VOYEUR – UM OLHAR INDISCRETO SOBRE ALFRED HITCHCOCK

Ator, dramaturgo e pesquisador, Gerson Steves completa 35 anos de carreira artística. Para comemorar, ele realiza uma série de leituras dramáticas do texto Voyeur – Um Olhar Indiscreto sobre Alfred Hitchcock, que acontecem nos dias 19 e 26 de setembro, 03 e 10 de outubro, sempre às quintas, às 20h30, no Teatro do Núcleo Experimental. Além de estar em cena, interpretando o próprio Hitchcock, Gerson também assina a dramaturgia e direção das leituras. Ao lado dele estarão as atrizes Adriana Alencar, Beatriz Negri, Marcela Piccin, Muriel Aronchi, Sady Medeiros e Tatiana Montagnolli.
Mas não é o lado gênio do aclamado diretor de cinema que estará em cena: Gerson se baseou em entrevistas e biografias sobre o rei do suspense para mostrar seu envolvimento em casos de assédio e difamação aos astros e estrelas que trabalharam com ele. O texto propõe uma discussão bastante atual: abuso moral e sexual, partindo de uma tipificação e objetificação de ideais de feminino e masculino que, por muito tempo, contribuindo para reforçar modelos sexistas e machistas na indústria cinematográfica – especialmente de Hollywood.
Nascido há exatos 120 anos, Hitchcock  está em cena numa suposta entrevista na qual ele lida em seu imaginário com algumas das suas estrelas. Kim Novak, de Vertigo, Tippi Hedren, de Os Pássaros, Doris Day, de O Homem que Sabia Demais, e Ingrid Bergman, que estava em Quando Fala o Coração, são alguns dos nomes que relatam os abusos sofridos por Hitchcock. Esses nomes surgem em cena como bonecas ou na pele das atrizes que compõe o elenco e, cada uma delas apresentatá uma faceta do diretor e seus desvios de personalidade.
Hitchcock é a representação de um homem de sua época
Voyeur irá investigar ainda as interseções existentes entre a vida pública do mestre do suspense cinematográfico e sua pouco difundida vida privada. Numa época em que a indústria cinematográfica era notadamente masculina, Hitchcock exerceu o pior do sexismo e do machismo: moldava suas estrelas dentro e fora do set de filmagem, obrigando-as a cumprir não somente agendas profissionais escravizantes, mas também sociais. Sempre com investidas que iam do bullying mais corriqueiro ao assédio e à difamação públicos”, explica Gerson.
O ator, diretor, dramaturgo e pesquisador explica que é de uma época em que se via os filmes de Hitchcock na Sessão Coruja. Apesar de toda a sua genialidade e toda a contribuição que ele trouxe para a linguagem cinematográfica (técnicas, criativas e estéticas), ele diz que é importante olharmos para sua obra com esse viés e entender que ele era a representação do que se esperava de um homem da sua época.
Em tempos de #timesup em Hollywood, é curioso que o nome de Alfred Hitchcock não tenha surgido como um diretor que praticava abusos. Talvez poucas pessoas discutam esse seu comportamento hoje, porque completaremos 40 anos de sua morte no próximo ano. A sua memória está distante da atualidade e sua obra ficou mais do que a sua personalidade. Mas esse comportamento inoportuno existia. As atrizes foram as principais vítimas, mas seus galãs – principalmente, os homossexuais – , foram afetados também e até alguns jornalistas ficaram cara a cara com esse lado de sua personalidade. Ele se sentia no direito de moldar caráter, exigir um padrão de beleza e certas ações dos profissionais que o rodeavam. Naquele tempo, não havia essa discussão que existe hoje e, apesar da crueldade, isso era aceitável e fazia parte das regras do jogo”.
FACE (1)
Voyeur – Um Olhar Indiscreto Sobre Alfred Hitchcock
Com Adriana Alencar, Beatriz Negri, Marcela Piccin, Muriel Aronchi, Sady Medeiros e Tatiana Montagnolli e Gerson Steves
Teatro do Núcleo Experimental (Rua Barra Funda, 637 – Barra Funda, São Paulo)
Duração 90 minutos
19/09 até 10/10
Quinta – 20h30
Ingresso grátis (O público contribui se quiser e com quanto quiser/puder – distribuição uma hora antes)