O MONSTRO

A possibilidade de pessoas comuns cometerem atos terríveis em busca de saciar seus desejos mais obscuros é o tema do monólogo O Monstro, uma adaptação do diretor Hugo Coelho para o conto homônimo de Sérgio Sant’Anna. A peça estreia no Teatro Vivo no dia 5 de junho e segue em cartaz até 1º de agosto.

O texto original é uma longa entrevista com Antenor Lott Marçal sobre o caso envolvendo a bela jovem Frederica Stucker.  Ele  diz ao repórter que concordou em falar com a mídia para poder expor seus sentimentos, dar suas explicações e falar sobre tudo o que aconteceu sem as limitações fatuais que todo processo penal implica.

A adaptação teatral, que elimina a figura do repórter, apresenta a confissão de um professor de filosofia, ou seja, um homem culto, que está absolutamente consciente dos terríveis crimes que cometeu. Ele resolve abrir o jogo em um cenário não muito bem definido (ao contrário do conto original), que serve para representar a própria consciência do protagonista.

Antenor, interpretado pelo ator Genézio de Barros, fala sobre o perigoso jogo de sedução que vivia com a sua namorada Marieta de Castro, uma bem-sucedida executiva do mercado financeiro. Numa tarde de sábado Marieta atraiu a jovem Frederica para a casa dela e, ali,  junto com Antenor , imersos na busca pelo prazer desmedido, acabam por ultrapassar as fronteiras de um encontro casual e terminam por abusar da jovem.

A ideia da encenação é criar uma reflexão sobre as seguintes questões: de que adianta conhecer a ética, se não somos capazes de ter ações éticas? Quais são os valores que regem a vida em sociedade? Qual caminho deveríamos trilhar em busca da felicidade? Sob quais valores viviam os personagens? O que faz um homem comum cometer um crime atroz? Estaríamos todos sujeitos a essa possibilidade? Quantas pessoas como Antenor vivem soltas em sociedade?

O monólogo apresenta todas as contradições e nuances desse professor que se deixou levar por suas paixões e chega até a fazer com que o público se identifique com ele em alguns momentos. “Não se trata de humanizá-lo, mas de mostrar, por meio de sua trajetória, como um ser humano é capaz de chegar a extremos”.

A montagem mistura diferentes tempos da narrativa: emocional, das memórias, factual e o presente. Tudo está junto e misturado nesse personagem, como se suas confissões fossem uma tentativa “de chegar a uma verdade pelos menos relativa que possa explicar do que é capaz o ser humano”, como ele mesmo afirma no início do texto.

Os abusadores muitas vezes se escondem atrás de seu poder e de uma pretensa sofisticação. Sedutores, atraem suas vítimas e são capazes de cometer verdadeiras atrocidades como se fosse a coisa mais normal do mundo, como se suas ações não tivessem consequências devastadoras na vida das pessoas.

Não é sem razão que a vítima no conto de Sérgio Sant’Anna é uma mulher, que ainda hoje, sofre uma forte discriminação em nossa sociedade e é tratada como objeto a serviço do mundo masculino.

Os personagens de O Monstro são contraditórios e se expõem inteiramente o que confere ao conto e a adaptação para o palco uma visão critica dos nossos tempos. De uma forma ou de outra revela quem somos desde as pessoas mais simples e seus pequenos delitos até os mandatários da nação.

CARMEN

O Monstro
Com Genézio de Barros
Teatro Vivo (Av. Dr. Chucri Zaidan, 2460 – Vila Cordeiro, São Paulo)
Duração 60 minutos
05/06 até 01/08
Terça e Quarta – 20h
$50
Classificação 16 anos

LOVE, LOVE, LOVE

Espetáculo que recebeu 12 indicações a prêmios na temporada carioca, estreia no Teatro Vivo dia 23 de março, sob direção de Eric Lenate, com texto inédito no Brasil de Mike Bartlett.

Depois do sucesso da montagem de “Contrações” (premiações: APCA, APTR, Questão de Crítica e Aplauso Brasil), a companhia monta texto inédito do mesmo autor. No texto Love, Love, Love de Mike Bartlett, de 1967 a 2014, uma família conta a história de sua geração abordando, de maneira crítica, o contexto político e social de sua época e demonstra como somos modificados pelo tempo em que vivemos.

O primeiro texto que lemos de Mike Bartlett foi Love, Love, Love, depois de uma imersão de dois anos de leitura de autores contemporâneos, nos conectamos especialmente com esse autor. Ele é contundente com o momento em que vivemos, é profundo e provocador ao mesmo tempo que tem uma escrita clara e objetiva. Para o Grupo 3, o teatro é lugar de revisitar a história e pensar a questão do tempo político e social. E mesmo Mike escrevendo em Londres, cabe muito bem na pesquisa do grupo”. relata Gabriel Fontes Paiva.

Os três ficaram bem impressionados com o tema político revelador de como uma geração é definidora da próxima. Mas, na época, a companhia acabou por decidir montar Contrações. “Era perfeito para o momento do grupo, tratamos o tema de dominação em todas as montagens anteriores. Além disso, “Contrações” foi a peça de maior interlocução direta com o público e decidimos repetir Bartlett porque percebemos como era importante avançar nesse movimento”, conta Débora Falabella.

A escolha foi certa. A peça rendeu 7 prêmios ao grupo, que três anos depois pode montar “Love, Love, Love.” “O texto conta a história de uma família bem peculiar, mas está tratando do conflito geracional mais atual que poderia ser. É um texto político e também psicológico. É tudo junto como costumam ser as grandes obras”, reflete Yara de Novaes.

Uma obra que, além de descrever uma família com todas as suas idiossincrasias e personalidades, também demonstra como somos modificados pelo tempo em que vivemos. A ação começa em 1967, na noite da primeira transmissão ao vivo de TV via satélite, em que os Beatles cantaram All You Need Is Love. Sandra, bonita e sedutora, recém-ingressada na universidade, marcou um encontro com Henry. Mas ela se interessa por seu irmão mais novo, Kenneth, também de 19 anos e calouro universitário. Em 1990, eles estão confortavelmente em outra realidade – são da classe média, curiosamente negligentes com os dois filhos, em um casamento prestes a ruir. Mas o grande momento é o último ato, em 2011, em uma reunião de família, quando a filha do casal, Rose, que foi uma violinista promissora, agora com 37 anos e muito decepcionada, arremessa sobre eles e sua geração de paz e amor a responsabilidade pelo fracasso da geração dela afirmando: “Você não alterou o mundo, você o comprou”.

O grupo  que estreou em 2005 na Casa de Cultura Laura Alvim e já teve seus espetáculos dirigidos porYara de Novaes, Aderbal Freire Filho e Grace Passô, desta vez convidou Eric Lenate.

O espetáculo Love, Love, Love tem o patrocínio da Vivo. “Estamos orgulhosos em trazer para o Teatro Vivo mais este espetáculo, marcado pela qualidade e pelo talento do Grupo 3 de Teatro e que certamente será sucesso de público também na capital paulista”, revela André Acioli, curador do Teatro Vivo.

Lovex3 Rio Domingo-326

Love, Love, Love
Com Augusto Madeira, Débora Falabella, Mateus Monteiro, Alexandre Cioletti e Yara de Novaes
Teatro Vivo (Av. Dr. Chucri Zaidan, 2460 – Vila Cordeiro, São Paulo)
Duração 110 minutos
23/03 até 27/05
Sexta – 20h, Sábado – 21h, Domingo – 18h
$50/$60
Classificação 14 anos

CÉUS

A estreia de Céus marca o segundo encontro do diretor Aderbal Freire-Filho e do ator e produtor Felipe de Carolis com o teatro de Wajdi Mouawad. O primeiro encontro foi em Incêndios, a peça fenômeno com o maior número de prêmios da história do teatro Brasileiro – foram mais de vinte prêmios, e mais de 50 indicações só entre RJ e SP -, que rodou o país por três anos com absoluto êxito de público e crítica. E foi ainda durante os ensaios de Incêndios que Felipe decidiu que montaria Céus. “Houve um episódio específico que foi decisivo para eu bater o martelo e comprar os direitos da peça: estávamos ensaiando dentro do teatro Poeira, em 2013, quando o país ia às ruas para as manifestações que ficaram famosas pelo nome ‘não é por vinte centavos’. No intervalo do ensaio, vimos uma manchete que informava sobre a ameaça da intervenção militar naquelas manifestações. Nos olhos dos meus colegas de elenco eu vi o semblante de tristeza, dor e medo, uma mistura de indignação e angustia. Eu tive uma vontade enorme de ir para a rua, mas naturalmente não poderia abandonar o ensaio. Eu olhei pro Aderbal e disse “esta situação me lembra muito Céus, a ultima peça da tetralogia”. No dia da estreia de Incêndios fui no ouvido do Aderbal e falei pra ele ‘Céus é nossa!’”, conta ele. E acrescenta: “Infelizmente o terrorismo cresce assustadoramente e a peça se torna mais e mais atual. Mas é muito importante prestar atenção neste autor fabuloso, na maneira como ele apresenta o tema principal da peça, expondo feridas como a descriminação religiosa, o preconceito com a possível inteligência jovem, a sensibilidade do homem moderno e a força da cultura nas gerações futuras”.

Então, ator e diretor se reuniram novamente para explorar a dramaturgia do autor que é um dos mais destacados nomes da cena contemporânea internacional. O espetáculo Céus estreou com grande sucesso em 2016 no Teatro Poeira, no Rio de Janeiro e é ainda inédita no resto do país.

Isolados em uma espécie de bunker, as personagens precisam desvendar um iminente atentado terrorista. Especialistas no assunto, eles também são confrontados com o misterioso desaparecimento de um membro da equipe. Atravessado por temas de extrema atualidade, o texto de Mouawad caminha para uma profunda discussão sobre o Terror e o mundo contemporâneo.

A questão atual do terrorismo não é mais vista como um conflito entre Oriente e Ocidente. Na verdade, a peça caminha para uma discussão mais profunda, que vai muito além das divisões territoriais, muito além de questões religiosas”, analisa Aderbal, que aponta as muitas diferenças entre Céus (2009) e Incêndios (2003), que fazem parte de uma mesma tetralogia denominada ‘Sangue das Promessas’.

Para o diretor, Céus traz uma discussão sobre as revoltas e a insatisfação da juventude em um mundo que a castigou sempre. Após receberem uma civilização construída por interesses que não são seus, a juventude ainda vê guerras – motivadas por estes interesses – os destruírem, tanto no exército que os recruta como, indiretamente, nas rupturas de gerações. “É uma peça nova, no sentido de ter uma dramaturgia contemporânea, aberta, que dialoga com a poética ilimitada da cena. Estamos diante de um texto que reconhece o poder da cena ilimitada”, reflete Aderbal.

Além do conteúdo, as duas peças apresentam diferenças acentuadas também na forma. Enquanto Incêndios trazia a saga de uma personagem marcada por trágicos acontecimentos ao longo de décadas, Céus concentra a sua ação em um curto espaço de tempo e em um espaço definido.

Mouawad batiza o local em que as personagens se encontram de ‘célula francófona’, não especificando exatamente um país. Os espectadores apenas sabem que eles estão presos e que só poderão sair após finalizar a missão de desvendar o suposto atentado. É nesta tensão em que os conflitos individuais são apresentados e que a construção de todo o enigma da trama é desvendado.

Talvez fique mais evidente uma dramaturgia nova quando ela explora as possibilidades infinitas do palco ao ousar na quebra de limites entre tempo e espaço, o que não acontece em Céus. As mudanças de tempo e espaço aqui são relativamente pequenas. Mas o teatro novo, a poética da cena ilimitada, o palco da imaginação não existe apenas por essas razões mais evidentes: ele está no modo de construir os personagens, de apresentar a trama, de desenvolver a narrativa, de combinar os diferentes recursos dramáticos e construir, enfim, uma nova póetica”, resume Aderbal.

Para o espetáculo, o diretor recrutou parceiros de longa data para a ficha técnica, como o cenógrafo Fernando Mello da Costa e o iluminador Maneco Quinderé. Os figurinos são assinados por Antonio Medeiros e a trilha sonora é de Tato Taborda. Desta vez, ele faz uso de projeções impactantes (Estúdio Radiográfico) em cena. O espetáculo tem coprodução da Tema Eventos.

Responsável pela obra do Wajdi no Brasil, Felipe de Carolis conta que “chegar até a agência detentora dos direitos do Wajdi foi um processo árduo. Todo dinheiro do meu trabalho ia para pagar os direitos de Incêndios. Era o risco da minha vida. O valor foi altíssimo. Wajdi é o jovem autor mais premiado no mundo. Hoje, recebe homenagens como ator, diretor, dramaturgo e autor em todos os continentes, mas o Brasil ainda não o conhecia. Eu sempre quis fazer tragédia. A linguagem épica, a interpretação que o trágico pede é de uma carpintaria da dor inatingível. Eu sempre quis passar por aí, investigar este lugar, beber nesta fonte. A possibilidade de trazer para o público brasileiro um grande autor trágico contemporâneo tão imbricado às suas raízes, e ao mesmo tempo tão universal, me fez querer colocar ele em cena. Aprender com Aderbal e Marieta, e todos os atores que convidei a dedo para as duas peças, com certeza, são fatores definitivos nesta história”, completa.

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Céus
Com Felipe de Carolis, Rodrigo Pandolfo, Marco Antônio Pâmio, Karen Coelho, Isaac Bernat
Teatro VIVO (Av. Dr. Chucri Zaidan, 2460 – Morumbi, São Paulo)
Duração 110 minutos
26/01 até 04/03
Sexta – 20h, Sábado – 21h, Domingo – 18h
$50/$60
Classificação 14 anos

AUTOBIOGRAFIA AUTORIZADA

Depois de passar por várias cidades do Brasil, o ator Paulo Betti estreiou o monólogo Autobiografia Autorizada, no dia 11 de agosto(sexta-feira, às 21h30), no Teatro Vivo, em São Paulo. O espetáculo, dirigido pelo próprio ator em parceria com Rafael Ponzi, comemora os 40 anos de carreira de Paulo, que também assina o texto. A montagem está em turnê pelo Brasil por meio do projeto Vivo EnCena.

No palco, Betti interpreta, com muito humor, histórias que viveu e ouviu na infância e adolescência. São passagens que ficaram registradas em sua memória e em anotações que fazia sobre tudo que acontecia à sua volta, em busca de compreender a própria vida. Os textos eram anotados em grandes blocos onde também fazia colagens de fatos da época. Este “livro” de memórias compõe a cena do espetáculo.

A história de Paulo Betti (64 anos) começou no mundo rural onde o avô, um imigrante italiano, trabalhava como meeiro para um fazendeiro negro, em Sorocaba, SP. “Eu via a fazenda da perspectiva da senzala”, relembra. Sua mãe, uma camponesa analfabeta, ao se mudar para a cidade, trabalhou como empregada doméstica, para criar os 15 filhos (Paulo é o décimo quinto, temporão, com 10 anos de diferença de do irmão mais novo). Seu pai era esquizofrênico. Apesar disso, Paulo estudou em boas escolas, cursou um Ginásio Industrial em tempo integral, se formou pela Escola de Arte Dramática da USP e foi professor na Unicamp.

O testemunho do ator, autor e diretor, que interpreta pai, mãe, avó e muitos outros personagens da própria vida, brinda o público com uma peça emocionante. Com bom humor, poesia e dor, Paulo mergulha na vida dessas personagens de sua história e emerge com uma peça edificante que reafirma a importância do ensino publico e do trabalho social para a valorização do ser humano.

Segundo Paulo Betti, lendo as anotações que fez no decorrer de quase uma vida inteira, chegou à conclusão que, todo o tempo, preparava-se para revelar as extraordinárias condições que o levaram a sobreviver e a contar como isso aconteceu. “Minha fixação pela memória da infância e adolescência, passada num ambiente inóspito e ao mesmo tempo poético, talvez mereça ser compartilhada no intuito de provocar emoção, riso, entretenimento e entendimento”, comenta o artista.

Entre as lembranças vividas em Autobiografia Autorizada, estão os momentos em que ouvia radionovelas enquanto ajudava a mãe na tarefa de passar roupas (ela também desempenhava esta função para completar o orçamento). “Lembro-me bem de Adoniran Barbosa na pele de Charutinho em Histórias das Malocas”, relembra o ator. A história do irmão cavaleiro que dormiu montado no cavalo, a memória da carrocinha que recolhia cachorros de rua, os momentos como funcionário do Hospital Votorantim e a descrição do cardápio do bandejão do Centro Residencial da USP, também estão entre as histórias do espetáculo. E não poderiam ficar de fora fatos curiosos dos bastidores da televisão e do cinema, além da revelação sobre o beijo na TV: afinal, ele é técnico ou real?

A encenação é calcada na interpretação e na força do texto. Além da iluminação e do figurino, belas projeções de vídeo integram a ambientação cênica. O ator também manipula alguns objetos como a faca pontiaguda que sua avó usava para matar o porco e o pião que fazia girar quando criança.

Paulo Betti busca inserir o espectador na história, antes mesmo de entrar em cena. Ainda no saguão, o ator se aproxima do público que, ao entrar no teatro, é envolvido pela trilha sonora com músicas dos anos 60 e 70. Assim, inicia-se a cumplicidade entre o artista e sua plateia.Autobiografia Autorizada é um amalgama do Brasil profundo, inspirada pela inusitada historia de superação de Paulo, que percorre o trajeto riquíssimo da roça à cidade, contando um pouco da historia da Imigração Italiana no Brasil.

Paralelamente ao espetáculo, Paulo produziu e dirigiu um novo longa-metragem que será lançado em breve. Trata-se de A Fera na Selva, baseado na obra do escritor norte-americano Henry James, no qual também atua ao lado de Eliane Giardini. O filme é uma adaptação para o cinema do espetáculo que ele encenou com a atriz e ex-mulher, em 1992, que lhe rendeu o Prêmio Shell de Melhor Ator. As filmagens foram realizadas em Sorocaba, sua cidade natal onde conheceu Eliane.

 

Autobiografia Autorizada
Com Paulo Betti
Teatro Vivo (Av. Dr. Chucri Zaidan, 2460. Vila Cordeiro. São Paulo)
Duração 110 minutos
11/08 até 01/10
Sexta – 21h30; Sábado – 21h; Domingo – 18h
$50
Classificação 12 anos

JIM

No dia 03 de julho de 1971, o mundo do rock perdia um dos seus maiores ícones. 45 anos depois, dia 28 de outubro, estreia no Teatro Vivo, o musical JIM, de Walter Daguerre, com direção de Paulo de Moraes.

Jim Morrison era um pensador, um filósofo. Suas palavras são perenes, não ficam datadas. Seu maior legado é a poesia, então se fizéssemos um musical biográfico convencional não estaríamos sendo fiéis ou coerentes com sua obra”, revela o protagonista da peça, Eriberto Leão, que completa 20 anos de trajetória teatral.

O espetáculo, inspirado na poesia de um dos maiores ícones do rock, conta a história de um homem que não conheceu o vocalista do The Doors, mas teve a vida pautada por suas ideias e ideais. “Foram 2 anos em cartaz no Rio. Além disso, viajamos por 13 cidades, entre elas: Porto Alegre, Belo Horizonte, Brasília, Salvador e Manaus. Agora, finalmente São Paulo”, detalha o produtor Eduardo Barata.

Na semana de estreia Jim faz sessões com ingressos a preços populares – R$20.

Em cena, dois planos paralelos. João Mota – Eriberto Leão – num acerto de contas com Jim, e o vocalista encarnado no personagem, que quer se matar achando que foi isso que o ídolo fez”, destaca o diretor.

Na trama, João está diante do túmulo de Jim, em Paris, no cemitério Père-Lachaise, com uma arma em punho, para acertar as contas com o líder do The Doors. Ele tem apenas uma bala, uma pequena peça de chumbo com a qual pretende transformar seu destino num jogo se azar. Seria um acontecimento simples, se não fosse a presença diabólica de Jim e a aparição de uma misteriosa mulher, interpretada por Renata Guida, que representa o feminino de diversas formas – Pamela Morrison (mulher de Jim), a esposa de João Mota e ainda a mãe Terra. A presença da personagem pode ser interpretada também como uma consciência intuitiva profunda de João.

Quando comecei a pesquisar, descobri um Jim Morrison que não imaginava e que muita gente não sabe quem é. Então sentimos a necessidade de trazer outra ideia do Jim para o público”, detalha Daguerre. São 11 canções clássicas do The Doors, como Ligth My Fire, The End, Riders on the Storm, cantadas ao vivo por Eriberto e mais 3 músicos – Antonio Van Ahn (teclado), Felipe Barão (guitarra) e Eduardo Rorato (bateria).

Grande fã, Eriberto Leão descobriu sua vocação como ator através de Jim Morrison e do The Doors, vendo o trailer de um filme sobre a banda. “Depois disso vi três sessões seguidas e fiquei alucinado. Eu sempre soube que iria fazer esta peça. Isso me influenciou muito, inclusive na minha profissão”, conta o ator.

Ao longo de uma bem sucedida trajetória nos palcos, o espetáculo recebeu o Prêmio APTR 2014 nas categorias “Melhor Iluminação” e “Melhor Música”, além de diversas indicações aos prêmios Shell e Cesgranrio. O cenário, assinado também pelo diretor Paulo de Moraes, é composto por um piano de cauda/lápide e 6 microfones. Completam a ficha técnica Maneco Quinderé, responsável pela iluminação, Rita Murtinho que assina os figurinos e Ricco Vianna na direção musical.

Conhecido por performances intensas e teatrais, letras repletas de simbolismo, referências ao xamanismo e uma personalidade selvagem, o vocalista do The Doors, cantor, compositor e poeta norte-americano, ganha uma homenagem que traz suas referências ideológicas não apenas por meio de seus versos, mas de seus ídolos, grandes nomes da literatura, como Wiliam Blake, Baudellaire, Rimbaud, Nietzsche, entre outros. Um texto que perpassa por conceitos de mitos pagãos e arquétipos, além de apresentar uma abordagem que dá enfoque ao lado poético e simbolista de Morrison.

Jim
Com Eriberto Leão e Renata Guida
Músicos: Antonio Van Ahn (teclado), Felipe Barão (guitarra) e Rorato (bateria)
Teatro VIVO (Av. Dr. Chucri Zaidan, 2460 – Vila Cordeiro, São Paulo)
Duração 65 minutos
28/10 até 18/12
Sexta – 21h30; Sábado – 21h; Domingo – 18h
$40/$80
($20 – nos dias 28 a 30/10)
Classificação 16 anos
 
Texto: Walter Daguerre
Direção: Paulo de Moraes
Direção musical: Ricco Vianna
Cenografia: Paulo de Moraes
Figurinos: Rita Murtinho
Iluminação: Maneco Quinderé
Assessoria de Imprensa: Morente Forte
Produção executiva: Denise Escudeiro e Bruno Luzes
Produção e coordenação de comunicação: Barata Comunicação

O GRANDE SUCESSO (OPINIÃO)

A colaboradora do Opinião de Peso, Rebecca Celso, foi assistir o musical “O Grande Sucesso” e escreveu a Opinião.

“Catarse

Emoção desmedida

MENTIRA MENTIRA

O teatro é uma mentira

Mas ninguém se importa”

(Esmeraldo Reis)

“Quem tenta fracassar e consegue… tem sucesso?

E fazer sucesso com uma coisa que se odeia… é fracassar?

É incrível a capacidade que o riso tem de levantar questões profundas. O Grande Sucesso, agora na última semana de sua temporada paulistana (de sexta a domingo no Teatro Vivo), traz oito personagens humanos, ridículos, limitados – usando, como diria Raul Seixas, somente 10% de suas cabeças animais – questionando o sucesso, a infalibilidade, a arte, o amor e a vida.

Com direção-geral de Diego Fortes e direção musical de Gilson Fukushima, o espetáculo teve colaboração de todos os membros do elenco, tanto no texto (assinado oficialmente pelo diretor) quanto nas composições musicais que ilustram momentos-chave do enredo.

Em cena, os oito atores/músicos interpretam atores/músicos secundários de uma produção (supostamente de “grande sucesso”, pois está em cartaz há 10 anos) tão suntuosa quanto estapafúrdia. Nem mesmo o elenco sabe ao certo qual o clássico adaptado (seria Hamlet? Édipo Rei?), mas a montagem conta (entre outras excentricidades) com um guarda noturno, um homem-bala, um coelho rosa gigante e um homem das cavernas. Na espera entre deixas e entradas, a “vida” dos personagens acontece na coxia. E, entre seus momentos de atrito, filosofia, concentração e fofoca, somos lembrados do verdadeiro Teatro do Absurdo que vivemos todos os dias. Camus ficaria orgulhoso desses bufões, expressando o “sentido do sem sentido” da condição humana.

Para quem pretende apenas ver o galã global Alexandre Nero em ação, o ator desconstrói o mito com grande competência. Infalível e intocável ali é o astro Patrick Emanuel, dono da companhia. Nero é um de nós, figurante e batedor de bumbo do triunfo alheio, que tem problema de saúde, relacionamento fracassado e contas a pagar. Dentro deste texto autocrítico, suas palavras por vezes têm uma acidez sulfúrica.

Igualmente dignas de atenção são as atuações de Fernanda Fuchs, como uma atriz cuja vulnerabilidade beira a catástrofe, e Rafael Camargo, com domínio absoluto do espaço cênico na performance de “Fracasso Abismal”, entre outras cenas brilhantes.

Assim segue a trama da peça, às vezes com uma quarta parede bem erguida, às vezes com todo mundo junto e misturado.

Uma belíssima metalinguagem, do teatro falando do teatro (em determinado momento, o ator que interpreta o guarda sonha que é um ator secundário, numa peça confusa que não termina nunca), da fama divagando sobre a fama, de pessoas comuns comentando pessoas e dramas comuns, da vida discutindo o sentido da vida.”

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Rebecca Celso

O Grande Sucesso
Com Alexandre Nero, Carol Panesi, Edith de Camargo, Fernanda Fuchs, Fabio Cardoso, Eliezer Vander Brock, Marco Bravo e Rafael Camargo
Teatro Vivo (Av. Dr. Chucri Zaidan, 2460 – Morumbi, São Paulo)
Duração 105 minutos
12/08 até 16/10
Sexta – 21h30; Sábado – 21h; Domingo – 18h
$30/$100
Classificação 14 anos

RAINHAS DO ORINOCO

Mina (Walderez de Barros) e Fifi (Luciana Carnieli) são duas atrizes de teatro musical que ganham a vida com shows pela América Latina. Viajando em um barco pelo rio Orinoco, cantam e representam seus amores e seus sonhos em uma aventura repleta de lirismo, canções, drama e bom humor. A estreia acontece em São Paulo pelo projeto Vivo EnCena no dia 13 de maio, sexta-feira, às 21h30, no Teatro Vivo. 

A encenação foi construída a partir da estética do circo–teatro, tal qual ele existiu no Brasil até meados dos anos 60, que teve seu auge com Vicente Clestino, Gilda de Abreu, Tonico e Tinoco, José Fortuna, Circo Arethusa, Dercy Gonçalves, Grande Otelo, Oscarito, com os grandes circos e grandes melodramas. “Este espetáculo é o irmão ingênuo, formoso, brincalhão da minha montagem de Vem Buscar-me Que Ainda Sou Teu, de Soffredini, em 1990, e que foi um momento em que a arte popular acabou nos dando a matéria prima para a configuração de um teatro mais brasileiro, do interior do Brasil profundo. Carballido teve a sabedoria de fazer uma grande comédia. A peça é um depoimento humanista de alguém que enxerga através da comédia e do melodrama a existência de dois seres humanos desprotegidos na carne e nos grotões da America Latina. Colocamos em cena esse texto usando a linguagem estética do circo-teatro”, comenta o diretor Gabriel Villela.

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Para isso, Gabriel conta com parceiros especiais. Os diretores assistentes Ivan Andrade e Daniel Mazzarolo estão juntos com Gabriel desde o primeiro ensaio. A direção musical, preparação vocal, arranjos vocais e a partitura dos textos coube à mineira Babaya, que já fez 29 espetáculos com o diretor, enquanto os arranjos instrumentais foram elaborados pelo musicista, diretor e ator Dagoberto Feliz. Os figurinos com cores, texturas e caimentos inspirados em toda a América Latina são de Gabriel Villela. A cenografia de William Pereira remete a um pequeno picadeiro em formato de barco com telões naif reproduzindo a fauna e a flora de uma floresta equatorial. A iluminação é de Caetano Vilela e os adereços e objetos de cena foram confeccionados em sua maioria por Shicó do Mamulengo. A direção de produção é de Cláudio Fontana.

Meu trabalho como diretor é como uma pesquisa em laboratório cientifico: ela não é feita sozinha. Existe porque há 10, 15 criadores em volta. É uma grande oficina, um ateliê de criadores diversos”, completa Gabriel.  A música tocada e cantada ao vivo pelos atores é um elemento fundamental nesta montagem. A peça de Carballido foi escrita como teatro musicado. Nesta montagem, as esquetes, os entreatos trarão canções diferentes das sugeridas pelo autor no texto original. A base da pesquisa são canções da América Latina cantadas na voz de Cascatinha e Inhana.

As atrizes Walderez de Barros e Luciana Carnieli e o ator Dagoberto Feliz têm uma parceria antiga com o diretor Gabriel Villela. Para Gabriel, “Walderez e Luciana são duas atrizes de gerações diferentes, mas de muita importância para todas as gerações. Elas congregam inteligência com estudo, entendimento e devoção à arte.  Dagoberto é um grande clown-palhaço, um grande artista e esteve na montagem de Vem Buscar-me, ou seja, ele entende o que eu estou pensando para esta peça”.

A atriz Walderez de Barros comenta ainda se surpreender com a quantidade de estímulos visuais que o diretor oferece ao ator. “Desde a leitura de mesa, até o levantamento de cena, fico vendo, por exemplo, o Shicó do Mamulengo trabalhando no ateliê. Quando acaba o ensaio e vejo uma tela acabada por ele, tudo faz mais sentido. Tudo isso já apresenta um clima, o cheiro da cena. Coisas que normalmente a gente demora para adquirir já estão oferecidas na sala de ensaio, então você mergulha nesta criação”.

A atriz Luciana Carnieli trabalhou pela primeira vez com Gabriel na montagem de A Ópera do Malandro e Gota d´Água, de Chico Buarque. “Me formei na EAD e, alguns anos depois fui trabalhar com o Gabriel e nesta montagem eu aprendi tanto que posso dizer que ele me deu uma espécie de segunda formação, não só como maneira de trabalhar, mas como linguagem” comenta Luciana.

Rainhas do Orinoco
Com Walderez de Barros, Luciana Carnieli e Dagoberto Feliz.
Teatro VIVO (Av Dr Chucri Zaidan, 2460 – Morumbi, São Paulo)
Duração 90 minutos
13/05 até 03/07
Sexta – 21h30; Sábado – 21h; Domingo – 18h
Recomendação 14 anos
$50 / $80 (50% de desconto para Cliente Vivo Valoriza e um acompanhante.)
 
Texto: Emilio Carballido 
Tradução: Hugo de Villavicenzio.
Direção: Gabriel Villela.
Figurino: Gabriel Villela 
Cenografia: William Pereira.
Arranjos Instrumentais: Dagoberto Feliz.
Direção Musical: Babaya.
Iluminação: Caetano Vilela.
Assistentes de direção: Ivan Andrade e Daniel Mazzarolo.
Produção Executiva: Luiz Alex Tasso.
Direção de Produção: Claudio Fontana.
Patrocínio: Vivo e 2S Inovações Tecnológicas
Assessoria de Imprensa: Pombo Correio