REFÚGIO

Sem nenhum motivo aparente pessoas começam a ir embora, sem explicações. Parecem ter sido sequestradas ou mortas, mas nada é muito claro. Uma mulher procura entender o que está acontecendo, seu marido a acompanha nesta busca. O mundo ao redor deles caminha para uma completa desestruturação, e ela mergulha cada vez mais em uma angústia sem solução onde o suspense é cada vez mais crescente.

O clima de mistério permeia o espetáculo Refúgio, de Alexandre Dal Farra, que volta em cartaz para temporada de 12 de setembro a 3 de outubro,  no Teatro Sérgio Cardoso. As sessões acontecem às terças e quartas, às 19h30. No elenco estão Marat DecartesFabiana GugliAndre Capuano Carla Zanini e Clayton Mariano.

Na trama, nada se explica completamente. A linguagem lacunar das personagens não se deve às suas características psicológicas, mas sim a uma indefinição objetiva da própria realidade. A peça flerta com o ambiente do Cinema Noir de diretores como Alfred Hitchcock e com o Teatro do Absurdo de Samuel Beckett. “Se existiu um teatro do pós-guerra, que tentava dar conta da experiência catastrófica da guerra, aqui é como se estivéssemos olhando para a possibilidade de um conflito iminente, como um ‘teatro pré-guerra’. O texto fala de um mundo que se acabou, de um momento histórico em que a esperança de um capitalismo com face humana caiu por terra”, comenta Dal Farra.

A ideia é explorar em cena duas concepções diferentes de refúgio para discutir a desestruturação simbólica do cotidiano. “Tratamos da ambiguidade entre dois sentidos da palavra refúgio: uma opção de fuga de um lugar em que não se quer/pode ficar ou como um espaço em que se fica para fugir de uma situação. É por causa desse sentido amplo que o refúgio se dá em um ambiente aparentemente cotidiano. Não se trata de uma guerra ou algo destrutivo, mas sim de uma espécie de desagregação sutil da estrutura do próprio cotidiano”, explica o autor.

Para criar esse ambiente, a iluminação e a cenografia transmitem ao espectador uma sensação de espera em um lugar entre dois mundos. “Essa casa vai diminuindo até chegar a prensar as personagens até que eles quase não caibam ali. A música também ajuda a reproduzir essa sensação de crescente claustrofobia. Os figurinos sugerem certa violência e um ambiente belicoso de maneira sutil e algo subterrânea, que tensiona as características reais das personagens, dando sinal da tensão que sustenta a peça como um todo”, acrescenta.

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Refúgio

Com Fabiana Gugli, Marat Descartes André Capuano, Carla Zanini e Clayton Mariano

Teatro Sérgio Cardoso – Sala Paschoal Magno (Rua Rui Barbosa, 153 – Bela Vista, São Paulo)

Duração 75 minutos

12/09 até 03/10

Terça e Quarta – 19h30

$50

Classificação 14 anos

A[R]MAR

É possível ter o controle no jogo da vida? Está no outro aquilo que me falta? É possível nascer uma paixão em um minuto? Como armar estratégias para chegar até o outro? Essas e outras questões norteiam A[R]MAR, o novo trabalho da Suacompanhia, livremente inspirado no conto “Manuscrito Achado Num Bolso”, do escritor argentino Julio Cortázar (1914-1984). Com dramaturgia e direção de Paulo Azevedo, a peça estreia no dia 7 de setembro no Teatro Sérgio Cardoso.

O elenco é formado por Rita Pisano e Bruno Perillo, além de uma equipe de criação com reconhecida trajetória que acumulam diversos prêmios, como APCA, Shell, Qualidade Brasil e Sharp.

A montagem explora a mesma situação do conto de Cortázar: um homem cria regras para um jogo nas estações de metrô na tentativa de encontrar a mulher de sua vida. Ao encontrá-la e perceber o risco da reciprocidade no afeto, ele expõe sua estratégia de aproximação e recua diante do amor, voltando ao início do jogo.

Os dois protagonistas – ELA e ELE – são colocados em ação em quadros simultâneos, ora em diálogo com o público, ora consigo mesmos, ora em diálogo entre si. O espectador é o único com uma visão geral da narrativa, como se observasse a cena de longe no metrô. É um cúmplice de um jogo com várias peças para montar.

A encenação extrapola a discussão sobre gênero e foca nas tentativas do ser humano de se colocar em diálogo e afeto com o outro. Os planos distintos – pensar, falar e agir – aprofundam esses dois personagens, revelando seus julgamentos, preconceitos e desejos mais íntimos, quando tornam concretas as situações imaginárias, como frestas da realidade. Esses acontecimentos ilusórios tornam a complexidade da mítica romântica amorosa uma tragédia reconhecível e bem-humorada.

A estrutura cênica é armada por meio de jogos teatrais que possibilitam múltiplas de leituras sobre a narrativa e as relações contemporâneas (para além de um jogo amoroso), sem conclusões sobre as razões que movem as personagens.

O texto me provocou a pensar a metáfora do jogo da vida com o próprio jogo da cênico, no qual se estabelece regras para nortear nossas relações, os códigos que guiam o ator para se colocar na cena para tornar algo sincero, com entrega, a cada apresentação. Essa ideia “cortaziana” de que a casualidade é o principal determinante da nossa vida e entender que viver é uma diversão, é um jogo, na qual os encontros acontecem casualmente, no meio de um lance do jogo. O próprio título do espetáculo já propõe um jogo: A[R]MAR. É possível armar estratégias para o amor? Amar é uma arma? Amar talvez seja o que há de mais político. Por isso, a política, no sentido mais amplo de um conjunto de regras ou normas de uma determinada instituição, seja o que há de mais complexo e difícil de viver”, comenta o diretor.

A casualidade é assumida como determinante da vida. Já o jogo é tido como uma metáfora para a imprevisibilidade do viver: as pessoas devem escolher suas peças de acordo com as variáveis apresentadas a cada momento. É preciso buscar o controle, o domínio dos sentidos previstos para a cena, mas contar com o caos; planejar os passos, mas deparar com a queda; afetar-se por uma vivência imprevista.

Criamos alguns disparadores para que os atores improvisassem cenas que revelassem as nossas visões sobre os temas abordados, sendo o principal deles, a tentativa de se relacionar, de ir até o outro e todo o risco que isso envolve. A dramaturgia é formada por cenas, em que cada      ‘peça’ tem como ‘motor’ um jogo (Caça x Caçador, Dança das Cadeiras, Jogo do Dicionário etc), inclusive com lacunas para que os intérpretes possam improvisar e se manter em estado de jogo a cada sessão, como numa jam session. A própria encenação    ‘brinca’ com outros elementos para que o espectador possa ir juntando as peças da história de duas pessoas, que criaram esse jogo de ‘retorno eterno’ para não se separar, rememorando tudo desde a primeira vez em que se viram num vagão de um metrô”, acrescenta Azevedo.

Além da obra de Cortázar, a encenação teve influências de trechos icônicos de filmes, como “A Dupla Vida de Veronique”, de  Krzysztof Kieslowski; “8 e ½”, de Federico Fellin; e “Brilho Eterno de Uma mente Sem Lembranças”, de Michel Gondry, que serviram para embasar alguns dos jogos entre os personagens.

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A[R]MAR

Com Rita Pisano e Bruno Perillo

Teatro Sérgio Cardoso – Sala Paschoal Carlos Magno (Rua Rui Barbosa, 153 – Bela Vista, São Paulo)

Duração 70 minutos

07/09 até 01/10

Sexta e Sábado – 19h30, Domingo – 20h, Segunda – 19h30

$40

Classificação 14 anos

ADMIRÁVEL NINO NOVO

Ator e diretor de teatro, Cassio Scapin coleciona mais de 60 diferentes personagens em seu currículo, entre teatro, TV e cinema, dos mais variados tipos, como Ary Barroso, Jânio Quadros, Santos Dummont, Miriam Muniz na peça Eu não dava praquilo, Olavo Bilac, Brás Cubas na peça Memórias Póstumas, Urbano Madureira no Sítio do Pica Pau Amarelo, até um traficante chinês além dos vários personagens da peça O Mistérios de Irma Vap, entre tantos outros. Já recebeu 4 indicações ao Prêmio Shell, ganhando 1, e 4 indicações ao Prêmio APCA, ganhando 2. Além de ganhar também os prêmios Mambembe de teatro infantil, Arte Qualidade Brasil, Governador do Estado e 4 APETESP.

Para comemorar seus 36 anos de carreira, Cassio trouxe de volta aos palcos uma de suas mais importantes criações, depois de 20 anos sem interpretá-lo. O mais conhecido e querido personagem, do já legendário Castelo Rá Tim Bum, está de volta numa sensacional aventura inédita, com texto e direção de Mauricio Guilherme e produção de Rodrigo Velloni.

Numa arrojada iniciativa e acompanhado apenas do invisível Espírito da Aventura (na voz de Ney Matogrosso), o aprendiz de feiticeiro deixa o Castelo para cair na estrada e assim descobrir o sentido e a sensação do que é uma verdadeira aventura.

Como escolher para onde ir? Como se guiar? Que roupas levar? Com que meio de transporte? São tantas as perguntas para responder. E as possibilidades também. Sendo então nosso protagonista um jovem mágico, estas possibilidades se multiplicam em inúmeras outras.

Seja numa noite estrelada, num deserto escaldante, no alto do Monte Everest, no espaço sideral e até no fundo do mar, entre muitos outros lugares, explorar o desconhecido é o lema dessa viagem. Através de um novo olhar, Nino vai descobrindo o que é diferente no mundo e o que também pode vir a ser. Uma lição básica para todos que embarcam numa nova jornada, como a dele.

A montagem mostra um jeito completamente novo de reencontrar um velho amigo através de projeções arrojadas, truques cênicos, trilha especialmente composta e a presença do talento único de Cássio Scapin, o Nino original da série da TV Cultura que foi ao ar a partir de 1994, com inúmeras reprises até o dia de hoje, sendo considerado um dos melhores produtos audiovisuais da história da televisão brasileira.

Nino, o eterno menino de 300 anos, convida a todos para este reencontro nos palcos do Teatro das Artes. Crianças, jovens e (claro!) adultos também.

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Admirável Nino Novo

Com Cassio Scapin e Ney Matogrosso (off)

Teatro Sérgio Cardoso – Sala Sérgio Cardoso (Rua Rui Barbosa, 153. Bela Vista, São Paulo)

Duração 60 minutos

18/08 até 14/10

Sábado e Domingo – 12h

 

$30

Classificação Livre

**Atenção: Sessões extras nos feriados dos dias 07 de Setembro e 12 de Outubro, às 12h**

A VISITA DA VELHA SENHORA

Encenar a Visita depois de A Alma Boa e Galileu é quase como finalizar uma trilogia” – diz Denise Fraga.  “A trilogia de nosso eterno dilema entre a ética e o ganha pão.”

Em A Alma Boa de Setsuan, de Bertolt Brecht, espetáculo visto por mais de 220.000 pessoas, entre os anos de 2008 e 2010, a personagem principal perguntava: Como posso ser boa se eu tenho que pagar o aluguel? Como posso ser bom e sobreviver no mundo competitivo em que vivemos?

Em Galileu Galilei, também de Brecht, espetáculo que esteve um ano e oito meses em cartaz e foi visto por mais de 140.000 pessoas, o tema é revisitado: Como posso ser fiel ao que penso sem sucumbir ao poder econômico e político vigente? Como manter meus ideais comprando meu vinho bom?

Agora chega A Visita da Velha Senhora, nova parceria e patrocínio do Banco Bradesco, com 13 atores em cena, em que Friedrich Dürrenmatt expõe a fragilidade de nossos valores morais e de nossa noção de justiça quando a palavra é dinheiro. A protagonista da peça é quase a encarnação mítica do poder material, a milionária Claire Zachanassian, vivida por Denise Fraga, que com seu bilhão põe em xeque a cidade de Güllen.

O enredo é aparentemente simples. Os cidadãos de Güllen, uma cidade arruinada, esperam ansiosos a chegada da milionária que prometeu salvá-los da falência. No jantar de boas-vindas, Claire Zachanassian impõe a condição: doará um bilhão à cidade se alguém matar Alfred Krank, o homem por quem foi apaixonada na juventude e que a abandonou grávida por um casamento de interesse. Ouve-se um clamor de indignação e todos rejeitam a absurda proposta.  Claire, então, decide esperar, hospedando-se com seu séquito no hotel da cidade.

A partir dessa premissa, o suiço Friedrich Dürrenmatt nos premia com uma obra-prima da dramaturgia, construindo uma rede de cenas que se entrelaçam, cheias de humor e ironia, um desfile de personagens humanos e reconhecíveis que pouco a pouco, vão escancarando a nossa fragilidade diante do grande regente de nossas vidas: o dinheiro. Quem mata Krank?  Cairá Güllen na tentação de satisfazer o desejo de vingança da milionária?  Ou fará justiça?  O que é fazer justiça?  Até que ponto a linha ética se molda ao poder dinheiro?

Dürrenmatt caracteriza A Visita da Velha Senhora como uma comédia trágica e com seu humor cáustico nos pergunta: Até onde nos vendemos para poder comprar? Como o poder e o dinheiro vão descaracterizando os nossos ideais?   Por outro lado, quanto nos custa a não submissão?  O texto se desenrola abrindo ainda outros ramos de reflexão.  Dürrenmatt era completamente obcecado pela questão da justiça e as sutilezas de suas fronteiras. O que é justo? O que significa justiça em nossos tempos? Até que ponto o valor moral da justiça se adequa ao poder?  Reconhecível no Brasil nos dias de hoje? A Visita da Velha Senhora expõe questões que sempre estiveram em pauta na história da humanidade, mas que caem como uma luva em nossos tão tristes tempos.

Acredito no poder de transformação pela arte. Na formação do indivíduo pela arte. O teatro como espelho do mundo, nos fazendo rir para nos reconhecer, dando voz a nossa angústia, dando palavras àquilo que pensamos e não sabemos dizer. O humor e a poesia nos ajudando a elaborar o pensamento para agir, para transformar, para viver criativamente, para por a mão da massa da nossa história”, afirma Denise Fraga. “Depois de dois anos e meio de A Alma Boa de Setsuan, de Bertolt Brecht, e um ano e meio de Galileu Galilei, do mesmo gênio alemão, sou mais uma vez surpreendida pela potente atualidade de um clássico. Não foi por acaso que cheguei a Dürrenmatt. Foi discípulo, bebeu em Brecht. Lá está o mesmo fino humor, a mesma ironia e teatralidade. Dürrenmatt também se faz valer do entretenimento para arrebatar o público para a reflexão”.

É natural finalizar tal “trilogia” com a obra máxima de Dürrenmatt. Como Brecht, Dürrenmatt é mestre em dissecar as relações de poder e os conflitos morais em suas obras, em questionar o papel do herói e a sua necessidade para uma sociedade justa, em fazer uso do humor para gerar reflexão. Nas três peças: Alma Boa, Galileu Galilei e A Visita da Velha Senhora, tudo isso está explícito. A diferença é que Brecht prefere desconstruir as ilusões de que nos alimentamos e propor uma possível transformação, enquanto Dürrenmatt as mantém vivas e ri delas por serem apenas isso: ilusões, enganos pelos quais lutamos e sempre lutaremos.

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A Visita da Velha Senhora

Com Denise Fraga, Tuca Andrada, Fábio Herford, Romis Ferreira, Eduardo Estrela, Maristela Chelala, Renato Caldas, Beto Matos, David Taiyu, Luiz Ramalho, Fernando Neves, Fábio Nassar e Rafael Faustino

Teatro Sergio Cardoso – Sala Sérgio Cardoso (Rua Rui Barbosa, 153. Bela Vista, São Paulo)

Duração 120 minutos

03/08 até 30/09

Sexta – 21h, Sábado – 17h e 21h, Domingo – 18h

$40/$80

Classificação 14 anos

*Todas as sessões de agosto às 17h terão disponíveis: áudio descrição e intérprete em libras*

PROJETO RASTEJAR

O Projeto Rastejar é um trabalho coletivo do autor e diretor Wagner Menddes Vasconcelos, dos atores Dani Correa e José Alessandre e do músico Yussuf Farham. Ele foi apresentado pela primeira vez em 2017, na época com três atores em cena, e volta agora para uma nova temporada no Teatro Sérgio Cardoso, com estreia no dia 4 agosto.

Este projeto é literalmente um work in progress, por isso o público pode se preparar para ver um novo espetáculo”, fala Vasconcelos, que vê o espaço em que a peça será apresentada, a Sala de Ensaio do Sérgio Cardoso, como um presente. “Nada mais coerente com este trabalho que estamos apresentando”, completa.

Sinopse

Dois atores e um músico ensaiam um espetáculo que pretende tematizar as conflituosas relações humanas no mundo contemporâneo por meio de uma trama intitulada “Sinhazinha”, que remonta ao período escravagista brasileiro e aborda um triângulo amoroso entre uma jovem sinhá e dois de seus escravos. Um dos atores, em crise e impactado pelo processo criativo, coloca em xeque os seus valores, os da profissão e os do próprio teatro.

A concepção do projeto partiu da ação de “rastejar” como uma atitude de transformação, um genuíno recomeço: a resposta do ser humano ao seu próprio esgotamento e à falência dos caminhos possíveis de seguir na vida. Assim como o ator tem que se esvaziar e se perceber para criar seu personagem, o ser humano contemporâneo, mergulhado no excesso de signos e no vazio de significados, talvez tenha que reinventar a sua jornada, mais conectado com a sua identidade e mais atento à sua própria “terra”, que pode tanto ser o seu corpo, as suas emoções quanto o seu país.

No espetáculo teatral Projeto Rastejar, atores e personagens se unem em um ritual de reiniciação em que o momento da descoberta vale tanto quanto a montagem em si. Busca-se o resgate de uma humanidade que o ser contemporâneo parece perder a cada dia. Propõe-se um metateatro no qual o público será, pouco a pouco, envolvido pelos atores e por suas relações com os personagens que, por sua vez, serão como fragmentos soltos dos próprios atores.

Com música ao vivo, o espetáculo abraça as linguagens do teatro dramático, do teatro gestual, daperformance e da dança para construir um mosaico de sensações que pretende, mais do que encerrar sentidos, instigar.

A ideia é proporcionar ao espectador um quebra-cabeça sensorial, com uma inequívoca densidade corporal e emocional, para que ele mesmo o possa montar, conforme sentir-se instigado para tal. Mais do que querer dizer e fazer sentido, queremos fazer sentir: que o público sinta-se conectado, de alguma maneira, a alguns dos elementos propostos pela encenação.

O Projeto Rastejar é o primeiro espetáculo do Grupo Golpeia de Teatro, formado pelos intérpretes criadores Dani Corrêa e José Alessandre, pelo diretor e autor Wagner Mendes Vasconcelos e o músico Yussuf Farham.

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Projeto Rastejar

Com Dani Corrêa e José Alessandre

Teatro Sérgio Cardoso – Sala de Ensaio (R. Rui Barbosa, 153 – Bela Vista, São Paulo)

Duração 60 minutos

04 a 26/08

Sábado – 20h, Domingo – 17h

$40

Classificação 14 anos

NEM PRINCESAS NEM ESCRAVAS

No ciclo de comemorações de seus 40 anos de existência, o Teatro do Ornitorrinco estreia, em 19 de maio, no Teatro Sergio Cardoso, “Nem Princesas Nem Escravas”. O texto, inédito no Brasil, é de Humberto Robles, hoje o dramaturgo mexicano vivo mais montado em todo o mundo. Com tradução e direção geral de Cacá Rosset e produção de Christiane Tricerri (que também está no elenco), a montagem, que foi contemplada pela 6ª Edição do Prêmio Zé Renato de Teatro para a Cidade de São Paulo, aborda a resiliência e os conflitos femininos.

Como dramaturgia, o autor propõe um Teatro Cabaré, que vem de encontro com a pesquisa iniciada pelo Teatro do Ornitorrinco desde o início de sua formação, em 1977. Com três atrizes, performers, cantoras e dançarinas, a peça traz uma espécie de monólogos que se entrecruzam durante o decorrer do espetáculo, com cenografia, figurinos e músicas que dialogam com o cabaré alemão no sentido mais rigoroso e ao mesmo tempo popular da sua essência.

O diretor, vale lembrar, traz como referência, desde sua primeira montagem “Ornitorrinco canta Brecht e Weill”, o teatro de distanciamento brechtiano, envolvendo diretamente a plateia, as canções cabaretianas de Weill, o teatro poético e lírico de Karl Valentim e a Commedia Dell ‘ Arte em sua natureza crítica e carnavalesca ao longo de séculos de influência em todo o teatro moderno europeu. Nesta montagem, a luz também será criada como elemento revelador e enigmático, transportando a montagem ao clima noir que caracteriza o cabaré alemão e francês.

Sobre a escolha deste espetáculo, Rosset diz que, embora o autor tenha uma peça chamada “El Ornitorrinco”, ele se encantou por “Nem Princesas Nem Escravas”. Segundo o diretor, “o texto me captou pelo humor cáustico e farsesco e pela pegada, pois consegue ter um equilíbrio entre política, provocação e cinismo ao levar ao palco três mulheres em situações por vezes convencionais, por vezes adversas e que têm uma guinada em suas vidas. Além disso, é uma comédia rasgada, uma crítica social que permite o envolvimento direto com o público e, ainda, contribuir para que os espectadores tenham a experiência de contato e formação com esse universo do gênero Cabaré, um teatro político e dialético”, diz.

Christiane Tricerri reforça as palavras de Rosset em relação à atualidade e à relevância da peça. “A escolha de um texto é sempre um reflexo da atualidade. Esse protagonismo feminino fica muito claro na montagem. O espetáculo agradará a gregos e troianos, machistas e feministas. Minha personagem é Thelma Maria, uma servidora sexual que se transformará numa servidora pública: eu satisfazia a alguns, agora posso satisfazer a nação. Votem em mim para deputada no PM, Partido da Mãe”.

Além de Christiane Tricerri, que faz parte do Ornitorrinco desde a sua criação, o espetáculo conta com as atrizes Angela Dippe e Rachel Ripani.

O Teatro do Ornitorrinco traz, mais uma vez, um projeto instigante com um texto ácido em contato com seu tempo e seu público, propondo um espetáculo de rigor artístico sem perder de vista o popular. “Nem Princesas Nem Escravas” rompe paradigmas. Trata-se de puro “entretenimento transformacional”, segundo Rosset. A temporada se estenderá até 9 de julho.

A montagem foi contemplada com o Prêmio Zé Renato, criado em 2014, para apoiar a produção teatral da cidade de São Paulo, e está vinculado à Secretaria Municipal de Cultura.

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Nem Princesas Nem Escravas
Com Christiane Tricerri, Angela Dippe e Rachel Ripani
Teatro Sérgio Cardoso (Rua Rui Barbosa, 153 – Bela Vista, São Paulo)
Duração 90 minutos
19/05 até 09/07
Sábado – 19h30, Domingo – 16h, Segunda – 20h
$30
Classificação 14 anos

O INEVITÁVEL TEMPO DAS COISAS

Uma história de amor é apresentada em espaços atemporais desafiando as possibilidades de um tempo linear. A sobreposição de realidades assombra os personagens que buscam felicidade a dois. Em um espaço confinado o casal se debate num fluxo de memórias, projeções e novas chances para lidar com seus traumas e anseios.

Neste espetáculo de suspense psicológico, escrito por Wagner D’Avilla, dois desconhecidos sentem uma forte atração a partir de um Déjà Vu. Os desdobramentos desse encontro revelam os percalços de uma relação construída e desconstruída ao longo de anos. Os eventos desafiam a ideia de um tempo fixo, estático e imutável. Uma distopia futurista e sombria onde as possibilidades se multiplicam, contradizem e se sobrepõe. Com encenação de José Roberto Jardim esta peça amplia ainda mais as possibilidades de leitura, contrapondo o que é real, ilusão ou memória. A montagem ganha ainda mais potência com a videoinstalação, criada pelo premiado Coletivo BijaRi, que gera uma cenografia única dentro do Espaço Porão do Teatro Sérgio Cardoso, com apresentações às terças, quartas e quintas.

Em O Inevitável Tempo das Coisas uma história de amor é apresentada através de um caleidoscópio de recortes do passado, presente e futuro da vida de um casal. Uma mulher conhece por acaso um homem. Os dois sentem uma enorme atração e a partir desse momento os reencontros serão inevitáveis. Um caso que começa. Uma fuga covarde. A união, a filha, a traição, o acidente, a morte, o recomeço. O que é real? O que é projeção ou lembrança? O que é possível e o que deve ser simplesmente aceito. Como seria nossa vida hoje se algo do passado tivesse acontecido de maneira diferente? Como será o futuro? Trará a redenção ou estamos condenados a falhar e falhar repetidamente? Essas são as grandes questões que assombram os personagens desse espetáculo.

O autor Wagner D’Avilla conta que “uma frase quase popular dita por muitos de nós sem muita importância ao longo da vida foi o que me inspirou a escrever esse texto. ‘Tudo é uma questão de tempo’. Somos fascinados pelo tempo que é o grande condutor de nossa vida. Quantos de nós já não se perguntaram: e se pudéssemos voltar no tempo e mudar algo? Ou uma consulta aos astros, a cartomantes ou aos orixás para prever o futuro?”, comenta.

Neste espetáculo cabe ao público decidir o que é real ou não. Ou será que tudo é possível em um universo de realidades sobrepostas? O texto de D’Avilla foi inspirado em estudos de pesquisadores e suas teorias sobre o tempo. Entre eles, o pesquisador Philippe Verduyn, que conseguiu mensurar a duração de cada tipo de emoção humana, até o sociólogo e futurista Dr. Chet Snow, pioneiro em muitos campos da metafísica e que comprova a viagem no tempo através da regressão ou progressão de memória. “Propus uma guerra entre o discurso romântico e a ciência, entre a astrofísica e a espiritualidade, entre realidade e a memória. Um quebra-cabeça entre universos paralelos que aos poucos se encaixam disfarçados de destino”, continua o autor.

Sobre o elenco, o autor declara: “Escrevi este texto especialmente para Pedro e Natallia. Sou fã dos dois e pude os acompanhar em diferentes trabalhos. Quis propor algo novo que os provocasse como artistas e os levasse “literalmente” em uma viagem ao desconhecido”.

Antes de serem um casal, Natallia Rodrigues e Pedro Henrique Moutinho, se descobriram grandes parceiros artísticos. Os dois se conheceram atuando no espetáculo Divórcio! dirigido por Otávio Martins e depois voltaram a atuar juntos na peça Jogo Aberto dirigida por Isser Korik. Entretanto essa é a primeira vez que os dois estão sozinhos em cena. “A admiração mútua é um dos pilares da nossa união. E a cumplicidade que construímos em nossa vida privada nos fortalece no trabalho. A realização de uma obra de arte em conjunto é certamente uma conquista familiar, parte do nosso projeto de vida a dois e motivo de muita felicidade,” diz Pedro sobre trabalhar com a amada neste espetáculo.

Com este trabalho, José Roberto Jardim busca não só dirigir seus grandes amigos há mais de uma década e meia, Natallia e Pedro, mas como também assinar sua próxima obra teatral depois do seu premiado espetáculo Adeus, Palhaços Mortos.

Com este texto de Wagner D’Avilla, somado à cumplicidade e talento do casal protagonista, Jardim inicia sua encenação perseguindo pontos que são caros em sua pesquisa cênica, como a fragmentação narrativa, as partituras cênicas rigorosas e os deslocamentos vocais com suas exposições psicológicas. Junto a sua busca por uma plasticidade cênica, gera graus visuais, sonoros e emotivos singulares. Seus espetáculos propiciam, especialmente, uma experiência de outra ordem sensitiva à plateia.

Por esse motivo Jardim traz ao projeto parcerias que estabeleceu com sucesso em seus trabalhos anteriores, como o premiado coletivo de artistas plásticos visuais, BijaRi, que assina a cenografia e a vídeo instalação; também o renomado estilista João Pimenta; e a sua dupla na iluminação de cena, Paula Hemsi.

Minha vontade primeira, como diretor, é tentar conduzir o público a um outro estado perceptivo, por isso busco desenhar em cena atmosferas e ritmos sonoros que valorizem mais o que está submerso do que o apenas falado pelas personagens”, afirma Jardim. “Confinar Natallia e Pedro em um platô com menos de oito metros quadrados, por onde inúmeras projeções em vídeo serão jogadas, fazendo-os desenhar o espaço apenas com pouquíssimos gestos, além de suas vozes e tons, é o pedal para que a dúvida sobre escolhas e decisões, no período de suas vidas, cheguem até nós de maneira profundamente angustiante,” completa. “Neste espetáculo cada cena é um recorte num espaço-tempo descontínuo e fragmentado, são fotogramas vagando pelas memórias individuais deste casal, independentemente se estavam casados ou separados, se eram amantes ou desconhecidos, pois nunca conseguirão escapar da inevitável dúvida sobre o que significa viver neste mundo absurdo e vazio de significado,” conclui o diretor.

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O Inevitável Tempo das Coisas
Com Natallia Rodrigues e Pedro Henrique Moutinho
Teatro Sergio Cardoso – Espaço Porão (Rua Rui Barbosa, 153. Bela Vista, São Paulo)
Duração 60 minutos
03/04 até 24/05 (*não haverá sessão nos dias 01 e 10 de Maio*)
Terça, Quarta e Quinta – 20h
$40
Classificação 14 anos