MOSTRA DE REPERTÓRIO CIA. MUNGUNZÁ DE TEATRO

Durante o mês de março a Cia Mungunzá de Teatro apresenta sua mostra de repertório com os cinco espetáculos do grupo no Teatro João Caetano. Com ingressos gratuitos, a mostra começa com Epidemia Prata – dias 6, 7 e 8 de março, sexta-feira e sábado às 21h e domingo às 19h. Recentemente apresentado no Festival Internacional de Teatro de Kerala, na Índia, o espetáculo, que tem direção de Georgette Fadel, é uma costura entre duas linhas narrativas: a visão pessoal dos atores sobre os personagens reais que conheceram em sua atual residência no Teatro de Contêiner – Centro de São Paulo, e o mito da medusa, que transforma pessoas em estátuas.

Na sequência serão apresentados os espetáculos Luis Antonio – Gabriela (de 13 a 15 de março, sexta-feira e sábado às 21h e domingo às 19h), Por que a Criança Cozinha na Polenta? (de 20 a 22 de março, sexta-feira e sábado às 21h e domingo às 19h), Poema Suspenso para uma Cidade em Queda (de 27 a 29 de março, sexta-feira e sábado às 21h e domingo às 19h). O infantil Era uma Era faz apresentações dias 28 e 29 de março, sábado e domingo, às 16 horas.

Epidemia Prata (2018) é uma pequena gira teatral. Dura. Sólida. Nessa gira, a poesia é como um rato, deve se espremer pelos cantos para superar um céu de metal. Repleto de imagens e predominantemente performático e sinestésico, o universo prata, no espetáculo, assume uma infinidade de conotações que vão desconstruindo personagens estigmatizados pela sociedade e compartilhando a sensação de petrificação diante de tudo.

Apesar de levar à cena o endurecimento do ser humano e o fim da sutileza e da comunicação, Epidemia Prata, com texto autoral e supervisão dramatúrgica de Verônica Gentilin, não tem o objetivo de ser um espetáculo de denúncia e sim de alavancar a poesia. “Faço junto com a Cia Mungunzá um alerta desse endurecimento, do parafuso emperrado que não deixa o mundo girar como deveria, mas que também nos coloca como observadores dessa miséria”, conta a diretora Georgette Fadel.

Um chão todo azul com apenas uma carcaça de piano, uma tampa de bueiro e dois mil reais em moedas de cinco centavos a cenografia de Epidemia Prata se completa com uma tela de projeção em cima do palco. A tela mostra imagens relacionadas com objetos duros e de metais. “É a inversão do céu e terra, onde ninguém tem chão e o céu pode ser cruel”, diz Fadel.

Luis Antonio – Gabriela

Sucesso de público e crítica com mais de 400 apresentações e 40 mil espectadores em todo Brasil, a montagem conta, desde 2018, com a atriz trans Fabia Mirassos no papel de Gabriela. Em Luis Antonio – Gabriela (2011) o diretor Nelson Baskerville coloca em cena sua própria história, onde o irmão mais velho, homossexual, Luis Antonio, desafia as regras de uma família conservadora dos anos 1960. O documentário cênico tem início no ano de 1953, com o nascimento de Luis Antonio, filho mais velho de cinco irmãos, que passou infância, adolescência e parte da juventude em Santos até ir embora para Espanha aos 30 anos, onde se transforma em Gabriela, e vai até 2006, data de sua morte.

Diferentes pontos de vista, como do irmão caçula que foi abusado sexualmente; da irmã que sai pelo mundo em busca do corpo de Gabriela; do pai que não reconhecia o filho travesti; da madrasta que via tudo como se fosse uma grande comédia; e dos amigos e colegas de trabalho, que viam a figura da protagonista com uma mistura de admiração e estranhamento são usados na montagem para mostrar a transformação de Luis Antonio em Gabriela.

Por que a Criança Cozinha na Polenta?

Com cinco temporadas em São Paulo e participações em festivais nacionais, entre eles o festival de Curitiba e Recife, Por que a Criança Cozinha na Polenta? (2008) é o primeiro espetáculo da Cia Mungunzá de Teatro e conta a história de uma menina romena cujos pais são artistas circenses exilados de seu país. A mãe se pendura no trapézio pelos cabelos todas as noites e o pai é um palhaço que não acredita em Deus. Enquanto, em seu exílio, excursiona pela Europa Central, a menina, ao lado da irmã mais velha, é arremessada de encontro ao despedaçamento de todos os seus ideais, bem como o preço por cada um deles.

Baseado na obra da escritora romena Aglaja Veteranyi, a montagem foi adaptada por Nelson Baskerville, que também assina a direção. Narrado por uma adolescente que se defende da degradação pela ótica infantil, a peça é ao mesmo tempo lírica e cruel.

Poema Suspenso para uma Cidade em Queda

Encenada em quatro torres de andaimes de cinco metros de altura e baseada em histórias e experiências pessoais dos atores, Poema Suspenso para uma Cidade em Queda (2015) tem direção de Luiz Fernando Marques – integrante do Grupo XIX de Teatro – e mostra um pouco sobre o sentimento de imobilidade que atinge muitas pessoas nos dias de hoje.

Poema Suspenso para uma Cidade em Queda é uma fábula contemporânea sobre a sensação de suspensão e paralisia geral do mundo moderno. Uma pessoa cai do topo de um prédio e não chega ao chão. Os anos passam e este corpo não consuma a queda. A partir daí, a vida das pessoas nos apartamentos desse edifício fica presa numa espécie de buraco negro pessoal, onde cada um vive uma experiência que não finaliza. Cada personagem fica preso em sua metáfora, ignorando o conjunto à sua volta.

O diretor Luiz Fernando Marques conta como a peça foi construída: “a Mungunzá é uma companhia atípica, só de atores. O convite veio logo após o sucesso deles com Luis Antonio – Gabriela, espetáculo premiado e minha responsabilidade aumentou com isso. Primeiro, ouvi o que esses atores queriam contar com esse projeto. Essa é uma das características da minha direção: focar nos atores e trabalhar em conjunto com eles. Na primeira parte do trabalho, com os workshops para levantar a dramaturgia, atuei como um provocador desse processo que foi super orgânico”, explica.

Era uma Era

Espetáculo da Cia. Mungunzá de Teatro voltado para o público infanto-juvenil, Era uma Era (2015) tem direção de Verônica Gentilin e conta as desventuras de um rei que tenta, a qualquer custo, fazer parte da história e, para tal, documenta toda a fundação do seu reino e seus feitos.

Inspirada no livro O Decreto da Alegria, de Rubem Alves, a montagem tem como temas centrais a memória e a tecnologia e é encenada em andaimes de cinco metros de altura. No espetáculo, os personagens que contam a história do Grande Reino Ainda Sem Nome surgem de uma caixa abandonada. Barba Rala, rei deste Reino deseja a todo custo entrar para a história dando um nome ao seu Reino. A única forma que um Reino tem de ser reconhecido e entrar para a história, é completando 100 páginas no Grande Livro de Autos. Assim, o rei resolve registrar todo e qualquer passo nesse livro. Até que um dia, após um incêndio, o livro é destruído e os habitantes tem que recomeçar sua vida do zero. No entanto, nessa segunda parte da história, os tempos são outros e a tecnologia domina a vida das pessoas. A peça se repete, mas completamente contextualizada no caos da era digital. Novamente o Reino cresce e vai se preenchendo de memórias e registros e selfies até entrar em colapso de novo.

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Mostra de Repertório Cia. Mungunzá de Teatro

Teatro João Caetano (Rua Borges Lagoa, 650 – Vila Clementino, São Paulo)

06 a 29/03

Grátis (retirada de ingressos com uma hora de antecedência)

Teatro Adulto

Epidemia Prata 

Com Gustavo Sarzi, Leonardo Akio, Lucas Beda, Marcos Felipe, Pedro Augusto, Verônica Gentilin e Virginia Iglesias

Duração 60 minutos

06 a 08/03

Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h

Classificação 16 anos

Luis Antonio – Gabriela

Com Fabia Mirassos, Marcos Felipe, Lucas Beda, Sandra Modesto, Verônica Gentilin, Virginia Iglesias e Lilian de Lima

Duração 100 minutos

13 a 15/03

Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h

Classificação 16 anos

Por Que a Criança Cozinha na Polenta?

Com Verônica Gentilin, Sandra Modesto, Virgínia Iglesias, Marcos Felipe e Lucas Beda

Duração 80 minutos

20 a 22/03

Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h

Classificação 16 anos

Poema Suspenso para uma Cidade em Queda

Com Verônica Gentilin, Virginia Iglesias, Lucas Bêda, Marcos Felipe e Sandra Modesto

Duração 70 minutos

27 a 29/03

Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h

Classificação 14 anos

Teatro infantil

Era uma Era

Com Sandra Modesto, Virginia Iglesias, Leonardo Akio, Lucas Beda, Marcos Felipe e Pedro Augusto

Duração 70 minutos

28 e 29/03

Sábado e Domingo – 16h

Classificação Livre

DOC.MALCRIADAS

O espetáculo ‘DOC. malcriadas’, concebido e dirigido por Lee Taylor, estreia curta temporada de 6 apresentações em 21 de fevereiro, sexta-feira, no Teatro João Caetano e segue em cartaz no Centro Cultural Olido para mais 12 apresentações, totalizando neste semestre 18 sessões nos dois espaços.

A peça integra o projeto “Antologia Documental” e é resultado do curso de atuação teatral oferecido gratuitamente pelo Núcleo de Artes Cênicas (NAC) em 2019.

O experimento cênico ‘DOC. malcriadas’ foi criado a partir de uma pesquisa documental e faz parte da proposta artístico-pedagógica vivenciada no curso de atuação oferecido gratuitamente pelo Núcleo de Artes Cênicas (NAC) em 2019, em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.

A motivação inicial foi pesquisar os valores morais que fundamentam o que se chama de “família tradicional brasileira“. Depois de mais de cem entrevistas realizadas por vinte atores e atrizes com membros de diversas famílias, escolhemos um recorte que oferece um olhar privilegiado para problematizar a família tradicional, por estar sempre presente e não fazer parte e por ser essencial e ao mesmo tempo substituível: as empregadas domésticas.

Na segunda etapa da pesquisa, foram mais de cinquenta entrevistas realizadas por nove atrizes com empregadas domésticas, faxineiras e diaristas que trabalham na cidade de São Paulo. A seleção dos relatos colhidos nas entrevistas foram o ponto de partida para quatro meses de investigação dramatúrgica e experimentação cênica, por meio de um processo colaborativo, que resultou na obra concebida e dirigida por Lee Taylor.

O experimento cênico ‘DOC. malcriadas’ faz parte do projeto Antologia Documental, proposta artístico-pedagógica do NAC, que reúne obras teatrais baseadas em relatos colhidos a partir de entrevistas realizadas pelo próprio elenco.

Sinopse:

Um estranho dia de faxina em que empregadas domésticas paralisaram sua rotina de serviço na casa de uma família tradicional brasileira. A obra poética-documental, concebida a partir do encontro das atrizes com domésticas que atuam na cidade de São Paulo, expõe testemunhos que revelam comportamentos profundamente enraizados em nossa sociedade pós-escravista e que se refletem em desigualdade social no país.

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DOC.malcriadas

Com Alexia Rosa, Bia Barbosa, Gabriela Moreno, Giovanna Pantaleão, Larissa Morais, Mirielen Dollvik, Patrícia Pacheco

Duração 90 minutos

Classificação 14 anos

Grátis

Teatro João Caetano (Rua Borges Lagoa, 650 – Vila Clementino São Paulo)

21/02 a 01/03

Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h

Centro Cultural Olido (Av. São João, 473 – Centro Histórico São Paulo)

27/03 a 19/04

Sexta e Sábado – 20h, Domingo – 19h

CURSO DE ATUAÇÃO DO NÚCLEO DE ARTES CÊNICAS

62365057_2263344553754390_3174711676263989248_nAté o dia 28 de fevereiro estão abertas as inscrições do processo seletivo para o curso de atuação do Núcleo de Artes Cênicas (NAC), coordenado pelo ator, diretor e pesquisador teatral Lee Taylor.

 

Desde 2018, o NAC e a Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo firmaram parceria. Este ano o curso irá acontecer no Teatro João Caetano (Rua Borges Lagoa, 650 – Vila Clementino, São Paulo – SP). A conclusão do curso prevê apresentações de um experimento cênico, acompanhadas de conversa com o público sobre o processo artístico-pedagógico.

O processo seletivo é composto de duas etapas: a primeira, que avalia os currículos artísticos e a carta de intenção dos inscritos e a segunda, que ocorre por meio de entrevistas e apresentações de cenas individuais.

O curso tem duração total de dez meses (de março a outubro) e é desenvolvido em três módulos, sendo o Módulo I, Poética Atoral, dedicado ao aperfeiçoamento artístico de cada participante (quatro meses), o Módulo II, Mise-en-scène, ensaios para a construção do experimento cênico com o elenco selecionado do curso de atuação (quatro meses) e o Módulo III, Poiesis, uma possível temporada do experimento (dois meses).

O curso é destinado a atores e atrizes a partir de 18 anos com algum conhecimento preliminar da linguagem teatral. Não é necessário possuir registro profissional DRT. Serão oferecidas 20 vagas. O curso tem início no dia 16 de março de 2020, com atividades regulares de segunda a quinta-feira, das 18h às 22h.

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Sobre o NAC e o curso de atuação

O Núcleo de Artes Cênicas (NAC) foi criado em 15 de abril de 2013 e é um espaço de investigação das Artes Cênicas que oferece gratuitamente um curso anual de atuação teatral tendo em vista questionamentos de paradigmas tanto da linguagem cênica quanto das práticas humanas do nosso tempo. O objetivo é permitir que os participantes vivenciem uma experiência que se consolide como um processo de formação e criação altamente emancipatório. O trabalho se propõe a desenvolver um processo artístico-pedagógico coeso e aprofundado por meio de práticas e reflexões continuadas, num espaço destinado à pesquisa e criação, que visa proporcionar condições de aperfeiçoamento artístico e enriquecimento humano aos artistas envolvidos no aprendizado.

O NAC tem estabelecido, ao longo de sua existência, parcerias com diferentes instituições, que apoiam e abrigam as atividades do curso e as temporadas dos espetáculos. Desde 2018, o curso é realizado em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura e este ano ano irá ocorrer no Teatro João Caetano.

Equipe NAC:

Coordenação artístico-pedagógica: ​Lee Taylor

​Direção de formação, pesquisa e extensão: Hercules Morais

Artistas pedagogos: Gisele dos Reis; Hercules Morais e Lee Taylor

Colaborador: Elvis Torres

Processo seletivo:

6/1/2020 a 28/2/2020 – Período de inscrições gratuitas no site do NAC.

29/2/2020, a partir das 22:00 – Publicação no site do NAC da lista de selecionados por meio de currículo artístico e carta de intenção com data e horário da entrevista e da cena.

Dias 2, 3, 4, 5, 9, 10, 11, 12/3/2020 das 18:00 às 22:00 – Realização da seleção por meio de entrevistas e cenas individuais no Teatro João Caetano (Rua Borges Lagoa, 650 – Vila Clementino, São Paulo – SP).

14/3/2020, a partir das 18:00 – Resultado dos selecionados: publicação no site do NAC da lista dos candidatos selecionados para o curso e envio de e-mail para os aprovados.

16/3/2020 – Início do curso de atuação.

Curso de atuação:

Poética Atoral (Módulo I) – Curso de atuação – de 16/3/2020 a 25/6/2020.

Mise-en-scène (Módulo II) – Construção de um experimento cênico com elenco selecionado do curso de atuação – de 6/7/2020 a 29/10/2020.

Poiesis (Módulo III) – Abertura do experimento para público – a definir.

Poética Atoral (Módulo I​)

EXPRESSÃO – Segundas-feiras, das 18:00 às 22:00

Atividades de aprimoramento técnico da atuação com a realização de práticas de expressão corporal e vocal.

EXPERIMENTOS – Terças-feiras, das 18:00 às 22:00

Improvisações e exercícios cênicos.

ESTESIA – Quartas-feiras, das 18:00 às 22:00

Exibição em vídeo de grandes obras do cinema, da dança e do teatro mundial.

APORÉTICA/PRÁXIS – Quintas-feiras, das 18:00 às 22:00

Reflexões a partir das práticas e discussão coletiva tendo como base referências teóricas.

Mise-en-scène (Módulo II)

ENSAIOS – Segundas-feiras à quintas-feiras, das 18:00 às 22:00

Estruturação artística do grupo em formação e elaboração de um experimento cênico

Poiesis (Módulo III)

TEMPORADA – Sextas, sábados e domingos à noite

Apresentações do experimento acompanhadas de conversa com o público sobre o processo artístico-pedagógico.

PAREM DE FALAR MAL DA ROTINA

Em comemoração aos 17 anos em cartaz e com milhões de espectadores, o espetáculo Parem de falar mal da rotina reestreia no Teatro João Caetano, centro do Rio, dia 21 de novembro.

Com o apoio institucional do Governo do Rio de Janeiro, da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa e da Fundação Anita Mantuano de Artes do Estado do Rio de Janeiro, o monólogo apresentado pela poetisa, jornalista e escritora capixaba Elisa Lucinda, em tom de conversa informal, traz 56 personagens expressando os sentimentos mais simples do cotidiano. A atriz mistura o amor, a dor, o óbvio, com as histórias vividas e ouvidas por ela, além de poemas retirados de três dos seus livros: O semelhante (1995), Eu te amo e suas estreias (1999) e A fúria da beleza (2006).

O espetáculo interativo propõe uma divertida reflexão e utiliza versos e conversas despojadas sobre a rotina, uma espécie de espelho capaz de projetar mil possibilidades, provocando verdadeiras transformações nas relações humanas.

A peça nasceu das inúmeras lições que a natureza nos ensina todo dia. A grande lição é a capacidade de estreia que faz tudo na natureza acontecer de forma espetacular, di-a-ri-a-men-te: o nascer do sol, o pôr do mesmo sol, o céu, a chuva, as estrelas, os ventos e as tardes. A natureza ensina a toda gente, mas, às vezes, alunos distraídos que somos, não vemos o lindo óbvio que ela nos oferece e as dicas que ela pode nos dar na condução do nosso cotidiano”, diz a atriz.A plateia é conduzida a perceber que “a rotina” é uma ideia fictícia, e que os sujeitos têm em si o poder da mudança, como protagonistas das suas próprias vidas.

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Parem de Falar Mal da Rotina

Com Elisa Lucinda

Teatro João Caetano (Praça Tiradentes, s/n – Centro, Rio de Janeiro)

Duração 150 minutos

21/11 até 15/12

Quinta, Sexta e Sábado – 19h, Domingo – 18h

$50

Classificação 12 anos

Teatro João Caetano – Telefone: (21) 2332- 9257

Classificação: 12 anos. Duração: 150 minutos.  Gênero: Comédia

 

Ficha Técnica

Texto, direção e atuação: Elisa Lucinda. Assistente de Direção: Geovana Pires. Cenografia: Gisele Licht.  Figurinos: Christina Cordeiro.  Iluminação: Djalma Amaral.  Criação do design: Tangerina Designer.  Design gráfico e Projeto Gráfico: Marcello Queiroz. Direção de Produção: Caio Bucker.  Produção Executiva e Turnê: Ricardo Fernandes.  Operação de luz e som: Alessandro Persan. Assistência de Produção: Aline Monteiro. Camareiro e Contrarregra: Eduardo Pires. Assessoria de Imprensa: Carlos Gilberto. Assessoria Jurídica: Renan Nazário. Realização: Bucker Produções Artísticas e Casa Poema.

 

Nestes momentos difíceis e ao mesmo tempo importantes na trajetória da nossa democracia, mais me agrada ainda entrar em cartaz com o Parem de Falar Mal da Rotina, a tão mal falada rotina. Defendo-a porque sei que se somos autores dela, somos também responsáveis por sua qualidade na parte dela que nos compete. Essa comédia reflexiva nos leva a crer que se pode pensar e rir ao mesmo tempo”.

Elisa Lucinda

NESTE MUNDO LOUCO, NESTA NOITE BRILHANTE

Depois do sucesso com Contrações e Love, Love, Love (que ganharam os prêmios Shell, APCA, APTR, Questão de Crítica e Aplauso Brasil), o Grupo 3 de Teatro estreou recentemente o sexto espetáculo de sua trajetória: Neste Mundo Louco, Nesta Noite Brilhante, o novo texto da conceituada dramaturga Silvia Gomez. Com direção de Gabriel Fontes Paiva, a peça ganha uma temporada gratuita no Teatro Municipal João Caetanoentre 10 e 20 de outubro.

Na trama, enquanto aviões de várias partes do mundo decolam e aterrissam, a vigia do KM 23 de uma rodovia abandonada encontra jogada no asfalto uma garota que delira após ser violentada naquela noite estrelada.

A cada dez minutos uma mulher é vítima de estupro no Brasil. “Terminei este texto no final do ano passado, mas ele começou a se materializar mesmo em 2015, dia após dia, diante do aumento dos casos de estupro e violência contra a mulher no Brasil, histórias que temos visto tomar as notícias. Acho que a peça é um desabafo, alegoria, uma resposta artística a essa realidade, buscando falar dela em outra camada: escrevo sobre um encontro entre duas mulheres num KM abandonado do Brasil. Uma delas acaba de ser violentada e, no delírio da violência, fala. Busco no delírio um diálogo com a realidade impossível de alcançar. De que sintoma complexo do nosso tempo e do nosso país as estatísticas falam? Não tenho respostas exatas, mas muita perplexidade e perguntas que procuro elaborar na cena absurda. Escrevi pensando no Grupo 3, pois há muito tempo queria criar algo só para eles, que são minha turma de Belo Horizonte, MG, com a qual comecei e troco há mais de 20 anos”, revela a autora Silvia Gomez.

Com linguagem não realista e poética e humor ácido, o texto discute as relações de dominação e resistência, de conflito e poder, praticadas pela humanidade desde tempos imemoriais. É uma obra ao mesmo tempo política e psicológica, local e universal, escrita por uma das principais dramaturgas brasileiras atuais, que já teve seus trabalhos publicados em sete idiomas.

Em geral, encontro personagens em situações de limite pessoal, emocional, às vezes físico. Nesse lugar, onde as convenções parecem de repente suspensas, uma espécie de lucidez-delirante – assim mesmo, contraditória – toma corpo nas relações e na fala perplexa. Aquilo que não gostamos de dizer vem à tona, as palavras ficam perigosas e ao mesmo tempo quase engraçadas – há uma espécie de humor instável nascido do impasse”, acrescenta a dramaturga.

Em cena, além das duas mulheres interpretadas por Yara de Novaes e Débora Falabella, há a banda Boliviana Las Majas, que toca ao vivo a trilha composta por Lucas Santtana dialogando com as atrizes. O grupo musical é formado por Mayarí Romero, Lucia Dalence, Lucia Camacho e Isis Alvarado e entrou para o espetáculo quando o Grupo 3 fez uma leitura encenada da peça em Santa Cruz de La Sierra, Bolívia, e convidou a banda para participar. A iluminação de André Prado e Gabriel Paiva também é operada em cena e participa desse diálogo.

Cenas do espetáculo "Neste Mundo Louco, Nesta Noite Brilhante. Data: 24/08/2019. Local: Sesc Consolação-SP. Foto: Sérgio Silva. Neste Mundo Louco, Nesta Noite Brilhante

Com Débora Falabella e Yara de Novaes

Teatro Municipal João Caetano (Rua Borges Lagoa, 650, Vila Clementino – São Paulo)

Duração 90 minutos

10 a 20/10

Quinta, Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h

Grátis (distribuídos uma hora antes)

Classificação 16 anos

INFERNO – UM INTERLÚDIO EXPRESSIONISTA

Inspirada em Not About Nightingales, obra escrita por Tennessee Williams (1911 – 1983) quando tinha apenas 27 anos de idade e descoberta somente nos anos 90, a Cia Triptal encena Inferno – Um Interlúdio Expressionista, peça dedicada à memória de quatro homens que morreram de tortura em uma prisão americana, em agosto de 1938.

A direção é de André Garolli e o elenco conta com Camila dos Anjos, Fernando Vieira, Fabrício Pietro e mais 37 atores. A estreia acontece no dia 30 de agosto, sexta-feira, às 21h, no Teatro João Caetano. A temporada tem entrada gratuita e conta com sessões sempre sexta e sábado, às 21h, e domingo, às 19h, até 22 de setembro.

A montagem retrata a atrocidade que realmente ocorreu em uma prisão em Holmesburg, Pennsylvania, em 1938. Um grupo de 25 presos realizou uma greve de fome e como punição foi trancado em uma cela fechada com vapor aquecido. Quatro deles morreram assados, e quando a notícia da brutalidade foi disseminada por meio dos jornais, a opinião pública americana ficou indignada.

Essa dramaturgia tem uma grande dose de horror, violência, sangue e morte. Ele nos mostra os problemas e as consequências de usarmos ações disciplinares arcaicas e brutais, e que infelizmente, ao relermos setenta anos depois, percebemos que pouca coisa mudou. É uma história verídica que serviu para rever questões do sistema carcerário nos Estados Unidos e dos direitos humanos”, conta Garolli.

Cenograficamente, o espetáculo é dividido em duas características: realista com os móveis da diretoria e expressionista com a representação das celas. O enclausuramento foi um dos temas focados durante o processo, o que refletiu no cenário que evoca o sentido de aglomeração das pessoas por meio de um empilhamento de cadeiras. Os figurinos incorporam uma época que se passa em meio aos anos 30 e 40, pós crise de 1929. Preto e cinza marcam a palheta de cores predominantes em cena, a maquiagem contribui para causar o efeito padronizado do aprisionamento.

O reaparecimento desse trabalho engavetado de um autor como Tennessee Williams chocou e surpreendeu muitos críticos e estudiosos, quando foi realizada a montagem pela primeira vez em Londres no ano de 1998. Escrito no final de 1938, mas nunca produzido até sessenta anos depois, a obra oferece um retrato muito diferente de seu autor ícone, um dramaturgo que é mais conhecido por seu lirismo e comoventes retratos de personagens tão vulneráveis como Laura Wingfield (À Margem da Vida) e Blanche DuBois (Um Bonde Chamado Desejo).

O diretor ressaltou a importância desse texto do dramaturgo. “Tennessee defendia uma crítica aos padrões estabelecidos pelo “mainstream” e coloca em pauta o marginalizado, “os perdedores” e os fora do padrão normativo (à deriva). Lança um olhar crítico e distanciado sobre a sociedade, uma vez que se recusa a julgar os personagens e estabelecer morais de conduta”.

A peça surgiu a partir do projeto Homens À Deriva foi contemplado no 32º edital de Fomento ao Teatro, iniciativa que aborda as possibilidades de aprisionamento em que uma sociedade pode levar uma pessoa. Durante o processo, houve uma convocatória pública direcionada para atores e estudantes da área e atraiu 217 pessoas que participaram de diversas fases até fechar o elenco.

Na primeira etapa, a Cia Triptal realizou a apresentação de 4 espetáculos que abordam o tema do aprisionamento, três deles do seu próprio repertório, além de um ciclo de seminários. A segunda focou em oficinas de preparação para atores/atrizes. A terceira contou com estudos de texto, pesquisa de linguagem, improvisação de cenas até a consolidação dos ensaios. A fase final é a estreia da peça com um coletivo de 40 atores/atrizes, composto por um núcleo principal de 3 artistas e um coro com jovens atores.

O projeto Homens à Deriva faz parte de uma trilogia que iniciou com Homens Ao Mar (2004-2009) com peças de Eugene O’Neill, o segundo foi Homens à Margem (2011 – 2014) com trabalhos que focavam na marginalidade. “Homens à Deriva vem do sentindo que quando eles são retirados da sociedade para o cárcere, ao retornar, ficam a esmo, emprego e família ficam destruídas. Todos esses tipos de violência foram gatilhos que inspiram toda a montagem”, enfatiza o diretor.

André Garolli também foi convidado para participar do Provincetown Tennessee Williams Theater Festival, que será realizado em setembro de 2019 em Provincetown, cidade localizada no estado de Massachusetts, nos Estados Unidos. Uma forma de ficar ainda mais próximo com o universo do dramaturgo por meio de palestras e simpósios, uma valorização dos projetos realizados nos últimos anos.

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Inferno – Um Interlúdio Expressionista

Com Camila dos Anjos, Fernando Vieira, Fabrício Pietro, e mais 37 atores

Teatro Municipal João Caetano (Rua Borges Lagoa, 650 – Vila Clementino, São Paulo)

Duração 110 minutos

30/08 até 22/09

Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h

Grátis

Classificação 16 anos

O TESTAMENTO DE MARIA

O solo O Testamento de Maria, com direção e adaptação de Ron Daniels, é inspirado no livro homônimo do escritor irlandês Colm Tóibin, que também escreveu o bestseller “Brooklyn”, cuja adaptação para cinema foi indicada ao Oscar 2016 em três categorias.

A montagem revela como Maria, a mãe de Jesus Cristo, procura desvendar os mistérios ao redor da crucificação de seu filho. Perseguida e exilada, ela narra a sua trajetória e todo o seu sofrimento com uma voz carregada de ternura, ironia e raiva. Maria se propõe a falar apenas a verdade sobre a enorme crueldade dos romanos e anciãos judeus.

A ideia da encenação é destacar não apenas a importância religiosa de Maria, mas revelá-la como uma figura de enorme estatura moral. “Estava alerta, também, ao fato de vermos Maria como ícone, como mãe, mas nunca como uma mulher que sabe se colocar e que precisa ser ouvida. Para dar-lhe uma voz, olhei para os textos gregos, para as imagens de uma mulher solitária e corajosa, pronta para dizer palavras que são difíceis de ouvir”, esclarece Colm Tóibin.

A montagem rendeu à Denise Weinberg o prêmio APCA 2016 (Associação Paulista de Críticos de Arte), na categoria de melhor atriz. “O ponto de partida do nosso espetáculo também é este: uma atriz maravilhosa, que é a Denise, um texto de grande profundidade, e um espetáculo puro, belo e despojado, que possa oferecer à plateia momentos de grande humanidade”, diz Ron Daniels.

Em cena, a atriz é acompanhada apenas pelo músico Gregory Slivar, que assina e executa a trilha sonora ao vivo. O espetáculo foi produzido originalmente na Broadway, por Scott Rudin Productions e desenvolvido pelo Dublin Theatre Festival e Landmark Productions, com o apoio do Irish Theatre Trust.

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O Testamento de Maria

Com Denise Weinberg

Duração 60 minutos (mais 30 minutos de debate)

Classificação 16 anos

Teatro Municipal João Caetano (Rua Borges Lagoa, 650 – Vila Clementino – São Paulo)

01/03, 09/03 e 10/03

Quinta, Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h

$20

Workshop da Denise Weinberg no Teatro João Caetano – dia 09/03 – às 15h.

Informações: (11) 5573-3774 / 5549-1744

Teatro Alfredo Mesquita (Avenida Santos Dumont, 1770 – Santana – São Paulo)

28/03, 29/03, 06/04, 07/04, 11/04 e 12/04

Quinta, Sexta e Sábado – 21h, Domingo – 19h

$20

Workshop da Denise Weinberg no Teatro Alfredo Mesquita – dia 06/04 – às 15h00.

Informações: (11) 2221-3657