens: teatro, vídeo e performance. Apesar de o texto ter sido escrito de uma forma realista, a encenação não caminha por aí. O espetáculo está num lugar não real para que se possa ter extrema liberdade criativa. Ock afirma que “será uma Brigitte brasileira, espiada por câmeras de segurança como num reality show, conduzida por canções francesas remixadas e apoiadas por projeções intrigantes que fazem referência ao cinema. Queremos chegar num caleidoscópio estético para contar essa história”. O diálogo entre cenografia, vídeo e iluminação é estreito e contínuo. A projeção, peça fundamental da encenação, será feita no cenário para alcançar uma simbiose perfeita.

Brigitte Bardot sofreu muito com a invasão de privacidade. Por isso, representa um símbolo fortíssimo para discutir o assunto. Até quando suportamos e queremos devassar a vida privada de alguém? O espetáculo pretende levantar uma série de questões. Perguntar. Não responder.

Foto-Release-606x404

Com Amor, Brigitte
Com Bruna Thedy e André Corrêa
Teatro do MASP – Pequeno Auditório (Avenida Paulista, 1578 – Bela Vista, São Paulo)
Duração 80 minutos
26/02 até 26/06
Sexta e Sábado – 21h; Domingo – 19h
Recomendação 16 anos
$50 / $60
Estreia dia 26 de fevereiro de 2016
Texto: Franz Keppler
Direção: Fábio Ock
Cenário: André Cortez
Figurino: Zé Henrique de Paula
Make Up Designer: Beto França
Iluminação: Fran Barros
Assistente de Direção e Projeto Gráfico: Laerte Késsimos
Trilha sonora: Fábio Ock
Preparação Corporal: Einat Falbel
Fotos: Jefferson Pancieri
Vídeo Mapping e Criação dos Vídeos: Laerte Késsimos e Fabio Ock
Produção Executiva: Katia Placiano
Coordenação de Projetos: Egberto Simões
Produtores Associados: Selma Morente, Célia Forte, Bruna Thedy e Fabio Ock
Realização: Morente Forte
Patrocínio: Nextel e Wheaton

 

“UMA ESPÉCIE DE ALASCA”

Depois de sua bem sucedida participação no Festival Cultura Inglesa, peça ganha prêmio Zé Renato para realizar sua primeira temporada. O espetáculo está em cartaz no teatro do MASP.
Em coma há 29 anos após contrair a doença do sono (encefalite letárgica), Débora acorda com a mente de 16 anos de idade. Sua irmã Paulinha e seu cunhado, o médico dedicado Hornby, cuidaram dela ao longo de todo esse tempo.
A inspiração do inglês Harold Pinter para a peça veio da leitura do livro “Tempo de Despertar”, do renomado neurologista Oliver Sacks, o qual apresenta casos de pessoas suspensas por décadas da vida, de repente de volta ao mundo em função de testes com um novo tipo de medicamento, descoberto na década de 1960.
Pinter compreendeu aqueles pacientes até mais do que seus próprios médicos, segundo eles próprios observaram depois de assistir a primeira montagem do texto. “Por motivos explicados apenas pela espiritualidade ou sensibilidade de um gênio, o dramaturgo não precisou conversar com Sacks, nem visitar o hospital onde os doentes ficavam para entender a fundo sua alma. Isso mostra como o teatro pode mergulhar no inconsciente, resgatando de lá, sem juízo de valor, nossa mais sincera humanidade”, comenta o diretor Gabriel Fontes Paiva que assina também a adaptação. “O que me capturou nesse texto foi o quanto ele é profundo para tratar questões existenciais utilizando como ponto de partida um caso real.”

alasca_leekyung kim_DSC08651
Antes de sua morte em 30 de agosto deste ano, Oliver Sacks anunciou em fevereiro de 2015, em um artigo no New York Times, que em breve nos deixaria por conta de um estágio avançado de câncer. Ele surpreendeu quando ao invés de se lamentar ou relembrar com nostalgia sua genial trajetória, dizer que se sente agradecido pela oportunidade de se despedir da vida. “Nos últimos dias, tenho sido capaz de ver a minha vida a partir de uma grande altitude, como uma espécie de paisagem.”, entendimento raro da existência foi conquistado por uma vida dedicada ao estudo neurológico do ser humano. Sacks que conseguiu sem precedentes transformar casos médicos em best-sellers por meio de um talento nato para escrita trouxe notoriedade a questões prioritariamente de interesse médico.
“Despertando”, sua obra que apresenta pessoas que ficaram por décadas suspensas da vida e retornaram após a descoberta de um medicamento, permitiu um novo e profundo olhar sobre as questões existenciais. Isto ocorreu em tamanha proporção que gerou no dramaturgo agraciado pelo Nobel a vontade de escrever uma peça inspirada em outra obra. “Um dia acordei com a sensação estranha de estar em um lugar e tempo distintos lembrei do livro do Oliver Sacks que tinha lido a quase uma década e escrevi “Uma Espécie de Alasca”.
Outra coisa que chama a atenção dessa montagem é a reunião inusitada de grandes artistas. Alguns experimentando novas funções, outros pela primeira vez no teatro. O que não é o caso dos três atores.
Veteranos, reconhecidos e premiados terão o desafio de interpretar personagens complexos como alguém que dormiu por 30 anos, um médico que dedicou a vida inteira para descobrir a cura de uma doença e uma mulher que abriu mão da própria vida para cuidar da irmã. “Yara, Miriam e Jorge são artistas genuínos que gostam de se aventurar em territórios ainda não explorados porque sabem que é no risco que podemos avançar mais.” Comenta o diretor. Luiz Duva um dos principais representantes brasileiros de vídeoarte, performance e novas mídias será responsável pela concepção de vídeo da peça.
Luisa Maita um dos nomes mais encenados da nova MBP, teve sua primeira inserção em trilha sonora no tão comentado filme “Boyhood”. Maita possui grande reconhecimento nos EUA e com direito a apresentações esgotadas no Lincoln Center de nova York e primeiro lugar de vendas no iTunes em world music. Quem assina com ela a trilha é outro músico também reconhecido internacionalmente e que recebeu prêmio de melhor trilha sonora em Gramado, Jam da Silva. A troca de papéis fica por conta de Débora Falabella que fará o figurino do espetáculo. “São Pessoas que tenho muita afinidade artística e que trabalho há anos em projetos de música. A Débora, por exemplo, sempre contribuiu muito em figurinos com o Grupo 3, (companhia de Gabriel, Yara e Débora), era a hora de assinar um sozinha.” comenta Gabriel.
‪#‎UmaEspécieDeAlasca‬ ‪#‎Teatro‬ ‪#‎MASP‬ ‪#‎VáAoTeatro‬ ‪#‎OpiniãoDePeso‬‪#‎PomboCorreioAssessoria‬

alasca_leekyung kim_DSC08396 (1)

“Uma Espécie de Alasca”
Com Yara de Novaes, Miriam Rinaldi e Jorge Emil
Auditório MASP Unilever (Avenida Paulista, 1578 – Cerqueira César, São Paulo)
Duração 60 minutos
30/10 até 29/11
Sexta e Sábado – 21h; Domingo – 20h
$20

Autor: Harold Pinter
Direção: Gabriel Fontes Paiva
Concepção Audiovisual : Luiz Duva
Musicas e Arranjos: Luisa Maita e Jam Da Silva
Iluminação: Andre Prado e Gabriel Fontes Paiva
Figurino: Débora Falabella e Marina Aretz
Cenotécnico: Tadeu Tosta
Operador de som: Thiago Rocha
Aulas de Foxtrot: Magoo Grande
Fotos: Leekyung Kim
Assessoria de imprensa: Pombo Correio
Planejamento de Projeto: Luana Gorayeb
Direção de produção: Marlene Salgado
Produtores Associados: Marlene Salgado e Gabriel Paiva
Realização: Fontes Realizações Artísticas