GONZAGUINHA, O ETERNO APRENDIZ ETERNO

Gonzaguinha, o Eterno Aprendiz Eterno – Uma versão poética da vida e da obra de Gonzaguinha, retorna à São Paulo, agora no Teatro BTC, onde contará a história de um dos maiores compositores e intérpretes brasileiros.
Com o intuito de preservar a memória desse ícone da MPB, o espetáculo que já foi sucesso em vários lugares do país vem agora encantar o público paulistano, apresentando passagens da vida do artista que iniciou sua trajetória na década de 60 em meio aos tropeços da ditadura militar e seguiu cantando seus amores e anseios pela vida.
No palco, sete artistas e uma banda fazem brilhar ainda mais a obra de Gonzaguinha que deixou um legado de músicas belíssimas e letras inteligentes que marcam gerações. Quatorze músicas que misturam xote, samba, baião e a música romântica do poeta do povo são apresentadas nesse musical cheio de emoção que leva o público a sentir de novo o que só as letras especiais de Gonzaguinha conseguem fazer.
O musical fará três únicas apresentações em São Paulo, nos dias 15, 22 e 29 de junho,  sextas as 21h30, no Teatro BTC, na Vila Mariana.
Gonzaguinha O Eterno Aprendiz (8)
Gonzaguinha – o Eterno Aprendiz Eterno
Com: Rogério Silvestre, Bruna Moraes, Paulo Tizzo e Rafael Toledo
Teatro BTC (Rua Santa Cruz, 2105. Vila Mariana, São Paulo)
15, 22 e 29/06
Sexta – 21h30
$80 ($60 antecipado)
Classificação Livre

DR – DISCUTINDO A RELAÇÃO

Dirigida por Cris Nicollotti, a peça “DR – Discutindo a relação” reestreia em São Paulo, em curta temporada no Teatro BTC, Vila Mariana, dia 2 de junho, 21h.

Com texto de Thíago Uriart, dramaturgia nasceu de situações vividas e presenciadas pelo autor que também atua ao lado da atriz Sharon Barros. A trama se desenvolve levando para a cena problemas comuns entre um casal que estão juntos a cinco anos.

Discutindo a Relação leva o casal (Théo e Luiza) a buscar terapia para tentar resolver seus problemas conjugais, mas o que era para ajudar acaba transformando a vida desses dois em uma verdadeira guerra dos sexos! Sem pudor, os dois avaliam sua vida sexual, dificuldade em lidar com os amigos do parceiro, falta de comunicação, afinidades, egoísmo, ciúmes, mágoas acumuladas ao longo do tempo e todos os ingredientes sempre presentes em qualquer relação.

Há uma imediata identificação entre o público e as questões ali apresentadas, muitas risadas, momentos descontraídos e interação com a plateia. O espetáculo propõe similaridade e empatia ao público ao vivenciar em cena os questionamentos, as brigas e o amor tórrido e especial que casais da vida real vivem diariamente.”  Sharon Barros

Há dois anos em cartaz, montagem estreou em abril de 2016 no Rio de Janeiro e já circulou por diversas cidades do interior fluminense, Minas Gerais e grande São Paulo.

Casais brigam sempre, mas não se desgrudam, não abrem mão da companhia um do outro, como também não abrem mão de uma boa briga. O espetáculo faz uma análise comportamental de diversos casais, que brigam como cães e gatos, mas sabem que no fundo são essenciais na vida um do outro.” Thíago Uriart

CARMEN.png

DR – Discutindo a relação

Com Thíago Uriart e Sharon Barros

Teatro BTC (Rua Santa Cruz, 2105, Vila Mariana, São Paulo)

Duração 80 minutos

02 até 30/06

Sábado – 21h

$60

Classificação 14 anos

ALAKAZAN – A FÁBRICA MÁGICA

Senhoras e senhores, preparem-se para uma grande viagem ao divertido universo de magia e fantasia do Circo dos Sonhos. No próximo dia 23 de fevereiro, reestreia em São Paulo o espetáculo Alakazan – A Fábrica Mágica, que traz à cena ilusionismo, música, teatro, dança e circo. O espetáculo acontece na lona montada na esquina da Rua Vergueiro com Avenida Ricardo Jafet, com sessões de terça a domingo.

Dirigido por Rosana Jardim, o espetáculo conta com performances de grande impacto e números circenses de báscula, contorção, rola, malabares, monociclo, equilíbrio no arame, tecido aéreo, faixa e muita palhaçada. Alakazan – A Fábrica Mágica traz à cena o duelo entre os personagens Alan e Kazani, que disputam a atenção da pequena Ly, a já conhecida menininha do Circo dos Sonhos. Ly é uma criança curiosa, que toca e fotografa tudo ao seu redor. Em uma visita à Biblioteca, ela é surpreendida por Alan, que surge como num passe de mágica e lhe entrega um livro especial, retirando o tablet de suas mãos. Encantada pelo livro, ela pede que ele leia a história, mas quando ele inicia, é interrompido por um som de sinos. Quando os dois procuram de onde vem tal som, surge Kazani, que transporta todos para a Fábrica Mágica, um universo fantástico onde tudo é possível.

A cada badalar do sino e movimento das engrenagens, Ly é transportada para outro universo com novas atrações, sempre acompanhada pelo seu amigo Alan. Kazani não gosta da interação entre Alan e Ly e compete por sua atenção. Essa disputa irá seguir e se fortalecer até o último ato, onde ocorre o confronto final, quando Ly conseguirá transmitir aos dois o poder da amizade e união, mostrando que é possível compartilharem suas habilidades, assim como os livros e os tablets, que compartilham seus conhecimentos com seus leitores.

Sobre o Circo dos Sonhos

Circo dos Sonhos pertence à família Jardim, que tem mais de 30 anos de tradição circense. Foi fundado em 2004, e já apresentou seus espetáculos para mais de 4 milhões de pessoas. Suas estruturas já visitaram diversos estados brasileiros, encantando com os elogiados espetáculos “Circo dos Sonhos – O sonho vai começar”, “Circo dos Sonhos no mundo da Fantasia” e “Quyrey, uma aventura na selva”. Tendo como embaixador o artista Marcos Frota, o Circo dos Sonhos possui atualmente duas lonas que circulam pelo país, e conta com uma equipe de mais de 150 profissionais, entre eles costureiras, designers, artistas plásticos, produtores, diretores, marceneiros, serralheiros, figurinistas, cenógrafos, bailarinos, coreógrafos, acrobatas, malabaristas, palhaços, trapezistas, contorcionistas e produtores.

Além de produzir e levar entretenimento pelo país, a Família Jardim possui grande expertise na realização de oficinas e treinamentos, pois atua também em eventos corporativos, palestras, assessoria circense, locação de tendas e tensionados.

Alakazan – a Fábrica Mágica
Com Trupe Circo dos Sonhos
Circo dos Sonhos (Avenida Ricardo Jafet, 1730 – Vila Mariana, São Paulo)
Duração 90 minutos
23/02 até 29/04
Terça, Quarta, Quinta e Sexta – 20h, Sábado, Domingo e Feriado – 16h, 18h e 20h
$30/$50
Classificação Livre

SELVAGERIA

Selvageria’ é o terceiro projeto de Felipe Hirsch e Ultralíricos, coletivo formado em Puzzle’ (2013), espetáculo dividido em quatro partes que levou para o palco a obra de escritores brasileiros contemporâneos. A investigação literária continuou em A Tragédia Latino-Americana’ e ‘A Comédia Latino-Americana’ (2016), díptico encenado a partir de autores latino-americanos e de questões sociais do continente. Desta vez, o grupo se debruçou sobre livros e documentos da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin e sobre a Bibliographia Brasiliana pesquisada por Rubens Borba de Moraes. O resultado desta pesquisa será apresentado a partir de 3 de novembro no Sesc Vila Mariana, em temporada até 17 de dezembro.

Em cena, aparecem textos que começam com a famosa Carta de Pero Vaz de Caminha ao Rei Dom Manuel (1500), passam por relatos, decretos, diários e chegam ao Triste Fim de Policarpo Quaresma’ (1911), de Lima Barreto, único texto da montagem não originado de um documento histórico. 

Esses documentos são europeus. A fala é dos europeus e dos selvagens civilizados contados por europeus brancos. São essas pessoas que falam. E esses documentos são aterrorizantes, comenta Felipe Hirsch.

Para o diretor, os espectadores podem achar que os textos foram escritos ou que se fez algum tipo de dramaturgia, tamanho o absurdo e a proximidade com a realidade de hoje. ‘’Selvageria’ fala sobre as raízes do conservadorismo no Brasil. Eu brinco de que a gente fez duas ficções (‘Puzzle’ e ‘A Tragédia e a Comédia Latino-Americana) e agora é nosso documentário. Esses documentos foram escolhidos não só pela importância histórica, mas, de fato, pela necessidade de entender que alguns deles são fundamentos do pensamento vigente’, analisa Hirsch.

Os textos:

Carta a El-Rei D. Manuel (Pero Vaz de Caminha, Portugal, 1500)

É o primeiro documento histórico sobre a descoberta do Brasil. A carta redigida por Pero Vaz de Caminha, escrivão da frota liderada por Pedro Álvares Cabral, descreve ao Rei de Portugal D. Manuel como era a terra e os nativos que nela habitavam. Nota-se o deslumbramento dos europeus ao se depararem com os selvagens e as belezas naturais do chamado Novo Mundo. As descrições retratam o primeiro contato com os nativos, menções ao Pau-Brasil, à Primeira Missa na Nova Terra e aos primeiros escambos feitos entre os descobridores e os indígenas. Como uma grande epígrafe do que viria ser a intervenção dos europeus sobre a história do Brasil, Caminha escreve a despeito da riqueza natural da nova descoberta: Porém o melhor fruto, que nela se pode fazer, me parece que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar”.

Cest la dedvction du sumptueux ordre plaisantz spectacles et magnifiquves thea-tres dresse, et exhibes para les citoiens de rouen ville metropolitaine du pays de Normandie, a la sacre maiesté du treschristian roy de France, Henry Secõd leur souuerain seigneur, et à tresillustre dame, ma dame Katharine de Medicis, la royne son espouze, lors de leur triumphant ioyeulx et nouvel aduenement en icelle ville, qui fut es iours de mercredy et ieudy premier et secöd iours doctobre, mil cinq cens cinquante et pour plus expresse intelligence de ce tant excellent triumphe, les figures et pourtraicts des principaulx aornementz diceluy y sont apposez chauscun enson lieu comme lon pourra veoir parle discours de lhistoire (Robert Le Hoy e Jean Du Gord, França, 1551)

Em outubro de 1550, Henrique II, Rei da França, e sua esposa, Catarina de Médici, fizeram uma entrada solene na cidade de Rouen. Como era de hábito, foram realizadas pomposas celebrações. O ponto alto dessas festividades foi, porém, a reconstituição de uma aldeia indígena brasileira em praça próxima ao rio. Cerca de cinquenta índios brasileiros, que haviam sido trazidos de seu país por marinheiros normandos e que viviam na cidade, foram reunidos para povoar esta floresta. Para perpetuar a memória dessas magníficas festividades, Jean du Gord, famoso livreiro de Rouen, ordenou a impressão desse livro, que contém a descrição completa da festa brasileira em duas páginas.

Essais (Des Cannibales) (Michel de Montaigne, França, 1580)

Os mesmos índios que estavam na Festa Brasileira, em Rouen, continuaram a viver na cidade e foram durante anos uma das atrações turísticas do lugar. Quando o Rei Carlos IX visitou a cidade em 1562, foi apresentado a eles. Montaigne testemunhou o fato, e deve ter conservado vívida lembrança, pois se refere aos índios na famosa passagem Dos Canibais, presente em seus Ensaios.

Histoire de la Mission des Pères Capucins en lIsle de Maragnan et terres circonvoisines (Claude DAbbeville, França, 1614)

A obra narra a missão dos capuchinhos franceses ao Maranhão em 1612, integrada pelos padres Yves dEvreux, Arsène de Paris, Ambroise dAmiens e Claude dAbbeville, numa tentativa de colonização do Norte do Brasil e de evangelização dos índios.

Voyage dans le nord du Brésil fait durant les années 1613 et 1614 (Yves D’Evroux, França, 1615)

Escrita com a intenção de completar a obra de Claude dAbbeville publicada no ano anterior, Voyage dans le nord du Brésil omite o que já fora dito. Yves dEvreux, tendo vivido um ano e meio a mais na região, trata de detalhes como a fauna e a vegetação tropical do próprio Maranhão, ao passo que dAbbeville conta somente a história da missão. As muitas descrições publicadas sobre a ida dos capuchinhos franceses ao Maranhão levam a crer que os padres realizaram uma verdadeira campanha de publicidade em torno das expedições.

Campagne du Brésil faite contre les portugals (Louis Chancel de Lagrange, França, 1711)

À bordo da fragata LAigle, um dos 17 navios da armada francesa, o 1º Tenente Louis Chancel de Lagrange relata o assalto e a tomada do Rio de Janeiro em 1711, pela expedição comandada por René Duguay-Trouin.

Letters from the Island of Teneriffe, Brazil, the Cape of Good Hope, and the East Indies (Mrs. Jemima Kindersley, Inglaterra, 1777)

Mrs. Kindersley foi a primeira mulher a escrever uma narrativa sobre o Brasil. De origem inglesa, casou-se em 1762 com o oficial de uma companhia das Índias Orientais, motivo pelo qual os dois viajaram duas vezes às colônias em expansão.

Voyage Autour du Monde (Jacques Arago, França, 1822)

Jacques Arago, artista da expedição científica chefiada por Claude-Louis de Freycinet, escreveu o relato da viagem num estilo muito espirituoso e divertido. Sua expedição chega ao Rio de Janeiro em 1817 e Arago fornece uma longa descrição de sua estada em Guanabara. É um dos raros documentos que retratam em detalhes o Cais do Valongo, um dos maiores portos escravagistas do mundo. Suas inúmeras histórias impressionam pela realidade com que descrevem a crueldade física e moral praticada contra os escravos. A obra nunca foi traduzida ou publicada no Brasil.

Narrative of a voyage to Patagonia and Terra del Fuego, through the Straits of Magellan (John McDouall, Inglaterra, 1833)

O autor esteve de passagem pelo Rio de Janeiro em 1826 e foi mais um dos viajantes a testemunhar o triste espetáculo que se apresentava no Cais do Valongo.

Illustríssimo Senhor Luiz da Cunha / Meu Marido Senhor Luis (Teodora da Cunha e Claro Antônio dos Santos, Brasil, 1866 / 1867)

As cartas da escrava africana Teodora, escritas pelo brasileiro também escravo, Claro Antônio dos Santos, foram descobertas no Arquivo Público do Estado de São Paulo. Ao complementar o serviço de carpinteiro com alguns vinténs advindos da sua habilidade com a escrita, Claro foi autor de inúmeras cartas enviadas como expressão da vontade de Teodora e de outros escravos analfabetos.

Lei Saraiva (Brasil, 1888)

Oficialmente, é o Decreto nº 3.029, que entrou em vigor dia 9 de janeiro de 1881, e teve como redator final o Deputado Geral Rui Barbosa. O decreto instituiu, pela primeira vez, o Título de Eleitor. Entre suas medidas excludentes, está a proibição do voto de analfabetos e de brasileiros que possuam renda inferior a 200$, com exceção dos que ocupam os cargos listados nos artículos da Lei. Além disso, impôs uma série de multas para quem descumprisse seus termos, impedindo definitivamente que as massas da população tivessem representação e voz política, inclusive as mulheres, para quem a lei conservou a inaptidão ao voto

Triste Fim de Policarpo Quaresma (Lima Barreto, Brasil, 1911)

Exceção, o trecho de Lima Barreto é único texto não originado diretamente de um documento. De onde mais, porém, teria saído Policarpo Quaresma, apaixonado pela Pátria, conhecedor dos rios, dos heróis do Brasil”, “das suas cousas de tupi”, das mutilações em todos os países históricos? O que nos resta depois de uma história impregnada nas raízes de um conservadorismo bastardo, do qual ainda dividimos as louças?

Este slideshow necessita de JavaScript.

Selvageria
Com Blackyva, Bruno Capão, Caco Ciocler, Crista Alfaiate, Danilo Grangheia, Georgette Fadel, Isabel Zuáa, Magali Biff, Arthur de Faria, Adolfo Almeida Jr., bella, Dhiego Andrade, Mariá Portugal e Thomas Rohrer
Sesc Vila Mariana (R. Pelotas, 141 – Vila Mariana, São Paulo)
Duração 180 minutos
03/11 até 17/12
Quinta, Sexta e Sábado – 20h, Domingo – 18h
$40
Classificação 16 anos

DESPIROCANDO

Depois de mais de dois anos fora dos palcos o ator e radialista Jorge Paulo, volta com seu novo show: Despirocando.

De 2001 a 2014 ficou em cartaz passado pelos principais teatros de São Paulo com a comédia Quem Ri Por Último é Loira ou Português. Em 2010 ficou entre os 5 melhores de São Paulo, em votação do Guia da Folha.

Despirocando  mistura piadas, personagens, improviso, etc… Um show completo onde o público vai aprender como fazer um DR sem se stressar, histórias de viagens, cotidiano, relacionamento e muito mais!

jorge paulo

 

Despirocando
Com Jorge Paulo
Teatro BTC (R. Santa Cruz, 2105 – Vila Mariana, São Paulo)
Duração 60 minutos
28/10 e 04/11
Sábado – 21h
$60
Classificação 16 anos

CASA! DEPOIS ME CONTA

A comédia Casa! Depois me conta, com texto e direção de Roberto Bento, reestreia junto ao novo teatro BTC, na Vila Mariana, em temporada de 22 de setembro a 27 de outubro de 2017.

A comédia de situação, apresenta o cotidiano comum de qualquer cidadão , interpretada por 2 atores em 6 personagens (Roberto Bento e Amanda Blanco) que interpretam universos, vontades e talentos diferentes, mostrando que a condição social nem sempre traz a solução para os problemas diários.

O final pode ser bem surpreendente, ou não! rs

O autor e diretor Roberto Bento: extensa participação em comerciais. Na TV fez participações nas novelas A Força do Querer, Malhação, Avenida Brasil e dos humorísticos Zorra Total, Caras de Pau e Programa do Didi.

Casa! BTC.jpg

Casa! Depois me conta  
Com Roberto Bento e Amanda Blanco
Teatro B.T.C (Rua Santa Cruz , 2501 Vila Mariana – São Paulo)
Duração 80 minutos
22/09 até 27/10
Sexta – 21h30
$60
Classificação 12 anos

 

SUASSUNA – O AUTO DO REINO DO SOL (OPINIÃO)

No tabuleiro da vida, dentro da caixa escura mágica, Luis Vasconcelos transformou em poesia os sonhos de Bráulio Tavares, que bebeu das águas de Ariano Suassuna…

Suassuna – O Auto do Reino do Sol” é o novo trabalho da companhia teatral “Barca dos Corações Partidos“. Não é um espetáculo biográfico, mas sim, uma homenagem ao poeta e a comemoração dos seus 90 anos, caso estivesse vivo.

O sertão não virou mar, nem vice-versa, mas ocupou o teatro com toda sua mitologia e simbolismo particular, retratada pelo poeta em suas obras. Estão presentes personagens de outras obras do homenageado; o homem sertanejo, a comédia, os casos amorosos, a briga entre famílias poderosas, além da figura dos palhaços frustados (como o próprio Suassuna se denominava) e de Nossa Senhora.

A história é simples, assim como os textos de Suassuna. É um Auto – termo surgido na Idade Média em Portugal para definir as peças teatrais apresentadas primeiramente em igrejas, para depois tomar conta das feiras populares. Tem uma curta duração e com conteúdo simbólico, onde os personagens são entidades abstratas, de caráter religioso ou moral (o pecado, a luxúria, a bondade, a virtude, entre outros).

Conta a viagem de uma trupe circense pelo sertão paraibano em direção a Taperoá, cidade onde fica a fazenda dos Suassuna, para apresentar um espetáculo em sua homenagem. Só que no trajeto, acabam se perdendo e vão parar no vale ‘O Soturno’, uma região dominada por duas famílias inimigas e poderosas – os Fortunato  e os Moraes. E para piorar a rixa, os jovens Iracema Moraes e Lucas Fortunato se apaixonam e resolvem fugir do sertão com o circo.

21032837_1947215182228641_5842733675144087336_n.jpg

Nossa Opinião

Nesta montagem, sob direção de Luis Vasconcelos, quem se sobressai são os atores. O diretor consegue destacar as qualidades de cada um, e com isso, todos tenham seus momentos principais.

Mas não tem como não destacar os personagens feitos por Adrén Alves nos papéis de Sultana, a dona do circo, e da matriarca da família Fortunato; bem como os palhaços de  Eduardo Rios e Renato Luciano, que interpretam seus Dom Quixote e Sancho Pança no picadeiro.

O cenário é uma caixa teatral preta, com um tabuleiro ao centro, por onde os personagens caminham por suas casas. E por onde também navega um barca em forma de carroça, que leva a trupe circense – e seus instrumentos musicais – pelo sertão nordestino.

Destaque também para as canções autorais e inéditas de Chico César, Beto Lemos e Alfredo Del Penho; os figurinos de Kika Lopes e Heloisa Stockles; e a iluminação criada por Renato Machado, para mostrar desde o sertão nordestino às nuances da trama.

“Suassuna – o Auto do Reino do Sol” tem que ser vista!

Suassuna_9263A-1.jpg

A Barca dos Corações Partidos

A companhia é formada por Adrén Alves, Alfredo Del Penho, Beto Lemos, Fábio Enriquez, Eduardo Rios, Renato Luciano e Ricca Barros. Como atores e músicos convidados para este musical, temos Rebeca Jamir, Chris Mourão e Pedro Aune.

O grupo teve como padrinho outro expoente do Teatro Brasileiro – João Falcão, que os reuniu em “Gonzagão, a Lenda” (2012) e logo depois em “Ópera do Malandro” (2014).

Depois foi hora de trilhar os caminhos com suas próprias pernas. Veio “Auê” (2015), que segundo o dicionário, é sinônimo de farra, tumulto, confusão causado por uma algazarra. Foi isso que o grupo fez nos palcos, apresentando 21 canções autorais e inéditas, num espetáculo de dança, teatro, performance e música. E em 2017, “Suassuna – o Auto do Reino do Sol“.

O reconhecimento do trabalho da Barca dos Corações Partidos veio tanto por parte do povo (que lota as suas apresentações e tem paixão pela companhia teatral – nós, inclusive) como pela crítica especializada. Só no Prêmio Reverência deste ano (prêmio que reconhece os melhores do Teatro Musical Brasileiro), a companhia recebeu 17 indicações, sendo 10 por ‘Suassuna’ e 7 por ‘Auê’. No Prêmio Bibi Ferreira, outro voltado para espetáculos musicais, ‘Auê’ tem 10 indicações (‘Suassuna’ só estreou em São Paulo após a divulgação das indicações).

Viva a cultura popular brasileira! Viva Ariano Suassuna!

20987593_267379503765337_32654086595674112_n

elenco e criativos – Luis Vasconcelos (diretor), Bráulio Tavares (autor), Chico César (diretor musical) e Andrea Alves (produtora)

Suassuna – o Auto do Reino do Sol
Com a Cia. Barca dos Corações Partidos: Adrén Alves, Alfredo Del Penho, Beto Lemos, Fábio Enriquez, Eduardo Rios, Renato Luciano e Ricca Barros. Atriz convidada: Rebeca Jamir. Artistas convidados: Chris Mourão e Pedro Aune
SESC Vila Mariana (R. Pelotas, 141 – Vila Mariana, São Paulo )
Duração 120 minutos
24/08 até 01/10
Sexta e Sábado – 21h; Domingo e Feriado – 18h
$40 ($12 trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo matriculados no Sesc e dependentes/Credencial Plena).
Classificação 12 anos