ERA MEDEIA

Você sempre age de acordo com seus princípios éticos? Ou será que muitas vezes suas ações e comportamentos contradizem o seu discurso? A partir dessa reflexão se desenrola a trama do espetáculo Era Medeia, que, depois de uma bem-sucedida temporada, estará em cartaz novamente, a partir de 9 de outubro, no Teatro Glaucio Gill, em Copacabana, sempre às quartas e quintas, às 20h, até 24 de outubro. Com supervisão de Cesar Augusto, texto e direção de Eduardo Hoffmann e argumento de Marina Monteiro, a peça se passa durante os ensaios de uma adaptação da tragédia “Medeia”, de Eurípedes, pano de fundo para uma discussão que também passa pelo machismo, o abuso de poder, exposição da vida privada e a importância do processo na criação artística.

Em cena, estão os atores Eduardo Hoffmann, Isabelle Nassar (nas sessões de quarta-feira) e Caroline Monlleo (nas sessões de quinta-feira), que vivem Pedro Lobo, um diretor excêntrico, e Verônica Albuquerque, uma atriz insegura. O público é convidado a assistir a um ensaio aberto do espetáculo no qual estão trabalhando juntos. Aos poucos, o passado deles vem à tona, e os espectadores passam a ser testemunhas de um acerto de contas íntimo entre os personagens.

A escolha de Medeia como o texto que os personagens ensaiam tem um propósito: é um ícone da representação de uma mulher que rompe com os padrões sociais estabelecidos. Apesar de tomar atitudes cruéis, ela é uma personagem que não fica à mercê das decisões e escolhas dos homens à sua volta”, explica o ator e diretor Eduardo Hoffmann. “E aí é que está a contradição. O diretor está montando Medeia justamente para enaltecer a força dessa mulher que rompe com os padrões repressivos e, no entanto, o modo como ele lida com a atriz (que já foi mulher dele) é extremamente repressor e abusivo”, acrescenta.

A partir da exposição da vida íntima do ex-casal, “Era Medeia” também faz uma reflexão sobre por que o público de hoje parece se interessar mais pelos bastidores da criação do que pela própria criação. “O fato de estarmos vivendo uma realidade social e política extremamente espetacularizada contribui para que o caráter ficcional da arte esteja cada vez mais com sua potência diminuída. E já faz bastante tempo que os reality shows tornaram as pessoas personagens mais interessantes aos olhos do público do que os personagens criados nas obras de ficção. É uma extrema necessidade de ser arrebatado pelo REAL, até porque o cotidiano atual está extremamente teatralizado”, analisa Hoffmann.

FACE (1)

Era Medeia

Com Isabelle Nassar, Caroline Monlleo e Eduardo Hoffmann

Teatro Glaucio Gill (Praça Cardeal Arcoverde, s/nº Copacabana – Rio de Janeiro)

Duração 60 minutos

09 a 24/10

Quarta e Quinta – 20h

$30

Classificação 14 anos

CAPITÃES DA AREIA, O MUSICAL

Com uma carreira de sucesso, assim se resume o romance CAPITÃES DA AREIA, de Jorge Amado, hoje uma das obras mais apreciadas pelos seus leitores, tanto no Brasil quanto no exterior. Publicado em 1937, marcou época na vida literária brasileira. A partir de então, sucederam-se as edições, nacionais e em nove idiomas estrangeiros, e as adaptações para teatro, rádio, televisão e cinema. Verdadeiro relato sobre a vida dos meninos abandonados nas ruas de Salvador, Jorge Amado a descreve em páginas carregadas de uma beleza, dramaticidade e humor poucas vezes igualados na literatura brasileira. Como não tocar num assunto como esse ainda tão atual nos dias de hoje? Hoje estamos nós ainda discutindo a intolerância religiosa, a maioridade penal, o descaso das autoridades…

A adaptação musical para o teatro, sem perder o caráter crítico social do livro, narra a história de forma romântica, bem humorada e cheia de aventuras de nove garotos e uma menina, além dos personagens secundários, mas fundamentais.

Em “CAPITÃES DA AREIA – O MUSICAL”, seus pequeninos heróis estão em busca de algo que os faça transcender a condição em que vivem. Para isso os nove garotos contam com a ajuda do Padre José Pedro, do casal Sr. Raul e D. Éster que acolhem um dos meninos como filho, da mãe de santo Dona’Aninha que cuida de todos, do dono de um carrossel que lhes dá emprego e a oportunidade para que, apesar da precocidade, os Capitães da Areia demonstrem traços infantis muito fortes.

A encenação proposta pela direção é uma plasticidade realizada pelo ATOR. Com um palco nu, treze atores interpretam 40 personagens importantes dentro da dramaturgia musical; cantando, dançando e executando as músicas originais compostas especialmente para este espetáculo.

Apesar de narrar a situação de meninos desamparados, o texto termina de forma positiva, pois Jorge Amado concentra no personagem Pedro Bala toda sua crença na força do homem, em seu poder para modificar o destino, não só lhe chamando a atenção para as mazelas sociais, como também lhe indicando o caminho da redenção.

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Capitães da Areia, o Musical
Com Matheus Signorelli, Wagner Cavalcante, Giovanna Sassi, Matheus Lana, Cleitom Lisboa, Daniel de Mello, David Reis, João Ramalho, Victor Braga, Rafael Gualandi, Dandara Abreu, Mirian Dumas e Wagner Trindade
Teatro Glaucio Gill (Praça Cardeal ArcoVerde – s/n – Copacabana Rio de Janeiro)
Duração 90 minutos
18/05 até 11/06
Sexta e Sábado – 21h, Domingo e Segunda – 20h
$50
Classificação 14 anos