[NOME DO ESPETÁCULO]

A versão brasileira do espetáculo da Broadway [title of show], aqui chamada[nome do espetáculo], fez três temporadas na cidade do Rio de Janeiro além de uma apresentação para 600 pessoas no Festival Palco Giratório do SESC. O texto do autor americano Hunter Bell foi indicado na Broadway ao Tony Award de Melhor Libreto de Musical. No Brasil, a comédia musical recebeu 10 indicações em diversas categorias de prêmios de teatro e foi vencedor no Prêmio do Humor, idealizado pelo ator Fábio Porchat, em duas categorias: Melhor Espetáculo e Prêmio Especial pela Versão Brasileira. [nome do espetáculo] faz sua primeira temporada em São Paulo, no ano seguinte em que a versão americana completou uma década desde que subiu aos palcos da Broadway, em 2008.

Através da metalinguagem, o musical conta a sua própria história com quatro atores e um músico no elenco. Satiriza e homenageia o gênero musical ao mesmo tempo em que aborda o próprio fazer artístico e todas as etapas de se produzir arte de maneira independente. [nome do espetáculo] é, acima de tudo, sobre sonhar e fazer acontecer. Além da diversão, o espetáculo suscita reflexões importantes para o atual momento brasileiro ao mostrar que há a possibilidade de criar e investir em projetos próprios, estimulando a autonomia empreendedora do público e contribuindo para o enriquecimento cultural.

O elenco é composto por Ingrid Klug, foi indicada como Melhor Atriz pelo espetáculo no Prêmio do Humor e no Prêmio Botequim Cultural; Caio Scot, que recebeu indicação de Melhor Ator no Prêmio Cesgranrio de Teatro 2019 pela performance no espetáculo argentino Como Se Um Trem Passasse; Junio Duarte, que recebeu indicação de Melhor Ator no Prêmio Botequim Cultural por [nome do espetáculo], Carol Berres e Jorge de Godoy. A direção musical do espetáculo é assinado por Tibi, pianista e vocalista da Banda Jamz, indicada duas vezes ao Grammy Latino e finalista do programa SuperStar (da Rede Globo) e Rafael Villar, que também é responsável pela direção vocal do espetáculo.

A montagem é uma idealização e produção da CAJU, que tem a frente o ator e cineasta Caio Scot, além do ator e mestre em estudos contemporâneos das artes, Junio Duarte. Versão Brasileira do texto e das músicas é assinada por  Caio Scot, Carol Berres, Junio Duarte, Luísa Vianna e Tauã Delmiro.

Sinopse: O espetáculo é a história real (ou quase real) de Jeff e Hunter, dois escritores que, para participar de um festival, precisam criar um musical em apenas três semanas e, para isso, contam com a ajuda de Susan, Heidi e Larry. Utilizando-se da metalinguagem na encenação, eles escrevem o texto ao mesmo tempo em que executam o próprio espetáculo. Com o elenco reunido, Jeff e Hunter fazem um pacto para escreverem o texto até o prazo final do festival e sonham com um espetáculo que mude suas vidas.

FACE

[nome do espetáculo]

Com Caio Scot, Carol Berres, Junio Duarte, Ingrid Klug e Jorge de Godoy

Teatro do Núcleo Experimental (Rua Barra Funda, 637 – Barra Funda, São Paulo)

Duração 90 minutos

16/11 até 09/12

Sábado – 21h, Domingo – 19h, Segunda – 21h

$80

Classificação 14 anos

O ANTI-MUSICAL – O MUSICAL

Após sucesso no Rio, o espetáculo “O Anti-Musical – o Musical”, produzido pelo CEFTEM (Centro de Estudos e Formação em Teatro Musical), estreia temporada em São Paulo no Teatro do Núcleo Experimental em temporada de 08 a 30 de outubro, terças e quartas, às 21h.

O espetáculo tem direção de Fabiana Tolentino, dramaturgia e canções originais de Tauã Delmiro, direção musical de Miguel Briamonte e coreografia de Mariana Barros.

A dramaturgia do espetáculo busca comunicar o universo da obra de Luigi Pirandello e do romance O Mágico de Oz, de L. Frank Baum. Através de uma obra meta-teatral explora, com humor, elementos recorrentes na dramaturgia e na música dos grandes espetáculos musicais. Também questiona o sistema infraestrutural que as produções do gênero adquiriram no país e expõe as contradições de ser artista nesse país que assiste ao sucateamento das suas políticas públicas e culturais.

Sinopse: Após a transposição de duas obras de Luigi Pirandello para os palcos fracassarem, um grupo de teatro recebe de uma empresa a proposta de montar o musical “O mágico de Oz”. Essa é uma tarefa árdua para a companhia, já que os integrantes odeiam teatro musical. Considerando sua aversão a estética inerente ao gênero, decidem subverter a proposta do patrocinador e dar uma nova dimensão poética a obra, criando assim um anti-musical.

FACE

O Anti-musical, O Musical

Com Anita Janasi, Camila Johann, Cristiana Paiva, Emanoel Fernandes, Fabiana Fields, Gabriela Carvalho, Gabriela Tarifa, Giovana Abreu, Isabela Yunes, Laura Pompeo, Luiz Mota, Natan Tricarico, Rita Nascimento, Vitoria Eliza

Teatro do Núcleo Experimental (Rua Barra Funda 637 – Barra Funda, São Paulo)

Duração 105 minutos

08 a 30/10

Terça e Quarta – 21h

$60

Classificação 12 anos

O BEIJO NO ASFALTO

O Beijo no Asfalto talvez seja o maior legado do teatro rodrigueano ao poder do mundo midiático e todos os seus ilimitados desdobramentos, sua relação com o homem, suas consequências, sua moral, sua ética.

Clássico de Nelson Rodrigues, que reestreia dia 20 de novembro, quarta-feira, às 21h, no Teatro do Núcleo Experimental, estreou em outubro no SESC Santo AndréBruno Perillo assina a direção do espetáculo que conta com os atores Anderson Negreiros, Angela Ribeiro, Heitor Goldflus, Lucas Lentini, Mauro Schames, Natalia Gonsales, Rita Pisano, Roberto Audio Valdir Rivaben.

Falando de um Rio de Janeiro de 60 anos atrás, a peça ressurge mais atual do que nunca. Nelson Rodrigues expõe, de modo claro e objetivo, o terror que se alastra por uma sociedade diante de uma notícia que se mostra fora do paradigma inconsciente da normalidade, que aparenta estar num plano de percepção diferente do senso comum estabelecido nesta mesma sociedade.

A notícia de que um homem beijou outro homem na boca, no meio da rua, no centro da grande cidade, é o suficiente para servir de célula para disseminar uma tragédia.

Arandir, o protagonista, catalisa em si tudo o que resta de vida humana, em seu sentido simbólico mais poético e fraterno possível. Após este simples e singelo ato (mas indubitavelmente raro e belo) – o beijo na boca de um homem atropelado e prestes a morrer – Arandir passa de mera testemunha de um acidente a acusado de um crime. Por que essa “fábula” trágica, desenhada tão bem por Nelson Rodrigues, nos é tão impactante ainda hoje?

Nossa busca, enquanto artistas e cidadãos, é a tentativa de reverter a cegueira cotidiana, rígida e impermeável (que nos faz sucumbir ao aniquilamento da poesia, do amor) e propor outros olhares possíveis para aquilo que nos cerca.

Em que momento passamos a ser regidos pelas notícias e opiniões ao redor? Em que lugar ficou a nossa capacidade de reflexão e discernimento, de empatia e sensibilidade?

O personagem Amado Ribeiro, o repórter, por sua vez, é o catalisador maior da tragédia. Ele é o rei das manchetes, o homem que domina o talento mais cafajeste numa sociedade.

É imprescindível que se veja no palco esta figura de um jeito cru, no que ele tem de mais nocivo e sórdido; e não da maneira em que costumeiramente vemos os canalhas, “maquiados”.

O nosso mundo só lê manchetes. As manchetes são basicamente aquilo que o nosso mundo é, no aqui e no agora do hoje. Twitter, Facebook, Instagram, Whatsapp e outros afins, são gigantes canalizadores e reprodutores de manchetes e/ou “notícias”, e das mais infinitas opiniões.

A grande desgraça que se abate sobre Arandir talvez seja a intromissão e a usurpação, em sua intimidade mais profunda, de uma alienação e de uma ignorância tóxicas endêmicas, que se originam nos mais antigos resquícios da nossa fundação de país. O pequeno ato de Arandir é um gigantesco ato de resistência.

A devastação de sua privacidade é a consequência direta de sua condenação. Um beijo entre dois homens, no meio da rua, diante da bandeira nacional, é atitude pública inadmissível.

À parte e somando-se a tudo isso, a escolha de um ator negro para o papel de Arandir (o ator Anderson Negreiros) traz instantaneamente novas camadas de conexões, arrastando junto uma história de 500 anos de um Brasil repleto de contradições inexoráveis em sua fragilíssima identidade.

Proposta de Encenação

A encenação partirá da ideia de se realizar uma radiografia do texto, para tentar extrair o que consideramos a sua essência. Para tentar investigar, com um olhar aprofundado, as raízes dos acontecimentos que se abatem sobre os personagens, e as suas questões mais relevantes para o Brasil de hoje.

O texto ágil, potente e fracionado (em total sujeição ao mote principal) é ação. A ação, por sua vez, é diálogo. Tudo principia em decorrência de um evento (o beijo) que se dá em plena rua, na Praça da Bandeira, no Rio de Janeiro, diante de muitas testemunhas e centenas de transeuntes.

Não há, por assim dizer, necessidade alguma de se estabelecer no palco qualquer espécie de formalização cenográfica. Pelo contrário, vamos trabalhar no sentido de conceber um campo simbólico para todo o desenrolar da trama, como se tudo ocorresse num espaço público.

A ação dramática se avoluma a cada fala, a cada quadro, e se torna autossuficiente, na medida em que se atinja a enorme autenticidade contida nas falas. Aos poucos, elas nos revelam o deserto interior de cada um dos personagens (em contraposição a Arandir), o deserto de amor cuja secura será a matéria do incêndio em que se transforma o horror difundido por Amado.

A simplicidade estética, em benefício da eficiência da narrativa, será a nossa busca. O elenco permanecerá o tempo todo no palco, seja no foco da cena, seja compondo imagens em relação ao foco, mas nunca passivamente (sempre como um grande olhar externo julgador).

Os objetos cênicos irão assumir diversas posições e funções ao longo da montagem. A alegoria do “rolo compressor” – que assenta o asfalto, mas que remete a um enquadramento generalizado da sociedade, e também à rotativa, a máquina que imprime os jornais – é uma imagem que nos apontará caminhos para a encenação.

As interpretações vão caminhar no sentido de tentar expor, no limite, o jogo bárbaro da manipulação, em contraponto ao que vamos chamar de campo poético da existência. Como num raio X, queremos explicitar as entranhas desse texto, sem subterfúgios, e sem qualquer traço de caricatura.

FACE (2)

O Beijo no Asfalto

Com Anderson Negreiros, Angela Ribeiro, Heitor Goldflus, Lucas Lentini, Mauro Schames, Natalia Gonsales, Rita Pisano, Roberto Audio e Valdir Rivaben

Teatro do Núcleo Experimental (Rua Barra Funda, 637 – Barra Funda, São Paulo)

Duração 80 minutos

20/11 até 12/12

Quarta e Quinta – 21h

$40

Classificação 14 anos

VOYEUR – UM OLHAR INDISCRETO SOBRE ALFRED HITCHCOCK

Ator, dramaturgo e pesquisador, Gerson Steves completa 35 anos de carreira artística. Para comemorar, ele realiza uma série de leituras dramáticas do texto Voyeur – Um Olhar Indiscreto sobre Alfred Hitchcock, que acontecem nos dias 19 e 26 de setembro, 03 e 10 de outubro, sempre às quintas, às 20h30, no Teatro do Núcleo Experimental. Além de estar em cena, interpretando o próprio Hitchcock, Gerson também assina a dramaturgia e direção das leituras. Ao lado dele estarão as atrizes Adriana Alencar, Beatriz Negri, Marcela Piccin, Muriel Aronchi, Sady Medeiros e Tatiana Montagnolli.
Mas não é o lado gênio do aclamado diretor de cinema que estará em cena: Gerson se baseou em entrevistas e biografias sobre o rei do suspense para mostrar seu envolvimento em casos de assédio e difamação aos astros e estrelas que trabalharam com ele. O texto propõe uma discussão bastante atual: abuso moral e sexual, partindo de uma tipificação e objetificação de ideais de feminino e masculino que, por muito tempo, contribuindo para reforçar modelos sexistas e machistas na indústria cinematográfica – especialmente de Hollywood.
Nascido há exatos 120 anos, Hitchcock  está em cena numa suposta entrevista na qual ele lida em seu imaginário com algumas das suas estrelas. Kim Novak, de Vertigo, Tippi Hedren, de Os Pássaros, Doris Day, de O Homem que Sabia Demais, e Ingrid Bergman, que estava em Quando Fala o Coração, são alguns dos nomes que relatam os abusos sofridos por Hitchcock. Esses nomes surgem em cena como bonecas ou na pele das atrizes que compõe o elenco e, cada uma delas apresentatá uma faceta do diretor e seus desvios de personalidade.
Hitchcock é a representação de um homem de sua época
Voyeur irá investigar ainda as interseções existentes entre a vida pública do mestre do suspense cinematográfico e sua pouco difundida vida privada. Numa época em que a indústria cinematográfica era notadamente masculina, Hitchcock exerceu o pior do sexismo e do machismo: moldava suas estrelas dentro e fora do set de filmagem, obrigando-as a cumprir não somente agendas profissionais escravizantes, mas também sociais. Sempre com investidas que iam do bullying mais corriqueiro ao assédio e à difamação públicos”, explica Gerson.
O ator, diretor, dramaturgo e pesquisador explica que é de uma época em que se via os filmes de Hitchcock na Sessão Coruja. Apesar de toda a sua genialidade e toda a contribuição que ele trouxe para a linguagem cinematográfica (técnicas, criativas e estéticas), ele diz que é importante olharmos para sua obra com esse viés e entender que ele era a representação do que se esperava de um homem da sua época.
Em tempos de #timesup em Hollywood, é curioso que o nome de Alfred Hitchcock não tenha surgido como um diretor que praticava abusos. Talvez poucas pessoas discutam esse seu comportamento hoje, porque completaremos 40 anos de sua morte no próximo ano. A sua memória está distante da atualidade e sua obra ficou mais do que a sua personalidade. Mas esse comportamento inoportuno existia. As atrizes foram as principais vítimas, mas seus galãs – principalmente, os homossexuais – , foram afetados também e até alguns jornalistas ficaram cara a cara com esse lado de sua personalidade. Ele se sentia no direito de moldar caráter, exigir um padrão de beleza e certas ações dos profissionais que o rodeavam. Naquele tempo, não havia essa discussão que existe hoje e, apesar da crueldade, isso era aceitável e fazia parte das regras do jogo”.
FACE (1)
Voyeur – Um Olhar Indiscreto Sobre Alfred Hitchcock
Com Adriana Alencar, Beatriz Negri, Marcela Piccin, Muriel Aronchi, Sady Medeiros e Tatiana Montagnolli e Gerson Steves
Teatro do Núcleo Experimental (Rua Barra Funda, 637 – Barra Funda, São Paulo)
Duração 90 minutos
19/09 até 10/10
Quinta – 20h30
Ingresso grátis (O público contribui se quiser e com quanto quiser/puder – distribuição uma hora antes)

LEMBRO TODO DIA DE VOCÊ

Vencedor do Prêmio Bibi Ferreira 2017 na categoria de melhor roteiro original e Prêmio Reverência de Melhor Texto, o musical Lembro Todo Dia de Você volta em cartaz no Teatro do Núcleo Experimental, entre os dias 8 e 24 de março. As sessões acontecem às sextas-feiras e aos sábados, às 21h; e aos domingos, às 20h.

Texto, letras e direção musical de Fernanda Maia, direção geral de Zé Henrique de Paula e músicas de Rafa Miranda. No elenco, estão os atores Bruna Guerin, Davi Tápias, Carol Bezerra, Fabio Augusto Barreto, Fabio Redkowicz, Pier Marchi e Thiago Perticarrari.

Thiago (Davi Tápias) é um jovem que se descobre soropositivo aos 20 anos e, para aprender a conviver com o vírus, precisa antes passar por um acerto de contas consigo mesmo. Lembro todo dia de você é um musical inédito que faz um retrato realista e contemporâneo do HIV, colocando em questão muito do que se conhece sobre o assunto.

Com Lembro Todo Dia de Você, o Núcleo Experimental prossegue com a pesquisa de linguagem em teatro musical, que consiste em inserir as músicas no espetáculo de uma forma fundamental para a narrativa. A trilha sonora tem levada pop, com releituras de outros gêneros, como bolero, disco, jazz e música de jogos digitais dos videogames.

O Núcleo também se preocupa em fomentar a criação de espetáculos 100% nacionais, oferecendo ao público novas opções além das franquias internacionais ou adaptações de obras pré-existentes, como filmes, livros ou até mesmo outras peças teatrais.

A produção nasceu depois do sucesso de público e crítica Urinal (2015), prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) na categoria Melhor Diretor e Prêmio Reverência 2016 nas categorias Melhor Musical, Melhor Direção, Melhor Cenário (Zé Henrique de Paula), Melhor Direção Musical (Fernanda Maia) e Melhor Ator Coadjuvante (Fabio Redkowicz). A peça foi vencedora, ainda, de duas categorias no Prêmio Bibi Ferreira (concorreu a sete) e venceu/concorreu em diversas outras nos prêmios Aplauso Brasil, Shell, Governador do Estado, Quem e Reverência.

FACE (1)

Lembro Todo Dia de Você

Com Bruna Guerin, Carol Bezerra, Davi Tápias, Fabio Augusto Barreto, Fabio Redkowicz, Pier Marchi, Thiago Perticarrari

Teatro do Núcleo Experimental (Rua Barra Funda, 637, Barra Funda – São Paulo)

Duração 120 minutos

08 a 24/03

Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h

$30

Classificação 16 anos

LUGAR DE ESCUTA

Debatendo Após o sucesso de sua primeira temporada, realizada no final de 2018, o espetáculo “Lugar de Escuta” reestreia no Teatro do Núcleo Experimental, na Barra Funda (SP), de 5 de fevereiro a 27 de março, às terças e quartas, às 21h. A mulher, o feminismo e a busca por lugares de fala, de expressões e de reflexões são temas debatidos pelo musical que propõe um mergulho por esses temas.

“Lugar de Escuta” é uma produção do Projeto M.O.T.I.M (Mulheres Organizadas por um Teatro em Infinito Movimento) em parceria com a Arina Entretenimento. O musical tem em seu elenco somente mulheres, dirigidas por Fabiana Tolentino.

– A experiência da primeira temporada foi bastante intensa e transformadora. Como a peça é diferente a cada dia, era uma expectativa muito grande (inclusive para nós) de como iria ser aquele dia em específico. Teve cena que estreou na última sessão do último dia de temporada! Outra que só saiu uma vez e depois nunca mais. O Tarot sempre sabe o que é melhor para todos … Temos histórias incríveis de ‘coincidências’: no primeiro ensaio aberto, a primeira pessoa escolhida por uma das atrizes para sortear uma carta foi o Professor de Tarot da nossa taróloga (Luiza Luka), e a atriz que o escolheu não fazia ideia disso, só pra exemplificar – diz Fabiana Tolentino sobre a primeira temporada do espetáculo.

Lugar de Escuta é uma peça que se adapta a cada apresentação. As cenas, com diversos lugares de fala, buscam trazer um panorama sobre as infinitas questões e percalços que ser mulher e feminista nos dias de hoje representa, sem deixar de falar das delícias, por isso é também uma celebração. No total, são 22 cenas inspiradas pelos 22 arcanos maiores do tarô, porém somente oito delas serão apresentadas por sessão. Essas cenas serão selecionadas por um jogo de tarô com a seguinte pergunta: “Que peça de teatro a plateia de agora precisa assistir?” Sendo assim, a ausência de assuntos, de certa forma, também fala sobre eles.

Como na primeira temporada, a peça ganha um espaço, além dos palcos, onde haverá exposição de obras, especialmente criadas para o espetáculo, de cinco artistas. São elas: Beatriz Ghidalevich, Jessica Factor, Natalia Buell, Amanda Falcão e Mariana Rosa.

Temos os painéis de quatro metros, já conhecidos de quem foi assistir, é a união do trabalho de quatro jovens artistas feministas da Belas Artes, todas, em algum lugar de sua obra, abordam questões feministas. Elas se uniram e criaram os dois painéis, inspiradas pelos textos da peça. E a Mariana Rosa é atriz, começou a pintar influenciada pelo teatro, pelas cenas que queria viver nele. Seu trabalho é baseado, não só, pela forma física da mulher, mas pela forma abstrata do universo feminino, a aura intensa, a Mãe Terra, galhos, flores.

“Lugar de Escuta” conseguiu sua segunda temporada graças ao financiamento coletivo. Em tempos em que a cultura brasileira sofre com a falta de investimento, além da ausência de políticas públicas que fomentem o teatro, surge cada vez mais a necessidade das pessoas se unirem, a fim de discutirem sobre temas pertinentes ao que regem os valores humanos e culturais.

– Eu acredito que qualquer espetáculo teatral ajuda a desenvolver um pensamento crítico, o teatro é a comunhão das almas, é onde nos reconhecemos ou não, e isso já nos tira do lugar de conforto. Eu acho que peças como ‘Lugar de Escuta’ tem o diferencial de proporcionar, além dos mil questionamentos internos e externos, um espaço de cura. Cura de dores passadas, de assédios sofridos, de dificuldades de lidar com a competição feminina ensinada… ouvimos muita coisa nesse sentido da plateia. Infelizmente, o acesso ao teatro ainda é algo a ser pensado por todos nós artistas, por isso acredito que qualquer iniciativa independente deveria ser incentivada, principalmente pela classe, que sabe o quanto é difícil produzir alguma coisa sem incentivo fiscal nesse país – finaliza Fabiana.

CARMEN (1)

Lugar de Escuta

Com Ágata Matos, Fabiana Tolentino, Gabriela Medvedovski, Júlia Sanches, Letícia Soares, Lívia Graciano, Luisa Sabino, Luiza Borges Campos, Nani Porto e Pamella Machado

Teatro do Núcleo Experimental (Rua Barra Funda, 637 – Barra Funda, São Paulo)

Duração 70 minutos

05/02 até 27/03 (não haverá espetáculo nos dias 05/03 e 06/03 – Carnaval)

Terça e Quarta – 21h

$60

Classificação Livre

EU SEI EXATAMENTE COMO VOCÊ SE SENTE

Considerado um dos artistas mais prestigiados do teatro britânico a discutir a questão da homoafetividade, o dramaturgo, diretor e tradutor Neil Bartlett tem suas obras investigadas pelo Núcleo Experimental em Eu sei exatamente como você se sente. O espetáculo estreia no dia 17 de abril, no Teatro do Núcleo Experimental, e segue em cartaz até 30 de maio, com sessões às terças e quartas-feiras, às 21h.

A montagem parte dos solos “Onde está o amor?”, “É pra isso que servem os amigos”, “O que você vai fazer?”, “Improvável” e “O meu amor é forte assim” para apresentar depoimentos do próprio Barlett sobre o que é ser homossexual na sociedade contemporânea. O medo da agressão e da homofobia, o desejo e a necessidade de uniões afetivas, o relacionamento com os pais e (eventualmente) os filhos, a coragem de lutar pelos direitos dos LGBTTs, o estigma do HIV são algumas das muitas das questões discutidas em cena.

Essas obras, assim como muito do meu trabalho, estão particularmente preocupadas em transmitir ternura, dignidade, paixão e coragem. Ao enfatizar o simples ato de falar – falar em voz alta – elas nos fazem lembrar (eu espero) que essas qualidades ainda são – mesmo que a cultura vigente queira dizer o contrário – a base da nossa experiência comum nesta vida”, reflete o autor.

Numa encenação pautada pela simplicidade, os atores Fabio Redkowicz, Paulo Olyva, Pedro Silveira e Zé Henrique de Paula são acompanhados ao vivo pelo pianista Rafa Miranda e pelo violoncelista Felipe Parisi.

SINOPSE

A partir dos monólogos “Onde está o amor?”, “É pra isso que servem os amigos”, “O que você vai fazer?”, “Improvável” e “O meu amor é forte assim”, do dramaturgo britânico Neil Barlett, a peça cria uma colcha de depoimentos do próprio autor sobre o que é ser homossexual na sociedade contemporânea. São discutidos temas como o medo da homofobia, o desejo e a necessidade de uniões afetivas, o relacionamento entre pais e filhos, a coragem de lutar pelos direitos dos LGBTTs e o estigma do HIV.

image001

Eu sei exatamente como você se sente
Com Fabio Redkowicz, Paulo Olyva, Pedro Silveira e Zé Henrique de Paula
Teatro do Núcleo Experimental (Rua Barra Funda, 637 – Barra Funda, São Paulo)
Duração 70 minutos
17/04 até 30/05
Terça e Quarta – 21h
$40
Classificação 14 anos