PEJÍ TI IYÁMÍ – ALTAR DE MINHA MÃE

Partindo de dois ícones religiosos – Maria e Iemanjá, PEJÍ TI IYÁMÍ – ALTAR DE MINHA MÃE discute o papel da mulher na sociedade, mostrando desafios como preconceito, repressão e violência, permeados com poesia e lirismo. O Grupo Quilombo está em cartaz no Teatro Leopoldo Fróes. Fazendo uso de muitas imagens e referências a mitos, o espetáculo é altamente performativo e mistura dança, música e teatro, contando com a participação ativa do público.
O diretor e também um dos criadores Vinicius Alves diz que o tema religioso sempre esteve muito próximo de sua rotina. “Fui criado em uma família ecumênica e de muitas mulheres. Esse olhar feminino para a religião sempre esteve por perto e me chamou atenção. Sempre prestei atenção na força e representação das figuras femininas religiosas. O que tratamos aqui são as diferenças que existem entre as figuras de Maria e Iemanjá, não só no religioso, mas no social. Em PEJÍ TI IYÁMÍ – ALTAR DE MINHA MÃE gostaríamos que as pessoas se permitissem olhar para o feminino por meio de diversos prismas”, explica.
Dar voz às mulheres
O espetáculo está sendo criado há cerca de dois anos pelo grupo. Todos os envolvidos contribuem e muito para o todo. A dramaturgia e as cenas foram criadas em conjunto e as atrizes são responsáveis pelas ideias que compõe as cenas que interpretam. “É um espetáculo sobre mulheres. A participação delas e suas visões de mundo são extremamente importantes para a construção da obra”, afirma Vinicius Alves. As artistas participantes do projeto atuam como criadoras. Cenário, figurino, propostas cênicas, dramaturgia, enfim, todos os pontos foram pensados e executados realmente em grupo.
E nessa criação e pesquisa intensa sobre o principal tema do espetáculo é que se viu que, mesmo no Candomblé, onde a mulher tem uma grande representatividade, algumas funções dos ritos eram dedicadas única e exclusivamente aos homens. “Nos terreiros, só quem toca os atabaques são os homens. Mulheres não podem exercer essa função. Em PEJÍ TI IYÁMÍ – ALTAR DE MINHA MÃE, essa regra não será seguida”, diz o diretor.
Três partes
O espetáculo se divide em três: a primeira delas é inteiramente dedicada à Iemanjá com suas diversas facetas e os seus mitos, seguindo a lógica do candomblé. Na segunda parte do espetáculo, a Maria pregada pela Igreja Católica sobe ao palco em cenas que seguem a estrutura ritualística de uma missa. Na terceira e última parte de PEJÍ TI IYÁMÍ – ALTAR DE MINHA MÃE, batizada pelo grupo de Brasil, mostra-se um encontro dessas mulheres com os dias de hoje, além de uma representação de mulheres ícones, regada pelo congado. Esse final acontece do lado de fora do teatro.
Todas as atrizes se revezam nos papéis de Maria e Iemanjá e das outras mulheres apresentadas na peça, assim, cada uma empresta um pouco de sua história, visão de mundo e experiência para as personagens.
O cenário tem como elemento principal paletes de madeira e também tecidos (com a renda predominando). Além disso, para compor as cenas, são usados uma série de adereços. A trilha sonora do espetáculo é executada em cena e alterna canções composta pelo próprio grupo e outras de domínio público.
Sinopse
Iemanjá e Maria são figuras que representam grandes mães do divino. Qual a relação, proximidades e as diferenças entre essas duas entidades? O quanto seus cultos influenciam nas representações que constroem o feminino? PEJÍ TI IYÁMÍ – ALTAR DE MINHA MÃE é uma vivência performativa com dança, música, teatro, candomblé, catolicismo e manifestações populares.
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Pejí Ti Iyámí – Altar de Minha Mãe
Com Kamila Capozzi, Renata Cesar e Suely Agon.
Músicas – Kelly Martins e Samantha Rebelles
Teatro Leopoldo Fróes (R. Antônio Bandeira, 114 – Vila Cruzeiro, São Paulo)
Duração 120 minutos
07/10 até 20/11
Sexta e Sábado – 20h; Domingo – 19h
Ingresso – O espectador decide o quanto quer pagar no final da apresentação
Classificação 14 anos
 
Direção e Concepção – Vinicius Alves.
Ambientação Cênica – Vinicius Brasileiro e Vinicius Alves.
Iluminação – Vinicius Alves.
Figurino e Adereços – Renata Cesar e Vinicius Alves.
Camareira – Suely Agon.
Dramaturgia – Grupo Quilombo.
Organização de Dramaturgia – Vinicius Alves.
Operação de Projeção – Vinicius Brasileiro.
Produção Geral – Suely Agon e Vinicius Brasileiro.
Assistente de Direção – Vinicius Brasileiro e Marianne Gil.
Direção de Palco – Vinicius Brasileiro.
Assessoria de Imprensa – Nossa Senhora da Pauta

RÉQUIEM PARA UM AMIGO DA MULTIDÃO

Projeto idealizado e protagonizado pelo ator Nei Gomes, Réquiem Para Um Amigo da Multidão estreou no Teatro Municipal Flávio Império, Zona Leste da cidade. Com direção de Renata Zhaneta, o espetáculo presta homenagem ao multiartista Flávio Império (1935-1985), que revolucionou a cenografia brasileira, celebrando sua contribuição para o teatro brasileiro. Flávio Império, se estivesse vivo, estaria com 80 anos de vida e 60 de carreira.

Contemplado com o Prêmio Zé Renato da Cidade de São Paulo, o espetáculo circulará pelos teatros distritais da cidade durante os meses de maio e junho, com o apoio da Secretaria Municipal de Cultural. As próximas apresentações serão: Teatro Alfredo Mesquita, dias 3, 4 e 5 de junho; Teatro Leopoldo Fróes, dias 10, 11 e 12 de junho; Teatro Cacilda Becker, dias 17, 18 e 19 de junho e retorna ao Teatro Flávio Império, dias 24, 25 e 26 de junho. O projeto está habilitado pelo edital PROART Educação, sendo um estímulo para debate sobre arte e história.

Pela contribuição do artista para as áreas além do teatro, no dia 26 de junho, último dia do espetáculo, será realizado um debate, após a sessão, com os arquitetos Lívia Loureiro, Pedro Arantes e Yuri Quevedo, profissionais influenciados pela obra de Flávio Império.

Com dramaturgia do próprio Nei Gomes, o texto tem como base a obra e o trabalho do artista no teatro, na arquitetura e nas artes plásticas. “A peça é uma vivência, onde a relação espectador-ator é muito próxima, um happening de muitas linguagens. O objetivo é trazer à tona suas inquietações e contribuições para as artes”, define o autor.

Realçando a importância de Flávio Império para a arte brasileira, a peça retrata o artista nos momentos finais de sua vida, em um balanço consigo próprio e em reflexões sobre vida e morte. Em 1985, Flávio foi internado com encefalite decorrente da AIDS. A dramaturgia parte do processo de delírios, comuns nesse quadro clínico, para rememorar sua trajetória.

O fio condutor são as suas memórias e experiências vividas. Então me veio a ideia de um devaneio ficcional, decorrente das infecções que teve quando internado. A memória não é perfeita, tem lacunas, criamos coisas, tudo isso aliado à situação do delírio me fez construir um narrador que passasse por diversos planos, podendo ser lírico, dramático ou narrativo. Assim o texto pode ter saltos não lógicos”, explica Nei.

Durante o processo de pesquisa, Nei Gomes entrevistou personalidades que conviveram com o cenógrafo, como Maria Thereza Vargas, José Celso Martinez Corrêa, Drauzio Varela, Suzana Yamauchi, Loira Cerroti, Iacov Hillel, Edmar de Almeida e Vera Império Hamburger. Personagens e textos dos espetáculos que Flávio montou também serviram de referências para os desdobramentos do espetáculo.

Essas pessoas me ajudaram, a partir de cada ponto de vista, a construir um retrato. Os relatos ou mesmo a imagem que cada um guarda da figura do Flávio, somado à minha pesquisa, me fizeram chegar num ser humano intenso e complexo. O espetáculo é um lugar de encontro e celebração sobre a figura do Flávio e seus pensamentos. A obra é ficcional, mas as referencias são todas reais.

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Instalação cênica

A montagem traça um panorama da vida artística de Flávio, desde seu envolvimento com a Comunidade do Cristo Operário, em 1956, até os últimos trabalhos, em 1985. “Não dá para ignorar o momento histórico em que ele viveu. O Flávio era múltiplo. Foi um cidadão atuante, viveu na época da ditadura militar, morreu de AIDS, numa época em que pouco se sabia sobre a doença. Tudo isso não é central no espetáculo, mas certamente o afetou artisticamente”, fala Nei.

Uma cama hospitalar é o elemento central do cenário. Dois biombos servem como telas para projeção de luz e imagens que simulam os delírios. Os figurinos têm uma base branca e alguns elementos coloridos que, assim como os objetos cênicos, rementem ao aspecto limpo e asséptico de um hospital.

A encenação também se utiliza de diferentes formas de expressão como a videoprojeção, a iluminação e a trilha sonora executada ao vivo por três músicos. Alguns atores fazem participação especial em vídeo interpretando personagens contemporâneos ao Flávio como Cacilda Becker, Lina Bo Bardi, Myriam Muniz, Walmor Chagas, entre outros.A plateia será acomodada em cima do palco. Uma instalação com telas representa as várias áreas de atuação do multiartista e durante o espetáculo o público pode pintar e interagir com elas.

O Flávio fez de tudo no teatro, além de romper com a estrutura de colaboração com a área em que atuava. Ele não trabalhava por encomenda, fazia um processo de acompanhamento de todo projeto e propunha muito, inclusive ajudando a determinar questões estéticas centrais da obra que montava”, comenta Nei.

Flávio Império

Cenógrafo, figurinista, diretor, arquiteto, professor e artista plástico. Suas experiências na pintura evidenciam o aprendizado da linguagem modernista. Reconhecido por seu trabalho artístico, Flávio trouxe ao fazer teatral, entre os anos de 1960 e 1980, uma nova forma de inserção das áreas artísticas de criação que, até então, eram consideradas secundárias em montagens de espetáculos de teatro.

Sua participação no processo de criação e seus estudos sobre os espetáculos o colocaram dentro das salas de ensaios com outros artistas criadores. Muitas peças tiveram sua concepção estética determinada pela cenografia, de tão poderosa, coerente e participativa que era sua presença.

Flávio Império morreu às vésperas de completar 50 anos, no Hospital do Servidor Público Estadual, vitimado por uma infecção bacteriana nas meninges causada pela Aids, em 1985.

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Réquiem Para Um Amigo Da Multidão
Com Nei Gomes
Duração 70 minutos
Recomendação 10 anos
Entrada gratuita (retirar ingresso com uma hora de antecedência)
 
03 a 05/06
Teatro Alfredo Mesquita (Av. Santos Dumont, 1770 – Santana, São Paulo)
Sexta e Sábado – 21h; Domingo – 19h
 
10 a 12/06
Teatro Leopoldo Fróes (Rua Antonio Bandeira, 114. Santo Amaro, São Paulo)
Sexta e Sábado – 20h; Domingo – 19h
 
17 a 19/0
Teatro Cacilda Becker (Rua Tito, 295 – Lapa, São Paulo)
Sexta e Sábado – 20h; Domingo – 19h
 
24 a 26/06
Teatro Flávio Império (R. Prof. Alves Pedroso, 600 – Cangaíba, São Paulo)
Sexta e Sábado – 20h; Domingo – 19h
 
 
Idealização, Dramaturgia e atuação: Nei Gomes.
Direção: Renata Zhaneta.
Assistentes de direção: Andressa Ferrarezi e Osvaldo Hortêncio.
Assistentes de produção: Maria Carolina Dressler e Adriano Rosa.
Participação especial em vídeo: Andressa Ferrarezi, Daniela Giampietro, Karen Menati, Osvaldo Hortêncio, Maria Carolina Dressler, Osvaldo Pinheiro e Renata Zhaneta.
Identidade Visual, Registro e Produção Multimídia: Jonatas Marques.
Provocadores musicais: Piero Damiani e Rani Guerra.
Cenografia: Luis Carlos Rossi.
Figurino: Mariana Moll.
Iluminação: Erike Busoni.
Assessoria de Imprensa: Adriana Balsanelli.
Grupo parceiro com sede para ações: Periferia Invisível.