O LOUCO E A CAMISA (OPINIÃO)

“O Louco e a Camisa” está em cartaz no Teatro Renaissance, com Rosi Campos/ Patrícia Gasppar, Rainer Cadete, Ricardo Dantas, Priscilla Squeff e Dudu Pelizzari no elenco.

Texto do dramaturgo argentino, Nélson Valente, já foi montado em outros países como Chile, Espanha, França, Portugal e Estados Unidos. Aqui no Brasil, foi dirigido por Elias Andreato e voltou para mais uma temporada, agora no Teatro Renaissance.

Uma família de classe social baixa, composta de um pai machista, uma mãe resignada, uma filha que não aceita a sua realidade e procura a todo custo alguém que a tire daquele meio, mas sem perceber que já está presa naquela teia.

E alheio a tudo – o filho ‘louco’. Mas será? Ou por ser verdadeiro e ‘ver tudo’, consegue enxergar o que seus familiares procuram esconder. E por não saber como se relacionar, sofre.

O elenco está perfeito no papel, mas não tem como não reconhecer o trabalho de Rainer Cadete como Beto, o filho louco. Com uma precisão de gestos, entonação, atuação, conquista a plateia. Transmite o que se passa dentro daquela mente, daquele ser, que por ser verdadeiro demais, incomoda os outros. Um pouco a mais, seria caricato. Do jeito que está, perfeito.

Também não podemos esquecer de Patrícia Gasppar (substituta de Rosi Campos), que vive a mãe. Que ‘inocência’, que sofrimento contido. A dor do abandono extravasa seu corpo e nos atinge em cheio.

Não deixe de assistir. São só mais 05 sessões. Recomendamos.

“O Louco e a Camisa” está em cartaz sextas e sábados ás 21h30 e domingos ás 18h. Termina no próximo dia 16 de setembro.

CARMEN

O Louco e a Camisa
Com Rosi Campos, Rainer Cadete, Ricardo Dantas, Priscilla Squeff, Dudu Pelizzari e Patricia Gasppar
Teatro Renaissance (Alameda Santos, 2233 – Cerqueira César, São Paulo)
Duração 70 minutos
10/08 até 16/09
Sexta e Sábado – 21h30, Domingo – 18h
$80/$100
Classificação 12 anos

O LOUCO E A CAMISA

Texto do argentino Nélson Valente, O Louco e a Camisa está em sua nona temporada na cidade de Buenos Aires, além de já ter ganhado os palcos de outros países como Chile, Espanha, França, Portugal e Estados Unidos.  Sucesso de público e crítica, a peça faz sua segunda temporada em São Paulo com direção de Elias Andreato.

O texto entrelaça temas como a loucura, a convivência familiar, a revelação da verdade e a violência doméstica, ao retratar um pai violento e severo. O público se depara com uma família distorcida e marcada pela convivência hipócrita entre eles, que se esforçam para esconder a existência de um “louco” (o filho) e suas ideias aparentemente malucas.

No decorrer do espetáculo, percebe-se que o “louco” é, na verdade, o mais são entre os integrantes da família, pois é fiel e íntegro aos seus valores. O único com percepção real e verdadeira. Desta forma, a comédia se dá em contraponto ao drama vivido com esses conflitos familiares, pois os personagens naturalmente se metem em situações cômicas para solucionar seus problemas.

É importante estar em constante discussão sobre as diferenças e estimular a tolerância e o respeito ao próximo. Neste espetáculo retratamos distúrbios de personalidades e relacionamentos, e isso serve para pôr uma lupa em nós mesmos e fazermos uma autoanálise do quanto somos permissivos e complacentes com certas situações”, comenta Priscilla Squeff, idealizadora do projeto no Brasil, ao lado dos sócios Leandro Luna e Danny Olliveira. Os produtores assistiram ao espetáculo em Buenos Aires e, cada vez mais, acreditam na importância deste intercâmbio cultural.

 

CARMEN (4)

O Louco e a Camisa

Com Rosi Campos, Rainer Cadete, Ricardo Dantas, Priscilla Squeff e Dudu Pelizzari

Teatro Renaissance (Alameda Santos, 2233 – Cerqueira César, São Paulo)

Duração 70 minutos

10/08 até 16/09

Sexta e Sábado – 21h30, Domingo – 18h

$80/$100

Classificação 12 anos

*Não haverá sessões no dia 17 de Agosto*

*Sessão com tradução de libras e audiodescrição dia 19 de agosto*

A PORTA DA FRENTE

Lenita (Sandra Pêra) e Rui (Roney Facchini) tem um casamento morno e sem graça. Não se olham, não se enxergam e vivem suas vidas sem grandes paixões ou perspectivas. Estão frustrados com a união, com seus planos, mas não conseguem fazer nada de diferente para melhorar a situação. São pais de um casal de gêmeos estranhíssimos, dois jovens estudantes (Greta Antonie e Bruno Sigrist),  que sofrem com a falta de atenção dos pais. Nessa casa mora também Dona Marilu (Miriam Mehler), mãe de Lenita, talvez a mais lúcida desse núcleo.

Uma nuvem de insatisfação e resignação paira sobre tudo e todos, até que um novo vizinho ocupa o apartamento em frente e aquele mundinho sofre sucessivos abalos e começam os inevitáveis e inacreditáveis conflitos.  Sacha é “crossdresser” assumido e professor de canto. Essa ambiguidade faz de Sacha uma figura muito peculiar, que mexe com o imaginário de todos. Além de se incomodarem com o barulho das aulas de canto, nenhum deles sabe como lidar com aquela figura tão diferente e bizarra do ponto de vista de suas caretices. Mas, apesar de ser demonizado pelos vizinhos, Sacha é um homem de paz. É muito refinado, educado e simpático.

O texto de Julia Spadaccini, considerado um dos mais impactantes de 2013, vencedor dos Prêmios Shell do Rio de Janeiro e Fita, gira em torno das relações que cada personagem dessa família vai criando com esse novo morador. Sacha com sua postura liberta diante dos preconceitos da vida dá, sabiamente, uma lição de amor e uma injeção de atitude para essa família que está estagnada e fechada em seus velhos conceitos do que é normalidade. “Sinto um fascínio pelo crossdressing, um questionamento, uma mudança de ponto de vista: o Sasha ilumina cantos escuros e sacode as juntas enferrujadas daquela família”, conta Julia para quem as relações familiares são fonte permanente de inspiração: “Acredito que a família esteja amarrada num grande núcleo neurótico. Gosto de falar das relações familiares, esses laços que nunca se desfazem. Por mais bem resolvidas que as pessoas sejam, não conseguem se libertar totalmente das exigências, limites e educação conferidas pelos pais”, completa.

Queria falar de intolerância, limitação. O crossdresser é um personagem indecifrável. Li uma matéria sobre uma mulher que descobriu que o marido era. Ela quis se separar, mas, depois, voltou pra ele. Há uma falta de cuidado das pessoas no olhar com o outro,” avalia a autora.

Com direção de Marcelo Várzea e produção de Selma Morente e Célia Forte, que buscam investigar o comportamento humano através das histórias que a Morente Forte realiza ao longo de sua trajetória, A Porta da Frente fala de preconceito e dos formatos das intuições, como casamento e família, que precisam ser repensadas. “Precisamos ampliar nossos olhares, vivemos querendo classificar pessoas em todos os sentidos. Esta na hora de falarmos sobre tolerância. E dela podemos vir a criar uma oportunidade real de comunhão. A Julia foi muito feliz na carpintaria desse texto, onde alterna gêneros, promovendo uma tomada de consciência vertiginosa. O publico cai no colo dos carismáticos e preconceituosos personagens. Entretenimento e poderosa reflexão. Trabalhar com esses atores e descobrir todas essas cores propostas pela autora tem sido extremamente apaixonante”, conta Varzea.

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A Porta da Frente

Com Sandra Pêra, Roney Facchini, Fabiano Medeiros, Greta Antonie, Bruno Sigrist e Miriam Mehler

Teatro Renaissance – Hotel Renaissance (Alameda Santos, 2233 – Cerqueira César, São Paulo)

Duração 80 minutos

07/07 até 09/09

Sábado – 19h, Domingo – 20h

$70/$80

Classificação 12 anos

FULANINHA E DONA COISA

Numa encenação não realista, dirigida por Daniel Herz e idealizada por Eduardo BarataNathalia Dill e Vilma Mello vivem, respectivamente, Fulaninha e Dona Coisa. O espetáculo faz ensaios abertos nos dias 30/09 e 01/10, e estreia dia 07/10, no Teatro Renaissance. “A possibilidade de emocionar o público dentro de uma comédia é algo quem me instiga e me interessa”, detalha o diretor.

A peça se apropria do humor, da carência, da solidão e do encontro para falar das diferenças de origem e da relação entre duas pessoas, ao mesmo tempo, tão ricas e diferentes. “Fui assistente de direção do Nanini na primeira montagem carioca, com Louise Cardoso, em 1990. Quando convidei o Daniel para dirigir, planejamos uma encenação dinâmica e divertida, com uma nova roupagem. O espetáculo mantém vários elementos de referência aos anos 90, como: telefone com fio, bip de mensagens, secretária eletrônica, entre outros. Contudo, as emoções, situações e relações são completamente atuais”, detalha o produtor e idealizador Eduardo Barata.

De um lado está Dona Coisa, uma mulher moderna, independente, que prefere manter certa distância em suas relações. Do outro está Fulaninha, uma jovem com a cabeça cheia de sonhos que chega do interior para trabalhar como empregada doméstica.

O espetáculo retrata, através do humor, as dificuldades da convivência diária entre ambas, resultado das trapalhadas de Fulaninha, que entre muitas confusões pensa que a piscina do prédio chique de Dona Coisa é um açude; se assusta com o telefone e elevador; e ainda arruma um namorado bem enrolado, um técnico de telefone interpretado por Rafael Canedo.

Apesar do estranhamento com a vida moderna, Fulaninha é muito esperta e usa a inteligência para conquistar a patroa, que só admite a empregada com muitas exigências, como dormir no local, trabalhar nos finais de semana e não namorar. Sem saber sobre seus direitos, Fulaninha acata as exigências por também gostar da patroa e aproveita para curtir a casa como se, literalmente, fosse sua, usando as roupas de Dona Coisa e comendo suas comidas preferidas.

Todos temos na vida um lado Fulaninha e um lado Dona Coisa. Brincamos com isso quando as atrizes invertem de papel no palco”, conta Herz, que traz para a encenação a questão da temática racial pensada e idealizada pelas equipes de produção e criação, desde a programação visual, que utiliza uma imagem em preto e branco das atrizes, até a iluminação, que acentua o momento de inversão por uma mudança de direção de focos.

É um dos momentos chave do espetáculo”, afirma o iluminador Renato Machado.  A cenografia de Fernando Melo da Costa, com algumas sugestões de elementos que compõe a casa de Dona Coisa, propõe um espaço de jogo cênico. O espetáculo faz com que cada espectador idealize uma casa diferente para Dona Coisa, através da imaginação.

Estar no lugar da patroa tem um significado que vai além do particular: é político e social. Falamos aqui não só do empoderamento negro, mas também da divisão de classes. O público esbarra numa comédia leve que aponta para a reconstrução de valores éticos e estéticos”, comenta Vilma Melo, primeira atriz negra a ganhar o prêmio Shell RJ (29° edição) na categoria de melhor atriz. “Quando o Eduardo me mostrou o texto, eu topei fazer na hora. A peça toca num ponto que ainda é tabu na nossa sociedade, o trabalho da empregada doméstica, que transita em uma linha tênue entre o privado e o profissional”, conta Nathalia Dill.

Como as mudanças são muito rápidas e ninguém sai de cena praticamente, resolvemos fazer uma brincadeira a partir do conceito de transformação”, conta Clívia Cohen, responsável pelos figurinos, que se transformam em múltiplos elementos e adereços de cena. “Uma hora a bolsa da Dona Coisa vira o avental de Fulaninha (símbolo da empregada doméstica), outra hora a saia vira um mantô (símbolo de poder e riqueza), então assim como a relação entre as duas vai se transformando, os figurinos seguem a mesma proposta”, conclui.  Leandro Castilho compôs vinhetas e trilhas que auxiliam nas transições de cenas. “A música contribui bastante com o humor da peça. Aproveitei ritmos bem brasileiros, como batucada de tamborim, cuíca e samba, na hora de fazer as vinhetas”, comenta Castilho.

“Em um momento em que o país passou por uma transformação nos direitos trabalhistas dos empregados domésticos, a peça aparece como uma oportunidade de falar das recentes modificações, de maneira bem-humorada, sem deixar de ser informativa. Uma peça que fala das muitas possibilidades e ambiguidades que existem numa relação entre o personagem que oprime e o que é oprimido”, finaliza o produtor Eduardo Barata.

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Fulaninha e Dona Coisa
Com Nathalia Dill, Vilma Melo e Rafael Canedo
Teatro Renaissance – Hotel Renaissance (Alameda Santos, 2233 – Jardim Paulista, São Paulo)
Duração 70 minutos
07 a 29/10
Sábado – 19h, Domingo – 20h
$100
Classificação 12 anos
 
**Ensaio aberto promocional: dias 30 de setembro e 01 de outubro com ingressos a R$ 30**

HORTANCE, A VELHA

O espetáculo teatral Hortance, A Velha, com a atriz Grace Gianoukas, tem sua temporada estendida até o dia 03/12. A comédia de autoria de Gabriel Chalita, com a colaboração de Michelle FerreiraFred Mayrink e, pela própria Grace Gianoukas, desembarca na capital paulista depois de reconhecida e aclamada passagem pelo Rio de Janeiro.  O espetáculo consolida a bem sucedida parceria entre Gianoukas e Mayrink, ocorrida na novela Haja Coração, da TV Globo, em 2016.

Hortance, A Velha

15977734_1725629537752689_8658408147152773133_nHortance é uma mulher pioneira, uma mulher empoderada, com uma alma livre,  a frente do seu tempo e que acabou vencendo diversas barreiras. Entre elas, foi expulsa de casa por ser “moderna demais”, tornou-se dona de um cabaré que recebeu diversas personalidades, como Shakespeare, Nero, Getúlio Vargas, Stalin, Sartre, Simone de Beauvoir e Che Guevara. Agora, quase centenária, revisita um apanhado de histórias que viveu e pessoas que conheceu. Mas Hortance já está um pouco esquecida, devido à idade, e confunde as histórias, os tempos e as biografias de todos que passaram por sua vida. A partir de todas estas lembranças, a Velha preenche os dias e reconstrói de maneira cômica e emocionante sua própria vida, afirmando a dignidade de envelhecer tendo-a vivida por inteiro.

Dentro das paredes do cabaré, Hortance vive com um amontoado de recordações que acumulou ao longo da vida, além da companhia da irmã Aliquianni e de um gambá. Ao mesmo tempo em que se encontra imersa nesse universo particular, ela não está sozinha, em um dos momentos mais tocantes, Hortance vê no público sua companhia como clientes do cabaré para recriar essa jornada. Com o mundo inteiro dentro dela, Hortance é uma mulher de todos os tempos, de grandes amores e fortes laços de amizade.

Hortance, A Velha é uma obra não realista que, de forma leve, cativante e descontraída, convida o público para uma reflexão espontânea sobre o envelhecimento natural, o envelhecimento com dignidade. A comédia provoca risos, emoções, uma mistura de sentimentos – assim como a vida. O espetáculo é uma grande homenagem às mulheres e às pessoas em geral que, conseguiram, apesar de todas as dificuldades, seguirem seus objetivos de corpo e alma, provando como vale a pena viver.

Para Gianoukas, Hortance é uma oportunidade: Tenho quase 34 anos de profissão e essa comédia veio como um abraço. Esse espetáculo amparado por todo mundo me dá a oportunidade de, como atriz, andar nessa estrada de sinuosas emoções.

Hortance, a Velha
Com Grace Gianoukas
Teatro Renaissance – Hotel Renaissance (Alameda Santos, 2233 – Jardim Paulista, São Paulo)
Duração 60 minutos
09/09 até 03/12
Sábado – 21h30, Domingo – 18h
$80
Classificação 14 anos

 

 

UMA NOITE COM MARCELO MANSFIELD

“Uma noite com Marcelo Mansfield” revive os grandes momentos do ator e traz novos quadros musicais e o momento “Piores Piadas”, que apesar do nome, arranca gargalhadas da plateia.

Aos textos sobre a vida e o cotidiano ele acrescenta criações inesquecíveis, como o Seu Merda, (depois Seu Banana no “Zorra Total”) , o Franklin Silveira, um colunista social que em seu programa de rádio destila o seu veneno em fofocas sobre os “Pobres e Anônimos” e o cantor de Mambo que mais se arruma do que canta.

O espetáculo estreou em Portugal em 2015, circulou pelo interior de São Paulo em 2016 e estreia agora para o grande público da capital  no dia 11 de fevereiro no teatro Renaissance, com sessões aos sábados, ás 23h59.

Marcelo Mansfield foi um dos pioneiros no gênero Stand Up no Brasil, lançando o Clube da Comédia há mais de 10 anos. São dele os solos “Nocaute” e “Como entrar mudo e sair calado”, além de ter integrado o elenco do show de humor “Terça Insana”.

Uma Noite com Marcelo Mansfield
Texto, direção e interpretação: Marcelo Mansfield
Teatro Renaissance – Hotel Renaissance (Alameda Santos 2233 – Jardins, São Paulo)
 Duração 60 minutos
11/02 até 06/05
Sábado – 23h59
$60
Classificação 14 anos

UMA SHIRLEY QUALQUER

Casada, mãe de dois filhos, Shirley Valentim (Susana Vieira) convive com o pior tipo de solidão: aquela que se sente mesmo estando acompanhado. E atire a primeira pedra quem nunca conversou com as paredes em uma situação como essas! Elas podem não ser as companheiras mais eloquentes, mas ao menos sabem ouvir – coisa rara hoje em dia. Que o diga Shirley! É com elas que a protagonista divide suas angústias, buscando entender aonde foram parar seus sonhos. E também as situações inusitadas e pra lá de engraçadas que marcam sua trajetória. Quando surge uma oportunidade de conhecer a Grécia com sua melhor amiga Wanda, sem a família, Shirley decide embarcar nessa viagem – uma divertida jornada ao encontro do seu verdadeiro eu.

Shirley está cansada da indiferença do marido, Joel, cuja principal preocupação é saber se terá carne no jantar. Os filhos Milandra e Jorge cresceram e só se lembram da mãe na hora dos problemas. Com o passar dos anos, no lugar da mulher cheia de anseios e vontade de viver fica aquela que se deixa levar por situações comuns do dia a dia, que nem de longe se parecem com as boas memórias que tem da juventude. E que mesmo assim não deixa a peteca cair.

Mas quando Shirley Valentim passou a ser uma Shirley qualquer? Atrás dessa resposta, ela cria coragem e embarca com destino à Grécia escondida de Joel. É um voo rumo à liberdade, à possibilidade de reencontro com a menina sonhadora e cheia de vida que Shirley foi um dia. E um passaporte para dias surpreendentemente fora do normal.

Os dilemas da protagonista são tão dela quanto nossos e podem fazer parte da rotina de qualquer espectador. Shirley fala do ser humano, daquele instante em que se percebe que o tempo passou e a vida ficou parada em alguma esquina. E mostra que nunca é tarde para recomeçar e tomar um bom vinho branco para encarar os fatos com leveza e bom humor, até quando tudo parece estar dando errado.

Bastidores

A intérprete da personagem-título, Susana Vieira, apaixonou-se pela peça à primeira leitura. “Quando Miguel me entregou o texto, fiquei encantada, fascinada pelo humor da personagem, pela força e coragem que ela tem de ir atrás da felicidade. Shirley vai à luta. Todas nós mulheres temos várias coisas dela, por mais diferentes que possamos ser”, conta. A atriz ressalta que, apesar da dureza da vida, Shirley jamais perde o bom humor. E, se as paredes são a companhia da personagem, Susana tem plateia como confidente: “É um monólogo, mas não me vejo sozinha em cena. Somos o público e eu”, celebra.

O texto passeia pela comédia com muita sutileza, gerando uma identificação imediata do público. A versão de Miguel Falabella, assim como o original de Willy Russel, traz um olhar afetivo sobre o ser humano e as relações familiares. Com uma abordagem longe de estereótipos e personagens cheios de verdade e sede de vida, o espectador é levado da gargalhada ao nó no peito em segundos. “O humor é a forma mais verdadeira e humana de chegar ao coração das pessoas”, exalta Falabella.

A parceria entre Susana e Miguel tem uma longa história e rendeu um dos maiores sucessos do teatro brasileiro: a peça “A Partilha” (1990), que gerou a bem sucedida continuação “A Vida Passa” (2000). “Eu e Susana tivemos um encontro de vida e estamos sempre juntos, é uma festa”, vibra Falabella. A recíproca é verdadeira e a atriz garante que trabalhar junto com o autor e diretor mudou sua carreira. “A minha vida artística se divide entre antes e depois do Miguel. Tenho uma carreira muito feliz, mas, fazendo ‘A Partilha’, ele nos uniu para sempre. É um prazer imenso, porque ele é um grande diretor, que tira o que o ator tem de melhor. E, como somos dois comediantes, damos risada de tudo o tempo todo. Temos o mesmo tempo de comédia. Somos amigos para sempre”, festeja Susana.

Uma Shirley Qualquer
Com Susana Vieira
Teatro Renaissance – Hotel Renaissance (Alameda Santos, 2233 – Jardins, São Paulo)
Duração 80 minutos
13/01 até 26/03 (exceto nos dias 17 a 26/02)
Sexta – 21h30; Sábado – 21h; Domingo – 18h30
$100
Classificação 12 anos
 
Versão Brasileira e Direção: Miguel Falabella
Produção Geral: Sandro Chaim
Cenário: Marco Aurélio Pacheco
Figurino: Karla Vivian
Designer de Luz: Adriana Ortiz
Trilha Sonora: Sérvulo Augusto
Produtor Executivo: Edgard Jordão
Realização: Chaim Produções
Assessoria de Imprensa: Mattoni Comunicação