AQUI JAZ HENRY

A escrita polissêmica e cheia de possibilidades do autor canadense Daniel MacIvor (conhecido no Brasil por In On It) na peçaHere Lies Henry ganha uma versão dirigida, traduzida, concebida e interpretada pelo brasileiro Renato Wiemer, e com direção artística de Kika Freire, no monólogo Aqui jaz Henry, que estreia no dia 23 de outubro, segunda-feira, às 21h, no Pequeno Ato. As sessões ocorrem às segundas e terças-feira, sempre às 21h até 19 de dezembro.

Com figurinos de Claudio Tovar e visagismo de Leopoldo Pacheco a peça apresenta um homem que entra em uma sala cheia de gente e começa a explicar “convincentemente” uma série de fatos sobre a existência humana. Nem ele mesmo sabe se é verdade – e nem teria como saber – por que mente tanto a respeito do amor, da morte, da homossexualidade, do corpo e da própria mentira.

Henry é filho de um pai alcoólatra e uma mãe patética e submissa. Ele diz que seu pai se chamava Henry, mas todo mundo o chamava de Tom, e, consequentemente, o protagonista também era chamado de Tom. Então, ele descobriu desde cedo que não só seu nome era uma mentira, mas que ele todo era uma mentira. Ficamos sem saber o que é verdade e o que não é”, comenta o Weimer.

Ele se obriga a imaginar respostas para questões como: O que acontece quando morremos? Como lidamos com a morte? O amor é real ou pura invenção da nossa cabeça? É preferível a verdade ou a felicidade? Seria o tempo uma mentira universal? A mentira é necessária para a vida, como afirma o filósofo alemão Friedrich Nietzsche?

MacIvor tem uma maneira especial de escrita, uma dramaturgia não linear, meio ‘torta’, dissonante, mas que faz todo o sentido. Henry fala e se relaciona o tempo todo com a plateia. Quebrando a ‘quarta parede” o espetáculo transporta o espectador para dentro da sua narrativa. A plateia, por sua vez, tem o papel de questionar: isso tudo é teatro ou vida real? É especulação ou realidade? Nesse exercício, Aqui Jaz Henry revela um significado mais profundo para a tríade teatral – Quem Vê, O que vê e O que é imaginado –  à medida que coloca o público para pensar ativamente nesses elementos.

A paixão de Renato Wiemer pelo estilo de MacIVor surgiu quando o ator assistiu a uma montagem da peça In On It. “Minha experiência ao testemunhar a escritura dramatúrgica e a riqueza impressa do texto me trouxe a certeza que não me interessava qual história contar, mas sim, como contá-la. Nada importa para além do que é dito. Mesmo que sejam mentiras. Além da obra de MacIvor, pesquisamos rituais de morte, religiões etc.”, acrescenta.

O texto do espetáculo foi concebido em um workshop ministrado pela Kamera Cia. de Teatro no Festival Antigonish, e sua primeira montagem aconteceu no Six Stage Festival, no Buddies In Bad Times Theatre, em Toronto.

Aqui Jaz Henry_2912_crédito Patricia Ribeiro

Aqui Jaz Henry
Com Renato Wiemer. 
Teatro Pequeno Ato (Rua Doutor Teodoro Baima, 78 – Vila Buarque, São Paulo)
Duração 65 minutos
23/10 até 19/12
Segunda e Terça – 21h
$40
Classificação 16 anos

 

 

11 SELVAGENS

Indicado ao Prêmio São Paulo de Incentivo ao Teatro Infantil e Jovem pelo texto original de Pedro Granato, o espetáculo 11 SELVAGENS volta em cartaz dia 22 de setembro, sexta-feira, às 21h, no Teatro Pequeno Ato.

A peça reúne onze atores em situações onde as pessoas perdem o controle. No elenco, Anna Galli, Bianca Lopresti, Gabriel Gualtieri, Isabella Melo, Jonatan Justolin, Gustavo Bricks, Mariana Marinho, Mariana Beda, Rafael Carvalho, Renan Botelho e Vítor diCastro.

O trabalho foi criado ao longo do ano de 2016 a partir de experiências e observações do grupo de atores. São cenas do cotidiano em que explode um impulso descontrolado. Da violência à sensualidade, do absurdo ao trivial, são onze quadros interligados como uma camada de sociabilidade que pode rapidamente ser rompida em nossos dias.

O ponto de partida para o espetáculo é a tensão crescente no país em 2016. Foi um processo colaborativo, em que os atores trouxeram histórias vividas por eles ou relatos de conhecidos. A chave para a interpretação é realista em situações que tem um desenvolvimento absurdo, levando para um lugar muito inesperado. A peça retrata o universo desses atores e busca uma universalidade pelo caminho da identificação”, explica Pedro Granato.

O público acompanha tudo de perto, em arena, próximo. Em algumas cenas, é como se a plateia estivesse na mesma situação dos atores. Em outras é cúmplice e voyer, já que as cenas passeiam pelos diferentes lados da arena colocando atores e público lado-a-lado. “O jogo com o espaço cênico tem um aspecto imersivo de colocar o espectador na situação em que os atores estão trazendo. É a sensação de que tudo poderia acontecer com qualquer pessoa ali presente”, fala Granato.

Cada cena é levada ao paroxismo e quando parece não haver mais para onde ir, a música toma o ambiente e os atores extravasam em coreografias. É um trabalho visceral, que busca intensificar o conflito de cada cena. Histórias em que a plateia se identifica, músicas contemporâneas, tudo está equalizado para dialogar profundamente com a geração atual. “São fragmentos que formam um conjunto em que se observa essa polaridade e explosão que a gente percebe nas relações hoje em dia”.

O trabalho é hiper-realista, com o público próximo, como em um close detalhado de cada cena. Sua estrutura fragmentada em quadros permite que cada um faz sentido isolado, mas sua conexão permite diferentes interpretações. O figurino e a luz se baseiam em elementos minimalistas que são reconstruídos para cada cena. A intervenção musical dá agilidade à narrativa e permite uma explosão estética para além da verossimilhança.

O diretor Pedro Granato e o Pequeno Ato, juntamente com um grupo de novos atores dão prosseguimento à pesquisa estética que gerou o premiado espetáculo jovem Fortes Batidas – Prêmio APCA de Melhor Espetáculo em Espaço não Convencional, Prêmio Especial por Experimentação de Linguagem no Prêmio São Paulo e Prêmio Zé Renato para circulação.

A ideia é trabalhar com temas atuais e atores jovens explorando diferentes formas de incluir a plateia na cena, de forma que o espectador se sinta impulsionado a interferir ou tomar um partido na situação que se apresenta diante dela”, explica o diretor.

Leia nossa opinião sobre o espetáculo – https://goo.gl/bchAj3

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11 Selvagens
Com Anna Galli, Bianca Lopresti, Gabriel Gualtieri, Isabella Melo, Jonatan Justolin, Gustavo Bricks, Mariana Marinho, Mariana Beda, Rafael Carvalho, Renan Botelho e Vítor di Castro.
Teatro Pequeno Ato (Rua Doutor Teodoro Baima, 78 – Vila Buarque, São Paulo)
Duração 70 minutos
22 a 30/09
Sexta e Sábado – 21h
06/10 a 02/12
Sexta – 21h, Sábado – 19h
$40
Classificação 16 anos

CAFÉ AZEDO

Propondo um mergulho no universo feminino, Café Azedo estreia dia 29 de março, às 21h, no Teatro Pequeno Ato. O espetáculo é inspirado no conto homônimo de Paula Mandel, que também é responsável pela dramaturgia. A direção é de Einat Falbel (que também está no elenco) e Giseli Ramos. No elenco, além de Einat, estão Angela Fernandes e Camila Leitte.
 
Na trama, três mulheres observam o movimento em uma cafeteria refletindo sobre si mesmas e as pessoas que entram, saem ou ficam. A identidade de cada uma se revela aos poucos em fluxo de consciência. Sem jamais dialogar efetivamente, elas se comunicam no campo das identificações e projeções. A linguagem poética, quase onírica, nos defronta com nossas próprias histórias, escolhas e renúncias.
 
Para a composição do espetáculo, serviram como referência o escritor mineiro Evandro Affonso Ferreira e seu narrador sentado na confeitaria a divagar sobre velhice e morte, conversando mentalmente com os demais frequentadores na obra Minha Mãe Se Matou Sem Dizer Adeus.
 
Outra referência vem do romance Mrs. Dalloway, da britânica Virginia Woolf (1882-1941). Um romance com intensa troca de ponto de vista narrativo. Cada personagem vai passando o bastão à próxima em um enredo que se passa num único dia.
 
O texto do espetáculo procura gerar empatia, apostando no poder dos encontros, quando um sorriso ou um gesto produzem micro – às vezes macro – transformações. Três mulheres interagindo num plano imaginário. São mulheres com histórias díspares, cada uma com suas dores, suas cores. Neste mergulho fomos nos dissolvendo e misturando nuances, encontrando matizes comuns”, diz a autora.
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Café Azedo
Com Angela Fernandes, Camila Leitte e Einat Falbel. Eliane Sombrio (stand -in)
Teatro Pequeno Ato (Rua Doutor Teodoro Baima, 78 – Vila Buarque, São Paulo)
29/03 até 01/06
Quarta e Quinta – 21h
$40
Classificação 14 anos
 
Dramaturgia: Paula Mandel.
Direção: Einat Falbel e Giseli Ramos.
Desenho de Luz: Yuri Cummer.
Figurino: Veridiana Toledo.
Cenografia: João Alfredo Liébana Costa.
Colaboração: Pedro Granato e Teatro do Pequeno Ato.
Produção: Confraria das pequenas mentiras.
Fotografia e Visagismo: Gleiber Felix.
Desenho de Som: Franco de Paula.
Assessoria de Imprensa: Pombo Correio

11 SELVAGENS

Com direção e dramaturgia de Pedro Granato, o espetáculo 11 SELVAGENS estreia dia 24 de março, sexta-feira, às 21h, no Pequeno Ato. A peça reúne onze atores em situações onde as pessoas perdem o controle. No elenco, Anna Galli, Bianca Lopresti, Gabriel Gualtieri, Isabella Melo, Jonatan Justolin, Gustavo Bricks, Mariana Marinho, Mariana Beda, Rafael Carvalho, Renan Botelho e Vítor diCastro.

O trabalho foi criado ao longo do ano de 2016 a partir de experiências e observações do grupo de atores. São cenas do cotidiano em que explode um impulso descontrolado. Da violência à sensualidade, do absurdo ao trivial, são onze quadros interligados como uma camada de sociabilidade que pode rapidamente ser rompida em nossos dias.

O ponto de partida para o espetáculo é a tensão crescente no país em 2016. Foi um processo colaborativo, em que os atores trouxeram histórias vividas por eles ou relatos de conhecidos. A chave para a interpretação é realista em situações que tem um desenvolvimento absurdo, levando para um lugar muito inesperado. A peça retrata o universo desses atores e busca uma universalidade pelo caminho da identificação”, explica Pedro Granato.

O público acompanha tudo de perto, em arena, próximo. Em algumas cenas, é como se a plateia estivesse na mesma situação dos atores. Em outras é cúmplice e voyer, já que as cenas passeiam pelos diferentes lados da arena colocando atores e público lado-a-lado. “O jogo com o espaço cênico tem um aspecto imersivo de colocar o espectador na situação em que os atores estão trazendo. É a sensação de que tudo poderia acontecer com qualquer pessoa ali presente”, fala Granato.

Cada cena é levada ao paroxismo e quando parece não haver mais para onde ir, a música toma o ambiente e os atores extravasam em coreografias. É um trabalho visceral, que busca intensificar o conflito de cada cena. Histórias em que a plateia se identifica, músicas contemporâneas, tudo está equalizado para dialogar profundamente com a geração atual. “São fragmentos que formam um conjunto em que se observa essa polaridade e explosão que a gente percebe nas relações hoje em dia”.

O trabalho é hiper-realista, com o público próximo, como em um close detalhado de cada cena. Sua estrutura fragmentada em quadros permite que cada um faz sentido isolado, mas sua conexão permite diferentes interpretações. O figurino e a luz se baseiam em elementos minimalistas que são reconstruídos para cada cena. A intervenção musical dá agilidade à narrativa e permite uma explosão estética para além da verossimilhança.

O diretor Pedro Granato e o Pequeno Ato, juntamente com um grupo de novos atores dão prosseguimento à pesquisa estética que gerou o premiado espetáculo jovem Fortes Batidas – Prêmio APCA de Melhor Espetáculo em Espaço não Convencional, Prêmio Especial por Experimentação de Linguagem no Prêmio São Paulo e Prêmio Zé Renato para circulação.

A ideia é trabalhar com temas atuais e atores jovens explorando diferentes formas de incluir a plateia na cena, de forma que o espectador se sinta impulsionado a interferir ou tomar um partido na situação que se apresenta diante dela”, explica o diretor.

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11 Selvagens
Com Anna Galli, Bianca Lopresti, Gabriel Gualtieri, Isabella Melo, Jonatan Justolin, Gustavo Bricks, Mariana Marinho, Mariana Beda, Rafael Carvalho, Renan Botelho e Vítor di Castro.
Teatro Pequeno Ato (Rua Doutor Teodoro Baima, 78 – Vila Buarque, São Paulo)
Duração 70 minutos
24/03 até 06/05
Sexta – 21h; Sábado – 19h
$40
Classificação 16 anos
 
Direção e Dramaturgia: Pedro Granato.
Iluminação e assistência de direção: Gabriel Tavares.
Coreografia: Inês Bushatsky.
Produção: Victoria Martinez e Jéssica Rodrigues (Contorno).
Realização: Pequeno Ato.
Assessoria de Imprensa: Adriana Balsanelli

FORTES BATIDAS

Fortes Batidas volta em curta temporada no Pequeno Ato em São Paulo. O espetáculo promove uma noite em que o público participa da festa e acompanha todo desenrolar da trama na pista, ao lado dos atores. Para essa nova temporada, uma versão plena de fantasias e um novo repertório com músicas de carnaval para embalar os sábados de fevereiro.

Para celebrar a trajetória do espetáculo, que por dois anos tem enchido os palcos por onde passa, o diretor e dramaturgo Pedro Granato vai lançar o livro com o texto da peça em parceria com a editora Giostri no dia 18 de fevereiro a partir das 19h.

A peça acompanha a noite vivida por 15 jovens, cruzando desejos e entrando em conflitos embalados pelas “fortes batidas” da música. Amigos que apostam quem consegue ficar com mais meninas, um casal testando o relacionamento aberto e a dificuldade de um rapaz tímido ficar com alguém do mesmo sexo pela primeira vez. A explosiva mistura dos desejos de personagens em busca de sua identidadeconstrói uma rede de conflitos que envolve a plateia.

O público vive uma experiência que desenha um retrato pulsante dessa geração e coloca no foco questões importantes para toda a sociedade. A homofobia, machismo e intolerância sexual estão no centro do alvo dessas “Fortes Batidas”.

Os ambientes da balada são divididos em variados níveis de plataformas que possibilitam a visibili­dade para a plateia. Mas isso não impede que atores dancem ao lado público e se relacionem com ele criando uma experiência ativa, em que o espectador não “assiste” o espetáculo,  está imerso nele.

O espetáculo se prepara para circular toda a periferia de São Paulo nesse semestre com apoio do Prêmio Zé Renato. Essa temporada especial de carnaval vem após diversas temporadas em São Paulo e os prêmios APCA de “Melhor Espetáculo em Espaço não Convencional” e o “Prêmio Especial” do Prêmio São Paulo pela experimentação de linguagem.

Fortes Batidas
Com Ariel Rodrigues, Beatriz Silvei­ra, Bianca Lopresti, Eduardo Scudeler, Felipe Aidar, Fernando Vilela, Gabriela Andrade, Ga­briela Gama, Gal Goldwaser, Inês Bushatsky, Ingrid Man­tovan, Laura Vicente, Lia Maria, Lucas Oranmian, Mateus Menoni, Mau Ma­chado e Vítor di Castro.
Pequeno Ato (Rua Teodoro Baima, 78 – Consolação, São Paulo)
Duração 70 minutos
04 a 18/02
Sábado – 21h30
$40
Classificação 16 anos
 
Direção e dramaturgia: Pedro Granato.
Cenário: Diego Dac
Assistente de direção e Iluminação: Gabriel Tavares
DJ: Pedro Augusto Monteiro
Coreógrafa: Inês Bushatsky
Assistentes de dramaturgia: Manuela Pereira e Natália Xavier
Figurino: Bárbara Sgarbi e Jade Marinera
Produção: Victoria Martinez e Jéssica Rodrigues (Contorno Produções)
Assistente de Produção: Ana Paula Sampaio
Assessoria de Imprensa: Pombo Correio

 

MAIS UM HAMLET

A peça dirigida por Pedro Haddad e com dramaturgia de Maria Giulia Pinheiro é uma adaptação cômica da peça “Hamlet”, de William Shakespeare. Nesta adaptação contemporânea a história do príncipe da Dinamarca é contada de forma bem humorada, abusando dos clichês acerca desta figura tão famosa. A ideia de dessa montagem é estabelecer um diálogo com o público, apresentando os conflitos do príncipe dinamarquês como humanos e parte de todos nós.

O cenário é composto apenas por cinco cadeiras, e cada ator traz consigo todos os objetos que utilizará em cena. Os atores são responsáveis por toda manipulação de adereços, cenário, e parte da iluminação e sonoplastia – tudo acontece aos olhos do público, com o objetivo de trazer os bastidores para dentro da encenação.

Como se trata de teatro, as figuras são colocadas numa situação que as obriga a, da melhor forma possível, trabalhar em grupo – porém se confrontam com modos de fazer diferentes, humores, rixas e outros fatores que dificultam cada vez mais o jogo de cena, todos evidenciados pela ausência de coxias, e espelhados não só no enredo da peça, mas também na personalidade de cada ator. A peça tem como protagonistas a inadequação, o desconforto e, muitas vezes, o nonsense. Todos esses se fazem presentes para que, de forma cômica, seja narrada a história do príncipe Hamlet. O espectador se pergunta e reflete sobre o que se passa em cena e o que é a realidade, de fato – sendo, nesta brincadeira, convidado a entrar no jogo cênico. “, conta o diretor Pedro Haddad.

SINOPSE

Cinco figuras esquisitas são convidadas a contar a história de Hamlet, príncipe da Dinamarca em apenas 70 minutos. Hamlet ainda está de luto pela morte do pai quando sua mãe se casa com Cláudio, seu tio e o novo rei dinamarquês. Hamlet é avisado pelo fantasma de seu pai que ele foi assassinado por Cláudio, e pede ao filho que vingue sua morte. A partir daí o príncipe se vê num conflito entre o agir e o pensar, até ser capaz de concretizar o que lhe foi pedido: matar o rei da Dinamarca. Utilizando-se das frases célebres de Shakespeare e dos acontecimentos da peça original, os atores-personagens “improvisam” o espetáculo, aproveitando toda e qualquer deixa para mostrar o quanto são especia- listas nesta obra-prima.

Mais um Hamlet
Com Beatriz de Miranda, Maria Eugênia Portolano, Ronan Ammirati, Taiguara Chagas, Valérie Mesquita.
Teatro Pequeno Ato (Rua Dr. Teodoro Baima, 78 – Vila Buarque, São Paulo)
Duração 70 minutos
02 a 23/11
Quarta – 21h
$30
Classificação 12 anos
 
Direção: Pedro Haddad.
Dramaturgia: Maria Giulia Pinheiro.
Assistente de direção: Giulia Fontes.
Cenário e figurinos: Cia dos Tolos.
Iluminação: Taiguara Chagas.
Produção: Contorno Produções.
Direção de Produção: Jessica Rodrigues e Victória Martinez
Assessoria de Imprensa: Pombo Correio

 

 

O ESPECTADOR CONDENADO À MORTE (OPINIÃO)

O título é sugestivo – “O Espectador Condenado à Morte“. Neste caso, você (espectador) poderá ser condenado a morrer. Será que são todos os espectadores que forem a plateia ou um específico? Fui conferir.

Após estar com o ingresso na mão, todos ficam esperando no saguão do teatro. E quando pensava sobre a peça, muita coisa vinha à cabeça – como será esse julgamento; como será escolhido o espectador que será condenado; qual crime ele cometeu,..

Abre a porta da sala e começa o processo da fila. A pessoa que pega nossos ingressos é meio suspeita (será que é funcionário do teatro ou é um ator? Afinal, as roupas dele não são muito condizentes com a de alguém que trabalha em um teatro).

Quando entramos na sala, percebemos que estamos em um tribunal, numa sala de julgamento. Atores já estão a postos. O único que dá para saber quem é, é o juiz, por causa de suas roupas.

Você escolhe o seu lugar e percebe que todas as cadeiras são numeradas (mas não numa sequência, como em qualquer teatro, mas com números aleatórios – 3, 145, 27, 209, 13,….). Por causa do meu tamanho, fui sentar na primeira fileira, para poder esticar as pernas. A sorte estava lançada.

Deu-se o terceiro sinal, apagaram-se as luzes. Começa a peça.

iluminadosQuem está no palco é o juiz, o escrivão e o advogado de acusação. Este, pede ao juiz, a pena de morte ao acusado. Parece que é algo grave, pela eloquência e tamanho da fúria dos três. Até que o advogado de acusação estende a mão pra mostrar quem é o culpado. EU! (Ferrou!)

Começa o discurso, ele olhando direto nos meus olhos (eu mantenho o olhar). Acusa-me de um crime que eu “cometi” (Mas qual? Ele não menciona) A plateia começa a virar para me olhar. Minha reação? Rir muito.

Rio principalmente pelas provas forjadas que são apresentadas. O cara que pegou os ingressos, é uma testemunha. Diz que me reconheceu pelas minhas mãos. Aparece uma funcionária da chapelaria (que chapelaria, não vi nenhuma no hall do teatro, como posso ter sido tão desligado assim). Ela apresenta mais provas, mas são inverdades. Rio mais.

Até que me é designado um advogado de defesa (antes tivesse eu me defendido só). Percebe que há um conchavo entre todos os funcionários do tribunal para me incriminarem (nessa hora não sei se estou mais em um teatro ou num julgamento). Quando eu poderei falar???

Intervalo de 10 minutos

Durante o intervalo, é servido um café ou uma limonada. As pessoas ficam me olhando. Eu rio. Vou até o meio da sala ver os itens que eles “apreenderam em minha residência”. Tem um urso de pelúcia, uns livros, uns brinquedos, peças de roupa infantil, alguns discos (LPs). Graças a Deus, nada do que tive de verdade, senão iria começar a duvidar da minha própria inocência.

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Volta para o julgamento. E aparecem mais testemunhas. Testemunhas estas que são manipuladas, são compradas, que tem seus testemunhos dirigidos.

Ou seja, nesta hora, o riso some do meu rosto. Porque você começa a pensar que não é tão diferente da nossa realidade, onde muitas “verdades” são fabricadas; pessoas são corrompidas; sentenças são compradas. Termina a ficção e chega na realidade.

Até que termina a peça. (Não se preocupe, não estragarei as surpresas que o espetáculo ainda guarda. E o que falei até agora, é algo que se observa na própria página do facebook do espetáculo).

O Espectador Condenado à Morte” é uma peça do dramaturgo romeno, Matéi Visniec. Ele é conhecido como “o novo Ionesco”, com suas peças encenadas em mais de vinte países. O tom de sua obra é marcada pela linguagem do absurdo e do surreal, usada para desviar da realidade na qual ele viveu na Romênia sob a ditadura de Nicolae Ceausescu.

É uma peça que foi escrita na Romênia, mas que poderia ter sido escrita em muitos outros países. Infelizmente, o Brasil é um deles.

Recomendamos o espetáculo para além de você conhecer o texto de Visniec e o trabalho da Companhia Teatro da Dispersão (a montagem está muito boa), também repensar sobre a nossa realidade e o que queremos para o nosso país neste momento de incertezas e mudanças. A peça merece ser vista!

P. S. Antes de sair de casa, ao me despedir, minha mãe falou “Tenho certeza que você será julgado“. E não é que ela estava certa!

(Ah, e faça reserva na página do grupo, liga para o teatro, o que for… são apenas 40 possíveis condenados por sessão)

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Raphael Nespule, Patrícia Vieira Costa, Caio Balthazar, Guilherme Iervolino, Rony Álvares, André Camargo, Drica Czech, Vanessa Rodrigues e Cadu Batanero (que não faz mais parte do elenco)

“O Espectador Condenado à Morte”
Com André Camargo, Caio Balthazar, Drica Czech, Guilherme Iervolino, Patrícia Vieira Costa, Raphael Nespule, Rony Álvares, Vanessa Rodrigues.
Pequeno Ato (Rua Dr. Teodoro Baima, 78 – Vila Buarque, São Paulo)
Duração 75 minutos
01/10 até 06/11
Sábado – 21h; Domingo – 20h
$40
Classificação 14 anos
Texto de Matéi Visniec
Produção: Companhia Teatro da Dispersão
Direção: Thiago Ledier
Cenografia e Iluminação: César Bento
Figurinos: Guilherme Iervolino
Sonoplastia: Marcus Couto
Tradução: Fábio Fonseca de Melo
Fotos: Patricia Mattos
Design: Lucas Lage
Produção executiva: André Camargo, Caio Balthazar, Drica Czech, Guilherme Iervolino, Rony Álvares