VIRILHAS (OPINIÃO)

Se fosse nos anos 50, uma boa trilha para a peça “Virilhas” seriam as músicas de Dolores Duran e Maysa, e uma dose de whisky para essa sessão de terapia no teatro.

Mas nos tempos atuais, em que as relações começam e acabam por meio de aplicativos, ninguém mais está preocupado em saber o porquê a relação acabou. Será?

Virilhas” é uma peça de Alexandre Ribondi que aborda o final de relacionamento. Em um quarto, trancados, está um ex-casal de namorados. Ambos se reencontraram após 12 meses e 9 dias. Novamente a química sexual funcionou e ambos transaram. Só que para Neto foi só tesão; para Thiago, ainda resquícios do amor.

Enquanto conversam, Thiago quer saber o motivo pelo qual foi abandonado pelo outro. Mas Neto não sabe explicar – acabou porque acabou. O primeiro não satisfeito fica insistindo para saber do porquê, e vai mais além, quer saber sobre o que o outro fez enquanto estiveram separados. E por aí vai a peça, até que há uma reviravolta na última parte (sem spoilers).

 

Sob a direção de Rafael Salmona, Neto Mahnic e Thiago Schreiter conseguem imprimir os altos e baixos dos seus personagens – o sentimento de carinho, o ataque de fúria, a raiva, o abandono, além do que, há uma boa química entre os dois.

O texto de Ribondi, com as atuações de Neto e Thiago, faz com que em momentos você consiga se identificar mais com um, para de repente, ter uma identificação – ou seria compreensão? – pelo outro.

O cenário é limpo. Há uma cama no centro do palco e quatro panos de tecido estendidos do teto ao chão do palco. Dois supostamente seriam os boxes do banheiro (dedução pelas fotos de divulgação), e os outros dois panos como espelhos, onde os personagens realmente se desnudam quando estão por trás dos mesmos (pelo jogo de luz, só vemos as silhuetas).

A peça será vista de forma diferente para cada um da platéia. Depende se você está em um relacionamento; se já abandonou ou se foi abandonado; se viveu as ‘sete fases do luto’; se conseguiu virar a página e está em outra. (Fomos em três assistir a peça e cada um teve o seu ponto de vista no final. E o bacana é que o texto não fala quem está certo ou errado. Cada um tem sua experiência de vida.)

“Virilhas” está em cartaz no Teatro Augusta – Sala Experimental, nos finais de semana até outubro.

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Virilhas
Com Neto Mahnic e Thiago Schreiter
Teatro Augusta – Sala Experimental (Rua Augusta, 943 – Cerqueira Cesar, São Paulo)
Duração 50 minutos
25/08 até 01/10
Sexta – 21h30; Sábado – 21h; Domingo – 19h
$60
Classificação 18 anos

VIRILHAS

Amor ou paixão? Relacionamento ou conveniência? As reflexões para tais respostas poderão ser avaliadas pelo público no inédito texto de “Virilhas”, de Alexandre Ribondi, com estreia no próximo dia 25 de agosto, no Teatro Augusta – Sala Experimental. Com direção assinada por Rafael Salmona, a montagem encenada por Neto Mahnic e Thiago Schreiter chega pela primeira vez ao tablado sendo marcada por sensualidade, erotismo, solidão e desejos.

Em cena dois corpos aprisionados em um cômodo de apartamento. Dois homens com vontades opostas: um quer ir embora, esquecer o que aconteceu e o que sentiu. O outro, por acreditar que “um coração nunca se cura do amor”, quer ficar. Durante cerca de 50 minutos, os dois usam todos os recursos que têm, inclusive seus corpos e sua sexualidade, para conseguirem o que querem.

Trancados dentro de um banheiro do apartamento, ambos convivem com os dilemas do fim de relacionamento, ciclos que se fecham, amores líquidos e a eterna superficialidade de quem vai embora sem nunca ter ficado. Juntos, buscam a liberdade, a vingança amorosa, o gozo sexual e a felicidade – mesmo que cada um queira ser feliz à sua maneira.

Qualquer pessoa que já tenha passado pela experiência de compreender que amar não basta para estar junto também pode saber o que é interromper a raiva para se jogar nos braços do outro. Isso é o que vazem esses dois homens dentro deste apartamento”, pontua o autor. “Se uma pessoa tem o direito de ir embora é, claro, que a outra tem todo o direito de impedi-la”, completa.“

De acordo com o diretor da montagem, a peça acima retrata a violência com que o amor vai embora. “É um reflexo bem atual sobre a forma como levamos os relacionamentos. As pessoas entram e saem da vida das outras como trocam de roupas. Para dar mais realidade e profundidade a montagem da peça, inserimos vivências dos próprios atores, sobre o tema, nas palavras das personagens”, sintetiza Rafael Salmona.

Em algum momento da vida nos apaixonamos e quisemos deixar alguém. A peça é muito atual e levará a público a grandes reflexões”, pontua Neto Mahnic. “A peça não possui vilões ou mocinhos. A temática é crível, é real. O texto fala sobre relação e o melhor do modo que é visto hoje, onde tudo é meio efêmero”, completa o jovem ator Thiago Schreiter.

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Virilhas
Com Neto Mahnic e Thiago Schreiter
Teatro Augusta – Sala Experimental (Rua Augusta, 943 – Cerqueira Cesar, São Paulo)
Duração 50 minutos
25/08 até 01/10
Sexta – 21h30; Sábado – 21h; Domingo – 19h
$60
Classificação 18 anos