ALAKAZAN – A FÁBRICA MÁGICA

Senhoras e senhores, preparem-se para uma grande viagem ao divertido universo de magia e fantasia do Circo dos Sonhos. No próximo dia 23 de fevereiro, reestreia em São Paulo o espetáculo Alakazan – A Fábrica Mágica, que traz à cena ilusionismo, música, teatro, dança e circo. O espetáculo acontece na lona montada na esquina da Rua Vergueiro com Avenida Ricardo Jafet, com sessões de terça a domingo.

Dirigido por Rosana Jardim, o espetáculo conta com performances de grande impacto e números circenses de báscula, contorção, rola, malabares, monociclo, equilíbrio no arame, tecido aéreo, faixa e muita palhaçada. Alakazan – A Fábrica Mágica traz à cena o duelo entre os personagens Alan e Kazani, que disputam a atenção da pequena Ly, a já conhecida menininha do Circo dos Sonhos. Ly é uma criança curiosa, que toca e fotografa tudo ao seu redor. Em uma visita à Biblioteca, ela é surpreendida por Alan, que surge como num passe de mágica e lhe entrega um livro especial, retirando o tablet de suas mãos. Encantada pelo livro, ela pede que ele leia a história, mas quando ele inicia, é interrompido por um som de sinos. Quando os dois procuram de onde vem tal som, surge Kazani, que transporta todos para a Fábrica Mágica, um universo fantástico onde tudo é possível.

A cada badalar do sino e movimento das engrenagens, Ly é transportada para outro universo com novas atrações, sempre acompanhada pelo seu amigo Alan. Kazani não gosta da interação entre Alan e Ly e compete por sua atenção. Essa disputa irá seguir e se fortalecer até o último ato, onde ocorre o confronto final, quando Ly conseguirá transmitir aos dois o poder da amizade e união, mostrando que é possível compartilharem suas habilidades, assim como os livros e os tablets, que compartilham seus conhecimentos com seus leitores.

Sobre o Circo dos Sonhos

Circo dos Sonhos pertence à família Jardim, que tem mais de 30 anos de tradição circense. Foi fundado em 2004, e já apresentou seus espetáculos para mais de 4 milhões de pessoas. Suas estruturas já visitaram diversos estados brasileiros, encantando com os elogiados espetáculos “Circo dos Sonhos – O sonho vai começar”, “Circo dos Sonhos no mundo da Fantasia” e “Quyrey, uma aventura na selva”. Tendo como embaixador o artista Marcos Frota, o Circo dos Sonhos possui atualmente duas lonas que circulam pelo país, e conta com uma equipe de mais de 150 profissionais, entre eles costureiras, designers, artistas plásticos, produtores, diretores, marceneiros, serralheiros, figurinistas, cenógrafos, bailarinos, coreógrafos, acrobatas, malabaristas, palhaços, trapezistas, contorcionistas e produtores.

Além de produzir e levar entretenimento pelo país, a Família Jardim possui grande expertise na realização de oficinas e treinamentos, pois atua também em eventos corporativos, palestras, assessoria circense, locação de tendas e tensionados.

Alakazan – a Fábrica Mágica
Com Trupe Circo dos Sonhos
Circo dos Sonhos (Avenida Ricardo Jafet, 1730 – Vila Mariana, São Paulo)
Duração 90 minutos
23/02 até 29/04
Terça, Quarta, Quinta e Sexta – 20h, Sábado, Domingo e Feriado – 16h, 18h e 20h
$30/$50
Classificação Livre

SELVAGERIA

Selvageria’ é o terceiro projeto de Felipe Hirsch e Ultralíricos, coletivo formado em Puzzle’ (2013), espetáculo dividido em quatro partes que levou para o palco a obra de escritores brasileiros contemporâneos. A investigação literária continuou em A Tragédia Latino-Americana’ e ‘A Comédia Latino-Americana’ (2016), díptico encenado a partir de autores latino-americanos e de questões sociais do continente. Desta vez, o grupo se debruçou sobre livros e documentos da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin e sobre a Bibliographia Brasiliana pesquisada por Rubens Borba de Moraes. O resultado desta pesquisa será apresentado a partir de 3 de novembro no Sesc Vila Mariana, em temporada até 17 de dezembro.

Em cena, aparecem textos que começam com a famosa Carta de Pero Vaz de Caminha ao Rei Dom Manuel (1500), passam por relatos, decretos, diários e chegam ao Triste Fim de Policarpo Quaresma’ (1911), de Lima Barreto, único texto da montagem não originado de um documento histórico. 

Esses documentos são europeus. A fala é dos europeus e dos selvagens civilizados contados por europeus brancos. São essas pessoas que falam. E esses documentos são aterrorizantes, comenta Felipe Hirsch.

Para o diretor, os espectadores podem achar que os textos foram escritos ou que se fez algum tipo de dramaturgia, tamanho o absurdo e a proximidade com a realidade de hoje. ‘’Selvageria’ fala sobre as raízes do conservadorismo no Brasil. Eu brinco de que a gente fez duas ficções (‘Puzzle’ e ‘A Tragédia e a Comédia Latino-Americana) e agora é nosso documentário. Esses documentos foram escolhidos não só pela importância histórica, mas, de fato, pela necessidade de entender que alguns deles são fundamentos do pensamento vigente’, analisa Hirsch.

Os textos:

Carta a El-Rei D. Manuel (Pero Vaz de Caminha, Portugal, 1500)

É o primeiro documento histórico sobre a descoberta do Brasil. A carta redigida por Pero Vaz de Caminha, escrivão da frota liderada por Pedro Álvares Cabral, descreve ao Rei de Portugal D. Manuel como era a terra e os nativos que nela habitavam. Nota-se o deslumbramento dos europeus ao se depararem com os selvagens e as belezas naturais do chamado Novo Mundo. As descrições retratam o primeiro contato com os nativos, menções ao Pau-Brasil, à Primeira Missa na Nova Terra e aos primeiros escambos feitos entre os descobridores e os indígenas. Como uma grande epígrafe do que viria ser a intervenção dos europeus sobre a história do Brasil, Caminha escreve a despeito da riqueza natural da nova descoberta: Porém o melhor fruto, que nela se pode fazer, me parece que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar”.

Cest la dedvction du sumptueux ordre plaisantz spectacles et magnifiquves thea-tres dresse, et exhibes para les citoiens de rouen ville metropolitaine du pays de Normandie, a la sacre maiesté du treschristian roy de France, Henry Secõd leur souuerain seigneur, et à tresillustre dame, ma dame Katharine de Medicis, la royne son espouze, lors de leur triumphant ioyeulx et nouvel aduenement en icelle ville, qui fut es iours de mercredy et ieudy premier et secöd iours doctobre, mil cinq cens cinquante et pour plus expresse intelligence de ce tant excellent triumphe, les figures et pourtraicts des principaulx aornementz diceluy y sont apposez chauscun enson lieu comme lon pourra veoir parle discours de lhistoire (Robert Le Hoy e Jean Du Gord, França, 1551)

Em outubro de 1550, Henrique II, Rei da França, e sua esposa, Catarina de Médici, fizeram uma entrada solene na cidade de Rouen. Como era de hábito, foram realizadas pomposas celebrações. O ponto alto dessas festividades foi, porém, a reconstituição de uma aldeia indígena brasileira em praça próxima ao rio. Cerca de cinquenta índios brasileiros, que haviam sido trazidos de seu país por marinheiros normandos e que viviam na cidade, foram reunidos para povoar esta floresta. Para perpetuar a memória dessas magníficas festividades, Jean du Gord, famoso livreiro de Rouen, ordenou a impressão desse livro, que contém a descrição completa da festa brasileira em duas páginas.

Essais (Des Cannibales) (Michel de Montaigne, França, 1580)

Os mesmos índios que estavam na Festa Brasileira, em Rouen, continuaram a viver na cidade e foram durante anos uma das atrações turísticas do lugar. Quando o Rei Carlos IX visitou a cidade em 1562, foi apresentado a eles. Montaigne testemunhou o fato, e deve ter conservado vívida lembrança, pois se refere aos índios na famosa passagem Dos Canibais, presente em seus Ensaios.

Histoire de la Mission des Pères Capucins en lIsle de Maragnan et terres circonvoisines (Claude DAbbeville, França, 1614)

A obra narra a missão dos capuchinhos franceses ao Maranhão em 1612, integrada pelos padres Yves dEvreux, Arsène de Paris, Ambroise dAmiens e Claude dAbbeville, numa tentativa de colonização do Norte do Brasil e de evangelização dos índios.

Voyage dans le nord du Brésil fait durant les années 1613 et 1614 (Yves D’Evroux, França, 1615)

Escrita com a intenção de completar a obra de Claude dAbbeville publicada no ano anterior, Voyage dans le nord du Brésil omite o que já fora dito. Yves dEvreux, tendo vivido um ano e meio a mais na região, trata de detalhes como a fauna e a vegetação tropical do próprio Maranhão, ao passo que dAbbeville conta somente a história da missão. As muitas descrições publicadas sobre a ida dos capuchinhos franceses ao Maranhão levam a crer que os padres realizaram uma verdadeira campanha de publicidade em torno das expedições.

Campagne du Brésil faite contre les portugals (Louis Chancel de Lagrange, França, 1711)

À bordo da fragata LAigle, um dos 17 navios da armada francesa, o 1º Tenente Louis Chancel de Lagrange relata o assalto e a tomada do Rio de Janeiro em 1711, pela expedição comandada por René Duguay-Trouin.

Letters from the Island of Teneriffe, Brazil, the Cape of Good Hope, and the East Indies (Mrs. Jemima Kindersley, Inglaterra, 1777)

Mrs. Kindersley foi a primeira mulher a escrever uma narrativa sobre o Brasil. De origem inglesa, casou-se em 1762 com o oficial de uma companhia das Índias Orientais, motivo pelo qual os dois viajaram duas vezes às colônias em expansão.

Voyage Autour du Monde (Jacques Arago, França, 1822)

Jacques Arago, artista da expedição científica chefiada por Claude-Louis de Freycinet, escreveu o relato da viagem num estilo muito espirituoso e divertido. Sua expedição chega ao Rio de Janeiro em 1817 e Arago fornece uma longa descrição de sua estada em Guanabara. É um dos raros documentos que retratam em detalhes o Cais do Valongo, um dos maiores portos escravagistas do mundo. Suas inúmeras histórias impressionam pela realidade com que descrevem a crueldade física e moral praticada contra os escravos. A obra nunca foi traduzida ou publicada no Brasil.

Narrative of a voyage to Patagonia and Terra del Fuego, through the Straits of Magellan (John McDouall, Inglaterra, 1833)

O autor esteve de passagem pelo Rio de Janeiro em 1826 e foi mais um dos viajantes a testemunhar o triste espetáculo que se apresentava no Cais do Valongo.

Illustríssimo Senhor Luiz da Cunha / Meu Marido Senhor Luis (Teodora da Cunha e Claro Antônio dos Santos, Brasil, 1866 / 1867)

As cartas da escrava africana Teodora, escritas pelo brasileiro também escravo, Claro Antônio dos Santos, foram descobertas no Arquivo Público do Estado de São Paulo. Ao complementar o serviço de carpinteiro com alguns vinténs advindos da sua habilidade com a escrita, Claro foi autor de inúmeras cartas enviadas como expressão da vontade de Teodora e de outros escravos analfabetos.

Lei Saraiva (Brasil, 1888)

Oficialmente, é o Decreto nº 3.029, que entrou em vigor dia 9 de janeiro de 1881, e teve como redator final o Deputado Geral Rui Barbosa. O decreto instituiu, pela primeira vez, o Título de Eleitor. Entre suas medidas excludentes, está a proibição do voto de analfabetos e de brasileiros que possuam renda inferior a 200$, com exceção dos que ocupam os cargos listados nos artículos da Lei. Além disso, impôs uma série de multas para quem descumprisse seus termos, impedindo definitivamente que as massas da população tivessem representação e voz política, inclusive as mulheres, para quem a lei conservou a inaptidão ao voto

Triste Fim de Policarpo Quaresma (Lima Barreto, Brasil, 1911)

Exceção, o trecho de Lima Barreto é único texto não originado diretamente de um documento. De onde mais, porém, teria saído Policarpo Quaresma, apaixonado pela Pátria, conhecedor dos rios, dos heróis do Brasil”, “das suas cousas de tupi”, das mutilações em todos os países históricos? O que nos resta depois de uma história impregnada nas raízes de um conservadorismo bastardo, do qual ainda dividimos as louças?

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Selvageria
Com Blackyva, Bruno Capão, Caco Ciocler, Crista Alfaiate, Danilo Grangheia, Georgette Fadel, Isabel Zuáa, Magali Biff, Arthur de Faria, Adolfo Almeida Jr., bella, Dhiego Andrade, Mariá Portugal e Thomas Rohrer
Sesc Vila Mariana (R. Pelotas, 141 – Vila Mariana, São Paulo)
Duração 180 minutos
03/11 até 17/12
Quinta, Sexta e Sábado – 20h, Domingo – 18h
$40
Classificação 16 anos

DESPIROCANDO

Depois de mais de dois anos fora dos palcos o ator e radialista Jorge Paulo, volta com seu novo show: Despirocando.

De 2001 a 2014 ficou em cartaz passado pelos principais teatros de São Paulo com a comédia Quem Ri Por Último é Loira ou Português. Em 2010 ficou entre os 5 melhores de São Paulo, em votação do Guia da Folha.

Despirocando  mistura piadas, personagens, improviso, etc… Um show completo onde o público vai aprender como fazer um DR sem se stressar, histórias de viagens, cotidiano, relacionamento e muito mais!

jorge paulo

 

Despirocando
Com Jorge Paulo
Teatro BTC (R. Santa Cruz, 2105 – Vila Mariana, São Paulo)
Duração 60 minutos
28/10 e 04/11
Sábado – 21h
$60
Classificação 16 anos

CASA! DEPOIS ME CONTA

A comédia Casa! Depois me conta, com texto e direção de Roberto Bento, reestreia junto ao novo teatro BTC, na Vila Mariana, em temporada de 22 de setembro a 27 de outubro de 2017.

A comédia de situação, apresenta o cotidiano comum de qualquer cidadão , interpretada por 2 atores em 6 personagens (Roberto Bento e Amanda Blanco) que interpretam universos, vontades e talentos diferentes, mostrando que a condição social nem sempre traz a solução para os problemas diários.

O final pode ser bem surpreendente, ou não! rs

O autor e diretor Roberto Bento: extensa participação em comerciais. Na TV fez participações nas novelas A Força do Querer, Malhação, Avenida Brasil e dos humorísticos Zorra Total, Caras de Pau e Programa do Didi.

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Casa! Depois me conta  
Com Roberto Bento e Amanda Blanco
Teatro B.T.C (Rua Santa Cruz , 2501 Vila Mariana – São Paulo)
Duração 80 minutos
22/09 até 27/10
Sexta – 21h30
$60
Classificação 12 anos

 

SUASSUNA – O AUTO DO REINO DO SOL (OPINIÃO)

No tabuleiro da vida, dentro da caixa escura mágica, Luis Vasconcelos transformou em poesia os sonhos de Bráulio Tavares, que bebeu das águas de Ariano Suassuna…

Suassuna – O Auto do Reino do Sol” é o novo trabalho da companhia teatral “Barca dos Corações Partidos“. Não é um espetáculo biográfico, mas sim, uma homenagem ao poeta e a comemoração dos seus 90 anos, caso estivesse vivo.

O sertão não virou mar, nem vice-versa, mas ocupou o teatro com toda sua mitologia e simbolismo particular, retratada pelo poeta em suas obras. Estão presentes personagens de outras obras do homenageado; o homem sertanejo, a comédia, os casos amorosos, a briga entre famílias poderosas, além da figura dos palhaços frustados (como o próprio Suassuna se denominava) e de Nossa Senhora.

A história é simples, assim como os textos de Suassuna. É um Auto – termo surgido na Idade Média em Portugal para definir as peças teatrais apresentadas primeiramente em igrejas, para depois tomar conta das feiras populares. Tem uma curta duração e com conteúdo simbólico, onde os personagens são entidades abstratas, de caráter religioso ou moral (o pecado, a luxúria, a bondade, a virtude, entre outros).

Conta a viagem de uma trupe circense pelo sertão paraibano em direção a Taperoá, cidade onde fica a fazenda dos Suassuna, para apresentar um espetáculo em sua homenagem. Só que no trajeto, acabam se perdendo e vão parar no vale ‘O Soturno’, uma região dominada por duas famílias inimigas e poderosas – os Fortunato  e os Moraes. E para piorar a rixa, os jovens Iracema Moraes e Lucas Fortunato se apaixonam e resolvem fugir do sertão com o circo.

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Nossa Opinião

Nesta montagem, sob direção de Luis Vasconcelos, quem se sobressai são os atores. O diretor consegue destacar as qualidades de cada um, e com isso, todos tenham seus momentos principais.

Mas não tem como não destacar os personagens feitos por Adrén Alves nos papéis de Sultana, a dona do circo, e da matriarca da família Fortunato; bem como os palhaços de  Eduardo Rios e Renato Luciano, que interpretam seus Dom Quixote e Sancho Pança no picadeiro.

O cenário é uma caixa teatral preta, com um tabuleiro ao centro, por onde os personagens caminham por suas casas. E por onde também navega um barca em forma de carroça, que leva a trupe circense – e seus instrumentos musicais – pelo sertão nordestino.

Destaque também para as canções autorais e inéditas de Chico César, Beto Lemos e Alfredo Del Penho; os figurinos de Kika Lopes e Heloisa Stockles; e a iluminação criada por Renato Machado, para mostrar desde o sertão nordestino às nuances da trama.

“Suassuna – o Auto do Reino do Sol” tem que ser vista!

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A Barca dos Corações Partidos

A companhia é formada por Adrén Alves, Alfredo Del Penho, Beto Lemos, Fábio Enriquez, Eduardo Rios, Renato Luciano e Ricca Barros. Como atores e músicos convidados para este musical, temos Rebeca Jamir, Chris Mourão e Pedro Aune.

O grupo teve como padrinho outro expoente do Teatro Brasileiro – João Falcão, que os reuniu em “Gonzagão, a Lenda” (2012) e logo depois em “Ópera do Malandro” (2014).

Depois foi hora de trilhar os caminhos com suas próprias pernas. Veio “Auê” (2015), que segundo o dicionário, é sinônimo de farra, tumulto, confusão causado por uma algazarra. Foi isso que o grupo fez nos palcos, apresentando 21 canções autorais e inéditas, num espetáculo de dança, teatro, performance e música. E em 2017, “Suassuna – o Auto do Reino do Sol“.

O reconhecimento do trabalho da Barca dos Corações Partidos veio tanto por parte do povo (que lota as suas apresentações e tem paixão pela companhia teatral – nós, inclusive) como pela crítica especializada. Só no Prêmio Reverência deste ano (prêmio que reconhece os melhores do Teatro Musical Brasileiro), a companhia recebeu 17 indicações, sendo 10 por ‘Suassuna’ e 7 por ‘Auê’. No Prêmio Bibi Ferreira, outro voltado para espetáculos musicais, ‘Auê’ tem 10 indicações (‘Suassuna’ só estreou em São Paulo após a divulgação das indicações).

Viva a cultura popular brasileira! Viva Ariano Suassuna!

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elenco e criativos – Luis Vasconcelos (diretor), Bráulio Tavares (autor), Chico César (diretor musical) e Andrea Alves (produtora)

Suassuna – o Auto do Reino do Sol
Com a Cia. Barca dos Corações Partidos: Adrén Alves, Alfredo Del Penho, Beto Lemos, Fábio Enriquez, Eduardo Rios, Renato Luciano e Ricca Barros. Atriz convidada: Rebeca Jamir. Artistas convidados: Chris Mourão e Pedro Aune
SESC Vila Mariana (R. Pelotas, 141 – Vila Mariana, São Paulo )
Duração 120 minutos
24/08 até 01/10
Sexta e Sábado – 21h; Domingo e Feriado – 18h
$40 ($12 trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo matriculados no Sesc e dependentes/Credencial Plena).
Classificação 12 anos

 

 

SUASSUNA – O AUTO DO REINO DO SOL

‘Suassuna – O Auto do Reino do Sol’ traz na essência uma série de características de seu homenageado. Ariano Suassuna (1927- 2014) – que teria completado 90 anos em junho – defendeu incansavelmente a brasilidade e a valorização da cultura nacional, ao mesclar a arte popular e o universo erudito em todas as suas obras.
 
Idealizadora deste tributo ao escritor paraibano, a produtora Andrea Alves, da Sarau Agência, lançou o desafio para a Cia. Barca dos Corações Partidos e convidou três ilustres conterrâneos de Ariano para criar algo totalmente inédito, inspirado em seu legado e desenvolvido em um processo coletivo. Desta forma, nasceu o musical, que chega a São Paulo no dia 24 de agosto, no Teatro do Sesc Vila Mariana, com canções de Chico César, Beto Lemos e Alfredo Del Penho, encenação de Luís Carlos Vasconcelos e texto de Braulio Tavares.
 
Em 2007, a Sarau Agência realizou uma grande programação para festejar os 80 anos de Ariano e, desde então, foi criado um vínculo do escritor com Andrea, responsável por todas as montagens da Barca dos Corações Partidos e por uma série de projetos que celebraram a arte brasileira nos últimos 25 anos. ‘Há algum tempo, Ariano me falou: ‘Não venha comemorar meus 85 anos, eu não vou morrer, quero que você festeje os meus 90!’. Naquele momento me senti condecorada e com uma grande missão pela frente’, conta a produtora.
 
A ideia inicial surgiu em conversas de Andrea com Ariano, que se confessava um palhaço frustrado e que elegeu o palhaço de ‘O Auto da Compadecida’ como um dos seus personagens prediletos. ‘Assim, surgiu a ideia de uma grande homenagem ao palhaço de Ariano e pensei na reunião da Barca dos Corações Partidos com o que eu chamo de “trio paraibano”. Assim foi sendo criada esta peça inédita, com músicas e texto originais, mas totalmente inspirada no legado de Ariano’, resume.
O texto e as canções do musical foram produzidos ao longo do processo de ensaios, que começou ainda no ano passado, quando o elenco fez uma série de oficinas circenses e também excursionou pelo Nordeste brasileiro no que foi chamado de Circuito Ariano Suassuna. Guiados por Dantas Suassuna, filho de homenageado, a trupe esteve em Casa Forte (Recife), conheceu a famosa Pedra do Ingá e visitou a fazenda de Taperoá (Paraíba). Entre muitas palestras e oficinas, o grupo se preparou para o intenso processo criativo, em que se reuniram por oito horas diárias e apenas uma folga semanal nos últimos quatro meses.
 
Neste período, Braulio Tavares idealizou a história central da montagem, centrada em uma trupe de circo-teatro e nos acontecimentos de uma noite de apresentação do grupo. O picadeiro de um circo é o cenário perfeito para aparecerem personagens de Ariano, como João Grilo e Chicó (‘O Auto da Compadecida’) e outros conhecidos tipos da Literatura Clássica, além de servir como pano de fundo para as histórias dos integrantes da companhia fictícia.
 
O projeto sempre quis falar de Ariano sem, no entanto, apresentar um espetáculo biográfico ou mesmo uma adaptação de suas obras. ‘Quando entrei na história, já estava decidido que não seria um espetáculo Armorial e que teríamos a liberdade de subverter, de trazer o Ariano de outras formas. A criação foi toda impregnada de Ariano, de seus personagens e de seu universo, relata Luís Carlos Vasconcelos, que trouxe toda a sua imensa bagagem como palhaço para o processo. ‘É uma homenagem ao Ariano palhaço. O público é guiado por uma espécie de Palhaço Mestre de Cerimônias, como era habitual em seu teatro’, diz.
 
A parte musical seguiu pelo mesmo caminho. Os textos poéticos e as letras das músicas usam as formas tradicionais de poesia popular que foram cultivadas por Ariano, como a sextilha, a décima, o martelo e o galope. Chico César, Beto Lemos e Alfredo Del Penho, mostravam as melodias e algumas letras surgiam de improviso, outras cabiam exatamente em alguns trechos do texto. A maioria das letras ficou a cargo de Braulio Tavares, mas também tem canções de outros integrantes da companhia, como Adrén Alves e Renato Luciano. ‘Contaminação foi a palavra que define todo este projeto. As melodias foram contaminadas pelas letras e vice-versa. Criamos algo novo, mas totalmente contaminado por Ariano’, analisa Chico, a quem o escritor chegou a dedicar um livro de poesias.
 

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Suassuna – o Auto do Reino do Sol
Com a Cia. Barca dos Corações Partidos: Adrén Alves, Alfredo Del Penho, Beto Lemos, Fábio Enriquez, Eduardo Rios, Renato Luciano e Ricca Barros. Atriz convidada: Rebeca Jamir. Artistas convidados: Chris Mourão e Pedro Aune
SESC Vila Mariana (R. Pelotas, 141 – Vila Mariana, São Paulo )
Duração 120 minutos
24/08 até 01/10
Sexta e Sábado – 21h; Domingo e Feriado – 18h
$40 ($12 trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo matriculados no Sesc e dependentes/Credencial Plena).
Classificação 12 anos

O JOGO DO AMOR E DA MORTE

O Jogo do Amor e da Morte” busca inspiração em diversas obras literárias para contar a história de um homem (interpretado por Eliseu Paranhos) e de uma mulher (interpretado por Juliana Fagundes), fragilizados e paralisados diante de suas dores. A cada noite um jogo é proposto. Assim, “Os Maias” de Eça de Queiroz, “Giovanni” de James Baldwin e “Olhos Azuis – Cabelos Pretos” de Marguerite Duras emprestam seus personagens para que esses “jogos” se estabeleçam, numa expiação incessante que só acontece à noite – durante os dias os personagens somem, como vampiros.

Os espectadores ficam a poucos metros dos atores de forma que uma experiência naturalista é levada às últimas consequências, ainda que elementos distanciadores desafiem esta lógica – como o notebook ligado o tempo todo ou o som de mar intermitente vindo de alto-falantes.

Sinopse

Um homem contrata uma mulher para lhe fazer companhia por cinco noites durante as quais ela não deve fazer perguntas a seu respeito. A cada noite um jogo é proposto no qual eles devem representar papéis diferentes, sempre relacionados a amores frustrados e abandonos.

Os enredos criados remetem a personagens literários de forma que o que é verdade e o que é representação acaba se perdendo em meio aos devaneios e às dores, como num jogo de espelhos.

É certo, no entanto, que uma relação íntima e desesperada se estabelece e se fortalece durante esse período, de forma que um último abandono se torna imperativo sem que nenhum deles possa controlar.

Sobre o texto inédito de Eliseu Paranhos

“O Jogo do Amor e da Morte” é um pastiche cujos autores são, em última análise, os dois personagens da peça. São eles que citam e usam, como inspiração, as obras e autores que lhes convém.

O texto tem como fontes os enredos e personagens dos romances “Olhos Azuis – Cabelos Pretos”, de Marguerite Duras, “Giovanni”, de James Baldwin e “Os Maias” de Eça de Queiroz, bem como referências ao filme “Blade Runner”, de Ridley Scott, à música “La Maison Dieu”, de Renato Russo e à peça “Galileu Galilei”, de Bertold Brecht.

Em nossa fábula um homem está chorando em uma praia quando é abordado por uma mulher de olhos azuis, que também começa a chorar. Por algum motivo, o homem a contrata para lhe fazer companhia por cinco noites durante as quais ela não deve fazer perguntas a seu respeito.

Noite após noite os dois passam a representar papéis com o propósito aparente de entender e purgar os motivos pelos quais os dois se sentem tão abandonados e com tantas dores.

Destes jogos, às vezes lúdicos, às vezes extremamente dolorosos, nasce uma intensa relação fadada a uma interrupção ríspida devido à natureza do contrato que os une”.

Sobre a encenação

Concebida desde o início para ser encenada numa casa, para poucos espectadores, a peça possui inúmeras características que a afastam de uma experiência convencional de teatro.

O cenário é composto pela própria arquitetura e pelos móveis da casa – uma casa da década de 40, localizada em frente ao Instituto Biológico, na Vila Mariana. Nada foi retirado ou colocado. Não há um aparato cênico específico de teatros – equipamento de luz e de som, urdimentos ou nada parecido“, conta Eliseu.

A trilha sonora é composta por três canções compostas por Eliseu para o espetáculo e cantadas “à capela” e por um barulho constante de mar, que vem de um notebook utilizado como um elemento cênico.

A luz é toda feita pelas luminárias e abajures que fazem parte da mobília da própria casa, por aparelhos celulares e “tablets”, num confronto entre o novo e o antigo.

Alie-se isso ao tom poético e literário do texto e não poderíamos deixar de experimentar uma interpretação que não fosse intimista e radicalmente naturalista, com a encenação flertando mais com a linguagem cinematográfica do que a teatral“, completa Eliseu.

Ao espectador resta a sensação quase literal de ser um intruso, um “voyeur”, de ter um olhar privilegiado sobre aquelas veias abertas em que se transformam as pessoas à sua frente, cujas dores são tão intensas que fica difícil decifrar o que é mentira e o que é verdade nas encenações propostas pelos personagens.

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FICHA TÉCNICA

Texto e direção – Eliseu Paranhos

Elenco – Eliseu Paranhos e Juliana Fagundes

Cenário – Casa dos Fagundes

Figurino – Luciano Ferrari

Produção de Figurinos – Elen Zamith

Iluminação – Eliseu Paranhos e Juliana Fagundes

Projeto Gráfico – Paula di Paoli

Ilustração Projeto Gráfico – Luciano Ferrari

Ilustração “Casa dos Fagundes” – Pedro Brecheret Fagundes

Fotografia – VagnerClick

Administração – Lena Roque

Agradecimentos: Lena Roque, Julio Pompeo, Beto Magnani, Elaine Bortolanza, Ulysses Fagundes Neto, Claudio Marco Antonio, Mauro Casa dos Fagundes, Clarete Paranhos, Mauro Nemirovsky de Siqueira

SERVIÇO

Casa dos Fagundes: Avenida Conselheiro Rodrigues Alves, 1239 (em frente ao Instituto Biológico) – próximo à estação Ana Rosa do metrô.

Estreia: dia 27 de maio.

Temporada: sábados  às 21h e domingos às 20h.

Duração: 80 minutos

Classificação Indicativa: 14 anos

Capacidade: 20 pessoas

Ingressos: R$ 60,00 / meia-entrada: R$30,00– reservas pelo telefone: 993319366 (Vivo)

Até: 26 de agosto