INHAI – COISA DE VIADO

Em INHAI – COISA DE VIADO estudos científicos, fatos históricos e notícias recentes são usados como material cênico pelo Coletivo Inominável, que bebe na fonte dos conceitos e procedimentos do Teatro Documentário. Resposta poética ao clima de convulsão social e conservadorismo que assola o mundo contemporâneo, a montagem estreia dia 6 de setembro, sexta-feira, às 21h, no Teatro Pequeno Ato.

Partindo da pergunta “o que é ser viado na cidade de São Paulo em 2019?”, o espetáculo tem dramaturgia de Fernando Pivotto e Cezar Zabell, que assina a direção. Pivotto também está em cena ao lado de Cayke Scalioni e da drag queen Alexia Twister. INHAI– COISA DE VIADO é um espetáculo-celebração numa época em que comemorar a identidade gay é um ato de resistência (o título da peça já brinca com a expressão de falar “e aí” popularizado pela drag queen Sylvety Montilla), além de ser uma reflexão sobre a homofobia no Brasil, desde a violência imposta pelos jesuítas a índios que desviavam a heteronormatividade europeia até os dias atuais.

A montagem também marca as quatro décadas de história do movimento LGBTQ+ e traz à cena relatos de experiências de homens homossexuais que vivem na São Paulo do início do século XXI, marcando semelhanças e divergências com os integrantes do grupo. Para isso, a peça passa pelos estágios da vida: desde a infância à vida adulta e ao o questionamento sobre o futuro e os anseios de tempos melhores.

Ponto de encontro, debate e partilha

Investindo nos recursos documentais apresentados em esquetes e monólogos e apoiado em uma dramaturgia não-linear, INHAI – COISA DE VIADO explora o conceito de “apresentar” ao invés de “representar”, colocando os atores num estado cênico que não é o da criação de personagens naturalistas ou farsescos, mas sim o do estabelecimento de uma presença performativa.

Para o dramaturgo e diretor Cezar Zabell, a ideia é valorizar a potência cênica de recursos simples ao invés de estruturas complexas. “A direção se apoiou na vivência dos atores e nos anseios do que eles queriam dizer ao público. Assim criei paralelos para falar do macro, pelo micro, e trouxe os atores para uma relação mais próxima com a plateia. Uma vez dentro do espaço cênico, público é convidado a participar ativamente do espetáculo, seja dando sua opinião sobre determinado tema ou jogando com os atores”, explica ele.

INHAI – COISA DE VIADO deseja ser, então, a reflexão dos homens gays do coletivo sobre suas sexualidades, identidades e necessidades assim como também deseja ser um ponto de encontro, debate e partilha. “O espetáculo pretende ser a denúncia da violência que ainda sofremos, mas também a celebração de nossa identidade. No país que mais mata LGBTQ+ no mundo, celebrar a nossa existência nos parece uma potente estratégia contra a violência, uma urgência e um direito”, diz o dramaturgo e ator Fernando Pivotto.

O espetáculo também traça alguns paralelos entre o veado (animal) e o viado (gay) mesclando a anatomia dos bichos e dos homens, simbologia e mitologia. Na mitologia chinesa, por exemplo, o veado representa fertilidade e saúde e é símbolo de virilidade em países do hemisfério norte, mas no Brasil ganhou conotação contrária. Por aqui, viado, na linguagem de rua significa homossexual masculino passivo.

Homofobia no Ocidente

Para levar o espetáculo ao palco, o Coletivo Inominável pesquisou a história do movimento LGBTQI+ no Brasil e encontrou vasto material de grupos de militância, como o Somos e o Grupo Gay da Bahia. Fernando Pivotto e Cezar Zabell se debruçaram sobre artigos de estudiosos do tema, como João Silvério Trevisan, James N. Green e Bruno Bimbi, além dos documentários São Paulo em Hi-fi, de Lufe Steffen; Abrindo o Armário, de Dário Menezes e Luís Abramo e Lampião da Esquina, de Lívia Perez.

Foram materiais importantes para nos mostrar como era a vida dos homossexuais em períodos distintos no país. Utilizamos também notícias recentes como material cênico, de modo que cenas já existentes podem ser alteradas e cenas novas podem surgir”, conta o diretor.

Já Fernando Pivotto explica que INHAI – COISA DE VIADO expõe as motivações sociais e políticas da homofobia no país e no Ocidente. “Pela complexidade do assunto e pela pluralidade presente sob o guarda-chuva LGBTQ+, o espetáculo é um recorte deste tema, focando especificamente nos depoimentos de homens gays. Muito mais do que acentuar o protagonismo gay dentro do movimento, a ideia da peça é promover um recorte dentro desta diversidade para olhar com cuidado para o assunto de nosso estudo, analisando poeticamente e com responsabilidade a já complexa situação dos homens gays de agora”.

Soldados em miniatura

Com um triângulo rosa (em referência à categorização dos prisioneiros homossexuais em campos de concentração nazista) feito de lâmpadas fluorescentes, a cenografia de INHAI – COISA DE VIADO se apoia também em projeções de vídeos e informações, como mapas-múndi com países onde ainda é crime ser homossexual.

O figurino é composto de macacões curtos em veludo na cor marrom/ caramelo, que evocam a figura do animal veado, e vários adereços, como bonequinhos de soldados em miniatura, referência ao Transtorno de Estresse Pós-Traumático, condição que é desenvolvida ao se passar por situações de risco, perigo e tensão extremos. Soldados que voltam de zonas de conflito geralmente desenvolvem o transtorno e estudos recentes apontam que os homossexuais contemporâneos, que vivem em centros urbanos também. Já a trilha sonora é composta por músicas que trazem significados para os gays de hoje.

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Inhaí – Coisa de Viado

Com Alexia Twister, Cayke Scalioni e Fernando Pivotto

Teatro Pequeno Ato (Rua Teodoro Baima, 78 – Vila Buarque, São Paulo)

Duração 80 minutos

06 ate 28/09

Sexta e Sábado – 21h

$40

Classificação 18 anos

A PAIXÃO DE BRUTUS

O clássico Júlio César, de William Shakespeare (1564-1616), escrito em 1599, ganha os palcos de uma maneira diferente.  A Paixão de Brutus traz o ator Pedro Sá Moraes se alternando em 15 personagens e um narrador, além de cantar e tocar músicas originais, para colocar em cena uma história que traduz questões perenes da política e da vida em sociedade. Com direção do argentino Norberto Presta, o solo de teatro-canção está no Teatro Pequeno Ato. A temporada tem sessões sábados e domingos, sempre às 20h, até 1º de setembro.

Peça inglesa do fim do século XVI sobre acontecimentos da Roma do século I a.C., Júlio César é um ensaio sobre conspiração e amizade, inveja e política, superstição e poder. A atualidade dos questionamentos levantados na peça foi o que despertou no artista a necessidade de encená-la. “O texto me arrebata porque revela muito sobre o nosso mundo – o ódio político, o jogo de cena, a vaidade – mas não fecha as questões. Não há um grande vilão como em outras peças de Shakespeare, como um Ricardo III ou um Iago (de Othelo). O que existe é um grande espelho, um leque rico de personagens, equivocados, mas fundamentalmente humanos”, conta Pedro Sá Moraes.

Na adaptação, assinada pelo próprio ator, as ideias, diálogos e ritmos do dramaturgo inglês se desdobram em composições inéditas, inspiradas em fontes diversas, doscantastori italianos aos cordelistas do nordeste brasileiro, das composições para teatro de Chico Buarque, Vinícius e Guarnieri à épica de Bertold Brecht.

Em uma das canções, um samba-canção de inspiração buarqueana, o personagem Brutus, tenta convencer a si mesmo dos méritos da conspiração: “O homem precisa morrer / Ainda que pessoalmente eu não tenha motivo / O homem precisa morrer / São coisas que se há de fazer pelo bem coletivo.” O irreverente Caska explica a Brutus e Cássius num funk irônico o que acontecera no Coliseu para César ficar tão perturbado. “Não prestei tanta atenção / foi comédia surreal / não gasto saliva em vão / Meu nome é Caska / eu falo o essencial! // (…) o homem ficou sufocado, desnorteado com aquele fedor / e caiu no chão de cimento, com a boca espumando, perdeu a cor!

Em cena, com um violão, o ator e músico entrelaça em uma só partitura a musicalidade dos diálogos à intencionalidade das canções. Ao longo do processo de montagem, que atravessou 2017 e 2018, Pedro e o diretor Norberto Presta chegaram à conclusão de que havia algo de específico na linguagem que desenvolviam, e que não era exatamente um musical. Teatro-canção foi o nome que deram a esta forma de fazer teatro: “A música não está só nas canções, ela é o guia permanente. A voz dos personagens, o ritmo e a intensidade dos diálogos, são regidos por um sentido musical. Os movimentos também nascem da música, como uma dança,” conta o ator.

Ao se permitir liberdades na adaptação de um texto canônico, o artista lança um olhar contemporâneo para o universo Shakespeariano. Referências do cinema, comoCésar Deve Morrer (2012), longa com direção dos irmãos Paolo e Vittorio Taviani, ajudaram a encontrar o tom do diálogo com a obra – franco e irônico, sem perder a gravidade. Este tom se revela já na canção de abertura, composta na forma de um martelo agalopado, estilo utilizado por cordelistas e cantadores no nordeste do país:

…esse caso regressa à minha mente

pois a história não anda só pra frente

– Já dizia um alemão muito citado –

Acontece de modo duplicado:

uma vez é tragédia, a outra é farsa

O autor é figura controversa,

mas falava de um golpe de Estado…

O cenário de Doris Rollemberg, a iluminação de Bernardo Gondim e o figurino, criado coletivamente, são propositadamente minimalistas, indicam a fricção de poder e conspiração, fausto e decadência, que marcam a obra shakespeariana. Mas o fazem de modo sugestivo, sutil. Como tudo no espetáculo, “a intenção é deixar espaço para que o público crie suas imagens e seus entendimentos. Num momento que nos impele a simplificações e verdades absolutas, o teatro pode ser um convite à reflexão pessoal genuína – sobre o pessoal e o coletivo, sobre o ontem e o hoje. A Paixão de Brutus quer ser este convite,” conclui o ator.

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A Paixão de Brutus

Com Pedro Sá Moraes

Teatro Pequeno Ato (Rua Dr. Teodoro Baima, 78 – Vila Buarque, São Paulo)

Duração 70 minutos

13/07 até 01/09

Sábado e Domingo – 20h

$40

Classificação Livre

VIDAS MEDÍOCRES OU ALMAS LÍRICAS

Com temporada no Teatro Pequeno Ato de 6 de abril a 26 de maio, a Companhia Alvorada, que brindou o público em 2018 com o espetáculo “É Samba na Veia, é Candeia” – sucesso de público e crítica – prepara-se para voltar aos palcos com uma nova montagem. Com a peça “Vidas Medíocres ou Almas Líricas” o grupo apresentará uma mescla de cenas de quatro textos principais do dramaturgo russo Anton Tcheckhov, além de trechos de cartas e contos do autor.

Para o diretor da companhia, Leonardo Karasek, a escolha por Tcheckov se dá por reconhecer em sua obra questões universais e contemporâneas, que, embora escritas originalmente há cerca de 120 anos, remetem a conflitos entre forma e conteúdo, passado e futuro, vida e morte e destino e tristeza. O autor russo, na opinião de Karasek, mantém uma fábula em seu enredo, no qual a unidade de tempo e espaço persiste e o diálogo oscila entre a relação dramática e a simples reflexão do mundo concreto e de um mundo de elucubrações.

Na obra de Tchekhov, seus diálogos dizem pouco. A eloquência está nos solilóquios, chamados por Peter Szondi, em “Teoria do Drama Moderno”, de “lírica da solidão”, na qual existe uma liberdade nos silêncios, pausas e descontinuidade de tempo e espaço”, afirma o diretor.

Mas, e o samba? Segundo Karasek, o genuíno ritmo brasileiro está presente em sua segunda montagem de forma orgânica. Nada foi planejado. No decorrer da construção do texto, os sambas surgiam em sua mente. Letras e melodias que falavam do destino, da melancolia e da natureza da vida. “Afinal, seria a tristeza a essência primária da alma lírica humana?”, induz o diretor à reflexão.

Com esses questionamentos em mente deu-se início a carpintaria cênica e a criação da identidade visual da peça, que também teve inspiração em outro russo, o diretor de cinema Andrei Tarkovsky, vencedor do Prêmio Especial do Júri do Festival de Cinema de Cannes em 1980, com o filme “Stalker”, de 1979.

Neste novo espetáculo, o público irá se deparar com esses espectros, esses fragmentos, objetos abandonados, musgo, poeira, ferrugem, fotografias gastas pelo tempo… Signos que remetem à perenidade e à atemporalidade”, adianta o diretor.

Em relação às provocações que a peça levará ao palco, Karasek exemplifica. “Se o personagem Pétia, de ‘O Jardim das Cerejeiras’, realça que tudo que acontece neste mundo terreno ‘não passa de gesticulação’, de uma espécie de entretempo entre o nascimento e a morte onde criamos expectativas, frustrações, desejos, alegrias e rancores em relação à vida, por outro lado nós amamos, odiamos, casamos, trabalhamos, viajamos, fazemos arte, filosofamos. Nesse contexto, a pergunta central desta produção é: será que isso tudo vale a pena? Será que isso tudo tem algum sentido? Esses espectros passam a sentir necessidade de dialogar e não importa, esta é a nossa única vida e seguimos nela”, complementa.

Ainda de acordo com o diretor, a poética desta encenação reside na enfatização do eu lírico e o eu dramático. O homem social e o homem subjetivo. A partir disso, abrem-se caminhos para se refletir sobre a solidão, este sentimento que ronda a humanidade como uma sombra e é tema recorrente numa época de ilusões e idealismos desfeitos.

Por sua vez, a atriz e produtora executiva da peça, Rita Teles, afirma que o ponto fundamental de “Vidas Medíocres ou Almas Líricas” reside no equilíbrio da provocação do texto de Tchekhov com a genialidade lírica da poética de sambas de autores como Cartola, Paulinho da Viola, Manacéa da Portela e Nelson Cavaquinho. “Teremos até uma polca do Jacob do Bandolim”, diz.

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Vidas Medíocres ou Almas Líricas

Com Rita Teles, Aloysio Letra, César Figueiredo Cantão, Vanise Carneiro e Flávio Gerab

Teatro Pequeno Ato (Rua Dr. Teodoro Baima, 78 – Vila Buarque, São Paulo)

Duração 70 minutos

06/04 até 26/05

Sábado – 21h, Domingo – 19h

$40

Classificação: 12 anos

O DESMONTE

Amarildo Felix despontou no meio teatral durante sua participação na 7ª turma do Núcleo de Dramaturgia SESI – British Council, de 2014, com o texto ‘Solilóquios’, uma história de amor sob o prisma da incomunicabilidade, levado ao palco pelo SESI, com direção de Johanna Albuquerque, que ganhou destaque na crítica, em 2015.

O Desmonte, peça que estreou no Sesc Consolação no mês de janeiro e que agora parte para a segunda temporada no Teatro Pequeno Ato (Rua Doutor Teodoro Baima, 78 República – Centro), a partir de 7 de abril, é um espetáculo solo fruto da parceria entre autor e ator — Amarildo Felix (dramaturgia e direção) e Vitor Placca (atuação). A peça trata da chegada de tempos tristes em decorrência do fim de um relacionamento amoroso, da melancolia que paira num apartamento na cidade, onde um homem avesso a amigos e a visitas vive só e recebe, na madrugada de mais uma noite solitária, uma visita inesperada: um Rato surge para destruir tudo e dar novo sentido à sua vida.

Felix e Placca formaram-se pela Escola de Arte Dramática – EAD/ECA/USP com a montagem Danton.5, adaptação de “A Morte de Danton”, de Georg Büchner, com Supervisão de Cristiane Paoli Quito e José Fernando Peixoto de Azevedo. O espetáculo foi concebido e dirigido coletivamente pelo seu elenco que também assinou a dramaturgia e a direção.

Logo após Danton.5, duas outras experiências tornaram-se chave para o desenvolvimento de O Desmonte: a do Núcleo de Dramaturgia Sesi British Council por Amarildo e a do Centro de Pesquisa Teatral – CPT de Vitor.

Do desejo comum de aprofundar as experiências individuais surgiu a parceria para a criação de O Desmonte, que tomou corpo pela experimentação de novas formas dramatúrgicas em permanente diálogo com o processo criativo do ator.

Acredito que O DESMONTE representa uma virada de chave tanto para mim quanto para o Vitor Placca. É acima de tudo um desejo de bancar os nossos projetos, ter voz, um desejo de agir, um grito diante destes tempos tristes. Não havia como esperar.  É preciso estar para o jogo, debatendo publicamente, pois Teatro se faz fazendo” , diz o dramaturgo e diretor do espetáculo Amarildo Felix.

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O Desmonte
Com Vitor Placca. Voz off: Bruna Miglioranza
Teatro Pequeno Ato (Rua Doutor Teodoro Baima, 78 – República, São Paulo)
Duração 60 minutos
07/04 até 06/05
Sábado – 21h, Domingo – 19h
$40
Classificação 14 anos

SOLO IDEAL: ARENOSO

Ator e comediante, Pedro Casali estreia Solo Ideal: Arenoso, em temporada no Pequeno Ato, de 16 de março a 27 de abril, com sessões sempre às sextas-feiras, às 21h.

Neste solo de comédia apresenta um espetáculo em homenagem ao seu falecido pai. Com um jeito peculiar de observar a vida, o ator coloca com bom humor suas experiências pessoais no palco.

A ideia do texto surgiu depois da morte do seu pai em 2006, Casali começou a escrever piadas sobre o delicado assunto, com a intenção de amenizar a dor. Com o passar do tempo foi aprimorando e criando um roteiro, enquanto se dedicava ao stand-up com temas mais comuns. “Num show de stand-up, você tem em média 15 minutos no palco, dessa forma é mais difícil falar de temas tão sensíveis. Já no solo, é possível abordar essa narrativa dramática e a condução é mais natural”, explica.

Filho de uma brasileira com um argentino, criado em Ilhabela no litoral paulista, conta que sofria bullyng na infância. O pai sempre foi seu incentivador e buscava no humor uma forma de encarar os momentos mais difíceis. “Quando mudamos para São Paulo meu pai falou: ‘Aqui ninguém te conhece, você pode ser quem você quiser’. Então eu resolvi ser eu mesmo e não ter mais medo por ser diferente. Foi a partir disso que aproveitei cada peculiaridade minha para fazer graça. Filho de argentino, caiçara, gordinho…tenho um material infinito”, brinca. Apesar do tema sensível e por trazer em cena uma relação tão íntima acredita que seu pai ficaria feliz com o espetáculo. “Ele me dizia que a melhor forma de encarar a morte, é rindo dela”.

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Solo Ideal: Arenoso
Com Pedro Casali
Teatro Pequeno Ato (Rua Doutor Teodoro Baima, 78 – Vila Buarque, São Paulo)
Duração 60 minutos
16/03 até 27/04
Sexta – 21h
$40
Classificação 14 anos

AQUI JAZ HENRY

A escrita polissêmica e cheia de possibilidades do autor canadense Daniel MacIvor (conhecido no Brasil por In On It) na peçaHere Lies Henry ganha uma versão dirigida, traduzida, concebida e interpretada pelo brasileiro Renato Wiemer, e com direção artística de Kika Freire, no monólogo Aqui jaz Henry, que estreia no dia 23 de outubro, segunda-feira, às 21h, no Pequeno Ato. As sessões ocorrem às segundas e terças-feira, sempre às 21h até 19 de dezembro.

Com figurinos de Claudio Tovar e visagismo de Leopoldo Pacheco a peça apresenta um homem que entra em uma sala cheia de gente e começa a explicar “convincentemente” uma série de fatos sobre a existência humana. Nem ele mesmo sabe se é verdade – e nem teria como saber – por que mente tanto a respeito do amor, da morte, da homossexualidade, do corpo e da própria mentira.

Henry é filho de um pai alcoólatra e uma mãe patética e submissa. Ele diz que seu pai se chamava Henry, mas todo mundo o chamava de Tom, e, consequentemente, o protagonista também era chamado de Tom. Então, ele descobriu desde cedo que não só seu nome era uma mentira, mas que ele todo era uma mentira. Ficamos sem saber o que é verdade e o que não é”, comenta o Weimer.

Ele se obriga a imaginar respostas para questões como: O que acontece quando morremos? Como lidamos com a morte? O amor é real ou pura invenção da nossa cabeça? É preferível a verdade ou a felicidade? Seria o tempo uma mentira universal? A mentira é necessária para a vida, como afirma o filósofo alemão Friedrich Nietzsche?

MacIvor tem uma maneira especial de escrita, uma dramaturgia não linear, meio ‘torta’, dissonante, mas que faz todo o sentido. Henry fala e se relaciona o tempo todo com a plateia. Quebrando a ‘quarta parede” o espetáculo transporta o espectador para dentro da sua narrativa. A plateia, por sua vez, tem o papel de questionar: isso tudo é teatro ou vida real? É especulação ou realidade? Nesse exercício, Aqui Jaz Henry revela um significado mais profundo para a tríade teatral – Quem Vê, O que vê e O que é imaginado –  à medida que coloca o público para pensar ativamente nesses elementos.

A paixão de Renato Wiemer pelo estilo de MacIVor surgiu quando o ator assistiu a uma montagem da peça In On It. “Minha experiência ao testemunhar a escritura dramatúrgica e a riqueza impressa do texto me trouxe a certeza que não me interessava qual história contar, mas sim, como contá-la. Nada importa para além do que é dito. Mesmo que sejam mentiras. Além da obra de MacIvor, pesquisamos rituais de morte, religiões etc.”, acrescenta.

O texto do espetáculo foi concebido em um workshop ministrado pela Kamera Cia. de Teatro no Festival Antigonish, e sua primeira montagem aconteceu no Six Stage Festival, no Buddies In Bad Times Theatre, em Toronto.

Aqui Jaz Henry_2912_crédito Patricia Ribeiro

Aqui Jaz Henry
Com Renato Wiemer. 
Teatro Pequeno Ato (Rua Doutor Teodoro Baima, 78 – Vila Buarque, São Paulo)
Duração 65 minutos
23/10 até 19/12
Segunda e Terça – 21h
$40
Classificação 16 anos

 

 

11 SELVAGENS

Indicado ao Prêmio São Paulo de Incentivo ao Teatro Infantil e Jovem pelo texto original de Pedro Granato, o espetáculo 11 SELVAGENS volta em cartaz dia 22 de setembro, sexta-feira, às 21h, no Teatro Pequeno Ato.

A peça reúne onze atores em situações onde as pessoas perdem o controle. No elenco, Anna Galli, Bianca Lopresti, Gabriel Gualtieri, Isabella Melo, Jonatan Justolin, Gustavo Bricks, Mariana Marinho, Mariana Beda, Rafael Carvalho, Renan Botelho e Vítor diCastro.

O trabalho foi criado ao longo do ano de 2016 a partir de experiências e observações do grupo de atores. São cenas do cotidiano em que explode um impulso descontrolado. Da violência à sensualidade, do absurdo ao trivial, são onze quadros interligados como uma camada de sociabilidade que pode rapidamente ser rompida em nossos dias.

O ponto de partida para o espetáculo é a tensão crescente no país em 2016. Foi um processo colaborativo, em que os atores trouxeram histórias vividas por eles ou relatos de conhecidos. A chave para a interpretação é realista em situações que tem um desenvolvimento absurdo, levando para um lugar muito inesperado. A peça retrata o universo desses atores e busca uma universalidade pelo caminho da identificação”, explica Pedro Granato.

O público acompanha tudo de perto, em arena, próximo. Em algumas cenas, é como se a plateia estivesse na mesma situação dos atores. Em outras é cúmplice e voyer, já que as cenas passeiam pelos diferentes lados da arena colocando atores e público lado-a-lado. “O jogo com o espaço cênico tem um aspecto imersivo de colocar o espectador na situação em que os atores estão trazendo. É a sensação de que tudo poderia acontecer com qualquer pessoa ali presente”, fala Granato.

Cada cena é levada ao paroxismo e quando parece não haver mais para onde ir, a música toma o ambiente e os atores extravasam em coreografias. É um trabalho visceral, que busca intensificar o conflito de cada cena. Histórias em que a plateia se identifica, músicas contemporâneas, tudo está equalizado para dialogar profundamente com a geração atual. “São fragmentos que formam um conjunto em que se observa essa polaridade e explosão que a gente percebe nas relações hoje em dia”.

O trabalho é hiper-realista, com o público próximo, como em um close detalhado de cada cena. Sua estrutura fragmentada em quadros permite que cada um faz sentido isolado, mas sua conexão permite diferentes interpretações. O figurino e a luz se baseiam em elementos minimalistas que são reconstruídos para cada cena. A intervenção musical dá agilidade à narrativa e permite uma explosão estética para além da verossimilhança.

O diretor Pedro Granato e o Pequeno Ato, juntamente com um grupo de novos atores dão prosseguimento à pesquisa estética que gerou o premiado espetáculo jovem Fortes Batidas – Prêmio APCA de Melhor Espetáculo em Espaço não Convencional, Prêmio Especial por Experimentação de Linguagem no Prêmio São Paulo e Prêmio Zé Renato para circulação.

A ideia é trabalhar com temas atuais e atores jovens explorando diferentes formas de incluir a plateia na cena, de forma que o espectador se sinta impulsionado a interferir ou tomar um partido na situação que se apresenta diante dela”, explica o diretor.

Leia nossa opinião sobre o espetáculo – https://goo.gl/bchAj3

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11 Selvagens
Com Anna Galli, Bianca Lopresti, Gabriel Gualtieri, Isabella Melo, Jonatan Justolin, Gustavo Bricks, Mariana Marinho, Mariana Beda, Rafael Carvalho, Renan Botelho e Vítor di Castro.
Teatro Pequeno Ato (Rua Doutor Teodoro Baima, 78 – Vila Buarque, São Paulo)
Duração 70 minutos
22 a 30/09
Sexta e Sábado – 21h
06/10 a 02/12
Sexta – 21h, Sábado – 19h
$40
Classificação 16 anos