NEM PRINCESAS NEM ESCRAVAS

No ciclo de comemorações de seus 40 anos de existência, o Teatro do Ornitorrinco estreia, em 19 de maio, no Teatro Sergio Cardoso, “Nem Princesas Nem Escravas”. O texto, inédito no Brasil, é de Humberto Robles, hoje o dramaturgo mexicano vivo mais montado em todo o mundo. Com tradução e direção geral de Cacá Rosset e produção de Christiane Tricerri (que também está no elenco), a montagem, que foi contemplada pela 6ª Edição do Prêmio Zé Renato de Teatro para a Cidade de São Paulo, aborda a resiliência e os conflitos femininos.

Como dramaturgia, o autor propõe um Teatro Cabaré, que vem de encontro com a pesquisa iniciada pelo Teatro do Ornitorrinco desde o início de sua formação, em 1977. Com três atrizes, performers, cantoras e dançarinas, a peça traz uma espécie de monólogos que se entrecruzam durante o decorrer do espetáculo, com cenografia, figurinos e músicas que dialogam com o cabaré alemão no sentido mais rigoroso e ao mesmo tempo popular da sua essência.

O diretor, vale lembrar, traz como referência, desde sua primeira montagem “Ornitorrinco canta Brecht e Weill”, o teatro de distanciamento brechtiano, envolvendo diretamente a plateia, as canções cabaretianas de Weill, o teatro poético e lírico de Karl Valentim e a Commedia Dell ‘ Arte em sua natureza crítica e carnavalesca ao longo de séculos de influência em todo o teatro moderno europeu. Nesta montagem, a luz também será criada como elemento revelador e enigmático, transportando a montagem ao clima noir que caracteriza o cabaré alemão e francês.

Sobre a escolha deste espetáculo, Rosset diz que, embora o autor tenha uma peça chamada “El Ornitorrinco”, ele se encantou por “Nem Princesas Nem Escravas”. Segundo o diretor, “o texto me captou pelo humor cáustico e farsesco e pela pegada, pois consegue ter um equilíbrio entre política, provocação e cinismo ao levar ao palco três mulheres em situações por vezes convencionais, por vezes adversas e que têm uma guinada em suas vidas. Além disso, é uma comédia rasgada, uma crítica social que permite o envolvimento direto com o público e, ainda, contribuir para que os espectadores tenham a experiência de contato e formação com esse universo do gênero Cabaré, um teatro político e dialético”, diz.

Christiane Tricerri reforça as palavras de Rosset em relação à atualidade e à relevância da peça. “A escolha de um texto é sempre um reflexo da atualidade. Esse protagonismo feminino fica muito claro na montagem. O espetáculo agradará a gregos e troianos, machistas e feministas. Minha personagem é Thelma Maria, uma servidora sexual que se transformará numa servidora pública: eu satisfazia a alguns, agora posso satisfazer a nação. Votem em mim para deputada no PM, Partido da Mãe”.

Além de Christiane Tricerri, que faz parte do Ornitorrinco desde a sua criação, o espetáculo conta com as atrizes Angela Dippe e Rachel Ripani.

O Teatro do Ornitorrinco traz, mais uma vez, um projeto instigante com um texto ácido em contato com seu tempo e seu público, propondo um espetáculo de rigor artístico sem perder de vista o popular. “Nem Princesas Nem Escravas” rompe paradigmas. Trata-se de puro “entretenimento transformacional”, segundo Rosset. A temporada se estenderá até 9 de julho.

A montagem foi contemplada com o Prêmio Zé Renato, criado em 2014, para apoiar a produção teatral da cidade de São Paulo, e está vinculado à Secretaria Municipal de Cultura.

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Nem Princesas Nem Escravas
Com Christiane Tricerri, Angela Dippe e Rachel Ripani
Teatro Sérgio Cardoso (Rua Rui Barbosa, 153 – Bela Vista, São Paulo)
Duração 90 minutos
19/05 até 09/07
Sábado – 19h30, Domingo – 16h, Segunda – 20h
$30
Classificação 14 anos

O INEVITÁVEL TEMPO DAS COISAS

Uma história de amor é apresentada em espaços atemporais desafiando as possibilidades de um tempo linear. A sobreposição de realidades assombra os personagens que buscam felicidade a dois. Em um espaço confinado o casal se debate num fluxo de memórias, projeções e novas chances para lidar com seus traumas e anseios.

Neste espetáculo de suspense psicológico, escrito por Wagner D’Avilla, dois desconhecidos sentem uma forte atração a partir de um Déjà Vu. Os desdobramentos desse encontro revelam os percalços de uma relação construída e desconstruída ao longo de anos. Os eventos desafiam a ideia de um tempo fixo, estático e imutável. Uma distopia futurista e sombria onde as possibilidades se multiplicam, contradizem e se sobrepõe. Com encenação de José Roberto Jardim esta peça amplia ainda mais as possibilidades de leitura, contrapondo o que é real, ilusão ou memória. A montagem ganha ainda mais potência com a videoinstalação, criada pelo premiado Coletivo BijaRi, que gera uma cenografia única dentro do Espaço Porão do Teatro Sérgio Cardoso, com apresentações às terças, quartas e quintas.

Em O Inevitável Tempo das Coisas uma história de amor é apresentada através de um caleidoscópio de recortes do passado, presente e futuro da vida de um casal. Uma mulher conhece por acaso um homem. Os dois sentem uma enorme atração e a partir desse momento os reencontros serão inevitáveis. Um caso que começa. Uma fuga covarde. A união, a filha, a traição, o acidente, a morte, o recomeço. O que é real? O que é projeção ou lembrança? O que é possível e o que deve ser simplesmente aceito. Como seria nossa vida hoje se algo do passado tivesse acontecido de maneira diferente? Como será o futuro? Trará a redenção ou estamos condenados a falhar e falhar repetidamente? Essas são as grandes questões que assombram os personagens desse espetáculo.

O autor Wagner D’Avilla conta que “uma frase quase popular dita por muitos de nós sem muita importância ao longo da vida foi o que me inspirou a escrever esse texto. ‘Tudo é uma questão de tempo’. Somos fascinados pelo tempo que é o grande condutor de nossa vida. Quantos de nós já não se perguntaram: e se pudéssemos voltar no tempo e mudar algo? Ou uma consulta aos astros, a cartomantes ou aos orixás para prever o futuro?”, comenta.

Neste espetáculo cabe ao público decidir o que é real ou não. Ou será que tudo é possível em um universo de realidades sobrepostas? O texto de D’Avilla foi inspirado em estudos de pesquisadores e suas teorias sobre o tempo. Entre eles, o pesquisador Philippe Verduyn, que conseguiu mensurar a duração de cada tipo de emoção humana, até o sociólogo e futurista Dr. Chet Snow, pioneiro em muitos campos da metafísica e que comprova a viagem no tempo através da regressão ou progressão de memória. “Propus uma guerra entre o discurso romântico e a ciência, entre a astrofísica e a espiritualidade, entre realidade e a memória. Um quebra-cabeça entre universos paralelos que aos poucos se encaixam disfarçados de destino”, continua o autor.

Sobre o elenco, o autor declara: “Escrevi este texto especialmente para Pedro e Natallia. Sou fã dos dois e pude os acompanhar em diferentes trabalhos. Quis propor algo novo que os provocasse como artistas e os levasse “literalmente” em uma viagem ao desconhecido”.

Antes de serem um casal, Natallia Rodrigues e Pedro Henrique Moutinho, se descobriram grandes parceiros artísticos. Os dois se conheceram atuando no espetáculo Divórcio! dirigido por Otávio Martins e depois voltaram a atuar juntos na peça Jogo Aberto dirigida por Isser Korik. Entretanto essa é a primeira vez que os dois estão sozinhos em cena. “A admiração mútua é um dos pilares da nossa união. E a cumplicidade que construímos em nossa vida privada nos fortalece no trabalho. A realização de uma obra de arte em conjunto é certamente uma conquista familiar, parte do nosso projeto de vida a dois e motivo de muita felicidade,” diz Pedro sobre trabalhar com a amada neste espetáculo.

Com este trabalho, José Roberto Jardim busca não só dirigir seus grandes amigos há mais de uma década e meia, Natallia e Pedro, mas como também assinar sua próxima obra teatral depois do seu premiado espetáculo Adeus, Palhaços Mortos.

Com este texto de Wagner D’Avilla, somado à cumplicidade e talento do casal protagonista, Jardim inicia sua encenação perseguindo pontos que são caros em sua pesquisa cênica, como a fragmentação narrativa, as partituras cênicas rigorosas e os deslocamentos vocais com suas exposições psicológicas. Junto a sua busca por uma plasticidade cênica, gera graus visuais, sonoros e emotivos singulares. Seus espetáculos propiciam, especialmente, uma experiência de outra ordem sensitiva à plateia.

Por esse motivo Jardim traz ao projeto parcerias que estabeleceu com sucesso em seus trabalhos anteriores, como o premiado coletivo de artistas plásticos visuais, BijaRi, que assina a cenografia e a vídeo instalação; também o renomado estilista João Pimenta; e a sua dupla na iluminação de cena, Paula Hemsi.

Minha vontade primeira, como diretor, é tentar conduzir o público a um outro estado perceptivo, por isso busco desenhar em cena atmosferas e ritmos sonoros que valorizem mais o que está submerso do que o apenas falado pelas personagens”, afirma Jardim. “Confinar Natallia e Pedro em um platô com menos de oito metros quadrados, por onde inúmeras projeções em vídeo serão jogadas, fazendo-os desenhar o espaço apenas com pouquíssimos gestos, além de suas vozes e tons, é o pedal para que a dúvida sobre escolhas e decisões, no período de suas vidas, cheguem até nós de maneira profundamente angustiante,” completa. “Neste espetáculo cada cena é um recorte num espaço-tempo descontínuo e fragmentado, são fotogramas vagando pelas memórias individuais deste casal, independentemente se estavam casados ou separados, se eram amantes ou desconhecidos, pois nunca conseguirão escapar da inevitável dúvida sobre o que significa viver neste mundo absurdo e vazio de significado,” conclui o diretor.

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O Inevitável Tempo das Coisas
Com Natallia Rodrigues e Pedro Henrique Moutinho
Teatro Sergio Cardoso – Espaço Porão (Rua Rui Barbosa, 153. Bela Vista, São Paulo)
Duração 60 minutos
03/04 até 24/05 (*não haverá sessão nos dias 01 e 10 de Maio*)
Terça, Quarta e Quinta – 20h
$40
Classificação 14 anos

 

AYRTON SENNA, O MUSICAL

Conhecido mundialmente como um dos maiores pilotos de Fórmula 1 de todos os tempos, Ayrton Senna inspirou gerações. Mas é a essência da personalidade e caráter de Ayrton, com espírito guerreiro e de solidariedade, o humor, amores e a relação com a família que o público poderá conhecer melhor em “Ayrton Senna, o musical”, produção da Aventura Entretenimento e Aventura Teatros, em parceria com a Família Senna e apresentado pelo Bradesco. O musical, com direção de Renato Rocha, entra em cartaz no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, no dia 16 de março.

O projeto tem patrocínio da Atlas Schindler, BMA, Rede D’Or São Luiz, Riachuelo, Sem Parar e Volkswagen Financial Services, apoio da Alelo, Momenta Farmacêutica, Timken e White Martins e aAvianca como transportadora oficial.

A superprodução reúne 26 atores em um espetáculo diferente, para toda a família, que conta a história por meio de acrobacias e efeitos especiais, integrando música, dança, teatro e circo.

Com texto e músicas inéditas de Claudio Lins e Cristiano Gualda, que dão o tom para contar a carreira do piloto por meio de uma linguagem artística, a trama acontece com duas histórias paralelas. De um lado temos Hugo Bonemer (Hair, Yank!, Rock in Rio, o musical e A Lei do Amor) como o Ayrton Senna, o atleta focado, perfeccionista, competitivo e louco por vitórias e do outro lado temos João Vitor Silva (Verdades Secretas e Rock Story) como Beco – apelido de Ayrton entre os mais próximos –, um jovem paulistano que trabalha com a família, com sonhos, valores e ideais. “Quisemos contar a história de uma pessoa comum que virou um herói nacional. E o Ayrton era isso, uma pessoa com dúvidas, medos, mas também inspiradora, que corria muito atrás dos seus sonhos e chegou no topo“, diz Claudio Lins. A narrativa traz grandes momentos da carreira e da vida de Ayrton Senna, como a relação dele com os pais e a emblemática vitória em Interlagos em 1991.

O espetáculo começa na última corrida de Ayrton, em Ímola, na Itália, e desenvolve com o que pode ter passado pela cabeça de Ayrton naquelas últimas cinco voltas. “É como se nessas últimas voltas ele se lembrasse dos principais momentos da vida dele, como uma retrospectiva”, comenta Aniela Jordan, sócia-diretora da Aventura Entretenimento. Cenários, sons e luzes envolvem e levam o público para dentro de uma corrida de Fórmula 1. Números aéreos e acrobacias representam no palco a velocidade que fazia parte da vida de Senna.

Responsável pela direção do espetáculo, Renato Rocha desenvolveu carreira internacional por quase 10 anos e é reconhecido por unir circo e teatro. O artista criou espetáculos em Londres (para a Royal ShakespeareCompany, The Roundhouse, LIFT (Festival Internacional de Teatro de Londres) e Circolombia), para a Bienal Internacional de Artes de Marselha, Teatro Nacional da Escócia, Festival Internacional de Dança de Leicester, União Européia e Unicef. “Para fazer um espetáculo sobre o Senna precisávamos usar muita velocidade, sons e luzes. Temos um espetáculo com muitos números aéreos e pendulares. Juntamos ferramentas de várias plataformas – teatro, o circo, a música e a dança – para essa grande homenagem a um dos nossos maiores heróis”, comenta o diretor.

Lavínia Bizzotto é a coreógrafa responsável pela construção e direção dos movimentos do espetáculo. A bailarina, atriz e coach corporal já ministrou cursos de dança contemporânea para a Intrépida Trupe e Cia de Dança Deborah Colker e traz toda a sua experiência para esta montagem. “Trabalhamos muito para a construção de uma coreografia forte, rápida e intensa”, comenta Lavínia. Para suporte circense à produção, Rodolfo Rangel integra a equipe como coach de acrobacia. O brasileiro integra a equipe de criação do Cirquedu Soleil e comanda o desenvolvimento acrobático do elenco. “Temos oito acrobatas já experientes no elenco e, além deles, aproveitamos para também capacitar alguns artistas que já têm uma aptidão física para a realização de alguns movimentos acrobáticos corretamente e com segurança”, disse Rodolfo.

No cenário, Gringo Cardia traz a referência às pistas de Fórmula 1 com os elementos que pertencem ao mundo da velocidade, como pneus, capacetes, boxes e faixas. Um pneu com 6m de altura e 3,5m de comprimento é um grande elemento acrobático em movimento e utilizado para as coreografias. Completam o cenário um painel de LED com 6m x 7,5m de altura e boxes – simulando garagens da F1 – montados nas laterais do palco, que abrigam a banda.

Para trazer o ar das passarelas para o palco, Dudu Bertholini assina o figurino do espetáculo. “Esse musical fala sobre o que o Senna representa para todos nós e ele representa superação, coragem, vitória e enfrentar os medos. Isso tudo é uma leitura mais sonhadora, mais poética, então tivemos a possibilidade de criar uma linguagem para esse musical que é o que a gente faz na passarela também”, conta o estilista. Para sustentar as coreografias rápidas e os movimentos acrobáticos, Dudu recorreu à tecnologia para a confecção das peças.  “Um exemplo é o macacão de piloto – que reproduzimos na forma – e colocamos tacos de malha na lombar, nas entrepernas e axilas para que eles possam executar os movimentos. Escolhemos matérias-primas que têm essa funcionalidade e esse conforto”, explica Bertholini.

Completam a equipe criativa o diretor musical Felipe Habib, a criação sonora de Daniel Castanheira, desenho de som do Carlos Esteves, desenho de luz de Renato Machado e o visagismo de Anderson Montes.

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Ayrton Senna, o Musical
Com Hugo Bonemer, Victor Maia, João Vitor Silva, Lucas Vasconcelos, Pepê Santos, Will Anderson, Leonardo Senna, Adam Lee, Ivan Vellame, Kiko do Valle, Natasha Jascalevich, Estrela Blanco, Karine Barros, Lana Rhodes, Bruno Carneiro, Douglas Cantudo, Juliano Alvarenga, Marcella Collares, Marcelinton Lima, Olavo Rocha, Laura Braga, João Canedo, Gabriel Demartine, Paula Raia, Norrana Hadassa e Pedro Valério Lopez.
Teatro Sérgio Cardoso (Rua Rui Barbosa, 153 – Bela Vista – São Paulo)
Duração 140 minutos
16/03 até 03/06
Quinta e Sexta – 20h30, Sábado – 17h e 21h, Domingo – 18h30
$50/$150
Classificação Livre

MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS

Após recente temporada de sucesso de crítica e público no Teatro Eva Herz, o solo cômico-musical Memórias Póstumas de Brás Cubas retorna aos palcos com duas sessões especiais no Teatro Sérgio Cardoso – Sala Paschoal Carlos Magno, nos dias 22 e 23 de novembro (quarta e quinta), às 20h.

O texto, adaptado pela diretora Regina Galdino e interpretado pelo ator Marcos Damigo, destaca a trajetória do anti-herói Brás Cubas, símbolo do homem burguês, sem escrúpulos e sem ética, que nos revela a continuidade de um comportamento oportunista que persiste no Brasil desde o século XIX.

O MUSICAL

Brás Cubas, o “defunto autor”, é um aristocrata medíocre, mas mesmo assim consegue, através do riso e da sedução, conquistar a empatia do público. Ele pertence a uma elite aventureira, dividida entre o desejo liberal e a prática escravocrata. A montagem traz uma visão moderna do romance baseada na carnavalização, salientando seu aspecto cômico-fantástico. A encenação realiza uma “conversa” entre quatro artes: o teatro, a literatura, a dança e a música, estas duas últimas especialmente ligadas à alma e à cultura brasileiras.

Em um solo vibrante, Marcos Damigo vive um Brás Cubas bem-humorado, irreverente, egoísta e amoral. Com uma narrativa não linear e fiel à obra original, o personagem dialoga com a plateia, canta, dança, discorre sobre seus envolvimentos amorosos e episódios de sua vida enquanto passeia pelas agruras da sociedade de seu tempo. “A recepção do público na temporada passada foi ótima: uma plateia muito jovem, evidentemente interessada pela obra por causa do vestibular, misturou-se a espectadores maduros, admiradores de Machado de Assis, e foi unânime o impacto causado pelo trabalho de Damigo, ator que está na plenitude do uso de seus recursos vocais e corporais para interpretar o imprevisível Brás Cubas, em cenas ora sérias, ora cômicas, ora fantásticas, ora musicais. Tanto na adaptação quanto na direção, minha concepção brechtiana – com destaque para os aspectos filosóficos da obra – exige do ator experiência, inteligência, despojamento e versatilidade, e Marcos Damigo está impressionante no papel do irônico defunto”, afirma Regina Galdino.

O monólogo traz à tona toda a atualidade deste livro genial de Machado de Assis, oferecendo ao público um olhar agudo sobre a sociedade brasileira do século XIX. A equipe conta com profissionais já conhecidos da cena paulistana: Damigo, que protagonizou Dom Casmurro em outra peça adaptada de Machado; o diretor musical e arranjador Pedro Paulo Bogossian; Mário Manga, que assina a música original; e Fábio Namatame na criação do figurino. Regina Galdino assinou e dirigiu, em 1998, uma montagem desta mesma adaptação da obra do célebre escritor carioca que repete a parceria de sucesso com Manga, Bogossian e Namatame. Interpretado por Cássio Scapin, o espetáculo recebeu vários prêmios e elogios da crítica.

Memórias Póstumas de Brás Cubas
Com Marcos Damigo
Teatro Sérgio Cardoso – Sala Paschoal Carlos Magno (R. Rui Barbosa, 153 – Bela Vista, São Paulo)
Duração 85 minutos
22 e 23/11
Quarta e Quinta – 20h
$50
Classificação 14 anos
 
*Dia 22/11 sessão com tradução em libras e 30 entradas gratuitas para deficientes auditivos.

RELICÁRIO

Em seu trabalho inaugural, A Musa Heroica Companhia de Teatro apresenta novas possibilidades estéticas e dramatúrgicas para a improvisação. Ao contrário da maioria de espetáculos desse gênero, que geralmente usam jogos de desafios para provocar a risada na plateia, Relicário mostra que também é possível empregar a linguagem do improviso teatral para criar cenas dramáticas, cômicas, naturalistas, etc.

A partir de inspirações fornecidas pelos espectadores de cada sessão, a trupe cria oito histórias curtas sobre o relacionamento entre várias mulheres – mães, filhas, amigas, irmã, colegas de trabalho, vizinhas, amantes – em diferentes situações cotidianas.

As 12 atrizes do elenco se revezam em cena (em trios, quartetos, duplas ou outras combinações) de acordo com as demandas de cada contexto proposto. Elas só sobem ao palco juntas no último quadro, um desafio maior em termos técnicos.

De acordo com a diretora Rhena de Faria, a ideia da peça é lançar um olhar feminino – sem pretensão panfletária ou sexista – sobre a arte de improvisar, que, na América Latina, é majoritariamente dominada por homens. “É ano de quebrarmos paradigmas e abrimos o leque de possibilidades na linguagem improvisacional. Felizmente há muita gente boa em São Paulo trabalhando duramente para que isto aconteça”, diz.

Como não há qualquer script pré-estabelecido, os gestos, as palavras e as mínimas ações das personagens são usados para criar uma dramaturgia totalmente espontânea. Até a iluminação precisa corresponder ao que está sendo representado ou mesmo propor algo que auxilie o elenco no desenvolvimento da narrativa. Por isso, o grupo convidou o iluminador-improvisador Diego Rocha, que já operou a luz de vários espetáculos do gênero, como “Improvável”, da Cia Barbixas de Humor.

Relicário foi contemplado pela 5ª edição do Prêmio Zé Renato de apoio à produção e desenvolvimento da atividade teatral para a cidade de São Paulo.

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Relicário
Com Anah Laise, Carolina Holly, Cimara Fróis, Cintia Portella, Juliana Mesquita, Luciana Esposito, Maíra De Grandi, Michelle Gallindo, Paula Silvestre, Priscila Muniz, Tamara Borges e Vanessa Corrêa
Teatro Sérgio Cardoso – Sala Paschoal Carlos Magno (R. Rui Barbosa, 153 – Bela Vista, São Paulo)
Duração 55 minutos
07 a 29/10
Sábado – 20h, Domingo – 19h30
$20
Classificação 14 anos

VAMP, O MUSICAL (COLETIVA)

Na tarde desta terça feira, 12 de setembro, foi apresentada a imprensa a coletiva de “Vamp, o Musical“.

Inspirada nos 25 anos da novela, o diretor Jorge Fernando e os atores Claudia Ohana e Ney Latorraca voltam a interpretar personagens clássicos da obra que mexeu com o país.

Jorge Fernando, que está se recuperando do AVC que teve, foi quem apresentou os números e iniciou a conversa com a imprensa. Claudia Ohana e elenco interpretaram “Noite Preta” (tema da novela) e depois Ney Latorraca com elenco fizeram uma versão brasileira de “Thriller” (Michael Jackson).

Abaixo os dois números e algumas fotos da coletiva.

Fotos

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Vamp, o Musical
Com Ney Latorraca, Claudia Ohana, Claudia Netto, Helga Nemeczyk, Luciano Andrey, Erika Riba, Pedro Henrique Lopes, Kevin Vechiatto, Livia Dabarian, Franco Kuster, Osvaldo Mil, Gabriella Di Grecco, Oscar Fabião, Isa Pagnota, Thais Morello, Kaleb Figueiredo, Gabriel Cordeiro, Talitha Pereira, Mari Amaral, Nathalia Serra, Giselle Lima, Vanessa Costa, Raquel Higa, Carol Botelho, Natacha Travassos, Renan Mattos, Lucas Nunes, Gabriel Querino, Fabio Cador, Daniel Cabral, Murilo Armacollo e Gustavo Della Serra.
Teatro Sérgio Cardoso (Rua Rui Barbosa, 153 – Bela Vista – São Paulo)
Duração 140 minutos
15/09 até 29/10
Sexta – 20h30; Sábado – 17h e 21h; Domingo – 16h30
$40/$150
Classificação Livre

NÃO SOMOS AMIGAS

Não Somos Amigas desafia o público a desvendar a relação entre duas mulheres que discutem em um apartamento perto do aeroporto.  É um labirinto retórico onde amor e ódio se revezam, colocando à prova nossas certezas sobre o significado do amor incondicional. Afinal, quem são elas, por que estão ali e o que realmente está acontecendo? 
 
De Michelle Ferreira, a peça volta ao cartaz no dia 16 de setembro de 2017 no Teatro Sérgio Cardoso (Sala Paschoal Magno). A peça tem direção de Maria Maya e o elenco é formado por Lulu Pavarin e Sabrina Greve.
 
Depois de mais de dez textos escritos e encenados, no Brasil e no exterior, Michelle Ferreira inaugura uma nova fase do seu trabalho: a escalada irracional. “O irracional nos guia mais, não necessariamente melhor, mas bem mais do que o racional. Temos que admitir que a racionalidade não é uma grande coisa e nem nos levou a um lugar tão elevado. Muitas vezes desprezamos o corpo e suas sensações, e somos domesticados por primícias que nem se quer acreditamos. O espetáculo é que fala da vida e da morte, emociona o público e o leva à reflexão. É um tratado de memória, de conflito e de amor, com o qual é possível dialogar com as sensações de quem assiste”.
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Não Somos Amigas
Com Lulu Pavarin e Sabrina Greve
Teatro Sérgio Cardoso – Sala Paschoal Magno (R. Rui Barbosa, 153 – Bela Vista, São Paulo)
Duração 60 minutos
16/09 até 02/10
Sábado – 20h, Domingo – 19h30, Segunda – 20h
$40
Classificação 16 anos