A VERDADE

A Verdade estreou simultaneamente na França e Alemanha em 2011 e ganhou prêmios fora da Europa, em países como Índia e Coreia do Sul. Em 2017, a produção de Londres recebeu indicação na categoria Melhor Comédia do Laurence Olivier Awards, o maior prêmio do teatro britânico.
 
Inédita no Brasil, essa divertida comédia estreou no Rio de Janeiro e fez turnê em Uberlândia, Minas Gerais, e no interior de São Paulo (Marília, Piracicaba, Bauru, Botucatu e Lençóis Paulista) antes de chegar ao palco do Teatro Vivo para dois meses de temporada, com apresentações de sexta a domingo.
 
Durante o espetáculo, o espectador vai se envolvendo com a história que fala sobre as dinâmicas das relações pessoais e, em particular, da vida conjugal. Em cena estão dois casais que vão se revelando nas pequenas hipocrisias, inverdades e omissões do quotidiano. É uma comédia leve, sem tom político e, por isso mesmo, tão necessária para o alívio e a diversão que todos precisam.
 
O diretor Marcus Alvisi se sentiu eufórico com as possibilidades que esse texto genial oferece aos atores. “O que me fascina na peça é o jogo que o texto propõe. Todas as viradas. Sobretudo no personagem do Diogo. Culminando com a grande virada na última cena. O texto é todo tempo inesperado. Vem dessa tradição da comédia francesa, como o Vaudeville e o Boulevard, com uma pitada das peças de Harold Pinter. O que nos oferece uma mistura extremamente saborosa. O autor é muito hábil na armação desses quiproquós”, afirma Alvisi que também conta que não foi preciso adaptar o texto à realidade brasileira, mesmo sendo o autor francês. “Não houve adaptação. A tradução é sobremaneira fiel ao original francês. Aliás, super bem traduzido por Silvio Albuquerque. A peça fala sobre as relações entre dois casais amigos. O sentimento, a emoção não difere quando o assunto é ciúmes, por exemplo. Você pode sentir de maneira mais aguda ou menos. Porém, ciúmes é igual para todos. Os jogos dessas relações também não são diferentes por estarmos no Brasil ou França. Aqui, na Itália, talvez possamos ser mais passionais. No entanto, não é uma diferença substantiva, quando estamos expostos numa relação amorosa. Seja no Brasil, na França, ou mesmo na China. Fato é que essa peça faz um grande sucesso em Pequim”, conclui.
 
Diogo Vilela afirma que o texto flui de forma muito natural. “Acho eu que, o Francês, é uma língua que também nos colonizou. Temos proximidade nas visões sociais e no aspecto crítico à nossa burguesia, guardadas às devidas diferenças das nossas civilizações! Tudo que se fala na peça existe também em sua universalidade. É um texto pungente, que por fazer alusão franca aos nossos vícios sociais de comportamento, trás certa sensação de alívio a quem o assiste, como se oferecesse ao público um viés de esperança e alegria. E isso é muito bom de notar e muito compensador para todos nós que fazemos o espetáculo!”, conta o ator, craque do humor refinado e inteligente, que volta ao gênero depois de clássicos como Hamlet e Otelo, e musicais: Ary Barroso, de sua autoria, Gaiola das Loucas e Cauby Cauby uma Lembrança. Ainda sobre o texto de Florian Zeller, Diogo conta: “o que mais me agradou no texto foi o comportamento das personagens em cena. Uma mistura de sentimentos que para mim soavam como adoráveis de representar! Achei curioso o trabalho que teríamos de enfrentar para dar veracidade ao tema que envolvia a peça, tão habitual hoje em dia!”.
 
Completam o elenco Bia Nunnes (na TV: História de Amor, Salsa e Merengue, Negócio da China, Sexo e as Negas); Carolina Gonzalez (O Pai, Cais do Oeste) e Paulo Trajano (Simonal, Cauby Cauby uma lembrança).
 
Após a temporada paulistana, até 28 de março, a peça segue para Belo Horizonte onde se apresenta dias 03 e 04 de abril no Cine Theatro Brasil Vallourec.
 
FACE (3)
 
A Verdade
Com Diogo Vilela, Bia Nunnes, Carolina Gonzalez e Paulo Trajano
Teatro VIVO (Av. Dr. Chucri Zaidan, 2460 – Morumbi, São Paulo)
Duração 90 minutos
23/01 a 28/03
Sexta – 20h, Sábado – 21h, Domingo – 18h
$80/$90
Classificação 12 anos

PROJETO ‘TODA QUINTA’

Já estão abertas as vendas para o Toda Quinta, projeto musical do Teatro Vivo, voltado à diversidade cultural. A programação traz shows de Hermeto Pascoal (dia 12 de março), Renato Borghetti (dia 19), Yamandu Costa (dia 26) e Trio Corrente (dia 2 de abril).

As apresentações do novo projeto acontecem às quintas – feiras, de 12 de março a 2 de abril, sempre às 20 horas. Os ingressos do 1º lote custam R$ 50,00 (inteira) e R$ 25,00 (meia) e estão à venda no site https://site.bileto.sympla.com.br/teatrovivo/

O Teatro Vivo voltou à cena cultural paulistana após passar por grande modernização, trazendo também uma programação variada e independente que o consolida como espaço multicultural de São Paulo.

O Toda Quinta foi idealizado por Myriam Taubkin e Gabriel Fontes Paiva, que assinam, respectivamente, a direção musical e a direção de arte. Trata-se da mais nova iniciativa do Projeto Memória Brasileira, criado para desenvolver ações de valorização da música brasileira.

Para brindar esta iniciativa, as atrações fazem uma saudação a Dominguinhos, executando uma ou duas composições do repertório do artista. “Trio Corrente, Yamandu, Hermeto e Borghetti têm intimidade com Dominguinhos. Conhecem profundamente a obra e a pessoa. Consideram-no um dos músicos mais importantes do Brasil”, informa Myriam.

Programação

Dia 12/03 – Hermeto Pascoal & Grupo

Dia 19/03 – Renato Borghetti

Dia 26/03 – Yamandu Costa

Dia 02/04 – Trio Corrente

FACE (1)

Toda Quinta

Teatro VIVO (Rua Dra. Chucri Zaidan, 2460 – Morumbi, São Paulo)

Duração 60 minutos

12/03 a 02/04

Quinta – 20h

$50 (1º Lote)

Classificação Livre

CAROS OUVINTES

Visto por mais de 70 mil espectadores, o premiado espetáculo Caros Ouvintes, com texto e direção de Otávio Martins, volta em cartaz no Teatro Vivo a partir de 4 de março. A peça estreou em 2014, venceu os principais prêmios do teatro paulistano, como o Shell e o Aplauso Brasil, além de ter recebido destaque no site Times Square Chronicles.

O elenco é formado por Marcello Airoldi, Thiago Albanese, Agnes Zuliani, Natállia Rodrigues, Eduardo Semerjian, Alex Gruli, Carol Bezerra e Léo Stefanini.

Caros Ouvintes é uma comédia sobre o começo das telenovelas, sob o ponto de vista dos atores que faziam sucesso nas radionovelas. Na década de 1960, quando os aparelhos de televisão começaram a fazer parte das casas brasileiras, o público começou a prestar atenção não somente na voz dos personagens, mas também em sua imagem. Assim, muitos atores que faziam sucesso no rádio começaram a temer a TV: muitos galãs eram gordinhos e carecas, muitas mocinhas já eram senhoras.

Na comédia, a ação se passa numa das últimas emissoras a produzir radionovelas. O elenco prepara uma grande apresentação ao vivo, para depois se despedir do público em um palco armado do lado de fora da rádio.

Vicente (Marcello Airoldi), o produtor da radionovela, mantém com a atriz Conceição (Natállia Rodrigues) um caso amoroso que entra em colapso quando ela é chamada para estrelar uma telenovela. Empenhado para que o último capítulo seja impecável, Vicente conta com a absoluta lealdade e profissionalismo do sonoplasta Eurico (Alex Gruli) e do locutor Wilson (Eduardo Semerjian).

Vespúcio (Thiago Albanese), o publicitário, quer que o casal romântico da rádio repita a dose na telenovela que seu cliente irá patrocinar, despertando ódio no ex-galã Péricles Gonçalves (Léo Stefanini), Ermelinda Penteado (Agnes Zuliani) e a cantora decadente Leonor Praxades (Carol Bezerra). A série de atritos é desencadeada quando o anúncio de que o patrocinador passará a produzir telenovelas vem à tona, colocando em risco o final da radionovela.

FACE

Caros Ouvintes 

Com Agnes Zuliani, Alex Gruli, Carol Bezerra, Eduardo Semerjian, Léo Stefanini, Marcello Airoldi, Natállia Rodrigues e Thiago Albanese.

Teatro Vivo (Av. Dr. Chucri Zaidan, 2460 – Morumbi, São Paulo)

Duração 100 minutos

04/03  a 29/04

Quarta – 20h

$50

Classificação 12 anos

EU DE VOCÊ

Não há melhor espelho do que o outro. Sabemos quem somos a partir do que reverberamos. É́ urgente ver o outro, olhar pelo olhar do outro, ser eu de você. O que seria de nós se pudéssemos ser eu de você e você de mim, deixando-nos ambos atravessar por nossas experiências? Esta é a temática do meu novo espetáculo, Eu de Você, que estreia no dia 19 de setembro e que marca também a volta do Teatro Vivo à cena cultural paulistana após uma grande revitalização.

Sou do tipo de pessoa que vai ao mercado e volta com uma história. Sempre me encantei pelo cotidiano, sempre me fascinaram as diversas formas de vida e a criatividade de cada um para resolver nossos eternos problemas. O que nos difere? O que nos iguala? O que é capaz de tornar cada um de nós especial?

Também sou do tipo de pessoa que ama os escritores, os poetas, os músicos, os artistas. São eles que nos salvam da mediocridade, que embelezam nossos dias comuns, que dão voz à nossa angústia e palavras para o que nos fica na garganta.

Que seria de nós sem os poetas? E o que seria deles sem a vida comum?

É dessa mistura que surge a ideia de nosso Eu de Você. O que tem em comum a Cris, o Paulo Leminski e o Zezé di Camargo? Tchekhov, eu e Francisco? Pelo que a avó do Felipe estava chorando enquanto os Beatles compunham mais uma canção? O que fará o Wagner quando ouvir o que Chico Buarque fez com o seu também coração partido?

Costumo dizer que a arte ajuda a gente a viver, que quem lê Dostoiévski e Fernando Pessoa, no mínimo, vai sofrer mais bonito. Porque sofrerá com companhia, sofrerá com a cumplicidade dos poetas. Entenderá que fazemos parte de algo maior, que pertencemos à roda da humanidade, seus dilemas eternos e sua fatídica imperfeição.

Podemos, assim, rir de nós mesmos. Porque rimos do que entendemos. Rimos quando conseguimos assistir a própria vida enquanto ela passa. Acredito no humor como uma arma poderosa para a ampliar nossa consciência e sabedoria. Acredito no Teatro como um ritual de reflexão. E acredito que há uma fronteira preciosa no ofício de representar, um fino fio entre o humor e o drama que é um terreno fértil de comunicação, meu lugar favorito. É aí que mais uma vez quero estar.

Resolvi subir no palco para um solo, mas jamais estarei sozinha. Estarei com a Fátima, com o Bruno, com a Clarice, com a Dona Maria. E, como não poderia deixar de ser, com os poetas. Convidamos artistas de extremo talento, criadores cujos trabalhos admiramos há muito tempo, para juntos, em parceria, tecermos este bordado da vida com a arte.

Luiz Villaça, premiado cineasta, roteirista, criador e diretor de teatro de reconhecimento internacional, que tem nos tocado sempre com seu humor delicado, sua compreensão humana e sua inquietude, criando pequenas pérolas de nossa cena no cinema e no teatro. A diretora de arte Simone Mina, multiartista, professora, figurinista, artista plástica, cenógrafa, premiada por importantes parcerias na cena teatral. Rafael Gomes, criador, roteirista, dramaturgo e diretor de teatro e de cinema, responsável por montagens teatrais de reconhecimento nacional. Kenia Dias, pesquisadora, encenadora e pedagoga no campo da dança e do teatro, desenvolve trabalhos que tem a corporalidade, teatralidade e composição como diretrizes, com o foco nas dinâmicas do movimento e suas relações com a improvisação. E Fernanda Maia, musicista, diretora musical, maga extraordinária da composição de vozes para diversos espetáculos. Pessoas que admiro muito e que tenho a imensa honra de estar na companhia para este trabalho.

Temos a alegria de contar, desta vez, com o patrocínio de dois novos parceiros, empresas que acreditam no valor da Arte, da Cultura, do Teatro e, principalmente, dos Artistas para o contínuo enriquecimento subjetivo e cultural de um povo, imprescindíveis para o crescimento de um país: BB Seguros e Vivo, que através da Lei Federal de Incentivo à Cultura, tornam a criação deste trabalho uma realidade. E uma alegria maior ainda, que é estrear com a abertura do novo Teatro Vivo, um equipamento moderno e necessário para o público de São Paulo e produções de todo país.

Nosso Eu de Você foi construído na sala de ensaio. Nossa matéria prima são as histórias reais costuradas com pérolas da literatura, música, imagens e poesia. Recolhemos as histórias. Anunciamos no jornal, nas redes sociais e fizemos uma delicada seleção de todo o material que recebemos.

Vivemos tempos estranhos que nos convidam diariamente ao isolamento, ao medo do convívio e ao individualismo. Uma espécie de epidemia que nos tem aprisionado atrás de nossas telas geniais, que nos conectam e distanciam em alternância estroboscópica num abismo de encantamento e retórica. Um tempo que tem confundido e abalado a nossa esperança. Tenho a impressão de que cada dia nos distanciamos mais da potência que poderíamos ser se estivéssemos realmente conectados e acredito que o Teatro ainda é capaz de promover este milagre.

Muitas vezes, estou em cena e me comovo com o próprio evento teatral. Penso naquele pacto oculto entre nós, atores e público, quinhentas, seiscentas pessoas, celulares desligados, o silêncio coletivo, as risadas, todos concentrados no mesmo ponto, conectados de verdade, num milagre de presença. Recebemos sempre o público na porta para fazê-lo perceber ainda mais, que estamos, sim, inacreditavelmente, verdadeiramente, todos ali.

Acredito no que esta percepção de presença é capaz de provocar, na potência desse poderoso ritual de reflexão chamado Teatro. Acredito porque vi ele acontecer. Rodamos o Brasil há mais de dez anos com as produções de nossa NIA TEATRO e já colecionamos cerca de 700.000 espectadores, sempre fazendo espetáculos das periferias aos grandes centros, de pequenas a grandes cidades. O retorno que tivemos deste público tão diverso, a maneira com que vimos eles  saírem do teatro, me enchem de esperança.

Agora vamos para EU DE VOCÊ. Contando histórias reais, rompendo a fronteira entre palco e plateia, fato e ficção, pedaços de vida embalados pela arte, pretendendo ampliar o nosso Teatro para uma real experiência de empatia

Denise Fraga

São Paulo, setembro de 2019

FACE

Eu de Você

Com Denise Fraga

Teatro Vivo (Av. Dr. Chucri Zaidan, 2460 – Morumbi, São Paulo)

Duração 80 minutos

19/09 até 15/12

Sexta – 20h, Sábado – 21h, Domingo – 19h

$50/$70

Classificação 12 anos

QUARTO 19

QUARTO 19, espetáculo solo de Amanda Lyra construído a partir do conto No Quarto Dezenove (To Room Nineteen), da escritora britânica Doris Lessing (1919-2013), prêmio Nobel de Literatura em 2007, reestreia dia 22 de setembro no Teatro Vivo. A direção é de Leonardo Moreira, dramaturgo e diretor da Companhia Hiato, de São Paulo.

O conto To Room, publicado pela primeira vez em 1963, conta a história de uma mulher de classe média casada e com quatro filhos que se vê despersonalizada pelo casamento burguês, pela maternidade e pela fragmentação de sua identidade feminina.

As questões abordadas pelo texto e pela encenação de Quarto 19 dizem respeito principalmente às mulheres, mas não só a elas. Nesse conto, Lessing aborda com simplicidade e força alguns de seus temas mais persistentes, como o cabo de força entre o desejo humano e os imperativos do amor, da traição e da ideologia, as tensões entre o doméstico e a liberdade, a responsabilidade e a independência. A construção da identidade, o trabalho para estabelecê-la, defini-la e refiná-la, talvez seja o fio que liga toda a obra de Lessing.

A ATUALIDADE DO TEXTO

A atriz Amanda Lyra, também idealizadora do projeto e tradutora do texto, conta: “To Room 19 foi publicado pela primeira vez em 1963. Esta peça estreou em 2017. Tanto tempo no fim das contas parece tão pouco. É doloroso perceber a universalidade e atemporalidade desse texto. Perceber que estamos nos debatendo com mesmas questões tantos anos depois, com o movimento feminista já em sua quarta vaga.

Mas Quarto 19 vai além de um retrato da condição da mulher. O conto de Lessing questiona o ideal de felicidade da família burguesa, o modelo social racional e inteligente que soterra nossa sensibilidade, nossa selvageria. É uma grande tarefa lutar pela sobrevivência da própria identidade numa sociedade com modelos tão sufocantes. O quarto 19, aqui, é mais do que um espaço físico. Ele é uma metáfora de libertação. Um espaço/estado onde qualquer pessoa pode ser o que quiser, a despeito do que se exige dela na sociedade.”

A personagem do conto está consciente de que é prisioneira de alguma coisa maior e, em seu discernimento embotado, passa a acreditar que está doente. Mas o mal que a aflige está também – e talvez principalmente – no âmago da sociedade, e não só em algum lugar escondido das anomalias individuais. A personagem vive assim a luta silenciosa de muitas outras mulheres. Uma luta gigante, onde o desejo de autenticidade se vê barrado por princípios e modelos culturais.

A MONTAGEM

O cenário e a luz de Marisa Bentivegna criam um espaço limpo e claro, que traz somente uma parede ao fundo, um carpete e uma poltrona. Na cena predominam os tons de verde. O figurino, realista, é de uma mulher comum, e suas cores dialogam com o tom geral da montagem. É através do trabalho da atriz que todos os espaços são desenhados – a casa da família, o jardim, o quarto 19.

CARMEN

Quarto 19

Com Amanda Lyra

Teatro Vivo (Av. Dr. Chucri Zaidan, 2460, Morumbi – São Paulo)

Duração 75 minutos

22/09 até 07/10

Sábado – 21h, Domingo – 19h

$40

Classificação 16 anos

A GAIOLA

A bem-sucedida adaptação teatral do livro infantojuvenil A Gaiola, de Adriana Falcão, que foi indicada pela obra ao Prêmio Jabuti de Literatura em 2014 volta a São Paulo para uma temporada no Teatro Vivo, de 8 a 30 de setembro, com apresentações aos sábados e domingos, às 15h. Dirigido por Duda Maia, o espetáculo ganhou cinco troféus no 5º Prêmio Botequim Cultural e sete no 3º Prêmio CBTIJ.

Trata-se de uma peça que conta uma história de amor e separação entre uma menina (Carol Futuro) e um passarinho (Pablo Áscoli) que cai ferido na varanda de sua casa. Ela passa a cuidar do passarinho e eles se apaixonam. Quando chega a hora da despedida, ele mesmo pede para que ela o prenda em uma gaiola. Certo dia, a menina flagra o pássaro encantado com a beleza do dia lá fora e uma crise se instaura entre os dois.

A tentativa de aprisionar o amor é inútil e os dois chegam a uma importante conclusão. “É uma história que aborda temas delicados, mas fala também de reinvenção e novas possibilidades, de uma forma lúdica, carregada de humor e lirismo”, define a autora.

A Gaiola é um espetáculo que provoca sensações, onda cada um, independente da idade e experiência de vida, se identificam, por isso eu costumo dizer que é um espetáculo para a família”, afirma a diretora. A encenação de Duda Maia mistura teatro, dança, música, canto e contação de história. Ela criou uma partitura coreográfica que costura toda a encenação, exigindo um intenso trabalho físico dos atores. Eles também interpretam as seis canções originais, cujas letras são assinadas por Eduardo Rios sendo uma delas, um trecho do livro escrito pelo autora. Os arranjos foram compostos pelo premiado diretor musical Ricco Viana. Este também é responsável pelos temas instrumentais que permeiam praticamente todo o espetáculo.

Criada pelo artista plástico João Modé, a cenografia é uma instalação artística formada por um banco comprido e um trapézio, que servem para dividir o espaço cênico entre terra e céu, espaço do sonho e espaço da realidade, e uma grande caixa, que se transforma na gaiola.  Já a luz de Renato Machado foi pensada para recortar as cenas e acentuar os diversos climas do espetáculo, e os figurinos de Flavio Souza remetem ao universo dos cartoons, com cores e muitos detalhes, trazendo contudo uma estética moderna.

CARMEN (1).png

A Gaiola

Com Carol Futuro e Pablo Áscoli

Teatro VIVO (Av. Dr. Chucri Zaidan, 2460 – Morumbi, São Paulo)

Duração 50 minutos

08 a 30/09

Sábado e Domingo – 15h

$40

Classificação Livre

POUSADA REFÚGIO

Com direção de Pedro Granato e texto de Leonardo Cortez, POUSADA REFÚGIO volta em cartaz no Teatro Vivo com sessões às terças-feiras, às 20h. O elenco traz Daniel Dottori, Glaucia Libertini, Maurício de Barros e Tatiana Thomé, além do próprio autor da peça.

A trama apresenta dois casais que desejam construir um recanto no meio da natureza para fugir de suas várias crises. Durante um jantar para festejar a maquete da Pousada Refúgio, a realidade ameaça destruir o sonho do grupo. Nesse apartamento hipster, uma série de verdades sobre aquelas relações deterioradas ficam mais evidentes à medida que os convidados consomem bebidas alcoólicas.

Esse desmoronamento dos sonhos e slogans publicitários prontos para uma vida melhor coloca em choque universos em busca de harmonia. Para tratar de todas essas questões, o elenco tem um trabalho intimista ao expor pouco a pouco o ridículo da nossa tragédia. A situação se passa como um plano sequência, em que a ação acontece em um único espaço e em tempo real, sem elipses ou saltos.

A maquete representa o depósito de todos os sonhos dos casais. “Em um apartamento de classe média, focado em eletrodomésticos, adega, varanda gourmet, temos ali no centro um pedacinho de paraíso, cheio de verde, de coisas rústicas. É como quando você vai escolher uma viagem para suas férias e imagina um lugar lindo para onde gostaria de fugir. A ideia é trazer para a peça o contraste entre o que as pessoas idealizam e sonham com o que é a vida delas”, explica Granato.

As principais referências para a encenação são a própria realidade do Brasil e as pessoas com as quais o espectador convive diariamente. “Estamos falando da classe média, do amigo desempregado, dos amigos que têm filhos e veem o casamento entrar em crise, da frustração com a profissão, do desânimo provocado pelas crises econômica e política. O que eu acho mais legal é sair desse universo do teatro autorreferente, que só revisita textos clássicos, para falar sobre como as pessoas vivem hoje no país”, diz.

Esse desejo escapista, ainda segundo o diretor, revela uma dificuldade das pessoas para encarar seus problemas de frente. “Acho que um traço de personalidade do Brasil é essa baixa autoestima, essa ideia de que o país nunca vai dar certo. Alternamos entre o país do futuro e o país do eterno passado; raramente é do presente”, esclarece.

A cenografia e o figurino adotam como referência estética a moda hipster de roupa, de restaurantes, de comida natural, um universo que, de acordo o diretor, “contaminou até os mais playboys”. “As pessoas querem ser orgânicas em uma cidade extremamente poluída, campeã de doenças respiratórias. Quanto isso é tapar o sol com a peneira? Quanto queremos nos enganar de que temos uma vida sustentável em uma estrutura insustentável? Eu acho que o texto discute isso”, acrescenta.

CARMEN.png

Pousada Refúgio

Com Daniel Dottori, Glaucia Libertini, Leonardo Cortez, Maurício de Barros e Tatiana Thomé

Teatro Vivo (Av. Dr. Chucri Zaidan, 2460 – Vila Cordeiro, São Paulo)

Duração 80 minutos

07/08 até 20/11

Terça – 20h

$40

Classificação 14 anos