ELZA

A partir do dia 18 de outubro, o Sesc Pinheiros recebe a estreia paulista do musical Elza, celebrando a figura e trajetória da cantora Elza Soares. Com apresentações de quinta a domingo no Teatro Paulo Autran do Sesc Pinheiros, a temporada fica em cartaz até dia 18 de novembro de 2018.

No palco, Larissa Luz, convidada para a montagem, e as multifacetadas atrizes JanamôJúlia DiasKésia EstácioKhrystalLaís Lacorte e Verônica Bonfim evocam a figura de Elza Soares e personificam a trajetória da cantora carioca.

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Em cena, elas se dividem ao viver Elza Soares em suas mais diversas fases e interpretam outros personagens, como os familiares e amigos da cantora, além de personalidades marcantes, como Ary Barroso (1903-1964), apresentador do programa onde se apresentou pela primeira vez, e Garrincha (1933-1983), que protagonizou com ela um notório relacionamento.

Com texto inédito de Vinícius Calderoni e direção de Duda Maia, o espetáculo tem a direção musical de Pedro LuísLarissa Luz e Antônia Adnet. Além disso, o maestro Letieres Leite, da Orquestra Rumpilezz, foi o responsável pelos novos arranjos para clássicos do repertório da cantora, tais como LamaO Meu GuriA Carne e Se Acaso Você Chegasse. O projeto foi idealizado por Andrea Alves, da Sarau Agência, a partir de um convite da própria Elza e de seus produtores Juliano Almeida e Pedro Loureiro.

Ainda que muitos dos conhecidos episódios da vida da homenageada estejam no palco, a estrutura de Elza foge do formato convencional das biografias musicais. Se os personagens podem ser vividos por várias atrizes ao mesmo tempo, a estrutura do texto também não é necessariamente cronológica. Da mesma forma que músicas recentes (A Mulher do Fim do Mundo, a emblemática A Carne e Maria da Vila Matilde) se embaralham aos sucessos das mais de seis décadas de carreira da cantora, como Se Acaso Você ChegasseLamaMalandroLata D’Água e Cadeira Vazia.

Marcada por uma série de tragédias pessoais – a morte dos filhos e de Garrincha, a violência doméstica e a intolerância –, a jornada de Elza é contada com alegria.

A Elza me disse: ‘sou muito alegre, viva, debochada. Não vai me fazer um musical triste, tem que ter alegria’. Isso foi ótimo, achei importante fazer o espetáculo a partir deste encontro, pois assim me deu base para saber como Elza se via e como ela gostaria de ser retratada”, conta Vinicius Calderoni, que leu e assistiu a infindáveis entrevistas que a cantora deu ao longo da vida e também pesquisou a obra de pensadoras negras, como Angela Davis e Conceição Evaristo, cujos fragmentos de textos aparecem na peça.

CARMEN

O espetáculo foi desenvolvido ao longo de um período em que Elza se encontra no auge de uma carreira marcada por reviravoltas e renascimentos. Ao lançar seus últimos dois discos, A Mulher do Fim do Mundo (2015) e Deus é Mulher (2018), a cantora não somente ampliou ainda mais seu repertório e sua base de fãs, como conquistou, mais uma vez, a crítica internacional, e se consolidou como uma das principais vozes da mulher negra brasileira.

Vinícius Calderoni, autor do texto, chama a atenção para a coletividade presente em todo o processo de criação da montagem. Após ter escrito as primeiras páginas, ele começou a frequentar os ensaios e estabeleceu um rico intercâmbio com Duda Maia e as sete atrizes. ‘Hoje poderia dizer que elas são coautoras e colaboradoras do texto. São sete atrizes negras e múltiplas, como a Elza é. Diante da responsabilidade enorme, eu estabeleci limites de fala para mim, por exemplo, em relação a alguns temas. Limitei a minha voz e disse que não escreveria nada, queria os relatos delas e as opiniões. Pedi a colaboração delas, das experiências vividas por uma mulher negra. Do mesmo jeito que a Duda propôs muitas coisas, as atrizes também tiveram este espaço’, conta o dramaturgo.

Tal processo colaborativo se estendeu para a música, com a participação ativa das atrizes e das musicistas nos ensaios com os diretores musicais, e o maestro Letieres Leite, que liderou algumas oficinas com o grupo no período dos ensaios. O processo gerou ainda duas canções inéditas que estão na peça: Ogum, de Pedro Luís, e Rap da Vila Vintém, de Larissa Luz. Se a escolha de Pedro Luís para a função foi referendada pela própria Elza – que gravou e escolheu um verso do compositor para nomear seu último disco –, Larissa Luz já estava envolvida com o projeto desde o seu embrião.

Abaixo, uma matéria feita pelo canal Curta! com a atriz Larissa Luz, que faz parte do musical.

Elza

Com Janamô, Júlia Dias, Késia Estácio, Khrystal, Laís Lacôrte, Verônica Bonfim e a atriz convidada Larissa Luz. (*nos dias 8, 10, 17 e 18/Nov, Larissa Luz será substituída pela atriz Bia Ferreira)

Teatro Paulo Autran – SESC Pinheiros (R. Pais Leme, 195 – Pinheiros, São Paulo)

Duração 120 minutos

18/10 até 18/11

Quinta, Sexta, Sábado – 21h, Domingo e Feriado – 18h

$50 ($15 – credencial plena)

Classificação 14 anos

GARRINCHA (OPINIÃO)

A peça “Garrincha” é uma peça para inglês ver. Inglês, americano,…, e até mesmo brasileiro ver, mas não é um trabalho biográfico. O espetáculo foi concebido e dirigido pelo americano Robert Wilson. É a visão de um estrangeiro sobre um ídolo de futebol brasileiro, que teve uma vida cheia de altos e baixos.

Os últimos trabalhos de Wilson que vimos – “The Old Woman” (2014) e agora, “Garrincha” – são bastante visuais e com poucos, ou quase nenhum diálogo. O diretor concentra as ações através das imagens (cor, iluminação, cenário) e das músicas e sons incidentais.

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Como é uma história brasileira, os narradores desta “ópera das ruas” são duas araras (uma colorida e a outra azul). Elas contam a vida de Garrincha desde o tempo que morava em Pau Grande, sua descoberta nos campos de futebol, a ida para o Rio de Janeiro, o Botafogo, a seleção brasileira, os amores, Elza Soares, a lesão no joelho, até chegar num epílogo que traz novamente o prólogo da peça.

Wilson trabalha com os atores numa movimentação e gestual milimetricamente cronometrado, pois todas as ações dos atores casam perfeitamente com o trabalho das músicas interpretadas ao vivo por seis músicos – que também participam da peça.

O espetáculo abusa das cores, visto que retrata uma história passada em um país tropical. E ao mesmo tempo também da ausência delas – o preto e branco – dependendo da iluminação que é utilizada no decorrer da narração.

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Outra característica dos trabalhos do diretor é o minimalismo gestual e a dança para a movimentação na cena. Nada melhor para retratar um jogador que tinha uma perna com 6 centímetros a menos que a outra, e que bailava pelos gramados dos campos de futebol.

Tudo isso faz com que ao assistir a peça, pareça que você esteja vendo um desenho animado no palco do Teatro Paulo Autran.

Recomendamos que você fique com o programa da peça aberto na descrição das cenas. Ajuda muito entender – como já falamos, há quase nada de diálogos – a compreensão do que irá acontecer no palco.

É um espetáculo que merece ser visto, principalmente para que você possa conhecer (ou rever) o trabalho e a criatividade do diretor Robert Wilson.

Garrincha
Com Bete Coelho, Carol Bezerra, Claudia Noemi, Claudinei Brandão, Cleber D’Nuncio, Dandara Mariana, Daniel Infantini, Fernanda Faran, Jhe Oliveira, Lígia Cortez, Lucas Wickhaus, Luiz Damasceno, Naruna Costa, Nathália Mancinelli, Roberta Estrela D’Alva, Robson Catalunha.
Teatro Paulo Autran – SESC Pinheiros ( rua Paes Leme, 195 – Pinheiros, São Paulo)
23/04 até 29/05
Quinta, Sexta e Sábado – 21h; Domingo e Feriado – 18h
Recomendação 16 anos
$18 / $60
 
Direção, cenário e conceito de luz – Robert Wilson
Idealização – Danilo Santos de Miranda
Texto e dramaturgia – Darryl Pinckney
Direção Musical – Hal Willner
Músicos – Alexandre Ribeiro, Fabrício Rosil, João Poleto, Roberta Valente, Samba Sam, Zé Barbeiro
Codireção – Charles Chemin
Figurino – Carlos Soto
Cenógrafa associada – Annick Lavallée-Benny
Desenho de Luz – John Torres
Visagismo – Manuela Halligan
Supervisão de Luz – Marcello Lumaca

 

PRÊMIO APCA DE TEATRO 2015

A APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) realizou na noite desta terça feira, 15/03, a sua   59º edição do prêmio homônimo. A cerimônia aconteceu no teatro Paulo Autran (Sesc Pinheiros). Ao todo foram dez categorias contempladas: arquitetura, artes visuais, cinema, literatura, música popular, rádio, teatro adulto, teatro infantil, televisão e moda, incluída este ano na premiação.

Na categoria Teatro, os vencedores foram os seguintes:

 

Grande Prêmio da Crítica: Mariangela Alves de Lima
Espetáculo: Aqui Estamos Com Milhares de Cães Vindos do Mar
Diretor:Zé Henrique de Paula (Urinal)
Autor/Dramaturgia: Silvia Gomez (Mantenha Fora do Alcance do Bebê)
Ator:Gustavo Gasparani (Ricardo III)
Atriz:Maria Luísa Mendonça (Um Bonde Chamado Desejo)
Prêmio Especial:Máquina Tadeusz Kantor – Exposição do multi-artista polonês Tadeusz Kantor

Mariangela Alves de Lima é uma crítica, ensaísta e pesquisadora sobre o teatro paulistano desde os anos 1970. Trabalhou por mais de 40 anos no jornal O Estado de São Paulo.

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Na categoria Teatro Infantil, os vencedores foram

Espetáculo de Texto Original: Já Pra Cama, da Cia. Barracão Cultural
Espetáculo Adaptado de Conto ClássicoCinderela Lá Lá Lá, da Cia. Le Plat du Jour
Musical: Mas Por Quê??! A História de Elvis, de Sevenx Produções e A Coisa Toda Produções
Espetáculo de Palhaçaria: Antes do Dia Clarear, da Cia. 2Dois
Espetáculo em Espaço Não Convencional: Fortes Batidas, da Cia Pequeno Ato
Espetáculo com Uso de Novas Mídias em Cenografia: A Porta Secreta, da Terceiro Sinal Produções Artísticas
Melhor Espetáculo de Grupo Estreante: Contos dos Cinco Cantos, da Cia. Tranquila