ILHA DOS MACACOS

Um cientista que realiza pesquisas utilizando uma asa delta cai em uma ilha de macacos. Perdido, começa a estudar os animais e descobrir um mundo novo de possibilidades, respeito e aprendizado com o outro. Contemplado pelo Edital Xamego de Apoio ao Circo para a Cidade de São Paulo, o espetáculo circense Ilha dos Macacos, do tradicional Circo Marambio, realiza curta temporada a partir do dia 3 de março, sexta-feira, 20h, no Teatro Flávio Império, zona leste de São Paulo.

O espetáculo utiliza elementos tradicionais e contemporâneos do circo para compor a sua narrativa. Como elementos tradicionais, constam o modo corrido dos números e a apresentação de habilidades variadas. Já a concepção cênica e a dramaturgia são inspiradas nas do circo contemporâneo.

Na apresentação, em que se destacam os números de acrobacia – marca registrada do Circo Irmãos Marambio – há também números de malabarismo, equilibrismo, aéreos e palhaços, com artistas se revezando em todas as modalidades. Os espetáculos serão apresentados em um picadeiro montado atrás do Teatro Flávio Império.

O Circo Marambio, hoje, é composto pelos irmãos Ramon, Paulo e Jessica Marambio, a quarta geração circense de sua família, seus pais, outros artistas tradicionais e artistas da nova geração, formados em escolas de circo. Em 2002 fundaram um grupo para trabalhar em espaços alternativos as lonas de circo.

Durante a temporada de Ilha dos Macacos, haverá ainda oficinas circenses gratuitas destinadas a até 30 participantes que farão parte da última apresentação, dia 12 de março. Para se inscrever, basta enviar um e-mail para ramonmarambio@gmail.com informando nome completo e telefone para contato.

Sobre o Circo Marambio

Os irmãos Marambio (Ramon, Paulo e Jéssica) são a quarta geração de artistas circenses. Nascidos e criados em circo, passaram a residir em São Paulo na década de 90 e, em 2002, decidiram formar uma trupe para trabalhar em espaços alternativos às lonas de circos.

O Circo Marambio trabalha há anos com tradicionais espetáculos circenses, desejando manter viva a arte e o modo clássico do circo. Apesar disto, incorporando elementos cênicos e propostas atuais, já realizou montagens contemporâneas de espetáculos temáticos como o Wall Street Acrobatics e Urbanus Circus Band. A trupe é composta pelos irmãos e diversos artistas circenses que faziam parte do grupo quando tinham espetáculos fechados e formaram outros artistas, oriundos de escolas de circo, que juntos aprenderam os detalhes do tradicional circo, além de clássicos números como Báscula Russa, Canastilha, Paradas de Mão, Malabares, Palhaços, entre outros.

Realizou oficinas e espetáculos nos eventos: Circuito USIMINAS de Cultura (2014); Virada Cultural Paulista (2010 a 2014);Espetáculo tradicional, na Casa Modernista (2014); Metrô Paraíso no palco do Projetos Encontros (2012); Maratona Infantil do MIS – Museu da Imagem e do Som (2011 e 2012); Festival Paulista de Circo (2009); Prêmio Funarte Carequinha de Estímulo ao Circo (2010); Criação de espetáculos inéditos (2010 a 2014); Bolsa Funarte de Incentivo à Criação ou ao Aperfeiçoamento de Números Circenses (2008); Memorial da América Latina (2008); Circuito Cultural Paulista, Circo Arte Brasil (2008); Teatro Paulo Autran, SESC Pinheiros (2007). Desde 2002 até os dias atuais realizam apresentações regularmente para reforço de espetáculos e estreias de circos itinerantes que percorrem o Estado de São Paulo.

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Ilha dos Macacos
Com Circo Marambio
Teatro Flávio Império (R. Prof. Alves Pedroso, 600 – Cangaiba, São Paulo)
Duração 60 minutos
03 a 12/03
Sexta e Sábado – 20h; Domingo – 16h e 20h
Entrada gratuita
Classificação Livre
 
 
Oficinas Circenses
 
De 7 a 10 de março, terça a sexta-feira, das 15h às 18h. 30 vagas. Local: Teatro Flávio Império. Inscrições: ramonmarambio@gmail.com (informar nome e telefone para contato).

RÉQUIEM PARA UM AMIGO DA MULTIDÃO

Projeto idealizado e protagonizado pelo ator Nei Gomes, Réquiem Para Um Amigo da Multidão estreou no Teatro Municipal Flávio Império, Zona Leste da cidade. Com direção de Renata Zhaneta, o espetáculo presta homenagem ao multiartista Flávio Império (1935-1985), que revolucionou a cenografia brasileira, celebrando sua contribuição para o teatro brasileiro. Flávio Império, se estivesse vivo, estaria com 80 anos de vida e 60 de carreira.

Contemplado com o Prêmio Zé Renato da Cidade de São Paulo, o espetáculo circulará pelos teatros distritais da cidade durante os meses de maio e junho, com o apoio da Secretaria Municipal de Cultural. As próximas apresentações serão: Teatro Alfredo Mesquita, dias 3, 4 e 5 de junho; Teatro Leopoldo Fróes, dias 10, 11 e 12 de junho; Teatro Cacilda Becker, dias 17, 18 e 19 de junho e retorna ao Teatro Flávio Império, dias 24, 25 e 26 de junho. O projeto está habilitado pelo edital PROART Educação, sendo um estímulo para debate sobre arte e história.

Pela contribuição do artista para as áreas além do teatro, no dia 26 de junho, último dia do espetáculo, será realizado um debate, após a sessão, com os arquitetos Lívia Loureiro, Pedro Arantes e Yuri Quevedo, profissionais influenciados pela obra de Flávio Império.

Com dramaturgia do próprio Nei Gomes, o texto tem como base a obra e o trabalho do artista no teatro, na arquitetura e nas artes plásticas. “A peça é uma vivência, onde a relação espectador-ator é muito próxima, um happening de muitas linguagens. O objetivo é trazer à tona suas inquietações e contribuições para as artes”, define o autor.

Realçando a importância de Flávio Império para a arte brasileira, a peça retrata o artista nos momentos finais de sua vida, em um balanço consigo próprio e em reflexões sobre vida e morte. Em 1985, Flávio foi internado com encefalite decorrente da AIDS. A dramaturgia parte do processo de delírios, comuns nesse quadro clínico, para rememorar sua trajetória.

O fio condutor são as suas memórias e experiências vividas. Então me veio a ideia de um devaneio ficcional, decorrente das infecções que teve quando internado. A memória não é perfeita, tem lacunas, criamos coisas, tudo isso aliado à situação do delírio me fez construir um narrador que passasse por diversos planos, podendo ser lírico, dramático ou narrativo. Assim o texto pode ter saltos não lógicos”, explica Nei.

Durante o processo de pesquisa, Nei Gomes entrevistou personalidades que conviveram com o cenógrafo, como Maria Thereza Vargas, José Celso Martinez Corrêa, Drauzio Varela, Suzana Yamauchi, Loira Cerroti, Iacov Hillel, Edmar de Almeida e Vera Império Hamburger. Personagens e textos dos espetáculos que Flávio montou também serviram de referências para os desdobramentos do espetáculo.

Essas pessoas me ajudaram, a partir de cada ponto de vista, a construir um retrato. Os relatos ou mesmo a imagem que cada um guarda da figura do Flávio, somado à minha pesquisa, me fizeram chegar num ser humano intenso e complexo. O espetáculo é um lugar de encontro e celebração sobre a figura do Flávio e seus pensamentos. A obra é ficcional, mas as referencias são todas reais.

Espetáculo Réquiem_Foto Jonatas Marques-10.jpg

Instalação cênica

A montagem traça um panorama da vida artística de Flávio, desde seu envolvimento com a Comunidade do Cristo Operário, em 1956, até os últimos trabalhos, em 1985. “Não dá para ignorar o momento histórico em que ele viveu. O Flávio era múltiplo. Foi um cidadão atuante, viveu na época da ditadura militar, morreu de AIDS, numa época em que pouco se sabia sobre a doença. Tudo isso não é central no espetáculo, mas certamente o afetou artisticamente”, fala Nei.

Uma cama hospitalar é o elemento central do cenário. Dois biombos servem como telas para projeção de luz e imagens que simulam os delírios. Os figurinos têm uma base branca e alguns elementos coloridos que, assim como os objetos cênicos, rementem ao aspecto limpo e asséptico de um hospital.

A encenação também se utiliza de diferentes formas de expressão como a videoprojeção, a iluminação e a trilha sonora executada ao vivo por três músicos. Alguns atores fazem participação especial em vídeo interpretando personagens contemporâneos ao Flávio como Cacilda Becker, Lina Bo Bardi, Myriam Muniz, Walmor Chagas, entre outros.A plateia será acomodada em cima do palco. Uma instalação com telas representa as várias áreas de atuação do multiartista e durante o espetáculo o público pode pintar e interagir com elas.

O Flávio fez de tudo no teatro, além de romper com a estrutura de colaboração com a área em que atuava. Ele não trabalhava por encomenda, fazia um processo de acompanhamento de todo projeto e propunha muito, inclusive ajudando a determinar questões estéticas centrais da obra que montava”, comenta Nei.

Flávio Império

Cenógrafo, figurinista, diretor, arquiteto, professor e artista plástico. Suas experiências na pintura evidenciam o aprendizado da linguagem modernista. Reconhecido por seu trabalho artístico, Flávio trouxe ao fazer teatral, entre os anos de 1960 e 1980, uma nova forma de inserção das áreas artísticas de criação que, até então, eram consideradas secundárias em montagens de espetáculos de teatro.

Sua participação no processo de criação e seus estudos sobre os espetáculos o colocaram dentro das salas de ensaios com outros artistas criadores. Muitas peças tiveram sua concepção estética determinada pela cenografia, de tão poderosa, coerente e participativa que era sua presença.

Flávio Império morreu às vésperas de completar 50 anos, no Hospital do Servidor Público Estadual, vitimado por uma infecção bacteriana nas meninges causada pela Aids, em 1985.

Espetáculo Réquiem_Foto Jonatas Marques-6

 

Réquiem Para Um Amigo Da Multidão
Com Nei Gomes
Duração 70 minutos
Recomendação 10 anos
Entrada gratuita (retirar ingresso com uma hora de antecedência)
 
03 a 05/06
Teatro Alfredo Mesquita (Av. Santos Dumont, 1770 – Santana, São Paulo)
Sexta e Sábado – 21h; Domingo – 19h
 
10 a 12/06
Teatro Leopoldo Fróes (Rua Antonio Bandeira, 114. Santo Amaro, São Paulo)
Sexta e Sábado – 20h; Domingo – 19h
 
17 a 19/0
Teatro Cacilda Becker (Rua Tito, 295 – Lapa, São Paulo)
Sexta e Sábado – 20h; Domingo – 19h
 
24 a 26/06
Teatro Flávio Império (R. Prof. Alves Pedroso, 600 – Cangaíba, São Paulo)
Sexta e Sábado – 20h; Domingo – 19h
 
 
Idealização, Dramaturgia e atuação: Nei Gomes.
Direção: Renata Zhaneta.
Assistentes de direção: Andressa Ferrarezi e Osvaldo Hortêncio.
Assistentes de produção: Maria Carolina Dressler e Adriano Rosa.
Participação especial em vídeo: Andressa Ferrarezi, Daniela Giampietro, Karen Menati, Osvaldo Hortêncio, Maria Carolina Dressler, Osvaldo Pinheiro e Renata Zhaneta.
Identidade Visual, Registro e Produção Multimídia: Jonatas Marques.
Provocadores musicais: Piero Damiani e Rani Guerra.
Cenografia: Luis Carlos Rossi.
Figurino: Mariana Moll.
Iluminação: Erike Busoni.
Assessoria de Imprensa: Adriana Balsanelli.
Grupo parceiro com sede para ações: Periferia Invisível.